Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Eleição 2021 para a Presidência da Câmara dos Deputados.

Já temos 05 candidatos lançados oficialmente:


1.      Baleia Rossi (presidente do MDB): 

tem o apoio de Rodrigo Maia, e busca suporte de lideranças da esquerda;

- defendeu vacina o quanto antes, de graça e para todos;

- é preciso voltar a discutir o Auxílio Emergencial ou aumentar o Bolsa Família;

- além de retomar Reformas, como a Tributária.

- 11 partidos apoiam o Deputado: de Oposição, do Centro e de Direita.

- juntas, as bancadas têm 261 deputados.

- reforçou a necessidade de uma Câmara Independente (não submissa). Precisa fiscalizar, acompanhar e participar...


2.      Arthur Lira (PP): 

é um dos principais líderes do Bloco do Centrão e tem o apoio de Jair Bolsonaro (e dos filhos dele), que está oferecendo 500 cargos (mais Emendas e Verbas Orçamentárias) a quem nele votar. Ganha apoio de bolsonaristas;

- começou viagens em busca de apoio de bancadas nos estados e bancadas temáticas;

- bancadas de 9 partidos apoiam o deputado – juntas somam 196 parlamentares;

Nota: O deputado Arthur Lira (PP), líder do Centrão, venceu. Foi eleito o novo presidente da Câmara. Foi uma vitória com mais do que o dobro do segundo colocado (Baleia Rossi, do MDB, seu principal adversário apoiado pelo agora ex-presidente da Casa, Rodrigo Maia). Ele teve sua candidatura impulsionada pelo Governo Jair Bolsonaro. Ele recebeu 302 votos contra contra 145 de Baleia Rossi. Ele teve muito mais votos do que os 237 deputados dos 11 partidos que apoiaram oficialmente sua candidatura (ou seja, mostra os bastidores de compra, troca-troca, negociações e traições que existem na Câmara e seu jogo politiqueiro - muitos abandonaram Baleia ao longo do caminho). Já veio pregando a tal "Responsabilidade Fiscal" e "amparo" aos brasileiros que estão em desespero econômico por causa da Covid-19 (pregando "como proteger a rede de proteção social" e o equilíbrio das contas públicas). 

Isso significa o retorno do Centrão ao comando da Câmara. O Bloco reúne partidos de Centro e Centro Direita, hoje com cerca de 200 Deputados:

Outros 7 deputados se lançaram à Presidência da Casa e concorrem por fora (e até o dia da eleição, que será 02 de fevereiro, podem aparecer novos candidatos):

3.      Fábio Ramalho (MDB-MG);

4.      Capitão Augusto (PL-SP);

5.      André Janones (Avante-MG).

6. Marcel van Hattem (Novo-RS).

7. Alexandre Frota (PSDB-SP).

8. André Janones (Avante-MG). 

9. Luiza Erundina (PSOL-SP).

 

O que deve definir as Eleições para Presidente do Senado e da Câmara? A adesão de partidos aos blocos de apoio não garante os votos (por isso os candidatos intensificam as campanhas). O que vai surpreender mesmo é o “Índice de Traição” -  que é para os dois lados. Vencerá quem conseguir manter mais fidelidade dos seus respectivos partidos. Afinal, a votação é secreta, portanto, a soma das bancadas pode não representar o total de votos que cada bloco de apoio dará aos candidatos.

O vencedor precisará da metade + 1 dos deputados presentes em Plenário. Se todos os 513 deputados participarem da eleição, neste caso, serão 256+1 = 257 votos!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

VACINAS de RNA mensageiro.

Sabemos que há muito tempo as vacinas vêm salvando vidas... A primeira delas, desenvolvida com sucesso, foi contra a Varíola - 225 anos atrás (introduzida por Edward Jenner, em 1796). Agora estamos diante de algo inovador: vírus cultivados em grandes quantidades em laboratórios são depois inativados, partidos ou atenuados e transformados em imunizantes. 

