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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 8 de setembro de 2024

10 mandamentos para crescer.

“Colocar pobre na universidade não é gasto, é investimento” (Lula, 09/2019).

“A quem interessa o teto de gastos, aos banqueiros?” (Lula, 06/2021).

“Vamos gastar o que for preciso” (03/2022).

“Nós precisamos, primeiro, pagar a dívida que temos como povo pobre” (04/2022).

“Gasto é vida” (Dilma, 2005).

1.     Estar convencido dos investimentos no País e no seu futuro, com apoio da opinião pública em geral. Todos com alta taxa de retorno social, ou compromissos de campanha que devem ser honrados;

2.     Não levar em conta “nervosismos do mercado”, mas saber se precisa efetivamente conter gastos ou se precisa aumentar a arrecadação. Fazer discussões coletivas;

3.     Não perder sustentação política, sobretudo caindo na armadilha do mercado de apertar despesas ou ir na contramão dos discursos de campanha;

4.     O investimento social não deve ser encarado como gasto, sem deixar de enfrentar questões fiscais;

5.     O papel da equipe econômica é dizer que não tem dinheiro; o dos demais ministros é pedir recursos; e o de Lula é o de arbitrar o impasse, descobrindo brechas para arrumar verba;

6.     Existência de governo capaz, confiável e efetivo operacionalmente;

7.     Lideranças políticas responsáveis em reduzir os graus de incertezas sobre o futuro;

8.     Inspirar um mínimo de confiança e cooperação na busca de compartilhados objetivos maiores;

9.     Exercícios consistentes em diálogos com base em moderação, serenidade, postura e compostura;

10.  Conseguir, como parte de um processo de melhoria da qualidade do debate público informado, reduzir em favor do conteúdo da discussão o peso relativo dos insultos digitais, valorizando mais a serenidade e a prudência-com-propósito como virtudes políticas e aprofundar a discussão sobre utopias e distopias, a partir do Estado e do dinamismo da sociedade, visando mudar, para melhor, um país complexo e difícil como o nosso.

Enfim, somos uma sociedade dinâmica, complexa, heterogênea e desigual, que precisa acreditar mais em si própria e no poder que tem de realizar grandes coisas, como, por exemplo, o próprio crescimento econômico e social. Para isso, apostar no investimento público e no poder de autogestão do Estado, por servidores e cidadãos competentes, confiáveis e responsáveis, rompendo com três fenômenos nefastos de nosso passado colonialista, escravocrata, ditatorial, mercantil, midiático e agora desregulado pelas redes sociais: 1) o messianismo salvacionista; 2) o voluntarismo exacerbado e; 3) o autoritarismo exercido em nome do povo. Tudo incompatível com um republicano Estado Democrático de Direito.

Ativismo conservador: conveniência x convicção.


Ao adotar políticas DEI mais com a intenção de ganhar visibilidade ou mitigar crises de reputação, as empresas em nada contribuem para que o problema seja solucionado. Nesse ritmo atual, mais por conveniência do que convicção, o risco é de segmentação cada vez maior, com extremistas de ambos os espectros delimitando quem conversa com quem. Mas uma vez, perde a maioria que, sob a fachada da inclusão, segue sacrificada e excluída.

·       A diversidade e a inclusão (DEI) estão em xeque;

·       Empresas dos EUA abandonam políticas de inclusão nas quais provavelmente nunca acreditaram e às quais aderiram por conveniência, e não convicção.

·       A cultura corporativa ensaiou uma transformação nos últimos anos. Departamentos de RH foram redesenhados para acomodar profissionais mais diversos, no intuito de “disciplinar” a força de trabalho de modo a evitar comportamentos discriminatórios.

·       Cotas para mulheres, negros e gays foram adotadas por diversas empresas, que passaram ainda a explorar a imagem destes mesmos funcionários em campanhas de comunicação interna e externa. Agora, sob pressão de um barulhento ativismo conservador, empresas nos EUA têm abandonado a DEI, numa demonstração de que provavelmente tenham adotado tais políticas menos por convicção e mais pelo desejo de figurarem em listas de melhores empresas para trabalhar (as empresas também adotaram políticas DEI na esteira de eventos de grande comoção);

·       30% da geração Z se identifica com a comunidade LGBTQI+.

