Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

O cofre das Campanhas 2022.

Os interesses por trás da grande festa eleitoral.

Estamos falando de um Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões! E ainda um total extra de Emendas no montante de R$ 37,5 bilhões. 

Olhando com cuidado as direções dos investimentos no Orçamento de 2022, há de perceber prioridades muito típicas do governo Bolsonaro. Por exemplo, olhemos para o Ministério da Defesa, que só viu aumentar ano a ano o seu orçamento. Aliás, há uma fatia de R$ 1,7 bilhão reservada para afagar somente a categoria da segurança federal (PF, PRF e DPN), comprada como sua base de apoio. O nome disso é racha e submissão das categorias.

Paralela, e não muito distante dessa festa, está a Rede Globo de Televisão. O seu reality shows BBB-22 (Big Brother Brasil) deve ser o maior de todos os tempos - pelo menos em dinheiro. A emissora já vendeu 11 das 12 opções de patrocínio para o programa para várias marcas, entre elas Americanas, Avon e PicPay, com cotas que valem mais de R$ 91 milhões cada! Não à toa, a Globo já tem até agora R$ 600 milhões em cotas negociadas para ações publicitárias no programa e nos intervalos (em 2021 foram R$ 531 milhões). Por trás dessa troca rendosa, a Globo investe em recursos que mostram aos patrocinadores o que o público está pensando -- algo que deve ter um papel ainda mais essencial na edição de 2022.

Enfim, há outro nome para pedaços tão grandes dessa dinheirama orçamentária toda – Campanha Eleitoral 2022.



 

domingo, 12 de dezembro de 2021

A política do fim do mundo.

Foi o lixo cultural que nos trouxe Bolsonaro!

Varreram tudo o que tinha de pior na cultura e jogaram na política!

Foi o espírito de desolação e mentira da época atual que nos trouxe Bolsonaro (e Trump também). Dois “psicopatas” que têm como diversão assassinar os mais vulneráveis, espalhando um vírus mortal na população. E tudo isso feito de forma declarada, noticiada, “divertida” e institucionalizada.

Se observarmos com cuidado a indústria cultural, nos últimos anos nunca se produziu tanto lixo cultural! As letras de músicas, as produções televisivas, as formas banais de diversão, as pinturas sem valor intrínseco, as grifes capitalistas, o descontrole das drogas, a vasta perversão e banalização sexual, piadas macabras/fascistas e o pouco apreço pela educação formou uma cultura contemporânea com gigantesco acervo de “trabalho de morte” e imaginação totalitária sem arrependimentos, que depois veio a aclamar “O mito” como realidade paralela!

Tudo isso era para se ter um usufruto estético, mas foi sufocando espiritualmente os indivíduos, que passaram a não mais saber onde começa o mundo imaginário criado por eles mesmos e a realidade concreta em que tentam viver. Ou seja, traindo a liberdade interior criamos o inferno, feito de nossas ilusões. Como todo inferno tem o seu diabo, casou bem a colonização meteórica de Jair Bolsonaro no inconsciente brasileiro. Dito de outra forma, cada um de nós gostaríamos de afogar nossos remorsos, mas, ao acordarmos do sonho, vimos que eles aprenderam a nadar – e de maneira primorosa e perigosa.

Quem é Bolsonaro? Um psicopata ensandecido, que pouco se importa com o destino das suas vítimas, e que pisa em cima de quem lhe é um empecilho – a esquerda resistente. Um pateta insuportável que nem a família atura, feito por uma psique fragilizada de infeliz que não consegue admitir que sua existência é apenas uma gigantesca Fake News institucionalizada. Um saco de lixo dentro do qual descartou os restos do consumismo, do capitalismo, da corrupção, da necropolítica, do conservadorismo fanático, do racismo, do machismo, da homofobia e de todos os preconceitos vis e infames. O que esperar de uma desalma dessas além de um governo destrambelhado, que causa mais prejuízos para os pobres e benefícios para os ricos?

Nos nossos tempos, continuamos tendo “Judas” que traem seus amigos “Jesuses” por 30 moedas de ouro. Ainda piores, não se arrependem nem se enforcam, e ainda gostam do inferno que habitam. Enfim, Bolsonaro é um desses Judas, lixo do Capital, reciclado pelo próprio capitalismo, traidor do Estado de bem-estar social.



quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

O que é a verdade?

