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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 17 de dezembro de 2023

1º Ano de Lula.3

Foi bom!

“O próximo ano deve ser bem mais difícil. Mesmo assim, devemos comemorar um ano que começou derrotando um golpe de Estado e terminou com a primeira grande reforma tributária de nossa democracia”.

·       Brasl manteve direitos;

·       Ganhou dinheiro por ter derrotado golpe bolsonarista;

·       O crescimento deve ser quase 4x (3%) as expectativas do mercado no início do ano (0,8%);

·       O desemprego é o mais baixo desde o começo de 2015;

·       A inflação deve ficar dentro da meta pela primeira vez desde 2020;

·       O salário-mínimo teve seu primeiro aumento real em anos;

·       A aprovação da reforma tributária é um dos grandes eventos políticos no Brasil neste século;

·       Fernando Haddad construiu e implementou com competência uma agenda econômica de frente ampla;

·       Haddad ainda emplacou o arcabouço fiscal, a tributação de fundos exclusivos e offshores, e segue na briga pela correção das ineficiências e iniquidades do Estado brasileiro;

·       O governo incorporou propostas de centro liberal e, ao mesmo tempo, deu início a reformas redistributivas que a esquerda não conseguiu fazer nas presidências anteriores do PT;

·       O Brasil ainda captou US$ 2 bilhões no exterior com a emissão dos títulos “verdes” e deve aprovar em breve as regras de um mercado de carbono;

·       O desmatamento na Amazônia foi reduzido em 22%, grças a Marina Silva;

·       Na educação, Camilo Santana criou o programa de promoção do ensino integral, que planeja alcançar 3,2 milhões de crianças até 2026;

·       A Câmara aprovou um ótimo programa que oferecerá uma bolsa e uma poupança a estudantes pobres que completarem o ensino médio (projeto da deputada Tabata Amaral, PSB-SP, que constava no programa de governo de Simone Tebet);

·       Negociações sobre o novo ensino médio – um problema gigante herdado de governos anteriores – seguem difíceis no Congresso;

·       Na diplomacia, o Brasil deixou de ser o pária que foi durante o governo Bolsonaro. Porém, a política externa apresenta desafios muito difíceis: os espaços multilaterais em que atuou impetuosamente em seus primeiros mandatos (ONU, OMC, etc.) estão esvaziados. O cenário geopolítico é incomparavelmente pior do que 20 anos atrás. Quase começou uma guerra entre Venezuela e Guiana. Ainda não foi possível fechar o acordo entre Mercosul e União Europeia;

·       Nomeações para o Judiciário de gente próxima, confiável ou “garantista”: esperamos um bom desempenho.

sábado, 16 de dezembro de 2023

A hidra de três cabeças.

Da hegemonia do Executivo para o Legislativo.

A hegemonia do Executivo durante Bolsonaro agora parece ceder lugar ao amplo consenso entre os Três Poderes. Migramos de um confortável presidencialismo de coalizão, com forte dominância do Executivo, para um regime hiperconsensual.

Embora, a composição da Câmara dos Deputados, impôs a Lula a necessidade de formar coalizões parlamentares para governar e eventualmente sobreviver. O que é traumático, mostrando as deficiências do presidencialismo de coalizão. Alguma dominância do presidente, mas com concessões. Isso mostra que é preciso, sim, haver peso do presidencialismo, baixa polarização política e a assunção de algumas prerrogativas para controlar a execução do Orçamento e a agenda parlamentar.

A relação entre os Poderes jamais é estática. Ela responde a uma combinação dinâmica entre a distribuição de prerrogativas pela Constituição e a forma como o eleitor estabelece maiorias, a cada ciclo eleitoral. Nossa história institucional foi marcada, desde o início, pela dominância do Executivo – vértice do sistema político ou o “poder dos Poderes”. Essa submissão do Legislativo e do Judiciário ficaram latentes durante a ditadura Vargas e militar, que aprofundaram as raízes do nosso hiperpresidencialismo (foram muitos Atos Institucionais e Cartas Constitucionais, feitas sob medida do presidente de plantão).

Veja a crise ou Ditadura Militar de 1964. Ela colocou em xeque a operacionalidade do modelo. Para muitos, a inexistência de uma terceira força constitucional, capaz de arbitrar os conflitos entre Executivo e Legislativo, abriu espaço para a intervenção dos militares. Legislativo controlado pelo Centrão que, em 2013, impeachmou Dilma.

