Quem sou eu

Minha foto
São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
Obrigado pela visita! Volte Sempre!

"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

Arquivos do blog

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Desmatamento e Mineração

·         Mineração em áreas protegidas cresceu 301% na última década

·         Em terras indígenas, houve 495% de aumento na atividade de 2010 a 2020

1. O aumento do preço do ouro (e diamantes).

2. O sucateamento de estruturas de fiscalização.

3. A pandemia da Covid e às instabilidades econômicas associadas.

4. A ganância da mineração ilegal, tanto a artesanal e sobretudo a industrial. Há pessoas que simplesmente saem procurando. E para procurar elas precisam desmatar, desbarrancar áreas, soterrar rios, sem controle nenhum. Porém, uma coisa é o garimpo artesanal, usado na subsistência, outra é o garimpo mecanizado, com uso de explosivos e uma devastação extensiva. Este segundo tem e deve ser bloqueado. O primeiro tem pequeno poder de devastação e pode ser praticado pelos próprios índios.

5. As novas necessidades do mercado que vislumbra o carro elétrico. A necessidade de cobrança por uma mineração (que vai além da exploração do ouro) com menor impacto ambiental passa pela necessidade mineral que provavelmente decorrerá da economia de baixo carbono, com o advento dos carros elétricos e dos metais necessários para produzir suas baterias.

 

“Eu vou precisar explorar metais. Mas não posso explorar a qualquer custo, a custos social e ambiental irresponsáveis”.

 

·         Consequências:

1.      Danos irreversíveis ao bioma Amazônia. “Quem vai pagar por isso é a sociedade e os próprios garimpeiros, que não têm uma vida digna. E ainda o dano ambiental pago pelo planeta.”

·         Soluções:

1.      O Ministério Público deve monitorar as licenças para operações garimpeiras.

2.      Isso só vai parar quando economicamente não for mais viável.

3.      Uma mineração sustentável, montada e planejada, uma área menor afetada e licenças necessárias.

 Extras:

- A presença de garimpo em unidades de conservação e em terras indígenas explodiu nos últimos dez anos (fortemente concentrado na Amazônia). Cerca de 40% da área de garimpo em 2020 estava dentro de unidades de conservação, e 9%, em terras indígenas protegidas, o que é proibido.

- A Amazônia tem apresentado, anualmente, aumentos de desmatamento. O bioma concentra 72% da área minerada do país.

- A unidade de proteção ambiental líder em área de garimpos em seu interior é a APA (Área de Proteção Ambiental) do Tapajós, que é de uso sustentável. Fazem parte do top 10 três parques nacionais (parna), que são áreas totalmente protegidas. São eles: parna do Rio Novo, parna do Jamanxim e parna Mapinguari (sofrem com a grande pressão de desmatamento, em parte ligada à mineração). Em 2017, o Congresso chegou a aprovar a redução da proteção na região, mas a medida foi vetada, em meio à pressão popular, pelo então presidente Michel Temer.

- Entre os territórios indígenas com maior área de garimpo, estão as terras indígenas Kaiapó e Mundurucu, ambas no Pará; e a Ianomami —outro local já com ampla documentação de mineração ilegal.

- o crescimento acentuado da mineração, como um todo, na última década e especialmente nos últimos quatro anos, pode estar relacionado com o aumento do preço do ouro.

- No Brasil, em 2020, o ouro teve valorização de 56%. Em meio à pandemia da Covid e às instabilidades econômicas associadas, em Genebra houve relatos, em outubro do ano passado, de que os mais ricos compravam barras de ouro. Nos últimos cinco anos, o valor do metal saiu de patamares próximos a US$ 1.200 por onça troy para chegar ao valor de US$ 2.000 por onça troy em agosto de 2020.

- O sucateamento de estruturas de fiscalização também pode ter um papel na ampliação dos garimpos no país. “O Brasil não tem hoje uma estrutura governamental capaz de fiscalizar o território a ponto de impedir a expansão da mineração”.

- A Procuradoria apontou que a própria ANM (Agência Nacional de Mineração) vinha autorizando projetos de mineração dentro de unidades de conservação no Pará e registros minerários em terras indígenas.

·         Dentro das flonas (floresta nacional) de Itaituba 1 e 2...

sábado, 28 de agosto de 2021

O retrocesso da Política Nacional de Educação Especial no governo Bolsonaro.