Cada um pode falar o que quiser sobre qualquer assunto ou acontecimento? Cada um tem o direito de chamar seu enunciado de “ah, é a minha versão”? Nem a filosofia saberia mais dizer o que é a verdade porque cada um tem a sua?

Não! O mundo não é um conjunto de narrativas enquanto meras narrativas. Quem acredita que é assim é o jornalismo da Rede Globo que acha que a história não tem verdade. Essa gente focada com a câmera na cara e o texto editado e costurado com reportagens pré-definidas por uma equipe de redação, acha que a história é como o jornalismo: sempre temos de contar duas ou mais versões de um episódio. Abre-se aí o caminho pouco sábio de que história é uma ficção qualquer e que jornalismo se faz por meio de ajuntamentos de versões.

Sabe quem gosta do relativismo? Bolsonaro. Bolsonaro ouviu dizer que a história tem versões. Que a história para todos é como um armário de muitos figurinos – cada um escolhe o seu. Essa direita neoliberal alimenta a ideia de que tudo é apenas uma versão “feita por qualquer um”, argumentando que somos livres e sua opinião pode ser contestada pela minha. Tomam a ideia de opinião como qualquer frase inventada, sem critérios. Não vale!

E não vale porque o conhecimento objetivo, dentro de graus, pode ser alcançado. Conhecimento é crença verdadeira bem justificada. Ou seja, crença verdadeira é algo objetivo. E a crença ganha objetividade por ser um enunciado que se desprende do enunciador. É por isso que existem os historiadores não de partidos, mas os historiadores profissionais. Eles constroem a informação historiográfica, com vários métodos de averiguação tão certeiros que, permitem que outros façam o mesmo caminho e cheguem nos mesmos resultados.

Isso significa que não existem tantas versões assim! Desse modo, quanto às versões, a historiografia não possui tantas quantas alguém aleatoriamente queira ou gostaria. Mesmo historiadores, de diversas correntes, chegaram a construir a mesma historiografia.

 A própria mãe de todas as disciplinas reconhece a unidade na diversidade. Ou seja, NÃO, você não pode sair por aí falando qualquer coisa! Essa ideia de que cada um pode falar o que quiser sobre qualquer assunto ou acontecimento é um caminho pouco sábio e contra o conhecimento. Cada enunciado não vale como uma versão. Sim, a filosofia ainda sabe dizer o que é a verdade!

Enfim, a verdade existe? SIM! Bolsonaro não é historiador!

O que é real?

 Bolsonaro e o Hiper-realismo.

A clareira é menos real que as sombras!

Nós, modernos, temos a tendência de conferir realidade ao que está escondido, ao que podemos enxergar por uma fresta, muito mais do que aquilo que é visível de modo claro.

O que é da ordem do que se revela como um escândalo, do que é descoberto, é a “verdadeira realidade”. O corriqueiro, o que tem tudo para ser o real, cai para um segundo plano se temos na mão a chance de mostrar que algo estava escondido – isto sim é a realidade.

Enfim, o truque de Bolsonaro é trabalhar de maneira antimoderna, que não permite que essa sensação predomine.

Explicando melhor: Bolsonaro não deixa que algo fique na penumbra. Ele sempre lida com o que tem de lidar com certa naturalidade, certo modo espontâneo de dizer barbáries. Sua relação rude e crua com tudo não nos faz conseguir enxergar biombos que poderiam estar escondendo aquilo que chamaríamos, com facilidade, de realidade. Bolsonaro trabalha, então, como uma forma de hiper-realismo.

Essa técnica permite que ele simplesmente diga que o especialista que fala dos dados está errado com base apenas na evidência do simplório (nada há a esconder nem a que procurar: o que não o agrada é negado ou posto em errado por uma frase contrária). Desse modo, os dados apresentados sobre o desmatamento são falsos e os agrotóxicos não fazem mal (para a narrativa hiper-realista criada por Bolsonaro).

 Agora, por que a técnica/truque de Bolsonaro funciona bem?

*1º:* porque Bozo possui um eleitorado cativo que pouco se importa com especialistas e investigações.

*2º:* porque a direita ligada a Bozo tem predileção pelo pensamento mágico: se eu nego algo, este algo desaparece de minha frente.

*3º:* porque é um governo que governa pelo desgoverno, não se preocupando em restituir qualquer forma de debate que chegue a uma realidade séria.

