Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 9 de março de 2020

A Árvore da Vida & A Árvore da Educação

Por Neilton Lima.

Era uma vez duas lindas e importantes árvores. A primeira era a Árvore da Vida, generosa e solidária. Esta árvore tinha uma copa alegre e animada porque o vento vivia agitando as suas folhas, uma copa chamada de Ana. Esta copa ficava na ponta de um tronco, que a sustentava, chamado de Tourinho. Este tronco, por sua vez, tinha raízes que ficavam juntas, bem juntas, juntinhas de um lindo rio, chamado de Junqueira. Esta árvore retirava e estocava (guardava) a poluição do ar, ela absorvia o gás carbônico durante o dia, que é o ar poluído com dióxido de carbono, e expirava o oxigênio, o gás limpo que respiramos. Esse ar limpinho era chamado de Ayres.

Se juntarmos todas as partes dessa “Árvore da Vida” ela formará outra árvore, a “Árvore da Educação”. Sabe por quê? Porque...

1.       Qual o nome da copa Agitada, Alegre e Animada da Árvore? Ana.
2.       Qual o nome do Tronco da Árvore? Tourinho.
3.       Qual o nome do rio Junto ao qual fincavam as raízes? Junqueira.
4.       Qual o nome do Ar limpinho que era produzido por essa Árvore? Ayres.

Portanto, a “Árvore da Vida” dava origem a “Árvore da Educação”, chamada de Ana Tourinho Junqueira Ayres. Se essa árvore for cuidada, regada e protegida ela vai dá flores e frutos. Essas flores e frutos são chamados de respeito, amor, proteção, cuidado, responsabilidade, sustentabilidade, união, vida, compromisso, parceria... Que por sua vez cairão na terra, irão germinar, brotar novas plantinhas que irão crescer e se transformar em novas árvores, tanto em “Árvores da Vida” como em “Árvores da Educação”.

Mensagem ou moral da história. Essa metáfora nos ensina que tudo está ligado, tudo está interligado na natureza e na vida. As árvores também são seres vivos. Nós dependemos das árvores para sobreviver, assim como dependemos uns dos outros. Dependemos dos seus frutos e do ar limpo que respiramos. Assim, o que fizermos de mal para as nossas amigas e generosas árvores, estaremos fazendo de ruim para nós mesmos. Que as “Árvores da Educação” salvem as “Árvores da Vida” para que as “Árvores da Vida” continuem salvando as “Árvores da Educação”. Então, uma... “Boa aula para todos!”.

(Texto escrito pelo Coordenador pedagógico: Neilton Lima da Silva).


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O que aconteceu com o “Bolsa Família” em um ano de governo Bolsonaro?


Uma grande jogada: o Governo usou o argumento de combate às fraldes para passar um pente fino. Nem o argumento da crise fiscal justificaria o esfacelamento do programa. E ainda há a ameaça de reformulação que ainda não está clara de como e quando será.  

Principal Programa Social do Brasil, do qual 01 em cada 05 brasileiros depende para sobreviver, tem lugar especial na fala dos políticos, e não foi diferente quando Jair Bolsonaro disputou a presidência. Porém, uma vez instalado o Governo, a ordem foi fazer um pente fino no cadastro do Programa, na suposta busca por irregularidades. Na metade do ano, a nova gestão introduziu o 13º, ainda não garantido para os próximos anos. A anunciada revitalização do programa, por enquanto, é só “uma palavra”. Na vida real, o que se tem são filas tentando obter o benefício. O número de beneficiados caiu, e a fila dos que esperam ser incluídos no programa tem hoje cerca de 500 mil pessoas.

A fila que está se desenhando no Programa Bolsa Família é tão grave quanto a fila do INSS. O programa vem se definhando, tanto no número de famílias beneficiadas, quanto nos valores mensais repassados e até mesmo na quantidade de benefícios. O Governo Bolsonaro tem dado muitas justificativas, nenhuma delas tem sido aceitável diante da realidade.

