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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 6 de abril de 2025

O livre-arbítrio é um mito.

 

“Veja o presidente americano Donald Trump, o mais controverso líder da atualidade. Ele é um caso exemplar de como a combinação de genética e ambiente produz um humano capaz de ações pouco empáticas. O pai era um vigarista imobiliário e a mãe, um freezer no campo do carinho e do cuidado. Ele passou toda a vida sem saber se pessoas ao seu redor o amavam ou se só estavam ali por dinheiro. Não dá para esperar algo muito diferente do que estamos assistindo”.

Porém, o DNA diz respeito a potenciais, não a inevitabilidades. Não existe algo como um “gene do mal” que predestine alguém a cometer genocídios, por exemplo.

Já foi descoberta, por exemplo, uma variante genética relacionada à serotonina, o chamado hormônio da felicidade, que supostamente prevê níveis de agressividade. Curioso é que ela só é ativada em um único cenário – aquele em que o indivíduo foi criado em um contexto abusivo. Genética e ambiente caminham sempre juntos, delineando quem somos e como agimos.

A partir do momento em que entendemos as escolhas de cada um como uma expressão de sua natureza, há mais empatia e menos julgamento. O ódio é uma face sombria da espécie e deveria ser expurgado. Quem sabe a compreensão de que os indivíduos são diversos por definição, desde o princípio da vida, não contribui para um ambiente de maior tolerância, algo de que tanto necessitamos nos dias de hoje?

Temos que aprender a tirar o melhor proveito das circunstâncias.

As escolhas que fazemos no dia a dia são determinadas por fatores genéticos e ambientais. De tal modo que, o livre-arbítrio realmente existe?

Quais são as engrenagens por trás da tomada de decisões? A escolha dos indivíduos está quase que inteiramente dada por fatores genéticos e ambientais.

Existem momentos históricos em que a irracionalidade, uma marca humana, se pronuncia em graus especialmente elevados. É o que estamos observando agora. Em tempos de maior complexidade e turbulências, como o que estamos vivendo, é mais difícil para os indivíduos tomar decisões. Isso tem a ver com a presença de guerras, com as incertezas acirradas e com as rachaduras de sociedades polarizadas. Um ambiente inflamado pelo ódio, circunscrito a uma lógica do “nós contra eles”, gera medo e desencadeia um ciclo vicioso que atrapalha a tomada de decisões – uma ebulição que tem o cérebro como cenário.

A irracionalidade pode ser explicada pela neurociência. As pessoas ficam mais estressadas em eras tomadas por agitação, o que, do ponto de vista individual, libera hormônios que ativam estruturas no cérebro relacionadas às emoções, perturbando a função reflexiva do córtex frontal, que nos faz pensar antes de agir. Daí a propensão a comportamentos mais impulsivos, com tendência, inclusive, à radicalização e ao extremismo.

Durante décadas, à luz da ciência, constatei que as pessoas alimentam a ilusão do poder de escolha, quando, na verdade, o livre-arbítrio é um mito. Isso quer dizer que os indivíduos estão quase 100% programados a optar por esse ou aquele caminho nos vários escaninhos da vida. As decisões das pessoas são definidas por uma soma da genética com o ambiente que as cerca e as experiências que têm – estas, também, modeladoras do DNA. Logo, o processo humano de tomada de decisões pautado na objetividade, na imparcialidade e na racionalidade fica bastante comprometido. Ou seja, tudo está praticamente escrito em nós, uma ideia que colide com várias correntes de pensamento, como aquela que diz que “estamos condenados a ser livres”. Nossa suposta liberdade é bastante determinada.

Em outros termos, temos pouco controle sobre nossas escolhas. Embora uma porção importante do cérebro ajuda a pensarmos antes de tomar uma decisão, mas ela só se desenvolve por completo na idade adulta. Assim, os adolescentes são, em geral, mais impulsivos. Só que mesmo essa área ligada à razão é afetada por um conjunto de eventos tatuado no cérebro, o que torna a maior parte das escolhas que fazemos quase inescapável.

