Quem sou eu

Minha foto
São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
Obrigado pela visita! Volte Sempre!

"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

Arquivos do blog

domingo, 20 de novembro de 2022

Copa do Catar: a polêmica do Oriente Médio.

O futebol é um jogo que vai muito além das quatro linhas. Assim, não está imune a críticas. Embora a Fifa tenha pedido foco no futebol, a Copa do Catar (a 22ª Copa do Mundo, num país com 3 milhões de habitantes, capital: Doha) já reúne várias denúncias que não podem ser varridas para baixo do gramado. Vejamos as principais:

- nunca um país gastou tanto para realizar o evento: superior a US$ 220 bilhões ou mais de R$ 1 trilhão (é quase 15 vezes o que foi investido no Brasil em 2014 ou 20 vezes acima dos gastos da Copa de 2018 na Rússia);

- foi construída uma infraestrutura faraônica para receber o evento, incluindo uma nova cidade (Lusail) perto da capital Doha e um novo aeroporto;

- marcada por muitas denúncias: de violação de direitos dos trabalhadores migrantes (com condições degradantes de trabalho nos canteiros de obras: jornadas exaustivas, calor insuportável, situações análogas à escravidão, retenção de salários, confisco de passaportes, etc. os números oficiais falam em 37 mortos envolvidos na construção dos estádios ou na infraestrutura do local), no geral, fala-se que mais de 6 mil trabalhadores estrangeiros andaram morrendo no Catar, das mulheres e da população LGBTQIA+ (desprezo aos direitos humanos); relações entre pessoas do mesmo sexo podem levar à prisão;  

- dois dias antes da abertura, os catarenses proibiram a venda de cerveja nos estádios;

- o torneio teve que ser transferido para novembro por causa das altas temperaturas, que verão bate os 50ºC, tornando impraticável o esporte (prejudicou o calendário das poderosas ligas europeias que gostam de um friozinho);

- dos 8 estádios erguidos ou reformados para o torneio, apenas 1 não é refrigerado (os projetos são monumentais, incorporando em suas linhas referências à cultural local);

- as emissões de carbono serão três vezes superiores ao esperado;

- além de hotéis suntuosos, foram inauguradas uma ferrovia e três linhas de metrô, cujas estações são tão luxuosas que mais parecem galerias de shopping centers;

- os fãs do esporte terão de desembolsar muito dinheiro para ver os jogos de perto. Para um brasileiro, a ida ao Catar custaria cerca de R$ 52 mil;

Enfim, estima-se que a Copa deva atrair 1 milhão de turistas ao Catar e 3,5 bilhões de espectadores no mundo inteiro.

As qualidades de um grande líder.

“Ser liderado por um covarde significa ser controlado por tudo o que o covarde teme. E ser liderado por um tolo é ser liderado pelos oportunistas que controlam o tolo” (Octavia Butler, em a “Parábola dos talentos”).

04 atributos essenciais de um grande líder:

1.     Ser idealista sem ser raso, ser realista sem demolir o outro;

2.     Abrigar empatias universais;

3.     Ser seguro de si;

4.     Entender que o poder é mais do que mero espetáculo – o jogo da vida é solene, tem consequências.

Com tais atributos, não dá para flertar com a “desrazão”. Isso significa que não há espaço na mente para o racismo, o segregacionismo, mentiras, corrupção, tirania, covardia pessoal, bufonaria, criminalidade institucional, irresponsabilidade social, promiscuidade empresarial. Alimentada de tudo isso porque é tudo isso, a desrazão costuma fabricar ilusões e factoides paralelas. Coisas que trombam com a realidade lúcida.

Sabendo diferenciar as qualidades dos defeitos de um grande líder, indigno com a pequenez da grande mídia diante de Bolsonaro. Seduziu-a de forma tão irreparável que, quando o jornalismo se deu conta já estava viciado e dependente dos absurdos diários produzidos por um tosco. Curtos, tediosos e ofensivos os discursos e os comportamentos, a mídia os deu domínio de cena.

“Imaginar Bolsonaro zanzando há três semanas no Palácio da Alvorada, infectado física e psicologicamente pelo medo, é esquisito e necessário. É medo de ser quem é, sem amparo? Medo das consequências de ter sido o presidente que foi? Sumiram ele e os filhos encrencados com a Justiça. Mas, não queremos que desapareçam de vez. Desejamos vê-los presos, pagando pelos erros que cometeram. Afinal, esse é o destino dos líderes ruins!”