Comparando os números de 2018/2019... 14,1 milhões de famílias beneficiadas em Dez/2018. Já em Nov/2019 com 13,2 milhões. Ou seja, uma diferença, para menos, de -953.197 famílias (quase 1 milhão a menos de famílias beneficiadas). Comparado o valor mensal repassado de 2018/2019, ele foi reduzido de R$ 2,6 bilhões para R$ 2,5 bilhões. Sabemos que o Bolsa Família tem diversos tipos de benefícios: benefício básico, benefício variável, para a gestante, para o jovem... Houve aí também uma queda de Dez-2018/2019 de 41,1 milhões de benefícios para 38,9 milhões. Com uma redução do número de famílias, de benefícios e também do valor mensal repassado, o programa despencou no Governo Bolsonaro.

Qual a diferença de “extrema pobreza” e “pobreza” no Brasil? É “extremamente pobre” a pessoa ou família com renda de até R$ 89,00 per capta (por pessoa). Quem está acima disso e abaixo de R$ 178,00 é considerado “pobre”. A lógica de ajuda dos benefícios para essas famílias “extremamente pobres” é que ajudem a elas a alcançarem pelo menos esses R$ 89,00. E, para as famílias pobres, é variável pelo número de crianças e jovens. A média do Bolsa Família hoje é de R$ 190,00 para toda a família. Para isso, as crianças precisam frequentar 85% das aulas e estar com as vacinas em dias.

Como funciona o cadastro do Bolsa Família? A família extremamente pobre ou pobre, vai até um posto de atendimento da prefeitura e preenche um cadastro único do Governo Federal. Uma das coisas que ela responde é “qual é a renda dela naquele mês?” (é uma renda autodeclarada). O Governo faz um processo de verificação para saber se o que foi declarado faz sentido – é o “batimento” que cruza a informação com várias outras fontes de dados. E aí por diante o Governo autoriza ou não o pagamento.

Nos últimos anos, o Bolsa Família tem gerado um custo de R$ 31 bilhões de reais. Parece muito, mas é apenas 0,4% do PIB do Brasil. E ele beneficia mais de 13 milhões de famílias. Assim, do ponto de vista Federal é um programa pequeno e barato. Vários Governos que passaram, gastaram 300 a 400 bilhões de reais ano pagando juros de dívida sem tentativa de corrigir as desigualdades. Lula pegou apenas 10 bilhões e atingiu 40 milhões de famílias. Sabemos que o Bolsa Família nasceu em 2003, no Governo Lula, da junção de diversos programas sociais. É um dos melhores programas com custo benefício de transferência de renda do Brasil: chega nas pessoas que mais precisam (70% dos recursos do Bolsa Família chegam nos 20% mais pobres), deixa pouca gente de fora, alivia a pobreza das famílias carentes, incentiva as crianças a irem para a escola, não tem consequências negativas no mercado de trabalho (como queriam provar o “efeito preguiça”), melhora a frequência e o aprendizado na escola, bem como a saúde dessas crianças, além da queda da mortalidade infantil, etc.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Livro 01: E o Dente ainda Doía.


É um livro de ficção, escrito e ilustrado pela gaúcha Ana Terra, da edição especial da Fundação Itaú Social, editora DCL (Difusão Cultural do Livro), editado em São Paulo no ano de 2012.

Ele conta a história do coitado de 01 Jacaré que sofria de algo horrível. Quem descobriu que se tratava de uma forte dor de dente foram 02 coelhos ligeiros. Um deles receitou roer uma cenoura, mas não resolveu. 03 corujas entraram na conversa e sugeriram que usasse um graveto para cutucar o dente bem forte, mas, ainda assim, a dor persistiu. Foi então que chegaram bem quietinhos 04 tatus e indicaram ao Jacaré que mordesse um pedregulho... E o dente ainda doía! 05 patinhos saíram da água para ver, mas nem com um carinho conseguiram resolver. Será que a dor passaria se cobrisse o dente dolorido do Jacaré com um pedaço de sabão? Não! Essa ideia foi dos 06 ratinhos e também não solucionou. 07 toupeiras surgiram de um buraco e recomendaram ao Jacaré que mastigasse uma raiz-forte, mas ele não ficou bom. Será que uma mosca lambida seria o melhor remédio? A ideia foi de 08 sapos que também não conseguiram curar o pobre Jacaré. Foi então que uma família grande de 09 esquilos receitou um punhado de nozes, mas ainda assim, o dente causava dor. Parece que agora vai: 10 passarinhos vieram tentar resolver o problema, e receitaram ao Jacaré que botasse uma pena no focinho. Não foi, o dente ainda incomodava.

