Quem sou eu

Minha foto
São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
Obrigado pela visita! Volte Sempre!

"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

Arquivos do blog

domingo, 13 de abril de 2025

Esquerda Fascista?

 

Se for pesada ou exagerada a expressão “esquerda fascista” aceite pelo menos então uma “esquerda” liberal prostrada e oportunista.

A “esquerda” não pode alimentar a direita!

Um avanço não pode ser contido justamente por quem o promove. 

A menos que seja uma “esquerda fascista”

ou esteja passando por um dramático processo de degeneração política e teórica. 

“A cadela do fascismo está sempre no cio” (Bertold Brecht).

Mas, se a linguagem contratual é um típico instrumento de mercado, característico das relações comerciais e que tem moldado o Estado à imagem e semelhança de uma empresa, precisaremos ir além dos contratos. Esses que servem, na verdade, de blindagem aos interesses privados. Aos que defendem direitos, precisam transpor a sua luta apenas aos órgãos públicos competentes para também os seus acionistas, exigindo prestação de contas e uma efetiva ampliação e melhoria do serviço.

O confronto direto com a classe proprietária destes grupos financeiros seria, portanto, condição necessária para que a luta dos setores populares seja capaz de restaurar, em alguma medida, o poder político-institucional em favor do enfrentamento das desigualdades e da efetivação de direitos. Trata-se de uma estratégia incontornável para que se avance, de forma efetiva, na construção de um poder político comprometido com a classe trabalhadora e não com o grande poder privado.

“Voltar às bases” será, sim, prioritário, mas tendo a clareza contra o quê e porquê lutar.

 

A constatação de que há uma crise na esquerda não é nova.

·       Qual seria a sua principal explicação: o distanciamento e o descolamento em relação aos setores populares e à organização das lutas sociais;

·       As estratégias da esquerda sempre se pautaram pela (falta de) compreensão da dinâmica da acumulação capitalista e suas correlatas formas de dominação política em cada momento histórico. Isso se perdeu?

·       Há um processo de institucionalização dos setores progressistas. O que isso significa? Significa um descolamento das “bases”, mais efeito do que causa do emparedamento da esquerda. A crise no campo progressista é, antes, uma crise de horizonte, de projeto político. O “voltar às bases” depende, inicialmente, do reconhecimento dessa falta de horizonte.

·       Ninguém ignora que são várias as formas atuais de revolta, mais ou menos organizadas, das grandes massas exploradas no Brasil. Contudo, tais manifestações de revolta precisam ganhar um sentido político maior, na direção do questionamento das estruturas de dominação e exploração.

·       A carência de horizonte político se relaciona diretamente com a falta de clareza, de entendimento mesmo, sobre as formas atuais da dominação capitalista.

 

Se a política está sendo tomada pela economia, a recuperação do horizonte político da esquerda? O horizonte da luta social não pode mais se limitar a incidir somente sobre o aparato estatal (que vem assumindo cada vez mais uma feição empresarial). O horizonte político precisa se alargar, no sentido de abarcar a grande propriedade capitalista, ou seja, a contestação e o controle social devem alcançar, diretamente, a classe proprietária dos grupos financeiros.

Como o capitalismo está organizado na contemporaneidade? Precisamos de clareza e de entendimento das suas formas atuais de dominação.

Uma coisa é certa no Capitalismo: continuar sustentado na intensa exploração do trabalho. Mas, esse modus operandi passou por profundas transformações na passagem do século XX para o XXI.

1.     A hipercentralização da propriedade capitalista em agentes financeiros;

2.     Uma força na direção de desfazer a separação, forjada pelo próprio capitalismo, entre economia e política, mercado e Estado;

3.     Uma absorção, quase que total, da política pela economia, em que, de um lado, o Estado capitalista se estrutura e age como empresa e, de outro, grandes grupos privados assumem, abertamente, “poder de Estado”.

Consequências disso:

·       A atuação de grupos financeiros na prestação de serviços públicos essenciais privatizados, como nos casos da educação, saúde, saneamento, energia, transporte, previdência etc.

·       A definição da taxa básica de juros, que tem estrangulado há décadas o investimento público, pauta-se por projeções feitas por esses mesmos agentes financeiros.


O que seria uma “esquerda fascista”?

Uma “esquerda” no poder que não negocia se não for para engordar ou sobreviver.

·       Acha justificável a matança policial (na Bahia sair vitoriosa em sua competição com o Estado do Rio de Janeiro);

·       Chancela cortes no BPC de idosos e deficientes carentes;

·       Faz vista grossa à privatização de escolas públicas (PPP’s) com dinheiro do BNDES em São Paulo, em parceria com os companheiros bolsonaristas;

·       Fica sentada vendo, lendo ou só discutindo o povo sucumbir calado.

