Não é só “quanto”, mas “quando”. Não é só questão de tempo, mas de idade.
- Ou seja, mesmo quando o uso do celular
“não era visto como excessivo”, ainda assim, há impactos na saúde. É como se
fosse uma droga.
- Idade importa: a faixa entre os 8 e os
12 anos da criança marca um momento de consolidação dos ritmos de sono, de
formação de hábitos motores e alimentares, de desenvolvimento da autorregulação
emocional e de maturação do córtex pré-frontal. O smartphone pode atrapalhar
esses processos.
- a introdução precoce do aparelho expõe
a criança a estímulos dopaminérgicos constantes. Quanto mais cedo isso
acontece, maior a chance de interferir na formação de hábitos saudáveis, de
criar dependência comportamental precoce e de desorganizar a rotina antes que
esteja totalmente consolidada.
- No estudo, os impactos na saúde apareceram mesmo quando o uso do celular não era considerado excessivo.
- Isso gera um conflito com o que a
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estipula como sendo o limite de tempo
de tela conforme a idade:
A) Crianças de 2
a 5 anos: podem usar até 1h por dia.
B) Crianças de 6
a 10 anos: entre 1h e 2h diárias;
C) Adolescentes
entre 11 e 18 anos: tempo máximo de 2h a 3h.
Nota: a SBP
recomenda que o uso de telas seja feito sempre com a supervisão de um adulto.
- A questão é que, segundo a pesquisa, entre 8 e 12 anos, o tempo médio de telas já ultrapassa 5h por dia!!!
- A pressão está em alta no mundo todo!
EUA e Reino Unido (a família só entregar um smartphone ao filho no fim do 8º
ano escolar ou aos 13 anos. A idade média seria 10 anos para ganhar um); no Brasil (movimento
Desconecta): proibição de celulares em sala de aula de todo o país.
- Lembrando que “telas” incluem
televisão e tablets, que podem ser opções menos nocivas por serem maiores e
naturalmente menos “práticas” de a criança passar muito tempo usando – ao contrário
do celular, que cabe na palma da mão e pode estar em qualquer ambiente.
- É que ele interfere na saúde das
crianças. Logo, a influência do aparelho não se restringe apenas ao tempo de
tela, mas nível de maturidade. Ele tem o poder de formar hábitos.
- Crianças de 12 anos que já possuem um smartphone
têm mais sintomas depressivos (+30%), maior
risco de ter obesidade (40%) e dormem menos (+60%) do que aquelas que não têm o
aparelho. O Smartphone pode funcionar como um AMPLIFICADOR: estimula o
sedentarismo, a privação de sono, a exposição a estímulos emocionais intensos
sem maturidade cognitiva para processá-los. O aparelho é um ambiente digital
permanente, portátil, social e muito estimulante, e tudo isso compete
diretamente com processos do neurodesenvolvimento da criança.
- Segundo o estudo, quando o grupo tinha
12 anos, 64% já possuíam um smartphone. Aos 14 anos, esse percentual subiu para
89%. A idade mediana de aquisição do primeiro aparelho celular foi aos 11 anos.
- Quanto mais cedo o smartphone é
introduzido na vida da criança, maior a probabilidade de desenvolver problemas.
Ou seja, “quando” o celular entra na vida da criança importa tanto ou até mais
do que o tempo de uso (quanto). A associação entre uma coisa e outra é muito
consistente! A relação é complexa, multifatorial e bidirecional.
- Também: crianças com maior vulnerabilidade emocional podem buscar mais o
celular, e ambientes familiares menos estruturados tendem
a oferecer smartphones mais cedo.
- RECOMENDAÇÕES:
evitar telas no quarto à noite, estabelecer horários definidos para o uso,
priorizar atividades físicas e sociais presenciais e, sempre que possível,
optar por aparelhos que não tenham acesso irrestrito à internet nas idades mais
precoces.
- Enfim, os smartphones não devem ser
tratados como um passo inevitável, mas como uma ferramenta que exige maturidade
para ser usada com segurança.
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