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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Ensinar ciências, sem celular?

 

Estudos apontam que o uso irrestrito dos dispositivos compromete a concentração dos alunos, reduz a interação social e dificulta a atividade docente.

·       A Lei 15.100/2025 proíbe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas escolas, mas estimula a adoção de tecnologias digitais com a mediação de docentes, o que pode trazer experiências mais envolventes e eficazes.

·       O desafio para tal é oferecer infraestrutura e valorizar o professor.

·       Os celulares saem da sala de aula, mas a mediação do professor se torna ainda mais essencial.

·       Como docentes podem utilizar tecnologias digitais, cinema e animês para inovar no ensino de ciências, ao criar práticas colaborativas que só são efetivas quando seu papel na escola é devidamente reconhecido.

·       Para o sucesso dessa estratégia, é preciso valorizar o professor e oferecer infraestrutura.

·       A Lei foi sancionada por causa da preocupação com a distração e o impacto das telas no aprendizado.

·       A proposta da lei não visa a eliminação da tecnologia da sala de aula, mas garantir que seu uso seja alinhado aos projetos políticos e pedagógicos das escolas e mediado por professoras e professores. Em vez da dependência dos celulares individuais, a legislação estimula a adoção de tecnologias por outros caminhos.

·       A restrição ao uso de celulares pode contribuir para a recolocação do papel do professor como curador e orientador dessas atividades.

·       A Lei 15.100/2025, na verdade, é uma reorganização do espaço escolar, estimulando usos qualificados da tecnologia e fortalecendo a atenção compartilhada em sala de aula.

·       Longe de ser um retrocesso, a nova regulamentação abre espaço para outras formas de integração de tecnologias ao ensino. Ferramentas como lousas digitais, simuladores interativos e programas de modelagem podem novamente estar integrados ao ensino em atividades de colaboração, diálogo e compartilhamento de vínculos.

·       A atenção compartilhada é a capacidade de duas ou mais pessoas focarem, ao mesmo tempo, em um mesmo objeto ou evento, reconhecendo mutuamente essa concentração conjunta. Essa habilidade é fundamental para o desenvolvimento humano. Ela colabora na aprendizagem, na comunicação e na construção de vínculos sociais desde a infância, e vai ajudar a nos definir como adultos.

·       Crianças e adolescentes passaram a utilizar telas por períodos prolongados; a educação ficou restrita ao mundo desses dispositivos e, em grande parte, com uso de celulares.

·       É óbvio que o ensino das ciências não escapou desse arrastão durante a pandemia. Além disso, as feridas de desigualdade social no Brasil ficaram ainda mais expostas, com o celular aparecendo como a única forma de grupos menos favorecidos conseguirem participar das atividades escolares.

·       Podemos redirecionar a forma de usar tecnologias para que continue a ser uma aliada do ensino.

·       Explorar tecnologias que transformam o aprendizado em uma experiência mais envolvente.

·       Em vez de apenas consumir informações de forma passiva, estudantes podem interagir com lousas digitais, explorar programas de modelagem e análise de dados, e colocar a ciência em ação com kits experimentais e sensores digitais.

·       Essas ferramentas não são apenas acessórios modernos, mas portas de entrada para um ensino que privilegia a investigação. Com a mediação do professor, a sala de aula pode retornar como verdadeiro laboratório de ideias, em que testar hipóteses, resolver problemas e fazer descobertas volta a ser o grande destaque do aprendizado. Afinal, ciência é um diálogo entre teoria e prática!

·       A Lei 15.100/2025, na verdade, cria um terreno fértil para experiências de aprendizado intencional, em que a tecnologia passa a ser guiada pelos professores. Em vez de os alunos ficarem dispersos em buscas individuais no celular, a legislação cria um canal para que sejam incentivadas atividades coletivas, como projetos de pesquisa em plataformas colaborativas.

·       Propor que soluções em grupo sejam formuladas. Formas dinâmicas de entender os conteúdos. A turma pode analisar dados de desmatamento, usando bancos de dados científicos.

·       Em simulações interativas, como as que recriam reações químicas em laboratórios virtuais, os alunos testam hipóteses, ajustam variáveis e veem os resultados, sempre com a supervisão docente.

·       Em uma aula sobre física, atividades com simuladores, como o ambiente do PhET (projeto da Universidade de Colorado Boulder que oferece simulações interativas gratuitas de ciências e matemática), podem ser usadas para explorar conceitos de energia e movimento.

·       Conectarem os experimentos virtuais aos fenômenos do mundo.

·       As tecnologias digitais vão estimular atividades colaborativas que fortaleçam a atenção compartilhada no ensino de ciências.

·       Imagine uma aula em que os alunos, guiados pelo professor, simulam juntos os impactos do aquecimento global em um ecossistema virtual, ajustando variáveis como temperatura e umidade. Plataformas interativas, como o Padlet, permitem a construção coletiva de mapas conceituais sobre cadeias alimentares ou ciclos biogeoquímicos, enriquecidos com textos, imagens e vídeos.

