“O fim de um processo é sempre o começo de outro”.
O método dialético é uma forma de raciocínio baseada no confronto de ideias opostas (tese e antítese) para alcançar uma nova compreensão ou conclusão mais ampla (síntese). Essa mesma síntese gera outras teses e antíteses.
Ele surgiu na Grécia Antiga como a arte do
diálogo e da argumentação com filósofos como Sócrates e Heráclito. Foi
evoluindo graças a filósofos como Hegel e Karl Marx. Aquele, usou a dialética
para explicar que a realidade e a história se transformam através do pensamento
e das contradições. Mas, foi com a adaptação de Marx que o método foi retirado
da abstração e levado para o materialismo histórico, afirmando que a base da
transformação social não está nas ideias, mas nas condições materiais e
econômicas da vida real.
“Para a dialética não há nada de definitivo, de absoluto, de
sagrado; apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e, para
ela, nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório” (Engels).
Vejamos alguns exemplos concretos de sua
aplicação:
Exemplo
1: No cotidiano (Uso da tecnologia na educação)
- Tese
(ideia inicial):
A tecnologia digital deve ser usada amplamente na escola porque facilita o
acesso à informação e moderniza o aprendizado.
- Antítese
(ideia oposta/crítica):
A tecnologia digital causa distração, diminui o foco dos estudantes e
prejudica a socialização presencial.
- Síntese
(conclusão integradora):
O uso da tecnologia é benéfico e necessário, mas deve ser regulado e
combinado com momentos pedagógicos presenciais, unindo inovação e
concentração.
Exemplo
2: Em trabalhos acadêmicos ou redações (Ensino a Distância)
• Tese: O ensino a distância (EaD)
democratiza o ensino e amplia o acesso de pessoas de regiões afastadas à
universidade.
• Antítese: O EaD aprofunda a
desigualdade educacional pela falta de infraestrutura digital adequada e reduz
a troca de experiências acadêmicas.
• Síntese: O EaD é uma ferramenta
válida de expansão de vagas, mas exige investimentos estatais em inclusão
digital e políticas de apoio para garantir a mesma qualidade do ensino
presencial.
Exemplo
3: Em análises sociais e históricas (Meio Ambiente)
• Tese: A poluição de um rio ocorre unicamente
pela falta de redes públicas de coleta e tratamento de esgoto.
• Antítese: A poluição do rio é gerada
principalmente pelo descarte irregular de lixo sólido e de dejetos industriais
pela população e empresas.
• Síntese: A degradação ambiental é um problema
multifacetado provocado tanto pela ausência de saneamento básico quanto pelo
descarte incorreto de resíduos, exigindo uma solução dupla.
Em suma, como se nota, o método dialético é
uma forma de raciocínio que busca a verdade e o conhecimento por meio do
confronto de ideias contrárias. O processo da dialética funciona quando, a
partir de uma tese (uma ideia ou afirmação inicial) é gerada uma antítese
(uma ideia oposta ou contraditória que desafia a tese) e delas é produzida uma
síntese (um novo resultado que surge do choque entre a tese e a antítese,
superando o conflito anterior e gerando um conhecimento mais avançado).
“Toda realidade é movimento e não há
movimento que não seja consequência de uma luta de contrários, de sua
contradição interna”.
1. Tudo tem uma “história”. Tomando como exemplo uma maçã e um lápis, veremos que a maçã resulta da flor, que resulta da árvore – macieira – e que, de fruto verde, a maçã passa a madura, cai, apodrece, liberta sementes que, por sua vez, darão origem a novas macieiras, se nada interromper a sequência. Portanto, as fases se sucedem, necessariamente, sob o domínio de forças internas que chamaremos de autodinamismo. Por sua vez, para que haja um lápis, uma árvore tem de ser cortada, transformada em prancha, adicionando-lhe grafite, tudo sob a intervenção do homem. Dessa forma, na “história” do lápis, as fases se justapõem, mas a mudança não é dialética, é mecânica. Assim, “quem diz dialética, não diz só movimento, mas, também, autodinamismo”.
2. A quantidade transforma-se em qualidade. Um exemplo é o caso da água. Partindo, por exemplo, de 20°, se começarmos a elevar sua temperatura, teremos, sucessivamente, 21°, 22°, 23° … 98°. Durante este tempo, a mudança é contínua Mas se elevarmos ainda mais a temperatura, alcançamos, 99°, mas, ao chegar a 100°, ocorre uma mudança brusca, qualitativa. A água transforma-se em vapor. Agindo ao contrário, esfriando a água, obteríamos 19º, 18° … 1°. Chegando a 0º, nova mudança brusca, a água se transforma em gelo. Assim, entre 1° e 99°, temos mudanças quantitativas. Acima ou abaixo desse limite, a mudança é qualitativa. Outro exemplo, na sociedade, seria o do indivíduo que se apresenta como candidato, a determinado mandato. Se o número de votos necessário para que seja eleito é 5.000, com 4.999 continuaria a ser apenas um candidato, porque não é eleito. Mas se recebesse um voto a mais, a mudança quantitativa determinaria a qualitativa: de candidato, tornar-se-ia um eleito. Da mesma forma, mais outro exemplo, se um vestibulando necessita de 70 pontos para ser aprovado, com 69 será apenas um indivíduo que prestou exame vestibular, mas, com 70, passará a universitário.
3. A contradição é interna. Exemplo: a planta surge da semente e o seu aparecimento implica o desaparecimento da semente. Isto acontece com toda a realidade: se ela muda, é por ser, em essência, algo diferente dela. As contradições internas é que geram o movimento e o desenvolvimento das coisas.
4. A contradição é inovadora. Exemplo: é na criança e contra ela que cresce o adolescente; é no adolescente e contra ele que amadurece o adulto. Não há vitória sem luta. “O dialético sabe que, onde se desenvolve uma contradição, lá está a fecundidade, lá está a presença do novo, a promessa de sua vitória”.
5. Unidade dos contrários. Exemplos: existe, em um dia, um período de luz e um período de escuridão. Pode ser um dia de 12 horas e uma noite de 12 horas. Portanto, dia e noite são dois opostos que se excluem entre si, o que não impede que sejam iguais e constituam as duas partes de um mesmo dia de 24 horas. Por sua vez, na natureza existem o repouso e o movimento, que são contrários entre si. Para o físico, entretanto, o repouso é uma espécie de movimento e, reciprocamente, o movimento pode ser considerado como uma espécie de repouso. Portanto, existe unidade entre os contrários, apresentando-os em sua unidade indissolúvel.
“Essa unidade dos
contrários, essa ligação recíproca dos contrários, assume um sentido
particularmente importante quando, em dado momento do processo os contrários se
convertem um no outro” (o dia se transforma em noite e vice-versa); “a unidade
dos contrários é condicionada, temporária, passageira, relativa. A luta dos
contrários, que, reciprocamente, se excluem, é absoluta, como absolutos são o
desenvolvimento e o movimento”.
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