*4º:* porque Bolsonaro tem um prazer sádico de governar contra a oposição. Ele diverte-se mais com o fato de conseguir contrariar o que ele entende que seja a esquerda do que realmente levar algum dinheiro ilícito (embora não vá rechaçar) de empresas. Seu desejo de fustigar as esquerdas é maior que seu amor até mesmo pelo dinheiro. Bolsonaro tem uma sede imensa de poder. Que poder? O poder de conseguir contrariar todas as vozes iluministas.

 

Enfim, é assim que Bolsonaro tira da sua frente a verdade, lançada na sua cara. Desse modo, ele tem conseguido envenenar o brasileiro e retroceder ainda mais o povo na civilização. Estamos diante da desconstrução pós-moderna do sujeito humano pela negação da realidade do pensamento.



sábado, 4 de dezembro de 2021

De cada 04 brasileiros 01 é pobre.

 No ano passado, os benefícios sociais ajudaram a tirar milhões da pobreza. Mas, o que faltam são políticas que livrem as pessoas definitivamente da vulnerabilidade:

- a população pobre ainda representa ¼ dos brasileiros.

- a redução da pobreza do ano passado para este ano não tem indícios de sustentação porque adveio de um paliativo do Auxílio Emergencial (temporário, um paliativo, um simples alívio). As pessoas precisam de rede/agenda de segurança/proteção social.

- a renda média mensal caiu muito, não fosse o Auxílio teria caído muito mais. A população branca ganha 73,3% mais que a população preta ou parda. 

- O governo deveria ter identificado as necessidades de cada cidadão para oferecer oportunidades. Faz sentido manter 1 ano de socorro sem ter 1 plano para geração de autonomia para essas pessoas?





domingo, 28 de novembro de 2021

Nomofobia.

 

·    Pesquisadores da UFMG divulgaram um alerta sobre as consequências danosas para crianças e adolescentes que abusam do tempo em celulares e tablets. A pandemia aumentou o uso de tecnologia por parte dessa turminha. 51% ficam mais de 4 horas por dia usando telas! 24% disseram ficar de 3h a 4h.

·         O que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda?

·         Diante da tela, o cérebro atinge um neurotransmissor chamado de Dopamina (responsável pela sensação de prazer). É o que ocorre com as drogas e o álcool. No caso do celular, a doença é chamada de nomofobia (a fobia de ficar sem o aparelho). A pessoa leva o celular para todo lugar que vai (inclusive o banheiro), e fica ansiosa, impaciente ou agressiva quando se abstém do aparelho. Essa dependência pode comprometer o desenvolvimento do cérebro para sempre! Afinal, o cérebro nessa idade está amadurecendo. E esse amadurecimento vai depender tanto da genética da criança quanto das experiência vivida no dia a dia. Se essas experiências estão restritas a um aparelho de telefone, esse cérebro não vai conseguir amadurecer de forma plena e saudável. As áreas que não forem formadas no período que precisariam ser, ficarão comprometidas para sempre – ficarão atrofiadas, com prejuízo irreversível desse amadurecimento cerebral.  

IBGE mede em Índice a Perda da Qualidade de Vida (IPQV) dos brasileiros.

São problemas estruturais que foram aprofundados nos últimos 2 anos: aumenta a quantidade de pessoas sem conta bancária e com dificuldades para passar o mês. Falta de serviços públicos, como o saneamento básico e o acesso a ruas pavimentadas. Também moradia. A volta da fome no Brasil, os níveis recordes de abandono escolar. Sem redes de apoio as mulheres tiveram que abandonar seus empregos. Perda de empregos.

Tudo isso traz um cenário onde fazer 3 refeições por dia tem sido um privilégio e não um direito.

- os resultados são piores em famílias chefiadas por mulheres, pretos e pardos.

- o pior índice foi do Maranhão (IPQV: 0,260); Pará (IPQV: 0,244);

- neste ano, o preço da gasolina já subiu mais de +70%.








Os hormônios de Marx.