Esquecer é uma ferramenta de sobrevivência. Os humanos possuem uma série de mecanismos que os permitem negar a realidade, a fim de viver melhor. Todo mundo sabe que a morte é inexorável, por exemplo, mas seria doloroso demais passar 24 horas às voltas com essa ideia. O que fazer? Esquecer! Ligar o automático. A crença da espécie humana de que tem elevado comando sobre os rumos de sua existência – e de suas decisões – é uma ferramenta evolutiva.

Até que ponto a razão influencia o comportamento das pessoas? Ora, a ideia de racionalidade da espécie é outro mito. Os indivíduos têm a impressão de que é a mente que os move para certa direção, mas as emoções têm peso equivalente. Na arena da política, por exemplo, sobre eleições, comprova, a partir da neurociência, que o voto não se define pelas ideias de um candidato. Decisivo mesmo são os sentimentos que provoca e quanto eles têm eco nos medos e ansiedades de cada um.

Decisões de cunho político são também predeterminadas, estão mais sujeitas às circunstâncias. Elas entram no rol das outras, sob a mesma lógica. Veja o presidente americano Donald Trump, o mais controverso líder da atualidade. Ele é um caso exemplar de como a combinação de genética e ambiente produz um humano capaz de ações pouco empáticas. O pai era um vigarista imobiliário e a mãe, um freezer no campo do carinho e do cuidado. Ele passou toda a vida sem saber se pessoas ao seu redor o amavam ou se só estavam ali por dinheiro. Não dá para esperar algo muito diferente do que estamos assistindo.

Essa visão determinista aflige e atormenta bastante. Entender cientificamente as raízes dos equívocos humanos não significa que eles não causem repulsa. Porém, não dá para afirmar que o mal é predeterminado pela biologia (o que justificaria casos extremos, como o de Adolf Hitler, que exterminou milhões de pessoas na II Guerra). Não existe algo como um “gene do mal” que o predestinasse a cometer genocídios. Há o peso do ambiente em que Hitler estava imerso, que teve papel crucial em sua sombria trajetória, o que inclui uma infância complicada, o trauma da I Guerra, a crise econômica, a ascensão do nacionalismo – tudo isso alterou seu funcionamento, exacerbando o que pode ser lido como uma propensão à maldade.

Não há exatamente como saber, sob o ângulo da biologia, como o ambiente impacta as escolhas que fazemos. Já foi descoberta, por exemplo, uma variante genética relacionada à serotonina, o chamado hormônio da felicidade, que supostamente prevê níveis de agressividade. Curioso é que ela só é ativada em um único cenário – aquele em que o indivíduo foi criado em um contexto abusivo. Genética e ambiente caminham sempre juntos, delineando quem somos e como agimos.

Somos máquinas biológicas, sim! Essa ideia de que as pessoas são tão programadas faz o humano se assemelhar demais a uma máquina, porém, a diferença para a inteligência artificial é que humanos se revelam mais multifacetados, tendo a consciência de quais são nossos botões e onde estão. É um sistema sofisticado, mas não chega a dar para se gabar, não. Afinal, as mesmas enzimas cinases que acendem receptores quando aprendemos algo estão presentes nos cérebros de lesmas-marinhas.

Porém, não existem 100% de determinação em naturezas humanas, que são complexas e multifacetadas. Até sistemas caóticos são determinísticos, pois seguem regras fixas, mas mesmo eles exibem uma sensível dependência das condições iniciais. E é exatamente nesse ponto que uma minúscula variação pode ter vasto impacto com o passar do tempo, conduzindo a resultados imprevisíveis, drasticamente diferentes do esperado. Vejam os gêmeos univitelinos, por exemplo, nunca se tornarão pessoas idênticas nem parecidas no modo de ser, agir e decidir. É por isso que, embora haja a impressão de que praticamente tudo está escrito, ainda é muito difícil prever o amanhã.

Nesse caso dos gêmeos, desde o nível celular mais primitivo, notam-se distinções entre eles que só se aprofundam ao longo do tempo. Cada um terá sua trajetória e sofrerá influências de suas próprias experiências – algo que os marcará de modo decisivo. A questão é que nada disso é visível, daí ser impossível traçar cenários com precisão matemática. O que dá para depreender são tendências.

