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Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 15 de março de 2026

Formação Nº 04: educação de meninos.

 

O combate a discursos e comportamentos violentos contra a mulher se tornou um imenso desafio da educação – em casa e nas escolas.

Como educar meninos nessa questão?

·       Desconstruir a noção tradicional de masculinidade;

·       Os casos diários da brutalidade de homens no assassinato de mulheres revelam o quanto eles são incapazes de suportar a rejeição feminina, muitas vezes após relações marcas por violência.

·       Há uma dimensão histórica e subjetiva em jogo, que mexe com questões econômicas e de subsistência, bem como do poder delas advinda. Desde as décadas de 1960 e 1970, o empoderamento feminino rompeu com a tradição patriarcal que confinava as mulheres às posições de esposa e mãe, como se fossem propriedade masculina. A autonomia feminina desestabilizou uma ordem secular. Para alguns homens, essa transformação é vivida como perda intolerável de poder e identidade. O que se abala é a fantasia da onipotência patriarcal. Socializado como superior, o homem experimenta a recusa como humilhação narcísica e ameaça ao seu lugar simbólico.  

·       A identidade masculina tradicional constrói-se sobre uma expectativa de privilégio, forjada desde as primeiras relações afetivas. Quando, na vida adulta, esse lugar imaginário parece ruir, a frustração pode converter-se em ódio e violência. Assim, o feminicídio revela não apenas desigualdade social, mas uma crise na própria forma como a masculinidade foi historicamente construída. Seu enfrentamento exige punição rigorosa – mas não só. Impõe transformação cultural profunda, começando pela educação e pela estrutura familiar, para que meninos não sejam formados sob a lógica de superioridade, mas sob a experiência do limite, da diferença e da igualdade.

·       O que significa ser homem hoje com H maiúsculo? Deveria significar ser grande e forte o suficiente para aceitar limites, conviver com diferenças e permitir a igualdade. Mas, se ainda significar dominar, possuir ou não tolerar a recusa, continuaremos produzindo tragédias silenciosas e repetidas. Enquanto a vida das mulheres e de todos os mais vulneráveis permanecer ameaçada, nossa democracia seguirá incompleta. 

·       Romper com padrões históricos e culturais;

·       Combater discursos e a violência de gênero;

·       Formar rompendo estereótipos: de virilidade, de controle/poder/dominação, de invulnerabilidade emocional e ameaçadora, de masculinidade tóxica e abusiva;

·       Conscientização sobre o respeito às mulheres;

·       Um processo educativo baseado em respeito, equidade e responsabilidade social;

·       Incentivar a proteger e a cuidar, entregando homens íntegros à sociedade;

·       Desnaturalizar a agressividade e a violência;

·       Discutir igualdade de gênero, respeito e convivência;

·       Romper com a ideia de que, se meninos demonstrarem tristeza, medo ou fragilidade, pode ser sinal de fraqueza, o que só favorece a repressão emocional. Daí, quando emoções como frustração, rejeição ou insegurança não encontram formas saudáveis de expressão, eles podem se manifestar com raiva, agressividade ou necessidade de reafirmação de poder, especialmente em relações afetivas;

·       Comportamentos violentos e machistas muitas vezes são ensinados ainda na 1ª infância, com comentários que parecem inocentes e sem pretensão;

·       Lidar com as pressões sociais para criar meninos de forma “mais dura” ou “menos sensível”;

·       Por um discurso na criação de filhos de empatia e respeito;

·       Desconstruir a cultura machista na educação doméstica;

·       Fazer o exercício constante de gerar reflexão sobre o que se escuta: é correto? É admissível? Está dentro da Lei?

·       Realizar trabalhos onde os estudantes precisam pesquisar sobre: atletas brasileiras, poesia de mulheres negras brasileiras, discutir sobre os Direitos Humanos, práticas de debates e rodas de conversa sobre igualdade de gênero, respeito e violência contra a mulher.

·       Saber lidar com a resistência por parte dos pais e da comunidade escolar quando o assunto é igualdade de gênero ou educação sexual – muitas vezes permeadas por crenças culturais e/ou religiosas;

·       Realizar um diálogo aberto sobre a necessidade de orientar os mais jovens sobre esses assuntos, sempre trazendo evidências da importância desses temas para o desenvolvimento saudável;

·       Assegurar a educação em Direitos Humanos, com temas integradores como relação de gênero e sexualidade;

·       Ampliar o pensamento crítico da comunidade escolar através de dinâmicas pedagógicas que questionem as normas sociais geradoras da desigualdade de gênero;

·       Com projetos, oficinas e rodas de conversas, além da formação de professores;

·       Respeito envolve responsabilidade afetiva, obediência e aprender a ser;

·       Prevenção à violência contra meninas e mulheres e à inclusão socioprodutiva;

·       Romper com a ideia de que os homens devem ter autoridade sobre as mulheres. As mulheres têm autonomia para recusar uma relação ou impor limites, e isso não é uma ameaça à identidade dos meninos;

·       Mudanças na socialização dos meninos;

·       As meninas precisam saber a reconhecer o que é problemático – o que não deve aceitar e como merece ser tratada;

·       Os pais precisam monitorar o uso da Internet pelos filhos, pois os meninos estão sujeitos a conceitos de comunidades como as do movimento Red Pill (grupo online que dissemina ódio contra mulheres, as tratando como inimigas ou inferiores).

Enfim, os homens fazem parte desse debate e precisam se responsabilizar, fazer parte da luta!

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