O uso da técnica inovadora está na manipulação do RNA Mensageiro - uma tecnologia que estreou oficialmente com as vacinas anti-Covid:


Como a técnica funciona? Usando ferramentas químicas em laboratório, os cientistas conseguiram extrair e copiar uma parte do código genético do coronavírus (o RNA) – é um pedacinho do vírus, não é o genoma inteiro. Com esse pedaço sintético dele, fizeram a vacina. Ela transmite para as nossas células a mensagem, a informação necessária para que o nosso organismo produza uma proteína do vírus. É isso que desencadeia a produção de anticorpos, uma forma do sistema imunológico reconhecer as armas do invasor e ficar pronto para o combate. Se a pessoa vacinada for infectada, terá um exército de anticorpos já prontos para neutralizar o corona, impedindo a sua multiplicação.

Essa técnica foi posta em prática agora pelas fabricantes Pfizer e ModernaFuncionam assim também as vacinas Coronavac (Butantan) e a da Oxford/AstraZeneca (Fiocruz). A partir de agora haverá uma revolução no combate de outras doenças. É uma nova possibilidade na luta contra os vírus e outras enfermidades. Foram necessários mais de 30 anos de pesquisa para os cientistas aprenderem a lidar com a molécula do RNA, importante e frágil. Ela degrada muito facilmente, por isso as condições especiais para o seu armazenamento, tornando as vacinas que usam essa técnica um pouco mais caras.

Qual a duração da proteção garantida pelas vacinas de RNA mensageiro? Vai precisar de tempo para se saber... Elas salvarão muitas vidas agora na urgência da pandemia, mas também salvarão muitas vidas no futuro, pois essa nova técnica de “Vacina de RNA Mensageiro” mudará em muito a forma de como se faz uma vacina daqui para frente – uma tecnologia revolucionária para desenvolver vacinas para outras doenças. Basta adaptar a mensagem dentro da molécula para que a técnica do RNA ajude no combate de outros invasores e doenças (como tumores e outras moléstias raras). 

Que passo científico importante! 


Tomara que em breve corramos para esse grande abraço, seguro e caloroso! 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A questão do voto obrigatório: “A Favor” ou “Contra”?

 

ARGUMENTOS

CONTRA:

1.      Muitos são contra o voto obrigatório pelo fato de se sentirem incomodados pelos aspectos práticos da obrigatoriedade, como apresentar o comprovante de que votou ao retirar o passaporte ou ter que ir justificar a abstenção no cartório eleitoral.

2.      Alguns argumentam que, se o voto fosse facultativo, cada partido, além de nos convencer de que “ele é melhor que os outros”, teria de nos convencer também de que “vale a pena votar.”

3.      Se o sistema é democrático, não cabe a ele interferir nas liberdades individuais. Obrigar é violar o meu desejo de simplesmente não querer votar, e pronto. Dane-se o resto!


A FAVOR:

1.      O voto deve ser obrigatório por um motivo básico: só os ausentes nunca têm razão. Afinal, existe a liberdade individual e existe a liberdade política. SEM a obrigatoriedade do voto, a liberdade individual pode ser idiota e abrir mão do voto. COM a obrigatoriedade, a lei lembra que todos têm compromisso com o coletivo no qual exerce as liberdades.

2.      Numa democracia, em que o poder é essencialmente do povo, cada cidadão tem o dever inalienável de participar da construção da coisa pública. O voto obrigatório só ratifica isso.

3.      Voto não é artigo de consumo, que você compra ou não, dá ou descarta. O voto constitui a sociedade política, e sua obrigatoriedade quer reforçar isso.

4.      É perigoso não ser obrigatório, principalmente quando consultamos a História. Na Ditatura Militar, durante quase todo o período entre 1964 e 1984, as eleições diretas foram suspensas e não se votava para presidente, governadores e prefeitos de capitais e certas cidades consideradas de segurança nacional (fronteiras, portos, estâncias balneárias etc.). Porém, entre as “eleições permitidas”, votar era obrigatório. Desse modo, havia um controle e seleção de quem podia votar.

5.      Se o cidadão não tem consciência de que “vale a pena votar” (porque é manipulado pela mídia, por uma força fascista ou um interesse outro), a obrigatoriedade já salva pelo menos o ato. Claro que ele não votará com consciência, mas pelo menos será motivado a expressar sua opinião seja ela qual for. O ato já salva a metade do cidadão. A outra metade, que é a importância de votar consciente, precisa ser moldada pela educação, pela militância e pela vida social ativa – o compromisso com a coisa política.