·       Convive nos tristes trópicos, com o aumento do terrorismo de Estado e a degeneração das condições de vida, tidos como velhos conhecidos, e vai levando sem qualquer vislumbre de diminuição das taxas de lucro, estas tidas como “aceitáveis”.

·       Encara como coerente com seus princípios, permitir a captura unilateral do direito ao FGTS da classe trabalhadora pelos bancos transnacionais, em nome do endividamento que os trabalhadores serão incentivados a fazer para garantir necessidades constitucionais?

·       Dá de ombros quando o vice-presidente nacional do PT promete como política de segurança em Maricá (RJ), que em seu mandato “bandido vai pra vala”, com direito a trilha sonora do filme Tropa de elite?

·       Julga anti-fascista um novo Teto de gastos versão PT, que torna as novas PPP’s o maior plano de privatização do investimento público da história industrial do Brasil, paralelo ao avanço de todos e cada um dos dispositivos da reforma trabalhista contra o povo?

·       Tem até senador da república, Fabiano Contarato (PT-ES), cobrando do governo do seu partido, o endurecimento da política nacional de segurança, propondo inclusive, “aumento do tempo de internação de jovens infratores”?

·       Naturaliza o aumento da musculatura das novas e velhas elites agrárias reacionárias, através de um Plano Safra anti-povo, que prioriza o agronegócio da direita e conduz ao aumento dos preços da cesta básica?

·       Tolera a demagogia mais oportunista sobre a tragédia palestina, enquanto chama imperialistas otanistas genocidas como Macron de “companheiro”, permite negócios entre a Petrobrás e o sionismo, e não move uma palha para revogar os abomináveis acordos militares entre Brasil e o “Estado” de Israel?

·       Que se vê contemplada por um orçamento público que mata por inanição os ministérios que concernem às demandas femininas, pretas e indígenas, proporcionando o sequestro destas pautas pela direita chamada de direita?

·       Admite transar com as ambições do mais profundo obscurantismo religioso, inaugurando templos e fomentando a expansão dos projetos políticos do neopentecostalismo de extrema direita que se prolifera velozmente?

·       Não reage diante da transformação dos brasileiros em cobaias humanas de incontáveis substâncias químicas industriais, proibidas mundo afora, mas toleradas pela ANVISA, dada a mais completa submissão cúmplice deste governo?

·       Que apoia a privatização de presídios? Mas não só isso, que fecha os olhos diante da transformação do encarceramento de pretos (as) e pobres no Brasil em empresa privada com dinheiro do BNDES? (Presídio de Erechim, RS, em 2023, entre outros). E que diante do inadmissível, se limita a repetir o surrado mantra de Breno Altman de que “é isso ou a volta da extrema direita, dada a atual correlação de forças”?

·       Não acredita que veremos novos 2013, novos 2017, com milhões de trabalhadores e estudantes mobilizados, tomando novamente as grandes avenidas do país, como sempre fizeram ao longo da história, já que o povo jamais sucumbiu calado.

 

O que a “esquerda raiz” ainda pode fazer?

·       Abandonar o discurso vitimista de que se trata simplesmente de “ódio ao PT” ou de “fazer o jogo da direita”;

·       Não acreditar que o problema é apenas a reconfiguração do mundo do trabalho e menos ainda uma suposta falta de combatividade do povo.

·       Acreditar que novos 2013 virão, novos 2017, com 40 milhões de trabalhadores (as) e estudantes (as) mobilizados inundando as grandes avenidas de nossas capitais. Foi ontem! E virão por uma simples razão: porque eles sempre vêm! Porque o povo jamais sucumbiu calado, não há precedente.

·       Impedir que a “esquerda” liberal prostrada e oportunista siga dominando os tatames onde lutamos, consumindo a pauta e a vontade de luta das massas capazes de recrutamento, em nome de uma esperança puramente eleitoralesca, abstrata e farsante.

·       Construir uma frente realmente popular por espaços concretos e crescentes de poder contra o capitalismo dependente, abolir as ilusões e impedir que os encantadores de serpentes encham o povo de medo é a nossa tarefa. É urgente superar o dualismo direita tradicional versus cosplay de esquerda, ou liberalismo tradicional versus “liberalismo de esquerda”.


Enfim, estamos diante da aceleração implacável de contradições imanentes à reprodução histórica do capitalismo, tais como endividamento generalizado e superprodução de mercadorias ou subconsumo. Diante disto, qualquer governo que se limite ao cínico debate de separar os banqueiros bons dos maus, deve ser combatido sem vacilação.

O velho Marx, olhando pra trás, dizia que a história se repete primeiro como tragédia e depois como farsa. Já tivemos as duas, e agora?

Por trás dos EUA x China.

 

Uma luta pelo controle das indústrias tecnológicas

que definirão a liderança global nas próximas décadas.

No tabuleiro geopolítico, a guerra tarifária dos EUA é uma estratégia para enfrentar o progresso tecnológico da China. E a resposta do dragão é de que não haverá concessões.  

