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São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 11 de abril de 2025

AMAZÔNIA DOMINADA: “o grande negócio”.

 

AMAZÔNIA DOMINADA: “o grande negócio” – uma das atividades mais lucrativas do planeta.  

A missão é perigosa e as condições são péssimas.

Cidades colombianas abrigam cartéis que usam os riso brasileiros como corredor para levar cocaína à Europa.

“O laboratório de refino está em pleno funcionamento. Ao lado dele, há plantações de coca a perder de vista. Toneladas de cocaína vão sair dessa ‘fazenda’ e ingressar no Brasil em pequenos aviões, escondidas em fundos falsos de barcos ou disfarçadas em botijões de gás e outros meios (em uma cebola pequena, cabem 50 ou 60 gramas de droga, mas imagina num saco de 20 quilos de cebola. Agora estão também recheando tambaqui com cocaína e armazenando em frigoríficos. Congelado, não tem cão farejador que descubra). A droga vai percorrer grandes distâncias até chegar aos portos e aeroportos, de onde, sem maiores problemas, embarcará para seu destino final, a Europa”.

A fragilidade da vigilância e fiscalização das forças de segurança transformou a região na rota perfeita para os grandes cartéis escoarem sua produção com o mínimo risco. Afinal, as apreensões de droga na região representam apenas 10% do que é efetivamente traficado.

Passaram pela floresta brasileira, somente no ano passado (2024), 430 toneladas de cocaína. 1 quilo da droga custa aos compradores europeus o equivalente a 260 000 reais. O faturamento dos cartéis ultrapassou os 110 bilhões de reais. Essa cifra impressionante uniu na Amazônia brasileira poderosos cartéis colombianos, organizações mafiosas europeias e o que hoje existe de mais deletério no submundo do crime nacional: as facções. É um novo desafio que precisa ser urgentemente enfrentado.

 

Vistos de cima, o tapete verde formado pela copa das árvores da floresta às vezes não permite avistar um único centímetro do solo e muito menos antever o fluxo de pessoas e embarcações que trafegam pelos rios, incluindo as que são usadas para transportar madeira, ouro, animais em extinção e nos últimos anos, principalmente cocaína. O tráfico, o contrabando, o garimpo, a exploração clandestina de madeira e a pesca ilegal se misturam na floresta.

Pintando a Amazônia como uma “Zona do Perigo”: tríplice fronteira amazônica – Brasil, Colômbia e Peru. Uma área de 4.600 Km de extensão – gigante, coberto por vegetação densa, desabitado e inóspito (é o Vale do Javari e os principais municípios da fronteira: Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Letícia). Esse “Alto Solimões” reúne as fronteiras seca e fluvial do Brasil com os vizinhos Colômbia e Peru, é duas vezes maior que Portugal. Quem é responsável pela vigilância na divisa é o Exército, que se desdobra com 9500 soldados na região (proporção de 1 homem para cada 72 Km2 de área de fronteira). As 7 cidades que ficam na fronteira contam com inacreditáveis 150 policiais militares para cuidar da segurança de uma área de 213 000 Km2 – uma região do tamanho da Inglaterra e da Escócia somadas (e uma única lancha blindada, uma cota mínima de combustível e um estoque de munição que não resiste a um rápido tiroteio). É impossível. Falta braço para a polícia reprimir de forma séria o negócio. Também não há cães farejadores para tanta demanda. As vistorias, quando ocorrem, são apenas por amostragem. Por 60 gramas de ouros (20 000 reais) é possível contratar uma aeronave para transportar qualquer coisa. Elas voam baixo e pousam em pistas clandestinas que, sem nenhuma vigilância ostensiva, são abertas na floresta da noite para o dia.

Pelo lado dos traficantes, a situação é oposta. Eles usam armas capazes de abater um helicóptero, dispõem de embarcações à prova de balas, fuzis de última geração e até submarinos improvisados. Não é raro detectar drones dos grupos criminosos sobrevoando e mapeando a movimentação das forças de segurança, inclusive do Exército. Enfim, seria necessária uma ação nacional para enfrentar essas quadrilhas! Execuções de rivais fazem parte da rotina entre elas. Nas brigas de facções, os mortos acabam desmembrados e jogados no rio para apagar os vestígios. Sem condições de se contrapor aos novos comandantes que vêm ampliando suas conexões e poderio, as autoridades, às vezes, precisam contar com a sorte.

Os traficantes preferem usar as estradas pluviais para entrar no Brasil. Alguns dos afluentes dos rios navegáveis nascem na Colômbia e no Peru e chegam aos estados do Amazonas e do Acre. No período das chuvas (dezembro a junho), as cheias produzem ramificações que ficam completamente cobertas pela vegetação. São milhares de pequenas estradas que nem sequer constam nos levantamentos cartográficos, o que dificulta a vigilância que já inexiste.

