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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 3 de março de 2024

A nova contribuição sindical.

 A portaria 671, de 8 de novembro de 2021 (de Onyx Lorenzoni, Ministro do Trabalho do inelegível), liberava de forma permanente o trabalho em feriados e aos domingos para uma lista de setores sem necessidade de negociação com os trabalhadores (supermercados, hipermercados, feiras livres, entre outros, somando mais de 70 categorias). A medida afetou em especial o comércio. Pela regra antiga, não era necessário haver documento entre empregadores e empregados tratando do trabalho, ou entre a empresa e o sindicato da categoria. Bastava apenas convocação ou comunicado do empregador feita ao trabalhador. A empresa, no entanto, deveria cumprir o que determina a legislação trabalhista sobre o pagamento de horas extras e férias, sob pena de ser acionada na Justiça do Trabalho.

Agora, o Governo Lula dificulta trabalho nos feriados no comércio e favorece sindicatos. Setor reage. Segundo a nova regra (portaria 3.665, assinada pelo novo ministro do trabalho, Luiz Marinho, 14/11/2023), o trabalho nos feriados só poderá ocorrer se estiver previsto em convenção coletiva. Agora, as normas relativas aos direitos dos trabalhadores deverão estar em convenção coletiva — e não em acordo coletivo. A diferença entre eles é que o acordo é fechado entre o sindicato e uma determinada empresa e a convenção envolve toda a categoria profissional.

Dentre as regras que deverão estar previstas, a principal delas é sobre a compensação pelo trabalho no feriado, com folgas e/ou pagamento de horas extras. Há casos, no entanto, que a convenção poderá prever outros benefícios, como adicionais, bonificações ou premiações. A nova portaria retirou a autorização permanente de alguns setores do comércio, em especial farmácias e supermercados, de funcionarem em dias feriados sem a necessidade de negociação coletiva.

A versão do comércio:

·       Para a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a decisão do MTE é "um cerco à manutenção e criação de empregos, o que representa o maior desafio do século na geração de renda e valor para a sociedade brasileira".

·       Em nota, a entidade afirma que medida significa um retrocesso para um setor que emprega 3,2 milhões de pessoas no país, além de atender 28 milhões de consumidores diariamente, e diz não ter sido consultada sobre o que chamou de repentina alteração.

·       "Os supermercados e hipermercados terão dificuldades para abertura das lojas em domingos e feriados, [...] o que representará elevação significativa nos custos de mão de obra, além de reduzir a oferta de empregos, face à inevitável redução da atividade econômica", diz o texto.

A versão da legislação:

·       No balanço geral, a portaria do ministério acaba, por um lado, restringindo quais ramos do comércio prescindem de negociação coletiva para abrir em dias de feriados. Isso estimula, em alguma medida, a negociação coletiva, valorizando soluções concertadas. Essa parece ser a marca desta gestão que está à frente do Ministério do Trabalho e que, ao final, por delegação da lei, acaba tendo a discricionariedade para decidir sobre o assunto.

·       Para o setor de supermercados, hipermercados e comércio varejista da área, vale agora o que diz a lei 10.101, de 2000, que trata sobre o trabalho em domingos e feriados. Com isso, é preciso que haja lei municipal disciplinando o tema ou convenção coletiva.

·       Segundo a legislação, os profissionais que precisam trabalhar nos feriados podem receber hora extra em dobro caso não haja folga compensatória. O pagamento dos valores, no entanto, está condicionado ao que diz a convenção coletiva de trabalho de cada categoria.

·       A legislação brasileira proíbe o trabalho em feriados nacionais, mas há exceções, conforme as categorias e o tipo de atividade exercida, se é essencial ou não. Dentre os setores considerados essenciais estão saúde, indústria, comércio, transporte, energia e funerário, entre outros.

·       Trabalhar e receber por esse dia é um direito.

·       A hora extra do trabalho exercido em domingos e feriados têm cálculo diferente. Em dias normais, quando o profissional faz hora extra, deve receber, a cada hora a mais de serviço, 50% da remuneração. Nos feriados, esse pagamento deve ser de 100%.