Compreender a tomada de decisões do ser humano nesse nível traz, sim, alguns benefícios. A partir do momento em que entendemos as escolhas de cada um como uma expressão de sua natureza, há mais empatia e menos julgamento. O ódio é uma face sombria da espécie e deveria ser expurgado. Quem sabe a compreensão de que os indivíduos são diversos por definição, desde o princípio da vida, não contribui para um ambiente de maior tolerância, algo de que tanto necessitamos nos dias de hoje.

Como lidar com criminosos dentro dessa lógica determinista, segundo a qual eles estariam “programados” para infringir a lei? Claro que precisa haver punição, mas o modelo em vigor em países como os Estados Unidos, deveria ser repensado à luz desses estudos. Não é para atenuar a transgressão praticada pelo bandido, mas entender que ele só vai evoluir quando exposto a um ambiente de convívio com os outros, capaz de estimular mudanças construtivas. Na Noruega, por exemplo, as prisões são guiadas pelo foco na reabilitação, à base de muita atividade e educação. É verdade que o investimento nessa direção é alto, mas há registros de queda nas taxas de homicídio e na reincidência de crimes variados. Tudo indica que vale a pena.

O determinismo também se aplica ao amor. Existe toda uma estrutura regida pela biologia que faz com que um indivíduo se apaixone pelo outro. A escolha por um parceiro também tem a ver com genética – até o cheiro de cada um influencia no acasalamento – e com o ambiente. Viver em um contexto parecido funciona como potente fator de aproximação.

Mesmo com tudo isso, não acredito em destino. O determinismo científico é diferente de predeterminismo protestante do século XVII. Este é fatalista e diz respeito à ideia de previsão do que vai acontecer, portanto ao destino. Mesmo com as limitações humanas, nós, cientistas, não achamos que o futuro seja imutável. Temos que aprender a tirar o melhor proveito das circunstâncias.

Enfim, precisamos buscar algum espaço para aprimorar e arbitrar de forma mais sábia. As pessoas podem amadurecer, recorrer à psicanálise de Freud e evoluir em áreas diversas. O cérebro é maleável e se transforma em resposta às experiências. Agora, há limites aí. A psicanálise fornece novas perspectivas que fazem sacudir padrões de pensamento e comportamento. Mas a maneira como circunstâncias alheias à nossa vontade nos marcam, do ponto de vista biológico, seguirá determinante para as decisões que tomamos. Mesmo assim, podemos mudar o suficiente para que a vida seja mais bem vivida.

Série: "Adolescência" - Rede perigosa.

 

·       Comportamento: famílias e educadores refletem sobre produção inglesa.

·       A série alerta para lado sombrio do digital.

·       Os desafios e complexidades da juventude.

·       Discussões sobre saúde mental, pressão social, efeitos do bullying e a influência dos conteúdos da internet na vida de crianças e adolescentes.

·       O debate sobre o papel educacional e transformador na sociedade, chamando a atenção para a necessidade de acompanhar e ter empatia com as demandas da juventude.

·       Conscientização coletiva sobre a responsabilidade em garantir um crescimento saudável e equilibrado para os jovens.

·       Discutimos mais devido à exposição digital?

·       Digital: escolas e pais refletem sobre as complexidades atuais da juventude, gerando debates sobre os novos desafios da educação.

·       Mobilizando discussões.

·       Juventude: desafios e complexidades. Estimular discussões sobre:

- saúde mental;

- pressão social;

- efeitos do bullying;

- influência dos conteúdos da internet na vida de crianças e adolescentes.

·       Desempenhado um papel educacional e transformador na sociedade, indo além de debates online e servindo de lembrete de que precisamos escutar, compreender e ter empatia com as demandas da juventude.

·       Inúmeros pontos de debate e reflexão.

·       “Hoje, com a tecnologia e a internet à disposição das crianças a todo momento, as famílias precisam buscar formas de estreitar os elos com esses filhos para que participem da vida deles. É importante saber, diariamente, o que pensam, veem e o que vivem, tanto na escola quanto dentro de seus quartos. Os quartos se tornaram o abrigo de proteção dessas crianças, e é preciso acompanhar o que eles estão vendo e vivendo ali dentro”.

