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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sábado, 31 de janeiro de 2026

Sobre o autoritarismo.


O autoritarismo é um desvio. Porém, não um desvio individual, mas uma estrutura sociopsicológica produzida na vida cotidiana. 

Isso significa dizer que o autoritarismo não chega a ser um distúrbio psiquiátrico ou doença mental, mas um traço de comportamento ou atitude social, caracterizado pela necessidade de controle, obediência cega, hierarquia rígida e imposição (“síndrome do pequeno poder”).

Assim, é sensato falarmos de “comportamento autoritário”, pois ele se define mais como uma escolha de conduta – deseja concentração de poder pela censura, repressão e supressão de liberdades. Embora não seja uma patologia, pode estar associado a inseguranças profundas, traumas, uma forma de lidar com a ansiedade ou transtornos de personalidade. A raiva que torna o autoritarismo atraente provém de mágoas e sofrimentos associados a feridas da infância que não foram suficientemente reconhecidas, lamentadas ou superadas.

O fato é que pessoas autoritárias geram ambientes de trabalho e relações familiares tóxicas, levando a estresse, ansiedade e depressão em quem convive com elas, com características de personalidade muito difíceis. 

Ele possui sinais que ultrapassam fronteiras ideológicas. Pessoas com predisposições autoritárias tendem: 1) à intolerância ao dissenso; 2) à ambiguidade; 3) ao pensamento dicotômico; 4) ao apego a normas absolutas; 5) à dificuldade de lidar com nuances; 6) a moralização da política; 7) a crença de que fins justos autorizam métodos coercitivos; 8) divergências são transformadas em ameaças existenciais; 9) reduz complexidades a dicotomias morais entre “puros” e “culpados”, “legítimos” e “ilegítimos”; 10) o debate deixa de se concentrar criticamente nas políticas de Estado para mirar e atingir a própria presença de indivíduos; 11) adjetivos são convertidos em ferramenta de conveniência ou uma categoria totalizante que demoniza e distorce o significado; 12) suspende a singularidade dos indivíduos; 13) legitima agressões simbólicas e materiais; 14) o debate cede lugar a uma lógica de veto identitário, e a estrutura autoritária se impõe: não se discutem ideias; elimina-se quem as porta; 15) torna-se um passe-livre moral: basta aplicar o rótulo para justificar alguém como alvo, neutralizar sua fala ou normalizar hostilidades que, em qualquer outro cenário, seriam inaceitáveis; 16) atribui-se uma identidade presumida para interditar sua fala; 17) o livre pensamento passa a ser um espaço para o adestramento.

O pior é que a História mostra que dispositivos de silenciamento nunca permanecem nas mãos de quem os criou. Quando essas predisposições vêm à tona, a política deixa de operar no campo do argumento e passa a funcionar no regime da identidade: pessoas são reduzidas àquilo que se presume que elas representam, e não ao que efetivamente dizem ou fazem.  

O que torna o autoritarismo atraente? Segurança, conformidade, raiva e medo.

Ele oferece a falsa sensação de segurança em detrimento da instabilidade (esta associada ao impacto de estrangeiros e imigrantes). Isso empurra a pessoa para a conformidade (associada a tradições e a um passado idealizado) e a obediência leal aos líderes (uma ode a lideranças autoritárias). Também a raiva e o medo produzidos pelo sofrimento financeiro, social ou emocional é um poderoso catalisador para o autoritarismo, pois geram impotência e vitimização (líderes autoritários intensificam esses sentimentos em seu público para obter apoio). A negação e o deslocamento da raiva são uma das contribuições para a adoção do autoritarismo.

Assim:

·       Os autoritários seguem um princípio fundamental do marketing: identificar um problema, criar emoções negativas e oferecer uma solução para o problema;

·       O pensamento dicotômico está associado ao autoritarismo, pois implica rigidez no raciocínio, sem espaço para considerar as nuances da vida. Pensar apenas em "preto e branco" diminui consideravelmente o pensamento crítico;

·       O fascínio pelo autoritarismo está enraizado em uma variedade de fatores complexos de ordem emocional, psicológica, social e política. Dedicar um tempo para refletir sobre esses fatores é essencial para abraçarmos nossa humanidade — tanto para aqueles que se sentem atraídos pelo autoritarismo quanto para aqueles que tentam compreender seu fascínio;