·       O artigo 67 da CLT libera o expediente aos domingos e feriados em áreas essenciais, mas é necessário haver uma escala de revezamento organizada de forma mensal, para que os trabalhadores tenham a folga semanal.

·       Além da folga, as convenções coletivas e acordos de trabalho permitem que a atividade realizada nos feriados faça parte de um banco de horas. Quem tiver dúvidas sobre as regras deve procurar o sindicato de sua categoria.

·       Para as categorias que têm regime de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, se o trabalho cair em feriado, os profissionais já estarão compensados e remunerados, conforme prevê a CLT.

A versão dos Sindicatos:

·       As centrais sindicais afirmam que a nova portaria do Ministério do Trabalho privilegia a negociação entre as partes, é boa para os dois lados —empregados e empregadores— e é uma forma de combater abusos que estariam sendo cometidos por algumas empresas.

·       "Como um dos itens é a negociação, a consequência é valorizar os atores, tanto empresarial quanto trabalhadores. Antes de mudar a legislação, conseguíamos que o feriado fosse pago com adicionais. A maior parte tinha feriado pago em dobro mais uma folga. Depois, a área patronal tirou a folga."

·       Abusos patronais que ocorriam antes deverão ser coibidos. "É bom porque você consegue controlar os abusos. O que estava acontecendo não era negociação com o trabalhador, era imposição da necessidade patronal".

·       Para o sindicalista, não haverá desemprego, já que a mudança da regra, em 2021, não trouxe aumento de contratações. "Cumprindo o acordo, fortalece os dois lados; está dentro do que estamos trabalhando, do ponto de vista das negociações coletivas."

·       O que ocorreu foi a adequação da Portaria ao que prevê a Lei n° 10101/2000. No comércio, o trabalho aos domingos está autorizado, mas para o feriado, tem que haver Convenção Coletiva. O Governo Bolsonaro, leia-se, governo dos empresários, atropelou a Lei, que agora foi retomada.

A versão dos Trabalhadores:

·       Eu já trabalhei em supermercado e é uma exploração, chega a ser vampirismo porque mal davam uniforme e equipamentos de segurança...enfim, achava um absurdo ter que trabalhar sábado, domingo e feriado, incluindo feriados nacionais, natal, ano novo, nem dia primeiro de maio tinha folga, enfim, eu acho sinceramente que supermercados em geral podem sim fechar aos feriados e ninguém "vai morrer por isso".

·       Comerciante é sinônimo de ladrão. Comerciário são explorados pelo capital.

·       Se o patrão reclamou, então a mudança foi boa.

·       Você é dos que trabalham aos domingos ou dos que exploram os que trabalham?

·       Quando os empresários no Brasil vão entender que seus empregados não são escravos? Parabéns, Lula!

·       Votei em Lula para melhor ele amparar os trabalhadores, restituindo-lhes os direitos que lhes foram surrupiados pelo in disciplinado que fizemos zarpar.

·       Essa questão do trabalho aos domingos e feriados sempre gera um rebuliço. O empresariado quer flexibilidade para escolher os dias do trabalhador, mas também não dá para esquecer do direito ao descanso do empregado e da possibilidade de aproveitar os feriados. Tem que ter um equilíbrio entre as partes, um meio-termo que funcione tanto para os trabalhadores quanto para os patrões. Da form como foi desenrolada anteriormente, os empregados ficavam parcialmente desprotegidos e limitados no direito.

·       Setor de supermercado eles não estão nem aí, trabalha sempre, sábado, domingo, feriado, natal, ano novo, dia primeiro de maio, não fecha nunca, pra eles dá uma folguinha pra compensar, aliás, nem pagam cem por cento hora extra, eles pagam com "folga na quarta -feira".

·       O patrao quer que seu empregado seja como o banco Unibanco: funcione 24 horas por dia, 7 dias da semana e ele escolha o dia e a hora de convoca-lo para o trabalho conforme a sua necessidade sem pagar nada a mais para ter o empregado a disposicao todo o tempo. Isso tem nome: escravidao. Acho engracado patroes falam em liberdade ate que apareca a concorrencia na sua porta. Ai trocam o discurso e sonham em ter uma zona comercial exclusiva ou alguma vantagem do governo para combater o concorrente.