Assim, o que está em jogo é o domínio da indústria tecnológica global.

E o combustível que alimenta todo esse processo tem um nome: “Minerais Críticos” (lítio, cobalto, grafite, terras raras e elementos do grupo platina).

Já sentimos que tecnologias críticas são essenciais para o crescimento econômico e a segurança nacional. Os EUA também já sentiram que sua capacidade tecnológica de competição está abalada pela China. Assim, a jogada de tarifas imposta por Donald Trump visa mais que abalar o comércio bilateral. O que realmente está em disputa é o domínio da indústria tecnológica global.

A China representa o maior desafio de ritmo enfrentado pelos Estados Unidos — ou seja, é a China quem estabelece o compasso em diversas áreas de capacidades estratégicas, e é esse ritmo que os Estados Unidos precisam superar para dissuadir os chineses. Logo, o epicentro desse embate está nas cadeias de suprimentos, altamente concentradas na Ásia, e no avanço chinês em setores estratégicos dos EUA como baterias, semicondutores, telecomunicações e inteligência artificial. Ou seja, a China está avançando no terreno tecnológico controlado pelos EUA.

O combustível que alimenta todo esse processo tem um nome: “Minerais Críticos” (lítio, cobalto, grafite, terras raras e elementos do grupo platina – insumos essenciais para tecnologias estratégicas, como baterias, veículos elétricos, eletrônicos e energia renovável). O maior desafio para os EUA não é apenas ampliar a produção tecnológica no território nacional, mas garantir sua integração e implantação efetiva, o que remete a esses minerais críticos (não são escassos, mas de alto risco de interrupção no fornecimento, seja por disputas geopolíticas, barreiras comerciais ou dependência de poucos países produtores).

Por que o “tarifaço” de Donald Trump foi chamado de “bullying econômico” por Xi Jinping? Porque é exatamente isso mesmo o que acontece. A estratégia de Trump é desestabilizar o mercado chinês diante de seus parceiros comerciais. A volatilidade de tarifas e retaliações compromete a construção de um ambiente tecnológico estável – terreno sobre o qual a China avança porque tem condições físicas e humanas para tal. O controle sobre a extração de minerais críticos, refino e exportação tem se tornado um instrumento de poder geopolítico, com a China exercendo liderança global em boa parte dessa cadeia.

Veja a indústria global de semicondutores, por exemplo, ela envolve uma cadeia interdependente composta por projetistas de chips, fundições, fornecedores de equipamentos e produtores de materiais espalhados por diferentes países. Empresas americanas como NVIDIA, Qualcomm e Intel lideram o design de chips avançados, mas dependem de fabricantes localizados em Taiwan e na Coreia do Sul, que por sua vez contam com equipamentos do Japão e da Holanda, além de materiais processados na China. Enquanto os EUA se concentram no design — segmento de maior margem de lucro —, a produção é terceirizada para fundições como a TSMC. Após a fabricação, os chips seguem para o Sudeste Asiático, onde são montados, testados e embalados, antes de serem enviados para fábricas no mundo todo.

Entendeu? Tarifas sobre importações da China, México e Canadá — somadas às aplicadas sobre aço e alumínio —, além das medidas retaliatórias de outros países, elevam os custos de produção nos EUA, introduzem incertezas no mercado e podem afetar decisões de investimento, além de desencadear respostas como as já adotadas pela China, incluindo restrições à exportação de minerais críticos.

Durante o primeiro governo de Donald Trump, foi idealizado o CHIPS Act — aprovado pelo Congresso norte-americano e sancionado por Joe Biden em 2022. O objetivo da medida é incentivar a produção de semicondutores nos Estados Unidos por meio de financiamento federal. O texto deixa claro que os recursos não poderão ser utilizados para construir, modificar ou ampliar instalações fora do território americano.

·       Vantagens dos EUA: inteligência artificial, design avançado de semicondutores, biotecnologia, produtos farmacêuticos, supercomputação e computação quântica.

·       Vantagens da China: criptomoedas, pequenos drones, comércio eletrônico, veículos elétricos, reconhecimento facial, fabricação de dispositivos móveis, ferrovias de alta velocidade, tecnologia hipersônica, energia solar e eólica, além de telecomunicações.

Os impactos:

·       Queda de 8,8% nas ações da Apple — empresa norte-americana que mantém mais de 90% de sua produção na China (a empresa ainda pode enfrentar até US$ 39,5 bilhões em custos tarifários);

·       Os Estados Unidos importaram, no ano passado, quase US$ 486 bilhões em eletrônicos — o segundo maior setor em volume de importações, atrás apenas de máquinas.

