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"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Geografia Viva no Curso Pré-Vestibular 2013

Tema Nº 01: questão científica... 

 Espaço Geográfico 

No primeiro encontro aprendemos que tanto a História quanto a Geografia estudam o homem. Porém, a História estuda o homem no tempo e a Geografia estuda o homem no espaço. Assim, o objeto de estudo da Geografia é o Espaço Geográfico.

Aprendemos que o Espaço Geográfico é um produto social dinâmico, resultado do trabalho transformador da sociedade sobre a natureza mediante um nível tecnológico em diferentes escalas de tempo e espaço. Essa ação modificadora produz relações motivadas por necessidades e interesses, ora contraditórios e conflituosos, outras vezes almejando a sustentabilidade. Ou seja, por trás das atitudes humanas existem valores mais individuais ou coletivos que nos responsabilizam diante dos impactos ambientais e das consequências geradas na nossa mediação com o outro.

Também vimos que a Geografia relaciona e faz seus estudos fundamentados no método científico de investigação. Partindo desse princípio, lançou-se como problema para reflexão: “Deus Existe?”. O tema abriu o espaço e o tempo de pesquisa, resultando em argumentos ora a favor da Criação Divina ora da Evolução Biológica, e em alguns momentos o esforço de convergência entre um e outro. O objetivo foi diferenciar as posições religiosas da visão científica dos fenômenos, compreendendo que existe uma diversidade de respostas, explicações e hipóteses para um mesmo problema. A intenção não foi excluir alguma posição, nem dá toda a verdade para alguma outra, mas perceber os limites e as possibilidades de cada interpretação do mundo e seus fenômenos naturais e sociais. Entretanto, como ciência social que é, a Geografia faz um recorte científico, sistemático, interdisciplinar e crítico dos fatos, viés pelo qual as questões dos exames se fundamentam.

A Geografia estuda o ser humano no espaço para compreender como ele se interage e autoproduz. Esse conhecimento é útil para apontar formas de integração do homem com a natureza de modo socialmente conjunto e sustentável.

A CIÊNCIA GEOGRÁFICA

Texto Extra I: 

Conhecer e compreender a natureza é dever e direito do homem como ser pensante. Nesse enfoque, a ciência vira irmã da arte. Apoiamos ambas por serem expressões máximas do ser humano. As pesquisas de fundamentos científicos são o combustível que acelera o progresso da humanidade. Quando uma das várias perguntas que fazemos na ciência é respondida, tudo muda para a civilização. 

O tempo biológico ou natural data o Universo com aproximadamente 13,7 bilhões de anos (tempo astronômico ou sideral). O nosso planeta tem cerca de 4,5 bilhões de anos (tempo geológico). A vida teria surgido há mais ou menos 3,8 bilhões de anos (aproximadamente 04 bilhões de anos!). Os mais antigos fósseis de procariontes (organismos com células sem carioteca) datam de aproximadamente 3,5 bilhões de anos. A crosta terrestre teria aparecido há mais ou menos 2,5 bilhões de anos (com a solidificação das primeiras rochas). Os primeiros eucariontes (as primeiras células com sistema membranoso citoplasmático, sistema golgiense, retículo endoplasmático e carioteca) devem ter surgido há mais ou menos 1,8 bilhão de anos. Os organismos foram exclusivamente aquáticos durante pouco mais de 80% desse tempo. Eis o tempo das transformações naturais. O registro fóssil do ancestral que deu origem à nossa espécie varia de 1 a 3 milhões de anos (mas os primeiros hominídeos, família de macacos comuns, como são chamados os ancestrais do homem, datam de 6 a 8 milhões de anos). A espécie que fazemos parte, o Homo sapiens (homem moderno) apareceu em torno de 150 mil e 200 mil anos. A partir das primeiras marcas que registramos no espaço (pinturas, objetos e a escrita), produzimos o tempo histórico – o tempo das transformações humanas.  
TOME NOTA: Os seres humanos atuais são o resultado da evolução de animais que viveram há milhões de anos. Nossa espécie surgiu na África e depois se espalhou por outros continentes. Nas Américas, chegou há cerca de 50 mil anos. O ser humano não descendo dos macacos, mas com eles (orangotangos, gorilas, chimpanzés) compartilha um ancestral comum (Australopithecus), que sofreu mutações genéticas e deu origem tanto aos ancestrais dos macacos quanto aos ancestrais da espécie humana. 

Quando os geneticistas dizem que compartilhamos 40% dos nossos genes com vermes, não se assuste, pois a mesma quantidade também vale para a banana. 

Qual é o elemento químico mais abundante no Universo? E na Terra? O Hidrogênio está presente em 93% dos átomos do cosmo. Os 7% dos átomos restantes no espaço afora são praticamente todos de Hélio. A soma dos outros elementos químicos conhecidos não chega nem perto de 1%. Esses elementos são simples e leves. Já na Terra, 49,78% é Oxigênio (que domina a superfície do planeta e está presente na água, em rochas e no ar); 16,78% é Ferro (principal elemento químico do núcleo da Terra); 14,64% é Silício (encontrado nas areias que margeiam e cobrem o fundo dos oceanos). Esses três elementos químicos formam, juntos, mais de 80% dos átomos da Terra. Esses elementos são mais pesados. Comparados com os outros, eles são insignificantes na grande escala universal. 

LUA: A Lua provavelmente foi formada junto com a Terra o que justifica a semelhança na composição química delas. A análise de tais amostras revelou a presença de basalto (componente de rochas), o que evidencia se tratar de uma rocha vulcânica como as encontradas aqui na Terra. O basalto, por sua vez, é composto pelos elementos: ferro, alumínio, magnésio e silício. Quimicamente também se acrescentam os silicatos, compostos formados por silício, oxigênio, metais e, eventualmente, hidrogênio. 

