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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

CRÍTICA Nº 2130. Guerra Biológica: Coronavírus x Anticorpos/Células T.


Qual é a diferença entre Anticorpos e Células T? Como eles combatem o novo Coronavírus? Como a esperançosa vacina funciona?


A eficiência de uma vacina contra o novo Coronavírus precisa chegar a esses dois conceitos – estimular a dupla produção de Anticorpos Células T (os protagonistas na linha de defesa do corpo): ambos combatem os vírus, só que com métodos diferentes. Tanto a vacina de Oxford quando a vacina Chinesa funcionam assim: estimulando anticorpos e células T, ambas em fase final de testes aqui no Brasil. 

Entenda as diferenças...

1. Anticorpos: grudam na superfície do vírus, e NÃO DEIXAM QUE ELES SE ENCAIXEM nas células, preservando-as (processo de imunização). Eles também dão sinais do invasor para as Células T.


2. Células T: são os braços do nosso sistema imunológico. ELAS DESTROEM OS VÍRUS JUNTO COM AS CÉLULAS INFECTADAS (que estavam fabricando mais e mais vírus).


EFEITO EXITOSO DA VACINA: a vacina junta um espinho da coroa retirado do novo Coronavírus e o insere num outro vírus comum – criando uma espécie de VÍRUS GENÉRICO ENFRAQUECIDO. A estratégia é fazer com que o corpo perceba a presença do novo Coronavírus original depois de aprender a reconhecer o pedaço dele no vírus artificial. Assim, o nosso sistema de defesa produz mais anticorpos (e células T) contra o novo coronavírus ativo. Duas doses de uma vacina assim são capazes de preparar nosso corpo (até agora apresentando febre, cansaço e dor de cabeça como efeitos colaterais).



OUTRAS VACINAS, OUTRAS TÉCNICAS!

Por fim, vale ressaltar que a OMS conta pelo menos 163 vacinas contra o novo Coronavírus. 23 delas estão na fase de testes em humanos. Os resultados de algumas delas, como as das empresas Biotech (alemã) e Pfizer (norte-americana), são bastante promissores, mas ainda é cedo para falar em cura (a ANVISA também liberou os testes das vacinas desses dois laboratórios parceiros, com 1000 voluntários de São Paulo e de Salvador). A técnica dessa vacina é a mais inovadora: os cientistas nem tocam numa amostra real de vírus, eles copiam um trecho do código genético e criam genes sintéticos. A vacina age então como se fosse o próprio vírus. O material genético invade as células e faz o corpo produzir o espinho do novo Coronavírus. Mesmo que fabricada dentro do organismo, essa proteína é estranha e seria atacada.


Ao todo, são pelo menos 8 técnicas diferentes. As que usam uma versão enfraquecida do próprio Coronavírus (versão do vírus inativado), como as de Oxford e a Chinesa (do laboratório Sinovac Biotech), têm um problema em comum: os cientistas só saberão que deu certo esperando para vê se o grupo que recebeu a vacina circulou por aí entre contaminados e não pegou a doença (e esse foi o principal motivo de termos sido escolhidos juntos com os EUA e a África do Sul para a fase final dos testes: os pesquisadores precisavam aplicar a última fase da vacina em lugares onde o contágio social ainda está acelerado).
Uma parceria do laboratório norte-americano “Empresa Moderna”, com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, vem avançando numa outra vacina. Na última fase do teste deste serão 2 doses, com intervalo de 28 dias. Esta vacina usa um método inédito: uma versão sintética de um fragmento do material genético do vírus, desenvolvida no laboratório, é injetada no organismo. E ensina o sistema imunológico a reconhecer e combater o invasor, sem causar infecção. A vacina tem demonstrado a produção de uma quantidade de anticorpos 4x maior do que a registrada em pacientes que tiveram a doença. Os efeitos colaterais foram leves e passageiros. Agora, os pesquisadores querem descobrir se a vacina é segura e incapaz de impedir a infecção pelo novo Coronavírus, e se ela pode evitar a morte e as formas mais graves da Covid-19. 

UM MÉTODO MUITO MAIS RÁPIDO, BARATO e PERIGOSO:

·         A vacina usa uma nova tecnologia: insere um GENE nas nossas células para elas produzirem uma molécula que aciona o combate ao vírus em vez dos anticorpos das vacinas comuns. Ainda nunca foi criada uma vacina para humanos usando esse método. Mas, o presidente Trump está investindo pesado nele, pois quer pressa para distribuir vacinas na campanha eleitoral dele (já prometeu que cada norte-americano ganhará uma vacina de graça). 