·       Podemos voltar a aprender sobre buracos negros com Interestelar, desvendar os mistérios da genética com Gattaca, ou explorar a evolução das espécies com Evolução. Filmes despertam a curiosidade, criam conexões emocionais e podem colaborar no aprendizado, sem precisar checar o TikTok a cada dois minutos!

·       Dr. Stone, por exemplo, é praticamente um manual de ciência; as aventuras de Senku nos falam desde a produção de pólvora até a criação de antibióticos. Já FullMetal Alchemist leva os alunos a um mundo onde a alquimia mistura ética, ficção e ciência, abrindo espaço para reflexões sobre leis da física e transformações químicas.

·       E, para quem quer olhar para o céu e entender de uma vez por todas os movimentos da Terra, O Orbe faz isso com uma narrativa visual envolvente. Tudo isso sem distrações do WhatsApp, mas com muito estímulo à imaginação, além de combustível para projetos incríveis!

·       Quando falamos em substituir o uso individual dos celulares por outros recursos tecnológicos, precisamos considerar que, para muitos estudantes, o celular não é apenas um objeto de distração, mas a única ferramenta disponível para acessar conteúdos digitais. Ignorar essa realidade seria reforçar desigualdades e criar barreiras ainda maiores para aqueles que já enfrentam dificuldades de acesso ao conhecimento.

·       Para reconstruir um ensino de ciências colaborativo, é essencial garantir equidade na oferta de recursos. Isso significa investir em computadores, laboratórios virtuais e outros dispositivos acessíveis dentro das escolas, sem depender exclusivamente da posse de tecnologia pessoal. Além disso, políticas públicas devem garantir conectividade adequada e a formação contínua para que professores possam integrar e usar esses novos recursos.

·       Outro ponto crítico é o tempo e as condições de trabalho dos professores. Para que novas metodologias sejam realmente implementadas, é preciso que os docentes tenham espaço e tempo para pensar, planejar e testar abordagens inovadoras. No entanto, a realidade da maioria dos profissionais da educação no Brasil é de sobrecarga, precisando atuar, muitas vezes, em várias escolas para garantir um salário digno.

·       A valorização do professor não pode se limitar à propaganda; é preciso garantir melhores salários, formação contínua e, principalmente, a incorporação do planejamento como função essencial e remunerada dentro da carga horária docente. Sem isso, qualquer proposta pedagógica inovadora corre o risco de ser engolida pela rotina exaustiva da sala de aula.

·       Por fim, se a Lei 15.100/2025 deseja ser realmente um dispositivo para aprimorar a educação e não apenas uma medida disciplinar, é fundamental que sua implementação venha acompanhada de investimentos concretos na estrutura escolar e na valorização dos professores. A tecnologia pode ser uma grande aliada no ensino de ciências, mas seu impacto só será positivo se for acessível a todos e se os docentes tiverem as condições necessárias para mobilizá-la de forma criativa e independente.

·       A escola pública não pode ser um espaço de exclusão digital, nem um ambiente para oportunas privatizações, onde inovações pedagógicas sejam viabilizadas pela precarização do trabalho docente. Se queremos uma educação realmente transformadora, precisamos começar garantindo que ninguém fique para trás, nem quem aprende, nem quem dedica a vida ao ensino.

Bolsonaro e seu ato na Paulista.

Bolsonaro disse esperar ajuda "de fora" para reverter esse cenário... Sim, Trump nos é uma ameaça! Um dos filhos, Eduardo Bolsonaro, se licenciou do mandato de deputado e se mudou para os EUA alegando perseguição política, e alegou que o parlamentar tem contato com "pessoas importantes" no exterior. "Tenho esperança que de fora venha alguma coisa para cá" (JB). 

Entre os eleitores que votaram no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022, 77% defendem  que os envolvidos no 8 de Janeiro continuem presos, contra 61% dos eleitores do ex-presidente que responderam que eles devem ser soltos. 

Em relação à participação de Bolsonaro no planejamento aos ataques ao Congresso, ao STF e ao Palácio do Planalto, a pesquisa mostrou que 49% dos brasileiros acreditam que o ex-presidente participou da tentativa de golpe, enquanto 35% dizem que não. 

Entre quem votou em Lula em 2022, 80% aprovaram a decisão do STF; entre quem escolheu Bolsonaro, 16%.

Bolsonaro será preso? 46% disseram que sim; 43% apostam que não. O lulista aposta na prisão de Bolsonaro (56%), o bolsonarista, não (55%). E entre quem alienou o voto, há um empate número 42% x 42%. Dá para perceber como as duas "torcidas" se dividem neste caso?

·       Bolsonaro resiste a passar o bastão para outro nome (Tarcísio e Michelle é a chapa candidata mais competitiva do momento da direita ao Planalto contra Lula), e insiste ser o “único candidato” para 2026. Mas, o ex-presidente está inelegível até 2030 devido a condenações na Justiça Eleitoral.