Enfim, com tantos atributos essenciais de um grande líder como o respeito e a transparência do Lula, a mídia só o retratou depois da vitória. Se reconhecesse o mérito dele com a força da altivez que elevou a desrazão de Bolsonaro não sobraria espaço para afrontas à democracia. É por isso que a mídia também perdeu a razão, e sua boa liderança de dar notícia é muito duvidosa e questionável!

Questões quase utópicas para a Educação.

“Digitalizar a velha aula expositiva não resolve. Não precisamos que o educador brasileiro domine todas as ferramentas tecnológicas, mas sim que saiba a ferramenta adequada para cada momento pedagógico. Não se “aprende na internet”; o professor guia o aprendizado. Parece fácil, mas não é!”.

Num tempo em que alunos estão cada vez mais propensos a abandonar a escola, justamente quando o ensino da ciência e da tecnologia ganha relevância sobre a nova onda do obscurantismo no Brasil, nós, profissionais da educação, precisamos lidar com algumas questões quase utópicas. A mais importante delas é olhar a escola não só como o lugar do “básico”, mas como o lugar em que está sendo fabricada nossa ainda frágil democracia. Já passou da hora de investir, nas pessoas e no ensino! 

 

Vejamos as outras questões não menos importantes:

1.     Por que a escola do ‘básico’ não funciona no mundo do século XXI, sobretudo com alunos a um passo da evasão?

2.     O Brasil precisa ter um plano robusto de tecnologia educacional.

3.     Quem está na área tem compromisso cívico e capacidade técnica?

4.     A educação de hoje carece de políticas sólidas para a tecnologia. Esta, não pode mais ser adereço ao sistema educacional, mas item indispensável!

5.      Tem que ter (cons)ciência do que a tecnologia pode fazer pela Educação:

A)   Permite novas formas de acompanhar a aprendizagem dos alunos, para além dos testes;

B)    Possibilita novas formas de acesso a materiais educacionais;

C)   Permites experiências de aprendizagem inovadoras.

6.     É preciso compartilhar com trabalhadores os meios para produzirem, eles mesmos, soluções tecnológicas;

7.     E se tivéssemos laboratórios virtuais em que alunos pudessem manipular remotamente um microscópio real? Ou melhor, e se tivéssemos esse equipamento, e muitos outros, na escola? Também é o caso de kits de robótica, simulações e laboratórios “mão na massa”, que promovem mais motivação e conexão com a comunidade. Coisas desse tipo, e muito mais, podem (e devem) existir em escolas públicas!

8.     É necessário ter clareza sobre o que não dá certo. Ações isoladas e tecnocêntricas, por exemplo, não funcionam, não adianta! Sair por aí distribuindo em massa tablets e chips de celular ou a aplicação simplista de softwares será desperdício e banalização da oportunidade de fazer um investimento e um trabalho sérios;

9.     Tecnologia por si só não garantirá mais qualidade na educação sem uma potente formação continuada de educadores no ramo, com o propósito de ampliar práticas pedagógicas por meio dessas ferramentas, desenhando sequências didáticas focadas em grandes ideias, e não na tecnologia em si. Ou seja, a tecnologia é o meio, não o fim;

10.  Ao contrário do que sugeriu Bolsonaro, um simples aplicativo não opera milagres nem garante alfabetização em tempo recorde. Tampouco podemos acreditar que ampliar a conectividade nas escolas – ainda que fundamental – seja suficiente. Veja a lista anterior e perceba que o PROJETO É MAIS AMPLO!

Planejar um projeto assim, depois da trágica experiência que tivemos com a pandemia e as tentativas de implantar um ensino remoto sem tecnologias, significa garantir que alunos não fiquem sem aula em situações extremas, como epidemias, desastres naturais ou violência urbana.

Enfim, manter a sala de aula apenas à base de papel e caneta é negar ao aluno uma preparação fundamental para o futuro. Não dá certo! Chega de exemplos isolados e chavões sobre escolas atrasadas. A utopia precisa virar realidade na educação brasileira!

sábado, 19 de novembro de 2022

Filme: Adão Negro.

Queria tanto o trono. Quando o consegui, quebrei!

Quais são os seus princípios? Meio à complexidade do mundo e suas tramas, eles conseguem te traduzir?

Filme nasce na África antiga, passeia pelo Oriente Médio e América e mira o futuro questionando as definições morais de “herói” e “vilão”: Teth-Adam (Adão Negro).