Enfim, os Três Poderes têm se demonstrado eficiente para conter o assalto autoritário pelo qual passamos. Entretanto, esse hiperconsensualismo impõe elevados custos à governabilidade, assim como à implementação de reformas indispensáveis à promoção de um ciclo virtuoso e inclusivo de desenvolvimento.

O drama é que, sem uma substantiva melhoria do bem-estar da população, novos oportunistas estarão à espreita para assaltar nossas instituições.

O Brasil é um só povo.

Paz e reconstrução de laços.

O Brasil continua marcado pela polarização que, alguma pode até ser saudável quando diferencia projetos, energiza militantes e nutre a rejeição a opositores. Porém, é preciso dialogar com “quem não votou no Lula”. Afinal, é preciso reduzir essa tensão para ampliar o alcance de ações.

Cobranças moralistas e baixa qualidade argumentativa... O constrangimento público de autoridades ganhou contornos destrutivos com o caos das redes sociais. O jogo está mais perigoso!

Em uma era de intensas e rápidas transformações sociais, econômicas e tecnológicas, como a que estamos vivendo, e na qual o constitucionalismo democrático vem sendo objeto de crescente desconfiança e de ataques em diversas partes do mundo, o futuro da Constituição está diretamente associado à sua resiliência, que significa capacidade de articular rigidez e flexibilidade. Rigidez na proteção das regras do jogo democrático, do império da lei e dos direitos fundamentais, que habilitam a própria democracia; e flexibilidade em relação a um mundo em constante fluxo, que demanda sucessivas correções de rumo no plano institucional, para atender às próprias promessas de dignidade, justiça e bem-estar, que levam à adesão dos mais diversos setores da sociedade ao pacto constitucional.

Enfim, existem antipetistas incapazes de conversão. São perigosos e não podemos ignorá-los. E ainda tem a mídia estimulando profundamente a polarização. O drama é que, sem uma substantiva melhoria do bem-estar da população, novos oportunistas estarão à espreita para assaltar nossas instituições. 


O acontecimento mais marcante de 2023.

Qual foi o melhor acontecimento de 2023 para você? Qual notícia, dos jornais ou da vida pessoal, foi um respiro entre as más notícias?

1.     Começou com um novo governo.

2.     A invasão da praça dos Três Poderes.

3.     A investigação do governador do DF, Ibaneis Rocha; do general Gonçalves Dias, chefe do GSI à época dos ataques de 8/1; e a CPMI dos Atos Antidemocráticos.

4.     A indicação de Cristiano Zanin ao STF.

5.     O novo arcabouço fiscal.

6.     A indicação de Flávio Dino ao STF.

7.     A indicação de Paulo Gonet à PGR.

8.     O ataque terrorista do Hamas a Israel (mais de 17 mil vidas até agora).

9.     A vitória da eleições presidenciais argentinas de Javier Milei (primeiro presidente abertamente anarcocapitalista do mundo).

10.  A ótima campanha do Brasil nos Jogos Pan-Americanos (levamos 205 medalhas).

11.  Rebeca Andarade, Flávia Saraiva e Rayssa Leal fazem belas conquistas.

12.  O Instituto Butantan desenvolveu uma vacina contra zika vírus para gestantes.

13.  As novas descobertas do telescópio James Webb (observação da infância e adolescência de galáxias, berçário de estrelas e explosões raras).

14.    Imprensa percebe anseios, abraça bandeiras, mas economiza no ativismo;

15.    Redação do compromisso final da COP28: o acordo é obviamente insuficiente, mas sinaliza pela primeira vez a necessidade de encerrar a produção e o consumo de combustíveis fósseis. Esse passo é histórico;

16.     A imprensa brasileira foi bem mais cética. Valorização das commodities: maldição ou bênção? No caso do petróleo, a produção crescerá de forma significativa nos próximos anos (aumento de 80%);

17.     Brasil entra no Opep+ em plena conferência do clima. Bênção ou maldição? Foi combinado com os termômetros? Veja que, apesar da crise climática, o Brasil aposta no petróleo. O país é um ator no setor, sobretudo após o trágico leilão de blocos de exploração de petróleo em 2019. As grandes empresas petroleiras estão de olho principalmente nos campos para além da margem equatorial, vistos como alternativa após o declínio futuro da exploração da camada do pré-sal, que hoje responde por ¾ da produção nacional.

(In)felizes os que recusam conteúdos danosos à sociedade. Às vezes é bom ser a exceção. No fim, um pequeno começo. O começo do fim. Escolha o seu! Enfim, conte o melhor acontecimento do ano para você... 