·       Em tom e conteúdo, líderes autoritários intensificam os sentimentos de raiva e medo em seu público para obter apoio;

·       O apelo do autoritarismo deriva do nosso medo da solidão — e da ansiedade inerente ao reconhecermos que estamos sozinhos em nossas escolhas e somos responsáveis ​​por elas;

·       O líder autoritário adora uma “imagem negativa” do outro. Vive buscando falhas, defeitos e erros para reforçá-los e explorá-los. Esse padrão de pensamento o envolve na visão de grupos externos como sendo “outros”, para criar raiva e medo por suas posições políticas , religião, raça, gênero , orientação sexual , etnia ou nacionalidade — como se fossem eles os responsáveis ​​por seu sofrimento. Ele leva a uma fixação na imagem do outro criada na mente, em vez de uma abertura para explorar sua singularidade e humanidade compartilhada. Líderes autoritários reforçam esse pensamento em declarações genéricas que diminuem a humanidade desses grupos — como chamá-los de vermes — e, principalmente, atribuindo o sofrimento dos seguidores (e o seu) a eles. Enfim, eles criam o “bode expiatório”. 

É dessa forma que o autoritarismo opera como um modelo cognitivo: organiza afetos e julgamentos, predispõe à busca de ordem rígida, à punição do desvio e à conversão de conflitos políticos em batalhas morais contra um “inimigo”.

O autoritarismo pode se manifestar em pessoas “boas” ou “más”, no campo da direita ou da esquerda. Qualquer grupo pode reproduzir práticas de supressão do debate e cerceamento do dissenso quando transforma divergências em ameaças existenciais. É o “impulso autoritário”: a substituição do debate pela eliminação do dissenso, a crença de que a justiça da causa autoriza a supressão da fala alheia e a transformação do espaço público em unanimidade obrigatória. São essas tendências que atraem determinados campos políticos a mobilizá-las ou reproduzi-las em benefício próprio.

Enfim, quem defende censura hoje por conveniência política cria, sem perceber, o monstro que amanhã esmagará a todos nós. É preciso parar essa criação enquanto há tempo!

Golpes imobiliários.

Principais:

1.     Falsa intermediação imobiliária. Pessoas sem registro profissional anunciam imóveis inexistentes ou que não possuem autorização para negociar, solicitam sinal ou taxa antecipada e desaparecem após o pagamento;

2.     Falta de informação e pressa do consumidor. Venda ou locação de um mesmo imóvel para mais de uma pessoa, prática que só é possível quando não há verificação documental adequada nem acompanhamento profissional;

3.     Fraudes documentais. Escrituras falsificadas, matrículas desatualizadas e procurações irregulares são utilizadas para dar aparência de legalidade a negócios que, na prática, são nulos;

4.     Anúncios clonados, nos quais criminosos copiam fotos e descrições de imóveis reais para enganar interessados, principalmente em contratos de locação;

5.     Propostas tentadoras demais. Propostas que parecem vantajosas demais ou exigem pagamentos antecipados sem garantias formais, o alerta deve ser imediato.  

Negociações imobiliárias devem ser conduzidas por corretores de imóveis responsáveis legalmente, com compromisso ético. A presença desse profissional garante a conferência da documentação, a correta formalização dos contratos e a orientação adequada em cada etapa do negócio.

Enfim, em muitos desses casos, o consumidor só descobre o problema quando já realizou pagamentos expressivos ou tenta registrar o imóvel em cartório. Para evitá-los, a melhor forma é a informação aliada à atuação profissional qualificada. Sempre é bom buscar esclarecimentos e desconfiar de atalhos. Afinal, no mercado imobiliário, cautela é proteção!

Vidas digitalizadas.

Por que a atual turbulência social não é processada cívica e politicamente?

"Toda a atenção dos usuários passa obrigatoriamente pelos filtros e menus oferecidos pelo sistema digital..."

A esfera pública se agita, mas não produz efeitos políticos. Não funciona como espaço para a formação de uma vigorosa “opinião pública”. De quem é a culpa? Da vida digitalizada...

Por muito se acreditou de que a participação de sujeitos bem informados e com argumentos racionais poderia fazer com que a esfera pública produzisse consensos e diretrizes para orientar a tomada de decisão dos governantes. Partidos políticos, imprensa livre, instituições democráticas e organizações da sociedade civil, ao se posicionarem na dinâmica das discussões públicas, contribuiriam de forma importante para que a cidadania ativa chegasse a conclusões politicamente orientadas. Beleza!

