A rotulação justifica a ação?
Novas estratégias, velhas intenções...
Ao designar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) de organizações terroristas (a partir de 5 de julho), Donald Trump busca na manipulação da linguagem a justificativa para interferências em solo brasileiro, sob pretexto da libertação dos moradores de áreas controladas por milícias e pelo crime.
O crime organizado se transformou em um fenômeno transnacional, infiltrado na economia e na política. Por essa via, a extrema direita tenta abrir caminho para intervenções armadas, facilitar deportações, livrar a pele de comparsas e criar riscos de sanções ou premiações contra/a favor de pessoas, empresas e bancos pelos quais passe dinheiro.
A legislação brasileira (Lei 13.260/16) diz que para um ato ser considerado terrorista, ele precisa envolver violência ou ameaça e também ter sido cometido "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião". Como PCC e CV atuam tendo em vista o ganho material, não há como falar em terrorismo.
O conflito começa na mente, em campo simbólico, para depois ganhar o terreno físico. É o estilo hollywoodiano pervertido do Tio Sam fazer guerra. Contando com uma Suprema Corte de maioria conservadora, Trump manipula o voto, abala qualquer trajetória eleitoral com versões desencontradas ou mentiras e vem vandalizando as instituições democráticas dos EUA. E não só por lá...
As Eleições 2026 aqui no Brasil não é de Lula x Flávio Bolsonaro. A disputa polarizada é de Lula x Donald Trump, um radical orgulhoso do próprio extremismo, imprevisível e destrutivo. Qualquer chapa que dispute contra Lula, ela estará travestida de Donald Trump. Nossos maiores rivais nas urnas são os republicanos sul-americanizados.
Os EUA querem o Brasil de qualquer jeito e a qualquer custo... Não o terão!