6.      Se for facultativo, principalmente dentro da cultura brasileira, perderá o sentido mais ainda. Partidos só preocuparão em conquistar a vaga (que já está lá). Mais do que nunca, convencer o povo de que votar é importante não será preocupação nenhuma. Os partidos precisam militar em favor da política, e não somente pela política deles.

7.      Diante da obrigatoriedade, temos todo o compromisso de explicar porque é obrigatório. Até os próprios partidos têm de mostrar que a política significa alguma coisa. Hoje, quem mais faz esse tipo de campanha é a Justiça Eleitoral, quando deveriam ser também os próprios partidos e seus candidatos, e não mero “ôba ôba”. Hoje, todos deveriam explicar e viver a Democracia, não somente o TSE.  

8.      A obrigatoriedade serve para lembrar ao cidadão que ele precisa se reconhecer num Estado que é construção dele. Ele é parte do Estado que ajudou a eleger, não algo estranho e fora dele. Assim, o voto facultativo causaria um fosso ainda maior entre duas coisas que são inseparáveis, ou na verdade uma coisa só: o indivíduo e o Estado.

9.      A sociedade brasileira tem uma noção bastante limitada de responsabilidade. É culturalmente construído o hábito do “jeitinho”. Se você disser DEVE, ainda vai enfrentar o tal jeitinho de não cumprir, imagine só se você permitir um “PODE OU NÃO PODE”?

10.  O ato de votar é uma “obrigação natural” na vida política. Pode pecar por ser redundante (a obrigatoriedade legal só lembra que ele já é obrigatório por Natureza), mas não peca por parecer impositivo. A participação política deveria ser gratuita e espontânea, portanto, todo ônus aplicado a uma omissão é razoável por descumprir uma obrigação.  



sábado, 26 de setembro de 2020

Do idealismo romântico ao pesadelo tecnológico.

“Nada que é vasto entra na vida dos mortais sem trazer uma maldição”.

(Sófocles)

 

Pontos Positivos x Pontos Negativos das Redes Sociais


- PONTOS POSITIVOS: a contrarreação dos usuários.

1.      As redes abriram possibilidades até então inimagináveis de interação;

2.      Famílias e amigos havia muito distantes se reencontraram no Facebook;

3.      Campanhas de doação de órgãos deram mais esperança aos transplantes compatíveis;

4.      Explosão dos grupos que unem gente de todo o mundo com interesses comuns;

5.      Deram a milhões de anônimos a chance de, pela primeira vez na história, expressar opiniões;

6.      As redes trouxeram um maior espaço para vozes que antes não tinha acesso à mídia tradicional;

7.      O uso delas como instrumento de mobilização política em larga escala, como aflorou por aqui durante as manifestações de 2013. A maioria dos atos foi organizada pelo Facebook e divulgada em tempo real no Twitter.

8. Reuniram membros perdidos de famílias.

9. A internet é o caminho para vender e consumir livros, e as redes sociais podem ser utilizadas para esse propósito. Aliás, a nova tecnologia e a leitura tradicional precisam andar lado a lado. Embora estejamos num mundo tecnológico, a leitura é fundamental para percepção de mundo e desenvolvimento de pensamentos críticos. 

 

- PONTOS NEGATIVOS: a influência negativa das redes.

1.      Veio a intensa polarização e os discursos de ódio que passaram a ser uma ameaça à democracia.

2.      Veio, também, as Fake News, que destroem reputações, influenciam de forma suja os processos eleitorais e circulam em uma velocidade seis vezes maior do que as notícias verdadeiras (os boatos e teorias conspiratórias são sempre mais chamativos do que o mundo em preto e branco da realidade). Alguns exemplos emblemáticos: num caso tráico, a veiculação de conteúdo odioso no Facebook levou ao massacre da minoira muçulmana em Mianmar, em 2018. O submundo das redes influenciou o Brexit, a eleição de Trump nos EUA e de Jair Bolsonaro no Brasil.

3.      São dominadas por um modo específico de funcionar dos algoritmos: as ferramentas de inteligência artificial que interpretam e se antecipam aos desejos das pessoas nas redes. É um expediente que simplifica bastante as coisas.