·       O foco dos fluxos comerciais da China está mudando gradualmente. Isso se deve, em parte, à estratégia de diversificação comercial adotada por Pequim nos últimos anos. Em 2024, as exportações chinesas para os Estados Unidos representaram 14,7% do total — uma queda significativa em relação aos 19,2% registrados em 2018. Ao mesmo tempo, cresceram as remessas para países do Sudeste Asiático e integrantes da Iniciativa Cinturão e Rota. De forma mais ampla, cerca de 30% das exportações chinesas em 2023 foram destinadas a países do G7, contra 48% no ano 2000. Para onde está migrando?

·       O setor de baterias exemplifica a capacidade da China de dominar indústrias globais por meio de eficiência e integração da cadeia produtiva. Empresas como CATL, BYD e Ganfeng Lithium lideram o mercado global a partir dessa base. A China detém a maioria das refinarias e fábricas de componentes essenciais, como ânodos e cátodos, e é responsável por três em cada quatro baterias de íons de lítio vendidas no mundo, segundo a Agência Internacional de Energia.

·       A CATL, um fabricante chinês de baterias e empresa de tecnologia, é o símbolo desse domínio. Fundada em 2011, cresceu 110% ao ano entre 2014 e 2022 e vem ampliando sua autossuficiência: metade do refino de insumos críticos já é feito internamente. Além disso, constrói fábricas a custos quase 50% inferiores aos dos rivais internacionais.

·       Enfim, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China escancara uma disputa que vai muito além do comércio: trata-se do controle das indústrias tecnológicas que definirão a liderança global nas próximas décadas.

Como a China ascendeu tanto tecnologicamente?

1.     altos investimentos em pesquisa científica de ponta;

2.     abundância de talentos em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM);

3.     agilidade na transição da produção de laboratório para o mercado;

4.     domínio sobre o processamento de minerais críticos;

5.     capacidade de escalar rapidamente a produção comercial;  

6.     acesso privilegiado a mercados ao redor do mundo, especialmente no Sul Global. Notavelmente, a China está profundamente integrada às principais cadeias globais de valor tecnológico;

7.     Por exemplo, a aparição da IA Generativa chinesa, DeepSeek, que mesmo diante das restrições dos EUA à exportação de componentes de alta tecnologia para a China, como o chip H100 da Nvidia (de ponta mais alta) e o chip H800 (de ponta mais baixa), ambos amplamente usados em IA, a China conseguiu superar esses obstáculos e avançar no setor;

8.     Combinando apoio governamental maciço e espírito empreendedor, o país conseguiu criar um ecossistema completo — ou “o dragão inteiro”, como chamam — em regiões como Sanhe, no sul de Guangdong, onde a produção é integrada, da matéria-prima ao produto final;

9.     As tarifas, longe de frear o avanço chinês, expõem vulnerabilidades estruturais dos EUA — como a dependência de cadeias de suprimentos externas e o domínio chinês sobre insumos estratégicos;

10.  Enfim, além de participações significativas no mercado interno altamente competitivo e eficiente.

Para enfrentar esse desafio, não bastam medidas protecionistas. Será necessário um esforço coordenado de investimento em inovação, reindustrialização tecnológica e segurança de suprimentos.

sábado, 12 de abril de 2025

Árido.

 

"Se aprendesse qualquer coisa, necessitaria aprender mais, e nunca ficaria satisfeito."Graciliano Ramos, Vidas secas.


·       Contar as histórias de um povo que ainda, sob muitos aspectos, encara os mesmos desafios: fome, miséria, solidão, violência e abandono.

·       A permanência no tempo é a mais evidente das formas de consagração de um escritor, porém o reconhecimento definitivo de sua importância só ocorre quando ele passa a influenciar outros autores, transformando-se de simples narrador em fonte de inspiração.

·       Brasil de coração árido.

·       Transporta-nos àquele ponto de convergência em que ser pessoa e ser bicho se confundem, onde violência e compaixão se revezam, um lugar no qual reina a desesperança e o esquecimento.

·       Uma casa que não chegou a ser um lar.

·       A literatura brasileira segue viva e escaldante como sempre?

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Áreas de Mineração abandonadas.

 

Quase 4 mil áreas (3.943) de mineração estão abandonadas no Brasil. Boa parte delas (33 mil hectares) em garimpos ilegais em terras indígenas e unidades de conservação. Exposição de lençol freático e danos à paisagem.

A Lei exige que as áreas degradadas sejam recuperadas. Quem começa o projeto é o primeiro responsável. O Estado tem que fiscalizar e cobrar a recuperação. Enfim, não podemos falhar e virar um cemitério de minas abandonadas.




Produtividade no Brasil.

O que cada profissional precisa fazer? Ganhar tempo e aumentar o fazer.

Dividir o PIB pela quantidade horas trabalhadas ou pelo número de trabalhadores brasileiros. O resultado é a produtividade.

Se a produtividade não é alta, as empresas querem aumentar as horas de trabalho, o que implica aumenta de custos. Os preços são repassados aos produtos e isso gera inflação.

É preciso melhorar a escolaridade, nossa infraestrutura é deficiente, o sistema tributário é ruim, fechados ao exterior.


