“O homem não pode nem deve dar-se inteiramente e sem reserva a outro homem” (Denis Diderot).
A autoridade não vem da Natureza, exceto a paterna e a materna. Outros dizem que sua fonte é a tradição, mas a reprimenda ancestral dos mais velhos tem validade cultural. Os mais arrogantes se apoderam dela pela força, mas isso não passa de violência. Há quem a dispute no campo das habilidades e das competências, mas no fundo não passa de oportunismo das condições materiais de existência. E a massa? A coletividade é sempre benéfica ou também pode ser tirânica?
“Quando não há mais líderes a seguir, você deve se tornar um”.
Ora, então qual é a origem da autoridade legítima? A resposta está na aventura política? É através de um contrato celebrado que se defere a autoridade, e ainda assim não é perfeita, e precisa de restrições e limites. Esse consentimento à autoridade é uma aventura concedida à República e à Democracia, até certo ponto legítimo e útil à sociedade. Porém, mesmo assim, nenhum governante ou indivíduo pode deter um domínio total sobre a vida ou a liberdade de outrem.
Seria preciso ter muita fé em um Deus para só então o ser humano pertencer por inteiro a essa divindade ou a uma ordem superior. Mas, e se essa tal submissão irrestrita ainda assim puder ser manipulada pela fé-cega a um igual, que se fingindo de ordem superior provocasse a violação da própria natureza e da autonomia do submisso? Um aliado se tornaria um inimigo como um inimigo pode se tornar um aliado?
Enfim, como disse Denis Diderot, nenhum
ser humano possui autoridade absoluta, natural ou divina sobre outro. Se o
homem é impulsionado por suas paixões, ou ele as reprime e se limita ou as desfruta
e liberta todo o seu potencial. O desafio é ser livre, apesar dos outros; e ser
igual, com os outros.