Já a nossa Atmosfera é formada de gases diversos: Nitrogênio 78,0800 Oxigênio 20,9500 Argônio 0,9300 Dióxido de Carbono 0,0300 Néon 0,0018 Hélio 0,0005 Metano 0,0002 Criptônio 0,0001 

Em cada uma das fases históricas da humanidade, assistimos a uma aceleração da intervenção humana nos processos naturais, ou seja, ao surgimento do tempo em sua dimensão social/histórica, que variou conforme o domínio das técnicas. 

Vale ainda ressaltar a mais cara experiência da história da ciência que durou 40 anos e custou 10 bilhões de dólares (somaram mais de 3000 físicos e engenheiros, de 38 países). Trata-se do “Modelo Padrão da Matéria”: a representação teórica mais bem-acabada para as complexas interações de energia e matéria que deram origem ao universo. Ele explica apenas 5% do cosmo, a parte composta pela matéria que conseguimos detectar por ter se organizado na forma de estrelas, planetas e seres vivos na Terra. Mas restam outros 95%, feitos principalmente de matéria e energia escuras (teoria da supersimetria: hipótese de existência de uma partícula, o neutralino, que pode explicar a criação de toda a matéria escura) sobre os quais pouco sabemos. Hoje, existe o consenso de que essa porção escura do Universo esconde a explicação final sobre as leis fundamentais da natureza. Sua existência depende de partículas ainda mais exóticas do que o Higgs (resultado de mais de 25 anos de pesquisas que exigiram o desenvolvimento de instrumentos de altíssima tecnologia): partículas elementares responsáveis pela existência da matéria visível e da matéria e energia invisível. Elas tiveram um papel nos instantes iniciais do Big Bang, a súbita expansão que deu origem ao nosso Universo (podendo assim explicar os buracos negros, a aceleração da taxa de expansão do Universo e outros grandes mistérios: como surgiu o universo e de onde viemos). 

NOTA: 
1)Cosmogonia: fala a respeito da origem ou formação do Universo a partir de mitos ou religiões. 2)Cosmologia: estuda a origem, estrutura e evolução do Universo a partir de conceitos mais científicos, como o ramo da astronomia, tal como o modelo do Big Bang. 

A evolução biológica é diferente da organização cultural e econômica das sociedades.

Saneamento Básico

O IBGE define saneamento básico como sendo o conjunto de ações que visa à modificação das condições ambientais com a finalidade de prevenir a difusão de transmissores de doenças e de promover a saúde pública e o bem-estar da população, incluindo fornecimento de água limpa e tratamento de esgoto. De acordo com o relatório de 2010 da OMS, em torno de 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo não possuíam saneamento básico em 2008. A situação é mais grave na Ásia, onde 72% dos habitantes estão expostos a bactérias, vírus e parasitas encontrados em dejetos humanos. A OMS estima que, a cada ano, 15 milhões de pessoas morram em todo o planeta de doenças infecciosas causadas por esses microrganismos (6% de todas as doenças no mundo são causadas por consumo de água não tratada e pela falta de coleta de esgoto, dados de 2008). A falta de saneamento põe em risco a preservação de mananciais de água e a sobrevivência de pessoas. Quando não provoca mortes, ela aumenta os gastos dos governos no setor de saúde. Em 2009, 59,1% dos domicílios brasileiros possuíam saneamento básico (2007 foi o primeiro ano em que o Brasil conseguiu garantir rede de esgoto a mais de 50% dos domicílios). De 2009 para 2011, a expansão da coleta de esgoto foi modesta no país. Segundo o IBGE, pouco mais de 3% (62,6% dos domicílios). Atualmente, 37,4% dos domicílios não estão sequer conectados com a rede coletora de esgotos. E em boa parte onde ele é coletado, não há tratamento. É preciso coletar e tratar para evitar o verbo poluir – não ir para os nossos rios, ar e solo. (apenas 38% de todo o esgoto produzido no Brasil recebe algum tipo de tratamento, o resto, 62%: aproximadamente 15 bilhões de litros de esgoto sem tratamento, despejados A CADA DIA na natureza, o equivalente a 6.300 piscinas olímpicas que ameaça a saúde e a vida das pessoas, e também o meio ambiente). Em relação à coleta de lixo, em 2009, 88,4% dos domicílios estavam contemplados. Em 2011, essa porcentagem subiu para 88,8%. Mais uma vez, o tema está relacionado às condições socieconômicas, pois os números já falam por sim mesmos: nas residências das famílias com rendimento abaixo de meio salário mínimo, 41,3% viviam em condições adequadas de casas com saneamento básico, enquanto nas famílias com renda demais de dois salários mínimos, o percentual sobe para 77,5%. Nosso país tem 21 milhões de crianças em casas com problema de saneamento (são pessoas de 0 a 14 anos, o correspondente a 23,3% da população brasileira, segundo o IBGE, desse número, 60,8% delas vivem com famílias de baixo poder aquisitivo e 48,5% moram em casas sem rede de esgoto (18 milhões de brasileiros convivem com esgoto a céu aberto, IBGE - 2010) ou abastecimento de água ou ainda coleta de lixo). Essa criança que amanhã será um profissional terá hábitos muito pouco urbanos, e isso certamente diminuirá suas oportunidades e chances no mercado de trabalho e na vida cidadã. É preciso repetir uma “revolução sanitária” e exigir mais distribuição de renda e justiça social, a começar pelos bairros de nossas cidades, expandir pelo Brasil e espalhar por todo o mundo! A gente paga imposto, tanto imposto, justamente para isso. A sociedade precisa reclamar e cobrar mudanças efetivas (uma pesquisa feita em 26 cidades mostrou que 75% das pessoas não cobram melhorias no saneamento, onde houve cobrança, 59% disseram que nada foi feito). Todos nós sabemos que é o responsável por isso em nossa cidade: o prefeito (68% dos entrevistados o apontaram). É responsabilidade do poder público o saneamento básico. Precisamos estar mais conscientes e tomar atitudes transformadoras. Isso é um direito nosso, está na Constituição, está nas Nações Unidas. Pois saneamento básico é um bom termômetro de cidadania: normalmente onde tem sistema de esgoto, há pavimentação, calçadas, coletas de lixo, iluminação, mais saúde (evita doenças como a leptospirose, diarréias e alergias)... Tem mais qualidade de vida. 