PINÓQUIO

Criança teimosa, crédula e seduzida pelo prazer.

A verdadeira natureza sombria de uma das histórias infantis mais violentamente suavizadas.

“A história original de Pinóquio não é sobre diversão ou magia. É sobre desobediência e punição, culpa e redenção. A madeira viva representa o instinto bruto, egoísta e infantil. A humanidade é um prêmio concedido não por bondade inata, mas por sofrimento, disciplina e sacrifício. Pinóquio é um conto sombrio, brutal e moralista, que fala mais aos adultos do que às crianças. Um reflexo de uma Itália ferida, de uma sociedade que acreditava que só a dor educava. E mesmo hoje, mais de um século depois, ele continua a nos lembrar que nem toda transformação é bela – e que a inocência perdida às vezes precisa morrer para que nasça o caráter”.

- foi um símbolo de rebeldia, castigo e transformação moral através da dor;

- nasceu com o propósito de educar através do choque – e não do encanto;

- foi publicando originalmente em 1881, e a Itália recém-unificada enfrentava pobreza, analfabetismo e desigualdade.

- Carlo Collodi, conhecedor das falhas sociais e morais da época, transformou Pinóquio num espelho torto da infância abandonada e da pedagogia punitiva.

- Um pedaço de madeira grita quando um velho marceneiro (Mestre Cereja) tenta talhá-lo. Ele é entregue a um homem pobre e mal-humorado (Geppetto), que deseja construir uma marionete para ganhar dinheiro como artista ambulante. Ao esculpi-lo, ele toma vida (Pinóquio) e debocha do seu criador (que é preso pela polícia). Sozinho em casa, Pinóquio encontra o Grilo Falante (“Meninos desobedientes e ingratos terão fim trágico”). Mata o grilo com uma martelada (a cena representa o assassinato simbólico da consciência moral – e início da jornada caótica). Sozinho, faminto, queima os pés ao se aproximar do fogo. Geppetto retorna da prisão, encontra o filho descalço e arrependido. O perdoa. E compra um abecedário. Mas o boneco troca a escola por um teatro de marionetes. E é capturado pelo diretor Mangiafuoco, que ameaça queimá-lo. O boneco o comove com sua história e ganha 5 moedas de ouro. Surgem aí 02 dos personagens mais traiçoeiros da literatura infantil: 1) a Raposa manca: estelionato 2) o Gato cego: exploração da inocência. Eles convencem Pinóquio de que há um “Campo dos Milagres”, onde se ele enterrar suas moedas, crescerá uma árvore de dinheiro. Pinóquio cai no golpe, tenta resistir ao roubo e acaba sendo enforcado numa árvore. Ele termina balançando, com a língua para fora, à beira da morte – um final trágico.

- O público pressiona Collodi a continuar a narrativa. Bem: Pinóquio é salvo por uma misteriosa “Fada de Cabelos Azuis”. Mas, mente para ela e seu nariz cresce grotescamente. A Fada pune, desaparece, testa, “morre”, volta, mente, repreende – é o símbolo da moral punitiva e mutável. E promete: se Pinóquio for bom, tornar-se-á um menino de verdade. Mas a promessa é condicionada a obediência total. O boneco tenta mudar, mas se junta a um amigo (Lucignolo) e vai para o “País dos Brinquedos”, onde as crianças vivem sem regras. O preço? Se transformar em burros – literais (metáfora do embrutecimento moral). Pinóquio/burro é vendido para um circo, espancado e forçado a fazer truques. É jogado ao mar, a carne do burro é devorada e sobrevive a forma de marionete. Pinóquio finalmente muda (trabalha, ajuda os outros, estuda). Somente então, ao demonstrar compaixão real e esforço honesto, ele acorda humano. Sua forma de madeira é jogada no canto (inerte, vazia). O boneco morreu e o menino nasceu.  

AMAZÔNIA DOMINADA: “o grande negócio”.

 

AMAZÔNIA DOMINADA: “o grande negócio” – uma das atividades mais lucrativas do planeta.  

A missão é perigosa e as condições são péssimas.

Cidades colombianas abrigam cartéis que usam os riso brasileiros como corredor para levar cocaína à Europa.

“O laboratório de refino está em pleno funcionamento. Ao lado dele, há plantações de coca a perder de vista. Toneladas de cocaína vão sair dessa ‘fazenda’ e ingressar no Brasil em pequenos aviões, escondidas em fundos falsos de barcos ou disfarçadas em botijões de gás e outros meios (em uma cebola pequena, cabem 50 ou 60 gramas de droga, mas imagina num saco de 20 quilos de cebola. Agora estão também recheando tambaqui com cocaína e armazenando em frigoríficos. Congelado, não tem cão farejador que descubra). A droga vai percorrer grandes distâncias até chegar aos portos e aeroportos, de onde, sem maiores problemas, embarcará para seu destino final, a Europa”.

