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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O método dialético.

 “O fim de um processo é sempre o começo de outro”.

O método dialético é uma forma de raciocínio baseada no confronto de ideias opostas (tese e antítese) para alcançar uma nova compreensão ou conclusão mais ampla (síntese). Essa mesma síntese gera outras teses e antíteses. 

Ele surgiu na Grécia Antiga como a arte do diálogo e da argumentação com filósofos como Sócrates e Heráclito. Foi evoluindo graças a filósofos como Hegel e Karl Marx. Aquele, usou a dialética para explicar que a realidade e a história se transformam através do pensamento e das contradições. Mas, foi com a adaptação de Marx que o método foi retirado da abstração e levado para o materialismo histórico, afirmando que a base da transformação social não está nas ideias, mas nas condições materiais e econômicas da vida real.

“Para a dialética não há nada de definitivo, de absoluto, de sagrado; apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e, para ela, nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório” (Engels).

Vejamos alguns exemplos concretos de sua aplicação:

Exemplo 1: No cotidiano (Uso da tecnologia na educação)

  • Tese (ideia inicial): A tecnologia digital deve ser usada amplamente na escola porque facilita o acesso à informação e moderniza o aprendizado.
  • Antítese (ideia oposta/crítica): A tecnologia digital causa distração, diminui o foco dos estudantes e prejudica a socialização presencial.
  • Síntese (conclusão integradora): O uso da tecnologia é benéfico e necessário, mas deve ser regulado e combinado com momentos pedagógicos presenciais, unindo inovação e concentração.

Exemplo 2: Em trabalhos acadêmicos ou redações (Ensino a Distância)

• Tese: O ensino a distância (EaD) democratiza o ensino e amplia o acesso de pessoas de regiões afastadas à universidade.

• Antítese: O EaD aprofunda a desigualdade educacional pela falta de infraestrutura digital adequada e reduz a troca de experiências acadêmicas.

• Síntese: O EaD é uma ferramenta válida de expansão de vagas, mas exige investimentos estatais em inclusão digital e políticas de apoio para garantir a mesma qualidade do ensino presencial.

Exemplo 3: Em análises sociais e históricas (Meio Ambiente)

• Tese: A poluição de um rio ocorre unicamente pela falta de redes públicas de coleta e tratamento de esgoto.

• Antítese: A poluição do rio é gerada principalmente pelo descarte irregular de lixo sólido e de dejetos industriais pela população e empresas.

• Síntese: A degradação ambiental é um problema multifacetado provocado tanto pela ausência de saneamento básico quanto pelo descarte incorreto de resíduos, exigindo uma solução dupla.

Em suma, como se nota, o método dialético é uma forma de raciocínio que busca a verdade e o conhecimento por meio do confronto de ideias contrárias. O processo da dialética funciona quando, a partir de uma tese (uma ideia ou afirmação inicial) é gerada uma antítese (uma ideia oposta ou contraditória que desafia a tese) e delas é produzida uma síntese (um novo resultado que surge do choque entre a tese e a antítese, superando o conflito anterior e gerando um conhecimento mais avançado).

“Toda realidade é movimento e não há movimento que não seja consequência de uma luta de contrários, de sua contradição interna”. 

OUTROS EXEMPLOS: 

1. Tudo tem uma “história”. Tomando como exemplo uma maçã e um lápis, veremos que a maçã resulta da flor, que resulta da árvore – macieira – e que, de fruto verde, a maçã passa a madura, cai, apodrece, liberta sementes que, por sua vez, darão origem a novas macieiras, se nada interromper a sequência. Portanto, as fases se sucedem, necessariamente, sob o domínio de forças internas que chamaremos de autodinamismo. Por sua vez, para que haja um lápis, uma árvore tem de ser cortada, transformada em prancha, adicionando-lhe grafite, tudo sob a intervenção do homem. Dessa forma, na “história” do lápis, as fases se justapõem, mas a mudança não é dialética, é mecânica. Assim, “quem diz dialética, não diz só movimento, mas, também, autodinamismo”.

2. A quantidade transforma-se em qualidade. Um exemplo é o caso da água. Partindo, por exemplo, de 20°, se começarmos a elevar sua temperatura, teremos, sucessivamente, 21°, 22°, 23° … 98°. Durante este tempo, a mudança é contínua Mas se elevarmos ainda mais a temperatura, alcançamos, 99°, mas, ao chegar a 100°, ocorre uma mudança brusca, qualitativa. A água transforma-se em vapor. Agindo ao contrário, esfriando a água, obteríamos 19º, 18° … 1°. Chegando a 0º, nova mudança brusca, a água se transforma em gelo. Assim, entre 1° e 99°, temos mudanças quantitativas. Acima ou abaixo desse limite, a mudança é qualitativa. Outro exemplo, na sociedade, seria o do indivíduo que se apresenta como candidato, a determinado mandato. Se o número de votos necessário para que seja eleito é 5.000, com 4.999 continuaria a ser apenas um candidato, porque não é eleito. Mas se recebesse um voto a mais, a mudança quantitativa determinaria a qualitativa: de candidato, tornar-se-ia um eleito. Da mesma forma, mais outro exemplo, se um vestibulando necessita de 70 pontos para ser aprovado, com 69 será apenas um indivíduo que prestou exame vestibular, mas, com 70, passará a universitário.

3. A contradição é interna. Exemplo: a planta surge da semente e o seu aparecimento implica o desaparecimento da semente. Isto acontece com toda a realidade: se ela muda, é por ser, em essência, algo diferente dela. As contradições internas é que geram o movimento e o desenvolvimento das coisas.

4. A contradição é inovadora. Exemplo: é na criança e contra ela que cresce o adolescente; é no adolescente e contra ele que amadurece o adulto. Não há vitória sem luta. “O dialético sabe que, onde se desenvolve uma contradição, lá está a fecundidade, lá está a presença do novo, a promessa de sua vitória”.

5. Unidade dos contrários. Exemplos: existe, em um dia, um período de luz e um período de escuridão. Pode ser um dia de 12 horas e uma noite de 12 horas. Portanto, dia e noite são dois opostos que se excluem entre si, o que não impede que sejam iguais e constituam as duas partes de um mesmo dia de 24 horas. Por sua vez, na natureza existem o repouso e o movimento, que são contrários entre si. Para o físico, entretanto, o repouso é uma espécie de movimento e, reciprocamente, o movimento pode ser considerado como uma espécie de repouso. Portanto, existe unidade entre os contrários, apresentando-os em sua unidade indissolúvel.

“Essa unidade dos contrários, essa ligação recíproca dos contrários, assume um sentido particularmente importante quando, em dado momento do processo os contrários se convertem um no outro” (o dia se transforma em noite e vice-versa); “a unidade dos contrários é condicionada, temporária, passageira, relativa. A luta dos contrários, que, reciprocamente, se excluem, é absoluta, como absolutos são o desenvolvimento e o movimento”. 

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