·       “Com os devidos cuidados, chamei ela para assistir comigo, pois achei importante ela entender o que fez um menino de 13 anos ser investigado pela polícia”.

·       Iniciativa contribui para capacitação no mundo digital.

·       Os excessos tecnológicos e os vários desdobramentos disso.

·       “Há, por exemplo, a forte presença do ruído tecnológico na escola da série: notificações, mensagens e fotos sendo tiradas, enquanto policiais circulam pela instituição e os alunos não dão atenção alguma, presos da vida virtual. Uma falta de empatia encontrada até nos funcionários da escola, enquanto na realidade o ambiente escolar é um lugar de aprendizado, cuidado e zelo pelo outro”.

·       Observar o comportamento dos mais jovens e suas mudanças é um trabalho que deve ser feito em conjunto pela família e a escola.

·       Rótulos e violências: e nessa mudança de comportamento que termos como “incel” (celibato involuntário) e “redpill” (masculinidade dominante), se tornam cada vez mais populares entre os jovens. Eles viram rótulos que pensam nesta fase da adolescência, sobretudo quando ganham camadas no mundo digital. Antes, o bullying era praticado enfatizando características físicas (nariz, altura, peso). Hoje, para além disso, são imputadas características emocionais, gênero e orientações sexuais. E isso é muito perigoso para um jovem que está em busca de sua identidade e se desenvolvendo.

·       São ideais que podem moldar crenças e comportamentos por muitos anos. Se esses indivíduos não forem expostos a alternativas e não aprenderem a desafiar esses discursos de ódio e violência, eles podem continuar a perpetuar essas ideias ao longo da vida adulta.

·       A falta de empatia e desconexão emocional, características desses movimentos, podem levar a um isolamento emocional e a uma incapacidade de construir vínculos significativos.

·       O combate ao bullying e o cyberbullying é feito de forma preventiva, sempre seguindo o caminho do respeito e da empatia.

·       É preciso combater o bullying de forma diária e contínua. Logo que percebemos algum tipo de movimento, como apelidos, por exemplo, promovemos com mais afinco com eles a importância de respeitar o outro e as diferenças. Temos isso na cultura da escola, não é algo pontual, está presente a todo momento.

·       Especialistas destacam o papel conjunto da escola e da família na vida dos adolescentes.

·       O que diz a Legislação:

1.     No Brasil, o bullying e o cyberbullying possuem previsão específicas no art. 146-A do Código Penal, com pena prevista de reclusão de 2 a 4 anos e multa.

2.     De acordo com o art. 932, inciso I do Código Civil, os pais podem ser responsabilizados civilmente pelos atos praticados pelos filhos que estiverem sob sua autoridade e companhia. Trata-se de responsabilidade objetivo, que independe da existência de culpa.

3.     A responsabilidade para com crianças e adolescentes não é exclusiva dos pais. O art. 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece a responsabilidade compartilhada entre família, comunidade, sociedade em geral e poder público para assegurar os direitos fundamentas de crianças e adolescentes. Nesse sentido, os criadores de conteúdo que incitam ou promovem discursos de ódio podem ser responsabilizados por tais práticas, na esfera criminal ao praticar condutas tipificadas na legislação penal.

·       Temos discutido mais esses comportamentos devido à mudança no modo como a sociedade lida com eles e ao aumento da exposição digital.

·       Algo se torna educativo quando vira tema de debate dentro de casa, parando para refletir e conversar sobre questões que chamam a atenção.

·       É preciso oferecer um ambiente de convivência, reflexão e ação para jovens.

·       “Tenho um filho de 15 anos e assim como outras mães e famílias, tenho me preocupado em entender e saber o que é tão atrativo nesse mundo virtual nessa idade, além de escolher a melhor forma de protegê-lo”.

·       Debates, bate-papos, conscientização coletiva. O ditado africano “é preciso uma aldeia para educar uma criança” nunca foi tão atual. A responsabilidade de garantir um crescimento saudável e equilibrado para os jovens não é apenas das famílias, mas também das escolas, das políticas públicas e das grandes plataformas digitais.