Essas e outras...

 

·       Benefícios fiscais. Haddad tem meta de arrecadar R$ 35 bilhões em 2024, com o objetivo de elevar receita. MP das subvenções passa na Câmara. Empresários contestam medida.

·       Auxílio-moradia de procuradores sobe e pode ser de até R$ 10 mil. Chefe interina da PGR, Elizeta Ramos, elevou benefício para 25% da remuneração dos integrantes do MPU.

·       Redes cordiais. Influenciadores (criadores de conteúdo, artistas e personalidades) se juntam por debate político menos tóxico. É preciso estimular discussões democráticas, isto é, enfrentar a polarização política, discurso de ódio e desinformação. É preciso aprender sobre segurança pública, agências de checagem, combate a fake news, educação midiática, “furar bolhas”, debate saudável e democrático. Afinal, a maior angústia é lidar com representantes da direita bolsonarista que se recusam a conversar com base em argumentos, interditando debates, além dos ataques dos “haters” (detratores) que corroem  a saúde mental dos alvos. É preciso tentar sentir a dor do outro, praticando a tão falada empatia, mas também admitir as próprias limitações, para não sofrer tentando salvar o mundo. E fugir da armadilha de ostentar uma pretensa superioridade moral. Enfim, é preciso pensar duas vezes antes de comporatilhar as coisas. Por uma “influência responsável”.

·       Lula estreia como cabo eleitoral de Boulos (PSOL) em SP. A reconquista da cidade, mesmo sem o PT na cabeça de chapa, é prioridade do Planalto.

·       Tensão é a marca da alinaça entre Lira e o Planalto. As derrotas que Lula sofreu na Câmara, presidida por Arthur Lira (PP-AL), contrastam com a base formal de 370 dos 513 deputados. Centrão aponta descumprimento de acordos. Já petistas sugerem que o bloco quer retomar modelo sob Bolsonaro.

·       Influenciadores se unem para baixar polarização política.

·       PEC da reforma tributária foi aprovada pela Câmara, encerrando sua tramitação no Congresso, agora vai a promulgação. Maior reforma tributária desde a ditadura (a última ocorreu há 60 anos, quando foram criados o ICMS e o ISS) passa no Congresso. Três novos tributos absorvem os antigos; regime valerá em 2026 (período de teste) e terá vigência integral em 2033. O texto final cria 3 novos tributos:

- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): substituindo o ICMS dos Estados e o ISS dos municípios;

- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): substitui PIS, Cofins e o IPI, que são federais;

- Imposto Seletivo: incidirá sobre produtos danosos à saúde e ao meio ambiente.


·       Governo minimiza derrotas em vetos: o Congresso derrubou vetos de Lula no Marco Temporal e na Desoneração da Folha de Pagamentos.

- por acordo com o Congresso, o Planalto engoliu o “golpe”, até porque espera reverter a derrubada dos vetos no STF.

- em troca, combinou a aprovação de 2 projetos fundamentais para a equipe econômica: 1) a medida provisória (MP) da subvenção do ICMS e 2) a Reforma Tributária.

- Foca acordo para aprovar medida da subvenção:

·       Parecer do Ministério Público Eleitoral pela cassação do senador Sérgio Moro (União). Quem ocupará a cadeira? Zeca Dirceu? Gleisi Hoffmann?

·       Autorização para a vingança. Decisão da Justiça que dispensa câmeras em operações policiais escancara tolerância com as condições que propiciam a violência estatal. Controle da polícia é ponto essencial da democracia. A decisão veio do TJSP (a mais alta cúpula do judiciário paulista): PMs não são obrigados a utilizar câmeras corporais em operações realizadas em resposta a ataques a agentes das forças de segurança do Estado (mesmo diante das evidências da violência policial, de ações que extrapolam os limites da lei, de medidas que violam direitos básicos da população). O argumento do tribunal foi o de que a obrigatoriedade das câmeras poderia levar a um “aumento das agressões aos agentes públicos, com grave lesão à segurança pública”. A decisão diz respeito à Operação Escudo, deflagrada no litoral paulista e que deixou um rastro de 28 mortos em 40 dias, tornando-se a ação policial mais letal em São Paulo desde o massacre do Carandiru. A câmera nos uniformes policiais é uma forma de controle de suas atividades para que não contem com opacidade em ações que, sem monitoramento algum, se assemelham a pura e simples vingança. A compreensão do Direito nessa perspectiva é indiferente ao princípio da igualdade de todos perante a lei, enquanto cuida zelosamente dos interesses do poder estatal. Eis a razão porque a violência de Estado segue impune quando as vítimas vivem em regiões pobres das cidades. Enfim, no País existe direito à vida e não há pena de morte nem julgamento sumário: a Justiça deve servir à lei e ao direito, não à barbárie.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Brasil: de ‘quintal/fazenda' x 'supermercado' do mundo.