É verdade que o mundo inteiro busca agora uma vacina para o novo Coronavírus, mas as pessoas esquecem que também existem outras vacinas disponíveis hoje nos postos e nas clínicas de vacinação contra outras doenças também muito graves que estão voltando com força. Entre essas vacinas podem lembrar: meningite, sarampo, tuberculose, pentavalente, tríplice viral, poliomielite, etc. 

Se tudo der certo, pesquisadores de Oxford acham que a vacina ficará disponível para grupos de risco do Reino Unido até o fim deste ano, algo em torno de 1 milhão de doses (e aqui no Brasil serão 120 milhões de doses distribuídas pelo SUS a partir do ano que vem). Só que tem um problema maior: o mundo vai precisar de mais de 1 bilhão delas!

Portanto, para todos nós, uma INJEÇÃO DE FÉ, ESPERANÇA E ÂNIMO! 


(FONTE: Leituras diversas, pode checar). Bjos! 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Algumas características da Covid-19, comparadas com outras epidemias mortais da História.


Ponto a ponto:

·         Afetou o mundo num curto período de tempo, com fortes consequências para a saúde pública;
·         Alastrou silenciosamente, atingindo populações sem anticorpos e obrigando governos a mobilizar recursos para lutar contra um inimigo invisível sobre o qual não se tinha muitas informações;
·         Para uma Pandemia, nenhum país está de fato totalmente preparado com instituições de saúde suficientes para dá uma resposta a uma pandemia dessas (entretanto, no caso excepcional do Brasil, nosso Governo despreparou a população como pôde!);
·         A Covid-19 encontrou uma população traumatizada, decepcionada, faminta, cansada, desempregada... Ou seja, um campo fértil para causar consequências muito maiores;
·         É muito difícil lidar com uma epidemia. Os políticos preferem negar a existência dela porque ela descobre todos os males sociais, como instituições e serviços sempre despreparados.
·         A tendência a surgir “soluções milagrosas” para o surto: anúncios de remédios de eficácia duvidosa, listas de fórmulas mágicas que prometem curas milagrosas, etc. A população leiga acaba se entregando a essas fórmulas perigosas. Epidemia não é território para leigos!
·         Sem medicamentos e vacinas para tratar a doença de imediato, despontam as intervenções sanitárias: negar (isso não existe), falta de diálogo entre a equipe da saúde e o presidente (falta ou quebra de protocolos), quarentena e fechamento de instituições, lavagem ou recomendações de muita higienização e outras adoções de políticas de proteção recheadas de polêmicas...
·         Toda vez que a população é impedida de executar as atividades econômicas das quais ela está acostumada (como uma medida de Lockdown), são esperadas fortes reações (afinal, estamos falando de um país pobre e muito desigual, ou seja, com Governo que não supre a necessidade de seus grupos populacionais);
·         Pandemias e epidemias acabam sendo utilizadas politicamente e ideologicamente: 1) tiram vantagens políticas aqueles núcleos que lutaram de forma correta; 2) males são jogados nos adversários para destruí-los.
·         Políticas surtem efeito, para o bem ou para o mal. Por exemplo: regiões que adotam medidas mais severas conseguem reduzir drasticamente os danos (número de mortes).
·         Eficiência do Governo. Toda cidade que se programa e organiza bastante, com diretrizes objetivas e claras, é uma cidade que consegue sair antes, sair melhor e com menos mortes.
·         Se for para ter intervenções políticas na saúde pública, que sejam motivadas pelo desejo à vida coletiva e movidas pelo interesse de garantir o bem-estar da população.
·         As dinâmicas da Economia e da produção científica... Não há, necessariamente, um conflito de escolha entre reduzir a mortalidade e estabilizar a economia, especialmente por se tratar de uma pandemia que, por si só, já é prejudicial à atividade econômica.
·         As sociedades ocidentais não estão preparadas para a morte.
·         Esforço para não esquecer. Epidemias podem deixar bons propósitos, boas lições e bons ensinamentos. Não podemos voltar às ruas, esquecendo muito rapidamente de tudo o que nos aconteceu. Não podemos insistir na teimosia humana de não investir na constituição de um exército sanitário de reserva para andar prevenido, à frente das possíveis pandemias, e não correndo atrás delas.






quinta-feira, 21 de maio de 2020

Afagos ao Centrão...


Bolsonaro foi eleito e assumiu o mandato criticando o “toma lá, dá cá” – a troca de votos no Congresso por cargos em Ministérios e Estados. A isso damos o nome de “Velha Política”, cujo representante maior é o Centrão – uma base no Congresso formada por partidos que podem barrar o que for inconveniente para o Governo.