Quem deve pagar a contribuição sindical?

·       De acordo com a decisão, a contribuição assistencial só poderá ser cobrada dos empregados que não são filiados aos sindicatos se forem preenchidos os seguintes requisitos:

- se o pagamento for acertado em acordo ou convenção coletiva dos trabalhadores da categoria;

- se os trabalhadores não filiados a sindicatos derem o aval expresso à cobrança.

·       Os ministros aprovaram a possibilidade de criação da contribuição assistencial, destinada prioritariamente ao custeio de negociações coletivas, juntamente com a garantia do direito de oposição, assegura a existência do sistema sindicalista e a liberdade de associação.

·       Ainda não está claro a partir de quando a contribuição poderá ser cobrada de todos os empregados. Fato é que já serviu de gancho para favorecer os sindicatos e movimentar essa máquina que estava parada desde 2017, quando pela reforma trabalhista foi instituído que a contribuição sindical – diferente da contribuição assistencial - seria facultativa.

·       Quem não quiser realizar a contribuição terá o direito questionar junto ao sindicato. "Não haveria, portanto, qualquer espécie de violação à liberdade sindical do empregado. Pelo contrário. A posição reafirma a relevância e a legitimidade das negociações coletivas, aprofundando e densificando um dos principais objetivos da Reforma Trabalhista.

·       Ainda será necessário mais detalhes sobre o direito a oposição a essa contribuição, uma vez que dependerá do do que for acordado nas assembleias sindicais. “O valor da contribuição não está definido, mas a tendência é que seja utilizado como parâmetro o que se tinha anteriormente na contribuição sindical, ou seja, um dia de salário para cada ano trabalhado”. 

A força do PSD.

 Um pé em cada canoa (Lula x Bozo), mas com discurso ao centro (remar na contramão). O PSD é o partido com mais prefeituras do Brasil (maior número no Sudeste). O segundo da lista é o MDB, com 838 prefeituras. Seu presidente, Gilberto Kassab, quer aumentar ainda mais essas prefeituras e criar musculatura para ensaiar candidatura própria ao Planalto em 2026, ou seja, ele planeja usar a eleição municipal como trampolim para o partido. O esforço é manter diálogo com os dois polos e não ficar refém do debate nacional.

Embora tenha 3 ministros na Esplanada, Kassab já enviou recados ao presidente Lula sobre a possibilidade de não apoiar seu projeto de reeleição e lançar o governador do Paraná, Ratinho Jr. à Presidência. 


Cercar em vez de blindar.

 Não restam dúvidas de que os coletivos precisam melhorar seus consensos. É necessária a provocação de uma autocrítica social quanto à ânsia punitivista dominante.

Pela arte, podemos provocar essas reflexões profundas sobre a alma humana, sobre culpa e frustrações, sobre relações conjugais e parentais, sexualidade, misoginia... O que aconteceu com a nossa atenção focada no fardo emocional imposto aos envolvidos em processos? O que é sentir a agonia de uma ré ou os picos de nervosismo e ansiedade dos advogados? O processo criminal, em si, já é uma forma de punição. Sobretudo aqueles marcados por diálogo patriarcal e profundamente conservador.

Humilhante: há uma impotência perante o espetáculo performático do tribunal e o uso de ferramentas argumentativas distintas dos fatos discutidos no processo, para deslegitimar a personagem em razão de seu gênero, sexualidade e condição de estrangeira. Uma imagem estigmatizada da protagonista é amargamente construída. Sentar em um banco dos réus carregando os estigmas sociais, raciais, de gênero ou nacionalidade já impostos não é pouca coisa.

Enfim, a anatomia de uma queda. 

Teocracia tropical?