Deus Existe?

Texto Extra II:

Estamos diante de uma das perguntas mais misteriosas e difíceis do Universo! Além de tentar descobrir de onde viemos, a ciência também luta para explicar como nascemos, ou seja, como tudo o que existe se formou. Nisso, tem feito grandes progressos. Trata-se de um dos maiores mistérios do Universo. Tão misterioso como o próprio Universo. Uma questão que atormenta a humanidade desde o início dos tempos. E parece não ter solução. Só “parece”, pois a cada dia que passa a Ciência apresenta novas descobertas instigantes. Apesar do seu mistério, isso não significa que não possamos pelo menos tentar desvendá-lo. Eis uma das questões mais importantes – e mais difíceis – que existem: Deus criou nosso cérebro ou nosso cérebro que criou Deus? Será que a ciência tem a resposta? 

TRÊS PROPOSIÇÕES SOBRE A ORIGEM DA VIDA: Na atualidade, há três formas diferentes de pensar a respeito do mistério que envolve a origem da vida:

01. Criação divina: essa ideia afirma que a vida foi criada por uma força superior, por uma divindade. Evidentemente, isso não pode ser verificado de forma científica; a Ciência não tem os “instrumentos” para testar essa ideia. Assim, essa crença, embora respeitável, tem mais que ver com fé do que com Ciência.

02. Origem extraterrestre: esporos trazidos por meteoritos: é um hipótese para a origem da vida na Terra. Essa ideia foi bastante popular numa certa época. Ela propõe que a vida se originou fora da Terra e chegou ao nosso planeta sob a forma de “esporos” (“formas de resistência” que certos organismos adotam quando em condições ambientais adversas, como esporos de bactérias ou de protozoários, ou ainda estruturas reprodutoras em alguns organismos, como nas plantas) trazidos por meteoritos vindos do espaço, que teriam se desenvolvido nas condições favoráveis da Terra. Um forte argumento contraria essa hipótese: os meteoritos, ao entrar em alta velocidade na atmosfera, sofrem intenso aquecimento, devido ao atrito com o ar; isso destruiria rapidamente qualquer ser vivo neles existente. No entanto, há alguns dados recentes bastante interessantes. Precisamos lembrar, inicialmente, que todos os anos chagam à Terra aproximadamente mil toneladas de meteoritos vindos do espaço. Em alguns deles, foram encontradas substâncias orgânicas, como aminoácidos, matérias-primas das proteínas, e bases nitrogenadas, necessárias para construir ácidos nucléicos. Isso mostra claramente que a formação de substâncias orgânicas no universo, passo necessário para o surgimento de vida, é muito mais comum do que se pensava no passado. 

03. Origem por evolução química: é a ideia mais aceita hoje. A vida teria surgido de forma espontânea no nosso planeta, por evolução química de moléculas não-vivas. Muitos dados da Química, da Biologia e da Geologia (a ciência que estuda a origem e a formação da Terra, assim como sua transformação ao longo do tempo) reforçam essa ideia. Os cientistas, além disso, conseguiram reproduzir em laboratório algumas das condições primitivas, testando se elas poderiam ter favorecido o aparecimento da vida. 

Orgânico x Inorgânico: As substâncias simples existentes na Terra primitiva teriam evoluído até formar as moléculas complexas dos seres vivos. Isso sugere que as substâncias orgânicas dos seres vivos não são fabricadas apenas dentro deles. Em 1828, foi produzido em laboratório, uréia, substância orgânica encontrada na urina, a partir de substâncias inorgânicas simples (experimento feito pelo químico Wöhler). Se o “inorgânico”, em laboratório, pôde de fato se transformar no “orgânico”, compostos simples da Terra primitiva poderiam também originar açúcares, aminoácidos e nucleotídeos, contanto que as condições fossem favoráveis (um dos primeiros cientistas a organizar essas ideias foi o bioquímico russo Alexander I. Oparin, que, em 1936, propôs um modelo de como a vida poderia ter surgido). O fato é que os seres vivos são constituídos por moléculas orgânicas complexas, como carboidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucléicos. Essas moléculas, por sua vez, são compostas por unidades menores, como os aminoácidos nas proteínas e os nucleotídeos do DNA e do RNA. Mesmo essas pequenas unidades são muito mais complexas do que as substâncias inorgânicas encontradas na natureza, como a água e os íons minerais. O Universo não foi sintonizado para nós; nós é que somos adaptados às condições dele. 


O Universo simplesmente não precisa de Deus. "Até o século 20, acreditava-se que a matéria não poderia ser criada nem destruída, só transformada de um tipo para outro”. Se é impossível criar matéria, a existência dela só poderia ser um milagre. “Mas aí Einstein provou que a matéria pode ser criada a partir de energia, sem violar as leis da física”. A ciência pode provar que Deus não existe? A resposta é “sim”, com ressalvas. “Não me refiro a uma prova lógica (definitiva), mas a uma prova acima de dúvida, como a usada num tribunal”. É difícil até de imaginar. Isso ajuda a explicar por que a existência de Deus divide a opinião dos cientistas. É possível provar que nada depende de Deus, e a partir daí inferir que ele não existe. Mas mostrar que ele não existe, felizmente para uns e infelizmente para outros, continua impossível. - É possível dá uma descrição completa e definitiva do Universo? - Para boa parte dos cientistas, somos programados para ter fé e acreditar mais na religião do que na biologia. O que ninguém consegue afirmar com certeza é se isso acontece porque Deus criou nosso cérebro ou porque nosso cérebro criou Deus. - A teoria do big-bang é hoje vista pela Igreja como a prova de que alguém deu início a tudo. O debate agora é se Darwin estava certo em sua Teoria da Evolução das espécies ou se o organismo humano é resultado de um desenho inteligente, obra de Deus. - O problema não é ter ou não uma crença pessoal. Mas tentar justificar e espalhar essa crença usando falsos argumentos científicos.