 Inclusão x Escolas Especiais...

Mais de +17 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência (8,4% da população com 2 anos ou mais). Em 2019, eram 67,6% dessa população com 18 anos ou mais que não possuíam instrução ou não completaram o ensino fundamental.

Enquanto isso, há uma ameaça à Educação Inclusiva no Brasil. A nova “Política Nacional de Educação Especial”, assinada por Bolsonaro no ano passado, pode tornar mais difícil a convivência (amizade e integração) de alunos com e sem deficiência. O Decreto inclui escolas especiais como uma opção para a educação de alunos com deficiência. Esse Decreto estimula a criação e a matrícula em escolas especializadas para pessoas com deficiência, ou seja, traz exclusão disfarçada de proteção para aqueles que defendem que as escolas especiais são uma realidade e uma necessidade, cabendo a escolha ser da família. 

Essa ideia de cada um no seu quadrado segrega as pessoas com deficiência, que já sofrem com a exclusão e a falta de acessibilidade na vida cotidiana. Sem fundamento pedagógico e nem crença na conquista da independência dessas pessoas, prevalece outra vez a limitada visão assistencialista. Isso é muito negativo, pois o que faz sentido pedagógico é todos poderem aprender juntos, com equipes bem capacitadas e apoio à escola. 

É preciso não só acreditar na inclusão nas escolas comuns como investir para que isso de fato aconteça. Afinal, apenas 5,8% dos professores da rede pública do Brasil têm algum tipo de especialização em Educação Especial. Inclusão tem que acontecer com responsabilidade e políticas públicas. Isso já vinha avançando desde 2008, mas agora impacta nessas novas ideias de separação e retrocesso. 





terça-feira, 13 de julho de 2021

Relatório FAO 2021

O estado da insegurança alimentar e nutrição no mundo.

Indicador: prevalência de insegurança alimentar.


Aumenta a população que passa fome por causa da pandemia (?). Fonte: FAO.

·         10% da população global ou 768 milhões de pessoas passaram fome em 2020 (é um aumento de +118 milhões em relação a 2019).

·         A pandemia provocou restrições brutais e prejudicou o acesso aos alimentos.

·         2,3 bilhões de pessoas não tiveram alimentação adequada durante todo o ano de 2020!

·         A prevalência de insegurança alimentar, moderada ou grave saltou em 1 ano, tanto quanto os 5 anos anteriores somados!

·         As crianças pagaram um preço alto: em 2020, foram 149 milhões de crianças menores de 5 anos que sofriam de atraso no crescimento

·         Aqui no Brasil, os hábitos alimentares, 49% dos brasileiros afirmaram que os hábitos alimentares mudaram durante a pandemia. Esse número sobe para 58% em famílias com crianças e adolescentes abaixo dos 17 anos. Desnutrição no Brasil: 60% dos lares nacionais têm algum grau de insegurança alimentar.

·         Há desigualdade na qualidade das dietas no Brasil. Pessoas mais pobres, as que perderam os empregos, e moradores do Nordeste, relataram um aumento no consumo de alimentos processados em lugar dos produtos frescos.

·         É necessário promover políticas para uma dieta saudável, e apara amparar as populações mais vulneráveis. É preciso também um esforço enorme para que o mundo possa cumprir a promessa de acabar com a fome até 2030. 

·         Um décimo da população global – até 811 milhões de pessoas – enfrentaram a fome no ano passado.

·         No geral, mais de 2,3 bilhões de pessoas (ou 30% da população global) não tinham acesso a alimentação adequada durante todo o ano: esse indicador – conhecido como prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave – saltou em um ano tanto quanto nos cinco anos anteriores combinados.

·         A desigualdade de gênero se aprofundou: para cada 10 homens com insegurança alimentar, havia 11 mulheres com insegurança alimentar em 2020 (comparados a 10,6 em 2019). Quase um terço das mulheres em idade reprodutiva sofre de anemia.

·         A má nutrição persistiu em todas as suas formas, com as crianças pagando um preço alto: em 2020, estima-se que mais de 149 milhões de crianças menores de 5 anos sofriam de desnutrição crônica, ou eram muito baixas para sua idade; mais de 45 milhões tinham desnutrição aguda, ou eram muito magras para sua altura; e quase 39 milhões estavam acima do peso.