·       Capacitar comunidades educativas. Ajudar a preparar e conectar os principais atores educacionais – alunos, pais e professores – no enfrentamento responsável dos desafios e riscos do mundo digital. É preciso oferecer serviços como: a criação de eventos online e presenciais, avaliação do ambiente escolar e desenvolvimento de sistemas de segurança digital.

·       Como sociedade, precisamos reconhecer que o mundo digital, sem uma abordagem responsável, está afetando o desenvolvimento emocional e social. A solução não é apenas restringir, mas educar e criar redes de apoio. Capacitar alunos, pais e professores para lidar com o bullying e outros riscos digitais, criando um ecossistema de autocuidado e proteção digital.

·       Cada grupo enfrenta desafios específicos, por isso a iniciativa – através de ferramentas digitais, oficinas, orientações e capacitações – os aborda de forma distinta: com os alunos o foco é no autocuidado e segurança digital, com os pais a educação digital e parentalidade consciente, e com os professores o foco está na gestão do ambiente escolar. Nossa missão é garantir que todos saibam como prevenir riscos e como agir quando um problema já tiver ocorrido.

sábado, 5 de abril de 2025

“Adolescência”: suspeitos de misoginia?

 

A minissérie “Adolescência” conta a história da prisão de um menino inglês de 13 anos, acusado de assassinar uma colega, aparentemente movido por um impulso misógino. A trama investiga como a escola, a família e a cultura da internet podem ter colaborado para a tragédia.

Bem, o que é “pânico moral”? É uma reação desproporcional a grupos sociais percebidos como ameaças graves aos valores e à ordem de uma sociedade. Que fenômeno é essa da “juventude desviante”? Adolescentes misóginos à espreita, nas famílias e nas escolas, para cometer feminicídios. Mas, isso não é regra geral como se fosse sinal de uma ameaça social iminente a exigir respostas drásticas – vigilância sistemática nas famílias, medidas punitivistas nas escolas ou políticas públicas baseadas no medo.

Enfim, é preciso alerta, preocupação e prevenção. Mas não precisa alimentar nenhuma histeria coletiva. Afinal, o medo social pode incorrer em uma sociedade menos segura, um sistema educativo traumatizado, jovens criminalizados preventivamente e famílias destruídas pela suspeita. Não alimentemos aquilo que pretendemos sufocar.

Tarifaço (ilógico) de Trump.

 

“Trump está dinamitando as estruturas econômicas e políticas que garantiram décadas de prosperidade global, com expressiva e inédita redução da pobreza” (Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA): altamente incerta).

- Não faz sentido, pois nas últimas décadas, os EUA foram, entre os mais ricos, o país que mais cresceu. Subiu o PIB, e subiu a renda per capita.

- Nasceram lá e lá continuam as empresas do século XXI, aquelas baseadas na tecnologia de alta performance: Aplle, Meta, Amazon, Microsoft, Google e Nvidia (que produz chips para IA).

 - O iPhone foi inventado nos EUA, continua sendo projetado por lá, mas é montado mundo afora, especialmente na China.

- Com Trump cobrando tarifa de importação de 65% de todo produto originário da China, ficará muito mais caro. Isso é inflação.

- Com o preço mais alto, certamente haverá menos consumidores em condição de pagar. Isso é desaceleração, desemprego.

- Mesmo a indústria automotiva, de séculos anteriores, está em perigo: trabalhadores de Detroit, as ações da Ford despencaram, a Stellantis (Chrysler, Jeep e Ram) colocou trabalhadores americanos em licença (parou a produção no Canadá e no México, onde são montados os carros depois exportados para os EUA).

- a lógica é rasteira: se os americanos compra mais produtos dos estrangeiros que os estrangeiros compram dos americanos, então os EUA estão sendo roubados? Ora, se os americanos gastam mais, é porque poupam menos do que investem. Já são ricos para isso. Os produtos importados facilitam a manufatura local e melhoram a vida dos americanos.

- Enfim, sim, a globalização deixou muitos para trás, também nos EUA. A questão econômica e política destes tempos é como incluir essas pessoas e países. Trump quer quebrar o sistema achando que melhorará a vida dos americanos, danem-se os outros. Mas, por serem os maiores, os EUA são os que têm mais a perder.