 A única maneira de provar definitivamente uma coisa é usar o chamado método científico (que foi proposto por Galileu Galilei no século 16 e tem 04 etapas): 1ª) Observar um fato concreto; 2ª) Fazer uma pergunta sobre ele; 3ª) Elaborar uma hipótese, ou seja, uma resposta à pergunta; 4ª) Fazer uma experiência controlada para confirmar ou negar a hipótese. O unicórnio é um cavalo com barbicha, um chifre na testa e supostos poderes mágicos. Ele não existe, claro, é uma invenção. Só que isso é impossível de provar. Da mesma forma, não temos nenhum indício objetivo da existência de Deus – que pode perfeitamente ser apenas uma criação humana. Mas isso também é impossível de provar. Observando as 04 etapas do método científico, e tentando aplica-las na prova de existência do unicórnio, tropeçamos já na primeira etapa – porque não existe nenhum elemento concreto, como um pedaço de cabelo ou qualquer outra pista deixada por um unicórnio.

Com Deus, você consegue passar pelas primeiras fases: 1ª) Observar um fato concreto: (o Universo existe) 2ª) Fazer uma pergunta sobre ele: (foi Deus que o criou?) 3ª) Elaborar uma hipótese, ou seja, uma resposta à pergunta: (sim ou não) 4ª) Fazer uma experiência controlada para confirmar ou negar a hipótese: (Mas como vencer a quarta etapa – e criar uma experiência científica que pudesse confirmar ou negar Deus?) É difícil até de imaginar. Isso ajuda a explicar por que a existência de Deus divide a opinião dos cientistas. É possível provar que nada depende de Deus, e a partir daí inferir que ele não existe. Mas mostrar que ele não existe, felizmente para uns e infelizmente para outros, continua impossível.

Uma Conclusão: Cabe, então à ciência provar a existência de Deus? Nenhuma teoria (nem mesmo a da evolução) pode ser vista como um ameaça às crenças religiosas, porque essas duas grandes ferramentas da compreensão humana trabalham de forma complementar, e não oposta: a ciência para explicar os fenômenos naturais e a religião como pilar dos valores éticos e da busca por um sentido espiritual para a vida. É interessante ficar do lado dos pesquisadores que são contra misturar ciência com religião.

Para a ciência e a religião ou a razão e a fé, temos três caminhos possíveis: 1) São coisas separadas, e cada uma se faz sem ferir a outra (uma forma de conciliação): a ciência para explicar os fenômenos naturais e a religião como pilar dos valores éticos e da busca por um sentido espiritual para a vida. 2) Podem se misturar e entrar numa briga ferrenha, cada uma lutando para se justificar na pele da outra: a ciência dizendo que Deus é uma hipótese desnecessária e a religião rebatendo. Há muitos cientistas que nem sequer veem motivos para buscar as impressões digitais de Deus na história do Universo. 3) Podem se mistura e fingir que são amigas: mas no fundo a ciência contradizendo a religião, e a religião no fundo usando a ciência para provar racionalmente a existência de Deus. Pois uma coisa é você tentar justificar uma fé usando argumentos científicos, outra é você descobrir uma teoria científica que pode ser compatível com a fé. A história do Big Bang: O Universo surgiu há 13,7 bilhões de anos como um pontinho muito pequeno e denso, que se expandiu e deu origem a tudo o que existe – as estrelas, os planetas, você e eu.

Mas o que aconteceu antes do Big Bang? 1ª Hipótese: o tempo surgiu junto com a explosão, e portanto não existe “antes do Big Bang”. 2ª Hipótese: houve outros universos antes do nosso. E haverá outros depois dele, numa sequência eterna de renascimentos. “Cada ciclo começa com seu próprio Big Bang. Cada Universo se expande até que suas partículas perdem massa e dão lugar a uma espécie de vácuo, o tempo pára e aquele universo morre – para se transformar em outro por meio de um Big Bang. 3ª Hipótese: a lógica tradicional do Big Bang não consegue explicar tudo. Ele explica apenas 5% do Universo, porcentagem que corresponde à matéria e à energia que nós podemos perceber (a matéria e a energia que nós podemos ver e medir correspondem a uma parte bem pequena do Universo: 4%, e que formam galáxias, planetas e seres). Todo o resto, 96%, supostamente é preenchido por coisas estranhas: a energia escura e a matéria escura, que não somos capazes de ver. 4ª Hipótese: A teoria do Big Bang tampouco explica por que o Universo está se expandindo cada vez mais rápido, num fenômeno chamado aceleração cósmica. Para alguns físicos, a responsável por isso é justamente a tal energia escura – que fará nosso Universo se expandir até acabar e renascer. 5ª Hipótese: talvez existam vários universos além do nosso. Isso porque, segundo uma tese bem aceita, o Big Bang não foi homogêneo. Uma porção do espaço teria se inflado muito rápido, como uma tira de borracha, e nosso Universo estaria dentro dela. “Outras partes do espaço podem ter se expandido em outros momentos”, diz o físico Marcelo Gleiser: “Haveria então outros universos, separados por espaços gigantescos”. Todos existindo ao mesmo tempo. 6ª Hipótese: uma partícula foi descoberta no ano passado: o Bóson de Higgs. Ela é uma peça-chave porque deu massa às demais partículas que compõem o nosso Universo. Logo após o Big Bang, o Universo era um caos de partículas subatômicas viajando na velocidade da luz. Só que ele estava cheio de Bósons – e conforme as partículas entraram em contato com os bósons, algumas ganharam massa e outras não. As partículas de luz (fótons), por exemplo, não ganharam massa. Mas outras, como os quarks, sim – e se transformaram em tudo o que existe. As estrelas, os planetas, você e eu.

