Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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terça-feira, 8 de agosto de 2023

Censo indígena - 2022.

O salto da população indígena.

“Os povos indígenas estão nas cidades, em áreas urbanas, em áreas rurais, em áreas remotas, em favelas e todos precisam ser recenseados”. 

A maioria dos indígenas vive fora das 573 terras oficialmente demarcadas pela FUNAI. Espalhadas por zonas urbanas, etnias lutam para manter as tradições, mesmo longe das aldeias.  

A população indígena praticamente dobrou (2022) em relação ao último censo (2010). Mostrou uma nova realidade dos povos indígenas: 63,27% ou 1,1 milhão vivem fora das terras indígenas oficiais contra 36,73% ou 622,1 mil apenas vivendo em territórios indígenas. Reflexo de uma mudança na metodologia de trabalho do IBGE, pois pela primeira vez, a opção “se considera indígena” foi aplicada a pessoas que vivem fora dos territórios oficiais. Assim, os povos indígenas puderam afirmar seu pertencimento étnico por meio de duas perguntas: cor ou raça ou se autodeclarar em ambientes urbanos. Com essas, o Censo identificou 1,7 milhão de indígenas!

Enfim, é uma luta por território para saúde, aprendizagem, tradições, reconhecimento. Dança, religião, luta e resistência!!!








O limite da IA.

 

A inteligência artificial (IA) teve sua gênese há cerca de 65 anos, a partir de estudos científicos que buscavam agregar e fazer interagir um grande volume de informações para melhorar processos na saúde, agricultura, educação e no ambiente corporativo. A ideia-base concebida era facilitar a execução de serviços práticos, de modo a permitir que se pudesse aprender a pensar como um ser humano.

Ela está mais presente do que nunca em nosso cotidiano. Veio para ficar, resta sabermos como. Que nível de protagonismo daremos à IA nas nossas vidas? Até onde aceitaremos que máquinas se aproximem das mais complexas capacidades humanas, como pensar, decidir ou agir? Como será seu uso na defesa e na segurança pública? Até onde nossa identidade e privacidade serão respeitadas?

O assunto é desafiador e precisa ser regulando com moderação, evitando excessos e desinformação. Afinal, muito se fala na extinção de serviços manuais e no nascimento de novas profissões, bem como a possível existência de uma nova era robótica, onde as pessoas se tornariam dispensáveis no mercado de trabalho, por meio da supressão de atividades em que a presença humana não fosse mais necessária. Nessa direção, o Estado brasileiro precisa estar atento, dando atenção ao tema e fazendo-o amadurecer na esfera dos Três Poderes.

Será possível a inteligência artificial e a civilização avançarem juntas, sem ferir princípios morais?

·       Vazamento de informações;

·       Uso impróprio de dados;

·       Dependência dos aplicativos bancários;

·       Afinidade com dispositivos que tocam música a partir do nosso comando de voz;

·       O uso indiscriminado da IA, com o descontrole dos algoritmos e sua tomada independente de decisões – aumentando riscos, expondo dados pessoais, promovendo o sugestionamento de compras, o uso de dados para influenciar, criar tendências e mesmo manipular informações.

E aí vem o maior desafio para a educação neste século: preparar nossas crianças, jovens, adultos e idosos para atuarem como cidadãos críticos e reflexivos numa sociedade e em um mercado tomado pela disseminação dessas tecnologias e controlado pela elite tecnológica global.

Enfim, qualquer processo histórico só se efetiva quando alguém-humano “liga o botão”. Logo, a inteligência artificial só deve chegar aonde efetivamente permitirmos que se chegue.

O conflito na Foz do Amazonas.

“O Amapá, e eu também, podemos continuar sonhando com a exploração de petróleo em seu litoral” (Lula).

A Foz do Amazonas faz parte da Margem Equatorial, área considerada nova fronteira exploratória que vai do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte. A Petrobras pretende realizar investimentos da ordem de US$ 2 bilhões para as atividades exploratórias nessa região, considerando o plano de negócios até 2026.

A polêmica: o Ibama conceder a licença de perfuração do bloco FMZ-59 à Petrobras. Para explorar reservas da chamada Margem Equatorial, a Petrobras quer perfurar poços no bloco 59, a cerca de 160 Km da costa do Oiapoque (AP) e a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, com o objetivo de comprovar a viabilidade econômica da produção de petróleo na região. Além da falta de uma avaliação ambiental, o Ibama alega que o pedido da Petrobras não atende às exigências necessárias em planos de segurança e contingenciamento, assim como um esquema de proteção à fauna e de comunicação para as comunidades indígenas.