·         A alimentação saudável permaneceu inacessível para três bilhões de adultos e crianças, em grande parte devido ao alto custo dos alimentos.


Uma criança ou um adulto que se alimentam mal ou que se alimentam de forma insuficiente terão impactos muito amplos e muito profundos em sua saúde: na sua imunidade, capacidade de cicatrizar feridas, capacidade de força física, motora, de coordenação, aprendizagem, de empregabilidade... Tudo isso gera um profundo custo para a sociedade, pois esse déficit, seja ele qual for, pode se transmitir inclusive à sua prole.

 

Os principais determinantes da insegurança alimentar:

1.      Lutando contra a alta desigualdade.

2.      A pandemia que provocou ou aprofundou recessões brutais.

3.      Nações afetadas por conflitos.

4.      Extremos climáticos.

5.      Recessões econômicas.

O que pode ser feito? "caminhos de transformação":

1.      Combatam a pobreza e as desigualdades estruturais – por exemplo, estimulando cadeias de valor de alimentos em comunidades pobres por meio de transferências de tecnologia e programas de certificação;

2.      transformar os sistemas alimentares é essencial para alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e colocar dietas saudáveis ao alcance de todos.

3.      um "conjunto coerente de políticas e investimentos" para combater os determinantes da fome e da má nutrição.

4.      Integrem políticas humanitárias, de desenvolvimento e de consolidação da paz em áreas de conflito – por exemplo, por meio de medidas de proteção social para evitar que as famílias vendam bens escassos em troca de alimentos;

5.      Aumentem a resiliência climática em todos os sistemas alimentares – por exemplo, oferecendo aos pequenos agricultores amplo acesso a seguro contra riscos climáticos e financiamento baseado em previsões;

6.      Fortaleçam a resiliência dos mais vulneráveis à adversidade econômica – por exemplo, por meio de programas em espécie ou de apoio em dinheiro para diminuir o impacto de choques do tipo pandêmico ou volatilidade dos preços dos alimentos;

7.      Intervenham ao longo das cadeias de abastecimento para reduzir o custo de alimentos nutritivos – por exemplo, incentivando o plantio de safras biofortificadas ou facilitando o acesso dos produtores de frutas e vegetais aos mercados;

8.      Fortaleçam os ambientes alimentares e mudem o comportamento do consumidor – por exemplo, eliminando as gorduras trans industriais e reduzindo o teor de sal e açúcar no abastecimento alimentar, ou protegendo as crianças do impacto negativo do marketing alimentar.

domingo, 11 de julho de 2021

Problemas de Matemática e da Política.

Se você pegar o valor total que é gasto com o Congresso Nacional e dividir pelo número de parlamentares, verá que cada um deles custa, arredondando, R$25 milhões por ano! Depois, se você pegar esse valor e dividir pela renda média do brasileiro, também verá que o valor é o equivalente a 528 vezes a renda média de quem ele representa! Tudo isso comprova que o Brasil é o país mais caro do mundo em termos de representação política!!!

O mesmo vale para os partidos políticos. 33 legendas estão registradas no TSE (e as 7 que possuem mais de 1 milhão de filiados são: MDB, PT, PSDB, PP, PDT, PTB e DEM). Dessas legendas, 16 têm relevância no Congresso. A cada ano, em média, esses partidos políticos recebem 446 milhões de dólares! A criação do “Fundão Eleitoral” para financiamento dos partidos, distribuiu para eles R$ 2 bilhões nas últimas eleições. Enquanto isso, as pesquisas indicam que partidos políticos são as instituições em quem os brasileiros menos confiam. Será que uma coisa tem a ver com a outra? Temos também a maior dispersão partidária do planeta, campeões na quantidade de dinheiro repassada aos partidos!

Quem se lembra das calçadas forradas de santinhos deve não sentir saudade do desperdício do dinheiro público. A verdade é que campanhas eleitorais se fazem cada vez mais através dos meios digitais e os gastos não se tornaram mais necessários porque elas também não melhoraram nossa democracia. Os vídeos bizarros, os memes ridículos e a fábrica de fake News tiraram os lixos eleitorais das calçadas e levaram tudo para as redes digitais. Muito dinheiro, pouca evolução cidadã.

