Se você tira mais do que repõe, o dinheiro da poupança, por exemplo, um dia ela vai zerar. Se você poda uma árvore mais rápido do que ela brota, um dia ela vai tolher. Se você tira água de um lago mais do que a chuva cai nele, um dia ele vai secar. Se você tira a paciência de uma pessoa ou a sua energia de trabalho mais do que seu descanso, a saúde mental e física dela vai colapsar. Se você come açúcar ou ingere qualquer outra coisa mais do que o seu corpo é capaz de metabolizá-la, isso não é bom. E mais exemplos de volumes extraídos sistematicamente superiores à capacidade de recarga não faltariam...
Porém, os exemplos acima só se encaixam no “ponto de não retorno” se houver o comprometimento da capacidade de reposição de algo ou de alguma coisa, abrindo espaço para o irreversível. Isto é, se atingir o limite sem chances de regeneração (como vem ameaçando de acontecer com alguns biomas brasileiros). É o limite crítico além do qual voltar atrás é impossível, perigoso ou proibitivamente caro. Lembra daquela roupa branca que você deixou encardir? E da infância ou adolescência que não voltam mais?
Tudo bem que nada é para sempre. E que o pra sempre, sempre acaba. Mas, nada deve ser esgotado antes da hora. Então, o que você está fazendo enquanto o mundo está acabando? Só nós, tentando agarrar ao que já se foi? Ora, pior que não poder voltar atrás ou não conseguir ir adiante é não sobreviver sem saída. Após esse marco, a única opção segura é estagnar ou seguir em frente.
Enfim, se não houver um horizonte, e nem
a vida for possível na sua própria estagnação, que é direção nenhuma, então é
preciso apelar para o óbvio – evitar qualquer ponto que nos impossibilite de se
recompor.