Combater o crime na floresta é um desafio. Como é impossível colocar um policial em cada metro da fronteira, enfrentamos os criminosos com inteligência – é preciso tirar do papel o “Centro de Cooperação Policial Internacional”, que reunirá em Manaus investigadores dos 9 países que compõem a Amazônia Legal. Mais delegacias, usar informações de satélite para tentar localizar laboratórios, acionar as FA para abater aviões de traficantes e dar apoio logístico às operações... Ainda assim, as marcas de balas por lá não deixa os fiscais da Funai, os policiais e os soldados do Exército esquecerem que os criminosos que cruzam o rio costumam atirar primeiro.

A droga transportada pela chamada “hidrovia do crime” na Amazônia atravessa o país em direção aos portos e gera lucros estratosféricos para as facções organizadas, as mesmas que espalham o terror hoje pelas grandes metrópoles do Brasil. Será preciso uma esforço inédito para enfrentar de verdade essa chaga no meio da floresta.

Há plantações de coca a perder de vista...

·       430 toneladas de droga (cocaína) cruzam os rios da região por ano, antes de chegar a outros países;

·       Labirinto e vigilância: a mata fechada e rios com seus milhares de braços dificultam o patrulhamento e facilitam o crime.  

·       Quem controla os principais portos?

·       Rota Solimões”: um emaranhado de rios navegáveis em terras brasileiras em terras brasileiras que transformou a maior floresta tropical do mundo numa imensa trilha de passagem das drogas produzidas pelos grandes cartéis da Colômbia.

·       Explorado pelos maiores cartéis do Hemisfério Sul;

·       Envolve bilhões de dólares;

·       Movimenta toda uma estratosfera de crimes conexos;

·       Conta com a parceria de facções nacionais.

·       Em comunidades ribeirinhas, jovens desassistidos pelos governos, são aliciados por traficantes. À espera de ordens superiores, o bando, formado em sua maioria por rapazes que não aparentam mais que 20 anos de idade, treina tiro ao alvo entre as árvores.

·       Folhas de coca são protegidas para o início do processo de maceração (o laboratório de refino está em pleno funcionamento).

Existe uma jogada empresarial na floresta Amazônica. Estão dizendo que o tráfico transformou a Floresta na principal rota de exportação de cocaína. E que a culpa é do Governo, que não tem forças de segurança suficientes diante do poderio do narcotráfico. Ora, não parece uma tentativa de abrir portas para a intervenção de outros países onde soberanamente não são chamados? O neocolonizador gosta de abrir uma crise como álibi para nela entrar e gerir o território (e todos os seus recursos).

Porém, não deixa de ser uma fragilidade. Problemas na Amazônia realmente existem. Mas, é por aí que a exploração adentra com a promessa de solução.

Imensidão e debilidade.

- É uma imensa área de 4.600 km de extensão.

- Que precisa ser vigiada por militares e forças policiais.

- Mas, falta pessoal, munição e até combustível.

- Quem detém o monopólio do transporte das “hidrovias do crime” são facções, como o CV (Comando Vermelho). Com ramificações em 24 estados da federação, estima-se que a facção movimente algo em torno de 30 bilhões de reais por ano.

- Principal rota de passagem da cocaína. Destino principal: a Europa.

- A droga por onde passa vai deixando um rastro de destruição. A tríplice fronteira vive uma realidade que nós todos brasileiros olhamos de costas.  

quarta-feira, 9 de abril de 2025

Escalada do Tarifaço de Trump.

·       Guerra comercial iniciada com o tarifaço de Tramp.

·       Hoje, o déficit comercial total dos EUA em relação a todos os países do mundo, é de US$ 1,2 trilhão, em 2024. E ¼ disso foi apenas com a China. A China tem uma posição confortável. 

·       A China exporta cerca de US$ 450 bilhões para os EUA. A China domina o comércio mundial, com um superávit de US$ 1 trilhão com o comércio no resto do mundo. Pequim agora diversifica seus mercados. A China tem mais chance de vencer. A moeda chinesa Yuan caiu (cotação mais baixa em 18 anos) para tornar suas exportações mais baratas e competitivas. Grandes empresas americanas, como a Aplle, perdem porque dependem da China. Não tem como trazer a produção para os EUA, como Trump quer. Os chineses dominam mercados essenciais, como baterias, painéis solares, carros elétricos, minerais essenciais para alta tecnologia. Romper essa dependência frente a China vai ser doloroso para os consumidores e empresários americanos…