Nosso sistema incentiva os deputados a formarem amplas redes de clientela, operando em centenas de municípios. Isso inclui a farta distribuição de emendas parlamentares e um vasto entourage de cabos eleitorais e estruturas para deslocamentos de região para região. No final, nem o eleitor sabe exatamente quem o representa, e o deputado a quem ele representa. Tudo com um certo jeito de jogo de faz de conta, ao qual já nos acostumamos.

Dói muito ver todo esse dinheiro sacado do nosso bolso de contribuinte quando olhamos para o nível dos debates e das campanhas eleitorais que financiamos. Era pra ser melhor, muito melhor, uma democracia de verdade! Mas, todos esses números mostram que equidade é só uma palavra bonita, perfeita para alimentar o status quo e nosso gosto pelo autoengano.

Então, veja só, a Emenda que vitaminou, e muito, o Fundo Eleitoral. Compare o montante de dinheiro que vai financiar os partidos nas eleições de 2022, comparado com as eleições de 2018 (mais de 3x!). Para ter uma noção das prioridades e dos gastos, veja o que estava previsto para o Censos Demográfico 2021, e comparte com esse valor, que sofreu sucessivos cortes até ser adiado para 2022 (e que está ainda sem verba definida)!  

Diante disso tudo, um componente ético incomoda muito: qual a autoridade de um Parlamento com o maior custo per capita do mundo para fazer uma Reforma Administrativa dura, que vai mexer no bolso de nós, funcionários, cujo vencimento médio (no Executivo) não chega a 1000 reais? Isto é: menos da metade do que cada deputado dispõe apenas para despesas médicas. Isso também vale para a Reforma Tributária, como o governo está fazendo agora com a proposta de aumento de impostos, enquanto nosso dinheiro de contribuinte é gasto de modo inteiramente irracional. E olha que nem mexemos ainda na elite empresarial, mas essa elite política, tanto quanto aquela, deveriam dar o exemplo. Cortar na própria carne. É isso o que o país deveria exigir.

Não é difícil discutirmos os problemas do Brasil porque uma boa parte de nossos problemas é perfeitamente evidente, e é fácil saber o que deve ser feito. O problema é daí pra frente. É sobre como lidar com um país cuja tragédia não é ter um sistema de poder que beneficie não só as elites, mas fundamentalmente a ele mesmo (e na maioria das vezes a elite e a classe política é um balaio só). Não penso que sair disso seja uma equação fácil, mas tratar as coisas com a crueza que elas têm, por vezes, é o melhor caminho para mudar e seguir em frente.

 

Enfim, já sabemos como chegamos nessa situação. Resta agora achar uma boa saída dela...

#Lula2022! 



sábado, 10 de julho de 2021

Ponte Quebrada.

 Sim, há uma ponte desfeita no caminho da Educação. E ela é geradora de desigualdade! 

Na perspectiva do capitalismo, o populismo é uma ameaça. Então é preciso acalmar as revoltas populares com uma ideia de mobilidade social pela meritocracia. Entretanto, esses meritocratas podem se tornar uma aristocracia – e isso acontece quando se recolhe as pontes transitadas para bloquear a passagem da segunda geração.

 Para se proteger da Covid-19, um diploma universitário é quase tão bom quanto a vacina. Ele é um instrumento importante para evitar que um revés temporário se torne permanente. Ou seja, escolarização e alguma estabilidade no mercado de trabalho podem evitar que as pessoas percam seus rendimentos quando ficam doentes. Ou que percam a saúde quando estiverem sem renda.

 A maioria que tem seu diploma e emprego, está sentada em casa, trabalhando com segurança no Zoom ou no Google Meet. Já as pessoas sem diploma universitário e baixa escolaridade que estão lá fora, trabalhando nas lojas ou nas fábricas de alimentos, estão morrendo. Então, é como se metade da população estivesse morrendo enquanto a outra metade está enriquecendo. Você começa a pensar que talvez a desigualdade por si só seja o problema, não importa se as fortunas venham de origens conhecidas.

Segundo um estudo do MEC, a conclusão de um curso universitário representa uma aumento de +182% na renda mensal dos estudantes. Isso explicaria a corrida motivacional ao ensino superior? E mais, isso também explicaria a grande competitividade e a quebra de pontes, sem que todos tenham cruzado? 