 

O Brasil separou Igreja e Estado ao proclamar a República, em 1889. Passados 135 anos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lança as bases de uma teocracia tropical. O ex-presidente já havia usado o nome de Deus ao registrar a coligação no TSE. Agora sua mulher investe abertamente contra a laicidade estatal. A cruzada de Michelle tem um propósito claro: aumentar a adesão do eleitorado religioso ao projeto político da família. Com o capitão inelegível, ela também aproveita para se insinuar como opção para 2026.

O inelegível ofereceu um pacote de benesses para fidelizar as grandes denominações. Perdoou dívidas fiscais, renovou concessões de TV e abasteceu emissoras religiosas com verbas de propaganda. Além de empunhar bandeiras ultraconservadoras e de indicar um pastor ao STF.

Bem, se só os evangélicos votassem, Bolsonaro teria sido reeleito com folga em 2022. Bateria Lula por 69% a 31% (Datafolha). Recentemente, a Câmara abriu caminho para ampliar ainda mais a imunidade tributária das igrejas.

Enfim, enquanto Michelle lança as bases de uma República teocrática, Lula precisa se aproximar desses evangélicos.

O blá-blá-blá da Micheque:

·       Michelle: a supressão do Estado laico. Citou trechos da Bíblia, distribuiu aleluias e anunciou um projeto de dominação pela fé. Misturar política com religião. “Exército de Deus”. O Reino no Brasil. Povo de bem, defende valores e princípios cristãos. A eleição de Bolsonaro foi uma providência divina para salvar o país.  

Absurdos “democráticos”.

 

É notório o papel cada vez mais importante que a PF ganha no combate à corrupção, especialmente ligada ao narcotráfico e às milícias paramilitares. A importância da corporação cresce à medida em que os resultados vão aparecendo. Nunca houve na história recente uma série de depoimentos e investigações sobre militares do mais alto escalão que não representasse uma ruptura institucional. Ao contrário, desta vez, está ocorrendo um processo dentro dos trâmites legais, com amplo direito de defesa, sem que os aspectos fundamentais da instituição sejam desrespeitados.

Muito tem ajudado a manter esse clima republicano as sandices que vão sendo descobertas, revelando que a ganância individual sempre esteve acima da postura profissional. Apostamos no bom senso de profissionais formados com uma preparação de alto nível. Em nome de uma desmedida ambição, a burrice foi acatada como método e estratégia. Isso explica o motivo de adultos fardados seguirem um líder de fancaria (a ignorância como método). Não chegamos ainda à postura profissional de forças militares de países mais equilibrados democraticamente, que se colocaram, quando necessário, francamente contra arroubos autoritários. Mas, estamos aparentemente à frente quando se trata de investigar e punir a sedição, pois o ex-presidente Jair Bolsonaro já está inelegível.

Vamos atrás do absurdo maior a nível de geopolítica global, sobre o horror da guerra em Gaza e o desgoverno de Netanyahu: "Os que permaneceram formavam um amontoado humano em meio ao nada, sem amanhã. O fundo do poço era ali: muitos alimentavam os filhos com ração animal, enquanto cães igualmente errantes se alimentavam de pedaços de carne humana entre destroços". “Trocamos a alma por um saco de farinha” (Yehia Al Masri, médico palestino). A extinção de vidas que já dura quase 5 meses é consequência do ódio – ódio ao palestino. Palestino terrorista ou palestino civil, de esquerda ou de direita, homem, mulher ou criança, esse estorvo de gente que teima em se dizer palestino nem sequer deveria existir. É de fato incongruente conciliar uma ação humanitária dos EUA para palestinos, quando estes são estraçalhados por armamentos israelenses financiados por Washington. 

Enfim, toda guerra, assim como a paz, tem seus atravessadores. Precisamos abrir mentes desarmadas, interessadas no viver alheio. Nossa viagem civilizatória demonstra que ainda não foi suficiente o tempo de modelagem do humano sensato de paz. Ser humano não necessita de concordância, pois não precisamos perder a nossa essência no desentendimento. Os princípios permanecem diante da injustiça, da traição e dos testes. 

Por fim, outros dois absurdos: 1) Trump teoricamente ainda pode ser candidato nos EUA até mesmo se for preso, o que é um paradoxo fatal para a democracia americana; 2) e a espantosa capacidade de líderes populistas claramente artificiais e caricatos atraírem adeptos entre as elites dos países que governam.  

