Ideologia é uma lógica da dissimulação e da ocultação. A primeira coisa que ela esconde é a existência de classes sociais contraditórias e a origem dessa divisão social. É como se a ideologia dissesse: “Gente, estamos TODOS no mesmo barco!”. E o coletivo respondesse: “É mesmo!”.
Repare que a ideologia antecede um conjunto de representações e normas para ditar como se deve pensar, querer, agir e sentir, individualmente e em sociedade. Ela engessa a verdade (porque amarra o pensamento e a ação) ou evita acontecimentos novos. Produz uma universalidade imaginária para um particular generalizado, e ainda com coerência da lógica através de um discurso “sobre” que produz infindáveis teorias (o que a faz invisível).
Exemplos:
Crítica 01: a ideologia
afirma que o salário é o preço justo pago ao trabalho. Para fazer essa
afirmação é preciso que ela silencie o principal, isto é, que o salário paga
apenas uma pequena parte do trabalho, e que o trabalho não pago constitui o
lucro do patrão (ou do capital). Assim, se a ideologia pudesse dizer tudo, não
poderia falar em salário justo.
Crítica 02: a ideologia burguesa afirma que todos os indivíduos nascem iguais, mas são diferentes por seus talentos, capacidade e disposição para o trabalho; assim sendo, os mais talentosos, capazes e trabalhadores progridem, enriquecem e se tornam uma classe social superior. A ideologia não pode dizer, sem se destruir, que a origem das classes sociais decorre da desigualdade real das condições dos indivíduos, que permite que alguns explorem e dominem muitos.
Enfim, ideologia tem a ver com
conhecimento (sobre), mas não pensamento
(de). O conhecimento é a apropriação
intelectual de um certo campo de objetos materiais, ideais, dados, fatos ou
ideias que representam a realidade. Já o pensamento não se apropria de nada. O
pensamento é um trabalho de reflexão que se esforça para alcançar o sentido de
nossas experiências, transformando o vivido em compreendido. A ideologia pode até gostar do conhecimento, mas ela detesta o pensamento.



