· Sobre o Banco Master: "Tá tentando me pegar desde 2019" (diz Vorcaro à PF). É importante frisar que a investigação das irregularidades no Banco Master foi aberta pelo atual Governo Lula. Veja o montante de desvio de aposentadorias do INSS que o governo buscou investigar a raiz e o ressarcimento dos prejudicados. E tudo começou lá atrás, nas doações de campanha feitas pelo empresário Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, Daniel Vorcaro, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022. Isso explica a crise de liquidez do Banco, com R$ 127 milhões em obrigações de curto prazo a vencer, mas apenas R$ 4 milhões em caixa, sem falar dos R$ 2 bilhões em depósitos compulsórios em atraso. Ora, como um banco de R$ 80 bilhões que deveria ter entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em títulos livres, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa?
· A tática da direita e da centro-direita (PSD, Republicanos, União, PP) para 2026 é a de uma pulverização de candidaturas do campo contra Lula no primeiro turno, com reunificação posterior. Sem Tarcísio, o mercado se derrete por Ratinho. Mas, quem deveria ser o candidato bolsonarista num cenário sem Flavio? Tarcísio lidera as menções (27%), mas depois vem Ratinho (13%), na frente de Michelle (11%), Caiado (6%) e Eduardo Leite (3%). Ao manter mais de um presidenciável em jogo, Kassab preserva o partido como ativo de negociação para o segundo turno, quando apoio, palanques, tempo de TV e estrutura partidária passam a valer mais do que alinhamentos ideológicos prévios. Enfim, o PSD tenta furar a polarização Lula x Bolsonarismo, e levar 3ª via ao 2º turno, alegando alta rejeição dos dois.
· Com Ronaldo Caiado filiado (governador de Goiás), PSD e seu presidente, Gilberto Kassab, se firma como polo de oposição alternativa ao bolsonarismo raiz (o que significa a intensificação de agenda com o agronegócio e interlocução com o mercado financeiro). A estratégia do PSD é ocupar espaço de uma direita eleitoralmente viável fora do núcleo da família Bolsonaro, ou seja, o principal espaço de articulação fora da polarização direta entre Lula x Bolsonarismo. Filiação de governador reforça estratégia do presidente do partido, Gilberto Kassab, de liderar projeto de centro-direita descolado do bolsonarismo contra o PT de Lula. Com Caiado, Ratinho Junior e Eduardo Leite, que será o seu candidato ao Palácio do Planalto? Em março/abril saberemos... O fato é que o PSD passa a funcionar como "zona neutra" da direita, capaz de abrigar projetos distintos até que o cenário se consolide. Enfim, há uma nítida ambição do PSD de ocupar papel central na sucessão presidencial com uma candidatura de centro-direita (o PSD é um partido que mantém laços institucionais com o PT, já que ocupa espaços no atual governo, mas existe um negócio chamado de infidelidade política ou algo mais característico de ser do "centro": não atuará como linha auxiliar nem do governo Lula nem do bolsonarismo - menos ideológica e mais pragmática). Ou seja, o partido tornou-se um dos principais organizadores do campo político fora da polarização. Essa centralidade se converterá em protagonismo eleitoral? Tomara que não!
· Líder do PL teve R$ 430 mil encontrados em sua casa em dezembro e alegou ser fruto da venda de um imóvel. Mas registro do negócio só foi feito depois da operação. Sóstenes registrou venda de imóvel 11 dias após PF apreender dinheiro vivo. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, reiterou que a candidatura de Flávio é irreversível e intensificou o esforço para consolidar o senador como nome de todo o campo conservador. A estratégia inclui reduzir sua rejeição, apresentá-lo como versão mais moderada do pais e nacionalizar a pré-campanha com o engajamento de Tarcísio, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
· Irã na corda bamba: fatores que levam à queda de um regime:
- revolta social;
-
crise econômica forte;
-
crise de legitimidade do regime;
-
isolamento externo muito grande;
- humilhação militar;
- fragmentação da oposição e das elites.