·       A Ford, por exemplo, acaba de comunicar aos funcionários que não vai mais participar de um indicador de qualidade corporativa (HRC), uma ONG que atua pelos direitos LGBTQI+, nem adotar cota para minorias quando estiver tratando com fornecedores. Isso também acontece com a Harley-Davidson (fabricante de motocicletas).

·       Havia nos bastidores um movimento que tentava puxar essas empresas para essas causas, tentando argumentar que os dois lados tinham a ganhar: boa imagem e produtividade da empresa, por um lado, inclusão e mais visibilidade do outro. Basicamente, ativistas de bastidores “mapeavam” empresas populares entre o público conservador com políticas – como patrocínios a paradas de orgulho gay – que desagradam a essa parcela da população. Essas empresas eram expostas nas redes sociais, incitando seus seguidores a boicotá-las. Quando a empresa tinha a suspeição de que seriam expostas pelo conservadorismo, ela se antecipava a ele e revertia a política preventivamente. Afinal, não é comum que consumidores insatisfeitos com uma empresa ameacem abandoná-la, mas no mais das vezes tais iniciativas não prosperam.

·       Agora as empresas estão apostando (a estratégia conservadora) em homens de meia idade (tendência da população brasileira e mundial), sobretudo fabricantes de veículos e redes de material de construção.

·       O sinal mais claro no Brasil do afastamento dessas empresas da DEI foi o show de Madona no RJ. Patrocinado pelo Itaú e a Heineken, expôs ao ridículo e de forma pejorativa negros e gays, dos quais agora buscam se afastar, alegando crises de reputação.

·       Não é de hoje que políticas DEI têm sido questionadas por, na tentativa de gerar inclusão, terem criado um clima de medo, fazendo com que muitas pessoas temam dizer ou fazer qualquer coisa por receio de ofender alguém ou de sofrer os chamados “cancelamentos”, banimentos temporários ou duradouros.

·       Nem por isso a correção de distorções que mantêm mulheres, negros e gays em situação de desvantagem no mundo corporativo deve deixar de ser perseguida. Fato é que, ao adotar políticas DEI mais com a intenção de ganhar visibilidade ou mitigar crises de reputação, as empresas em nada contribuem para que o problema seja solucionado.

Enfim, ao buscar políticas de inclusão, empresas deveriam fazê-lo com a mesma convicção que adotam quando, por exemplo, decidem investir recursos financeiros em um projeto de expansão. Quando, sem reflexão, embarcam em projetos apenas pensando nas aparências, as empresas acabam por aprofundar a polarização, seja a dos ativistas conservadores ou a de radicais para os quais até mesmo a palavra “mulher” é discriminatória, imagina a palavra “gay”.

Mídia e os 3 Poderes.

 

·       Posições da direita:

- Numa democracia liberal, todos são livres para dizer o que pensam, mesmo coisas desagradáveis.

- Supremo se atribuiu a missão de sanear o debate nacional sem ter autoridade para isso.

- Diz-se não ser simpatizante dos censurados, sobretudo dos extremistas que querem destruir a democracia. Mas...

- Critica a visão de que cabe ao Estado expurgar a sociedade de seus vícios, de acordo com um ideal determinado por um grupo de iluminados que se autoatribuiu a missão de salvar os brasileiros de si mesmos. Essa visão seria autoritária.

- A direita argumenta em defesa da direito ao vício, ao ódio e do dever do Estado e seus Poderes não interferirem nesse direito porque numa democracia liberal “tudo é permitido a todos”, cabendo a cada um, à liberdade individual, salvar ou condenar a si própria. Do contrário, os brasileiros não poderiam ter nenhum contato com opiniões tidas como violentas ou ameaçadoras, pois seriam incapazes de discernir o certo e o errado, o bem e o mal, o virtuoso e o viciado – e estariam, portanto, sempre à mercê do extremismo.

- A mídia de direita (o 4º poder) acusa o STF de controlar o debate nacional sem ter nenhuma autoridade legal para isso, chamam a isso de truculência ou “inimigos da democracia”, dizendo isso ter grau de arbitrariedade característico dos regimes de exceção.