4.      Parece que não, mas no fundo, Facebook, Instagram, Twitter, YouTube e companhia não estão primariamente interessados no bem-estar das pessoas ou países, mas em obter lucros. E para isso, essas companhias não medem artifícios para manter as pessoas conectadas pelo maior tempo possível, tornando-se, portanto, altamente viciosas.

5.      As companhias detentoras das redes sociais vendem a seus anunciantes a possibilidade de atingir seus usuários, que navegam ali despreocupados. “Se você não está pagando pelo produto, então você é o produto!”. Esse produto-você é algo mais sutil: a gradativa, leve e imperceptível mudança em nosso comportamento e percepção operada pelas redes. “Esta é a forma de eles ganharem: mudar o que você faz, o que você pensa, quem você é”.

6.      No afã de serem cada vez mais eficientes na tarefa de prender a atenção dos usuários, as redes sociais se valem de seus eficiente algoritmos para rastrear a vida, os gostos e opiniões das pessoas. “Muitos pensam no dia em que a inteligência artificial dominará os humanos. Esse dia já chegou – são as redes sociais”.

7.      Nosso cérebro, que levou milhares de anos para adquirir sua excepcional capacidade de processamento e raciocínio, agora tem de competir com supercomputadores que usam um volume colossal de informação para perpetrar a tarefa de nos influenciar, manipular e prender.

8.      As redes sociais recorrem a truques de persuasão psicológica que exploram desejos e medos atávicos, e de eficácia tão cirúrgica quanto imperceptível.

9.      Há fatores que assemelham o vício em redes sociais à dependência em drogas: durante o uso das redes, o fato frugal de dar ou receber likes, por exemplo, ativa a área do córtex relacionada à sensação de recompensa, liberando no organismo uma torrente de dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e ao bem-estar.

10.  O vício nas redes tem uma agravante em relação a outros: sua ação silenciosa. “Vivemos em ambientes permissivos ao uso do celular, então é mais difícil perceber quando alguém está com problemas”.

11.  Há tremendos efeitos deletérios dessa dependência sobre a vida pessoal. As vítimas principais são os jovens da chamada Geração Z, que nasceram a partir de 1996 e já cresceram imersos na fissura das curtidas.

12.  Há um aumento vertiginoso na taxa de suicídios. Por exemplo, entre meninas americanas quando as redes sociais se tornaram amplamente disponíveis por meio de smartphones, entre 2011 e 2018, o número de suicídios cresceu 150% entre garotas de 10 a 14 anos.

13.  O narcisismo inerente às redes fez surgir até novos distúrbios, como a “dismorfia do Snapchat” – tentativa das meninas de mudar o corpo para se adequar ao padrão característico das fotos naquela plataforma.

14.  No plano coletivo, o impacto das redes não é menos preocupante. Ao permitirem e estimularem a customização da vida social conforme os anseios (e suscetibilidades) de cada usuário, elas criaram bolhas de realidade peculiares, que não se comunicam entre si. As pessoas passaram a viver a ilusão de um Matrix personalizado: cada um agora vive em seu mundo próprio, onde interagem só com quem comunga das mesmas opiniões, preocupações e, não raro, pirações.

15.  Onde tudo isso nos levou? A um mundo em que a crença em maluquices como o terraplanismo se exibe sem pudor e em que a polarização atinge níveis tóxicos e perigosos. A democracia é, obviamente, a vítima em potencial da história.

16.  A utilização da Internet ampliou sua importância na disputa presidencial de 2018, já sob a sombra da desconfiança. Principal ferramenta de campanha de Bolsonaro, passou a ser vista como fator de distorção, em razão das suspeitas sobre o uso massivo de robôs e de fake News, enquanto fugiu o tempo todo dos debates presenciais. Empossado, Bolsonaro reforçou o uso das redes sociais como ferramenta política ao transformá-las em uma espécie de canal oficial de veiculação dos acontecimentos do Governo e das suas opiniões sobre temas variados. Um pedaço de sua militância utiliza esses canais, às vezes com o apoio do próprio presidente, para mobilizar atos contra a democracia, agredir personagens de outros poderes da República, distribuir insultos, mentiras e toda sorte de baixarias digitais contra adversários.

