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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Holofotes & Ilusões.

 

No centro de nossos mundos, mais crucial do que tudo o mais, estamos nós mesmos. Enquanto pilotamos nossas vidas diárias, nosso self constantemente engaja o mundo. Eis o tópico mais pesquisado na psicologia de hoje – o self (si mesmo).

O self permite planejamento em longo prazo, estabelecimento de metas e moderação. Ele imagina alternativas, compara-se com outros e administra reputação e relacionamentos. Às vezes até pode ser um empecilho para uma vida gratificante. Logo, é diferente do Id (inconsciente) ou a grande parte de nosso comportamento não controlado conscientemente, automático e não autoconsciente.

Essa interação entre nosso self e os nossos mundos sociais pode criar armadilhas, eis alguns exemplos:

1.     Imagine como uma pessoa branca se sentiria morando em um bairro só de negros. Ou uma pessoa negra morando em um bairro só de brancos. Um homem em um grupo só de mulheres. Um único brasileiro em uma cidade estrangeira. A diferença é realçada e a autoconsciência se eleva. Ou seja, o ambiente social afeta nossa autoconsciência!

2.     Sabe aquele seu relacionamento íntimo? Quando tudo ia bem, você era o mais responsável. Mas, quando os problemas surgiram, a culpa foi do/a parceiro/a. Pois é, o interesse próprio tinge nosso juízo social.

3.     Tem muita gente que nem é tão dedicada e responsável naturalmente. Mas, para causar uma impressão favorável na hora “H”, monitora o comportamento e as expectativas dos outros para adaptar a si próprio, e corresponder ao que sondou. Pois é, a preocupação consigo mesmo motiva nosso comportamento social.

4.     É comum termos uma identidade com a nossa mãe, outra identidade com os amigos e outra com os professores. Vamos adaptando nosso modo de pensar nós mesmos às pessoas com quem estamos no momento. Relacionamentos diversos, identidades variadas. Pois é, os relacionamentos sociais ajudam a definir nosso self.

Disso podemos concluir que o tráfego entre nós e os outros é uma via de mão dupla. Nossas ideias e sentimentos a nosso respeito afetam como respondemos aos outros, e os outros ajudam a moldar nosso self. Meditação religiosa e “misticismo” podem apaziguá-lo. Preocupações egocêntricas são aparadas, apegos reduzidos e prazeres materiais redirecionados. Só é bom perder o self quando o transcendemos e nos fundimos com algo maior do que ele. Sem esse grau de maturidade teremos que lidar com armadilhas e problemas. Mais dois exemplos...

É daqui que nasce o “efeito holofote” – nossa perspectiva autofocada que nos leva a superestimar nossa notoriedade. Tendemos a nos ver no centro do palco, intuitivamente superestimando o grau em que a atenção dos outros se dirige a nós. Seja o cabelo bagunçado, a camisa esquisita ou nossas emoções (ansiedade, irritação, repulsa, fraude ou atração), as pessoas não reparam tanto em nós o quanto imaginamos. Elas reparam mais em si mesmas. Menos pessoas reparam do que presumimos. Na verdade, podemos ser mais opacos do que imaginamos.

Intensamente conscientes de nossas emoções escondidas, podemos achar que elas escapam ou transparecem ao além e os outros facilmente as identificam. Achar que estamos transbordando por aí e que todo mundo está notando isso nos faz sofrer de uma “ilusão de transparência” (superestima do grau em que seus estados internos “vazam”) que fortalece o “efeito holofote” (a crença de que os outros estão prestando mais atenção em nossa aparência e comportamento do que realmente estão).

Paranoias! Também superestimamos a visibilidade de nossos maiores erros sociais e lapsos mentais em público. Acabamos angustiados por coisas que os outros mal percebem e logo esquecem. Nosso senso de identidade pode ser melhor aproveitado – lembrar nosso passado, avaliar nosso presente e projetar nosso futuro – e assim nos comportarmos adaptativamente e de forma mais saudável.

Enfim, da próxima vez que você ficar nervoso ou achar que não esteja tão arrumado, lembre-se de que as outras pessoas podem estar reparando menos do que talvez você supunha!