Parecer da AGU dá a Lula saída para liberar exploração de petróleo na bacia da foz do Rio Amazonas, em alto-mar. O Ibama já negou a licença de perfuração do bloco FMZ-59 à Petrobras duas vezes, tendo como uma das razões a falta de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), que analisa se a região, e não apenas o bloco a ser perfurado, está apta para ser explorada, e outras limitações no plano de proteção à fauna em caso de acidentes. Esse tipo de avaliação leva de 1 a 2 anos para ser concluída. Mas Lula e o Ministério de Minas e Energia vêm fazendo pressão para que ela seja concedida.

Os interessados vêm destacando a importância da exploração e dos estudos na Margem Equatorial como forma de abrir uma nova fronteira de produção na próxima década, já que o pré-sal tende a entrar em declínio nos próximos anos. 

Enfim, Petrobras x Ibama ou Planalto x Ministério do Meio Ambiente – um combate interno entre a empresa/governo e os interesses de Marina Silva. Fogo no parquinho!

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Todas as Amazônias.

 

Os Diálogos Amazônicos (4 e 6) e a Cúpula da Amazônia (8 e 9) acontecerão entre 04 e 09 de agosto/2023, em Belém, Pará. Os países amazônicos (Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname e Guiana), mais os países convidados, reforçando a concertação entre esses países da região que precisam assumir um novo olhar sobre a Amazônia, com compromissos claros e concretos capazes de:

1.     Superar a concentração de renda e pobreza;

2.     Conviver com a biodiversidade;

3.     Respeitar os direitos humanos e;

4.     Considerar os muitos modos de vida e culturas que compõem a Amazônia.

O objetivo dos Diálogos é promover plenárias organizadas pelo Governo Federal e de atividades auto-organizadas pela sociedade civil, instituições científicas e agências governamentais, resultando em cartas a serem apresentadas por representantes da sociedade civil aos líderes dos países amazônicos na abertura da Cúpula.

O objetivo da Cúpula é construir uma posição conjunta da PanAmazônia que será levada no final do ano à Conferência do Clima das Nações Unidas de 2023, a COP 28, em Dubai. Além do mais, inicia uma caminhada coletiva e plural rumo à COP 30, em 2025, quando governos de várias partes do mundo poderão dialogar sobre os caminhos da Amazônia, na Amazônia.

O acontecimento é fundamental para fortalecer nossa relação com movimentos e organizações socioambientais, instituições científicas e governos, assim como amplificar as vozes de povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais da Pan-Amazônia.

Amarrado nos compromissos...

·       A Cúpula da Amazônia tratará de pontos polêmicos, tais como: mineração, petróleo, reconhecimento, demarcação de terras indígenas na região. Assunto de política internacional, mas que mexe muito com a política interna.

·       A “Declaração de Belém” focará no ponto de não retorno – percentual de 20% de desmatamento que leva a um processo de desertificação da floresta amazônica, equivalente ao que se tem na savana africana.

·       A busca pelo consenso da preservação e a repressão a crimes ambientais. Inclusive a PF está realizando uma reunião das polícias desses países para combater o crime ambiental na PanAmazônica. Enfim, é necessária uma agenda de combate aos crimes nas fronteiras. O crime aumentou muito na região, e não só o ambiental.

·       Liderança e iniciativa: Para o Brasil, a cúpula é estratégica porque dá ao presidente Lula mais argumentos. Agora, além dos dados de queda de desmatamento, conseguidos em 6 meses de governo, ele terá reunido os países da região, mostrando liderança e iniciativa. Vai ter o que apresentar nos próximos encontros multilaterais: do G-20, que passará a presidir no mês que vem, na abertura da ONU, na COP-28 e em Davos, no Fórum Econômico Mundial.

·       Há uma enorme discrepância entre os países amazônicos em termos de presença e atividades na região, nenhum chegando perto do Brasil que é amazônico por excelência.

·       O problema nos encontros ambientais e climáticos é que o entusiasmo da sociedade civil nem sempre se transforma em compromissos efetivos dos governos.

·       Democrático: há uma alta qualidade dos painéis, dos compromissos assumidos por bancos e o inédito protagonismo indígena.

·       Qual será a força do documento final? É preciso firmar compromissos pelo desmatamento zero e a moratória da exploração de petróleo. Pode ser uma declaração bem típica de processos multilaterais não amadurecidos, uma carta política. Olhando para trás é mais do que se tinha, olhando para frente está longe de ser o que se precisa. É preciso ter força de capacidade para coordenar a pesquisa em ciência e tecnologia.