Pois bem, no meio dessa tese tinha uma pedra – a vida digitalizada. Ela complicou demais a esfera pública. Hoje, ela é um espaço de confusão e de reduzido efeito democrático. Tornou-se uma espécie de aríete voltado para a imobilização e a crise das democracias.

A revolução digital controla a comunicação e a circulação de informações. A economia é mundializada e controlada por grandes monopólios que usam da liberalidade para capturar dados e informações de governos, empresas e indivíduos em particular. Não percebemos, mas estamos “arrumados” em banco de dados (“nuvens”), porque somos fornecedores inocentes de nossas próprias informações. Assim, essas plataformas trabalham para capturar dados dos seus usuários e colocá-los no mercado por meio de diversas plataformas digitais – aplicativos de entretenimento, serviços e de compras e as redes sociais. O que fazem? Convertem isso em produtos que acreditamos consumir de forma livre e autônoma. 

Desse modo, entenda "vidas digitalizadas" como sendo as plataformas digitais que agem manipulando algoritmos que direcionam as intervenções para longe da democracia – gerando uma grande “autocomunicação de massa” para dentro e sufocante. Ou seja, as falas são movidas por intenções particularistas, às vezes perversas, pelo desejo de visibilidade, por motivos político-eleitorais, por paixões ideológicas descabidas. As narrativas ignoram a complexidade social e não oferecem um horizonte político razoável. A política é amassada por ressentimentos, ódios e identidades fechadas. Desconecta-se da democracia. E o marketing político e a grande mídia também dão sua contribuição para tudo isso, porque já operavam também "pelo filtro". O resultado? O espaço público se degrada.

Visto assim, o que estaria corrompendo a esfera pública política?

1.     Os cidadãos e suas organizações estão pouco empenhados em travar o debate público (falta tempo e leitura, sobra desconfiança e dificuldade de processar o excesso de informação). Também os intelectuais e os partidos políticos não conseguem fomentar a participação cívica. Estão todos consumidos pelo pragmatismo eleitoral;

2.     Ao contrário do que parece, a digitalização da vida provoca dispersão, fragmentação e formação de nichos que arregimentam cidadãos disponíveis, fazendo com que absorvam orientações “mobilizadoras” precárias, sustentadas por fake news e “influencers”. O que se cria é uma esfera pública paralela (semipública), que atua tanto para esvaziar a esfera pública geral como para “colonizá-la” de modo enviesado e paralisante.

Enfim, a esfera pública já não funcionava muito bem na vida real. Na vida digitalizada só piorou. A saída está em encontrar uma forma de ativar de verdade essa esfera pública política. Como e onde? Na escola? Na sala de aula? Na educação? Se essas também não estivessem sendo negligenciadas e digitalizadas, talvez...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Coisas de Ano Eleitoral.

 

·        Homem é preso pela PF em SP por suspeita de preparar atentado terrorista internacional em solo brasileiro (do Estado Islâmico). Ele estava montando um colete com explosivos para ação suicida como ataque jihadista. FBI participou de intervenção. Qual Estado ou cidade ele planejava executar o ato contra a segurança pública e a ordem social?

·       Sobre o Banco Master: "Tá tentando me pegar desde 2019" (diz Vorcaro à PF). É importante frisar que a investigação das irregularidades no Banco Master foi aberta pelo atual Governo Lula. Veja o montante de desvio de aposentadorias do INSS que o governo buscou investigar a raiz e o ressarcimento dos prejudicados. E tudo começou lá atrás, nas doações de campanha feitas pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Isso explica a crise de liquidez do Banco, com R$ 127 milhões em obrigações de curto prazo a vencer, mas apenas R$ 4 milhões em caixa, sem falar dos R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso. Ora, como um banco de R$ 80 bilhões que deveria ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa?  