Em outras palavras, o Centrão refere-se a um conjunto de partidos políticos que não possuem uma orientação ideológica específica e tem como objetivo assegurar uma proximidade ao poder executivo de modo que este lhes garanta vantagens e lhes permita distribuir privilégios por meio de redes clientelistas.

Na verdade, tudo indica que o presidente sempre desejou aquilo que criticava, mas, para esconder o seu desejo, passou a ter uma conduta condenável, especialmente após o início da Pandemia de Covid-19. O desentendimento com governadores e prefeitos, a defesa do fim do isolamento social e o apoio a atos antidemocráticos imploravam, no fundo, um pedido de Impeachment. Agora que o impedimento ameaça ser real, Bolsonaro o justifica como a causa de sua aproximação com o seu antigo objeto de desejo – um Centrão.

O resultado disso é um caldeirão ainda mais borbulhante da política brasileira, com pessoas entrando para o Governo indicadas por partidos do Centrão, como o PL, o PP e Republicanos. Esses partidos têm muita força nas votações mais importantes da Câmara. Até agora, as nomeações do Governo para agradar o Centrão foram:
1.      Fernando Marcondes de Araújo Leão (ligado ao partido AVANTE). Assumiu a direção geral do DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, que faz parte do Ministério do Desenvolvimento Regional), sempre cobiçado por partidos, pois tem um orçamentode R$ 1 bilhão para a construção de barragens e perfuração de poços artesianos, principalmente aqui no Nordeste.
- Aqui, Jair Bolsonaro manteve no Conselho de Administração da Hidrelétrica de ITAIPU dois ex-deputados ligados ao Centrão:
A) José Carlos Aleluia (partido DEM);
B) Carlos Marum (partido MDB). Este era defensor ferrenho do ex-deputado Eduardo Cunha e do ex-presidente Michel Temer.
2.      Garigham Amarante (um advogado e amador indicado pelo partido PL). Vai assumir o cobiçado cargo da diretoria de ações educacionais do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que tem um orçamento de mais de R$ 50 bilhões (só para este ano são R$ 9 bilhões)! Esse fundo é responsável pela execução da maioria dos Programas e ações da Educação Básica do país. Ele que cuida, por exemplo, da alimentação, do transporte e também dos livros didáticos.
3.      Também podem ser citados o senador Ciro Nogueira (presidente do PP) e o Deputado Arthur Lira (líder do partido na Câmara), pois estão sempre à frente das indicações. Os dois são réus em processo da Lava Jato no STF por Organização Criminosa.
4.      Entrega de postos do Ministério da Saúde para militares. Num único dia (19/05), foram 9. A área que deveria ser mais técnica vem passando por um processo de militarização. Ao todo, já são pelo menos 18 militares do exército nomeados para cargos estratégicos do Ministério, tais como planejamento, orçamento, logística e assessorias especiais. Representantes dos Sindicatos dos Servidores Públicos criticam a falta de experiência dos militares em gestão de saúde, inclusive do próprio Ministro Interino, Eduardo Pazuello.



domingo, 17 de maio de 2020

As 3 fontes de novidades ruins em relação à política...


1.      Atitude de desprezo, asco, nojo e tédio em relação à participação política (a concepção de política como sendo uma vida safada ou atividade vergonhosa e político como pilantra).
“[...] penso que há um tédio pela política, e esse tédio vem também porque nós, adultos, inclusive na escola, não conseguimos fazer com que o jovem se encante com a política sem contar com a presença do adversário, do inimigo. Existe um asco pela política, pois ela é associada à política partidária dos acordos espúrios e da corrupção, e existe um desprezo por se supor que política é uma coisa menor. [...]” (p. 30).

"[...] passamos a tomar o homem 'apolítico' como homem de bem. Se para Aristóteles o homem de bem era aquele que participava da política, vê-se que hoje prevalece a imagem oposta em frases do gênero: 'Ele é um homem de bem, nunca se meteu em política. Ora, esse nojo, esse asco lança o desafio para mim, como educador, de imaginar como é que vamos dar outro passo" (p. 34). 

2.      Idiótes como autodefesa.
Idiota (idiótes): “aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política”. Aquele que vive fechado dentro de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal. “Não me meto em política!”.