- Michelle: 38% das intenções de votos contra 44% de Lula;

- Tarcísio: 37%

- Ratinho Jr. e Pablo Marçal: 35%

- Eduardo Bolsonaro: 34%

- Romeu Zema: 31%

- Ronaldo Caiado: 30%

Obs: na verdade, o perigo é muito maior, essa gente pode tirar vagas futuras no Senado e na Câmara, e já estamos sentindo as consequências de não ter governabilidade, mesmo com um presidente de esquerda no Poder.

·       É uma tática de pressão. Os objetivos são: 1) demonstrar direita unida; 2) foco em mostrar a família em paz (rugas de lado); 3) ato usado como desagravo ao ex-presidente.

·       Bolsonaro tentou arrastar para si apoiadores: foram 44,9 mil pessoas compareceram ao ato na Avenida Paulista e o peso de 07 governadores:

- Tarcísio de Freitas (SP);

- Romeu Zema (MG);

- Ronaldo Caiado (GO);

- Ratinho Jr. (PR);

- Wilson Lima (AM);

- Mauro Mendes (MT);

- vice Celina Leão (DF).

·       Houve uma forte pressão sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta, pressionado a pautar o Projeto da Anistia. Porém, pesquisa mostra que apenas 34% é a favor do perdão (a pauta da anistia é majoritariamente reprovada: 56% acham que os presos devem continuar na cadeia, 10% não sabem ou não opinaram). E mesmo entre os eleitores de Bolsonaro, 32% dos seus querem golpistas presos, cumprindo as penas na Justiça, ou seja, 1 a cada 3 de bando (já entre aqueles que não votaram ou votaram branco/nulo, o índice chega a 53%). Ainda temos 67% dos entrevistados defendendo que Bolsonaro abra mão do discurso de candidato e apoie outro nome para 2026.

·       Bolsonaro fez homenagens em inglês a presos do 8/01: “popcorn and ice cream sellers” (pipoqueiros e sorveteiros). Ainda teve Michelle Bolsonaro chamando os filhos dele “para perto”, enquanto pedia força para Eduardo Bolsonaro, que se licenciou da Câmara dos Deputados para morar nos EUA.

domingo, 6 de abril de 2025

REDE PERIGOSA

 A importância da educação dos jovens para o mundo digital. Proibir não é a solução. Problemático é o jovem aberto à intolerância. Talvez a solução não seja proibir o jovem de estar nos ambientes virtuais. De nada vai adiantar: muitas vezes, eles burlam as regras e acabam criando perfis secretos. Aí, quando algo grave acontece, não podem contar aos pais, e a situação piora. O fundamental é ensiná-los a ser bons cidadãos on-line, capazes de identificar a desinformação e de recorrer a apoio se estiverem enfrentando problemas. O celular não vai desaparecer, então o melhor mesmo é encorajar discussões abertas sobre seu uso e impor limites sensatos. 

O smartphone dificultou muito a vida de pais de adolescentes. A adolescência sempre envolve o afastamento gradual dos filhos e a perda de controle dos pais. Com o celular, a família passou a conviver com um mundo desconhecido, o que torna tudo mais angustiante e complicado. 

Promover uma batalha contra a internet é inútil. Assim, o que fazer diante de conteúdos inapropriados, como os de teor misógino? Sentir repulsa e seguir em frente, e muito diálogo e formação do jovem, que está mais aberto à intolerância. Refletir sobre essa forma de tratar as mulheres. Precisamos ir à raiz da questão e encontrar maneiras de criar homens responsáveis e respeitosos. 

Há um paradoxo: quem é rotulado como popular não é muito querido. Na teia de relações entre adolescentes, alguns jovens adquirem status de celebridade porque assumem grandes riscos e têm comportamento de adulto. Os demais acompanham sua vida de perto, mas não necessariamente os apreciam. Se você pedir para estes dizerem de quem realmente gostam, vão apontar as pessoas que as tratam com carinho e respeito. 

O bullying é um fenômeno de difícil solução. Uma vez que se estabelece em um grupo, é duro pôr um fim nessa dinâmica. Mas há medidas que podem funcionar, como impedir a existência de locais desertos nas escolas, promover mediação entre alunos em conflito e impor punições. Em certos casos, o mais recomendável é mudar o aluno de colégio e dar a ele a chance de um recomeço. 

“Para guindar o adolescente da galáxia paralela, recomenda-se oferecer atividades off-line atraentes e encarar tópicos que costumam ser empurrados para debaixo do tapete, mas não deveriam. Pornografia, círculos de amizade, bullying, se você não falar com seus filhos sobre isso, a internet vai falar por você”. 

