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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Self Ocidental & Self Oriental.

 “Onde quer que você vá, lá está você!”

 “Onde quer que você vá, lá estamos nós!”

A psicologia cultural trata de tornar familiar o estranho e estranho o familiar. Assim, quando se trata de funcionamento psicológico, o lugar importa! Importa porque existem outros modos de viver além dos que cada um de nós conhece bem. 

Vejamos:

Self norte-americano: Ocidental. Quem cresce na cultura Ocidental pode ter um Self mais independente, isto é, se expressa pelas escolhas que faz, pelos produtos que compra, por suas tatuagens ou piercings. A linguagem serve mais para autoexpressão e as escolhas são expressão de si mesmos – as mais favoráveis que dão mais valor à singularidade. Vejam os comerciais: destacam a escolha pessoal e a liberdade. Diga-se logo, é uma cultura individualista, a autoestima é mais pessoal e menos relacional. Na maior parte da América do Norte (temos muitas exceções na América Latina) as pessoas tendem a ser afetadas mais diretamente, pois qualquer contrariedade ameaça mais a identidade pessoal (as faz sentir mais zangadas e tristes) do que a identidade coletiva. Aqui as pessoas persistem mais quando estão sendo bem-sucedidas, porque o sucesso eleva a autoestima. Aqui, o autoconceito é mais estável e dependente das condições e entre situações – das esferas de atividade. Individualistas ocidentais gostam de fazer comparações com pessoas que aumentem sua autoestima. A felicidade vem com emoções desvinculadas – sentir-se efetivo, superior e orgulhoso. O self ou a noção de si mesmo é mais desvinculada ou descolada dos outros. Enfim, aqui os indivíduos são expostos a promoções baseadas no desempenho individual, com exortações a acreditar em suas próprias possibilidades – heroico e sozinho consegue tudo, apesar da interferência dos outros.

Self chinês, japonês: Oriental. Quem cresce na cultura Oriental pode ter um Self mais interdependente. A linguagem serve para a comunicação com os outros e se dá mais valor à tradição e às práticas compartilhadas. Comerciais mostram as pessoas juntas e há maior senso de pertencimento. As pessoas não perdem facilmente as conexões sociais porque essas conexões definem quem elas são (não são pessoas desarraigadas, isoladas da família, dos colegas e dos amigos leais). Não tem uma, mas muitas identidades: com os pais, no trabalho, com os amigos. O self interdependente está embutido em afiliações sociais. A conversa é mais polida e a busca é mais por aprovação social. Em vez de a meta ser realçar a identidade individual, a meta é a vida social, harmonizar e apoiar a comunidade. A autoestima nas culturas coletivistas se correlaciona mais de perto com o pensamento coletivo (o grupo e os outros). O autoconceito é mais maleável e ligado ao contexto. As pessoas persistem mais nas tarefas quando estão fracassando (porque não querem ficar aquém das expectativas dos outros). Coletivistas orientais fazem comparações (geralmente ascendentes, com os que estão se saindo melhor) de modo que facilitem o autoaperfeiçoamento. A felicidade vem com o engajamento social – sentir-se próximo, amigável e respeitoso. O self ou a noção de si mesmo são mais carregadas de vínculos ou coladas nos outros, no ambiente, nas inter-relações.  Enfim, as pessoas agem juntas para ajudar umas às outras.

Enfim, a maior parte da psicologia, da economia, da cultura e outras áreas foi produzida por profissionais em ambientes norte-americanos brancos de classe média e estudando sujeitos norte-americanos brancos de classe média. Ora, em outros contextos socioculturais, podem haver ideias e práticas diferentes sobre como ser uma pessoa e como viver uma vida significativa, e essas diferenças podem ter uma influência sobre o funcionamento psicológico, social, cultural, econômico, etc.

Até a própria história pessoal pode influenciar a visão de si mesmo. O conflito em culturas coletivistas com frequência ocorre entre grupos; culturas individualistas geram mais conflito (e crimes e divórcios) entre indivíduos. Veja só como estamos?! O self independente reconhece as relações COM os outros, mas o self interdependente está mais profundamente engastado NOS OUTROS.