 

O boom do agronegócio desbancou a indústria brasileira de transformação. Deixamos de virar supermercado do mundo para ser quintal de matérias-primas. “Celeiro do mundo” parece uma expressão boa e bonita, mas não é!

Nos últimos anos, a participação da indústria de transformação na economia brasileira teve uma queda acentuada. Enquanto isso, outros segmentos vêm batendo recordes de produção, exportação e investimentos.

A bancada ruralista e da bala no Congresso Nacional foi montada por grandes conglomerados industriais, de olho nas terras, na água e outros recursos naturais a ser explorados para produzir e exportar do Brasil matérias-primas de baixo custo para suas indústrias locais, em outros países ou nos seus países de origem, restando ao país a depredação e a degradação ambiental.

É assim que o conglomerado da elite industrial do mundo vê a América-Latina, no novo Neocolonialismo ou TecnoFeudalismo do século XXI. Nossa região é projetada como “superpotência de commodities deste século” para matérias-primas como minérios e metais cruciais. Sempre foi assim que os EUA viu a América Latina.

As principais commodities que o país exporta, com cada vez mais verticalização produtiva, valor agregado e volume são:

·       Mineração: Lítio e grafite, para baterias;

·       Energia: Petróleo e gás natural;

·       Alimentos. 

O Brasil se destaca na alimentação e acaba de se consolidar como o maior exportador mundial de alimentos industrializados em volume, com 64,7 milhões de toneladas em 2022, à frente dos EUA. O país reúne 38 mil empresas com 2 milhões de empregos formais e diretos, o setor tornou-se o maior ramo da indústria de transformação, com 24,3% de participação no total de vagas. Além destes empregos diretos, agrupa outros 10 milhões na cadeia produtiva. No total, responde por 12% de todas as pessoas que trabalham no país. O setor processa 58% do valor da produção de alimentos do campo, e grãos brutos têm crescente participação na engrenagem industrial voltada aos mercados interno e externo. Nos últimos 7 anos, as exportações de alimentos industrializados saltaram de US$ 35,2 bilhões para quase US$ 60 bilhões (+72%). E, nesse ponto, o Brasil ganhou terreno a partir do início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando muitos países exportadores de alimentos interromperam negócios para abastecer o mercado interno. No mundo, os principais mercados para os alimentos industrializados do Brasil são China (17,7% de participação), os 22 países da Liga Árabe (16,3%) e União Europeia (15,3%). E está no caminho certo, pois um dos maiores ganhos recentes do Brasil na agenda internacional é prover segurança alimentar.

No petróleo, o plano estratégico de US$ 102 bilhões da Petrobras 2024-2028 prevê US$ 17 bilhões para as áreas de refino, transporte e comercialização, com a conclusão de algumas refinarias, o que agregará valor ao óleo bruto. Importantes investimentos também estão programados na indústria de biocombustíveis mais sofisticados, como para a aviação e os que podem ser misturados ao diesel convencional.

Na siderurgia, a ascensão e o beneficiamento das commodities vêm provocando investimento de R$ 12,5 bilhões ao ano. E o objetivo é melhorar o ‘mix’ de produtos e agregar valor. Entretanto, sempre tomando cuidado com os riscos da comercialização predatória.

Diante desse cenário, os desafios ambientais:

·       Foi a Bolívia que barrou o compromisso dos países amazônicos em Belém, de zerar até 2030, o desmatamento, que no momento está aumentando na Amazônia boliviana;

·       A natureza precisa de dinheiro não de ser transformada em dinheiro: Lula diz aos países ricos que paguem e protejam as florestas tropicais do mundo.

Porém, agora com o Governo Lula.3 a indústria brasileira voltou a ganhar protagonismo. Nosso presidente busca um renascimento industrial, livre das garras predadoras dos EUA e olhando para outros parceiros mais equilibrados, como a China. Lula vem se esforçando para encontrar fórmulas novas para a reindustrialização com a necessária interferência estatal.