Não temos ideia se a vida é um fenômeno exclusivo do nosso planeta, ou se também surgiu em outros lugares, no sistema solar, ou numa outra galáxia distante. Em função da Ciência atual: Hipóteses de como a vida apareceu no nosso planeta (não há certezas, apenas conjeturas): 01. Sabemos, com alguma certeza, que a vida foi aquática por longos períodos, e que a conquista do meio terrestre é relativamente recente; 02. Os fósseis também evidenciam o parentesco entre os organismos, e também nos contam que, de maneira geral, os organismos mais simples são mais antigos do que os mais complexos.

Crítica I

Fiquei indignado com mais uma das postagens apressadas e "engraçadinhas" no Facebook. Meu colega Elinaldo a encontrou "por aí" e postou na página dele. Reparem qual foi a postagem ao lado. Acho que meu colega usa gasolina para ligar os equipamentos e as luzes dele KKKKKKK... 

"Vamos fazer as contas? A taxa de energia vai baixar 18% para residências e 32% para empresas. A gasolina terá aumento de apenas 4%. 98% dos brasileiros têm energia elétrica em casa e apenas 25% possuem algum tipo de veículo. O peso da redução no preço da energia elétrica, portanto, é muito maior do que o aumento irrisório no preço dos combustíveis. A direita compartilha as mentiras que ela cria. Só curtir não adianta. Compartilhe a verdade!" Continuo com o Telmo Pereira. Analogia entre combustível e energia sem dados críticos e apurados é falácia. Essa redução foi possível depois que o Governo renovou as concessões de geração e transmissão de energia elétrica, pagando até 70% menos pelo serviço prestado. Para gerar empregos, renda, desenvolvimento e crescimento econômico é preciso impulsionar nossas indústrias, produzir mais, vender mais e competir com os outros mercados acirrados. Nossas indústrias se sentem fracas para competir no mercado porque pagam altos custos da energia aqui no Brasil. Se comparada a outros países, a tarifa paga por nós brasileiros É A 4ª MAIS CARA DO MUNDO! (o preço médio da energia, em MWh, fica R$ 458 na Itália, R$ 419 na Turquia, R$ 376 na Rep. Tcheca e R$ 329 aqui no Brasil, seguido do Chile com R$ 320. Fonte: Firjan). É preciso que nossas indústrias diversifiquem seus bens de produção e não se detenha apenas em bens caros, como o alumínio, bem como substitua suas máquinas de alto consumo para outras mais modernas e econômicas. Se numa indústria a economia for de 20%, a empresa pode reduzir até uns 60 mil reais, que poderão ser divididos na contratação de novos funcionários e inovação necessária da própria fábrica. Quanto maior o consumo, maior o impacto nos preços dos produtos, que nós consumimos. Na indústria de alumínio, por exemplo, a energia responde por 40% dos custos da produção. Na indústria do aço/química, são de 20%; e na têxtil pode chegar até 15%. A redução no custo da energia vai ajudar a indústria brasileira, que vinha de uma fase bem ruim (queda de – 2,6% acumulada em 12 meses encerrados em novembro de 2012) e, conseqüentemente, ajudar a todos nós, seja de esquerda ou de direita. Além de beneficiar os consumidores e residenciais de direita e esquerda, também vai ajudar a indústria, retratemo-nos, todos nós (efeito macroeconômico). Diante de tudo isso talvez devesse preocupar se essa redução se manterá por muito tempo, e para isso dependeremos do bom senso de economizar e de chuva, muita chuva nos locais certos – a fonte dos reservatórios.

O Ministério de Minas e Energias já falou sobre a origem dos recursos para os descontos: R$ 8,460 bilhões para os cofres públicos (um custo alto, para o Governo, tão criticado aqui). Havia sido previstos antes R$ 3,3 bilhões, mas o custo aumentou porque as companhias energéticas de três estados não fecharam o acordo. Segundo Edison Lobão, o ministro de Minas e Energias, o Governo vai usar créditos que tem a receber da usina de Itaipu (a maior em geração de energia no momento no mundo!) para bancar o desconto (uma boa solução encontrada pelo Tesouro Nacional). Ou seja, nós contribuintes não vamos pagar na conta de luz esses encargos, pois eles são sociais. São da responsabilidade do Governo. Essa redução integral todos nós teremos, variando um pouco para cada estado e sua companhia, a partir de 25 do mês que vem.

Ressalva: A mídia está muito preocupada com a demanda de energia para o megaevento da Copa do Mundo no ano que vem. Ela, nem nós, queremos estar com as luzes (e as Tv’s,) desligadas quando a bola rolar. Muita atenção está voltada para as cidades sedes do evento (cujos estádios não vão consumir nada pouco, e nem vamos pagar menos), e todo o resto do Brasil. O desconto dado agora é uma economia para o que vamos pagar para as empresas no futuro. O Governo quer amenizar essa conta e a mídia e as empresas não estão muito contentes com isso. Enquanto isso os desinformados ficam falando “abobrinhas”.

A raiz dos males: desigualdade social.


