Recorrer
a recursos científicos e médicos para encerrar um amor: a proposta é bem
polêmica!
Seria
mesmo adequado tratar o sentimento como se lida com uma gripe, uma gastrite?
E as
consequências éticas que podem advir do uso do que os estudiosos ingleses
estão chamando de biotecnologia antiamor?
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Argumentos a Favor
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Argumentos Contra
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- Imagine uma pessoa em um
relacionamento violento. Ela sabe que precisa sair dessa situação, mas seu
sentimento de vínculo é tão forte que não consegue. Se ela pudesse usar um
remédio que possibilitasse uma separação emocional do parceiro, seria um uso
possível.
- Pense em alguém atraído
por outra pessoa que não o seu parceiro, mas que quer continuar fiel. A
tecnologia antiamor pode ajuda-lo a diminuir seus sentimentos de atração pelo
outro.
- Indivíduo com dificuldades
para se recuperar de um rompimento e partir para outra experiência também se
beneficiariam.
- Em Israel já houve a
adoção de uma das armas. Por determinação de rabinos, antidepressivos foram
dados a jovens para aplacar sua libido de forma que ficasse mais fácil, no
entendimento dos religiosos, seguir as normas da religião sobre o
comportamento sexual.
- É válido em alguns casos,
como para alguém que quer terminar um relação com um marido violento.
- Os recursos seriam úteis
quando as pessoas não são aptas a se recuperar de forma sadia após um
rompimento. Como aquelas que começam a manter pensamentos suicidas ou a
perseguir seus ex-parceiros.
- O alcoolismo, por exemplo,
foi considerado durante muito tempo uma questão moral. Quando começou a ser
tratado como um problema de saúde, houve a abertura para a criação de
tratamentos. E eles melhoraram a vida das pessoas que estavam sofrendo.
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- E quem garante que esses
remédios somente serão usados nas situações individuais de alta tensão do ser
humano? E se esses recursos forem usados para eliminar tipos de
relacionamentos somente porque não são considerados aceitáveis pela
sociedade. Um exemplo são as relações homossexuais. Será que esses remédios
serão bem regulados e usados em casos realmente extremos? Quem determinará
que o caso é extremo? Como garantir que não haverá abuso na aplicação dos
métodos antiamor?
- Intervir para curar o amor
embute o risco de tirar do ser humano uma oportunidade de evoluir. Se
tomarmos uma pílula a cada vez que uma relação não der certo, nunca
aprenderemos a ver o que fizemos de certo ou errado e como nos tornar pessoas
melhores.
- O que seria de toda a
maravilhosa arte, música e literatura feitas sobre o amor? Nada disso
existiria se esses remédios estivessem disponíveis. A dor da perda nos torna
criativos.
- O iminente desenvolvimento
de agentes antiamor nos coloca sob o sério risco de atitudes não éticas para
manipular sentimentos românticos. É preciso começar a pensar em uma
legislação que proteja, por exemplo, contra a manipulação involuntária do
sentimento. Mas isso será um desafio.
- A proposta não seria mais
um caso de “medicalização” de um sentimento. Ou seja, de tornar um problema
médico uma emoção natural. Isso pode ser bom ou mau.
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Quem sou eu
"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).
"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).
“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).
“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).
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