 O que ocorre é que colocamos em um pedestal as pessoas que vão para a faculdade. E dessa forma criamos uma sociedade dividida. Um terço das pessoas pertence à elite educada e os outros dois terços se tornaram uma espécie de classe ignorada, sem influência política, sem perspectiva, com escolas ruins para seus filhos, e daí por diante.

 Isso também cria desigualdade. Aliás, existem muitas formas diferentes de desigualdade em curso. A desigualdade educacional é uma delas. Há um grupo de pessoas muito bem-educadas e outro com baixa escolarização. Junto desta há a desigualdade de representação política – há os que defendem o capitalismo e os que defendem o populismo. É extremamente importante atentarmos a esse tipo de desigualdade de participação política na sociedade.

 Nos países ricos, os partidos de esquerda tiveram suas bases nos sindicatos ou nos trabalhadores, se tornaram intelectualizados e se juntaram à elite educada. A direita continuou representando o dinheiro que rende juros. Então não sobrou nada para o povo que costumava ser representado pelos partidos de esquerda. Olhe o exemplo do Partido Democrata nos EUA, que se tornou um partido de elite educada e de minorias, e deixou todas as pessoas brancas menos educadas de fora e com pouquíssima voz política.

Mas, não se trata apenas de um viés privado e particular do indivíduo. Pensando na coletividade, por isso é importante o que chamam de Rede de Segurança Social (sem ela, uma legião de pessoas é jogada facilmente no empobrecimento). E não é só o Bolsa Família que ajuda de forma imediata a maioria das pessoas simplesmente ultrapassar a linha da pobreza (uma forma rápida, pontual e eficiente de assistir os que estão precisando de ajuda urgente), mas não é suficiente para que haja de fato mobilidade social. Aí devem entrar outras atitudes mais abrangentes, como seguro-desemprego e cobertura de saúde.

 Temos que enfrentar ainda outras duas coisas paralelas:

1) o setor informal que é muito grande;

2) alguma forma de renda básica universal, mas sem abrir mão de programas mais direcionados.

 As pessoas da direita querem adotar a renda básica universal, mas desde que se acabe com o resto da rede de segurança. E é por isso que sou esquerda. Do outro lado, a esquerda quer ir além, criar esse benefício universal e ampliar, também, a rede de segurança atual (que a direita julga inviável porque “é extraordinariamente caro”). É por isso que, embora os dois lados defendam a renda básica universal, no fundo eles estão falando sobre coisas muito diferentes.

 Então, a grande pergunta: qual é a origem da desigualdade?

Vejamos mais de perto essa tal reformulação do Currículo Nacional em uma Base Comum que precisa ser tomada na perspectiva da meritocracia x oportunidade e desesperança. As maiores empresas do nosso século só pensam em tecnologia e oportunidades, com um alto potencial para pular etapas e apressar aquilo que desejam. Há um discurso com introdução muito bonita, quando diz, por exemplo, que é preciso de mais oportunidades para que crianças talentosas em todo o Brasil entrem nas escolas e descubram suas habilidades. Até aqui, a meritocracia em seus primeiros estágios é ótima, porque você pode ter pessoas talentosas fazendo trabalhos importantes. Mas aí vem o segundo estágio que iniciamos esse texto, e com o qual se deve ter muito cuidado, pois quando a primeira geração de meritocratas passa ela pode recolher as pontes depois que passam, para bloquear a passagem da segunda geração – e com isso se torna uma aristocracia reinante. Como esse grupo que aí está pode permitir a próxima geração?

quarta-feira, 26 de maio de 2021

Cidadão Global 2021.

 

A economia brasileira pode encolher -17% até 2048 se o país não adotar medidas para combater o aquecimento global. Entre elas, estão:

A) a preocupação mundial como desmatamento na Amazônia; 

B) a necessidade de reduzir os GEE; 

C) agir contra as mudanças climáticas; 

D) os setores público e privado precisam aumentar o investimento em matriz energética mais sustentáveis como a energia solar e a eólica.

terça-feira, 25 de maio de 2021

A privatização da Eletrobrás à moda do Centrão.


A privatização da Eletrobrás virará reserva de mercado para grupos específicos, sob o falso discurso de aumento da competição (quando na verdade se quer é maior controle e restrição).
 