Liberdade de expressão e redes sociais.

Qual a extensão da liberdade de expressão em redes sociais?

Não haver moderação de conteúdo nas redes sociais, como num “vale-tudo”, é impor riscos para a democracia e a saúde pública.

O ser humano precisa de travas e limites aos seus impulsos naturais, que devem ser bem construídos pela cultura. A princípio, esse papel é delegado à família, à escola, à tradição comunitária e às suas instituições. São esses mecanismos que autorregulam o jogo da convivência em sociedade, sem os quais nenhuma aposta coletiva funcionaria em prol do bem comum. Isso vale para o poder de regular o discurso na internet.

O papel do poder público ao disciplinar as redes sociais é de extrema importância e responsabilidade. Deve-se pressionar o poder das plataformas para moderar o conteúdo circulante, como remoção de posts ou de contas com base em pontos de vista com conteúdos odiosos que ferem os direitos e as liberdades fundamentais. E não se trata de censura, mas de proteção da democracia, da política e da saúde pública.

Comunicação exige responsabilidade e respeito. Logo, todo conteúdo é passível de edição moderada pelas próprias plataformas que são seu suporte. Defender a interpretação sem filtro ou obrigações não é garantir a liberdade de expressão, mas abrir caminho irrestrito para o que não é saudável para o coletivo – a circulação de mentiras, conspirações, o discurso de ódio, a desinformação e calúnias.

Se por um lado é preciso respeitar a liberdade de expressão, por outro, é preciso evitar que tal liberdade irrestrita e irresponsável se autodestrua ou prejudique as coletividades. Carregamos ao lado do nosso poder de criar o princípio da nossa própria destruição. Não podemos brincar de Deus e misturar o inferno com o céu, politicamente falando.

Regular as plataformas é necessário e urgente, pois seus esforços de moderação têm sido insuficientes. A elas deve ser atribuído o dever de cuidado pelo que fazem circular, para que as leis vigentes no mundo off-line também sejam respeitadas no on-line. É esse o espírito da própria convivência democrática. Afinal, assim como os veículos de comunicação, as plataformas devem ter um compromisso com a verdade e a responsabilidade – e devem ser cobradas por isso.

Enfim, a extrema direita deseja abrir os portões do inferno. A chave seria a transmissão de qualquer mensagem independentemente do conteúdo pelas redes sociais. A regra seria a eliminação de todas as regras. Nenhuma sociedade sobrevive sem pactos, alianças e leis. É verdade que precisamos melhorar a qualidades dos consensos coletivos. Mas, a tentativa de desfazer a coesão social, é aclamar fascismos, genocídios, ditaduras. Insano!

PEC da Blindagem.

 

Como vários outros países com histórico de regimes autoritários, o Brasil adotou práticas necessárias para proteger o exercício parlamentar. A memória de perseguições arbitrárias no período da ditadura despertou a preocupação de garantir a segurança do mandato. As prerrogativas parlamentares destinadas a proteger o livre exercício da representação popular são fundamentais. Mas ninguém deve estar acima da lei, sobretudo na esfera criminal. Cargos no Executivo ou no Legislativo não são um santuário para quem é alvo de investigação. Por isso a tentativa de blindá-los não tem o menor cabimento.

A PEC deseja:

·       Condicionar investigações policiais à aprovação do Parlamento;

·       Garantir que parlamentares investigados tenham acesso irrestrito aos inquéritos (inclusive a trechos sigilosos);

·       Dificultar a prorrogação de investigações;

·       Proibir operações de busca e apreensão nas dependências do Congresso;

·       Tirar do âmbito do STF o julgamento de parlamentares;

·       Blindar deputados e senadores do alcance da Justiça é contrário ao bom senso, à determinação constitucional de que todos são iguais perante a lei e aos interesses do Brasil;

·       É perda de tempo dos parlamentares;

·       Protegê-los do alcance da lei fere Constituição e drena energia;

·       O fim do sigilo sobre as investigações inibiria a produção de provas. Condicionar o início das investigações à aprovação do Congresso tornaria os parlamentares intocáveis, restringindo a independência da Justiça.