“Mas nada resolvia. O Jacaré roía a cenoura, cutucava com o graveto, mordia o pedregulho, recebia carinho, cobria o dente com sabão, mastigava raiz-forte, lambia a mosca, colocava nozes na boca, botava a pena bem na frente do nariz... E o dente ainda doía!”.

Calme aí... Depois de sofrer tanto e aplicar nove receitas diferentes, uma delas parece ter surtido algum efeito... O Jacaré bufou, ficou ofegante e espirrou. O dente, junto com toda aquela panaceia, foi cair bem longe. Parece que a pena receitada pelos dez passarinhos fez uma coceirinha no nariz do Jacaré, e o incômodo o fez espirrar. No impulso do espirro o dente se soltou, e finalmente a dor passou. Agora o Jacaré já podia matar a fome que sentia com um bom lanchinho. E toda a bicharada deu no pé. Claro, néh? Ninguém (0 – zero) quis ficar por perto para ser o almoço dele.

Há males que não podemos remediar. Então, é preciso extrair eles de uma vez por todas das nossas vidas.

Uma criança possui 20 dentes de leite ou dentes decíduos; já um adulto tem 32 dentes permanentes. Cada um deles necessita de cuidados, como alimentação saudável e hábitos de escovação. Aliás, nossa autora Ana Terra só tem 31 – acho que ela perdeu o outro em algum lugar.

Leia para uma criança! Essa foi uma ótima escolha, então tenha uma ótima leitura!

#issomudaomundo.


Livro 02: O Sonho de Tebi.


É um livro de literatura infanto-juvenil da pedagoga mineira Frances Rodrigues Pinto, ilustrado por Márcio Luiz de Castro, da Editora FAPI, 2003. Apaixonada por literatura infantil, a autora escreveu as coleções “Francesinha”, “Divertindo-se com os Numerais” e o “Dia a dia do Professor – Datas Comemorativas”.

Tebi é um garoto que sonha em ser astronauta para poder viajar pelo Universo e conhecer todos os planetas do nosso Sistema Solar (além da Terra, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), e a Lua. Todas as noites, ele ficava namorando as estrelas e quando avistava algum astro cadente, fazia o pedido de realização do seu grande sonho. Porém, Tebi era um aluno que não gostava de estudar, pois a sua preocupada mãe sempre o alertava para se dedicar mais aos estudos e parar de viver no mundo da lua.

Certa vez quando observava o céu noturno e pensava sobre seu grande sonho, uma luzinha muito brilhante ofuscou os olhos de Tebi, e ele desmaiou. Ao acordar, deparou-se com o lindo cometa Cabeleira, que havia sido enviado pela amiga estrela cadente. Parece que o pedido de Tebi havia sido atendido, e o desejo dele estava prestes a ser realizado. Tebi subiu na cauda do Cometa e fez um passeio inesquecível pelo espaço – cruzou a imensidão do céu e avistou de perto tudo o que existia nele.

O cometa Cabeleira e Tebi se depararam com a estrela cadente, que deixou o garoto de olhos bem arregalados. A estrela o cumprimentou e esclareceu o que estava acontecendo, por meio de uma boa conversa. A estrela disse que não só havia ouvido o pedido dele, como também observava tudo o que acontecia na Terra, inclusive a falta de gosto e dedicação aos estudos do garoto. Tebi ficou envergonhado com o sermão da estrela, e se deu conta que precisa modificar seu modo de ser e se dedicar mais aos estudos. Como foi um bom garoto, a estrela cadente permitiu que ele desse uma volta pelo espaço na cauda do amigo cometa Cabeleira para realizar o que sempre quis: conhecer um planeta de cada vez.

