O Zumbi africano.
A origem do zumbi está na África Ocidental e no folclore do Haiti, ligada às religiões de matriz africana e ao trauma da escravidão. Tanto que a palavra vem do kimbundo ndzumbi ("fantasma" ou "espírito que atormenta os vivos").
Com o tráfico de escravizados para as Antilhas (especialmente no Haiti, na época colônia francesa de Saint-Domingue), essas tradições espirituais se fundiram com o catolicismo, dando origem ao vodu haitiano. O Zumbi Haitiano Original (Vodu) ou o feiticeiro (bokor) não era um cadáver que saía devorando as pessoas, mas sim uma pessoa supostamente morta que era "trazida de volta à vida" por meio de rituais ou venenos por um feiticeiro chamado bokor. Esse corpo reanimado ficava sob o controle total do feiticeiro, funcionando como um escravo sem consciência ou autonomia.
Portanto, para os negros escravizados, a figura do zumbi representava o maior pesadelo: continuar trabalhando à força após a morte, tendo perdido a liberdade e a própria alma. Era uma metáfora da escravidão.
O Zumbi norte-americano.
Durante a Ocupação Americana no Haiti (1915–1934), relatos sobre rituais e mortos-vivos começaram a fascinar jornalistas e escritores norte-americanos. Vale ressaltar que o Haiti foi a primeira república negra independente do mundo, depois de uma longa guerra revolucionária. E tudo que é rebelde, o opressor busca estratégias para submeter, seja pelas armas físicas ou simbólicas, como a distorção cultural.
Assim, começou a transformação por Hollywood. No
começo, os zumbis ainda eram figuras controladas por feitiçaria e misticismo,
mas diretores de filmes reinventaram o conceito e, como tudo que é
norte-americanizado perde sua essência original, foi abandonada a magia do vodu
e transformou o zumbi em um cadáver reanimado por causas
científicas/apocalípticas que se levanta para devorar carne humana, criando a
base para o terror moderno que vemos em séries e jogos hoje.
Enfim, fiquemos com o zumbi africano. Aquele que faz lembrar "Zumbi dos Palmares".

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