17.  Temos eleições municipais no meio de uma Pandemia do novo coronavírus, que limitou a campanha de rua, o que potencializa o papel desempenhado pelas redes sociais que vão determinar uma eleição em que tudo é resolvido em tempo real. E o pior, estamos falando de política na era em que as fake News são mais rápidas que os fatos (um estudo diz que Fake News no Twitter se espalha 6 x mais rápido do que notícia verdadeira). Como vai ser o mundo quanto 1 tem 6x mais vantagem do que o outro? Informação falsa dá mais dinheiro às empresas do que a verdade. É lucro por desinformação. A verdade é chata! 

18.  As redes sociais invente e reinventa seus próprios prazeres – uma babel digital. Das fake News, a contas de robôs, do ódio até a manipulação de opiniões com a publicação de conteúdos que põem as pessoas em risco durante a pandemia do coronavírus.

19. Algoritmos e políticos manipuladores estão se tornando tão bons em aprender como nos provocar, ficando tão bons em criar Fake News, que absorvemos como se fosse a realidade, nos confundindo em acreditar nessas mentiras. É como se tivéssemos menos controle em quem somos e no que acreditamos. 

20. Em 4 anos, caiu o número de leitores no país. A amizade com os livros anda abalada, sobretudo entre os mais jovens. De 2015-2019, o número de leitores no país caiu de 56% para 52%. A maior perda de leitores foi registrada entre a faixa etária de 14-17 anos (de 75% para 67%) seguida pela faixa etária de 18-24 anos (de 67% para 59%). A concorrência com a tecnologia deixa o desafio de atrair os adolescentes ao mundo dos livros ainda maior. O que seduzirá o jovem para fazê-lo sair do game e encontrar o livro?

21. Cada pessoa tem a sua própria realidade com os seus próprios fatos. Aparentemente, isso parece bom, pois, imitaria a liberdade. Todavia, com o tempo, você tem a falsa sensação que todo mundo concorda com você, mas o que se criou ali foi um grupo homogêneo, filtrado e desprovido da democracia.


Não é só a Covid-19 que está se espalhando rápido. Há um poderoso fluxo de desinformação online sobre o vírus. Estamos sendo bombardeados por boatos. Mas, imagina um mundo onde todos acreditem que nada é verdade (que tudo é mentira, é teoria da conspiração, de que eu não devo confiar em ninguém)... É um mundo onde a Democracia está ruindo rápido, porque está enfrentando uma crise de confiança. O que estamos assistindo é um ataque global contra a Democracia. A maioria dos países-alvos são países que realizam eleições democráticas. E isso está acontecendo em escala, através de agentes do Estado, pessoas com milhões de dólares querendo desestabilizar ali e acolá.

Os criadores da "Indústria da Tecnologia" criaram as ferramentas para desestabilizar e desfazer o tecido da sociedade. Cada país, todos ao mesmo tempo e em toda parte. Algumas das nações mais "desenvolvidas do mundo", tais como Alemanha, Espanha, França, Austrália, Brasil... Elas estão sendo implodidas. É como se fosse uma guerra de controle remoto: um país pode manipular o outro sem invadir as suas fronteiras físicas.

Queremos esse sistema à venda pelo lance mais elevado? Que a Democracia fique totalmente à venda para se chegar à mente que quiser? Criar uma mentira para uma população específica e criar guerras culturais? Queremos isso?

Muitos desses problemas discutidos, como a polarização política, existem aos montes na televisão a cabo. A mídia tem exatamente o mesmo problema, onde o modelo de negócios deles, no geral, é vender a nossa atenção aos anunciantes. Inclusive, essa polarização é extremamente útil para manter as pessoas online. A Internet é só mais uma nova e eficiente forma de fazer isso. As pessoas acham que o algoritmo é projetado para dá o que elas querem, mas na verdade eles são projetados para conduzi-las à "toca do coelho". Cada vez mais inteligentes, eles negam a ciência e afirmam o absurdo se preciso for para te capturar (como movimentos antivacinas, terraplanistas, pizzagates, etc.).


CONCLUSÃO: Então...

*Onde estão as pessoas?*

 Se fosse mais um tempo atrás, a gente responderia que *as pessoas estariam na frente da TV.* Mas, não, as pessoas estão mergulhadas mais profundamente nas redes sociais. E isso incomoda muito as grandes emissoras de televisão que tentam desesperadamente resgatar seus telespectadores e sua posição preferida na sala de estar.