·       Novos alvos na guerra de tarifas de Donald Trump. Agora vai atingir semicondutores (um item essencial na fabricação de uma série de produtos eletrônicos, além das máquinas para fabricar os chips, e também no desenvolvimento de IA). Aplle (importa 90% da China) foi poupada, smartphones, computadores, TV’s. Importados da China (20% de taxação contra 145% dos outros produtos). Trump quer trazer para os EUA as fábricas desses produtos, que são essenciais para a segurança nacional e a independência econômica. Além dos chips, importação de “produtos farmacêuticos” (que também serão tarifados). EUA importa quase todos os remédios da China, Índia e UE. Quer acabar com isso. Porém, tanto a produção de ambos dependem de complexas cadeias produtivas. Não podem ser deslocadas rapidamente (9 meses).

·       Guerra contra a imigração, política nacionalista, luta contra o crime.  

·       Presidente do El Salvador ajuda a Trump a driblar a justiça.

·       Universidade de Harvard (a mais rica, com cotação de US$ 53 bilhões, e a primeira a enfrentar o Governo) se nega a cumprir demandas da Casa Branca e tem repasses congelados (reduzir o poder de estudantes e professores, informar sobre professores estrangeiros que participam de protestos, se submeter a vigilância externa sobre orientação política dos departamentos acadêmicos). Na sequência, congelamento de US$ 2 bilhões em financiamento Federal. “Nenhum governo, seja qual o for o partido no poder, deve ditar o que uma Universidade privada pode ensinar, quem pode admitir e contratar, e quais áreas de estudo e pesquisa podem seguir”. 800 professores assinam carta instando a Universidade a montar uma oposição coordenada contra esses ataques antidemocráticos. Havard é a primeira a resistir, depois Columbia (que perdeu US$ 400 milhões em verbas federais, acusada de promover antissemitismo, aí cedeu, fazendo o que as autoridades exigiam, uma intervenção no Departamento de Oriente Médio e uma força de segurança capaz de prender estudantes no campus). Outras também sofreram cortes de verbas: Universidade da Pensilvânia (por apoiar atletas trans), Universidade de Cornel (US$ 1 bilhão), Universidade de Princeton, Braune e Ofwesten (por permitirem manifestações contra Israel). Conservadores de Trump há tempo criticam essas grandes universidades, com sendo dominadas por progressistas. No total, já foram cortados US$ 12 bilhões. Muitas tiveram que congelar contratações e demitir pessoal. 

- começaram a cobrar as taxas sobre a União Europeia e de outros 60 países. “Infratores, impõem mais barreiras comerciais aos americanos”. Desestabilizar o comércio global. Comportamento arrogante é um “Bullying Econômico”. Os EUA já estão arrecadando US$ 2 bilhões/dia com as tarifas. Objetivo de reativar a indústria americana.

- inclusive os produtos chineses: +104% em impostos para entrar nos EUA.

- China reage e eleva para 84% as tarifas sobre produtos americanos. Temos a determinação e os meios para retaliar essas medidas. Medidas que aumentem o consumo interno e estabilize o mercado financeiro do país. Não vai ceder (do ponto de vista estrutural/emocional). China tem uma história longa de humilhação imposta por países estrangeiros. Crescer para dentro, aumentando a renda e vendendo para dentro. Fortalecer. A nova rota da seda, que é uma rede de aliados estratégicos. Aumentar a união dos países da Ásia.

- na outra frente está a Europa: estão abertos ao diálogo, mas tem armas para retaliar nessa guerra. Os 27 países da UE tem o plano de aplicar taxas de importação de 25% sobre vários produtos. Motocicletas, barcos de luxo e suco de laranja. Cerca de 70% das exportações da UE são afetadas pelas tarifas de Trump. Perda de empregos e impacto negativo no crescimento econômico.

- O Brasil tem reservas cambiais altas: US$ 370 bilhões. Isso nos fortalece. Jogo de perde-perde. 



·       Turbulência no Mercado Financeiro diante das incertezas quanto ao futuro da Guerra Tarifária imposta por Trump, e o impacto disso sobre a Economia –  se confunde com a quantidade de tarifas comerciais que ele próprio impôs à China nos últimos dias. Total das taxas em vigor: 145% (sobrepreço dos produtos chineses: sobre os +US$ 400 bi de produtos chineses que os EUA importam de lá) e não 125%. Tem os 25% sobre aço, alumínio e automóveis que atingem todo mundo. Cresceu e está em 30%, não se via no país desde 1903. Um freio para o crescimento e um alimento para a inflação. Risco de recessão. Trump aposta nessa tensão permanente, e provoca:

- queda nas bolsas;

- alta do dólar;

- abala a confiança de investidores e aliados históricos;

- pode ter efeitos mais profundos e duradouros.