·       O projeto tem tudo para virar sinônimo de leniência.

Enfim, o Congresso deveria se preocupar com uma agenda construtiva para o país em áreas como educação, segurança e economia, e não em proteger os parlamentares de investigações da Justiça. Não há a menor justificativa para blindar quem quer que seja na sociedade brasileira, muito menos quem exerce mandato parlamentar.

sábado, 2 de março de 2024

PIB 2023.

 O PIB brasileiro cresceu 2,9% em 2023 (o 1º ano do 3º mandato de Lula). Porém, a principal questão em economia não é o PIB crescer, mas quem o impulsiona para cima. O agronegócio e as exportações ou o consumo das famílias?

Análise do Gráfico:

·       O gráfico mostra um resultado desigual, e reflete bem a queda de braço entre os planos do governo (que deseja distribuir renda) e os interesses de setores privados do empresariado (que deseja lucros vendo seus negócios privados crescerem).

·       No lado da oferta, o PIB foi puxado pelo agronegócio e bons preços no mercado internacional, que teve expansão recorde, e pela indústria extrativa (supersafra ou commodities).

·       No lado da demanda, o consumo das famílias (3,1%) e as exportações (9,1%) foram os motores.

·       A agropecuária cresceu 15,1% no ano. A indústria extrativa, que inclui os setores de mineração e petróleo e gás, teve alta de 8,7%. Somados os dois setores, produtores das principais matérias-primas exportadas pelo país, responderam por metade do crescimento de 2,9%;

·       A agropecuária depende menos do ciclo de demanda, associado a emprego, renda e consumo, que é afetado pela política monetária, por meio de altas ou quedas na taxa básica de juros (a Selic, hoje em 11,25% ao ano);

·       Os serviços, com quase 70% de peso no total da economia, cresceram 2,4%;

·       Esse crescimento de 2,9% (o número foi mais de 3x o projetado no início do ano – 0,8%) mostra que a atividade econômica como um todo foi mais aquecida do que o previsto. O mercado de trabalho revelou uma resiliência maior do que se esperava. Em certa medida, isso gerou algum impulso maior no consumo. Pela ótica de oferta, isso teve um efeito no setor de serviços. Quando há uma melhora no emprego, isso traz um aumento do poder de compra para a família.

·       A atividade mais aquecida se refletiu no avanço de 3,1% do consumo das famílias (turbinado pelo aumento das transferências do governo, reajuste do salário mínimo acima da inflação e mercado de trabalho aquecido). Esse componente da demanda foi impulsionado pelo aumento do emprego e da renda no mercado de trabalho, pelo reajuste no salário mínimo, pelo salto no valor dos benefícios do Bolsa Família e pela desaceleração da inflação, principalmente dos alimentos, mas os juros altos evitaram um desempenho melhor. Tivemos o poder de compra restabelecido para artigos de necessidade em uma quantidade mais confortável. Ou até na escolha de marcas de preferência. O emprego trouxe a oportunidade de regularizar pendências financeiras. O orçamento doméstico sob controle abre brecha para o consumo.

·       A retomada do pagamento dos precatórios (dívidas dos governos com pessoas e empresas), que já foi reconhecido em decisões judiciais, iniciado no fim do ano passado, deverá gerar um aumento na renda das famílias neste início de ano, sustentando o consumo.

·       O desempenho do PIB foi desigual. O avanço foi todo concentrado no primeiro semestre, enquanto a segunda metade do ano foi marcada pela estagnação. Tanto o terceiro quanto o quarto trimestre tiveram crescimento nulo sobre os três meses imediatamente anteriores. O crescimento na primeira metade do ano tem a ver com a supersafra de grãos. A produção de soja, principal cultura de grãos do país, se concentra no primeiro semestre. Sem ela na conta, o PIB da agropecuária é, geralmente, mais fraco nos segundos semestres.