"[...] Os atenienses iam para a praça de decisões políticas, a ágora, em média uma vez a cada 9 dias. A cada 2 anos nós vamos às urnas uma só vez, por ocasião das eleições; nesse espaço de tempo, eles teriam ido a umas 80 assembleias. [...] essa comparação suscita uma pergunta curiosa: como é possível que eles tivessem prazer em ir 80 vezes à ágora, quando hoje tantos se queixam de ter que votar uma vez a cada 2 nos?" (p. 35)

3.      O elemento da corrupção se tornou fortíssimo.
“[...] Defendo a ideia de que a corrupção não aumentou; ela só está sendo mais percebida. Acredito que, quando tínhamos ditadura e obras em concreto, era enorme a corrupção. Como temos, hoje, muito menos obras em cimento – parece que cimento atrai comissão, atrai propina –, como existe mais transparência, a denúncia é maior” (pp. 31-32).

A corrupção é o que há de mais antirrepublicano, porque vai na jugular da res publica, põe em xeque a coisa pública e o bem comum. Isso é paradoxal: exatamente no regime democrático, que significa “poder do povo”, muitos cidadãos se sentem sem poder para vencer a corrupção. A maior percepção da corrupção e a consequente aversão que ela provoca, que são dados positivos, trazem junto uma sensação de impotência” (p. 32).

"[...] há um jeito mais fácil de extinguir a corrupção. Como, para existir corrupção, tem de haver um corrupto e um corruptor, e como o corruptor, de maneira geral, é aquele que tem dinheiro para corromper, basta então que este indivíduo não corrompa a outros. Do ponto de vista operacional, não é difícil. Se o empresário é aquele que possui dinheiro e a corrupção é feita com esse capital, não o utilize para fazer isso e a corrupção acaba. Pode parecer óbvio, mas o espanto é grande, porque sempre se supõe que processo de higiene política tem de ser feito num outro lugar que não aquele em que estou" (p. 47). 

CONCLUSÃO: O nosso desafio na qualidade de educador é: como seduzir as novas gerações a fazer política sem que os jovens necessitem de um adversário externo, mas estejam imbuídos de uma compreensão ética? Como trabalhar a ideia de política para que ela seja entendida como o ápice da virtude do humano? Também não mitifico, claro, a democracia direta grega, não acho que ela seria a solução. 

"[...] Do ponto de vista dos direitos do cidadão, da expansão da liberdade individual, do acesso à informação, tivemos uma mudança para melhor. Mas, no que se refere à percepção da importância da política, acho que tivemos um mudança negativa, um movimento de desnobrecimento da atividade política, o que entendo como negativo do ponto de vista da sociedade [...] 'Os ausentes nunca têm razão'." (p. 36). 

É preciso estabelecer uma relação de prazer na companhia alheia, de convívio e crescimento com o outro. Política é saber conviver, mas, sobretudo, desejar participar - e participar de fato!


REFERÊNCIA: 

CORTELLA, Mario Sergio & RIBEIRO, Renato Janine. Política: para não ser idiota. - 9ª ed. - Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2012. - Coleção Papirus Debates.


quarta-feira, 13 de maio de 2020

As teias invisíveis...


Somos governados por determinações das quais mal temos consciência!

TEIA I: A liberdade individual como identidade é uma coisa boa, gostosa. O problema é o exagero pessoal que substitui o indivíduo pelo individual. Nasce o individualismo como obsessão da exclusividade, e ele é cego! Até aqui seu jeitinho de ser já se transformou numa libertinagem irresponsável, conivente e caprichosa. Em outras palavras, “eu estando bem, danem-se os outros, neh?”.

TEIA II: Os arrogantes que batem no peito e dizem: “essa é a minha religião”; “este é o meu jeito de alimentar”; “esta é a orientação sexual correta”. Mentira!!! Existe aí uma falsa liberdade. A indústria cultural e sua ideologia da sociedade industrial determina o tempo todo padrões de comportamento, inclusive o seu. No fundo, acabamos constrangidos, conscientemente ou não, a uma série de práticas que suponho serem minhas escolhas no mundo do consumo, da indústria cultural, mas que não são realmente minhas. “Mas quem disse que você escolheu tão livremente fumar? Quem disse que não houve uma propaganda maciça para levar você a escolher fumar (ou a escolher comida gostosa, escolher engordar)? Que liberdade é essa?”.

TEIA III: Dizem que o Sol nasce para todos, e que somos todos livres. Mas, de fato, algumas pessoas podem fazer escolhas mais livres do que outras. Por exemplo, aquelas pessoas com mais condições econômicas ou mais autonomia intelectual.

TEIA IV: A escravidão não foi abolida, apenas mudou suas estratégias. Se por um lado não é preciso matar pessoas, levá-las à fogueira ou ameaçá-las para conseguir que os comportamentos se ajustem ao que é socialmente desejável. Por outro lado, seguimos consumindo programas de TV, moldando nosso pensar e nosso agir pela propaganda e estragando nossa saúde com processados. Nesse quesito, temos um misto de avanço e de recuo. É ótimo que ninguém seja morto por divergir das correntes dominantes na política ou mesmo no comportamento (e olha lá), mas também é preocupante pensar que somos governados por determinações das quais mal temos consciência.