- petróleo: guerra comercial leva o preço do barril ao menor patamar em 4 anos. Acende alerta na Petrobras. Tipo Brent: US$ 63,40. (pode cair a US$ 55 ou 50). O petróleo deve continuar caindo, enquanto a guerra tarifária persistir. Maior tensão EUA x China, mais o impacto nas commodities de um modo geral. O cenário de incerteza e volatilidade causa uma desaceleração na economia, reduzindo a demanda por petróleo (matriz energética que alimenta uma cadeia produtiva enorme: combustíveis, funcionamento de máquinas, geração de energia e produtos do nosso dia a dia). Investidores do mundo todo ficarão mais cautelosos, investido menos nos negócios. Evolução errática, subir ou cair, dos discursos de ameaça, na volatilidade. E se o preço do petróleo cai no mercado internacional, a Petrobras sofre impactos (perde valor de mercado, de 2 de abril para cá, perdeu 88 bilhões de reais de valor de mercado). O combustível ficará mais barato, mas indústria, comércio e transportes vão ter um alívio nos custos de produção. Cai, isso é bom. O ponto negativo, é o dólar disparar (cai 10%-15% petróleo e sobe dólar).

- União Europeia tenta acordo com os EUA, mas já está pronta para taxar receitas publicitárias das Big Techs.

- o custo do caos e da incerteza será pesado. 

·       Inflação e inadimplência no Brasil. Segurar os gastos, consumir só o essencial. Menos restaurante, hotéis, academia, cabelereiro. Soma de razões: inflação acumulada (5,06%), aumento da taxa de juros (14,25%), falta de confiança do consumidor e aumento da inadimplência (75 milhões de brasileiros). 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Ensinar ciências, sem celular?

 

Estudos apontam que o uso irrestrito dos dispositivos compromete a concentração dos alunos, reduz a interação social e dificulta a atividade docente.

·       A Lei 15.100/2025 proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas escolas, mas estimula a adoção de tecnologias digitais com a mediação de docentes, o que pode trazer experiências mais envolventes e eficazes.

·       O desafio para tal é oferecer infraestrutura e valorizar o professor.

·       Os celulares saem da sala de aula, mas a mediação do professor se torna ainda mais essencial.

·       Como docentes podem utilizar tecnologias digitais, cinema e animês para inovar no ensino de ciências, ao criar práticas colaborativas que só são efetivas quando seu papel na escola é devidamente reconhecido.

·       Para o sucesso dessa estratégia, é preciso valorizar o professor e oferecer infraestrutura.

·       A Lei foi sancionada por causa da preocupação com a distração e o impacto das telas no aprendizado.

·       A proposta da lei não visa a eliminação da tecnologia da sala de aula, mas garantir que seu uso seja alinhado aos projetos políticos e pedagógicos das escolas e mediado por professoras e professores. Em vez da dependência dos celulares individuais, a legislação estimula a adoção de tecnologias por outros caminhos.

·       A restrição ao uso de celulares pode contribuir para a recolocação do papel do professor como curador e orientador dessas atividades.

·       A Lei 15.100/2025, na verdade, é uma reorganização do espaço escolar, estimulando usos qualificados da tecnologia e fortalecendo a atenção compartilhada em sala de aula.

·       Longe de ser um retrocesso, a nova regulamentação abre espaço para outras formas de integração de tecnologias ao ensino. Ferramentas como lousas digitais, simuladores interativos e programas de modelagem podem novamente estar integrados ao ensino em atividades de colaboração, diálogo e compartilhamento de vínculos.

·       A atenção compartilhada é a capacidade de duas ou mais pessoas focarem, ao mesmo tempo, em um mesmo objeto ou evento, reconhecendo mutuamente essa concentração conjunta. Essa habilidade é fundamental para o desenvolvimento humano. Ela colabora na aprendizagem, na comunicação e na construção de vínculos sociais desde a infância, e vai ajudar a nos definir como adultos.

·       Crianças e adolescentes passaram a utilizar telas por períodos prolongados; a educação ficou restrita ao mundo desses dispositivos e, em grande parte, com uso de celulares.

·       É óbvio que o ensino das ciências não escapou desse arrastão durante a pandemia. Além disso, as feridas de desigualdade social no Brasil ficaram ainda mais expostas, com o celular aparecendo como a única forma de grupos menos favorecidos conseguirem participar das atividades escolares.

·       Podemos redirecionar a forma de usar tecnologias para que continue a ser uma aliada do ensino.

·       Explorar tecnologias que transformam o aprendizado em uma experiência mais envolvente.