·       A agricultura não deve ter o mesmo desempenho neste ano, por conta de efeitos climáticos. Porém, mesmo sem a força do setor, os analistas afirmam que novas reduções da Selic e a ampliação do crédito, além de um mercado de trabalho ainda forte, devem sustentar a atividade do País. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterou a previsão de crescimento de 2,2% para 2024, ao apostar em tendência positiva para a indústria e a construção civil ao longo do ano.

Enfim, os juros ainda estão altos, mas o resultado passa confiança, e precisamos de investimentos para a economia rodar. A queda de investimentos ou  a taxa de formação bruta de capital fixo é alerta: de 3%, que baixaram a 16,5% do PIB (reflexo do aperto monetário). Dados sobre poupança ainda mostram retração (15,4%), isso trava crescimento mais sustentado da economia. Entretanto, o foco é o mercado de trabalho ainda aquecido e o reajuste do salário mínimo, que impulsionarão a atividade neste ano de 2024. Já 2025 deverá ser melhor, puxado novamente pela agropecuária e pela indústria extrativa, com novos poços de petróleo entrando na conta. 

Brasil volta ao grupo das dez maiores economias do mundo. Ranking da Austin Rating mostra país no 9º lugar. Em 2022, era o 11º, diz FMI. 

sexta-feira, 1 de março de 2024

Bolsonaro preso ou Lula reeleito?


O ato bolsonarista de 25 de fevereiro

·       Foi grande, é só ver a imagem – magnitude da manifestação;

·       Homenagem ao realismo;

·       No ato, não havia apenas fanáticos e golpistas, mas um contingente insatisfeito com o governo;

·       Ao Inelegível, resta-lhe a liberdade e as fotografias da paulista;

·       Em 2026, continuará havendo um eleitorado desgostoso com o rumo sectário da carruagem (mas, não haverá na urna um Bolsonaro a ser impedido de repetir ou replicar os desmandos);

·       Tucanos de alta e baixa plumagem encontram pouso no galo da MicoJoia. Misturaram-se aos urubus amarelos e, com bicos tortos, querem dar conselhos ao presidente eleito pelo povo brasileiro (o PSDB sempre foi elitista). Tarcísio está se revelando um belo tucano.  

·       Jornalistas de direita são órfãos da naufragada terceira via.

·       A melhora da economia não é mais suficiente para elevar o prestígio de um governo. Há uma clivagem social onde a extrema direita usa, em todo o mundo, para fragilizar a democracia.

·       A extrema direita usa métodos criminosos de oposição: fake e golpes.

·       Bolsonaro sempre teve uns 30% de eleitores fieis e quase foi reeleito mesmo com todos os absurdos que fazia e dizia. Não dá para negar seu populismo e alguma força política, que conseguiu eleger o governador de SP, o Tarcísio.

·       “Tem que contratar o DataMBL, que gosta dessas entrevistas em manifestações. Perguntar para a Senhora evangélica de verde-amarelo, com bandeira de Israel com pentagrama, que defende intervenção militar, que jura que sua urna eletrônica foi fraudada, que chora quando dizem que Moraes foi preso, que canta hino para pneu ao som de Vandré, e que foi recentemente proibida de levar placas pedindo AI-5: “a Senhora se considera golpista?”. Kkkkk

Lula

·       Dando sorte ao azar;

·       O povo da paulista, em sua maioria, não estava ali por insatisfação com o governo. 60% ali afirmavam que Lula não foi eleito. Ali estavam defendendo um golpista das acusações que o Estado de direito lhe fazem. Aquilo ali era uma massa de ditadura. Houve pesquisa com as pessoas que estavam na manifestação: 8 de 10 presentes disseram que o país vive numa ditadura de esquerda. Apoiaram a edição da GLO e acham que houve fraude na eleição. Ou seja, maioria presente teve viés golpista.

·       Elegeu-se por ínfima margem;

·       Não tem maioria na Câmara nem no Senado. Depende do fisiologismo (o mesmo que fez Bolsonaro quando entregou parte do Governo a Lira).