Ao chegar em casa, Tebi passou a duvidar sobre o que havia imaginado. Tudo teria sido um simples sonho ou realidade? Mas, ao olhar pela janela, viu o cometa cabeleira indo embora. Foi então que o garoto passou a cumprir o que havia prometido para a estrela cadente, e começou a estudar com entusiasmo. O tempo passou e o garoto Tebi se tornou um grande astronauta. Toda vez que ele ia para o espaço, visitava os amigos que havia feito por lá. E Tebi tirou uma grande lição de vida da sua própria história: “Eu consegui chegar até aqui porque acreditei no meu sonho. Se você tem um sonho, não desista dele. Basta acreditar e estudar, que um dia ele irá se realizar”.

Quando uma “estrela cadente” não for o suficiente para realizar os nossos sonhos, precisamos estudar muito para terminar de concretizá-los. Afinal, não basta desejar, precisamos batalhar pelo que queremos ser e ter.


Livro 03: Uma Tartaruga a mil por hora.

É um livro infantojuvenil da escritora e fonoaudióloga Márcia Honora e ilustrado por Lie A. Kobayashi, impresso na China em 2008, da Editora Ciranda Cultural das Diferenças, localizada em São Paulo.

Existem tartarugas grandes e pequenas, que vivem em aquários e preferencialmente livres no mar. Dizem que a má fama delas é a lentidão. Pois bem, esse não é caso do rápido e agitado Tobias. Na Escola Concha da Alegria, que fica no fundo do mar, todas as tartarugas passam por lá para aprender tudo o que precisam saber para viver. E foi justamente lá que a preocupada mãe de Tobias o matriculou, deixando a diretora e todos os demais ansiosos por conhecê-lo. No seu primeiro dia de aula, Tobias aprontou: já entrou na escola correndo, apressado demais para o que era considerado normal e, antes mesmo que sua calma e paciente professora, a Dona Tânia, o apresentasse aos seus novos amigos, lá estava ele correndo dentro da sala de aula. 

Nem deu tempo a professora Tânia ensinar as regras da nova escola, e Tobias virou toda a sala de pernas pro ar. Por onde ele passava ficava um rastro de bagunça, deixando a todos assustados com sua alta agitação. Ninguém conseguia segurar o Tobias, nem fazê-lo ficar sentado na carteira. Sem mais recursos, a sábia professora teve a atitude de chamar a mãe do Tobias para conversar e ela contou que ali já era a terceira escola que ele frequentava, e que já havia levado o filho ao médico, o qual receitou um remedinho para diminuir toda aquela agitação. Ambas não gostaram da ideia do médico, e decidiram tentar outra estratégia: “colocá-lo num curso de natação na superfície para que gastasse as energias”. A ideia transformou Tobias – ele se transformou num excelente nadador, e venceu todas as competições de que participou. A tartaruguinha frequentou a Escola Concha da Alegria por algum tempo e, além de um aluno mais tranquilo, se transformou num verdadeiro campeão.

Às vezes, o melhor remédio para os nossos problemas é uma simples chance de construção. Precisamos investir nossas energias em algo bom e produtivo, transformando o caos em oportunidades de crescimento. Afinal, por trás de aparentes desordens podem esconder grandes talentos.

Você é mais agitado ou tranquilo? É mais paciente ou inquieto? Nem toda agitação excessiva é sinal de transtorno, mas quando é constante e extrapola todos os limites é sinal de alerta. Por exemplo, o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é uma desordem neurobiológica, de causas genéticas, caracterizado pelos sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Como consequências, principalmente na infância e na adolescência, a pessoa apresenta mais problemas de comportamento e dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores, sobretudo por não respeitar regras e limites. Para agravar ainda mais o quadro, a falta de um diagnóstico cauteloso e de acompanhamento por profissional leva ao preconceito, rotulando o portador de “avoado”, que “vive no mundo da lua” e, geralmente, sendo taxado de “estabanado”, “bicho-carpinteiro” ou alguém “ligado na tomada” (isto é, não para quieto por muito tempo).