 

Os pais de Marx eram judeus – Heinrich Marx e Henriette Pressburg. Casaram-se em 1814 (em Trier, na Renânia). Tiveram 9 filhos (4 homens e 5 mulheres). Das 5 mulheres só três passaram dos 25 anos (Sophia, Louise e Emilie). Dos 4 homens, somente 1 sobreviveu – Karl Marx. O pai e os irmãos de Marx faleceram vítimas de tuberculose. Por ser protestante, o pai de Marx tinha características de racionalista, afinal, era leitor atento dos iluministas franceses (como Voltaire e Rousseau). Seu progenitor estudou Direito e construiu uma carreira profissional sólida na advocacia (que permitiu assegurar à família uma vida material minimamente confortável, segundo os padrões à época vigentes entre as camadas urbanas médias e acomodadas). Ele sonhava ver o filho Marx também advogado, e não dissimulava seu discreto e moderado liberalismo. 

Marx nasceu em 5 de maio de 1818. O pai convertido ao Protestantismo, o batizou aos 6 anos de idade (em 26 de agosto de 1824). Karl passou a infância, a adolescência e chegou à vida adulta na Alemanha. Partiu aos 25 anos. Nesse período, a Alemanha estava muito atrasada em relação ao desenvolvimento econômico-social e político da Inglaterra, da França e dos Países Baixos, mas apresentava uma complexa e rica dinâmica filosófico-cultural de altíssimo nível (Kant, Fichte, Hegel, Goethe, Schiller, György Lukács). Por isso Marx veio afirmar mais tarde que, “os alemães pensaram o que as outras nações fizeram”.

Como era a relação de Marx com os pais dele? Bem, com a mãe, zelosa guardiã de valores familiares e domésticos (os financeiros também), um trato distanciado e difícil (a mãe de Marx parecia não ter qualquer intenção de expandir seu mundo para além das necessidades imediatas de sua família). Já com o pai, que sempre estimulou seus interesses intelectuais, sem prejuízo de duras admoestações recebidas, um diálogo amistoso e fecundo, marcado por mútuo respeito e admiração. A figura paterna foi muito forte para Marx (quando Marx morreu, encontraram no bolso de seu paletó uma fotografia do pai, que foi posta em seu caixão e enterrada com ele). O pai de Karl era um intelectual meticuloso e passava grande parte de seu tempo lendo. Enfim, seus pais aram amorosos, mas não exatamente alegres, moderadamente prósperos, mas sem fartura.

O adolescente Karl era muito curioso e inteligente. E o pai era quem mais o estimulava intelectualmente (em Homero, Dante, Shakespeare, Schiller e Goethe). Além do pai, o barão von Westphalen foi uma significativa influência que despertou seu interesse pelo socialismo utópico defendido por autores franceses como Fourier e Saint-Simon, discutindo as atualidades do pensamento. Enfim, Marx lembraria essa época como uma das mais felizes de sua vida. Ele foi tratado como um homem adulto e como um intelectual por um aristocrata experiente e distinto. Tanto que, a dissertação com a qual Marx recebeu o título de doutor em filosofia, em 1841, foi precisamente dedicada ao Westphalen, a quem se referiu como “caro e paternal amigo”, “como sinal de amor filial”. Marx reconheceu que ele “sempre foi para mim um vívido argumento óbvio de que o idealismo não é coisa da imaginação, mas a pura verdade”.

Além deles, o que mais influenciou a formação inicial de Marx? Seus estudos formais realizados de 1830 a 1835 na escola pública de nível secundário exclusiva para alunos do sexo masculino, a Friedrich Wilhelm Gymnasium, que preparava jovens para o ingresso na universidade. A escola privilegiava a formação clássica, com ênfase no grego e no latim (e seu diretor, Johann Hugo Wyttenbach, costumava iniciar seus estudantes na leitura de Goethe). Enfim, tudo indica que Marx não frequentou escolas primárias, mas teria recebido aulas particulares iniciais em casa (redação, sobretudo).

No começo de agosto de 1835, Marx apresentou suas três dissertações necessárias à época para a sua graduação, com objetos propostos pelos examinadores e atendendo às disciplinas de latim, religião e alemão. Foram elas:

1.      “Foi o governo de Augusto um dos mais felizes da história romana?” (que exigia demonstrar conhecimento regular de história antiga).

2.      “A união dos fiéis com Cristo” (desenvolvida na concepção do cristianismo protestante iluminista).

3.      “Reflexão de um jovem em face da escolha de uma profissão” (em que demonstrou os traços de um adolescente que pensa o futuro com preocupações sociocêntricas e, ao mesmo tempo, vislumbra os condicionalismos sociais daquela escolha). Nesta, escreveu Marx:

“Nem sempre podemos atingir a posição para a qual acreditamos que estamos vocacionados; nossas relações na sociedade estão, de certa forma, estabelecidas antes que tenhamos condições de fazê-lo”.