TEIA V: Você não tem apenas direitos, tem também os deveres. Seu direito termina quando o direito do outro começa. A esse respeito podemos ilustrar o exemplo: quando se aprovou em São Paulo a lei limitando o uso do tabaco em público. Muita gente a questiona de uma forma marota, mas, na verdade, o que a lei proíbe é que o indivíduo terceirize a sua fumaça. Não se proíbe ninguém de fumar, mas de fazer o outro aspirar o seu fumo. A proibição visa evitar que não fumantes sejam constrangidos pelos fumantes. Portanto, seu egoísmo não é a única coisa que lhe governa.

Esses exemplos são suficientes para demonstrar que existem alvos de “ns” constrangimentos que nos aprisionam em muitas teias com a falsa promessa de liberdade. Precisamos lançar luz sobre essas teias invisíveis que nos prendem para superá-las e tentarmos ser coletivamente melhores.

segunda-feira, 9 de março de 2020

A Árvore da Vida & A Árvore da Educação

Por Neilton Lima.

Era uma vez duas lindas e importantes árvores. A primeira era a Árvore da Vida, generosa e solidária. Esta árvore tinha uma copa alegre e animada porque o vento vivia agitando as suas folhas, uma copa chamada de Ana. Esta copa ficava na ponta de um tronco, que a sustentava, chamado de Tourinho. Este tronco, por sua vez, tinha raízes que ficavam juntas, bem juntas, juntinhas de um lindo rio, chamado de Junqueira. Esta árvore retirava e estocava (guardava) a poluição do ar, ela absorvia o gás carbônico durante o dia, que é o ar poluído com dióxido de carbono, e expirava o oxigênio, o gás limpo que respiramos. Esse ar limpinho era chamado de Ayres.

Se juntarmos todas as partes dessa “Árvore da Vida” ela formará outra árvore, a “Árvore da Educação”. Sabe por quê? Porque...

1.       Qual o nome da copa Agitada, Alegre e Animada da Árvore? Ana.
2.       Qual o nome do Tronco da Árvore? Tourinho.
3.       Qual o nome do rio Junto ao qual fincavam as raízes? Junqueira.
4.       Qual o nome do Ar limpinho que era produzido por essa Árvore? Ayres.

Portanto, a “Árvore da Vida” dava origem a “Árvore da Educação”, chamada de Ana Tourinho Junqueira Ayres. Se essa árvore for cuidada, regada e protegida ela vai dá flores e frutos. Essas flores e frutos são chamados de respeito, amor, proteção, cuidado, responsabilidade, sustentabilidade, união, vida, compromisso, parceria... Que por sua vez cairão na terra, irão germinar, brotar novas plantinhas que irão crescer e se transformar em novas árvores, tanto em “Árvores da Vida” como em “Árvores da Educação”.

Mensagem ou moral da história. Essa metáfora nos ensina que tudo está ligado, tudo está interligado na natureza e na vida. As árvores também são seres vivos. Nós dependemos das árvores para sobreviver, assim como dependemos uns dos outros. Dependemos dos seus frutos e do ar limpo que respiramos. Assim, o que fizermos de mal para as nossas amigas e generosas árvores, estaremos fazendo de ruim para nós mesmos. Que as “Árvores da Educação” salvem as “Árvores da Vida” para que as “Árvores da Vida” continuem salvando as “Árvores da Educação”. Então, uma... “Boa aula para todos!”.

(Texto escrito pelo Coordenador pedagógico: Neilton Lima da Silva).


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O que aconteceu com o “Bolsa Família” em um ano de governo Bolsonaro?


Uma grande jogada: o Governo usou o argumento de combate às fraldes para passar um pente fino. Nem o argumento da crise fiscal justificaria o esfacelamento do programa. E ainda há a ameaça de reformulação que ainda não está clara de como e quando será.  

Principal Programa Social do Brasil, do qual 01 em cada 05 brasileiros depende para sobreviver, tem lugar especial na fala dos políticos, e não foi diferente quando Jair Bolsonaro disputou a presidência. Porém, uma vez instalado o Governo, a ordem foi fazer um pente fino no cadastro do Programa, na suposta busca por irregularidades. Na metade do ano, a nova gestão introduziu o 13º, ainda não garantido para os próximos anos. A anunciada revitalização do programa, por enquanto, é só “uma palavra”. Na vida real, o que se tem são filas tentando obter o benefício. O número de beneficiados caiu, e a fila dos que esperam ser incluídos no programa tem hoje cerca de 500 mil pessoas.