Falta de atenção e foco virou doença. O nome? TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. A suposta solução? A “droga da obediência”. O remédio tarja preta ou a famosa Ritalina (cloridrato de metilfenidato), do qual o Brasil é o segundo maior consumidor do mundo (atrás apenas dos EUA), é receitado ou muitas vezes oferecido “off label” (sem receita). Psiquiatras culpam o cérebro; profissionais culpam a escola ou a família, outros, a sociedade. Entretanto, nenhum medicamento no mundo daria conta da complexidade que é o processo de atenção de aprendizado de uma criança, que sabemos envolver vários fatores como afetividade, desejo e outras tantas representações que a criança cria. Talvez a Ritalina ou ouras docas tenham sua importância e função na dose certa indicada pela área medicinal, desde que havendo diagnósticos profissionais corretos e prescrições responsáveis. O que não se pode é confundir diferenças com doenças e, muitas vezes, o melhor remédio na educação é o esporte, a ludicidade, os jogos e brincadeiras, as produções artísticas, a música, a dança, o respeito às diferenças e a capacidade de lidar com elas, e todas as atividades capazes de transformar agitação em talentos.



terça-feira, 23 de julho de 2019

Saúde privada.

Desde 2014, foram 3 milhões de brasileiros que deixaram os Planos de Saúde. Muitos deles perderam esse benefício porque ficaram desempregados. E quais são as opções para quem não quer ficar dependendo da fila longa do SUS? Clínicas Populares e aplicativos (de múltiplas especialidades, mas sempre com um PREÇO a pagar) para marcar consultas. São empresas interessadas em dinheiro, usando a estratégia de preços mais acessíveis.

Sem emprego, sem plano de saúde, muitos recorrendo ao SUS... No meio de tudo isso, a população jogada aos cães do mercado. Tanto que o número de clínicas especializadas em saúde vem disparando em todo o Brasil (veja a foto).

E o que faz o Ministério da Saúde do atual Governo diante da voraz iniciativa privada? Nada, aliás, com o abandono da eficiência pública tem estimulado a saúde privada. Cadê os investimentos nas Equipes de Saúde da Família? Onde está a ampliação de verbas para os municípios que estenderem o horário de atendimento da população (isto é, investimento na eficiência da iniciativa do serviço público)? Ou seja, existem muitas outras formas de melhorar o serviço público de saúde da população, mas, o povo foi abandonado à própria sorte (e à fome de lucro das empresas particulares).

Com Bolsonaro ficou assim: as pessoas jogadas à margem do sistema e, ainda assim, sugadas por ele até a morte, no seu momento de maior vulnerabilidade.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Esse é o melhor momento para dá mais dinheiro para as Campanhas Eleitorais Municipais?


O Congresso pode mais que dobrar o valor do dinheiro do Fundo Eleitoral a ser gasto nas Eleições Municipais do ano que vem (muito mais do que da eleição presidencial do ano passado!). A justificativa? São 5.700 municípios (com vários candidatos a vereadores e prefeitos com um país que tem 35 partidos).

Bota dinheiro para as campanhas eleitorais, falta dinheiro nas outras áreas como, saúde, segurança e nossa calejada Educação. Mas, para isso tem reformas, neh? Povo descarado!


terça-feira, 9 de julho de 2019

Nosso país é um dos mais violentos do planeta!


Olhando nos mapas veremos o quão crítica é a situação do mundo e na nossa região. A quantidade de pessoas assassinadas no mundo todo (464 mil) no ano de 2017 ultrapassa o número de pessoas mortas em conflitos armados e atos de terrorismo (89 mil mortes). As Américas Central e do Sul têm as piores taxas de homicídio do planeta!

Ou seja, 01 em cada 07 homicídios no mundo ocorre aqui no Brasil. É o que aponta as Nações Unidas. E entre os vizinhos, o Brasil só fica atrás da Venezuela!!!