Se a Eletrobrás for privatizada, pagaremos uma conta de energia quase 3 x mais alta do que a atual. Nossa principal fonte hidrelétrica cederá espaço para termelétricas, que além de ser muito ruim para nós consumidores é também muito prejudicial para o meio ambiente. Enfim, serão socializados os custos e privatizados os benefícios. A quem interessa esse projeto? Aos produtores de gás, os investidores em termelétricas e redes de gasodutos, os donos de centrais hidrelétricas, as bancadas regionais (como Furnas e Chesf).
 
Atenções focadas na CPI da Covid-19 e preocupações voltadas para a nova Cepa Indiana do vírus que apareceu no país pelo Maranhão, temos outro problema sério: a tentativa de privatizar a Eletrobras até dia 22 de junho.
 
A Câmara já aprovou por 313 x 166 votos a MP que abre caminho para a capitalização da maior estatal do setor elétrico (são 134 usinas de geração de energia e quase 71 mil quilômetros de linhas de transmissão, o suficiente para dar uma volta completa no planeta)! A oposição bem que tentou acionar o STF para tentar impedir a votação, pedindo que antes a proposta passasse por uma comissão (mas o pedido foi negado). Isso mostra a conivência do judiciário aos interesses da equipe econômica do Guedes em empurrar as privatizações de qualquer jeito.
 
O fato está contextualizado no cenário das campanhas eleitorais 2022 de Bolsonaro, pois há uma série de barganhas com Deputados e Senadores que pedem concessões, em média, R$ 9 bilhões em obras, como revitalização de bacias hidrográficas e outras promessas para os seus currais eleitorais. Recursos futuros serão desviados para uma nova estatal criada pelo Governo, bancar gasodutos novos atravessando o país e ativar outras fontes, inclusive termelétricas (cara e suja) e eólicas.  
 

Atualmente, a União possui cerca de 60% das ações da Eletrobras, e controla a estatal. Se rolar a capitalização, o Governo deverá reduzir sua participação na empresa para 45%. Com isso, a meta do Governo é arrecadar R$ 50 bilhões – metade disso para o Tesouro Nacional e a outra metade para um super fundo que será rateado por todo mundo.
 
O setor elétrico é o mais pulverizado em seus lobbys, pois são em torno de 30 diferentes associações ligadas a ele. Do jeito que ficou, essa capitalização levará o setor elétrico de volta para o passado. Os custos para o meio ambiente serão altos, pois os impactos ambientais com as termelétricas são gigantescos.
 
A União será obrigada a comprar energia de termelétricas a gás de regiões onde não há infraestrutura e de pequenas centrais hidrelétricas, que respondem por 65% da geração de energia para todo o país (a queima de carvão, petróleo e gás além de mais poluente é mais cara). Nós consumidores temos uma conta razoavelmente acessível graças a essa fonte renovável das hidrelétricas, mas com essa proposta de privatização, tornando-a mais atrativa com a compensação das termelétricas, vendendo nossa atual energia mais barata. Essa exigência vai gerar um custo aproximado de mais de R$ 20 bilhões ao ano para os consumidores. A bandeira vermelha vai encarecer as contas de luz até que o nível dos reservatórios voltem a subir.
 
O consumidor já sente no bolso o custo de ter os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste em níveis historicamente baixos. Colocar a Petrobras nesse Plano Nacional de Desestatização é aprovar um impacto para o setor elétrico e para o conjunto dos brasileiros, que acabarão pagando a conta quase 3x mais alta do que a atual.
 

Enfim, retirar do consumidor de energia elétrica os recursos financeiros que poderiam ser utilizados para baratear tarifa, reduz a competitividade da economia como um todo. Afinal, vai encarecer os produtos industriais e os serviços. Além e social é ambientalmente injusto.



O Governo Federal emitiu um alerta de crise hídrica para 05 estados da Bacia do rio Paraná que sustenta alguns dos principais reservatórios do país. E a primeira consequência disso vai chegar no bolso do consumidor em Junho. A ANEEL, que é a Agência do setor, decidiu que a conta de luz ficará mais cara. 