“Ora, se os cidadãos brasileiros são capazes de escolher seus governantes, são igualmente capazes de julgar quais informações lhes serão úteis ou podem prejudicá-los. Já as eventuais ofensas são tratadas pela lei – e quem for difamado, caluniado ou injuriado deve recorrer à Justiça para obter a devida reparação. Essa é a lógica de um país verdadeiramente livre, em que os direitos básicos são assegurados a todos, independentemente do caráter e do comportamento de cada um. Ninguém pode ter medo de ser punido por expressar sua opinião, mesmo que seja agressiva e eventualmente antidemocrática, pois isso não é digno de uma democracia”.

“A beleza de uma democracia liberal, como pretende ser a brasileira, está na liberdade como princípio: todo cidadão é livre para fazer e falar o que bem entende, respondendo por seus atos e palavras na forma da lei. Numa sociedade assim, coisas desagradáveis eventualmente são ditas ou feitas. Pode ser que isso fira a sensibilidade de um ou outro ministro do Supremo, mas é o preço de viver numa verdadeira democracia”.

·       Posições do STF:

- As redes sociais são um instrumento bom, mas que têm sido usadas de forma extremamente competente por um novo grupo político, os extremistas populistas, para solapar a democracia.

- O ideal é que as empresas que administram as redes sociais se responsabilizem pelo que publicam. Enquanto isso não acontece, restaria ao Judiciário agir para proteger os cidadãos de discursos de ódio.

- Estamos numa luta do “bem” contra o “mal”, o primeiro representado por aqueles que prezam a democracia (liderados pelo STF) e o segundo é encarnado na ganância das Big Techs e na vileza dos extremistas de direita.

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Investimentos Federais.

Grandes agregados da conta federal.

Nos últimos 12 meses, as contas fecham assim:

·       Previdência (INSS): 8,35% do PIB;

·       Pessoal (salários, benefícios, aposentadorias): 3,48%.

·       Saúde: 1,83% do PIB (saltou de R$ 60 bi no início de Lula.3 para R$ 209 bilhões agora);

·       Bolsa Família: R$ 171 bilhões.

Enfim, a receita total do governo foi de 18,17% do PIB nos últimos 12 meses. A despesa, de 20,21%. Para um padrão precário e desigual como o nosso, investimento não é gasto. E sempre faltará recurso, partindo do referencial de atendimento de qualidade que merecemos. Em termos de tecnologias e terapias, o céu é o limite.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Fome: produzir e desperdiçar.

 

Estamos entre os 5 maiores produtores de alimentos do mundo. Produzimos cerca de 161 milhões de toneladas de comida todo ano. Em contradição, somos o 10º país que mais desperdiça alimentos no mundo! Da plantação à mesa, jogamos fora 55 milhões de toneladas de comida por ano!

As taxas de desperdício são: Lavoura: 31,2%; Transporte: 19,5%; Abastecimento e Manufatura: 21,5%; Varejo e Serviço, mercados e restaurantes: 14,3%; Consumidor Final: 13,5% (Fonte: IBGE/Pacto contra a Fome).

8,7 milhões de brasileiros ainda passam fome (Fonte: IBGE/Pnad).



Violência e Educação: RJ/SP.

·       Estudo da Unicef aponta alta na morte violenta de crianças e adolescentes em SP, de 2018-2022 (pretos, pardos, de periferia). 2 em 3 que morreram estavam fora da escola, ou seja, fora do ambiente de estudos as crianças e os adolescentes ficam mais vulneráveis. 

·       A proximidade devastadora entre violência-educação. No RJ, metade dos tiroteios (49%) acontece perto de escolas (300m). 


Migração.

 Tráfico de migrantes.

·       Canal da Mancha: Chegar ao Reino Unido ao sair da França. Pequenos botes, muitas pessoas, sem coletes. Uma tragédia! Estima-se que 236 pessoas (incluindo 35 crianças) estejam desaparecidas ou tenham morrido desde o início do ano, tentando cruzar o Canal da Mancha. Mais de 20 mil migrantes conseguiram fazer a travessia (jan/julh. 2024). Afegãos e iranianos são os principais imigrantes: homens de 25-39 anos.