As estatísticas da violência por aqui são bem grossas. Também possuímos uma das maiores taxas de mortes de civis por policiais. A polícia brasileira é uma das que mais matam no mundo (e morre um bocado também, dos dois lados). No ano de 2015, a quantidade de mortes atribuídas a policiais foi de 1.599 (Fonte: Escritório da ONU para Drogas e Crime).

O número geral de homicídios no Brasil passou de 26 mortes/100 mil habitantes (em 2012) para 30,5 mortes/100 mil habitantes (em 2017). Entre os anos de 1991-2017 tivemos 1,2 milhão de pessoas assassinadas no Brasil!

E todos esses dados surgem no momento em que Bolsonaro empurra para a sociedade brasileira a flexibilização da posse e do porte de armas. As pesquisas mostram que, quanto menos armas em circulação, menos crimes (sobretudo os homicídios que, aqui no Brasil, 72% deles envolvem armas de fogo).

Assim, fica uma questão no ar: nessa agenda, podemos apontar o aumento das armas em circulação (flexibilização da posse e do porte) como um solução para a segurança pública e a redução dos homicídios?
Clique sobre as imagens para ampliá-las.

domingo, 7 de julho de 2019

PARTE I: Política é fazer supermercado.


Se eu pudesse comer o que quisesse e na hora em que quisesse e o quanto quisesse, não haveria fome. Do mesmo modo, se todos pudessem ter o que quisessem na hora em que quisessem, não haveria aquilo que chamamos de política. Política é uma atividade complexa porque tem diversas maneiras de ser compreendida (é um conceito multirreferencializado, diria Roberto Sidnei Macedo).

Não somos como as plantas privilegiadas, que realizam a fotossíntese. Se não temos a capacidade de autoproduzir o próprio alimento, precisamos exercer a árdua atividade de trabalhar. Assim, podemos concluir que a experiência humana nunca nos dá tudo o que queremos. Por isso mesmo, há concorrência, embates, fazemos concessões e, muitas vezes, temos de lutar pelas coisas. É no centro dessa luta que está a atividade política, onde se encontra o desenvolvimento de ideias e conceitos que nos ajudam a estabelecer o que queremos e a defender nossos interesses.

Podemos então dizer que certas ideias e conceitos, isto é, o desenvolvimento de uma linguagem para explicar e justificar nossas demandas (como fazer a feira ou “supermercado”) e para desafiar, contradizer ou satisfazer as dos outros (o almoço compartilhado): é a própria atividade política. Quer dizer, essa pode ser uma linguagem de interesses, tanto de indivíduos quanto de grupos, ou pode ser a linguagem de valores, tais como direitos e liberdades ou divisão igualitária e justiça. Ou seja, no final das contas política é uma feira de supermercado feita com uma incógnita:

Comeremos o banquete sozinho ou chamaremos outros para dividir a comida?

PARTE II: Quando comemos juntos, comemos mais felizes.

“Política é fazer supermercado” sugere que a política possa ser reduzida a questões tais como quem fica com o quê, onde, quando e como. Até aqui, a política foi apenas a luta para satisfazer as necessidades materiais em condições de escassez. Mas, isso não é tudo. Há algo mais...

A vida política é em parte uma resposta necessária aos desafios da vida cotidiana e o reconhecimento de que a ação coletiva é quase sempre melhor que a individual. Quem disse isso foi o filósofo Aristóteles: “O homem é por natureza um animal político”. Ou seja, o homem é melhor numa sociedade complexa do que abandonado e isolado. E algo mais profundo ainda: existe algo essencialmente humano a respeito das perspectivas de como as questões de interesse público devem ser decididas. O que isso significa? O prazer, a satisfação e a felicidade em compartilhar o banquete. A política é a nobre atividade na qual os homens decidem as regras pelas quais viverão e os objetivos que querem buscar coletivamente. Nas palavras do próprio Aristóteles: “A sociedade política existe com a finalidade das nobres ações, não por mero companheirismo”.

Estamos falando do direito de governar a si mesmo e aos outros com nobres ações. Mas, com quais fins? E aqui retornamos à perspectiva multirreferencializada de Roberto Sidnei Macedo. Ou seja, há muitas repostas...