Decreto baixado por Bolsonaro regulamenta leilões para contratação de usinas de geração de energia com o objetivo declarado de tentar melhorar a segurança do Sistema Nacional. De acordo com o Decreto, os custos dessas contratações serão pagos pelos consumidores. 

sábado, 22 de maio de 2021

Os opostos se atraem?

 

A imagem de um encontro de 2 ex-presidentes foi uma das notícias mais compartilhadas do dia no Brasil. Uma rede social do petista Luiz Inácio Lula da Silva postou uma foto dele ao lado do tucano Fernando Henrique Cardoso. FHC ocupou o Palácio do Planalto de 1995-2002 e Lula de 2003-2010. Dois protagonistas de uma rivalidade política marcante no Brasil desde a segunda metade dos anos 90 se reuniram na casa de um amigo comum, Nelson Jobim, que foi Ministro da Justiça de FHC e ministro da Defesa de Lula. 

O encontro mais recente deles ocorreu em fevereiro de 2017, quando se solidarizou da morte de Marisa.




Poucas picadinhas: o buraco no esquema de vacinação.

Deixem de ser egoístas! Não basta a MINHA vacina. Ninguém conseguirá vencer o coronavírus sozinho, pois a verdadeira imunização é COLETIVA. Então vamos falar de NOSSA vacina. 
A vacina para TODOS e TODAS!
 
Em todo o Brasil, milhões de pessoas ainda não voltaram para receber a 2ª dose da vacina. Segundo a USP/UFRJ, são 5,09 milhões de pessoas que ainda não estão completamente imunizadas, isto é, que estão com a 2ª dose atrasada (muitos são idosos com dificuldade ou impossibilidade de locomoção). A perda da janela imunológica desperdiça recursos públicos e vidas humanas.
 
Tão preocupante quanto o avanço lento da vacinação em geral é o fato do Brasil está deixando para trás muitos daqueles que já deveriam estar totalmente imunizados. Isso deixa os mais vulneráveis menos protegidos, e pode ameaçar as oportunidades e a chance de sucesso do Programa Nacional de Imunização, que tem como principal objetivo atingir a imunização coletiva da população. Logo, não basta que eu tome a minha vacina, mas o coletivo precisa ter cobertura ampla. Afinal, vivemos em sociedade e o poder da imunização é a soma de muitas picadinhas.
 
É preciso realizar a busca ativa dos idosos pelos serviços de saúde e campanhas de esclarecimento.
 

Enfim, tudo isso evidencia não só a ausência de coordenação nacional, mas a tamanha irresponsabilidade do Governo Bolsonaro de tratar e proteger os brasileiros com respeito.  




domingo, 9 de maio de 2021

As técnicas do Boi 777.

 As técnicas do Boi 777: o pacote tecnológico que usa a ferramenta mais adequada para dada situação – genética, inseminação artificial, comida no cocho, divisão de piquetes e mão de obra.

- acelerar o animal, tornando-o produtivo, para chegar ao abate em 24 meses (e fazer a novilha parir aos 24 meses, a “precocinha”). Isso mesmo, uma vaca com 24 meses de idade e uma bezerra no pé, que também ficará prenha aos 24 meses de idade. Enquanto o animal estaria com a primeira gestação, ele já está na segunda e com a próxima no pé (precocidade e funcionalidade). É o que se tem de mais avançado e moderno na parte de cria da pecuária.

- Para que a precocinha consiga tal façanha, ela precisa emprenhar pela primeira vez aos 14/16 meses. E com o peso aproximado de 280 kg. Para atingir esses índices, usa-se um hormônio para antecipar o cio e também muita comida no cocho.

- Esse conceito de boi desafia o criador a conseguir em cada uma das etapas de CRIA, RECRIA e ENGORDA, totalizando 21 arrobas num prazo de 2 anos.

- O pecuarista, de alguma forma, terá que aplicar mais tecnologia na sua fazenda.

- cada arroba (@) corresponde a 15 kg. No caso da criação de gado de corte ela é calculada sem o peso do sangue, do couro e das vísceras. De um boi vivo, por exemplo, carne e osso equivalem de 50% a 56% do animal – essa é a chamada carcaça, o produto que o pecuarista negocia em arroba com o frigorífico.

- quanto se gasta e como se gasta?