·       Sabemos pouco sobre as diversas amazônias. Há uma enorme ausência de conhecimento sobre a Amazônia, de produção, de princípios ativos para a medicina, de hidrografia, de climatologia. O melhor resultado seria criar um painel intergovernamental no âmbito do Tratado, formado por cientistas. O que se gasta em ciência é muito pouco. O Brasil gasta mais com a Antártida do que com a Amazônia.  

·       Quem será o grande vencedor dessa reunião? O presidente Lula, mas com ressalvas. Isso também o amarra aos compromissos. Lula não pode defender a Amazônia e, ao mesmo tempo, apoiar o combo que a bancada ruralista tenta aprovar de mais agrotóxico, anistia para a grilagem e flexibilização do licenciamento ambiental. Há outros dilemas como o asfaltamento da BR-319 e a Ferrogrão. Isso sem falar no grande ponto de conflito que é a exploração de petróleo no mar da Amazônia, principalmente se o governo tentar fazer como fez em Belo Monte, passando por cima do órgão ambiental. 

Assim, os resultados da Cúpula da Amazônia precisam incluir compromissos claros e concretos no sentido de:

·       Construir alternativas socioeconômicas viáveis para a região, superando o atual modelo predatório, que concentra renda, produz desigualdade social e engole a floresta;

·       Zerar todo e qualquer desmatamento em toda a PanAmazônia até 2030;

·       Garantir uma Amazônia livre de garimpo, incluindo a desintrusão imediata das terras indígenas mais impactadas na Amazônia brasileira;

·       Avançar nos processos de reconhecimento, demarcação e proteção de territórios indígenas e de comunidades tradicionais – como as comunidades quilombolas –, com fortalecimento dos mecanismos de proteção territorial;

·       Assegurar consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas e comunidades tradicionais, por meio de seus próprios protocolos de consulta, sempre que forem previstas medidas legislativas ou administrativas que possam afetar seus modos de vida;

·       Estruturar políticas de prevenção, adaptação às mudanças climáticas, e resposta aos eventos extremos para as cidades amazônicas, com especial atenção a populações vulnerabilizadas;

·       Rejeitar novos projetos de exploração de petróleo e promover uma transição energética justa e ecológica, que considere os aspectos geográficos e sociais da região;

·       Questionar acordos de associação e comércio que colocam ainda mais pressão nas florestas e reforçam dinâmicas colonialistas;

·       Criar e fortalecer políticas que estimulem a agroecologia na região e garantam a soberania e a segurança alimentar dos povos indígenas, comunidades tradicionais e população do campo.

A maior conferência sobre o futuro do planeta e da humanidade.

O reencontro do Brasil com sua agenda ambiental.

O Brasil tenta retomar sua liderança nas questões de mudanças de clima e desenvolvimento sustentável. Belém, Pará, sediará a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em novembro de 2025. A Cúpula da Amazônia que acontece agora servirá para tratar das questões regionais, sem perder de vista os preparativos para a COP30, que poderá se tornar a maior conferência sobre o futuro do planeta e da humanidade.

Colocará em foco o papel da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), única entidade intergovernamental com sede em Brasília e fruto de uma iniciativa diplomática brasileira (o TCA, Tratado de Cooperação Amazônica firmado em Brasília em 1978 com Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), na ordenação das políticas regionais, com vista ao cumprimento das decisões tomadas em Belém. A meta é a articulação e a consistência das políticas ambientais e de desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Diferenças sobre programa de desenvolvimento nuclear na década de 1990 levaram à criação do Mercosul. A realização no Brasil, em 1992, da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio 92) colocou o país numa posição de contribuir para a harmonia entre aqueles dois temas antípodas no conceito de desenvolvimento sustentável: conciliar a preservação do planeta e a erradicação da pobreza e da fome. Agora, com o agravamento da questão ambiental e das mudanças do clima, a posição do atual governo brasileiro recobra o protagonismo histórico e o respeito da comunidade internacional. Ao fazê-lo, resgata a tradição da diplomacia brasileira com seu compromisso em favor do regionalismo, do multilateralismo e de um ordenamento fundado no Direito num mundo em que a lógica do conflito voltou a ameaçar o paradigma do entendimento, da cooperação e da paz.

Enfim, precisamos somar esforços com a comunidade internacional para compreender o desafio ambiental e enfrentá-lo, todos juntos! E a geografia é a melhor política, um fator importante de aproximação e integração, pelo diálogo e cooperação.