·       Preferências dos Deputados e Senadores. Para onde foram as emendas do Orçamento de 2025? Seja lá onde for o empenho foi de curto prazo em vez de investimentos de longo prazo em seus municípios. A política dessa gente exige efeitos visíveis e retornos imediatos em seus redutos eleitorais. Lembrem-se de que o no Congresso mora a bancada do Agronegócio e a Evangélica. Então caridade e equipamentos agrícolas estão no topo dos gastos indicados por parlamentares. Como não estamos mais na era Secreta de Bolsonaro, é possível algum rastreamento do destino dos recursos graças ajuda do STF. A maior aplicação de recursos foi por meio de transferência direta aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios. Enfim, precisamos substituir o interesse imediato eleitoral pelo pensamento mais planejado. A consolidação dessa lealdade eleitoral a quem doa, como alguém indispensável, só estraga a democracia pelo personalismo. Uma espécie de behaviorismo político, alimentado por estímulos e respostas, que consolida um eleitorado municipal e estadual para as próximas eleições, enquanto perpetuam seus problemas, demandas e carências.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Bastidores da política.

·       Sobre o Banco Master: "Tá tentando me pegar desde 2019" (diz Vorcaro à PF)É importante frisar que a investigação das irregularidades no Banco Master foi aberta pelo atual Governo Lula. Veja o montante de desvio de aposentadorias do INSS que o governo buscou investigar a raiz e o ressarcimento dos prejudicados. E tudo começou lá atrás, nas doações de campanha feitas pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Isso explica a crise de liquidez do Banco, com R$ 127 milhões em obrigações de curto prazo a vencer, mas apenas R$ 4 milhões em caixa, sem falar dos R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso. Ora, como um banco de R$ 80 bilhões que deveria ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa?  

·       A tática da direita e da centro-direita (PSD, Republicanos, União, PP) para 2026 é a de uma pulverização de candidaturas do campo contra Lula no primeiro turno, com reunificação posterior. Sem Tarcísio, o mercado se derrete por Ratinho. Mas, quem deveria ser o candidato bolsonarista num cenário sem Flavio? Tarcísio lidera as menções (27%), mas depois vem Ratinho (13%), na frente de Michelle (11%), Caiado (6%) e Eduardo Leite (3%). Ao manter mais de um presidenciável em jogo, Kassab preserva o partido como ativo de negociação para o segundo turno, quando apoio, palanques, tempo de TV e estrutura partidária passam a valer mais do que alinhamentos ideológicos prévios. Enfim, o PSD tenta furar a polarização Lula x Bolsonarismo, e levar 3ª via ao 2º turno, alegando alta rejeição dos dois. 

·       Com Ronaldo Caiado filiado (governador de Goiás), PSD e seu presidente, Gilberto Kassab, se firma como polo de oposição alternativa ao bolsonarismo raiz (o que significa a intensificação de agenda com o agronegócio e interlocução com o mercado financeiro). A estratégia do PSD é ocupar espaço de uma direita eleitoralmente viável fora do núcleo da família Bolsonaro, ou seja, o principal espaço de articulação fora da polarização direta entre Lula x Bolsonarismo. Filiação de governador reforça estratégia do presidente do partido, Gilberto Kassab, de liderar projeto de centro-direita descolado do bolsonarismo contra o PT de Lula. Com Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite, que será o seu candidato ao Palácio do Planalto? Em março/abril saberemos... O fato é que o PSD passa a funcionar como "zona neutra" da direita, capaz de abrigar projetos distintos até que o cenário se consolide. Enfim, há uma nítida ambição do PSD de ocupar papel central na sucessão presidencial com uma candidatura de centro-direita (o PSD é um partido que mantém laços institucionais com o PT, já que ocupa espaços no atual governo, mas existe um negócio chamado de infidelidade política ou algo mais característico de ser do "centro": não atuará como linha auxiliar nem do governo Lula nem do bolsonarismo - menos ideológica e mais pragmática). Ou seja, o partido tornou-se um dos principais organizadores do campo político fora da polarização. Essa centralidade se converterá em protagonismo eleitoral? Tomara que não!

·       Líder do PL teve R$ 430 mil encontrados em sua casa em dezembro e alegou ser fruto da venda de um imóvel. Mas registro do negócio só foi feito depois da operação. Sóstenes registrou venda de imóvel 11 dias após PF apreender dinheiro vivo. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, reiterou que a candidatura de Flávio é irreversível e intensificou o esforço para consolidar o senador como nome de todo o campo conservador. A estratégia inclui reduzir sua rejeição, apresentá-lo como versão mais moderada do pais e nacionalizar a pré-campanha com o engajamento de Tarcísio, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira. 

