"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).
"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).
“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).
“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).
O núcleo da liberdade é a ação. Sua
ausência está no medo, na estagnação e na inércia resignada diante dos desafios
e das adversidades da vida. Entretanto,
o poderio ilimitado da liberdade fere a Ética. Ou seja, não podemos nada, nem podemos
tudo, mas podemos algo: agir eticamente. Está de acordo com essa idéia de
equilíbrio no ato livre a filósofa Marilena Chauí:
“(...) Somos eticamente livres e responsáveis não
porque possamos fazer tudo quanto queiramos, nem porque queiramos tudo quanto
possamos fazer, mas porque aprendemos a discriminar as fronteiras entre o
permitido e o proibido, tendo como critério ideal a ausência da violência
interna e externa”.
As pessoas vêm ao mundo para se
tornarem responsáveis por ele e por si mesmas. Entre elas e o mundo há um
contraponto entre situações externas (objetos e fatos) e vontades internas
(desejos e vontades), que são apreendidas pelos sentidos e pela razão. A
liberdade é produzida nesse contraponto como ação transformadora que conduz o
presente. E se torna ética quando “o exercício da vontade estiver em harmonia
com a direção apontada pela razão”.
Ceder tanto quanto não ceder pode
ser uma decisão livre. Nesse caso, somos agentes livres tanto para ter como para
perder a felicidade. Entretanto, não agir é perder a oportunidade de mudar o
presente, alterar o curso da história e projetar um novo futuro, dando-lhe
outra direção ou outro sentido. O conformismo é certa cumplicidade diante do
que está dado, pois a renúncia e a indiferença pouco ou nada alteram o que se
encontra diante de nós e em nós.
Nossa liberdade reconhece e
produz nossa realidade, ao passo que nossa realidade procura limitá-la. Limites
impostos pela natureza e pela cultura. A liberdade se torna a consciência de
que uma entre tantas outras realidades diferentes existem, e que diante dos
limites da nossa há possibilidades melhores pelas quais faz sentido lutar. Assim,
os limites tornam a liberdade possível e a ação que os tenta superar a torna concreta. Pois, “o
possível é o que se encontra aberto no coração do necessário e que nossa
liberdade agarra para fazer-se liberdade”. Portanto, “a liberdade é a
capacidade para darmos um sentido novo ao que parecia fatalidade, transformando
a situação de fato numa realidade nova, criada por nossa ação”. Ainda conforme
Chauí:
“(...) Com atos de liberdade, interpretamos nossa
situação – valores, normas, princípios – e dessa interpretação nasce em nós a
aceitação ou a recusa, a interiorização ou a transgressão, a continuação ou a
criação. A ação mais alta da vida livre é nosso poder para avaliar os valores”.
Nem impotentes nem
indestrutíveis. Humanos que agem pelo anseio do bem comum, pela fidelidade a
nós mesmos, pela coerência de nossa vida e a inteireza de nosso caráter. Se a liberdade for o poder fundamental que se
tem de ser o sujeito de todas as experiências próprias, levante-se!
Arrisque-se! Faça valer sua liberdade em prol da felicidade coletiva, pois o
ser humano é mais livre na companhia solidária e recíproca dos outros!
Assista ao vídeo e reflita sobre a sua condição de liberdade, com o filósofo Paulo Ghiraldelli Jr.
Conforme, com base ou contra o texto, deixe seu
comentário: Sou livre quando quero ou faço algo que contraria minha sociedade,
ou sou livre quando domino minha vontade e a obrigo a aceitar o que minha
sociedade determina? Ou seja, sou livre quando sigo minha vontade ou quando sou
capaz de controlá-la?