A fila que está se desenhando no Programa Bolsa Família é tão grave quanto a fila do INSS. O programa vem se definhando, tanto no número de famílias beneficiadas, quanto nos valores mensais repassados e até mesmo na quantidade de benefícios. O Governo Bolsonaro tem dado muitas justificativas, nenhuma delas tem sido aceitável diante da realidade.

Comparando os números de 2018/2019... 14,1 milhões de famílias beneficiadas em Dez/2018. Já em Nov/2019 com 13,2 milhões. Ou seja, uma diferença, para menos, de -953.197 famílias (quase 1 milhão a menos de famílias beneficiadas). Comparado o valor mensal repassado de 2018/2019, ele foi reduzido de R$ 2,6 bilhões para R$ 2,5 bilhões. Sabemos que o Bolsa Família tem diversos tipos de benefícios: benefício básico, benefício variável, para a gestante, para o jovem... Houve aí também uma queda de Dez-2018/2019 de 41,1 milhões de benefícios para 38,9 milhões. Com uma redução do número de famílias, de benefícios e também do valor mensal repassado, o programa despencou no Governo Bolsonaro.

Qual a diferença de “extrema pobreza” e “pobreza” no Brasil? É “extremamente pobre” a pessoa ou família com renda de até R$ 89,00 per capta (por pessoa). Quem está acima disso e abaixo de R$ 178,00 é considerado “pobre”. A lógica de ajuda dos benefícios para essas famílias “extremamente pobres” é que ajudem a elas a alcançarem pelo menos esses R$ 89,00. E, para as famílias pobres, é variável pelo número de crianças e jovens. A média do Bolsa Família hoje é de R$ 190,00 para toda a família. Para isso, as crianças precisam frequentar 85% das aulas e estar com as vacinas em dias.

Como funciona o cadastro do Bolsa Família? A família extremamente pobre ou pobre, vai até um posto de atendimento da prefeitura e preenche um cadastro único do Governo Federal. Uma das coisas que ela responde é “qual é a renda dela naquele mês?” (é uma renda autodeclarada). O Governo faz um processo de verificação para saber se o que foi declarado faz sentido – é o “batimento” que cruza a informação com várias outras fontes de dados. E aí por diante o Governo autoriza ou não o pagamento.

Nos últimos anos, o Bolsa Família tem gerado um custo de R$ 31 bilhões de reais. Parece muito, mas é apenas 0,4% do PIB do Brasil. E ele beneficia mais de 13 milhões de famílias. Assim, do ponto de vista Federal é um programa pequeno e barato. Vários Governos que passaram, gastaram 300 a 400 bilhões de reais ano pagando juros de dívida sem tentativa de corrigir as desigualdades. Lula pegou apenas 10 bilhões e atingiu 40 milhões de famílias. Sabemos que o Bolsa Família nasceu em 2003, no Governo Lula, da junção de diversos programas sociais. É um dos melhores programas com custo benefício de transferência de renda do Brasil: chega nas pessoas que mais precisam (70% dos recursos do Bolsa Família chegam nos 20% mais pobres), deixa pouca gente de fora, alivia a pobreza das famílias carentes, incentiva as crianças a irem para a escola, não tem consequências negativas no mercado de trabalho (como queriam provar o “efeito preguiça”), melhora a frequência e o aprendizado na escola, bem como a saúde dessas crianças, além da queda da mortalidade infantil, etc.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Livro 01: E o Dente ainda Doía.


É um livro de ficção, escrito e ilustrado pela gaúcha Ana Terra, da edição especial da Fundação Itaú Social, editora DCL (Difusão Cultural do Livro), editado em São Paulo no ano de 2012.

Ele conta a história do coitado de 01 Jacaré que sofria de algo horrível. Quem descobriu que se tratava de uma forte dor de dente foram 02 coelhos ligeiros. Um deles receitou roer uma cenoura, mas não resolveu. 03 corujas entraram na conversa e sugeriram que usasse um graveto para cutucar o dente bem forte, mas, ainda assim, a dor persistiu. Foi então que chegaram bem quietinhos 04 tatus e indicaram ao Jacaré que mordesse um pedregulho... E o dente ainda doía! 05 patinhos saíram da água para ver, mas nem com um carinho conseguiram resolver. Será que a dor passaria se cobrisse o dente dolorido do Jacaré com um pedaço de sabão? Não! Essa ideia foi dos 06 ratinhos e também não solucionou. 07 toupeiras surgiram de um buraco e recomendaram ao Jacaré que mastigasse uma raiz-forte, mas ele não ficou bom. Será que uma mosca lambida seria o melhor remédio? A ideia foi de 08 sapos que também não conseguiram curar o pobre Jacaré. Foi então que uma família grande de 09 esquilos receitou um punhado de nozes, mas ainda assim, o dente causava dor. Parece que agora vai: 10 passarinhos vieram tentar resolver o problema, e receitaram ao Jacaré que botasse uma pena no focinho. Não foi, o dente ainda incomodava.