·       Irã na corda bamba: fatores que levam à queda de um regime:

- revolta social;

- crise econômica forte;

- crise de legitimidade do regime;

- isolamento externo muito grande;

- humilhação militar;

- fragmentação da oposição e das elites.

Soberania.

 

A soberania será o tema central da campanha de Lula.4 neste ano de 2026. Mais do que segurança pública, como querem pautar a mídia e a extrema-direita, a ideia é atual e pertinente!

Soberania é a forma como o Brasil rege suas relações externas e internas, com o dever de defender solução pacífica de conflitos, os direitos humanos e a igualdade entre Estados, sempre pautada pela independência nacional. Na Carta Constitucional de 1988, é um fundamento da República e está ligada à defesa do território nacional, à regulação dos recursos econômicos estratégicos e às diretrizes  das relações internacionais, garantindo o controle e a autonomia do País.

Como se constrói essa soberania?

- com a assinatura de um contrato de construção de navios pela Petrobras no RS, como parte do programa de incentivo à indústria naval;

- evitando que o Mercado Financeiro, o agro, a bancada conservadora ou agentes privados externos ou infiltrados ditem as regras. Exemplo, o caso da Petrobras, que é controlada pela União, embora mais de 60% de seu capital seja privado. Deve ter decisões políticas prioritárias em vez de estratégia comercial;

- fabricando os próprios fertilizantes, visando à produção de alimentos e o combate e vitória contra a fome;

- ela está vinculada à democracia, ao poder popular, ao desenvolvimento econômico e, no contexto digital, busca garantir autonomia tecnológica;

- e por aí se vai...

Enfim, soberania envolve a capacidade de auto-organização, autodeterminação e a defesa do povo e pelo povo de seus interesses. Logo, a soberania é popular, onde o povo é o detentor da autoridade (base da democracia). Assim, ela é o direito de um país de ser dono do seu próprio destino, agindo como entidade autônoma no cenário global.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Colocações cirúrgicas!!!

 

·       Sobre o Banco Master. É importante frisar que a investigação das irregularidades no Banco Master foi aberta pelo atual Governo Lula. Veja o montante de desvio de aposentadorias do INSS que o governo buscou investigar a raiz e o ressarcimento dos prejudicados. E tudo começou lá atrás, nas doações de campanha feitas pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Isso explica a crise de liquidez do Banco, com R$ 127 milhões em obrigações de curto prazo a vencer, mas apenas R$ 4 milhões em caixa, sem falar dos R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso. Ora, como um banco de R$ 80 bilhões que deveria ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa?  

·       A escassez hídrica não decorre apenas de fatores climáticos, mas principalmente a partir de sucessivas omissões em seu enfrentamento. Os dados mostram, em SP, que a perda de água entre as estações de tratamento e as torneiras da população continua acima de 35%. E os reservatórios, em níveis críticos. Urgem providências em todos os sentidos, porque sem água a vida se precariza terrivelmente. 

·       Aprovação geral de Trump atingiu o menor nível desde o segundo mandato: 38%. O ex-presidente Obama tem toda razão!

·       O Estado democrático só é possível se há confiança dos cidadãos nas instituições. É justamente essa confiança que más condutas individuais põem em risco. 

·       A democracia deixou de se apoiar em consensos tácitos e passou a depender de atenção contínua, cooperação institucional e reconhecimento social ativo. As eleições de 2026 são um teste silencioso de sustentação democrática. Além de se defender dos ataques explícitos às instituições, é preciso, sobretudo, preservar a legitimidade do processo eleitoral. Isso equivale a atravessar ambientes com ruído informacional constante, fadiga institucional acumulada e disputas recorrentes sobre o significado de autoridade, verdade e derrota política. Lutar contra a reconfiguração narrativa, a diluição de responsabilidades, a relativização da gravidade dos ataques, o questionamento de decisões judiciais, a fragilidade da autoridade legítima, a dúvida sobre resultados eleitorais verídicos, a disseminação coordenada de desinformação (destaque para ferramentas de IA generativa que produz maciçamente conteúdos sintéticos capazes de simular documentos, imagens e falas), discursos de ódio e campanhas de deslegitimação institucional, falsidades pontuais, fragmentação da própria ideia de realidade compartilhada, ameaças como cotidiano político e as manobras do vocabulário ambíguo da conciliação. A democracia brasileira enfrenta esses desafios a partir de suas próprias fragilidades históricas, desigualdades persistentes e déficits de confiança institucional.  Enfim, o maior perigo democrático é o da erosão progressiva da confiança pública. Por isso, é preciso fortalecer seus mecanismos de autoproteção, preservando sua legitimidade num ambiente de desgaste contínuo. 

