O Estado não é produtor de cultura, e sim a sociedade. Portanto, a cultura é um direito dos cidadãos não só de ter acesso aos bens culturais, mas sobretudo de produzir cultura.
Visto assim, a cultura é uma expressão democrática que lida aberta e livremente com a informação, a igualdade e a criação de direitos. Logo, cultura não é apenas a prática das sete artes liberais (dança, música, teatro, cinema, escultura, literatura e pintura), mas todas as práticas humanas de criação de valores e símbolos, indo da culinária, do vestuário, da linguagem, da memória até as artes, do cotidiano até as grandes criações (sentido antropológico e filosófico).
Enfim, nos aspectos dessa definição, nem
o Estado burocrático, muito menos a indústria do espetáculo e a empresa “do
empresário de si mesmo” devem intervir. Até mesmo a Secretaria de Cultura não
existe para usurpar a capacidade criadora, senão criar condições para que as
culturas sejam produzidas e não apenas consumidas.