Ou seja, repare que, aqui, já há um ponto de vista materialista, quer dizer, o homem não escolhe as condições de existência, mas é constrangido por elas.

O jovem Marx, com pouco mais de 17 anos, ingressa na Universidade de Bonn. Assume a condição de universitário de forma séria, e se inscreve em 9 cursos, mas frequenta 6 por cautela do pai, entre eles, Direito, Literatura e Estética. Ao fim de 2 semestres, se transferiu para outro ambiente acadêmico: a Universidade de Berlim.

A experiência na primeira universidade foi “tabernosa”. Marx fez parte de grupos de estudos que, nas tabernas noturnas, “participava ativa e assiduamente das suas noitadas boêmias, nas quais corriam à solta bebidas alcoólicas e excessivo tabaco, com o ar um pouco sinistro de um gênio romântico”. 

Destacam-se duas experiências típicas de um fim de adolescência sem controle direto da família:

1) a prisão por uma noite, devida a arruaças em meio a uma bebedeira coletiva;

2) um duelo ou disputa em que saiu por cima com apenas um pequeno ferimento acima do olho esquerdo. Há também uma acusação improvada de que Marx portava armas proibidas. Apesar da sua dedicação, Marx viveu um período de dispersão intelectual, teve problemas de saúde não revelados e despesas descontroladas. O pai cuidou para que ele não se desviasse e, dedicasse mais aos anfiteatros universitários a que às tabernas.

Nessa fase, Marx deixou crescer uma barba rala e um cabelo preto e encaracolado, até ficar comprido e desgrenhado, e sua pele escura, que fizeram receber de seus colegas o apelido de “o Mouro”, pelo qual seria conhecido entre os amigos e familiares pelo resto de sua vida (Mohr, o Mouro, também era uma referência  ao criminoso, porém carismático, herói robinhoodiano de Schiller, Karl von Moor, da peça “Os bandoleiros”, que liderava um bando que combatia a aristocracia corrupta). Pelo resto da vida, todas as pessoas mais íntimas de Marx se dirigiriam a ele com esse apelido.  

E Karl Marx deixou a adolescência tabernosa para trás e aos 18 anos passou a demonstrar traços da vida adulta amadurecida. No verão de 1836, com sua inteligência brilhante, humor cáustico e personalidade voluntariosa, encantou a belíssima e livre-pensadora, Jenny (com 22 anos). Foi então que uma tórrida paixão (incomum) explodiu entre Jenny e Karl Marx. E havia uma singularidade nessa relação, pois na Renânia da época, raro era uma filha da nobreza aproximar-se do filho de um advogado judeu convertido, bem como rara era uma mulher (ainda que pouco) mais idade (diferença de 4 anos) ligar-se a um homem mais jovem, sobretudo se este não passava de um estudante universitário que tinha pela frente um futuro nebuloso. Enfim, enamorados e noivos por 7 anos (com poucos encontros a sós entre os dois)! Só resultou em casamento quando Marx acreditou reunir as condições financeiras mínimas para tanto.

É próprio de biógrafos detalhistas perscrutar a vida privada dos seus biografados. Acredita-se que no verão de julho de 1841 (em Bonn), os noivos Jenny e Karl Marx tiveram a sua primeira relação sexual (mas, é uma especulação, pois ambos tiveram poucos momentos a sós e Jenny não engravidou). A “paixão tórrida” por Jenny foi documentada em 3 “cadernos de poesia” (Livros dos cantos e Livro do Amor I e II) que Marx escreveu e endereçou à amada quando estava em Berlim. A poesia é desajeitada e de pouco valor literário que mais expressa um espírito trivial de romantismo do jovem Marx, mas que mais tarde veio a se tornar um autêntico e duradouro amor – Marx sabia-a a mulher de sua vida.

Enfim, foram quase 4 décadas de vida conjugal, em que compartilharam alegrias e misérias de todo gênero (uma de natureza moral). Jenny era uma aristocrata que renunciou a tudo de sua classe para construir com Marx um projeto de vida (eles viveram tempos de extrema pobreza material e isolamento político). Ela foi companheira em pé de igualdade, dividiu com ele ideias e lutas e o auxiliou na preparação de seus textos.