“A verdade é que não há transparência nem mecanismos para garantir que as plataformas não forneçam conteúdo indesejado aos jovens. O duelo é travado ainda com os algoritmos, que oferecem à turma jovem conteúdo inadequado em profusão. Entidades atentas aos riscos embutidos aí defendem que as plataformas sejam obrigadas a reduzir a frequência de envio de reels e criem atalhos para denúncia de material inapropriado, além de oferecer curadoria humana sobre o que é ventilado nas redes. As big techs resistem, alegando cerceamento à liberdade, naturalmente incomodadas com um conjunto de medidas que faz elevar custos e compromete a monetização. Em março, contudo, em boa iniciativa, a Meta, dona do Instagram, resolveu agir e passou a impor restrições para usuários com menos de 18 anos, oferecendo ferramentas para o controle dos pais e aprimorando o sistema de verificação de idade”. 

“Muitos colégios estão perdidos, meio à complexidade trazida pela Internet”. 

“As feridas abertas na adolescência podem custar a cicatrizar. Sentir-se inferior nessa fase é algo que impacta a vida para sempre. A extensão dos danos ocorre devido a enxurrada de hormônios e as modificações visíveis no corpo, pois a puberdade leva a uma profunda transformação cerebral. E os estímulos do ambiente, nessa idade, se tornam mais decisivos, sobretudo para a ativação do córtex frontal, região responsável pelo pensamento abstrato, pela memória e pela personalidade.”. 

“Um entrave nessa engrenagem que desemboca no amadurecimento, lá pelos 20 e poucos anos, tem sido o contínuo uso de telas, que alimenta outra porção do cérebro, embalada a respostas rápidas. Na prática, isso atrasa o desenvolvimento de áreas que inibem comportamentos inadequados”. 

“A distância entre os adolescentes e seus pais, que muitas vezes nem se dão conta de como os labirintos da internet os separam dos filhos e trazem risco”. 

“A normalização de pensamentos contaminados por intolerância funciona como uma espécie de cola social, firmando laços entre alguns e deixando outros de fora. É uma ciranda perversa que existe desde sempre, mas que ganha nova roupagem nestes tempos em que as redes ampliam quase tudo. São impostas tarefas humilhantes, como abusar de vídeos e fotos ou mensagens distorcidas. Os abusos são conhecidos, mas um pacto silencioso, pavimentado pelo medo, geralmente encobre a prática. Mas, um dia a história aparece, e é preciso agir com rapidez, determinando além da suspensão, a participação dos envolvidos em encontros para refletir sobre a postura. Isso só reforça o compromisso de discutir relações de gênero, preconceitos e a masculinidade com todos os estudantes. O clima melhora, mas mentalidade não muda rápido”. 

“Sob o ângulo geracional, o diálogo entre pais e filhos é hoje mais assíduo e sincero do que no passado, quando assuntos espinhosos repousavam no escaninho dos temas impronunciáveis. Mas antes não havia o mundo paralelo da internet, com suas perigosas armadilhas e idioma próprio, cheio de códigos e símbolos que soam como grego para os adultos. É, aliás, essa a ideia que move a engrenagem dos emojis. Adolescentes criam um vocabulário próprio como forma de se identificar e de dificultar a compreensão de quem está de fora”.

·       Os problemas abordados na série “Adolescência”:

- Cyberbullying

- Dificuldades para controlar o tempo e o que os jovens fazem na Internet

·       Problemas na série que também angustiam as famílias brasileiras:

- Cyberbullying;

- Dificuldades para controlar o tempo;

- O que os jovens fazem nas redes sociais;

- O mundo digital aumentou o fosso entre pais e filhos;

- Caixa-Preta: no isolamento do quarto: especialistas recomendam romper o silêncio e dialogar.

- A atividade virtual, a partir da impressão dos adultos, é de longe a mais buscada pela garotada: 48% a põem no topo das preferências ante os 6% que escolhem encontrar amigos à moda antiga, olho no olho.

- Os filhos passam tempo excessivo isolados em seu hábitat e se revela insegura em relação a interações seladas entre um clique e outro, mesma proporção que diz saber que o jovem já foi alvo de bullying, dado espantoso.

- É verdade que uma parcela considerável (58%) afirma estar ciente do que se desenrola na caixa-preta daquele quarto trancado. Quem lida com a delicada teia familiar (pedagogos e psicológocos), em fase de tantas incertezas, sabem que, muitas vezes, os pais não têm noção do que está realmente acontecendo, em processo de autoengano. “Eles parecem otimistas demais, acreditando que os filhos estão protegidos, quando podem estar expondo apenas parte do que fazem nas redes”.

- E dá-lhe vocábulos como: 1) incel (celibatários involuntários); red pill (referência ao movimento misógino) e beta (homem submisso), todos imbuídos da ideia de que a mulher é o algoz, vastamente divulgada nas redes por gente crescida que se destaca como influencer, disseminando aberrações no TikTok e no Instagram.