·       Precisa atrair ao menos parte de toda gente brasileira se quiser ser reeleito;

·       Precisa disponibilizar ouvidos e abrir os olhos para os ditames da realidade à sua volta se quiser ser reeleito;

·       Combate a essa gente que estava lá para defender o golpe;

·       Precisa atrair os insatisfeitos, se suas demandas forem compreendidas;

·       Ameaça retaliar deputados que assinaram um inútil pedido de impeachment;

·       Nem pode tratar com desprezo possíveis eleitores, pois a perspectiva é do quarto mandato;

·       Dos partidos brasileiros, o PT é o único com condições reais de se importar com o povão;

·       O bolsonarismo mostrou uma força inegável na manifestação na Avenida Paulista. Mas há sinais que revelam uma perda de vigor onde a extrema-direita sempre impressionou: na comunicação via redes sociais. Pergunta: “estava sabendo da manifestação”: 53% “sim” e 47% “não”. Menos de dois anos atrás isso era 69% “sim” e 30% “não”.

 

Bolsonaro preso ou Lula reeleito?

Um alimenta o outro e se adotam como adversários prediletos.

·       Qual terá sido mesmo o motivo da manifestação?

·       Os jornalistas só têm a perder com a extrema direita golpista no poder!

·       Parece importante já ir pensando na superação do candidato de Bolsonaro e o amplo domínio da extrema direita na internet em 2026 ou em 2030.

·       Em cena de combate político, perde-se ou se ganha, dependendo das escolhas feitas;

·       Lula pode perder votos se não retomar o prometido conceito de frente ampla;

·       As pessoas elegeram Lula por precisão, porque realmente queriam ver na Presidência o signatário da Carta aos Brasileiros.

·       A direita fala com aquelas senhoras que acham que os judeus são cristãos. Ela é o velho símbolo do Brasil que não dá certo, dos jagunços da velha elite do atraso, pessoas cuja única competência é lamber a bota dos patrões.

·       O mundo está louco. Todo mundo com visões distorcidas, cheios de intolerância.

·       Os formadores de opiniões tradicionais estão de ressaca ou fartos de si mesmos. Já os influencers, com seu português precário, estão cheios de achismos e pose, tão só.

·       É perdendo a noção da decência que se fabricam golpistas. Eles foram regados por anos.

·       O cuidado com a vaidade.

·       Como andam as atuais juventudes dos partidos políticos? Jovens de baixíssimo nível intelectual, não querem saber de política... A imensa maioria dos jovens brasileiros nem iria votar se não fosse obrigatório – preferem pagar a multa de 3$ a que perderem a manhã, indo votar.

·       Com a longevidade atual, limites foram ampliados. Além disso, a insensatez, insanidade e perversidade não têm idade limite. Lucidez é ampliada com o conhecimento e a experiência;

·       Um partido não pode ser de um homem só, pois quando ele sumir, o partido some.

·       A direita continua fazendo de tudo para inflar os problemas internos do Brasil e adoecer o país: epidemia de dengue, violência nas ruas, hospitais lotados, educação ruim, pais insatisfeitos com a política escolar, cidadãos ultrajados por empresas públicas e privadas, serviços públicos demorados, servidores insatisfeitos com os salários, impostos medonhos sobre o orçamento familiar, feminicídios, justiça precária, um Congresso voltado para o próprio umbigo... Quanto pior, melhor! Para eles...

·       É preciso ter coluna mais equilibrada: 1) a defesa de JB na Paulista representa um apoio direto ao golpe; 2) Não há como tolerar que deputados que estão na base do governo apoiem o impeachment do presidente; 3) O estado é laico; 4) Se há grupos que buscam transformar o governo em um puxadinho de suas respectivas igrejas, a população deve ser, sim, intolerante contra esse movimento;

·       O nosso país tem uma estrutura iníqua e Bolsonaro só fez piorar tudo. Quais as políticas da direita e da extrema-direita para superar a desigualdade, a pobreza e a iniquidade social em nosso país?

·       Gente fanática é um bando de golpistas que vive em uma realidade paralela, numa bolha, se alimentando sempre de fake news. Lula vai se reeleger atraindo novos eleitores pelos resultados desses 4 anos de governo. Se falhar, pode perder.