·       As possíveis consequências da guerra tarifária:

- inflação e desemprego;

- desaceleração da economia mundial;

- queda inevitável do comércio global;

- possível recessão;

- incerteza nas expectativas;

- fim da contínua prosperidade geral.

Em socorro à Dívida de entes federativos!

 

A dívida de estados e municípios criada por renegociações com a União aumentou 17% de 2023-2024 – de R$ 619 bilhões para R$ 727 bilhões. Apenas cinco estados respondem por l90% das dívidas: São Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás (desses, o único sem problemas fiscais é SP).

É preciso amortizar 20% dessas dívidas com a entrega de ativos e reduzir a zero o pagamento de juros, trazendo alívio nessas dívidas, como quer o recém-aprovado Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Ele visa transferência de renda da União aos entes federativos que a ele aderirem.

Afinal, quando a União vem em socorro aos endividados é para evitar a paralisia de serviços básicos. Mais uma vez Lula acerta. O Propag está aí, à disposição de toda a Federação. Quem se dispuser a atender às contrapartidas camaradas pode aproveitar para alongar o perfil de sua dívida em prol dos benefícios sociais e da distribuição de renda!

Viva o povo brasileiro!

O equilíbrio da necessidade.

 

A situação crítica na segurança pública pede moderação jurídica. É preciso enfrentar criminosos e proteger inocentes dos tiros da polícia. E o uso de câmeras corporais nas fardas/viaturas dos policiais, a obrigatoriedade de autópsia e a determinação para que a PF investigue organizações criminosas com alcance interestadual e internacional, além de suas conexões com agentes públicos, foram acertados.

Não se pode adentrar nas favelas com operações policiais sem moderação. Por outro lado, os civis pedem proteção das forças de segurança. As incursões são necessárias, mas o trabalho da polícia não pode ser indiscriminado. Afinal, algumas ações exigem excepcionalidade. O objetivo deve ser identificar as quadrilhas, seus líderes e modus operandi, em especial movimentações financeiras.

Helicópteros devem ser usados, mas com cautela. Afinal, os criminosos estão cada vez mais bem armados, e seu poder de força não pode superar o da polícia. Estamos falando de comunidades dominadas por traficantes e milicianos que subjugam moradores e levam terror ao estado. Essas quadrilhas tem de ser reprimidas.

A polícia precisa ter liberdade para fazer seu trabalho in loco. Mas isso não significa um salvo-conduto para dar tiros a esmo, pondo a população em risco. As ações devem ser bem planejadas, respeitar os cidadãos e proteger a vida de inocentes. Não há por que escolher entre a redução da letalidade policial e o combate ao crime. Não são objetivos excludentes.

Enfim, não se pode retirar todas as marras que emperram o trabalho da polícia. Mas, é preciso monitorar suas operações para evitar abusos e excessos. De um lado, o enfrentamento à criminalidade; do outro, o combate à letalidade. Equilíbrio. Estará acertando no alvo quando houver melhorias nos dados sobre letalidade e garantia de bem-estar dos civis.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Verdade do fascismo atual.

 

O fascismo é menos um sinal de loucura, tolice ou “desinformação”, e mais um sintoma de uma transformação social objetiva em curso, isto é, uma transfiguração ideológica da teoria do colapso de Marx.

 A formação pode conduzir à barbárie e à dominação, algo que o nazismo revelou ao propagar nas instituições escolares uma “falsa cultura”, que impedia o pensamento crítico. Como este mundo, tão desenvolvido científica e tecnologicamente, pode ter ao mesmo tempo tanta miséria. Prestar atenção ao que acontece no mundo obriga a entender a formação das pessoas e analisar o papel tanto das instituições de ensino como dos meios de comunicação. Nosso interesse precisa se voltar pela dimensão emancipatória que deve promover educação, cultura e ética destinadas à formação de pessoas democráticas.

“Melancólico, pessimista, iluminista, duro, datado, perene”.


quarta-feira, 2 de abril de 2025

A GUERRA DA TECNOLOGIA


A disputa global pela inteligência artificial se intensifica com a ascensão da chinesa DeepSeek, com um modelo que desafia o domínio dos gigantes americanos e redesenha o futuro nesse campo.