A fragilidade da vigilância e fiscalização das forças de segurança transformou a região na rota perfeita para os grandes cartéis escoarem sua produção com o mínimo risco. Afinal, as apreensões de droga na região representam apenas 10% do que é efetivamente traficado.

Passaram pela floresta brasileira, somente no ano passado (2024), 430 toneladas de cocaína. 1 quilo da droga custa aos compradores europeus o equivalente a 260 000 reais. O faturamento dos cartéis ultrapassou os 110 bilhões de reais. Essa cifra impressionante uniu na Amazônia brasileira poderosos cartéis colombianos, organizações mafiosas europeias e o que hoje existe de mais deletério no submundo do crime nacional: as facções. É um novo desafio que precisa ser urgentemente enfrentado.

 

Vistos de cima, o tapete verde formado pela copa das árvores da floresta às vezes não permite avistar um único centímetro do solo e muito menos antever o fluxo de pessoas e embarcações que trafegam pelos rios, incluindo as que são usadas para transportar madeira, ouro, animais em extinção e nos últimos anos, principalmente cocaína. O tráfico, o contrabando, o garimpo, a exploração clandestina de madeira e a pesca ilegal se misturam na floresta.

Pintando a Amazônia como uma “Zona do Perigo”: tríplice fronteira amazônica – Brasil, Colômbia e Peru. Uma área de 4.600 Km de extensão – gigante, coberto por vegetação densa, desabitado e inóspito (é o Vale do Javari e os principais municípios da fronteira: Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Letícia). Esse “Alto Solimões” reúne as fronteiras seca e fluvial do Brasil com os vizinhos Colômbia e Peru, é duas vezes maior que Portugal. Quem é responsável pela vigilância na divisa é o Exército, que se desdobra com 9500 soldados na região (proporção de 1 homem para cada 72 Km2 de área de fronteira). As 7 cidades que ficam na fronteira contam com inacreditáveis 150 policiais militares para cuidar da segurança de uma área de 213 000 Km2 – uma região do tamanho da Inglaterra e da Escócia somadas (e uma única lancha blindada, uma cota mínima de combustível e um estoque de munição que não resiste a um rápido tiroteio). É impossível. Falta braço para a polícia reprimir de forma séria o negócio. Também não há cães farejadores para tanta demanda. As vistorias, quando ocorrem, são apenas por amostragem. Por 60 gramas de ouros (20 000 reais) é possível contratar uma aeronave para transportar qualquer coisa. Elas voam baixo e pousam em pistas clandestinas que, sem nenhuma vigilância ostensiva, são abertas na floresta da noite para o dia.

Pelo lado dos traficantes, a situação é oposta. Eles usam armas capazes de abater um helicóptero, dispõem de embarcações à prova de balas, fuzis de última geração e até submarinos improvisados. Não é raro detectar drones dos grupos criminosos sobrevoando e mapeando a movimentação das forças de segurança, inclusive do Exército. Enfim, seria necessária uma ação nacional para enfrentar essas quadrilhas! Execuções de rivais fazem parte da rotina entre elas. Nas brigas de facções, os mortos acabam desmembrados e jogados no rio para apagar os vestígios. Sem condições de se contrapor aos novos comandantes que vêm ampliando suas conexões e poderio, as autoridades, às vezes, precisam contar com a sorte.

Os traficantes preferem usar as estradas pluviais para entrar no Brasil. Alguns dos afluentes dos rios navegáveis nascem na Colômbia e no Peru e chegam aos estados do Amazonas e do Acre. No período das chuvas (dezembro a junho), as cheias produzem ramificações que ficam completamente cobertas pela vegetação. São milhares de pequenas estradas que nem sequer constam nos levantamentos cartográficos, o que dificulta a vigilância que já inexiste.

Combater o crime na floresta é um desafio. Como é impossível colocar um policial em cada metro da fronteira, enfrentamos os criminosos com inteligência – é preciso tirar do papel o “Centro de Cooperação Policial Internacional”, que reunirá em Manaus investigadores dos 9 países que compõem a Amazônia Legal. Mais delegacias, usar informações de satélite para tentar localizar laboratórios, acionar as FA para abater aviões de traficantes e dar apoio logístico às operações... Ainda assim, as marcas de balas por lá não deixa os fiscais da Funai, os policiais e os soldados do Exército esquecerem que os criminosos que cruzam o rio costumam atirar primeiro.

A droga transportada pela chamada “hidrovia do crime” na Amazônia atravessa o país em direção aos portos e gera lucros estratosféricos para as facções organizadas, as mesmas que espalham o terror hoje pelas grandes metrópoles do Brasil. Será preciso uma esforço inédito para enfrentar de verdade essa chaga no meio da floresta.

Há plantações de coca a perder de vista...