·       O Canal da Mancha é uma das rotas de navegação mais movimentadas do mundo. As correntes marítimas são fortes, com uma das travessias mais perigosas do planeta. 

IA Generativa.

O perigoso uso de dados pessoais para o treinamento de IA.

Vivemos num contexto em que o desenvolvimento de tecnologias avançadas depende cada vez mais de dados iniciais básicos. A IA generativa é uma área da inteligência artificial que se concentra na criação de conteúdos, como textos, imagens, músicas ou vídeos, a partir de modelos treinados nessa ampla variedade de dados hoje disponíveis. Ou seja, ela pode produzir novas informações ou artefatos a partir de outros preexistentes (diferente de outras formas de IA, que apenas analisam e respondem a dados de entrada).

Recentemente, o Grupo Meta, proprietário do Facebook, do Instragram, do WhatsApp e do Threads, anunciou uma atualização em sua política de privacidade, afetando mais de 100 milhões de usuários apenas no Facebook. Esses usuários viram seus dados pessoais, incluindo fotos, textos e vídeos, serem utilizados para o treinamento de inteligência artificial (IA). Esta movimentação da Meta mostra a tensão entre inovação tecnológica e proteção de direitos fundamentais.

IDEIA CENTRAL: estamos falando aqui das sérias preocupações com relação a privacidade e segurança de dados. Nos bastidores, ocorre um tratamento de dados pessoais sem o consentimento dos usuários, encarado como se fosse um interesse legítimo. Quem garante que a Meta não está fazendo o uso indevido  de dados pessoais para o desenvolvimento de IA generativa?

A IA generativa, embora poderosa e inovadora, pode causar vários tipos de danos aos usuários, como a criação de notícias falsas, a manipulação de informações e a rápida disseminação de desinformação de forma convincente. Vídeos e áudios gerados por IA podem fazer parecer que uma pessoa disse ou fez algo que não aconteceu, podendo ser usados para difamar ou enganar. A criação de identidades falsas pode ser usada para fraudes ou roubo de identidade, uma vez que a capacidade de imitar vozes e rostos pode facilitar fraudes financeiras e outros crimes.

Enfim, as Big Techs precisam de marcos regulatórios, urgentes, uma vez que a proteção dos dados pessoais é um direito fundamental que deve ser preservado! Essas gigantes tecnológicas precisam  respeitar a privacidade e a segurança dos nossos dados pessoais. Também nós, usuários, devemos ser mais cautelosos e nos proteger. Nossos direitos fundamentais, enquanto titulares de dados, precisam estar seguros! Afinal, esses setores tecnológicos estão jogando seus usuários aos leões das empresas, ao tratar dos dados pessoais para projetar produtos e padrões de consumo, bem como outras formas de manipulação. O risco de danos graves e irreparáveis é iminente.

Entre as medidas de segurança, destacam-se quatro:

1.     Evitar fornecer informações pessoais como números de documentos ou detalhes financeiros;

2.     Não compartilhar sua localização exata ou detalhes específicos sobre sua rotina;

3.     Nunca divulgar senhas, números de cartão de crédito ou informações confidenciais;

4.     Analisar as políticas de privacidade das plataformas para entender como seus dados pessoais serão tratados.


CONCLUSÕES-SÍNTESE:

·       A crescente integração de IA generativa nas operações de empresas de tecnologia levanta questões críticas sobre privacidade e segurança de dados;

·       As regulações de proteção de dados pessoais destacam a necessidade de um equilíbrio cuidadoso entre inovação e proteção dos direitos dos usuários;

·       A responsabilidade não recai apenas sobre as autoridades e as empresas, ou seja, a supervisão das instituições; os próprios usuários devem estar cientes dos riscos e tomar medidas proativas para proteger suas informações pessoais.

Lula e o Congresso x STF.

·       O Congresso Nacional acumulou enorme poder nos últimos anos para se assenhorear de um quinhão cada vez maior do Orçamento da União sem prestar contas a rigorosamente ninguém – nem ao Supremo, que vem sendo desrespeitado desde o fim de 2022.