A atenção monstruosa que alguma coisa recebe faz dela o maior palco de propaganda do momento. Um spot de 30 segundos pode custar R$ 45 milhões. Entende agora o fetiche da mídia e das redes pelo sensacionalismo?

As Magnificas Sete – Nvidia, Meta, Amazon, Tesla, Apple, Microsoft e Alphabet – os titãs americanos têm superado com frequência o desempenho geral do mercado acionário nos EUA, o que se deve em boa medida ao apelo irresistível dos avanços tecnológicos. Por trás das disputas pela liderança tecnológica e por mercado, há também uma briga geopolítica (os EUA simplesmente proibiram a Nvidia de vender seus chips mais avançados para a China a título de segurança nacional. A tensão é ainda maior quando se leva em conta que os chips são fabricados em Taiwan, a 700 quilômetros da costa chinesa).

De um lado, ditaduras usam a tecnologia para roubar informações e ganhar poder; de outro, as democracias que criam regulações, também impedem o pleno desenvolvimento da IA. Já não há mais dúvida de que a IA gera muito valor, mas ainda não sabemos quem vai se apropriar dele (líderes fascistas? Bilionários? Consumidor final?).

A criadora do Chat-GPT vende a narrativa de que a única maneira de a tecnologia avançar é aumentando exponencialmente o poder de processamento dos chips e data centers, e chegou a pedir 1 trilhão de dólares ao governo do democrata Joe Biden, no ano passado, para que os Estados Unidos se mantivessem na liderança do setor. Ao lado dos parceiros Oracle, de computação em nuvem, e dos fundos de investimento SoftBank e MGX, a empresa conseguiu apoio do presidente Trump para o projeto Stargate, que promete colocar 500 bilhões de dólares até 2030 na maior infraestrutura de centro de dados de IA do mundo. Mas a rápida replicação da DeepSeek mostra que vantagens técnicas não duram muito – mesmo quando as empresas tentam manter seus métodos em segredo.

·       Grandes empresas de inteligência artificial (IA). A concorrência é tão acirrada que, nessa nova era, apontar a empresa que sairá vencedora na batalha da IA é uma tarefa impossível.

·       Neste ano de 2025, a Open AI (criadora do ChatGPT), Meta (dona do Facebook e da ferramenta de IA I.lama) e Alphabet (Google e Gemini) travaram uma batalha pelos corações, mentes e bolsos dos consumidores. Todas com um inimigo chinês em comum: a DeepSeek (companhia de versão de IA comandada pelo executivo Liang Wenfeng (o dono controla um hedge fund de sucesso), que se deu a missão de liderar engenheiros da Universidade de Zheejiang, principal startup de IA da China, para construir uma IA geral (AGI) tão inteligente quanto humanos que, em vez de começar a ferramenta do zero, seus pesquisadores aproveitaram o que já existia e, com isso, apagou em apenas 1 dia mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado das empresas concorrentes de tecnologia – no fatídico 27 de janeiro, o advento estrondoso da DeepSeek fez a cotação das empresas de tecnologia tombar). Ou seja, a rápida replicação da Deepseek mostra que vantagens técnicas não duram muito, mesmo quando as empresas tentam manter seus métodos em segredo. Além do prejuízo, o feito também arrancou parabéns/reconhecimento da Nvidia, Alphabet e o fundo de venture capital Sequoia. Afinal, o feito conseguiu modelos fortes com recursos limitados. Ela jogou por terra a ideia prevalecente de que só gigantes com capacidade para investimentos da ordem de centenas de bilhões de dólares poderiam competir com IA (a ferramenta custou apenas US$ 5,6 milhões no seu treinamento final, o salário anual recebido por um desenvolvedor gabaritado nos EUA). A inovação da empresa foi tamanha (em vez de começar do zero, construiu sua IA usando modelos existentes open-source, ou seja, de uso livre e gratuito, especificamente, foi usado o modelo Llama da Meta como base já pronta, com um pré-treinamento mais eficiente e aprendizado por reforço) que desmentiu tudo o que se acreditava a respeito da indústria, atingindo o nível de qualidade e eficiência dos líderes de mercado americanos a uma fração do custo (não menos que US$ 100 milhões a 1 bilhão gastos no desenvolvimento do GPT-4), usando chips muito menos sofisticados.