·       A economia brasileira enfrenta desafios colossais, dos efeitos do clima na agricultura às incertezas associadas a Donald Trump.

·       Não pode haver dúvidas sobre a correção dos dados do PIB porque são eles que: definem juros, avaliam investimentos, definem salário mínimo, desenham políticas públicas. Medir geração de riqueza é uma questão de natureza intrinsecamente técnica. Logo, técnicos precisam de independência para trabalhar com isenção. 

·       Veja só, “civilização” depende de cidades. Não só. Depende também de escrita operante, como as encontradas na egípcia, mesopotâmica, chinesa, maia ou alfabética. Leis e direitos. Civilização implica superar preconceitos e orgulhos, tais como esses que vêm nas tentativas de localizar as origens do mundo moderno muito profundamente apenas na história europeia ou só pensar no mundo moderno como algo que só pessoas com deficiência de melanina poderiam fazer. 

·       Esses candidatos encenam “boas e más” ações nas pastas que comandaram para delas se valer como influência eleitoral. O uso da máquina pública para autopromoção é abusivo. Cada suposto gesto social é um comício. Situação e oposição fazem uso do mesmo expediente infrator e, talvez por isso, nem se acusem mutuamente, pois todos se tornam parceiros na transgressão. É o uso e o abuso do poder no exercício dos cargos. Nem existe mais constrangimento em desobedecer a Constituição, quando o quesito é separar atividades administrativas e ações eleitorais. Cadê a Justiça Eleitoral?

·       Maus-tratos e negligência ficam ainda piores num serviço público ou privado, pois se tornam violência institucional. O que está na Constituição não cabe dificultar, constranger, interrogar ou agir como polícia. Isso só serve para constatar que uma vida também é esmagada por causa da engrenagem de moralismo e incompetência, graças às bancadas conservadoras. Aquela que troca a legalidade por métodos de coerção e de controle.

·       A Lei 9.605/98, que trata de crimes ambientais, estabelece detenção de 03 meses a 01 ano, além de multa, a quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados. Quando se trata de cão ou gato, a pena é maior: reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. A internet está cheia de fotos e vídeos de animais maltratados deliberadamente, imagens repugnantes feitas para atrair audiência dos insensíveis.

·       As negociações políticas não podem destruir a reputação dos partidos. Estes, precisam ser confiáveis e genuinamente dedicados ao bem público. Ter 20 partidos e poucos com diferencial? Cidadãos de bem, confiáveis e competentes, longe de serem atraídos para a carreira eletiva, passaram a vê-la como uma substância pegajosa, que suja a biografia de quem nela se mete. Onde deveria haver partidos, há um agrupamento informe de mediocridades e de espertalhões interessados apenas em abocanhar pedaços do erário.

O Relógio do Juízo Final.

 

Desde 1945, com o domínio do átomo, a humanidade vem sendo notificada sobre os perigos crescentes de sua total extinção. Como alerta sobre isso, foi criado um indicador simbólico em 1947 - o Relógio apocalíptico ou Relógio do Juízo Final.

Os pontos históricos mais críticos que jogaram a humanidade à beira do precipício foram: a bomba atômica, a Guerra Fria, o ocaso real capitalista, mudança climática e eventos extremos, riscos biológicos, tecnologias disruptivas, tensões entre países muito bem armados, disseminação da inteligência artificial (IA) em programas militares, armas estratégicas em vigor, erosões democráticas, negacionismos, bomba de hidrogênio, invasão na Ucrânia, guerra nuclear, crise humanitária em Gaza, nações mais agressivas e nacionalistas; e agora a soma de tudo isso...

Enfim, Donald Trump adiantou o relógio do “fim do mundo”. A humanidade tem ficado mais perto do fim. A piora veio de ações irresponsáveis do aloprado nas áreas militar, ambiental e de tecnologia. Faltam 85 segundos para o fim simbólico. É necessária uma cooperação contra todas essas ameaças globais, mais diálogo entre as potências, menos gastos militares, redução de arsenais nucleares, mais freio em Trump.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Confronto geoeconômico.