·       A melhor forma de acabar com o jogo democrático é desqualificar o juiz. Neste momento, todas as armas (Congresso, Mídia, Elite, Elon Musk, opinião pública do X, crise diplomática com a Venezuela) estão voltadas para o judiciário. O Congresso anda fazendo ameaças veladas e explícitas ao STF, que tem articulado em sua sede (Corte Constitucional), para manter sua independência. A mais escancarada foi a atitude do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), encaminhar para a CCJ da Casa duas Propostas de Emenda à Constituição que minavam o poder da Corte:

1) para limitar decisões monocráticas, objeto de uma alteração no Regimento Interno já aprovada pelo próprio STF;

2) para dar ao Congresso o poder de cassar decisões da Corte, um despautério para o STF.

Posição da mídia: “Os ministros do STF, não sem razão, se enchem de brios quando são afrontados, seja como indivíduos, seja como autoridades da mais alta instância do Poder Judiciário do País. Entrentanto, quando os Poderes Executivo e Legislativo, de forma escancarada, se unem para rasgar a Constituição – em prol de uma suposta governabilidade, no melhor cenário, ou para satisfazer interesses inconfessáveis, no pior – e dispor de recursos do Orçamento da União sem a observância de quaisquer critérios objetivos e fora do alcance dos controles republicanos, o STF, ora vejam, dá-se por conformado com um arremedo de solução”.

Enfim, nessa arbitragem toda para apequenar o Guardião Maior do texto constitucional, a grande mídia quer assumir o papel do VAR (Video Assistant Referee), ou Árbitro Assistente de Vídeo. Sua função é analisar imagens de vídeo para ajudar o árbitro principal de uma partida de futebol a tomar a melhor decisão em lances duvidosos, como pênaltis ou impedimentos.

·       Uma Justiça caótica, capitaneada por Corte Suprema escancaradamente politizada e militante, fonte de insegurança jurídica, e que tem entre seus integrantes um ministro censor e autoritário que corrói a liberdade de expressão e opinião.

·       Um Congresso onde operam parlamentares pragmáticos no pior sentido e em constantes disputas e retaliações contra os outros dois Poderes.

·       Enfim, estão produzindo um cenário preocupante, cujo desenvolvimento pode levar o País a uma grave crise institucional. 

·       Lembra-se de quando o 7 de Setembro virou palco de oportunismos políticos e partidários? Aconteceu em 2022, quando Bolsonaro transformou a data em palanque eleitoral. No ano anterior, ele já pregara desobediência ao Judiciário. Ou seja, os limites intrínsecos e essenciais à democracia foram ultrapassados. Agora, em 2024, o inelegível convoca na Avenida Paulista (SP), uma manifestação que contará com a presença de Tarcísio, candidatos nas eleições municipais, parlamentares de diferentes regiões. 


É evidente a tentativa de produção de crise entre os 03 Poderes, a fim de desmantelar a condenação do inelegível. Vejamos os ataques:

1.     Poder Executivo: Um presidente da República que titubeia em condenar ditaduras e organizações terroristas, considerando exclusivamente seu entendimento pessoal, vilipendiando a tradição democrática e de neutralidade do Brasil em conflitos internacionais.

2.     Poder Legislativo: Um Congresso que abocanha voraz e indevidamente o Orçamento público, omite-se em legislar os assuntos de interesse da sociedade e, quando o faz, destrói o pouco que temos em regras estruturantes – no caso, a Lei de Responsabilidade Fiscal, permitindo a prefeitos perdulários enterrarem financeiramente os municípios que governam.

3.     Poder Judiciário: Um ministro do STF que inobserva o rito processual em notificação e obriga parte ilegítima ao pagamento de multas, no afã de punir um infrator estrangeiro.

CONCLUSÃO: Estão investindo com força num Estado distópico. Desejam uma Ditadura, pois nenhum poder presta, muito menos as relações entre eles. Como se os atuais integrantes do Estado brasileiro estivessem nos conduzindo à ridicularização internacional, à desintegração orçamentária e à falência da garantia dos princípios constitucionais e das leis derivadas. Desejando nos colocar na contramão de uma governança edificante, consolidando enfim um Estado Distópico. 