- Conteúdo tão distorcido presta o desserviço de martelar na cabeça de uma juventude em plena formação um discurso envolto em ódio e um festival de preconceitos. “Eles passam horas dentro do quarto, rindo de piadas que rebaixam minorias”. É preciso agir em duas frentes: 1) proibir o garoto de manter perfis nas redes; 2) levar à terapia.

- O cyberbullying, que não cessa quando o adolescente cruza os portões escolares, pode ter consequências nefastas, deixando a pessoa sem chão justamente quando começa a demarcar território. Em geral, quem é alvo de maus-tratos virtuais se fecha e vive uma angústia solitária.

·       O universo digital ajuda a exacerbar características já inerentes a esse intenso período da existência. Sabidamente, os jovens buscam se afastar dos pais, procurando apoio entre amigos, e ficam propensos a burlar regras. Meninos e meninas vão tateando até onde podem ir e encontram no ambiente on-line um espaço onde muita coisa é permitida, sem consequências.

·       Educadores concordam que a proibição do uso de smartphones nas escolas, em vigor desde o início do ano letivo em todo o país, freou um pouco alguns problemas decorrentes das interações nas redes, mas isso nem de perto equacionou uma questão de camadas tão fundas.

·       Uma das cenas mais tocantes é 1) final do filme, “poderia ter feito mais”, do casal que entabula um dramático diálogo a respeito do filho de 13 anos, submergido no sombrio universos que o levou a um extremo imprevisível: estar preso sob a acusação de matar uma colega de classe. 2) A parte com a psicóloga; 3) do policias com o filho negro sobre os símbolos e significados nas redes.

·       “Ele não saía do quarto. Chegava, batia a porta e ia direto para o computador. Nunca dizia nada”. Os contornos da distância que separava o filho do mundo no entorno, e da mãe não ter conseguido se infiltrar no impermeável cotidiano virtual do jovem, que sofria bullying.

·       Competência em cutucar de forma dramática um tema universal: uma jovem geração que passa horas sugada pelos labirintos da internet, dissimulada atrás de uma barreira difícil de transpor. O objetivo é iniciar uma conversa entre pais e filhos. Disse Stephen Graham, ator e criador da série, que vive o patriarca dilacerado pela dor.

O livre-arbítrio é um mito.

 

“Veja o presidente americano Donald Trump, o mais controverso líder da atualidade. Ele é um caso exemplar de como a combinação de genética e ambiente produz um humano capaz de ações pouco empáticas. O pai era um vigarista imobiliário e a mãe, um freezer no campo do carinho e do cuidado. Ele passou toda a vida sem saber se pessoas ao seu redor o amavam ou se só estavam ali por dinheiro. Não dá para esperar algo muito diferente do que estamos assistindo”.

Porém, o DNA diz respeito a potenciais, não a inevitabilidades. Não existe algo como um “gene do mal” que predestine alguém a cometer genocídios, por exemplo.

Já foi descoberta, por exemplo, uma variante genética relacionada à serotonina, o chamado hormônio da felicidade, que supostamente prevê níveis de agressividade. Curioso é que ela só é ativada em um único cenário – aquele em que o indivíduo foi criado em um contexto abusivo. Genética e ambiente caminham sempre juntos, delineando quem somos e como agimos.

A partir do momento em que entendemos as escolhas de cada um como uma expressão de sua natureza, há mais empatia e menos julgamento. O ódio é uma face sombria da espécie e deveria ser expurgado. Quem sabe a compreensão de que os indivíduos são diversos por definição, desde o princípio da vida, não contribui para um ambiente de maior tolerância, algo de que tanto necessitamos nos dias de hoje?

Temos que aprender a tirar o melhor proveito das circunstâncias.

As escolhas que fazemos no dia a dia são determinadas por fatores genéticos e ambientais. De tal modo que, o livre-arbítrio realmente existe?

Quais são as engrenagens por trás da tomada de decisões? A escolha dos indivíduos está quase que inteiramente dada por fatores genéticos e ambientais.

Existem momentos históricos em que a irracionalidade, uma marca humana, se pronuncia em graus especialmente elevados. É o que estamos observando agora. Em tempos de maior complexidade e turbulências, como o que estamos vivendo, é mais difícil para os indivíduos tomar decisões. Isso tem a ver com a presença de guerras, com as incertezas acirradas e com as rachaduras de sociedades polarizadas. Um ambiente inflamado pelo ódio, circunscrito a uma lógica do “nós contra eles”, gera medo e desencadeia um ciclo vicioso que atrapalha a tomada de decisões – uma ebulição que tem o cérebro como cenário.

A irracionalidade pode ser explicada pela neurociência. As pessoas ficam mais estressadas em eras tomadas por agitação, o que, do ponto de vista individual, libera hormônios que ativam estruturas no cérebro relacionadas às emoções, perturbando a função reflexiva do córtex frontal, que nos faz pensar antes de agir. Daí a propensão a comportamentos mais impulsivos, com tendência, inclusive, à radicalização e ao extremismo.

