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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 7 de junho de 2026

Sobre a Universidade Pública...

 

A Universidade Pública deveria ser uma instituição social, não uma organização pautada no modelo de empresa.

Uma organização empresarial é caracterizada por uma estrutura de gestão e de arbitragem de contratos, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível, com estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pela particularidade e instabilidade dos meios e dos objetivos.

No curso da história, a universidade foi sofrendo brutalmente os ataques do capitalismo e do neoliberalismo. Nos anos 1970, foi pressionada a ser uma universidade voltada para o mercado de trabalho (funcional); em 1980, uma universidade voltada para as empresas (de resultados); em 1990, uma universidade voltada apenas para si mesma (operacional).

Onde ficou aquela universidade clássica, voltada para o conhecimento e a formação intelectual? O que fizeram com o tempo e o espaço para a reflexão, a crítica, o exame de conhecimentos instituídos, sua mudança ou sua superação? A atividade cognitiva enquanto pesquisa está sendo potencializada ou evitando sua realização?

Por uma universidade que entenda a investigação de algo que nos lança na interrogação; que nos pede reflexão, crítica, enfrentamento com o instituído, descoberta, invenção e criação; entenda o trabalho do pensamento e da linguagem para pensar e dizer o que ainda não foi pensado nem dito; por uma visão compreensiva e totalidades e sínteses abertas que suscitam a interrogação e a busca; enfim, por uma ação civilizatória contra a barbárie social e política. Por uma Universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade!

Enfim, atualmente temos uma Universidade apanhada pela IA, que promete assumir de uma vez por todas a gestão e a organização do conhecimento. Se o papel do professor for tão somente o de oferecer respostas certeiras, a IA está aí para dizer que já não precisaremos mais de professores. Assim, qual o papel da IA e que tipo de formação precisa o/a professor/a frente a ela?