 

“Eis que assomas diante de mim, grande como a vida, e eu te ergo nos braços e te beijo dos pés à cabeça e me ponho de joelhos diante de ti e exclamo: Senhora, EU TE AMO!” 

(Karl Marx em carta a Jenny, 21 de junho de 1856).

 

CONTINUA...

Quem é Bolsonaro?

 Texto inspirado no Livro "A Filosofia explica Bolsonaro" (Paulo Ghiraldelli Jr.).

Bolsonaro não é um acaso

Bolsonaro é um projeto muito bem arquitetado pela extrema direita, e digerido por ela toda

Está dando certo para os ricos. Está dando errado para os pobres. Então é palatável pelo mercado

Bolsonaro é um governo que governa pelo desgoverno

Uma ordem em favor da desordem

Que veio para privatizar tudo e dilapidar o patrimônio público

Em termos éticos, ideológicos, democráticos, econômicos e ambientais

Seu método é a guerra de narrativas infundadas

Bolsonaro é a comemoração da morte da legenda.

Toda vergonha é suportada se, no final das contas, o projeto de aberração perpetua.

Enfim, não se iluda, o otário é uma “criação inteligente”

O otário foi arquitetado. Por mais aberração que seja, foi criado

Foi criado do impeachment de uma presidenta e da prisão de outro líder nato

São narrativas de alta força simbólica

Começou na campanha e continuou na posse fazendo gestos de portar armas nas duas mãos

Violência, agressão e morte.

Bolsonaro pode até passar

Mas o neofascismo, seu populismo de direita, associado ao neoliberalismo

Ainda terá fôlego no Brasil.

A incultura tem um grande peso porque ela é sustentada por gente que se diz culta.  

E se por traz da criatura existe um criador...

Não é só contra Bolsonaro que devemos lutar, mas contra seu idealizador

Quem é?

A mão do diabo com 3 retoques  – do mercado financeiro, da mídia golpista e da ala conservadora.

  

Entenda de uma vez por todas: Bolsonaro é um capataz do Sr. Capital. Gestado no conservadorismo mais radical e endurecido do Brasil, o último país a abolir a escravatura e que também massacra seus recursos naturais para o lucro sem medida, governa com chicote e machado sem cerimônias. 

Bolsonaro não respeita a “liturgia do cargo”, posando contra rituais necessários e tradicionais honráveis. E o que a imprensa faz? Vista grossa e o trata como um governante de fato, fazendo a piada funcionar. Funcionando, o “presidente de verdade” não é lavado tão a sério e o circo funciona.

Por mais que a cadeira da Presidência venha a exigir de Bolsonaro algum ato administrativo, ele faz questão de fugir desse encargo. Afinal, a confusão ideológica e a falta de paz institucional que ele provoca são propositais. Então, eis a estratégia: “depois que tudo isso acabar [a guerra ideológica] poderão dizer tudo de nós, mas jamais que fomos entediantes”.

Nesse circo foi incorporada a “ideologia da segurança nacional” do regime militar de 1964, com forte Serviço Nacional de Informações (SNI – mídia). Assim, vê a Constituição como uma grande ameaça que precisa ser destruída ou deixada de lado (Bozo governa com emendas, medidas provisórias, vetos, etc. ou seja, na contramão da Constituição). Por quê? Porque a Constituição de 1988 é uma boa peça para a defesa do capitalismo e da sociedade de mercado, do liberalismo e dos direitos individuais inerentes ao modelo liberal. O que há de preceitos liberais na nossa Constituição estão nela contidos graças à defesa de pessoas de esquerda (como é comum em democracias ocidentais) e, por isso mesmo, toda Constituição que emana o cheiro da social-democracia deve ser destruída.

Nossa Constituição é Cidadã, e Bolsonaro é contra a cidadania. O público bolsonaristas, sempre ávido de ver governantes punitivos, estar para além de qualquer respeito ao estado de direito. E a incompatibilidade deve [ou deveria] ser impeachmada!