Durante décadas, à luz da ciência, constatei que as pessoas alimentam a ilusão do poder de escolha, quando, na verdade, o livre-arbítrio é um mito. Isso quer dizer que os indivíduos estão quase 100% programados a optar por esse ou aquele caminho nos vários escaninhos da vida. As decisões das pessoas são definidas por uma soma da genética com o ambiente que as cerca e as experiências que têm – estas, também, modeladoras do DNA. Logo, o processo humano de tomada de decisões pautado na objetividade, na imparcialidade e na racionalidade fica bastante comprometido. Ou seja, tudo está praticamente escrito em nós, uma ideia que colide com várias correntes de pensamento, como aquela que diz que “estamos condenados a ser livres”. Nossa suposta liberdade é bastante determinada.

Em outros termos, temos pouco controle sobre nossas escolhas. Embora uma porção importante do cérebro ajuda a pensarmos antes de tomar uma decisão, mas ela só se desenvolve por completo na idade adulta. Assim, os adolescentes são, em geral, mais impulsivos. Só que mesmo essa área ligada à razão é afetada por um conjunto de eventos tatuado no cérebro, o que torna a maior parte das escolhas que fazemos quase inescapável.

Esquecer é uma ferramenta de sobrevivência. Os humanos possuem uma série de mecanismos que os permitem negar a realidade, a fim de viver melhor. Todo mundo sabe que a morte é inexorável, por exemplo, mas seria doloroso demais passar 24 horas às voltas com essa ideia. O que fazer? Esquecer! Ligar o automático. A crença da espécie humana de que tem elevado comando sobre os rumos de sua existência – e de suas decisões – é uma ferramenta evolutiva.

Até que ponto a razão influencia o comportamento das pessoas? Ora, a ideia de racionalidade da espécie é outro mito. Os indivíduos têm a impressão de que é a mente que os move para certa direção, mas as emoções têm peso equivalente. Na arena da política, por exemplo, sobre eleições, comprova, a partir da neurociência, que o voto não se define pelas ideias de um candidato. Decisivo mesmo são os sentimentos que provoca e quanto eles têm eco nos medos e ansiedades de cada um.

Decisões de cunho político são também predeterminadas, estão mais sujeitas às circunstâncias. Elas entram no rol das outras, sob a mesma lógica. Veja o presidente americano Donald Trump, o mais controverso líder da atualidade. Ele é um caso exemplar de como a combinação de genética e ambiente produz um humano capaz de ações pouco empáticas. O pai era um vigarista imobiliário e a mãe, um freezer no campo do carinho e do cuidado. Ele passou toda a vida sem saber se pessoas ao seu redor o amavam ou se só estavam ali por dinheiro. Não dá para esperar algo muito diferente do que estamos assistindo.

Essa visão determinista aflige e atormenta bastante. Entender cientificamente as raízes dos equívocos humanos não significa que eles não causem repulsa. Porém, não dá para afirmar que o mal é predeterminado pela biologia (o que justificaria casos extremos, como o de Adolf Hitler, que exterminou milhões de pessoas na II Guerra). Não existe algo como um “gene do mal” que o predestinasse a cometer genocídios. Há o peso do ambiente em que Hitler estava imerso, que teve papel crucial em sua sombria trajetória, o que inclui uma infância complicada, o trauma da I Guerra, a crise econômica, a ascensão do nacionalismo – tudo isso alterou seu funcionamento, exacerbando o que pode ser lido como uma propensão à maldade.

Não há exatamente como saber, sob o ângulo da biologia, como o ambiente impacta as escolhas que fazemos. Já foi descoberta, por exemplo, uma variante genética relacionada à serotonina, o chamado hormônio da felicidade, que supostamente prevê níveis de agressividade. Curioso é que ela só é ativada em um único cenário – aquele em que o indivíduo foi criado em um contexto abusivo. Genética e ambiente caminham sempre juntos, delineando quem somos e como agimos.

Somos máquinas biológicas, sim! Essa ideia de que as pessoas são tão programadas faz o humano se assemelhar demais a uma máquina, porém, a diferença para a inteligência artificial é que humanos se revelam mais multifacetados, tendo a consciência de quais são nossos botões e onde estão. É um sistema sofisticado, mas não chega a dar para se gabar, não. Afinal, as mesmas enzimas cinases que acendem receptores quando aprendemos algo estão presentes nos cérebros de lesmas-marinhas.

Porém, não existem 100% de determinação em naturezas humanas, que são complexas e multifacetadas. Até sistemas caóticos são determinísticos, pois seguem regras fixas, mas mesmo eles exibem uma sensível dependência das condições iniciais. E é exatamente nesse ponto que uma minúscula variação pode ter vasto impacto com o passar do tempo, conduzindo a resultados imprevisíveis, drasticamente diferentes do esperado. Vejam os gêmeos univitelinos, por exemplo, nunca se tornarão pessoas idênticas nem parecidas no modo de ser, agir e decidir. É por isso que, embora haja a impressão de que praticamente tudo está escrito, ainda é muito difícil prever o amanhã.