A renda média mensal das famílias brasileiras cresceu entre os anos de 2009 e 2011. Os salários dos mais pobres foram os que mais aumentaram. Os ganhos dos 10% mais pobres aumentaram 29,2%; enquanto isso, a renda dos 10% mais ricos subiu 13,6%. A renda média do brasileiro cresceu 8,3% (R$1.345,00). A prosperidade vem com oportunidades de trabalho, distribuição de renda e mais investimentos em qualidade de vida no país. Mas ainda é muito grande a desigualdade em nosso país. Apesar dos indicadores sociais apresentarem melhoras com a forte ênfase em políticas sociais dos últimos anos, o Brasil ainda é exemplo negativo de país com enorme concentração de renda – uma das maiores do planeta! O alívio é insuficiente e ainda queremos mais igualdade social. “O perfil social do Brasil mostra o seguinte: a renda controlada pelo 1% mais rico da população é praticamente igual à dos 50% mais pobres. E, se formos além da renda, 75,4% da riqueza do país (renda, patrimônio e ganhos com investimentos financeiros) é acumulada por apenas 10% da população. Quando se trata dos 10% mais pobres, 74,2% são negros. 45,6% dos adolescentes brasileiros com até 17 anos vivem em situação de pobreza (menos de meio salário mínimo de renda per capita) e 19,3% em situação de pobreza extrema (até um quarto de salário mínimo de renda per capita)”. Apesar de 85% dos jovens entre 15 e 17 anos freqüentarem a escola, entre a população mais pobre essa taxa é de apenas 32%. A maior parte da riqueza desse país ainda fica com quem ganha mais: 41,5% do total dos rendimentos no país vão parar nas mãos dos 10% mais ricos; para os 10% mais pobres, sobra apenas 1,4%. É preciso melhor distribuir a renda e aqueles que ganham mais não estão dispostos a isso. Com poucas oportunidades de estudo, essa grande parcela pobre da população tem menos chance de ascensão profissional e social. É assim que parte dos jovens é aliciada pelo crime organizado, tráfico de armas e drogas. É consenso que, além do enfrentamento direto da criminalidade, é preciso combater a desigualdade social, pois, a violência não vem pela pobreza, vem pela desigualdade.

Educação x Reclusão



O Brasil investe mais de R$ 40 mil por ano em cada preso em um presídio federal, e enquanto isso gasta uma média de R$ 15 mil anualmente com cada aluno do ensino superior. Ou seja, gastam-se com presos quase o triplo do custo por aluno. Já os detentos de presídios estaduais, onde está a maior parte da população carcerária, a distância é ainda maior: são gastos, em média, R$ 21 mil por ano com cada preso — nove vezes mais do que o gasto por aluno no ensino médio por ano, R$ 2,3 mil. E olha que estamos falando numa média geral brasileira (o valor pode variar nos estados), porque se considerarmos um presídio de segurança máxima federal (no país existem quatro deles, que custaram em torno de 84 milhões de reais), o preso sai custando quatro vezes mais do que nos estados, tornando a distância com os investimentos nos alunos ainda maior. Agora imagine quantas escolas de qualidade dariam para levantar com R$ 84 milhões? O Ministério da Educação divulgou neste ano (2013) o novo Piso Salarial dos professores: R$ 1.567,00. Enquanto isso, o salário médio de cada agente penitenciário federal é de aproximadamente R$ 5,1 mil. Neste ano de 2013 o Governo anunciou o novo reajuste salarial do trabalhador brasileiro: aumento de 9% (R$ 56,00): dos antigos R$622,00 para R$678,00. Para manter um preso no modelo convencional de penitenciária estadual, o Governo gasta R$ 1,7 mil por mês (no presídio federal não é menos de R$ 7 mil por mês). Mas o foco não é o fato de que uma prisão custe muito ou que há sobreinvestimento no preso, pouco menos que o valor do salário de um agente penitenciário seja desmerecido, até porque sabemos as condições das penitenciárias brasileiras – insuficientes, superlotadas e de péssima infra-estrutura para o sonho de re-socialização do preso (algo não muito diferente da estrutura de muitas escolas públicas e o sonho de boa formação dos nossos alunos). O contraste de investimentos e as comparações explicitam dois problemas centrais: o baixo valor investido na educação e a ineficiência do gasto com o sistema prisional. Em ambos os casos está havendo fracasso: as escolas não estão conseguindo formar bem os seus alunos, os presídios não estão conseguindo recuperar os seus presos. E uma coisa acaba sendo conseqüência da outra, pois um aluno que tem sucesso escolar raramente abandona a escola e está mais longe de ser preso (vide reversa). Daí não será preciso gastar com a criação de nova vaga no presídio, que para o governo Federal fica cerca de R$ 35 mil. O Ministério da Justiça investiu, em 2008, cerca de R$ 350 milhões em todo o sistema penitenciário do país. O custo de um universitário (e para ele chegar aqui precisa ter feito uma boa educação básica), pelos gastos que uma universidade deve ter com pesquisa, deveria ser bem maior. É o custo de você formar um cientista, um médico, um engenheiro, um professor etc. Ao invés de comandar horrores de dentro das cadeias, o preso deveria trabalhar para bancar seus custos lá dentro e os custos de familiares que ficaram fora. Em vez de trabalhar tanto para pagar impostos que entre outras coisas custeiam os presos, o estudante brasileiro deveria estudar mais numa escola e educação de qualidade. Tem muita coisa invertida nesse país! 

E os nossos impostos, Óh...