·       430 toneladas de droga (cocaína) cruzam os rios da região por ano, antes de chegar a outros países;

·       Labirinto e vigilância: a mata fechada e rios com seus milhares de braços dificultam o patrulhamento e facilitam o crime.  

·       Quem controla os principais portos?

·       Rota Solimões”: um emaranhado de rios navegáveis em terras brasileiras em terras brasileiras que transformou a maior floresta tropical do mundo numa imensa trilha de passagem das drogas produzidas pelos grandes cartéis da Colômbia.

·       Explorado pelos maiores cartéis do Hemisfério Sul;

·       Envolve bilhões de dólares;

·       Movimenta toda uma estratosfera de crimes conexos;

·       Conta com a parceria de facções nacionais.

·       Em comunidades ribeirinhas, jovens desassistidos pelos governos, são aliciados por traficantes. À espera de ordens superiores, o bando, formado em sua maioria por rapazes que não aparentam mais que 20 anos de idade, treina tiro ao alvo entre as árvores.

·       Folhas de coca são protegidas para o início do processo de maceração (o laboratório de refino está em pleno funcionamento).

Existe uma jogada empresarial na floresta Amazônica. Estão dizendo que o tráfico transformou a Floresta na principal rota de exportação de cocaína. E que a culpa é do Governo, que não tem forças de segurança suficientes diante do poderio do narcotráfico. Ora, não parece uma tentativa de abrir portas para a intervenção de outros países onde soberanamente não são chamados? O neocolonizador gosta de abrir uma crise como álibi para nela entrar e gerir o território (e todos os seus recursos).

Porém, não deixa de ser uma fragilidade. Problemas na Amazônia realmente existem. Mas, é por aí que a exploração adentra com a promessa de solução.

Imensidão e debilidade.

- É uma imensa área de 4.600 km de extensão.

- Que precisa ser vigiada por militares e forças policiais.

- Mas, falta pessoal, munição e até combustível.

- Quem detém o monopólio do transporte das “hidrovias do crime” são facções, como o CV (Comando Vermelho). Com ramificações em 24 estados da federação, estima-se que a facção movimente algo em torno de 30 bilhões de reais por ano.

- Principal rota de passagem da cocaína. Destino principal: a Europa.

- A droga por onde passa vai deixando um rastro de destruição. A tríplice fronteira vive uma realidade que nós todos brasileiros olhamos de costas.  

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Escalada do Tarifaço de Trump.

·       Guerra comercial iniciada com o tarifaço de Tramp.

·       Hoje, o déficit comercial total dos EUA em relação a todos os países do mundo, é de US$ 1,2 trilhão, em 2024. E ¼ disso foi apenas com a China. A China tem uma posição confortável. 

·       A China exporta cerca de US$ 450 bilhões para os EUA. A China domina o comércio mundial, com um superávit de US$ 1 trilhão com o comércio no resto do mundo. Pequim agora diversifica seus mercados. A China tem mais chance de vencer. A moeda chinesa Yuan caiu (cotação mais baixa em 18 anos) para tornar suas exportações mais baratas e competitivas. Grandes empresas americanas, como a Aplle, perdem porque dependem da China. Não tem como trazer a produção para os EUA, como Trump quer. Os chineses dominam mercados essenciais, como baterias, painéis solares, carros elétricos, minerais essenciais para alta tecnologia. Romper essa dependência frente a China vai ser doloroso para os consumidores e empresários americanos…

·       Novos alvos na guerra de tarifas de Donald Trump. Agora vai atingir semicondutores (um item essencial na fabricação de uma série de produtos eletrônicos, além das máquinas para fabricar os chips, e também no desenvolvimento de IA). Aplle (importa 90% da China) foi poupada, smartphones, computadores, TV’s. Importados da China (20% de taxação contra 145% dos outros produtos). Trump quer trazer para os EUA as fábricas desses produtos, que são essenciais para a segurança nacional e a independência econômica. Além dos chips, importação de “produtos farmacêuticos” (que também serão tarifados). EUA importa quase todos os remédios da China, Índia e UE. Quer acabar com isso. Porém, tanto a produção de ambos dependem de complexas cadeias produtivas. Não podem ser deslocadas rapidamente (9 meses).

·       Guerra contra a imigração, política nacionalista, luta contra o crime.  

·       Presidente do El Salvador ajuda a Trump a driblar a justiça.