“Mas nada resolvia. O Jacaré roía a cenoura, cutucava com o graveto, mordia o pedregulho, recebia carinho, cobria o dente com sabão, mastigava raiz-forte, lambia a mosca, colocava nozes na boca, botava a pena bem na frente do nariz... E o dente ainda doía!”.

Calme aí... Depois de sofrer tanto e aplicar nove receitas diferentes, uma delas parece ter surtido algum efeito... O Jacaré bufou, ficou ofegante e espirrou. O dente, junto com toda aquela panaceia, foi cair bem longe. Parece que a pena receitada pelos dez passarinhos fez uma coceirinha no nariz do Jacaré, e o incômodo o fez espirrar. No impulso do espirro o dente se soltou, e finalmente a dor passou. Agora o Jacaré já podia matar a fome que sentia com um bom lanchinho. E toda a bicharada deu no pé. Claro, néh? Ninguém (0 – zero) quis ficar por perto para ser o almoço dele.

Há males que não podemos remediar. Então, é preciso extrair eles de uma vez por todas das nossas vidas.

Uma criança possui 20 dentes de leite ou dentes decíduos; já um adulto tem 32 dentes permanentes. Cada um deles necessita de cuidados, como alimentação saudável e hábitos de escovação. Aliás, nossa autora Ana Terra só tem 31 – acho que ela perdeu o outro em algum lugar.

Leia para uma criança! Essa foi uma ótima escolha, então tenha uma ótima leitura!

#issomudaomundo.


Livro 02: O Sonho de Tebi.


É um livro de literatura infanto-juvenil da pedagoga mineira Frances Rodrigues Pinto, ilustrado por Márcio Luiz de Castro, da Editora FAPI, 2003. Apaixonada por literatura infantil, a autora escreveu as coleções “Francesinha”, “Divertindo-se com os Numerais” e o “Dia a dia do Professor – Datas Comemorativas”.

Tebi é um garoto que sonha em ser astronauta para poder viajar pelo Universo e conhecer todos os planetas do nosso Sistema Solar (além da Terra, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), e a Lua. Todas as noites, ele ficava namorando as estrelas e quando avistava algum astro cadente, fazia o pedido de realização do seu grande sonho. Porém, Tebi era um aluno que não gostava de estudar, pois a sua preocupada mãe sempre o alertava para se dedicar mais aos estudos e parar de viver no mundo da lua.

Certa vez quando observava o céu noturno e pensava sobre seu grande sonho, uma luzinha muito brilhante ofuscou os olhos de Tebi, e ele desmaiou. Ao acordar, deparou-se com o lindo cometa Cabeleira, que havia sido enviado pela amiga estrela cadente. Parece que o pedido de Tebi havia sido atendido, e o desejo dele estava prestes a ser realizado. Tebi subiu na cauda do Cometa e fez um passeio inesquecível pelo espaço – cruzou a imensidão do céu e avistou de perto tudo o que existia nele.

O cometa Cabeleira e Tebi se depararam com a estrela cadente, que deixou o garoto de olhos bem arregalados. A estrela o cumprimentou e esclareceu o que estava acontecendo, por meio de uma boa conversa. A estrela disse que não só havia ouvido o pedido dele, como também observava tudo o que acontecia na Terra, inclusive a falta de gosto e dedicação aos estudos do garoto. Tebi ficou envergonhado com o sermão da estrela, e se deu conta que precisa modificar seu modo de ser e se dedicar mais aos estudos. Como foi um bom garoto, a estrela cadente permitiu que ele desse uma volta pelo espaço na cauda do amigo cometa Cabeleira para realizar o que sempre quis: conhecer um planeta de cada vez.

Ao chegar em casa, Tebi passou a duvidar sobre o que havia imaginado. Tudo teria sido um simples sonho ou realidade? Mas, ao olhar pela janela, viu o cometa cabeleira indo embora. Foi então que o garoto passou a cumprir o que havia prometido para a estrela cadente, e começou a estudar com entusiasmo. O tempo passou e o garoto Tebi se tornou um grande astronauta. Toda vez que ele ia para o espaço, visitava os amigos que havia feito por lá. E Tebi tirou uma grande lição de vida da sua própria história: “Eu consegui chegar até aqui porque acreditei no meu sonho. Se você tem um sonho, não desista dele. Basta acreditar e estudar, que um dia ele irá se realizar”.