Aprendemos que o herói é uma pessoa boa e incorruptível, e o vilão é um ser mau e com objetivos que só vão beneficiar a si próprio. Esse filme se situa entre esses dois polos, construindo o protagonismo do "anti-herói" – um debate sobre a necessidade de novos heróis da realidade em tempos sombrios. Assim, questiona: há, portanto, mais de uma forma de se fazer justiça? Afinal, “os cemitérios estão cheios de heróis”. E, a história, cheia de mártires. 

Deixa de sonhar e vamos trabalhar o enredo...

Começa assim: o cara tem um belo filho que acredita na figura do herói como aquela capaz de ativar a revolução de um povo conformado com a opressão rumo à liberdade. “Se tivéssemos mais heróis, a liberdade talvez não seria apenas um sonho. Se lutarmos juntos, derrotamos o Rei”. O espaço da trama é Kahndaq, uma região que sempre sofreu com tiranos e governos violentos. O tempo que é psicológico, pois começa com a tentativa de combate à escravidão na Antiguidade pelo rei Ahk-Ton (2.600 a.C) e salta 5 mil anos até chegar um pouco mais além no nosso século XXI, com mercenários internacionais ou agentes do neoimperialismo tentando fazer a mesma coisa – “vem do outro lado do mundo para roubar os recursos naturais do meu país, minerar nossas terras sagradas, poluir nossas águas, reprimir nossa cultura e nos fazer esperar em filas”. É o passado e o futuro mostrando que o mundo muda, as pessoas também mudam, mas as formas de poder e dominação continuam. Daqui nascem os “heróis”, os “vilões” e algo novo – “o anti-herói” nesse filme.

A maça cinzenta do anti-herói se revela logo na conduta de Adão Negro. Enquanto seu contraponto, o Gavião Negro, acredita que “no mundo moderno, não ferimos prisioneiros. Os tratamos com dignidade e respeito”, isso com ele não cola! E vai ao clímax no final quando o mal sectário literalmente se encarna para logo descobrir que só outro mal à altura, porém, um pouco mais flexível, é capaz de combatê-lo. “Estávamos errados sobre você. O mundo nem sempre precisa de um cavaleiro branco. Às vezes precisa de algo mais sombrio para vencer o mal”. Palavras de reconhecimento da “Sociedade de Justiça da América” ao anti-herói. “O tipo de justiça que você faz pode escurecer sua alma. Mas, é justamente essa escuridão que permite fazer o que os outros heróis não podem”. Está posta uma pessoa sem tara para trabalhar em equipe, mas que consegue dar a sua contribuição decisiva ao coletivo!

Ou seja, não espere que a amizade, o Senhor Destino ou a Justiça politicamente correta salvem a pátria. O protagonismo é alfa! É como se fosse um combate de UFC, onde a torcida vibra pelo duelo, não pela causa. Por isso tem muita pancadaria. Mas, o protagonista é um meta-humano com poderes divinos, movido por paixão e com um coração partido, como qualquer pai. "Ele perdeu a família, então está tentando entender quem é. Ele é movido a vingança, mas pelo melhor dos motivos, ele quer libertar seu povo, e sabe onde está sua lealdade". Os heróis que temos hoje são inspirados no amor e na luta de nossos pais, lidando com a opressão e duelando por algo em que acreditam.

Enfim, às vezes as pessoas são até boas, mas o mundo as caleja tanto que elas se tornam más. Aí temos que cavar bem fundo na história de vida delas para achar um herói dentro de um aparente vilão sem propósito. Uma pessoa cruel, mas que tem como primeiro instinto salvar outra pessoa. É o anti-herói frustrado e favorito. Campeão!

Os significados do silêncio...

Qual o significado do silêncio de Bolsonaro e dos influenciadores e lideranças bolsonaristas?

1.     É resultado de perplexidade e desolamento pela derrota?

- está o fato de o movimento golpista não ter objetivo definido;

- não sabe se pede recontagem, anulação da eleição, intervenção “constitucional” das Forças Armadas ou diretamente um golpe de Estado;

- há uma figura sem previsão legal e absolutamente confusa;

- de bloqueio de estradas, para protestos nos quartéis, e uma “greve geral”, tudo muito improvável e de baixa coordenação.

2.     É estratégico com nova manobra golpista?

- 2 mil bloqueios de estradas surgiram em 2 ou 3 dias de maneira espontânea, sem nenhum tipo de coordenação ou planejamento?