A Cúpula da Amazônia.

É o maior evento já realizado entre líderes globais para discutir a Amazônia. A ambição é costurar um compromisso comum de desmatamento zero na região. Também o combate a crimes ambientais, como o garimpo ilegal, a situação dos indígenas e outros povos da região e o desenvolvimento sustentável.

- encontro para discutir soluções que promovam desenvolvimento social sustentável na região.

- líderes de países que possuem florestas tropicais.

- A França foi convidada (ela tem a Guiana Francesa aqui na América do Sul) e também a Alemanha e a Noruega (financiadoras do Fundo Amazônia, criado em 2008, uma das principais iniciativas internacionais de proteção da Floresta Amazônica e do meio ambiente).

Lula: reciclagem e ampliação!

 A reciclagem de marcas e a ampliação do público-alvo.

Até agora, vô Lula reciclou 04 programas de seus governos passados (e já criou outros 03 novos), todos voltados para a baixa renda, isto é, quem ganha entre 0 e 2 salários mínimos (porém, há uma tática de mirar na Classe Média). Também já anunciou a volta do Mais Médicos e do Novo PAC (de Dilminha). Afinal, esses projetos possuem uma carga forte no imaginário das pessoas.

Não só é difícil criar uma marca, mas também fazê-la emplacar. É um desafio atém mesmo no mercado publicitário e privado. Afinal, o maior desafio de qualquer marca é instalar na cabeça do consumidor a ideia de benefício de seu produto, que o faz voltar a comprar. Em política é a mesma coisa. Vimos nas últimas eleições programas serem renomeados/rebatizados/reformulados e agora reeditados porque deixaram fortes registros na cabaça das pessoas. Porém, o Governo precisa ter estratégias segmentadas para os diferentes grupos eleitorais.

Retomando o que deu certo, Lula deseja contemplar o eleitorado da última eleição cumprindo promessas entre o eleitorado em que ele foi vitorioso (os mais pobres, com Ensino Fundamental completo ou incompleto). Por outro, com ações como o “Voa, Brasil”, ele conquista a simpatia da população e atinge várias classes, principalmente do grupo que ganha de 2 a 5 salários. Com isso, Lula já alcançou mais de 70% do eleitorado do país!

Enfim, nomes de antigos programas voltam com a estratégia de reforçar ‘legado’ petista, mas novas apostas buscam atrair também eleitorado de classe média. É certeira essa opção do governo de reeditar programas antigos sem deixar de criar alguns novos (isso reforça a ideia de legado). Porém, a comunicação com a população é o ponto principal para respaldar essa estratégia.

domingo, 6 de agosto de 2023

Termos, conceitos e ideias.

Termos que atenuam, conceitos que justificam e ideias que atrapalham.

A polícia militar é a tropa mais letal da corporação! E a isso chamam de “operação bem-sucedida”, “efeito colateral”, “força tática” ou “reação com a mesma proporção com a que eles atacam a polícia”. E ainda há a expressão dos especialistas: “é preciso cobrar mais informações do ponto de vista técnico”. E que tal essa, na tentativa de detalhar o teatro de operações militares: "proximidade de Guarujá com o porto de Santos atraiu o PCC" (a violência é contagiosa?). E quando vem a explicação dos pesquisadores? "o tráfico internacional pelo porto é um crime de habilidades, de altos negócios, em que o banditismo comum atrapalha". 

Nada disso bate com a realidade porque a CONTRADIÇÃO é colocada de longe nos enunciados técnicos da imprensa e dos jornais e, questionamentos, quando existem, são oficiais ou acadêmicos demais!

Mortes deveriam chocar. Qualquer uma! O Estado é organizado para garantir SEGURANÇA e, por tabela, VIDA. Sua eficiência não é medida pela capacidade de matar. Saímos do estado de natureza para isso. Aceitar isso seria aceitar a força de uma elite que naturaliza o discurso de brutalidade que a mídia não deveria reproduzir (mas o faz, porque a mídia é uma versão refinada da elite). Ou não é razoável ignorar a falta de humanidade na imagem de um caveirão vazando sangue? Ora, o que está por trás de tudo isso?

A bancada da bala e seus eleitores bolsonaristas. Uma ala radical e extremista no Congresso disposta a atrapalhar qualquer governador que deseje planejamento de médio e longo prazo nas regiões pobres e afetadas pela desigualdade e pelo crime. Afinal, o medo nas comunidades e a violência da polícia é um valioso ativo eleitoral. É muito fácil se justificar com termos técnicos, pois eles passam longe da espinhosa barbárie por detrás do discurso. Mas, como pensar se o sistema lhe programa para agir, mecanicamente? O óbvio sustenta o oculto.