Quando uma “estrela cadente” não for o suficiente para realizar os nossos sonhos, precisamos estudar muito para terminar de concretizá-los. Afinal, não basta desejar, precisamos batalhar pelo que queremos ser e ter.


Livro 03: Uma Tartaruga a mil por hora.

É um livro infantojuvenil da escritora e fonoaudióloga Márcia Honora e ilustrado por Lie A. Kobayashi, impresso na China em 2008, da Editora Ciranda Cultural das Diferenças, localizada em São Paulo.

Existem tartarugas grandes e pequenas, que vivem em aquários e preferencialmente livres no mar. Dizem que a má fama delas é a lentidão. Pois bem, esse não é caso do rápido e agitado Tobias. Na Escola Concha da Alegria, que fica no fundo do mar, todas as tartarugas passam por lá para aprender tudo o que precisam saber para viver. E foi justamente lá que a preocupada mãe de Tobias o matriculou, deixando a diretora e todos os demais ansiosos por conhecê-lo. No seu primeiro dia de aula, Tobias aprontou: já entrou na escola correndo, apressado demais para o que era considerado normal e, antes mesmo que sua calma e paciente professora, a Dona Tânia, o apresentasse aos seus novos amigos, lá estava ele correndo dentro da sala de aula. 

Nem deu tempo a professora Tânia ensinar as regras da nova escola, e Tobias virou toda a sala de pernas pro ar. Por onde ele passava ficava um rastro de bagunça, deixando a todos assustados com sua alta agitação. Ninguém conseguia segurar o Tobias, nem fazê-lo ficar sentado na carteira. Sem mais recursos, a sábia professora teve a atitude de chamar a mãe do Tobias para conversar e ela contou que ali já era a terceira escola que ele frequentava, e que já havia levado o filho ao médico, o qual receitou um remedinho para diminuir toda aquela agitação. Ambas não gostaram da ideia do médico, e decidiram tentar outra estratégia: “colocá-lo num curso de natação na superfície para que gastasse as energias”. A ideia transformou Tobias – ele se transformou num excelente nadador, e venceu todas as competições de que participou. A tartaruguinha frequentou a Escola Concha da Alegria por algum tempo e, além de um aluno mais tranquilo, se transformou num verdadeiro campeão.

Às vezes, o melhor remédio para os nossos problemas é uma simples chance de construção. Precisamos investir nossas energias em algo bom e produtivo, transformando o caos em oportunidades de crescimento. Afinal, por trás de aparentes desordens podem esconder grandes talentos.

Você é mais agitado ou tranquilo? É mais paciente ou inquieto? Nem toda agitação excessiva é sinal de transtorno, mas quando é constante e extrapola todos os limites é sinal de alerta. Por exemplo, o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é uma desordem neurobiológica, de causas genéticas, caracterizado pelos sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Como consequências, principalmente na infância e na adolescência, a pessoa apresenta mais problemas de comportamento e dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores, sobretudo por não respeitar regras e limites. Para agravar ainda mais o quadro, a falta de um diagnóstico cauteloso e de acompanhamento por profissional leva ao preconceito, rotulando o portador de “avoado”, que “vive no mundo da lua” e, geralmente, sendo taxado de “estabanado”, “bicho-carpinteiro” ou alguém “ligado na tomada” (isto é, não para quieto por muito tempo).

Falta de atenção e foco virou doença. O nome? TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. A suposta solução? A “droga da obediência”. O remédio tarja preta ou a famosa Ritalina (cloridrato de metilfenidato), do qual o Brasil é o segundo maior consumidor do mundo (atrás apenas dos EUA), é receitado ou muitas vezes oferecido “off label” (sem receita). Psiquiatras culpam o cérebro; profissionais culpam a escola ou a família, outros, a sociedade. Entretanto, nenhum medicamento no mundo daria conta da complexidade que é o processo de atenção de aprendizado de uma criança, que sabemos envolver vários fatores como afetividade, desejo e outras tantas representações que a criança cria. Talvez a Ritalina ou ouras docas tenham sua importância e função na dose certa indicada pela área medicinal, desde que havendo diagnósticos profissionais corretos e prescrições responsáveis. O que não se pode é confundir diferenças com doenças e, muitas vezes, o melhor remédio na educação é o esporte, a ludicidade, os jogos e brincadeiras, as produções artísticas, a música, a dança, o respeito às diferenças e a capacidade de lidar com elas, e todas as atividades capazes de transformar agitação em talentos.