“Só sei que nada sei”...
Embora pareça consciente da sua condição de exploração, por que o povo continua votando em políticos exploradores ou lendo a cartilha dos dominantes? Por que reforça em vez de combatê-los?
Porque essa suposta “consciência” é trágica. Isto é, os sujeitos “sabem” ou compreendem perfeitamente sua existência e a desigualdade e exclusão sociais, mas ao mesmo tempo “não sabem que sabem”. Ou seja, não é uma sabedoria consolidada porque ainda não têm as condições intelectuais e materiais para operacionalizar. Por isso são levados pela ideologia dominante a não reconhecer que sabem e a interpretar o que sabem com as ideias dos dominantes, parecendo, portanto, que nada sabem.
Como se libertar disso? Com luta social por direitos. Somente na luta social, ou seja, no embate entre a experiência vivida para a experiência compreendida que esse saber se reconhecerá a si mesmo. O que tem de especial nos movimentos sociais é que, no ato do conflito, os sujeitos realizam autonomamente uma reflexão sobre seu próprio saber.
Enfim, a autonomia de consciência não
vem de fora, trazida por um outro, ela nasce de dentro do próprio sujeito na
companhia dos outros. Marx sabia disso ao dizer: “Trabalhadores, uni-vos!”.