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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Comparações sociais.

 “É preciso cultivar o espírito de sacrificar o eu menor para obter os benefícios do eu maior” (Provérbio Chinês).

Grande parte da vida gira em torno de comparações sociais, que podem ser ascendentes (olhar para quem está melhor) e descendentes (olhar para quem está em situação inferior).

Sentimo-nos bonitos quando os outros parecem feios, inteligentes quando os outros parecem burros, carinhosos quando os outros parecem insensíveis. Quando testemunhamos o desempenho de um colega, não podemos resistir a uma comparação implícita conosco. Podemos, portanto, intimamente sentir prazer com o fracasso de um colega, em especial quando acontece com alguém que invejamos e não nos sentimos vulneráveis a essa má sorte. Aqui corremos o risco de sermos mais mesquinhos e cruéis.

Quando as pessoas pensam bem de nós, isso nos ajuda a pensar bem de nós mesmos. Crianças ou pessoas que são rotuladas pelos outros como talentosas, esforçadas ou prestativas tendem a incorporar essas ideias em seus autoconceitos e comportamento. Do contrário, se pessoas de grupos minoritários se sentem ameaçadas por estereótipos negativos de sua capacidade ou se são ameaçadas por baixas expectativas, elas podem se “desidentificar” com o que vinham mostrando afinidade. Em vez de combater esses pré-julgamentos, elas podem identificar seus interesses em outra parte. Aqui, os rótulos têm efeitos construtivos e destrutivos. 

E tudo isso pode voltar contra nós mesmos. Podemos acabar usando o que achamos que os outros pensam de nós como um espelho para percebermos a nós mesmos, tanto para o bem quanto para o mal (é o self do espelho). Importamos para nossos autoconceitos não como os outros realmente nos veem, mas o modo como imaginamos que eles nos vejam. Só que pesquisas mostram que as pessoas geralmente se sentem mais livres para elogiar do que para criticar (elas tendem a expressar mais seus elogios e refrear suas zombarias). Assim, podemos, portanto, superestimar a avaliação dos outros, inflando demais nossas autoimagens.

E ainda tem o peso cultural. Existe mais autoinflação do ego e seu individualismo aqui nos países ocidentais industrializados do que os orientais. Veja a tendência do Donald Trump... Nos EUA, são mais frequentes as muitas palavras de elogio que os amigos oferecem uns aos outros do seu clã (todos os dias). No Japão não é assim (seriam em 4 dias). Por lá, as pessoas são socializadas menos para sentirem orgulho de suas realizações pessoais e mais para sentirem vergonha por faltarem com os outros (os indivíduos do leste asiático pensam mais holisticamente – percebendo e pensando sobre objetos e pessoas em relação uns aos outros e a seu ambiente).

Com as Redes Sociais e as plataformas digitais a comparação foi potencializada. Como as pessoas expõem apenas seus melhores momentos e vidas filtradas, o efeito de comparação social fica desfavorável, aumentando os riscos de ansiedade e frustrações.

Tudo isso causa impactos bons e ruins na autoestima, essa medida psicológica pela qual monitoramos e reagimos a como os outros nos avaliam. E isso tem a ver com aspectos evolutivos. O destino de nossos antepassados dependia do que os outros pensavam deles. Sua sobrevivência aumentava quando eram protegidos por seu grupo. Quando percebiam a desaprovação de seu grupo, havia uma sabedoria biológica em seu sentimento de vergonha e baixa autoestima. Hoje, nós, como seus herdeiros, tendo uma necessidade arraigada de pertencer, sentimos a dor da baixa autoestima quando enfrentamos exclusão social.

Enfim, o sensato é não fazer muitas comparações! Se tiver que fazer, saiba fazer. Quem está no alto pode ser inspirador (motivando-nos a crescer) ou frustrante (causando inveja). Quem está no baixo, serve para proteger a autoestima e gerar alívio, mas pode levar à arrogância.