Nesse caso dos gêmeos, desde o nível celular mais primitivo, notam-se distinções entre eles que só se aprofundam ao longo do tempo. Cada um terá sua trajetória e sofrerá influências de suas próprias experiências – algo que os marcará de modo decisivo. A questão é que nada disso é visível, daí ser impossível traçar cenários com precisão matemática. O que dá para depreender são tendências.

Compreender a tomada de decisões do ser humano nesse nível traz, sim, alguns benefícios. A partir do momento em que entendemos as escolhas de cada um como uma expressão de sua natureza, há mais empatia e menos julgamento. O ódio é uma face sombria da espécie e deveria ser expurgado. Quem sabe a compreensão de que os indivíduos são diversos por definição, desde o princípio da vida, não contribui para um ambiente de maior tolerância, algo de que tanto necessitamos nos dias de hoje.

Como lidar com criminosos dentro dessa lógica determinista, segundo a qual eles estariam “programados” para infringir a lei? Claro que precisa haver punição, mas o modelo em vigor em países como os Estados Unidos, deveria ser repensado à luz desses estudos. Não é para atenuar a transgressão praticada pelo bandido, mas entender que ele só vai evoluir quando exposto a um ambiente de convívio com os outros, capaz de estimular mudanças construtivas. Na Noruega, por exemplo, as prisões são guiadas pelo foco na reabilitação, à base de muita atividade e educação. É verdade que o investimento nessa direção é alto, mas há registros de queda nas taxas de homicídio e na reincidência de crimes variados. Tudo indica que vale a pena.

O determinismo também se aplica ao amor. Existe toda uma estrutura regida pela biologia que faz com que um indivíduo se apaixone pelo outro. A escolha por um parceiro também tem a ver com genética – até o cheiro de cada um influencia no acasalamento – e com o ambiente. Viver em um contexto parecido funciona como potente fator de aproximação.

Mesmo com tudo isso, não acredito em destino. O determinismo científico é diferente de predeterminismo protestante do século XVII. Este é fatalista e diz respeito à ideia de previsão do que vai acontecer, portanto ao destino. Mesmo com as limitações humanas, nós, cientistas, não achamos que o futuro seja imutável. Temos que aprender a tirar o melhor proveito das circunstâncias.

Enfim, precisamos buscar algum espaço para aprimorar e arbitrar de forma mais sábia. As pessoas podem amadurecer, recorrer à psicanálise de Freud e evoluir em áreas diversas. O cérebro é maleável e se transforma em resposta às experiências. Agora, há limites aí. A psicanálise fornece novas perspectivas que fazem sacudir padrões de pensamento e comportamento. Mas a maneira como circunstâncias alheias à nossa vontade nos marcam, do ponto de vista biológico, seguirá determinante para as decisões que tomamos. Mesmo assim, podemos mudar o suficiente para que a vida seja mais bem vivida.

Série: "Adolescência" - Rede perigosa.

 

·       Comportamento: famílias e educadores refletem sobre produção inglesa.

·       A série alerta para lado sombrio do digital.

·       Os desafios e complexidades da juventude.

·       Discussões sobre saúde mental, pressão social, efeitos do bullying e a influência dos conteúdos da internet na vida de crianças e adolescentes.

·       O debate sobre o papel educacional e transformador na sociedade, chamando a atenção para a necessidade de acompanhar e ter empatia com as demandas da juventude.

·       Conscientização coletiva sobre a responsabilidade em garantir um crescimento saudável e equilibrado para os jovens.

·       Discutimos mais devido à exposição digital?

·       Digital: escolas e pais refletem sobre as complexidades atuais da juventude, gerando debates sobre os novos desafios da educação.

·       Mobilizando discussões.

·       Juventude: desafios e complexidades. Estimular discussões sobre:

- saúde mental;

- pressão social;

- efeitos do bullying;

- influência dos conteúdos da internet na vida de crianças e adolescentes.

·       Desempenhado um papel educacional e transformador na sociedade, indo além de debates online e servindo de lembrete de que precisamos escutar, compreender e ter empatia com as demandas da juventude.

·       Inúmeros pontos de debate e reflexão.

·       “Hoje, com a tecnologia e a internet à disposição das crianças a todo momento, as famílias precisam buscar formas de estreitar os elos com esses filhos para que participem da vida deles. É importante saber, diariamente, o que pensam, veem e o que vivem, tanto na escola quanto dentro de seus quartos. Os quartos se tornaram o abrigo de proteção dessas crianças, e é preciso acompanhar o que eles estão vendo e vivendo ali dentro”.

·       “Com os devidos cuidados, chamei ela para assistir comigo, pois achei importante ela entender o que fez um menino de 13 anos ser investigado pela polícia”.

·       Iniciativa contribui para capacitação no mundo digital.

·       Os excessos tecnológicos e os vários desdobramentos disso.

