A Universidade Pública deveria ser uma instituição social, não uma organização pautada no modelo de empresa.
Uma organização empresarial é caracterizada por uma estrutura de gestão e de arbitragem de contratos, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível, com estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pela particularidade e instabilidade dos meios e dos objetivos.
No curso da história, a universidade foi sofrendo brutalmente os ataques do capitalismo e do neoliberalismo. Nos anos 1970, foi pressionada a ser uma universidade voltada para o mercado de trabalho (funcional); em 1980, uma universidade voltada para as empresas (de resultados); em 1990, uma universidade voltada apenas para si mesma (operacional).
Onde ficou aquela universidade clássica, voltada para o conhecimento e a formação intelectual? O que fizeram com o tempo e o espaço para a reflexão, a crítica, o exame de conhecimentos instituídos, sua mudança ou sua superação? A atividade cognitiva enquanto pesquisa está sendo potencializada ou evitando sua realização?
Por uma universidade que entenda a investigação de algo que nos lança na interrogação; que nos pede reflexão, crítica, enfrentamento com o instituído, descoberta, invenção e criação; entenda o trabalho do pensamento e da linguagem para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito; por uma visão compreensiva e totalidades e sínteses abertas que suscitam a interrogação e a busca; enfim, por uma ação civilizatória contra a barbárie social e política. Por uma Universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade!
Enfim, atualmente temos uma Universidade apanhada pela IA, que promete assumir de uma vez por todas a gestão e a organização do conhecimento. Se o papel do professor for tão somente o de oferecer respostas certeiras, a IA está aí para dizer que já não precisaremos mais de professores. Assim, qual o papel da IA e que tipo de formação precisa o/a professor/a frente a ela?