·       Em vez de apenas consumir informações de forma passiva, estudantes podem interagir com lousas digitais, explorar programas de modelagem e análise de dados, e colocar a ciência em ação com kits experimentais e sensores digitais.

·       Essas ferramentas não são apenas acessórios modernos, mas portas de entrada para um ensino que privilegia a investigação. Com a mediação do professor, a sala de aula pode retornar como verdadeiro laboratório de ideias, em que testar hipóteses, resolver problemas e fazer descobertas volta a ser o grande destaque do aprendizado. Afinal, ciência é um diálogo entre teoria e prática!

·       A Lei 15.100/2025, na verdade, cria um terreno fértil para experiências de aprendizado intencional, em que a tecnologia passa a ser guiada pelos professores. Em vez de os alunos ficarem dispersos em buscas individuais no celular, a legislação cria um canal para que sejam incentivadas atividades coletivas, como projetos de pesquisa em plataformas colaborativas.

·       Propor que soluções em grupo sejam formuladas. Formas dinâmicas de entender os conteúdos. A turma pode analisar dados de desmatamento, usando bancos de dados científicos.

·       Em simulações interativas, como as que recriam reações químicas em laboratórios virtuais, os alunos testam hipóteses, ajustam variáveis e veem os resultados, sempre com a supervisão docente.

·       Em uma aula sobre física, atividades com simuladores, como o ambiente do PhET (projeto da Universidade de Colorado Boulder que oferece simulações interativas gratuitas de ciências e matemática), podem ser usadas para explorar conceitos de energia e movimento.

·       Conectarem os experimentos virtuais aos fenômenos do mundo.

·       As tecnologias digitais vão estimular atividades colaborativas que fortaleçam a atenção compartilhada no ensino de ciências.

·       Imagine uma aula em que os alunos, guiados pelo professor, simulam juntos os impactos do aquecimento global em um ecossistema virtual, ajustando variáveis como temperatura e umidade. Plataformas interativas, como o Padlet, permitem a construção coletiva de mapas conceituais sobre cadeias alimentares ou ciclos biogeoquímicos, enriquecidos com textos, imagens e vídeos.

·       Podemos voltar a aprender sobre buracos negros com Interestelar, desvendar os mistérios da genética com Gattaca, ou explorar a evolução das espécies com Evolução. Filmes despertam a curiosidade, criam conexões emocionais e podem colaborar no aprendizado, sem precisar checar o TikTok a cada dois minutos!

·       Dr. Stone, por exemplo, é praticamente um manual de ciência; as aventuras de Senku nos falam desde a produção de pólvora até a criação de antibióticos. Já FullMetal Alchemist leva os alunos a um mundo onde a alquimia mistura ética, ficção e ciência, abrindo espaço para reflexões sobre leis da física e transformações químicas.

·       E, para quem quer olhar para o céu e entender de uma vez por todas os movimentos da Terra, O Orbe faz isso com uma narrativa visual envolvente. Tudo isso sem distrações do WhatsApp, mas com muito estímulo à imaginação, além de combustível para projetos incríveis!

·       Quando falamos em substituir o uso individual dos celulares por outros recursos tecnológicos, precisamos considerar que, para muitos estudantes, o celular não é apenas um objeto de distração, mas a única ferramenta disponível para acessar conteúdos digitais. Ignorar essa realidade seria reforçar desigualdades e criar barreiras ainda maiores para aqueles que já enfrentam dificuldades de acesso ao conhecimento.

·       Para reconstruir um ensino de ciências colaborativo, é essencial garantir equidade na oferta de recursos. Isso significa investir em computadores, laboratórios virtuais e outros dispositivos acessíveis dentro das escolas, sem depender exclusivamente da posse de tecnologia pessoal. Além disso, políticas públicas devem garantir conectividade adequada e a formação contínua para que professores possam integrar e usar esses novos recursos.

·       Outro ponto crítico é o tempo e as condições de trabalho dos professores. Para que novas metodologias sejam realmente implementadas, é preciso que os docentes tenham espaço e tempo para pensar, planejar e testar abordagens inovadoras. No entanto, a realidade da maioria dos profissionais da educação no Brasil é de sobrecarga, precisando atuar, muitas vezes, em várias escolas para garantir um salário digno.

·       A valorização do professor não pode se limitar à propaganda; é preciso garantir melhores salários, formação contínua e, principalmente, a incorporação do planejamento como função essencial e remunerada dentro da carga horária docente. Sem isso, qualquer proposta pedagógica inovadora corre o risco de ser engolida pela rotina exaustiva da sala de aula.