- ficaram quietos presidente e principais influenciadores;

- silencia generalizado sugere orquestração;

- os protestos antidemocráticos foram organizados por lideranças locais, empresários, policiais e ex-policiais, fazendeiros, funcionários públicos e políticos das cidades, grande agropecuaristas, comerciantes locais.

- e se foi, agiram independentemente de forma espontânea e locais ou foram convocados por uma instância superior a agir (orquestrados por uma organização criminosa envolvendo o Bozo).  

3.     Terão implicações políticas e jurídicas? Quais?  

- tudo sendo apurado.

- o STF reuniu agora grande quantidade de informação fornecida pelas forças de segurança e por procuradores nos estados. Moraes dispõe ainda dos dados dos grupos de WhatsApp e de Telegram e das contas de mídia social identificadas como promovendo e articulando os protestos antidemocráticos. É material mais que suficiente para dizer o desfecho de tudo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

A verdade sobre o "Teto de Gastos".

Alguém se lembra do mercado nervosinho nos anos anteriores?

O “teto de gastos” foi instituído em 2016 pelo golpista Michel Temer para impor limite aos investimentos sociais do governo federal durante 20 anos. Não foi respeitado nem pelo próprio Temer, muito menos pelo governo do Verme.

No biênio Temer (2017-2018) foi arrombado em R$ 45,7 bilhões. Em 2019, o Verme quebrou o teto em R$ 77 bi. Em 2020 foi arrombado em mais de meio trilhão de reais: R$ 538 bi (disse que foi a Pandemia)! No ano passado, 2021, foi estourado em R$ 146,6 bi. E neste ano de 2022, até setembro, já estourou em R$ 95,9 bilhões.

A dívida pública bruta do país que o Verme está entregando a Lula está abocanhando até agora 77,1% do PIB (R$ 7,3 trilhões)! Até aqui, alguém viu o Mercado nervosinho?

Quando o governo é devedor contumaz, isso enfraquece a moeda – o real se desvaloriza em relação ao dólar e outras moedas. Quem vive em reais fica mais pobre, simples assim. Moeda fraca gera inflação – e de novo pune os mais pobres. Dívida pública crescente leva à alta de juros. Os juros elevados pagos pelo governo se espalham por toda a economia. Claro, se eu posso ganhar 14% ao ano emprestando para o governo, por que emprestaria por menos a um empresário ou consumidor? Investir ou consumir fica mais caro. Trata-se de desestímulo à atividade econômica – à geração de emprego e renda. Foi isso que inflou com Temer e estourou com Bolsonaro. 

Lula nem assumiu ainda, e já está esse auê no mercado financeiro. Ninguém quer culpar o passado, só acusar o futuro. O GLOBO disse que, se a PEC da Transição de Lula for aprovada, a dívida bruta será jogada toda no colo dele no fim do mandato (ultrapassando 96% do PIB).

Enfim, canalhas!

É espantoso que, diante de tamanha desmoralização, o mercado e boa parte da opinião pública, ainda entrem em modo histeria quando o Orçamento, igualmente fictício, apresentado por Bolsonaro, não comporta o teto. A âncora fiscal proposta meia década atrás simplesmente sucumbiu há muito tempo! O teto é disfuncional e tem sido submetido a excepcionalidades faz tempo!

Jair Bolsonaro fez escolhas oportunistas e caras para comprar a reeleição. Em um ano, 2020, gastou uma década de Bolsa Família para reduzir a pobreza durante um punhado só de meses. Subtraiu arrecadação de ICMS dos estados para subsidiar a gasolina da classe média. Violou boas práticas nas áreas fiscal, social e climática. Conquistou a tríplice coroa da irresponsabilidade.

Enfim, a tentativa de controlar os investimentos públicos e sociais do governo federal, sob falácia de conjugar responsabilidade social com previsibilidade fiscal. O teto de gastos é ruim, porque políticas de saúde, educação e assistência num território com os níveis de desigualdade do Brasil não podem ser balizados por índices de inflação. Lula é a favor do equilíbrio fiscal e de uma trajetória decrescente da dívida pública, mas sem sacrificar ainda mais o povo já sofredor. O que ele é contra é a limitação dos investimentos públicos para atender interesses dos agentes fiscais do mercado.

Pendências da COP27.