O que dá prazer a Bolsonaro na política é a balbúrdia. Cada espetáculo (estampado nas manchetes do dia pela mídia que também compartilha desse prazer) faz a política ideológica, que é a vida do Governo e da Mídia: atirar com arma verdadeira ou fazer a arminha com as mãos; vive do anticomunismo e da fustigação das esquerdas, idolatra a bandeira americana, moleque pirracento, o presidente de leis de trânsito, salários de policiais, amor a caminhoneiros e bravatas anti-intelectuais, contra a previdência e os direitos trabalhistas, que acho que pode governar sem o Congresso e chamando o gado para a rua. Enfim, é a referência aos maus exemplos (e dessa referência não precisamos!). 

Bolsonaro segue à risca o conselho de Olavo de Carvalho: “Mantenha-se na guerra ideológica, não ligue em administrar nada”. Ou seja, só tenha prazer na vida enquanto esteja no embate ideológico. A meta é desaprender a pensar corretamente, ter uma visão pouco racional e ser adepto a teorias da conspiração (dando adeus aos princípios de causa e efeito e de necessidade lógica), vendo a história e os feitos políticos como puras tramoias.

A prática de governo de Bolsonaro tem como objetivo o neoliberalismo máximo ou, para alguns, o anarcocapitalismo. Bolsonaro funciona como o agente do caos, a criação de uma sociedade em que vale o faroeste. O Estado deveria desaparecer e a lei viria pela força do mais forte, uma espécie de darwinismo social. Nesse esquema, enquanto Guedes entrega o patrimônio público, ele, Bolsonaro, dedica-se a criar a sociedade sem lei. Ou seja, enquanto deixou Paulo Guedes e o próprio Congresso encaminhar as teses econômicas da direita: privatizações e reformas em que o trabalhador perde direitos, ele próprio passou a lutar por leis esdrúxulas: fim da autoescola e exame para motoristas, fim da cadeirinha para crianças nos carros, fim dos exames da OAB, afrouxamento para regras que proíbem trabalho infantil e até trabalho escravo, flexibilização nas regras para se adquirir armas etc. Sempre com intenções legislativas inconstitucionais, se tornou o presidente que mais governou por medidas provisórias em toda a história.

Enfim, não se pode esperar de Bolsonaro nenhum governo. Aliás, o seu modo de governar é o puro desgoverno. E, no fundo, a imprensa faz vista grossa para ele governar na manchete diária. Tem dado certo porque a boiada está passando. “O desgoverno” é o Governo de Bolsonaro. Ele é a pura escatologia.


Resumo: 

Bolsonaro não é um acaso. É um projeto muito bem arquitetado pela extrema direita, emplacado pelo impeachment de uma presidenta e a prisão de outro líder nato, bugando debates democráticos e jogando com Fake News.

Foi criado pela mão do diabo com três retoques: um do mercado financeiro, outro da ala conservadora e modelado pela mídia golpista.

Estamos vivendo um tipo de capitalismo que pede o desregramento de tudo. Bolsonaro é a expressão dele – um fruto podre de nossa época, tempos que mostram o sujeito mais histérico do que deprimido, mais visão do que ação, mais espetáculo do que realidade. 

Enfim, a política é o campo do teatro dos gestos e estamos sendo representados por uma marionete perigosa.

 

sábado, 20 de novembro de 2021

As imensas dificuldades enfrentadas pela população em 2020.

 

·         A pandemia pegou o país já numa profunda crise no mercado de trabalho e deixou tudo ainda pior. A renda média mensal do brasileiro teve queda recorde!

·         Em 2020, a pandemia provocou a maior queda em 8 anos no rendimento médio dos brasileiros (2012). Quase dobrou o número de brasileiros que sobrevivem com uma renda que não foi obtida com trabalho. Explodiu o número de pessoas pedindo ajuda. Muitos comerciantes fecharam as portas, e quem resistiu nunca foi como antes.


- Auxílio emergencial e seguro desemprego, entre outros benefícios sociais, salvaram muitas famílias, pois se tornaram as únicas fontes de renda.

- Pela primeira vez o Brasil teve uma região em que o índice de pessoas vivendo com programas sociais (aposentadorias e pensões) foi maior do que o de pessoas vivendo com rendimento de trabalho.


Auxílio Emergencial: impacto importante, mas transitório. Alívio da pobreza, mas veio associado ao desmonte das redes de proteção social que aumentam a incerteza da renda das famílias no futuro. 

O Governo precisa olhar adiante e criar programas para devolver a autonomia às pessoas. O país está muito focado em programas de transferência, apenas. Transferência é muito importante, mas ela precisa de uma segunda etapa que é o apoio a uma inclusão produtiva.