·       Por fim, se a Lei 15.100/2025 deseja ser realmente um dispositivo para aprimorar a educação e não apenas uma medida disciplinar, é fundamental que sua implementação venha acompanhada de investimentos concretos na estrutura escolar e na valorização dos professores. A tecnologia pode ser uma grande aliada no ensino de ciências, mas seu impacto só será positivo se for acessível a todos e se os docentes tiverem as condições necessárias para mobilizá-la de forma criativa e independente.

·       A escola pública não pode ser um espaço de exclusão digital, nem um ambiente para oportunas privatizações, onde inovações pedagógicas sejam viabilizadas pela precarização do trabalho docente. Se queremos uma educação realmente transformadora, precisamos começar garantindo que ninguém fique para trás, nem quem aprende, nem quem dedica a vida ao ensino.

Bolsonaro e seu ato na Paulista.

Bolsonaro disse esperar ajuda "de fora" para reverter esse cenário... Sim, Trump nos é uma ameaça! Um dos filhos, Eduardo Bolsonaro, se licenciou do mandato de deputado e se mudou para os EUA alegando perseguição política, e alegou que o parlamentar tem contato com "pessoas importantes" no exterior. "Tenho esperança que de fora venha alguma coisa para cá" (JB). 

Entre os eleitores que votaram no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022, 77% defendem  que os envolvidos no 8 de Janeiro continuem presos, contra 61% dos eleitores do ex-presidente que responderam que eles devem ser soltos. 

Em relação à participação de Bolsonaro no planejamento aos ataques ao Congresso, ao STF e ao Palácio do Planalto, a pesquisa mostrou que 49% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente participou da tentativa de golpe, enquanto 35% dizem que não. 

Entre quem votou em Lula em 2022, 80% aprovaram a decisão do STF; entre quem escolheu Bolsonaro, 16%.

Bolsonaro será preso? 46% disseram que sim; 43% apostam que não. O lulista aposta na prisão de Bolsonaro (56%), o bolsonarista, não (55%). E entre quem alienou o voto, há um empate número 42% x 42%. Dá para perceber como as duas "torcidas" se dividem neste caso?

·       Bolsonaro resiste a passar o bastão para outro nome (Tarcísio e Michelle é a chapa candidata mais competitiva do momento da direita ao Planalto contra Lula), e insiste ser o “único candidato” para 2026. Mas, o ex-presidente está inelegível até 2030 devido a condenações na Justiça Eleitoral.

- Michelle: 38% das intenções de votos contra 44% de Lula;

- Tarcísio: 37%

- Ratinho Jr. e Pablo Marçal: 35%

- Eduardo Bolsonaro: 34%

- Romeu Zema: 31%

- Ronaldo Caiado: 30%

Obs: na verdade, o perigo é muito maior, essa gente pode tirar vagas futuras no Senado e na Câmara, e já estamos sentindo as consequências de não ter governabilidade, mesmo com um presidente de esquerda no Poder.

·       É uma tática de pressão. Os objetivos são: 1) demonstrar direita unida; 2) foco em mostrar a família em paz (rugas de lado); 3) ato usado como desagravo ao ex-presidente.

·       Bolsonaro tentou arrastar para si apoiadores: foram 44,9 mil pessoas compareceram ao ato na Avenida Paulista e o peso de 07 governadores:

- Tarcísio de Freitas (SP);

- Romeu Zema (MG);

- Ronaldo Caiado (GO);

- Ratinho Jr. (PR);

- Wilson Lima (AM);

- Mauro Mendes (MT);

- vice Celina Leão (DF).

·       Houve uma forte pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, pressionado a pautar o Projeto da Anistia. Porém, pesquisa mostra que apenas 34% é a favor do perdão (a pauta da anistia é majoritariamente reprovada: 56% acham que os presos devem continuar na cadeia, 10% não sabem ou não opinaram). E mesmo entre os eleitores de Bolsonaro, 32% dos seus querem golpistas presos, cumprindo as penas na Justiça, ou seja, 1 a cada 3 de bando (já entre aqueles que não votaram ou votaram branco/nulo, o índice chega a 53%). Ainda temos 67% dos entrevistados defendendo que Bolsonaro abra mão do discurso de candidato e apoie outro nome para 2026.

·       Bolsonaro fez homenagens em inglês a presos do 8/01: “popcorn and ice cream sellers” (pipoqueiros e sorveteiros). Ainda teve Michelle Bolsonaro chamando os filhos dele “para perto”, enquanto pedia força para Eduardo Bolsonaro, que se licenciou da Câmara dos Deputados para morar nos EUA.

domingo, 6 de abril de 2025

REDE PERIGOSA

 A importância da educação dos jovens para o mundo digital. Proibir não é a solução. Problemático é o jovem aberto à intolerância. Talvez a solução não seja proibir o jovem de estar nos ambientes virtuais. De nada vai adiantar: muitas vezes, eles burlam as regras e acabam criando perfis secretos. Aí, quando algo grave acontece, não podem contar aos pais, e a situação piora. O fundamental é ensiná-los a ser bons cidadãos on-line, capazes de identificar a desinformação e de recorrer a apoio se estiverem enfrentando problemas. O celular não vai desaparecer, então o melhor mesmo é encorajar discussões abertas sobre seu uso e impor limites sensatos. 