Foi com Lula que aprendemos a ter poupança doméstica, gerando crescimento e formas de financiar investimentos. Reforçamos o colchão de reservas internacionais (cerca de R$ 350 bilhões) e afastamos, a partir dos anos 2000, a principal vulnerabilidade brasileira até então: crises externas por falta de dólares. Assim fomos garantindo, durantes os anos, grande parte dos saldos comerciais robustos à balança comercial. Neste ano de 2023, por exemplo, a diferença entre exportações e importações pode atingir quase US$ 100 bilhões!

Como Lula, precisamos pensar grande. Pensar em indústrias mais sofisticadas, como a eletrônica ou de máquinas e equipamentos, criando mais e melhores empregos. Afinal, a participação da indústria no PIB despencou de 36% para cerca de 11% nos últimos 40 anos. Em boa medida, ela deu lugar à ascensão do setor de serviços, responsável hoje por cerca de 2/3 da economia – mas que gera bem menos empregos formais e que são pior remunerados do que os industriais.

Logo, precisamos de empresas brasileiras formais, que tendem a ser mais produtivas, com mão de obra especializada, levando-as a contribuir mais para o crescimento sustentável. O melhor exemplo acontece no setor de alimentos. Além da industrialização de produtos tradicionais como açúcar, proteína animal, óleo de soja e suco de laranja, o setor cresce nas áreas de derivados de trigo (como biscoitos), produtos lácteos e café, inclusive em cápsulas, entre outros.

Por exemplo, no setor de suco de laranja, em que o Brasil desenvolveu tecnologia para exportar o produto sem contato com oxigênio, o país responde por 75% do comércio global, fatura R$ 2,7 bilhões ao ano e gera 200 mil empregos diretos e indiretos. E está no caminho certo, reforço outra vez, pois um dos maiores ganhos recentes do Brasil na agenda internacional é prover segurança alimentar.

Críticas:

·       Outro ciclo da borracha?! Passo! Brasil precisa é não cair nessa de boom de commodities outra vez! O que é preciso é instalar laboratórios bioquímicos que explorem com responsabilidade a biodiversidade da Amazônia, preservando o meio ambiente, e trazendo produtos que salvem e melhorem as nossas vidas.

·       Esse péssimo negócio de outro ciclo de commodities é mais uma perda de tempo, empregos e talento para nós, país em desenvolvimento, enquanto as nações desenvolvidas vão mantendo e avançando no seu status quo.

·       Essa dependência excessiva do Brasil em produtos básicos deixa o país vulnerável a flutuações acentuadas nesses mercados. Seja por aumento da oferta global de petróleo, eventos climáticos com impacto em safras ou desaceleração maior da China, principal mercado do agro e minérios brasileiros.

·       Como transformar uma riqueza natural temporária em valor agregado, conhecimento, capacidade de inovação, para gerar qualidade no crescimento de longo prazo?

·       Precisa ser sustentável! E podemos aprender isso com alguns países muito dependentes de commodities, como a Noruega (petróleo), que criaram fundos com recursos para serem utilizados em momentos de queda no fluxo de receitas. Porém, são políticas que requerem permanência, sem as oscilações politiqueiras, mudando a estrutura do dia para a noite.

·       Apesar dos avanços como o das insdústrias de alimentos, siderurgia e petróleo, com a criação de melhores empregos, o Brasil tem muita dificuldade em encontrar um caminho para se reindustrializar. Temos políticas ruins criadas no passado bolsonarista e de direita. Não temos capital humano suficiente (educação precária, sobretudo a profissional) e o custo do dinheiro para investir é elevado (por causa do desequilíbrio fiscal que leva a juros altos). Daí, não podemos deixar nos enganar, pois, embora haja, sim, todo um aumento da renda em cidades e regiões próximas ao agronegócio e à indústria do petróleo, isso acaba influenciando mais o setor de serviços, que emprega muita gente com baixa qualificação, informais e com salários menores.

·       Nesse jogo de exportações e importações de commodities existe um “me engana que eu (não) gosto”. Exportamos minério de ferro e trazemos aços ou perfis prontos. Exportamos óleo cru e trazemos gasolina, querosene diesel. Exportamos milho e trazemos álcool de milho. Exportamos carne e trazemos peixe congelado embalado na China. Agora, comparemos os valores de um circuito integrado, partes automáticas, etc. Como ficam os valores dos nossos produtos, da nossa mão de obra e dos nossos recursos naturais nesse jogo de “toma lá da cá”?