Pasmem! Nós, brasileiros, pagamos R$969.000.000.000 de impostos em 2011 (10% a mais que em 2010, ano em que ficamos entre os 12 países que mais cobram impostos de seus cidadãos). É muito dinheiro que vem de todos e de tudo: Um almoço fora (32,31% de importo na conta), água mineral (44,55%), um cafezinho (20%), uma camisa nova (34,67%), sapato (36,17%), uma borracha e apontador (43,19%), uma cola (42,71%), papel sulfite (37,77%), caderno e lápis (34,99%) etc. E a conta só aumenta – no ano passado, 2012, pagamos R$1.029.000.000.000 de impostos (pela primeira vez na história, batemos recorde em impostos, conseqüência do aumento de renda dos cidadãos e das vendas do comércio). Diante de tudo isso, o pior é ainda saber que o Brasil também está entre os países que tem o pior retorno dos impostos pagos em saúde, educação, segurança e iluminação pública, estrada e transportes. Sabemos o quanto nossa infra-estrutura é precária. Pela 3ª vez seguida o país foi citado em um ranking do país que dá menos retorno pelos impostos que paga. Foram analisados 30 países com maior carga de impostos. No quesito retorno à população, na forma de serviços públicos, lideram à lista: 1º Austrália; 2º EUA, 3º Coréia do Sul... O Brasil ficou em último lugar: 30º Brasil, ocupando a posição de 84º de IDH (escolaridade, renda e longevidade). Proporcionalmente nós pagamos mais impostos do que cidadãos de muitos países ricos, tais como Japão, Suíça e Canadá. Mas convivemos com sérios problemas sociais. Entre as causas desse desequilíbrio tão grande estão: corrupção ou desvios de verbas públicas, problema de gestão com a qualidade dos gastos do Brasil que está errada, muito gasto com servidores e aposentados, sobrando pouco para investir em serviços públicos: temos quase o dobro de Ministérios do que os EUA que tem um PIB quase 8 vezes melhor do que o brasileiro. Nós pagamos muitos tributos para sustentar uma administração de serviços débeis. É preciso reduzir o número de impostos e simplificar a cobrança dessa máquina administrativa. Diante dessa realidade, a imagem do Congresso Nacional brasileiro não é exemplar e nem justa. Os Parlamentares brasileiros são OS MAIS CAROS DO MUNDO! Um minuto trabalhado aqui custa a todos nós, contribuintes, R$ 11.545,00. Por ano, cada Senador, não sai por menos de R$ 33.000.000,00. O custo anual de um Deputado é de R$ 6.600.000,00. Os valores gastos com o Congresso causam ainda mais espanto quando comparados a países mais ricos que o Brasil. Se fizermos a média dos custos de Deputados e Senadores, cada Parlamentar no Brasil sai por R$10.200.000,00 por ano (dez milhões e duzentos mil reais)! (na Itália é de R$ 3,9 milhões; na França R$2,8 milhões; na Espanha R$ 850 mil; na vizinha Argentina, R$1,3 mil). E esse custo todo se repete nas Assembléias Legislativas, e o pior exemplo está lá, em Brasília. Cada um dos 24 deputados distritais custa por ano quase R$ 10.000.000,00 de reais. Os vereadores no Rio de Janeiro e São Paulo, cada um sai, pelo menos, por R$ 5.000.000,00 de reais. Já vi que, nós, os contribuintes e trabalhadores brasileiros, somos os mais baratos e mais pacientes. Enquanto isso, 3.674.000 crianças trabalham no Brasil, segundo o IBGE. Desses, os 3 milhões tem entre 14 e 17 anos (63,5% atuam na agricultura). 74,4% não recebem salário. Sofrem no trabalho infantil apenas para comer e sobreviver. E ainda há quem pense que os livros didáticos da escola pública são de graça, que o governo dá alguma coisa para as pessoas ou que as obras públicas feitas em nossa cidade são da boa vontade de nossas lideranças políticas. Somos nós, trabalhadores, que sustentamos esse país. Acorda Brasil! Outros dados sobre a dura realidade brasileira você encontra em novas postagens.

Copa das Confederações x Copa das Manifestações

Tema Nº 02: questão econômica e política... 

No segundo encontro a turma foi surpreendida ao ser convidada para refletir e debater sobre a inusitada onda de protestos ocorridos no Brasil, durante a Copa das Confederações agora em junho de 2013. Um fenômeno social e político que marcou a história do país pediu uma análise geográfica em decorrência da proximidade e da atualidade dos fatos, abordados em diferentes versões pela mídia (imprensa), pelo Governo e pela própria opinião popular. 

O tema ressuscitou velhas questões sociais, adormecidas no cotidiano popular, mas bem pulsantes na realidade de vida do povo brasileiro: as classes e as desigualdades sociais, o poder dos meios de comunicação de massa, nossa tímida democracia, esporte, turismo e os indicadores (seus avanços e deficiências) da qualidade de vida no Brasil. 

Os casos de vandalismos, de algumas cenas de depredação do patrimônio público e episódios de confrontos da polícia com alguns grupos inflados de manifestantes foram noticiados e recortados pela mídia, que soube muito bem canalizar a ira e a insatisfação popular para o sistema político e sua dimensão corrupta no país. Entretanto, a aula deu destaque para um detalhe importante, intencionalmente passado despercebido pela abordagem dos fatos – a versão econômica. Através da análise das contas e dos gastos gerados para sediar a Copa do Mundo de 2014, notou-se a insuficiência da iniciativa privada e seus grandes interesses em gerar lucros privados sobre o palco dos eventos, montados pelos cofres públicos. Mais uma vez a elite brasileira, formada pela classe abastada, procura tirar proveito no jogo do mercado consumidor capitalista, que transforma os eventos esportivos e o fenômeno turístico em lucro imediato. E não só isso, pois no discurso dominante transforma também as pessoas comuns e menos favorecidas em garçons e atendentes da elite, ainda rotuladas de profissionais desqualificados e sem educação. 

Não se posicionando contra o turismo de eventos, pouco menos a importância do esporte na cultura brasileira, a aula se posicionou e deixou bem claro que o grande problema nessa história toda é a fonte dos gastos e a repartição dos lucros, que acontece de forma injusta e desigual quando consideramos a posição das pessoas nas classes sociais do país. A promessa de que o turismo de ventos trará mais investimentos e qualidade do transporte público, da educação, da saúde e da geração de renda se vê frustrada diante do oposto: os cofres públicos montando o palco dos eventos, a classe média e alta dançando e lucrando nele, sobrando o serviço pesado e a conta alta para a classe trabalhadora. Enfim, os protestos gritaram que “políticos e empresários” são forças nocivas a uma cidade. 