·       Universidade de Harvard (a mais rica, com cotação de US$ 53 bilhões, e a primeira a enfrentar o Governo) se nega a cumprir demandas da Casa Branca e tem repasses congelados (reduzir o poder de estudantes e professores, informar sobre professores estrangeiros que participam de protestos, se submeter a vigilância externa sobre orientação política dos departamentos acadêmicos). Na sequência, congelamento de US$ 2 bilhões em financiamento Federal. “Nenhum governo, seja qual o for o partido no poder, deve ditar o que uma Universidade privada pode ensinar, quem pode admitir e contratar, e quais áreas de estudo e pesquisa podem seguir”. 800 professores assinam carta instando a Universidade a montar uma oposição coordenada contra esses ataques antidemocráticos. Havard é a primeira a resistir, depois Columbia (que perdeu US$ 400 milhões em verbas federais, acusada de promover antissemitismo, aí cedeu, fazendo o que as autoridades exigiam, uma intervenção no Departamento de Oriente Médio e uma força de segurança capaz de prender estudantes no campus). Outras também sofreram cortes de verbas: Universidade da Pensilvânia (por apoiar atletas trans), Universidade de Cornel (US$ 1 bilhão), Universidade de Princeton, Braune e Ofwesten (por permitirem manifestações contra Israel). Conservadores de Trump há tempo criticam essas grandes universidades, com sendo dominadas por progressistas. No total, já foram cortados US$ 12 bilhões. Muitas tiveram que congelar contratações e demitir pessoal. 

- começaram a cobrar as taxas sobre a União Europeia e de outros 60 países. “Infratores, impõem mais barreiras comerciais aos americanos”. Desestabilizar o comércio global. Comportamento arrogante é um “Bullying Econômico”. Os EUA já estão arrecadando US$ 2 bilhões/dia com as tarifas. Objetivo de reativar a indústria americana.

- inclusive os produtos chineses: +104% em impostos para entrar nos EUA.

- China reage e eleva para 84% as tarifas sobre produtos americanos. Temos a determinação e os meios para retaliar essas medidas. Medidas que aumentem o consumo interno e estabilize o mercado financeiro do país. Não vai ceder (do ponto de vista estrutural/emocional). China tem uma história longa de humilhação imposta por países estrangeiros. Crescer para dentro, aumentando a renda e vendendo para dentro. Fortalecer. A nova rota da seda, que é uma rede de aliados estratégicos. Aumentar a união dos países da Ásia.

- na outra frente está a Europa: estão abertos ao diálogo, mas tem armas para retaliar nessa guerra. Os 27 países da UE tem o plano de aplicar taxas de importação de 25% sobre vários produtos. Motocicletas, barcos de luxo e suco de laranja. Cerca de 70% das exportações da UE são afetadas pelas tarifas de Trump. Perda de empregos e impacto negativo no crescimento econômico.

- O Brasil tem reservas cambiais altas: US$ 370 bilhões. Isso nos fortalece. Jogo de perde-perde. 



·       Turbulência no Mercado Financeiro diante das incertezas quanto ao futuro da Guerra Tarifária imposta por Trump, e o impacto disso sobre a Economia –  se confunde com a quantidade de tarifas comerciais que ele próprio impôs à China nos últimos dias. Total das taxas em vigor: 145% (sobrepreço dos produtos chineses: sobre os +US$ 400 bi de produtos chineses que os EUA importam de lá) e não 125%. Tem os 25% sobre aço, alumínio e automóveis que atingem todo mundo. Cresceu e está em 30%, não se via no país desde 1903. Um freio para o crescimento e um alimento para a inflação. Risco de recessão. Trump aposta nessa tensão permanente, e provoca:

- queda nas bolsas;

- alta do dólar;

- abala a confiança de investidores e aliados históricos;

- pode ter efeitos mais profundos e duradouros.

- petróleo: guerra comercial leva o preço do barril ao menor patamar em 4 anos. Acende alerta na Petrobras. Tipo Brent: US$ 63,40. (pode cair a US$ 55 ou 50). O petróleo deve continuar caindo, enquanto a guerra tarifária persistir. Maior tensão EUA x China, mais o impacto nas commodities de um modo geral. O cenário de incerteza e volatilidade causa uma desaceleração na economia, reduzindo a demanda por petróleo (matriz energética que alimenta uma cadeia produtiva enorme: combustíveis, funcionamento de máquinas, geração de energia e produtos do nosso dia a dia). Investidores do mundo todo ficarão mais cautelosos, investido menos nos negócios. Evolução errática, subir ou cair, dos discursos de ameaça, na volatilidade. E se o preço do petróleo cai no mercado internacional, a Petrobras sofre impactos (perde valor de mercado, de 2 de abril para cá, perdeu 88 bilhões de reais de valor de mercado). O combustível ficará mais barato, mas indústria, comércio e transportes vão ter um alívio nos custos de produção. Cai, isso é bom. O ponto negativo, é o dólar disparar (cai 10%-15% petróleo e sobe dólar).

- União Europeia tenta acordo com os EUA, mas já está pronta para taxar receitas publicitárias das Big Techs.

- o custo do caos e da incerteza será pesado. 

·       Inflação e inadimplência no Brasil. Segurar os gastos, consumir só o essencial. Menos restaurante, hotéis, academia, cabelereiro. Soma de razões: inflação acumulada (5,06%), aumento da taxa de juros (14,25%), falta de confiança do consumidor e aumento da inadimplência (75 milhões de brasileiros).