·       Ao contrário das concorrentes, a empresa não quis replicar a lógica do pensamento humano. Ou seja, as IAs até então disponíveis no mercado processam tudo o que as pessoas produzem a fim de recriar o caminho que percorreram para chegar às suas conclusões.

·       O R1 foca no processo conhecido como “tentativa e erro”. Sua inteligência é alimentada por uma série de perguntas. Sempre que acerta, aprende e replica o processo dali em diante. Se erra, não repete mais. Ao final do treinamento, os pesquisadores jogam fora o que não serve, diminuindo drasticamente a quantidade de informação de que precisam para rodar o sistema. Menos processamento, mais barato para treinar sua IA, em menor quantidade, menos uso de energia. Essa combinação permitiu: menos poder computacional e dinheiro. Enfim, truques de engenharia mais inteligentes para obter mais resultados.

·       O que chocou o mundo foram duas coisas: 1) a arquitetura que levou a novos modelos; 2) ter conseguido replicar tão rapidamente as conquistas da OpenAI em meses (que seria de 1 ano ou mais);

·       Para Sam Altman, do ChatCPT: a única maneira de avançar na tecnologia é investir muito.

·       Elon Musk: o dono da Tesla e do X ofereceu 97 bilhões de dólares pela OpenAI.

·       O otimismo veio com a ideia de que a produtividade das indústrias iria subir drasticamente (notáveis ganhos e aumento de lucros com a IA).

·       A empresa que mais se beneficiou do ciclo de hype foi a Nvidia, fabricante dos chips sofisticados que as empresas de IA usam.

·       Bill Gates, cofundador da Microsoft, disse que, se tivesse de começar tudo do zero agora, investiria toda a sua energia em uma empresa de IA.

Leis ambientais europeias.

 

·       As pressões das leis ambientais europeias são pesadas, mas não são ruins – exige que o Brasil cumpra o princípio de não vender algo provindo de área desmatada. Afeta indiscriminadamente, porque o Brasil criou o álibi de permitir desmatar 20% e preservar 80% de uma área (logo, há do “desmatamento legal”). E agora o Brasil precisa se defender os EUA da forma mais inteligente possível, mas sem iniciar uma briga com a União Europeia. Afinal, você não pode ser atacado por um lado, e atacar outro. A hora é de fazer acordos.  

Novas tarifas de Trump.

 Não queremos brigar, mas não seremos subservientes.

·       O Plano Tarifário de Trump – “Tarifas Recíprocas”, ou seja, cobrar o mesmo que é cobrado dos EUA – uns 20% “Tarifa é a palavra mais bonita do dicionário”, a principal arma da política externa. Possibilidade de escalada da Guerra Comercial dos EUA. Trump promete tarifas recíprocas para produtos importados. Vários países já prometeram retaliar. Novas tarifas dos EUA sobre produtos importados. Tarifas recíprocas aos parceiros comerciais. Afeta o Brasil e vários outros países. Os investidores gostam mesmo é de previsibilidade. Governos e empresários aguardam várias respostas. Canadá, México, UE. Austrália, França. Aberto a negociar ou aprofundará a guerra comercial? As Bolsas de valores já estão afetadas pelo mundo.

- 4 de fevereiro: 10% sobre produtos da China. Depois, 20%. China retaliou com 15% sobre gás natural, carvão, maquinário agrícola, restrição de minerais importantes (para produtos de alta tecnologia).

- 4 de março: 25% sobre produtos do Canadá e México. Os dois maiores parceiros comerciais dos EUA. 25% sobre aço e alumínio importados pelos EUA. 25% sobre veículos e autopeças dos EUA. Um automóvel importado dos EUA subirá US$ 10 mil. 

·       Câmara vota Projeto com respostas ao aumento de tarifas. Senado já aprovou o texto por unanimidade. Que medidas o Brasil poderá adotar para responder a barreiras comerciais adotadas por outros países?