·       “Há, por exemplo, a forte presença do ruído tecnológico na escola da série: notificações, mensagens e fotos sendo tiradas, enquanto policiais circulam pela instituição e os alunos não dão atenção alguma, presos da vida virtual. Uma falta de empatia encontrada até nos funcionários da escola, enquanto na realidade o ambiente escolar é um lugar de aprendizado, cuidado e zelo pelo outro”.

·       Observar o comportamento dos mais jovens e suas mudanças é um trabalho que deve ser feito em conjunto pela família e a escola.

·       Rótulos e violências: e nessa mudança de comportamento que termos como “incel” (celibato involuntário) e “redpill” (masculinidade dominante), se tornam cada vez mais populares entre os jovens. Eles viram rótulos que pensam nesta fase da adolescência, sobretudo quando ganham camadas no mundo digital. Antes, o bullying era praticado enfatizando características físicas (nariz, altura, peso). Hoje, para além disso, são imputadas características emocionais, gênero e orientações sexuais. E isso é muito perigoso para um jovem que está em busca de sua identidade e se desenvolvendo.

·       São ideais que podem moldar crenças e comportamentos por muitos anos. Se esses indivíduos não forem expostos a alternativas e não aprenderem a desafiar esses discursos de ódio e violência, eles podem continuar a perpetuar essas ideias ao longo da vida adulta.

·       A falta de empatia e desconexão emocional, características desses movimentos, podem levar a um isolamento emocional e a uma incapacidade de construir vínculos significativos.

·       O combate ao bullying e o cyberbullying é feito de forma preventiva, sempre seguindo o caminho do respeito e da empatia.

·       É preciso combater o bullying de forma diária e contínua. Logo que percebemos algum tipo de movimento, como apelidos, por exemplo, promovemos com mais afinco com eles a importância de respeitar o outro e as diferenças. Temos isso na cultura da escola, não é algo pontual, está presente a todo momento.

·       Especialistas destacam o papel conjunto da escola e da família na vida dos adolescentes.

·       O que diz a Legislação:

1.     No Brasil, o bullying e o cyberbullying possuem previsão específicas no art. 146-A do Código Penal, com pena prevista de reclusão de 2 a 4 anos e multa.

2.     De acordo com o art. 932, inciso I do Código Civil, os pais podem ser responsabilizados civilmente pelos atos praticados pelos filhos que estiverem sob sua autoridade e companhia. Trata-se de responsabilidade objetivo, que independe da existência de culpa.

3.     A responsabilidade para com crianças e adolescentes não é exclusiva dos pais. O art. 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece a responsabilidade compartilhada entre família, comunidade, sociedade em geral e poder público para assegurar os direitos fundamentas de crianças e adolescentes. Nesse sentido, os criadores de conteúdo que incitam ou promovem discursos de ódio podem ser responsabilizados por tais práticas, na esfera criminal ao praticar condutas tipificadas na legislação penal.

·       Temos discutido mais esses comportamentos devido à mudança no modo como a sociedade lida com eles e ao aumento da exposição digital.

·       Algo se torna educativo quando vira tema de debate dentro de casa, parando para refletir e conversar sobre questões que chamam a atenção.

·       É preciso oferecer um ambiente de convivência, reflexão e ação para jovens.

·       “Tenho um filho de 15 anos e assim como outras mães e famílias, tenho me preocupado em entender e saber o que é tão atrativo nesse mundo virtual nessa idade, além de escolher a melhor forma de protegê-lo”.

·       Debates, bate-papos, conscientização coletiva. O ditado africano “é preciso uma aldeia para educar uma criança” nunca foi tão atual. A responsabilidade de garantir um crescimento saudável e equilibrado para os jovens não é apenas das famílias, mas também das escolas, das políticas públicas e das grandes plataformas digitais.

·       Capacitar comunidades educativas. Ajudar a preparar e conectar os principais atores educacionais – alunos, pais e professores – no enfrentamento responsável dos desafios e riscos do mundo digital. É preciso oferecer serviços como: a criação de eventos online e presenciais, avaliação do ambiente escolar e desenvolvimento de sistemas de segurança digital.

·       Como sociedade, precisamos reconhecer que o mundo digital, sem uma abordagem responsável, está afetando o desenvolvimento emocional e social. A solução não é apenas restringir, mas educar e criar redes de apoio. Capacitar alunos, pais e professores para lidar com o bullying e outros riscos digitais, criando um ecossistema de autocuidado e proteção digital.

·       Cada grupo enfrenta desafios específicos, por isso a iniciativa – através de ferramentas digitais, oficinas, orientações e capacitações – os aborda de forma distinta: com os alunos o foco é no autocuidado e segurança digital, com os pais a educação digital e parentalidade consciente, e com os professores o foco está na gestão do ambiente escolar. Nossa missão é garantir que todos saibam como prevenir riscos e como agir quando um problema já tiver ocorrido.