Sem retirar a responsabilidade política dos fatos, pois os mais graves males apontados pela população são: corrupção, inflação, criminalidade e falta de recursos para saúde e educação, destacou-se a versão econômica dos mesmos, como parte do combustível implícito que gerou a onda de revolta e protestos no país. Estamos diante da classe média e alta, e de uma poderosa elite, que defende uma visão econômica que afasta o investimento privado (ou o investe se houver retorno e lucros muitas vezes multiplicados) o que impede o crescimento econômico justo, isto é, igual para todos. Apesar da longa lista de reivindicações, os protestos pelo Brasil pediram basicamente responsabilidade, ética, ação e transparência, mas de quem? Só dos políticos? Do empresariado também! A aula terminou deixando pistas de que o tema é inesgotável diante da Jornada Mundial da Juventude que acontecerá em julho deste ano e a Copa no ano que vem. Fomos capazes de misturar futebol com política, o próximo evento misturará política com religião? Ficou no ar outro tema não menos importante e polêmico: a união homoafetiva e sua luta por direitos.

O que penso sobre a onda de protestos no Brasil, vivida durante a Copa das Confederações de 2013?

Texto Extra III: 

O brasileiro está indignado com a corrupção de alguns políticos. Bom lembrar, candidatos eleitos pelo próprio brasileiro, boa parte das vezes negociando o voto ou fazendo troca de favores. Boa parte dos brasileiros trocou o sofá da sala ou a postura de telespectador pelas ruas ou a postura de manifestante, mas uma grande maioria ainda retornará para o posto da poltrona voltada para a novela ou algum outro espetáculo televisivo ao invés da escrivaninha com um bom livro ou a leitura crítica da história desse país. O público foi ao estádio torcer pela Seleção Brasileira, pagou pelos ingressos e as despesas para estar lá e, muita gente deu Ibope de casa ou da praça mesmo, vendo a Seleção campeã pela TV de casa ou pelos telões, mas, ao mesmo tempo, demonstrar que não concorda com os gastos desmedidos. Bem, qual é um dos resultados disso? A democracia brasileira mostrou diversas formas de manifestações nos últimos dias. As depredações vistas em diversas cidades foram atitudes estúpidas, de algumas pessoas que querem mudanças, mas não sabem como fazê-las. Mas também podemos pensar assim: “Se não houvesse pichações e vidros quebrados, muita gente não teria lido sobre isso ou dado importância a isso”. O que é “isso”? Os protestos. Mesmo assim, penso que a depredação só nos custa mais caro. Boa parte dos brasileiros ainda gosta de levar tudo pela cultura do “tal jeitinho”, não respeita as leis de trânsito, cola nas provas, não dá o bom exemplo às crianças e os próprios filhos, mas quando sente a conta pesar no bolso, aí inflama o sentimento de indignação, o desejo de mudança, transparência e fim da corrupção. Antes tarde do que nunca! Então a sociedade infla e precisa achar um culpado, um bode expiatório para descarregar sua contraditória ira (agora eu pergunto: por que não descarregar na mídia? Os grandes empresários que levam a melhor, eu digo os lucros desse país? Por que somente a imagem da presidente Dilma?). A mídia deve ter ficado meio frustrada, pois muita TV poderia ter sido ligada ao invés de muita gente está carregando cartaz na rua. Mas como em matéria de liberdade de imprensa e expressão nada passa despercebido, então estava lá na tela dois Brasis: uma metade torcendo pela vitória da Seleção no estádio e a outra torcendo pela vitória do País na qualidade de vida. E há aqueles que tentaram conciliar uma coisa à outra. Como disse um brasileiro-torcedor-manifestante na rua: “Eu espero que o Brasil ganhe o jogo da Copa das Confederações hoje, mas no final da Copa das Mobilizações, também queremos uma goleada!”. Bem, de um resultado já sabemos (e foi satisfatório), agora vamos vê o placar do outro. E por falar em outro, outra coisa interessante é que não existem classes sociais na hora do futebol, do carnaval, da novela e etc. e tal. Ricos e pobres se misturam e se confundem num só Brasil. O que está acontecendo agora no Brasil abre feridas antigas, mas abre também o debate. É risível a ideia de classificar os manifestantes entre mauricinhos e povão e a necessidade de colocar as manifestações em categorias sociais – mas previsível. É mais fácil diminuir o poder das vozes dissidentes se elas são rotuladas. As manifestações são movimentos abertos, para quem quiser participar. E daí que a maioria dos manifestantes era branca e de classe média? Eles estavam lutando por melhoras para todos. A tentativa de dividir a sociedade para deslegitimar uma luta justa é ridícula. Não precisa ser negro para ser contra o racismo nem gay para ser contra a homofobia. Basta ter bom-senso e não ser alienado. Por que podemos nos confundir diante dos espetáculos da cultura midiática, menos na cultura política? Mas uma coisa é certa, que existem classes sociais no Brasil, existem! Aí clama por um governo que atenda às demandas das áreas de segurança, saúde, educação e ponha fim à corrupção, à qual, vale lembrar mais uma vez, em muitos momentos e mesmo em pequenos gestos, somos cúmplices. Se tudo isso não virar fogo de palha, se a chama dos motivos dos protestos continuar acesa, ainda descobriremos muitas coisas. Talvez a principal delas seja: “Somos a mudança que queremos para o país”. E aí vamos pisando ou mordendo o rabo dos políticos, da presidente e muitas vezes acertando o nosso próprio. Só espero que o rabo da mídia e do empresariado não fique, nem saia, ileso dessa.