Negociadores correm para fechar um acordo, mas ainda há questões em aberto, sem consenso:

1.      A criação de um fundo de compensação financeira para países pobres que sofrem com as perdas e danos com as mudanças climáticas (é a principal demanda de 130 países em desenvolvimento que estão na Conferência e pressionam por essa indenização imediata porque desde 2009, na COP15, os países mais ricos se comprometeram a transferir por ano, a partir de 2020, US$ 100 bilhões a esses países para eles lidarem com as consequências das mudanças climáticas, mas isso ainda não estão sendo executado);

2.      Parte dos países defende o fim do uso dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão), não há consenso.

3.      A criação de um programa para monitorar a redução de emissão de GEEs.

O salto dos 4 anos – viva a pré-escola!

A partir dos 04 anos de idade...

A idade da razão!

Essa fase é muito importante, porque é quando as crianças:

- gradualmente deixam de agarrar-se aos estímulos concretos do presente, basicamente sensoriais, e conseguem raciocinar de modo mais abstrato, pensando em situações recuperadas do passado e imaginadas para o futuro.

- também se tornam mais independentes dos pais,

- estabelecem relações mais maduras com seus pares e com outros adultos,

- tornam-se menos egocêntricas e mais capazes de reconhecer as ideias dos outros.

- é a idade em que a razão se estabelece com toda sua maravilhosa variedade.

- fundamental processo de transição para construir seres humanos dotados de empatia, espírito coletivo e ações criativas.

Essa constatação é neurocientífica. Ou seja, está baseada em estudos científicos que revelam como se organizam nessa fase dos 4 anos os três níveis de coordenação funcional do cérebro: as regiões cerebrais, as redes neurais e as conexões entre redes.

Um exemplo. A partir dos 4 anos o “córtex visual” (região que recebe as imagens captadas o mundo) que fica na parte de trás do cérebro, começa a fazer conexão com a “rede atencional”  (região responsável pelo foco e concentração) que fica na frente do cérebro. É essa conversa entre as duas redes que permite concentrarmos no que importa, dentro da cena visual complexa que sempre se apresenta diante de nós. E ambas confluem para a “rede de processamento complexo”, responsável pela sintonização com a memória, pois lhes dá significados que podem ser bastante abstratos.

Alguns estudos anteriores postulavam que essa maturação se dava de trás para frente do cérebro (maior atividade funcional nas regiões visuais, e pouco a pouco a maturação das redes cognitivas complexas). Outros estudos mais atuais apontam amadurecimento simultâneo, desenvolvendo na verdade a coordenação entre as redes. Em outras palavras: o que a criança ganha entre os 4 e os 10 anos é conectividade entre as redes cerebrais.

CONCLUSÃO: bem cedo na vida, o cérebro das crianças está pronto para os raciocínios complexos e abstratos. Só falta conectar esse sistema à entrada de informações que vêm do ambiente. A razão já está quase pronta para funcionar nas crianças de 4 anos. O que falta é estimular a conectividade cerebral. Papel da escola, da família e da sociedade em geral. A idade da razão chega mais rápido quando a sociedade ajuda!

Enfim, por isso que a partir dos 4 se tem a idade da razão = áreas importantes do cérebro dão sinais de interconexão e, portanto, avanço em capacidades tais como: uma metáfora que demanda interpretação ou um raciocínio que leva a uma conclusão. Viva a pré-escola!

Cérbero.

 

“O impacto em hospitalização e óbitos depende da cobertura vacinal

e de quando a pessoa tomou a última dose” (Julio Croda).

Hoje, a variante Ômicron do coronavírus corresponde a praticamente 100% dos casos confirmados submetidos a sequenciamento genômico no mundo!

Da Ômicron ocorreram diversas mutações. Uma delas é a sublinhagem apelidada dramaticamente de Cérbero, referência ao mitológico cão de três cabeças que pertencia ao deus grego Hades e que tinha por função guardar a porta do mundo dos mortos. Na denominação científica, é chamada de BQ.1.

O que está ocorrendo não é uma surpresa, mas é a primeira vez que o mundo experimenta o que é conviver com um vírus que veio para ficar. Dificilmente aparecerá uma cepa que leve a outra interrupção das atividades cotidianas, mas, de quando em quando, surgirão variantes ou sublinhagens mais ou menos barulhentas, capazes de provocar surtos como o atual. Isso significa que, mais do que nunca, a realidade impõe, em nossa rotina, a mudança de comportamento. Também será uma exigência o acompanhamento da doença por parte das autoridades de saúde, a exemplo do que se faz (ou deveria fazer) com outras doenças.