- a pecuária de corte tradicional vem perdendo rendimentos ao longo dos anos. O custo de produção vem aumentando ano após ano, enquanto o valor relativo da arroba vem caindo. Antes, quando se vendia um boi, sobrava um lucro líquido de 50%. Hoje, é de 10% a 13%. Apertou a conta! É preciso se moldar à realidade de hoje.

- com a margem de lucro, o caminho é fazer da criação, uma atividade cada vez mais profissional.

- um boi bem criado no campo impulsiona a venda para diversos mercados. E isso facilita as negociações com o frigorífico, que por sua vez consegue atender os requisitos dos compradores.

- hoje a qualidade entrou no jogo. O boi vale quanto ele pesa e vale também o que se entrega. O animal de maior qualidade vale mais.

- A China compra animais de 30 meses abaixo, a mesma exigência da Arábia Saudita.

- para a carne atingir o padrão de qualidade exigido pelo frigorífico, o trabalho nas fazendas dura pelo menos 2 anos.

- o mundo da pecuária de corte está dividido em 3 grandes grupos de produção, que correspondem às fases da vida dos animais:

1ª) CRIA (7@ em 8 meses – infância): do nascimento até a desmama do bezerro; Aqui a vaca ganha importância, pois a meta é uma boa cria (melhorar a performance das fêmeas). No lugar do touro, a inseminação artificial, aumentando a velocidade de ganho genético em características, tais como: ganho de peso, conversão alimentar (o animal transforma o que come em carne, de forma mais eficiente), qualidade de carcaça (um produto mais macio e saboroso) e precocidade.

2ª) RECRIA (7@ em quase 1 ano - adolescência): começa quando o bezerro é separado da vaca, e prepara o gado para o último momento, antes do abate; o desafio da recria é dar continuidade ao ganho de peso que os animais alcançaram depois da cria. É preciso evitar o “efeito sanfona”, o tal engorda e emagrece, o terror da pecuária. Logo, a marca dessa fase é manter o ritmo de crescimento dos animais. A palavra é suplementação (é uma sequência que torna a ração obrigatória como complemento de proteínas, energia, minerais e vitaminas). A quantidade de cada ingrediente e o peso total disponível no coxo, que varia com a qualidade do lote e as metas do criador. De um modo geral, a fase da recria pode ser considerada a adolescência do animal. A recria é a etapa mais longa da criação. Dá um foco na adubação e no manejo mais afinado para garantir pasto farto (sai do extensivo para o intensivo). Pasto + suplementação proteica energética.

3ª) ENGORDA (7@ em 100 dias num sistema de semi-confinamento à base de pasto + ração):  acabamento de carcaça. De um boi vivo, por exemplo, carne e osso equivalem de 50% a 56% do animal. Entrega-se um boi mais bem acabado e cuidado. Antes você engordava dano o alimento na percepção do olho, hoje é tudo sob medida. Assim, o animal chega a ganhar 1,7 Kg/animal/dia. O ganho dele compensa o gasto. O sucesso da engorda é uma continuação do sucesso das etapas anteriores.

- as estimativas hoje do rebanho brasileiro que adota algum tipo de tecnologia e estratégia de suplementação está na ordem de 25% do rebanho. Tanto é que nossa produtividade média não chega a 5 arrobas por hectare/ano.

- Como a tecnologia pode melhorar a Criação de Gado?

- 1 boi de 21 arrobas aos 2 anos de idade! Muito peso para pouco tempo!!!

- técnicas modernas que ajudam o criador de gado a aumentar a produtividade do seu rebanho. O trabalho envolve todas as etapas da criação:

a)      o Brasil é o maior criador de gado comercial do planeta!

b)      A cadeia produtiva da carne no Brasil movimenta por ano...

c)      Para modernizar a pecuária o produtor gasta mais, só que os custos são compensado pelo maior giro de animais na propriedade.

d)     O cálculo é feito por hectare e não por animal.

Enfim, quando você acostuma com algo melhor é muito mais difícil voltar. Antigamente você vendia o boi, hoje não, hoje se vende a carcaça do boi. É uma eficiência que vem como uma somatória de fatores – genéticos, manejo, alimentação e equipamentos. Tudo para viabilizar carne de qualidade. O que mais manda no pacote é a gestão. Cada um na sua velocidade e no seu ritmo. A pecuária exige evolução para quiser investir nessa atividade.