·       O Brasil precisa investir pesado em educação, saúde e inteligência. Precisamos sair da rabeira do IDH e deixar de ser a roça do mundo. Do extrativismo à cana de açúcar e agora o agronegócio, precisamos nos libertar dessa lógica colonialista. Mas, a mídia não coloca isso em foco. Em “Terra e Paixão” os dilemas são outros, inclusive o fetiche à criminalidade e à homossexualidade.

Enfim, se por um lado Commodities fortalecem a indústria, por outro lado, essas indústrias precisam ser brasileiras e não estrangeiras. Não adianta o país liderar a exportação de comida industrializada se as indústrias operantes e seus trabalhadores não forem brasileiros. Isso também vale para a siderurgia e o setor de petróleo, que também estão avançando muito. O poder do agro no Brasil precisa ser descentralizado com a intervenção maior do Estado, afinal, ele se move entre o bolsonarismo e na centro-direita, beneficiando estrangeiras ou empresários expatriados. O MST e a agricultura familiar precisam ser postos em foco, os grandes produtores de alimentos e que abastecem o mercado interno do país. Sob o discurso de um “mundo mais verde”, o boom da boaiada não pode continuar passando. Então, vamos apoiar e apostar no fortalecimento endógeno da indústria brasileira, com investimentos crescentes em beneficiamento, em todos os segmentos e setores!

Fechamento da Ford após 100 anos no Brasil cede território dos EUA à China. Fábrica da Ford que a BYD está comprando, mas ainda não assinou, na Bahia. 

Países amazônicos, liderados pelo Brasil, assinam pacto pela floresta tropical, concordado em várias iniciativas. 

Usina para fabricação de etanol de milho da Inpasa, próximo a Nova Mutum (MT). 


Apesar do aumento da produção industrial relacionada às commodities nos últimos anos, o Brasil acumula déficits constantes na balança comercial de manufaturados: US$ 128 bilhões no ano passado e cerca de US$ 115 bilhões previstos em 2023. 

Enquanto a indústria de transformação em geral encolheu -1,2% de janeiro a setembro deste ano, a de alimentos cresceu +3,9%. A relacionada ao petróleo teve alta ainda maior: +4,8%.




Há um excedente de produção de 560 milhões de toneladas de aço no mundo (190 milhões na China). Enquanto EUA, União Europeia, Reino Unido e México têm tarifas de importações de 25%, o Brasil segue com proteção de 9,6%. 

Sem prejuízo do mercado brasileiro, que absorve 72% da produção, não deixamos de atender as exportações.  

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Avaliação do Governo Lula.

 


A economia, por mais que tenha melhorado, aconteceu diante de uma base muito ruim. Logo, mesmo com a queda da inflação, da taxa de juros e do desemprego, esse ganho está sendo sentido de forma paulatina para a população brasileira. Ganhos no 1º semestre, tanto o aumento do salário mínimo como os benefícios sociais, foram ganhos diluídos ao longo desse 2º semestre. Enfim, ainda há gritante uma necessidade da população brasileira e o governo é posto emparedado, sobretudo do setor evangélico e do agronegócio (é preciso fazer a pacificação do país, que ainda está fortemente polarizado). E a mídia tem colaborado com isso, tanto impressa quanto audiovisual, jornalesca e novelesca.




Estagiários com mais de 50 anos.

 Aumentou o número de estagiários com mais de 50 anos. Tem cada vez mais gente recomeçando em outra carreira. A população do país está vivendo cada vez mais, assim, aumenta o número de pessoas com mais idade decidindo voltar para a sala de aula.

São três motivos principais de quem já tem experiência no mercado de trabalho e decide recomeçar uma carreira: 




Crime: nudes forjados por aplicativos.

 

Crime criação ou divulgação de nudes/íntimos de mulheres através de aplicativos de IA.

- os desvios do uso da tecnologia atual para a prática criminosa.

- montagens de cenas de nudez ou ato sexual em vídeo, áudio ou fotografia.

- infratores: multa ou sujeitos a 5 anos de prisão.

- forma de vingança ou golpes. Mas, é possível rastrear as pessoas e levá-las à justiça.

- e tem manipulação de imagens de estupro de vulneráveis. Com ou sem uso da IA. Pena: 6 anos de prisão.

- era em que compartilhamos tudo na internet, até a nossa face: terra sem lei.

Enfim, os projetos ainda serão votados no Senado Federal.