CONTEXTUALIZAÇÃO, cadê você? Pistolas 9mm e outras armas envolvidas na violência são arsenal bomba-relógio vendidos na era Bolsonaro. Suavemente colocadas nas mãos de CACs e congêneres, escorregou para o crime. Mas, a perícia não faz isso. A perícia profissional vai dizer de onde pode ter saído a bala, não a arma. Logo, evidenciar a barbárie por detrás do discurso soa óbvio, mas não é suficiente. 

Em verdade, você pode reduzir os índices de violência pela direita e pela esquerda. Na direita, produzindo e matando os bandidos num ciclo sem fim. Na esquerda, evitando a legitimação da bandidagem pelo ataque às mazelas sociais. A questão não é quantidade, mas qualidade dos planos de gestão.

Enfim, enquanto acreditarmos que o tiro na cabeça do pobre é a saída para a desigualdade social, a cabeça da elite permanecerá ilesa e matanças e chacinas serão naturalizadas. Afinal, cabeças rolando não são bolas de futebol!

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Calor extremo: assassino silencioso.

Seleção natural/socila? “Estou morrendo de calor...” Literalmente!

“As ondas de calor são chamadas de assassinas silenciosas porque elas são, de longe, os eventos extremos de verão mais mortíferos que temos. Elas são muito mais mortais do que chuvas extremas, secas ou vendavais”.

Julho/2023 foi o mês mais quente já registrado na história! Ondas de calor atingiram milhões de pessoas, especialmente no hemisfério Norte. Há várias maneiras pelas quais o calor afeta a saúde durante ondas de calor.

As altas temperaturas expõem as pessoas a grandes perigos, pois o corpo reage de diferentes formas, afetando o sistema cardiovascular, respiratório e renal. Vejamos:

·       Para tentar refrescar o corpo, o coração bombeia mais sangue, absorvendo o calor interno e o movendo em direção à pele para ser dissipado para o ambiente, em forma de calor. Então, obviamente, seu coração tem que bater mais rápido;

·       Como para bombear mais sangue é preciso mais oxigênio, também será necessário respirar mais;

·       Essas medidas fazem o corpo suar e, com isso, baixar a temperatura interna. Mas se a água que está sendo eliminada pelo suor não é reposta (com o consumo de líquidos) isso pode levar à falta de hidratação, ocasionando problemas renais.

·       Insolação: ocorre quando o corpo não consegue mais se refrescar, com a temperatura corporal podendo superar 41ºC. Entre os sintomas estão confusão mental, perda de consciência e convulsões.

·       Além de fisiológica, a adaptação ao calor pode ser comportamental, com ações como evitar estar na rua nas horas mais quentes do dia, usar roupas mais leves, beber mais água ou fazer menos esforço físico.

·       Além das altas temperaturas, outros fatores influenciam o impacto do calor no corpo, como a incidência de vento, radiação solar e umidade. Uma brisa fresca ou a proteção da sombra de uma árvore, por exemplo, ajudam a diminuir a sensação de calor. Já no caso da umidade do ar, índices altos dificultam o resfriamento do corpo. O principal mecanismo de resfriamento fisiológico que temos é a evaporação do suor de nossa pele. No entanto, quando está muito, muito úmido e já há muito vapor de água na atmosfera, isso reduz a capacidade de evaporação do suor.

A mortalidade de pessoas com mais de 65 anos relacionada ao calor aumentou em 68% entre os períodos de 2000-2004 e 2017-2021, situação que foi agravada pela pandemia de Covid-19. Mais de 61 mil pessoas morreram de calor na Europa no verão do ano passado, um número próximo do 70 mil mortos registrados por uma das piores ondas de calor na região em 2003. É muito estresse térmico!

Os efeitos do calor extremo tendem a ser mais fortes entre aqueles que já têm doenças cardiopulmonares e outros grupos de risco. Além deles, idosos têm uma dificuldade de termorregulação (ou seja, de manter a temperatura corporal) tanto quanto estão no frio quanto no calor, assim como as crianças e portadores de doenças crônicas.

