"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" (Antoine Lavoisier).
A água é uma só, independentemente da sua origem. Isso significa que a água que existe hoje é praticamente a mesma desde a formação do planeta, porque a Terra é um sistema fechado.
Embora o volume total seja constante, a quantidade de “água potável” (própria para consumo) em locais específicos pode mudar devido à poluição, ao desperdício e às alterações climáticas. Logo, a água não está acabando, mas é a “água fácil” que está cada vez mais difícil.
A água não deixa de ser água, mas vai ganhando conotações conforme o seu uso (“água superficial”, “água subterrânea”, “água potável”, “água fácil”, “água difícil”, “água isso”, “água aquilo”, etc.). O ciclo hidrológico move e recicla a mesma água continuamente entre os oceanos, a atmosfera, o solo e os seres vivos por meio de evaporação, condensação e chuva. Desse modo, ela muda de forma constantemente, transitando entre o estado líquido (rios e oceanos), sólido (geleiras e neve) e gasoso (vapor d’água). Assim, ela não desaparece nem é criada do nada.
Enfim, a quantidade total de água no
nosso planeta permanece essencialmente constante ao longo do tempo. A “água
comum” não está acabando – está mudando de endereço. No novo normal hídrico,
com escassez, seca e eventos extremos se tornando a norma, e não a exceção, a
crise exigirá reuso e inteligência/tecnologia para ir buscar a “água que era
fácil” onde ela estiver. Trata-se de uma crise com solução, mas é cara. Não
teremos mais o privilégio de devolver diretamente a água ao meio ambiente, mas
sim, direcioná-la a outro uso. A “água doce” está em falência, mas a “água
residual” está aumentando. Seja do mar ou do esgoto, convertê-la exigirá
tecnologia, energia e mudança de paradigma regulatório e cultural.