O smartphone dificultou muito a vida de pais de adolescentes. A adolescência sempre envolve o afastamento gradual dos filhos e a perda de controle dos pais. Com o celular, a família passou a conviver com um mundo desconhecido, o que torna tudo mais angustiante e complicado. 

Promover uma batalha contra a internet é inútil. Assim, o que fazer diante de conteúdos inapropriados, como os de teor misógino? Sentir repulsa e seguir em frente, e muito diálogo e formação do jovem, que está mais aberto à intolerância. Refletir sobre essa forma de tratar as mulheres. Precisamos ir à raiz da questão e encontrar maneiras de criar homens responsáveis e respeitosos. 

Há um paradoxo: quem é rotulado como popular não é muito querido. Na teia de relações entre adolescentes, alguns jovens adquirem status de celebridade porque assumem grandes riscos e têm comportamento de adulto. Os demais acompanham sua vida de perto, mas não necessariamente os apreciam. Se você pedir para estes dizerem de quem realmente gostam, vão apontar as pessoas que as tratam com carinho e respeito. 

O bullying é um fenômeno de difícil solução. Uma vez que se estabelece em um grupo, é duro pôr um fim nessa dinâmica. Mas há medidas que podem funcionar, como impedir a existência de locais desertos nas escolas, promover mediação entre alunos em conflito e impor punições. Em certos casos, o mais recomendável é mudar o aluno de colégio e dar a ele a chance de um recomeço. 

“Para guindar o adolescente da galáxia paralela, recomenda-se oferecer atividades off-line atraentes e encarar tópicos que costumam ser empurrados para debaixo do tapete, mas não deveriam. Pornografia, círculos de amizade, bullying, se você não falar com seus filhos sobre isso, a internet vai falar por você”. 

“A verdade é que não há transparência nem mecanismos para garantir que as plataformas não forneçam conteúdo indesejado aos jovens. O duelo é travado ainda com os algoritmos, que oferecem à turma jovem conteúdo inadequado em profusão. Entidades atentas aos riscos embutidos aí defendem que as plataformas sejam obrigadas a reduzir a frequência de envio de reels e criem atalhos para denúncia de material inapropriado, além de oferecer curadoria humana sobre o que é ventilado nas redes. As big techs resistem, alegando cerceamento à liberdade, naturalmente incomodadas com um conjunto de medidas que faz elevar custos e compromete a monetização. Em março, contudo, em boa iniciativa, a Meta, dona do Instagram, resolveu agir e passou a impor restrições para usuários com menos de 18 anos, oferecendo ferramentas para o controle dos pais e aprimorando o sistema de verificação de idade”. 

“Muitos colégios estão perdidos, meio à complexidade trazida pela Internet”. 

“As feridas abertas na adolescência podem custar a cicatrizar. Sentir-se inferior nessa fase é algo que impacta a vida para sempre. A extensão dos danos ocorre devido a enxurrada de hormônios e as modificações visíveis no corpo, pois a puberdade leva a uma profunda transformação cerebral. E os estímulos do ambiente, nessa idade, se tornam mais decisivos, sobretudo para a ativação do córtex frontal, região responsável pelo pensamento abstrato, pela memória e pela personalidade.”. 

“Um entrave nessa engrenagem que desemboca no amadurecimento, lá pelos 20 e poucos anos, tem sido o contínuo uso de telas, que alimenta outra porção do cérebro, embalada a respostas rápidas. Na prática, isso atrasa o desenvolvimento de áreas que inibem comportamentos inadequados”. 

“A distância entre os adolescentes e seus pais, que muitas vezes nem se dão conta de como os labirintos da internet os separam dos filhos e trazem risco”. 

“A normalização de pensamentos contaminados por intolerância funciona como uma espécie de cola social, firmando laços entre alguns e deixando outros de fora. É uma ciranda perversa que existe desde sempre, mas que ganha nova roupagem nestes tempos em que as redes ampliam quase tudo. São impostas tarefas humilhantes, como abusar de vídeos e fotos ou mensagens distorcidas. Os abusos são conhecidos, mas um pacto silencioso, pavimentado pelo medo, geralmente encobre a prática. Mas, um dia a história aparece, e é preciso agir com rapidez, determinando além da suspensão, a participação dos envolvidos em encontros para refletir sobre a postura. Isso só reforça o compromisso de discutir relações de gênero, preconceitos e a masculinidade com todos os estudantes. O clima melhora, mas mentalidade não muda rápido”. 