 De um lado, as grandes emissoras de TV, do outro, enormes companhias de redes globais como o Facebook, o Twitter, o Instagram e o Google. Uma guerra tecnológica? Sim! E o pior é que você não pode mudar o sistema de dentro dele. Menos provável ainda consiga muita coisa se afundando na areia movediça das programações televisivas ou navegando sem rumo nas redes sociais, cujo uso excessivo e descontrolado pode mesmo é causar insanidade, agressões à democracia e até uma guerra civil no curto prazo.

 A TV mente e manipula tão bem quanto o esgoto das Fakes News nas redes sociais, ambas uma máquina que dissemina mentiras mais rapidamente que a verdade. Na batalha de quem mente mais e melhor sob o pretexto de restabelecer a confiança nos fatos, é preciso ter muito discernimento e disposição para impor limites à invasão de nossas vidas e filtrar as informações confiáveis.

 Felino não acredita na benevolência da TV, muito menos no mundo das redes sociais. Mas, inevitavelmente, já está dentro desse universo digital e o jeito foi dá um mergulho mais fundo nele para arrancar os pontos positivos e as influências negativas das redes sociais que você viu acima.

Abraços!


ACRÉSCIMOS DO FELINO...


Pensar em tecnologia como uma ameaça existencial? Ou é a capacidade da tecnologia despertar o pior da sociedade? E o pior da sociedade é ser a ameaça existencial: caos em massa, revolta, incivilidade, falta de confiança uns nos outros, solidão, alienação, mais polarização, mais fraude eleitoral, mais distração e incapacidade de focar nos verdadeiros problemas... 

A corrida para capturar a atenção das pessoas não vai desaparecer. Mas, se prosseguir do jeito que está a previsão é catastrófica do atual status quo: num horizonte a curto prazo (20 anos), uma guerra civil. Destruiremos a civilização através da pura ignorância, falharemos no desafio de reverter a mudança climática, vamos degradas as democracias mundiais e elas cairão num tipo de disfunção autocrática bizarra, vamos arruinar a economia global e rumamos a uma incapacidade existencial de sobrevivência.

Como se acorda da simulação quando ainda não se sabe que está nela? Os incentivos financeiros dominam o mundo... Vivemos num mundo em que uma árvore vale mais financeiramente morta do que viva. O que eu vejo é um monte de pessoas aprisionadas em um modelo de negócio com incentivo econômico e pressões dos acionistas que torna quase impossível fazer alguma coisa.

Enfim, esses mercados minam a Democracia e minam a verdade, e devem ser banidos. Isso não é uma proposta radical. Há outros mercados que nós já banimos, como os de órgãos humanos e escravagistas, porque eles têm consequências destrutivas inevitáveis.

Não é a coisa legal que deve ser feita. É a coisa certa que deve ser feita. Que prevaleçam nossas metas, nossos valores e as vidas! Todas as formas de vida importam! Nós construímos essas coisas e temos a responsabilidade de modificá-las! Nós não queremos submeter os seres humanos a um modelo de distração ou atenção. Podemos ter um tecido social saudável!

Podemos exigir que esses produtos sejam projetados de forma humana. Podemos exigir não sermos tratados como recurso extraível. Como tornamos o mundo melhor? Isso é burrice, podemos fazer melhor! As críticas levam ao aperfeiçoamento. As críticas são os verdadeiros otimistas.

Olá! O milagre para nos tirar da direção da distopia é o desejo coletivo. Temos um fracasso de liderança nas tecnologias: de pessoas chegando e tendo conversas francas. Nunca aceite uma coisa, sempre queira escolher. Esta é uma forma de lutar!

Eu adoro quando você recomenda uma coisa para desfazer o que você fez.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

CRÍTICA Nº 2130. Guerra Biológica: Coronavírus x Anticorpos/Células T.


Qual é a diferença entre Anticorpos e Células T? Como eles combatem o novo Coronavírus? Como a esperançosa vacina funciona?