 

O “confronto geoeconômico” é um tipo de guerra sem armas. Acontece quando um país decide usar a economia como instrumento de pressão sobre outras nações. Assim, é caracterizado pelo uso de tarifas, restrições a investimentos, controles sobre cadeias de suprimentos e disputas por recursos estratégicos. É o que os EUA estão fazendo ao usar intimidações tarifárias, gerando uma perigosa espiral de confronto comercial com a China e outros países.

O confronto geoeconômico entre países passou a ocupar o primeiro lugar no ranking de riscos globais, superando o temor de conflitos armados. Esse movimento amplia a incerteza, pressiona o comércio internacional e aumenta o risco de choques econômicos globais. Portanto, trata-se de um cenário em que ferramentas de política econômica deixam de ser instrumentos de cooperação e passam a funcionar como armas estratégicas.

Causa e consequência disso é a própria agenda política de Trump, que fez o lucro dos bilionários aumentar como nunca antes. E isso à custa da erosão do tecido social e sua proteção, com desfinanciamento das agências de cooperação e suas lutas contra a fome e a doença no mundo. O descumprimento do papel dos EUA dentro dessas agendas reforça essa relação entre aumento da extrema riqueza e aprofundamento da pobreza e da desigualdade.

Veja só, a fortuna dos bilionários alcançou um novo recorde: US$ 18,3 trilhões. A empresa deles avançou 3x mais rápido do que a média dos 5 anos anteriores. Só o que aumentou (US$ 2,5 trilhões) é quase igual à soma de tudo o que tem a metade mais pobre da humanidade.

Agora são mais de 3 mil bilionários no mundo! O Brasil é o país da América Latina com o maior número deles: 66! 

Por outro lado, a redução da pobreza estagnou: quase metade da população mundial vive na pobreza. Quase 1 em 4 pessoas no mundo não tem o que comer regularmente.

Enfim, as chances de retrocesso democrático são 7x maiores em países com grande abismo entre ricos e pobres. Nosso desafio não está na falta de diagnóstico, mas na queda da capacidade coletiva e da disposição política para agir de forma coordenada. Enfrentar esses desafios exigirá alianças mais sólidas entre governos, empresas, universidades e sociedade civil, sob o risco de o mundo se aproximar de um ponto crítico difícil de ser revertido.

domingo, 18 de janeiro de 2026

A teoria de TUDO!

 

·       TESE 01: Criação de filhos. A parentalidade hoje é dominada por um massacre de orientações. São infinitos manuais, dicas conflitantes, especialistas para tudo. Se por um lado o Brasil é um país marcado por ausências (física e emocionais), principalmente por parte do pai; por outro lado, a falta de convivência e intimidade também faz com que muitos pais acabem fazendo pelos filhos o que as crianças deveriam enfrentar por si próprias. O caminho precisa ser o do meio – permitir que enfrente o incômodo e as consequências, enquanto oferecemos apoio e orientação. Meio a tantos ruídos e dedos apontados, é preciso encontrar seu próprio caminho. Enfim, o que você pode fazer para resolver esse problema? Fazer menos é deixar a criança errar antes de fazer por ela, e valorizar o erro como parte da aprendizagem. O tédio é a maior fonte da criatividade. Brinque sozinho antes de ser entretido por mim. Não ofereça telas! Enfrentar o risco. Experimentar a sensação de aventura sem correr perigo real (ela constrói coragem, noção de limites e autoconfiança). Enfim, paradoxalmente, quando os pais fazem menos, as crianças podem crescer mais.

·       TESE 02: Brasil entre China e EUA (Pequim-Itamaraty-Washington). Doutrina geopolítica de Trump desafia diplomacia do Itamaraty: como mediar em favor do Brasil? Como o país fará valer seus interesses diante de países com muito mais poder? Como redefinir o ponto de equilíbrio entre Washington e Pequim? Guiar-se por preferências ideológicas e alinhar-se a um dos polos ou servir-se do pragmatismo para se beneficiar de todos os lados?  EUA alegam que, enquanto mantinha distância do continente, a China aproveitou para fincar raízes. Passou a financiar projetos de infraestrutura, a erguer fábricas e a firmar parcerias em setores estratégicos, como energia, mineração e agronegócio. Agora, o Itamaraty será testado na defesa dos laços brasileiros com a China, maior parceiro comercial brasileiro, mas também na negociação de termos vantajosos na maior aproximação com Washington. As estratégias envolvem várias questões em diferentes áreas que geram conflitos de interesses para o Brasil entre chineses e norte-americanos:

- o Brasil conta com a segunda maior reserva mundial de terras-raras e outros minerais críticos para a transição energética (o país engatinha na exploração de suas reservas, e seria frustrante converter-se em mero fornecedor primário);

- a Economia brasileira apresenta alto grau de digitalização, que torna o país mercado crucial para o desenvolvimento de tecnologias como a telefonia celular de sexta geração (6G) ou a inteligência artificial (IA);

- a disputa pela Soja. O Brasil aproveitou a aproximação com a China apostando num mundo multipolar – ela se tornou o maior importadora da soja brasileira, mercado em que o principal concorrente são os EUA. Após o tarifaço, os EUA exigiram da China prioridade à nossa soja;

- menos manufaturados e mais industrializados. O Brasil precisa melhorar a qualidade das transações comerciais. O país basicamente exporta matérias-primas e importa manufaturados para a China. No comércio com os EUA, a pauta é mais diversificada.

Sugestões

1) o Brasil precisa atrair refino e beneficiamento desses minérios, absorvendo a tecnologia hoje controlada pelos chineses; 

2) também deve atrair data centers para processamento dos dados necessários ao funcionamento dos sistemas de IA; 

3) aproveitar nossa matriz energética limpa (pois tais centrais são consumidoras vorazes de eletricidade); 

4) saber aproveitar a oportunidade para desenvolver recursos humanos e incorporar tecnologia de norte-americanos e chineses; 

sábado, 17 de janeiro de 2026

“Conselho da Paz” em Gaza.

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, vem tentando montar um suposto “Conselho da Paz” para supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política na Faixa de Gaza, após o cessar-fogo mediado pelos EUA, em meio a dois anos de conflito entre Israel x Hamas. A proposta é parte de sua estratégia de estabilização do território palestino.

Sua proposta tem sido alvo de muitas críticas internacionais. Entre elas:

1.     Ausência de representantes palestinos no núcleo decisório;

2.     Protagonismo explícito dos EUA;

3.     A composição do Conselho com figuras controversas, tais como:

- Javier Milei (Argentina);

- Recep Tayyip Erdogan (Turquia);

- Abdel Fattah al-Sisi (Egito);

- Mark Carney (Canadá).

Enfim, Trump também convidou Lula para integrar o Conselho. Entretanto, é preciso muita cautela sobre os impactos diplomáticos e geopolíticos desse convite de integração. Afinal, a composição desse Conselho levanta dúvidas sobre a legitimidade e eficácia prática do órgão. 

O inconsciente.

As pessoas não são senhoras de suas próprias mentes... 

Quem elaborou uma noção mais organizada de “inconsciente” foi o médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Figura influente e controversa do século XX, Freud bateu forte na crença predominante de que as pessoas estão completamente cientes das forças que afetam o seu comportamento.

Isso foi possível porque Freud lançou esforços para tratar doenças mentais com um procedimento inovador (a psicanálise), isto é, pessoas atormentadas por problemas psicológicos, tais como medos irracionais, obsessões e angústias.

A experiência advinda da análise da vida de seus pacientes o levou à noção de “inconsciente” – estrutura abaixo da superfície da consciência, mas que, apesar de tudo, exerce grande influência sobre o comportamento, pois ali contém pensamentos, memórias e desejos. Daqui surgiu sua teoria psicanalítica que tenta explicar a personalidade, a motivação e doenças mentais, focalizando determinantes inconscientes do comportamento.

Esse conceito de inconsciente freudiano foi baseado em uma variedade de observações.

Exemplos

1.     Lapsos verbais aparentemente sem sentido muitas vezes pareciam revelar os verdadeiros sentimentos de uma pessoa;

2.     Sonhos de pacientes geralmente expressavam sentimentos importantes, dos quais não estavam cientes;

3.     O comportamento é fortemente influenciado pela maneira como as pessoas lidam com suas compulsões sexuais.

Conclusão: distúrbios psicológicos são, em grande parte, causados por conflitos pessoais que estão latentes em um nível inconsciente.

Enfim, apesar das inúmeras controvérsias e refutações científicas, a psicanálise sobreviveu para se tornar uma perspectiva teórica influente, com muitos conceitos inseridos na corrente principal da psicologia.