Por trás disso tudo, a pegada ecológica das atividades humanas – a capacidade da Terra de se regenerar e absorver nossa poluição. No dia 02 de agosto/2023 (“Dia da sobrecarga da Terra”), a humanidade já gastou todos os recursos que o planeta tem a oferecer. Ou seja, o mundo já gastou todos os recursos naturais do ano inteiro em apenas 1 semestre (vivemos a crédito todos os anos e cada vez mais cedo recorremos ao cheque especial, só aumentando nosso déficit ecológico). Se quiséssemos mesmo respeitar os principais acordos internacionais, teríamos que adiar essa data em 19 dias todos os anos, durante os próximos 7 anos, para atingir a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030. Mas, em vez de melhorar, a situação só piora. Para alguns países, o dia da sobrecarga de recursos acontece muito mais cedo no ano, como na França, onde o prazo é 5 de maio. Se o mundo inteiro vivesse como os franceses, precisaríamos do equivalente a 2,9 Terras, por exemplo, para sobreviver durante 365 dias! Cada vez mais afundamos no cheque especial do planeta. E os juros são muito altos, pagos com a vida! Precisamos urgentemente descarbonizar a economia global.

Enfim, agora vai pensando tudo isso em regiões tropicais do globo, como a nossa!?

1º Corte da Selic: processo desinflacionário!

Vô Lula consegue o primeiro corte de juros após 3 anos (desde agosto de 2020 que o BC não fazia um corte na Selic)!

- o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.

- iniciou um ciclo gradual de flexibilização monetária.

- só foi vô Lula colar Gabriel Galípolo e Ailton Aquino (os dois novos diretores indicados por Lula) no Copom e a Selic caiu. Derrubou um pouquinho também a inflação (IPCA), de 5% para 4,9%, e a meta é cair para 3% até 2025.

- A Selic ficou 1 ano parada em 13,75%. Foram 12 aumentos consecutivos desde 2021.

- Porém, a estabilização da inflação requer aumento na arrecadação federal (o governo precisa recolher R$ 130 bilhões a mais!).

- A inflação caiu com a queda de preços dos combustíveis, dos artigos de residência (eletrônicos), alimentação e bebidas. Desaceleração...



Como o corte da Selic afeta a vida do brasileiro?

·       Impacta o endividamento das famílias: juro menor poderá dar alívio para os brasileiros com contas em atraso. O país registrou neste ano 70 milhões de brasileiros com o CPF negativado. Com a redução da Selic, tende a ficar mais fácil arcar com as parcelas de um empréstimo.

·       O financiamento imobiliário: financiamento da casa própria passará a pesar menos no bolso, com prestações mais baratas.

·       O crédito às empresas (pegar empréstimo e investir nos negócios): custo mais baixo deve encorajar companhias a levantar recursos e investir nos negócios.

·       Atividade econômica: redução da Selic tende a dinamizar o consumo e a produção. As famílias se sentem mais incentivadas a comprar bens de maior valor agregado, como carros e imóveis. Ou ampliam o consumo de outras despesas, como viagens e eletrodomésticos. Assim, o setor industrial tende a aumentar a sua produção, e a atividade econômica ganha tração. Mas este processo não é imediato. 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Digitalização das escolas públicas?

Crítica à gestação do plano de digitalização das escolas públicas, que vem aí...

Em vez de se jogar na direção que as indústrias digitais estão dando para a relação entre protagonismo tecnológico e educação (do centro para o território), deveríamos apostar na valorização dos conhecimentos nos territórios e usar a tecnologia como suplementação (do território para a crítica do suposto “centro”). 

Gastos gigantescos podem jogar o protagonismo dos atores educacionais no ralo, abrindo mão da nossa soberania em prol de uma qualidade duvidosa. 

Enfim, a digitalização das escolas é solução para os problemas da educação brasileira?

https://www.brasil247.com/blog/um-fiasco-e-um-erro-gigantesco-que-o-brasil-esta-a-ponto-de-cometer

"Fé cega" e convicção política.

O único ponto que o pensamento crítico parece não conseguir penetrar é o da “fé cega”. Inevitável? 

Existe uma transferência do fenômeno da “fé cega” para o campo político (convicção cega). O conservadorismo radical é tão convicto que nada o abala. Os eleitores do gado norte-americano ignoram as preocupações sobre os problemas legais e criminais de seu candidato Trump. Eles não o apoiam ‘apesar’ de suas falhas. Apoia porque não parece crer que ele tenha defeitos (37%). Ou seja, a ideologia radical cega a ética porque tem uma base inabalável. É uma (i)moralidade consolidada. Enfim, pelo visto, os EUA viverão uma reprise da barbárie. E... Nós também?