A eficiência de uma vacina contra o novo Coronavírus precisa chegar a esses dois conceitos – estimular a dupla produção de Anticorpos Células T (os protagonistas na linha de defesa do corpo): ambos combatem os vírus, só que com métodos diferentes. Tanto a vacina de Oxford quando a vacina Chinesa funcionam assim: estimulando anticorpos e células T, ambas em fase final de testes aqui no Brasil. 

Entenda as diferenças...

1. Anticorpos: grudam na superfície do vírus, e NÃO DEIXAM QUE ELES SE ENCAIXEM nas células, preservando-as (processo de imunização). Eles também dão sinais do invasor para as Células T.


2. Células T: são os braços do nosso sistema imunológico. ELAS DESTROEM OS VÍRUS JUNTO COM AS CÉLULAS INFECTADAS (que estavam fabricando mais e mais vírus).


EFEITO EXITOSO DA VACINA: a vacina junta um espinho da coroa retirado do novo Coronavírus e o insere num outro vírus comum – criando uma espécie de VÍRUS GENÉRICO ENFRAQUECIDO. A estratégia é fazer com que o corpo perceba a presença do novo Coronavírus original depois de aprender a reconhecer o pedaço dele no vírus artificial. Assim, o nosso sistema de defesa produz mais anticorpos (e células T) contra o novo coronavírus ativo. Duas doses de uma vacina assim são capazes de preparar nosso corpo (até agora apresentando febre, cansaço e dor de cabeça como efeitos colaterais).



OUTRAS VACINAS, OUTRAS TÉCNICAS!

Por fim, vale ressaltar que a OMS conta pelo menos 163 vacinas contra o novo Coronavírus. 23 delas estão na fase de testes em humanos. Os resultados de algumas delas, como as das empresas Biotech (alemã) e Pfizer (norte-americana), são bastante promissores, mas ainda é cedo para falar em cura (a ANVISA também liberou os testes das vacinas desses dois laboratórios parceiros, com 1000 voluntários de São Paulo e de Salvador). A técnica dessa vacina é a mais inovadora: os cientistas nem tocam numa amostra real de vírus, eles copiam um trecho do código genético e criam genes sintéticos. A vacina age então como se fosse o próprio vírus. O material genético invade as células e faz o corpo produzir o espinho do novo Coronavírus. Mesmo que fabricada dentro do organismo, essa proteína é estranha e seria atacada.


Ao todo, são pelo menos 8 técnicas diferentes. As que usam uma versão enfraquecida do próprio Coronavírus (versão do vírus inativado), como as de Oxford e a Chinesa (do laboratório Sinovac Biotech), têm um problema em comum: os cientistas só saberão que deu certo esperando para vê se o grupo que recebeu a vacina circulou por aí entre contaminados e não pegou a doença (e esse foi o principal motivo de termos sido escolhidos juntos com os EUA e a África do Sul para a fase final dos testes: os pesquisadores precisavam aplicar a última fase da vacina em lugares onde o contágio social ainda está acelerado).
Uma parceria do laboratório norte-americano “Empresa Moderna”, com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA, vem avançando numa outra vacina. Na última fase do teste deste serão 2 doses, com intervalo de 28 dias. Esta vacina usa um método inédito: uma versão sintética de um fragmento do material genético do vírus, desenvolvida no laboratório, é injetada no organismo. E ensina o sistema imunológico a reconhecer e combater o invasor, sem causar infecção. A vacina tem demonstrado a produção de uma quantidade de anticorpos 4x maior do que a registrada em pacientes que tiveram a doença. Os efeitos colaterais foram leves e passageiros. Agora, os pesquisadores querem descobrir se a vacina é segura e incapaz de impedir a infecção pelo novo Coronavírus, e se ela pode evitar a morte e as formas mais graves da Covid-19. 

UM MÉTODO MUITO MAIS RÁPIDO, BARATO e PERIGOSO:

·         A vacina usa uma nova tecnologia: insere um GENE nas nossas células para elas produzirem uma molécula que aciona o combate ao vírus em vez dos anticorpos das vacinas comuns. Ainda nunca foi criada uma vacina para humanos usando esse método. Mas, o presidente Trump está investindo pesado nele, pois quer pressa para distribuir vacinas na campanha eleitoral dele (já prometeu que cada norte-americano ganhará uma vacina de graça). 