“Sob o ângulo geracional, o diálogo entre pais e filhos é hoje mais assíduo e sincero do que no passado, quando assuntos espinhosos repousavam no escaninho dos temas impronunciáveis. Mas antes não havia o mundo paralelo da internet, com suas perigosas armadilhas e idioma próprio, cheio de códigos e símbolos que soam como grego para os adultos. É, aliás, essa a ideia que move a engrenagem dos emojis. Adolescentes criam um vocabulário próprio como forma de se identificar e de dificultar a compreensão de quem está de fora”.

·       Os problemas abordados na série “Adolescência”:

- Cyberbullying

- Dificuldades para controlar o tempo e o que os jovens fazem na Internet

·       Problemas na série que também angustiam as famílias brasileiras:

- Cyberbullying;

- Dificuldades para controlar o tempo;

- O que os jovens fazem nas redes sociais;

- O mundo digital aumentou o fosso entre pais e filhos;

- Caixa-Preta: no isolamento do quarto: especialistas recomendam romper o silêncio e dialogar.

- A atividade virtual, a partir da impressão dos adultos, é de longe a mais buscada pela garotada: 48% a põem no topo das preferências ante os 6% que escolhem encontrar amigos à moda antiga, olho no olho.

- Os filhos passam tempo excessivo isolados em seu hábitat e se revela insegura em relação a interações seladas entre um clique e outro, mesma proporção que diz saber que o jovem já foi alvo de bullying, dado espantoso.

- É verdade que uma parcela considerável (58%) afirma estar ciente do que se desenrola na caixa-preta daquele quarto trancado. Quem lida com a delicada teia familiar (pedagogos e psicológocos), em fase de tantas incertezas, sabem que, muitas vezes, os pais não têm noção do que está realmente acontecendo, em processo de autoengano. “Eles parecem otimistas demais, acreditando que os filhos estão protegidos, quando podem estar expondo apenas parte do que fazem nas redes”.

- E dá-lhe vocábulos como: 1) incel (celibatários involuntários); red pill (referência ao movimento misógino) e beta (homem submisso), todos imbuídos da ideia de que a mulher é o algoz, vastamente divulgada nas redes por gente crescida que se destaca como influencer, disseminando aberrações no TikTok e no Instagram.

- Conteúdo tão distorcido presta o desserviço de martelar na cabeça de uma juventude em plena formação um discurso envolto em ódio e um festival de preconceitos. “Eles passam horas dentro do quarto, rindo de piadas que rebaixam minorias”. É preciso agir em duas frentes: 1) proibir o garoto de manter perfis nas redes; 2) levar à terapia.

- O cyberbullying, que não cessa quando o adolescente cruza os portões escolares, pode ter consequências nefastas, deixando a pessoa sem chão justamente quando começa a demarcar território. Em geral, quem é alvo de maus-tratos virtuais se fecha e vive uma angústia solitária.

·       O universo digital ajuda a exacerbar características já inerentes a esse intenso período da existência. Sabidamente, os jovens buscam se afastar dos pais, procurando apoio entre amigos, e ficam propensos a burlar regras. Meninos e meninas vão tateando até onde podem ir e encontram no ambiente on-line um espaço onde muita coisa é permitida, sem consequências.

·       Educadores concordam que a proibição do uso de smartphones nas escolas, em vigor desde o início do ano letivo em todo o país, freou um pouco alguns problemas decorrentes das interações nas redes, mas isso nem de perto equacionou uma questão de camadas tão fundas.

·       Uma das cenas mais tocantes é 1) final do filme, “poderia ter feito mais”, do casal que entabula um dramático diálogo a respeito do filho de 13 anos, submergido no sombrio universos que o levou a um extremo imprevisível: estar preso sob a acusação de matar uma colega de classe. 2) A parte com a psicóloga; 3) do policias com o filho negro sobre os símbolos e significados nas redes.

·       “Ele não saía do quarto. Chegava, batia a porta e ia direto para o computador. Nunca dizia nada”. Os contornos da distância que separava o filho do mundo no entorno, e da mãe não ter conseguido se infiltrar no impermeável cotidiano virtual do jovem, que sofria bullying.

·       Competência em cutucar de forma dramática um tema universal: uma jovem geração que passa horas sugada pelos labirintos da internet, dissimulada atrás de uma barreira difícil de transpor. O objetivo é iniciar uma conversa entre pais e filhos. Disse Stephen Graham, ator e criador da série, que vive o patriarca dilacerado pela dor.