Novo mapa: espaço sideral.
Do turismo espacial em larga escala à mineração da Lua e de asteroides. Hoje vemos países se digladiarem por reservas de terras raras por aqui. Amanhã, poderão estar disputando esses mesmos recursos em solo lunar. Sem falar em outras aplicações como geração de energia limpa a partir do espaço (H-3) e mesmo a colonização.
¼ do século XXI, foguetes reutilizáveis abrem o Sistema Solar à humanidade. Uma nova tecnologia para reuso rápido e prático de lançadores de foguetes viabiliza novas aplicações do equipamento (os ônibus espaciais), o que pode tornar o voo ao espaço algo quase tão comum quanto viajar de avião nos próximos 25 anos.
Entenda, depois de um lançamento exitoso e sua finalidade alcançada (como colocar satélites em órbita), a corrida agora é por um estágio de volta ou pouso reutilizável. Também aumentar a capacidade de carga. Se lançar é difícil, pousar em seguida é ainda mais. Enfim, cumprir seu objetivo na ida, mas também na volta – a tentativa de pouso sem os prejuízos de se espatifar. Os foguetes reutilizáveis vieram para ficar. Há uma disputa desenhada entre China e EUA pelo controle do espaço cislunar, e o ano de 2026 pode acabar com um ente chinês, privado ou público, dominando também essa tecnologia essencial.
Foguetes não é tecnologia nova. Até recentemente, eram enormes e caríssimos para sua construção, descartados após um único uso, pois suas partes eram descartadas ao longo do voo. Combinados por propulsão por combustão química e esquema de estágios, obtiveram uma base de razoável efetividade. No século passado, graças aos trabalhos de Konstantin Tsiolkovsky, davam sinais de que viabilizariam viagens espaciais. Virou realidade com os V-2 suborbitais, desenvolvidos por Wernher Von Braun para a Alemanha nazista, em 1944, como arma de guerra – foram os primeiros foguetes a atingir o espaço. Mais tarde, consolidaram seu uso dual, também útil para fins pacíficos.
Assim foram desenvolvidos nos anos 1970 os ônibus espaciais, lançados pela primeira vez ao espaço em 1981 – subiam como foguetes e desciam como aviões. A ambição da Nasa era inseri-los na dinâmica da aviação, mas em 1986 viria a acontecer a tragédia de Challenger, o ônibus espacial que explodiu pouco após a decolagem matando os 7 astronautas a bordo. Depois ainda teve o acidente fatal com o Columbia, em 2003. Ainda assim, a Nasa os manteve em operação até 2011, a fim de concluir a construção da Estação Espacial Internacional.
Exigindo muita manutenção e trazendo tantos riscos, os foguetes espaciais eram mais caros do que voos com os convencionais foguetes descartáveis. Em 2004, a SpaceShipOne, projeto do engenheiro Burt Rutan com financiamento de Paul Allen, cofundador da Microsoft, foi o primeiro grupo privado que conseguiu desenvolver um veículo suborbital (capaz de voo espacial, mas sem atingir velocidade orbital). Também o Jeff Bezos e sua Blue Origin, tentou o que parecia impossível: além da decolagem, realizar o pouso também na vertical, usando propulsão.
Na era da exploração espacial, enquanto um foguete suborbital só sobe até a beirada do espaço (100 km de altitude) e desce de volta, atingindo quando muito uns 5000 km/h, um foguete que impulsionará um veículo até a órbita precisa atingir uma velocidade muito maior, cerca de 27 mil km/h. Isso implica desafios maiores quando um estágio desse foguete precisa reentrar na atmosfera e guiar-se para um pouso vertical controlado. Mas, a combinação de poder computacional de processamento rápido e a grande quantidade de sensores embarcados estão aí para isso. E a IA está pronta para gerir!
Informações extras:
·
O
primeiro foguete a realizar um pouso vertical controlado após impulsionar uma
cápsula ao espaço foi o New Shepard, em 23 de novembro de 2015;
· O foguete Starship (com 123m de altura), da SpaceX do Elon Musk, vive decolando da Starbase, no Texas (EUA). Foram 11 voos de teste de 2023 até 2025. Ela realizou o pouso vertical com o foguete Falcon 9 (com alguns avanços, depois da New Shepard). A empresa de Musk é líder absoluta de lançamentos comerciais no mundo todo;
· O New Glenn (98m de altura) da Blue Origin, também de dois estágios, de Jeff Bezos, realizou a estreia do veículo em janeiro de 2025 e fez um segundo voo em novembro, quando pousou o primeiro estágio em uma balsa no mar;
·
Toda
essa redução radical no custo dos lançamentos permitiu à SpaceX realizar uma
megaconstelação de satélites em órbita baixa para fornecimento de sinal de
internet rápida de baixa latência em escala global (capacidade acima de
governos). Lançando seus satélites às dúzias com os foguetes Falcon 9, a
companhia já tem mais desses artefatos no espaço do que o resto do mundo
combinado. São neste momento cerca de 8.000 satélites da rede em órbita, mais
de 65% do total em operação hoje. Com isso, a empresa literalmente inventou um
novo mercado de exploração do espaço;
·
A
Amazon tem sua própria iniciativa semelhante a SpaceX, com o Projeto Kuiper;
· Os chineses também planejam suas megaconstelações em órbita baixa.
Enfim, a correria espacial é tanta que
já há grandes preocupações sobre o sobreuso da região do espaço. Não satisfeito com a poluição
do planeta e o consequente aquecimento global e suas crises climáticas
decorrentes, agora estão jogando lixo em excesso também no espaço sideral.