Assim, o uso de máscaras volta a ser recomendado no país para a população em geral (em locais fechados e mal ventilados, como transportes públicos e ambientes abertos com aglomerações). Mais ainda, o uso da proteção é recomendado principalmente para pessoas do grupo de risco do agravamento da doença: idosos, gestantes, imunossuprimidos e indivíduos com comorbidades (e pessoas com sintomas respiratórios). O uso da máscara é importante para que a medida funcione como proteção coletiva, mais efetiva do que o uso apenas como autoproteção. Só para se ter um ideia, na cidade do Rio de Janeiro, 92% das pessoas agora internadas com a doença na rede pública não tomaram todas as doses. 

A ciência continua tendo ações imprescindíveis neste grave momento: 1) Uma é o estabelecimento de uma rede de monitoramento do coronavírus para que nenhuma alteração genética escape aos sistemas de detecção, pois informações desse gênero são fundamentais para o desenvolvimento de vacinas; 2) A outra é que surtos deixarão de ser sustos quando tivermos um calendário vacinal seriamente definido, especialmente com a segunda nova geração de vacinas com proteção mais ampla.

Enfim, é compulsório que todos mantenham a vacinação em dia com as que temos. Afinal, Cérbero está ativo!

“Por mais que 80% da população tenha tomado as duas primeiras doses, as adicionais engatinham. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 69 milhões de pessoas ainda não buscaram a 1ª dose de reforço e mais de 32 milhões não receberam a 2ª dose adicional. Outro gargalo é a imunização das crianças com mais de 6 meses e menos de 5 anos. As primeiras doses ainda estão chegando ao Brasil, e o ministério determinou que, por enquanto, fossem destinadas apenas ao público pediátrico com comorbidades”.

NOTA: Quem cuida dos pequenos brasileiros?

A vacina pediátrica da Pfizer foi autorizada pela ANVISA para uso desde setembro/2022, sem qualquer restrição. Enquanto o Brasil tem 13 milhões de crianças entre 6 meses a 4 anos de idade (IBGE), o Ministério da Saúde do Verme encomendou só pouco mais de 1 milhão de doses. Além de pouca quantidade, ainda houve demora na distribuição, e até agora só 14 capitais iniciaram a vacinação dos bebês.

Para as crianças de 3 e 4 anos seriam necessárias 12 milhões de doses para o esquema vacinal completo delas aqui no país, mas até agora só saíram 2 milhões de imunizantes. Por essa e outras que em vários locais a vacinação está sendo suspensa ou nem sequer iniciou.

O que faz uma pessoa procurar uma vacina, seja ela qual for, é a percepção de risco. É entender que a doença é perigosa para ela. Quando a gente fala de criança muito pequena, são os pais que assumem essa demanda. 

Enfim, falta informação, falta coordenação, falta responsabilidade! Cadê as campanhas públicas mais efetivas de incentivo à vacinação para os pequenos, Marcelo Queiroga?

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Mercado nervosinho...

 “Não adianta pensar apenas em responsabilidade fiscal quando o lucro do sistema financeiro e os juros dos bancos ficam intocáveis. Se a bolsa cai e o dólar sobe é por causa dos especuladores, não por conta das pessoas sérias e preocupadas com o povo” (vô Lula).

A equipe de transição propõe tirar o Auxílio Brasil, que vai voltar a se chamar de Bolsa Família, do Teto de Gastos, regra que limita o crescimento das despesas públicas, sem definir um prazo para encerrar essa medida. 

Além do Auxílio, o Governo quer deixar outras despesas fora do teto: com isso, no ano que vem (2023), seriam R$ 197,9 bilhões investidos fora da regra do teto.

Gente, o mercado está nervoso com as cifras de Lula.3:

1.      PEC da Transição de R$ 198 bilhões para os 4 anos = R$ 849 bilhões até o fim do mandato.

2.     5% de aumento automático a cada 5 anos para juízes e procuradores = R$ 20 bilhões até 2026.

3.     Aumento de 18% a todos os servidores do Judiciário =  R$ 20 bilhões em 4 anos.

4.     Aumento salarial de 50% para o governador paulista elevará o teto do funcionalismo do estado = R$ 6 bilhões até 2026 (outras unidades da Federação podem seguir o exemplo).

5.     Revisão de contas da Previdência = R$ 52 bilhões.

6.     Previsão de aumento de pensões e aposentadorias por invalidez = R$ 200 bilhões até 2029.