É verdade que o mundo inteiro busca agora uma vacina para o novo Coronavírus, mas as pessoas esquecem que também existem outras vacinas disponíveis hoje nos postos e nas clínicas de vacinação contra outras doenças também muito graves que estão voltando com força. Entre essas vacinas podem lembrar: meningite, sarampo, tuberculose, pentavalente, tríplice viral, poliomielite, etc. 

Se tudo der certo, pesquisadores de Oxford acham que a vacina ficará disponível para grupos de risco do Reino Unido até o fim deste ano, algo em torno de 1 milhão de doses (e aqui no Brasil serão 120 milhões de doses distribuídas pelo SUS a partir do ano que vem). Só que tem um problema maior: o mundo vai precisar de mais de 1 bilhão delas!

Portanto, para todos nós, uma INJEÇÃO DE FÉ, ESPERANÇA E ÂNIMO! 


(FONTE: Leituras diversas, pode checar). Bjos! 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Algumas características da Covid-19, comparadas com outras epidemias mortais da História.


Ponto a ponto:

·         Afetou o mundo num curto período de tempo, com fortes consequências para a saúde pública;
·         Alastrou silenciosamente, atingindo populações sem anticorpos e obrigando governos a mobilizar recursos para lutar contra um inimigo invisível sobre o qual não se tinha muitas informações;
·         Para uma Pandemia, nenhum país está de fato totalmente preparado com instituições de saúde suficientes para dá uma resposta a uma pandemia dessas (entretanto, no caso excepcional do Brasil, nosso Governo despreparou a população como pôde!);
·         A Covid-19 encontrou uma população traumatizada, decepcionada, faminta, cansada, desempregada... Ou seja, um campo fértil para causar consequências muito maiores;
·         É muito difícil lidar com uma epidemia. Os políticos preferem negar a existência dela porque ela descobre todos os males sociais, como instituições e serviços sempre despreparados.
·         A tendência a surgir “soluções milagrosas” para o surto: anúncios de remédios de eficácia duvidosa, listas de fórmulas mágicas que prometem curas milagrosas, etc. A população leiga acaba se entregando a essas fórmulas perigosas. Epidemia não é território para leigos!
·         Sem medicamentos e vacinas para tratar a doença de imediato, despontam as intervenções sanitárias: negar (isso não existe), falta de diálogo entre a equipe da saúde e o presidente (falta ou quebra de protocolos), quarentena e fechamento de instituições, lavagem ou recomendações de muita higienização e outras adoções de políticas de proteção recheadas de polêmicas...
·         Toda vez que a população é impedida de executar as atividades econômicas das quais ela está acostumada (como uma medida de Lockdown), são esperadas fortes reações (afinal, estamos falando de um país pobre e muito desigual, ou seja, com Governo que não supre a necessidade de seus grupos populacionais);
·         Pandemias e epidemias acabam sendo utilizadas politicamente e ideologicamente: 1) tiram vantagens políticas aqueles núcleos que lutaram de forma correta; 2) males são jogados nos adversários para destruí-los.
·         Políticas surtem efeito, para o bem ou para o mal. Por exemplo: regiões que adotam medidas mais severas conseguem reduzir drasticamente os danos (número de mortes).
·         Eficiência do Governo. Toda cidade que se programa e organiza bastante, com diretrizes objetivas e claras, é uma cidade que consegue sair antes, sair melhor e com menos mortes.
·         Se for para ter intervenções políticas na saúde pública, que sejam motivadas pelo desejo à vida coletiva e movidas pelo interesse de garantir o bem-estar da população.
·         As dinâmicas da Economia e da produção científica... Não há, necessariamente, um conflito de escolha entre reduzir a mortalidade e estabilizar a economia, especialmente por se tratar de uma pandemia que, por si só, já é prejudicial à atividade econômica.
·         As sociedades ocidentais não estão preparadas para a morte.
·         Esforço para não esquecer. Epidemias podem deixar bons propósitos, boas lições e bons ensinamentos. Não podemos voltar às ruas, esquecendo muito rapidamente de tudo o que nos aconteceu. Não podemos insistir na teimosia humana de não investir na constituição de um exército sanitário de reserva para andar prevenido, à frente das possíveis pandemias, e não correndo atrás delas.