Agenda (vespeiro) bolsonarista no Senado:

·       Gritaria de impeachment de ministros do STF;

·       Anistia para os golpistas do 8 de janeiro;

·       Quem vai acenar para isso a fim de ganhar voto da bancada bolsonarista? Por isso que é difícil a esquerda retirar votos da extrema direita. 

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Ataques à Democracia.

"Democracia é ideal dos que lutaram pela independência e dos que dedicaram a vida à construção da soberania nacional. A legitimidade é o principal pilar das instituições da República. Cuidar para que se fortaleça é missão de todos os brasileiros, cidadãos e autoridades".

·       Incitar a desobediência;

·       Conspirar e sabotar sistema eleitoral;

·       Fraudes;

·       Tenta tornar as disputas eleitorais contestadas no interior do país e na comunidade internacional, fabricando supostas evidências de fraude. Ou seja, atenta contra as eleições no país.

·       Usurpar funções, falsificar documentos públicos;

·       Erotizar tudo: “O governo só pensa naquilo”.

·       Deboche de um lado, teimosia ruim do outro.

·       Tenta cacificar nas eleições da pior forma (sem construção coletiva).

·       Adoção de discursos antissistema/antipolítica e surfar nessa onda com mobilização das redes – com mais força dos algoritmos.  

·       Tenta inibir a Corte (a justiça, o Judiciário) com pressões políticas de todos os lados e formas, revertendo a lógica: não é a Lei que inibe o crime, o crime que encolhe a Lei/Justiça.

·       A política teatralizada e o teatro politizado pela mídia/Globo – TV é como decorar todo o texto da Bíblia – o teatro é a vida e a vida política passa ser um teatro.

·       Fazer o regime perder a noção da realidade;

·       Foco: site criado pela oposição para divulgar as cópias das atas de votação, que comprovariam vitória de Urrutia.

·       Força uma opinião binária, contra ou a favor. Ver por inteiro desagrada a todos.

·       A discussão regular sobre toda sorte de assunto (tecnologia, ciência, celebridades, futebol, política) pode acontecer a esmo e sem limites.

·       Musk, por exemplo, é um demagogo a serviço do movimento antidemocrático de direita no mundo. Quer o espetáculo de qualquer jeito. Por exemplo: obedece sem piscar a ordens judiciais na Turquia, China ou Arábia Saudita; cortou repentinamente o acesso dos ucranianos à internet via Starlink para ajudar os russos na guerra; é um dos homens mais ricos do mundo, não está nem aí para prejuízos no X. A Musk interessa, politicamente, fazer teatro de defesa da liberdade de expressão nalgum canto do mundo que sirva a seus propósitos. E, ao dar continuadas ordens absurdas para cassar contas em segredo de justiça, Moraes lhe entregou a faca e o queijo nas mãos.

·       Diz defender a Democracia com ordens absurdas;

·       Calar todas as vozes com alcance da extrema direita, mesmo quando são meros aloprados iletrados, não diminui os riscos contra a democracia. Tem, pelo contrário, o potencial de aumentá-los.

·       Com Jair Bolsonaro cassado, o X fechado e a possível cassação da candidatura de Pablo Marçal, informamos a algo entre 20% e 30% dos brasileiros: sua voz precisa ser calada, suas escolhas devem ser ignoradas. Eles podem ser desagradáveis, mas ainda têm os mesmos direitos constitucionais de todos nós.

·       Precisa de uma Justiça fraca, desmoralizada, sem crédito. Então vai atacar a Justiça de todas as formas. Por exemplo, Moraes teve papel fundamental para impedir um golpe de Estado em 2022.

·       Se gente demais da sociedade não acredita que a democracia lhe sirva, ela decai. É quando o povo não acredita na democracia que ela pode cair.

·       Ditaduras dependem de duas coisas para subsistir: o apoio das Forças Armadas e da população. 

·       Lembra-se de quando o 7 de Setembro virou palco de oportunismos políticos e partidários? Aconteceu em 2022, quando Bolsonaro transformou a data em palanque eleitoral. No ano anterior, ele já pregara desobediência ao Judiciário. Ou seja, os limites intrínsecos e essenciais à democracia foram ultrapassados. Agora, em 2024, o inelegível convoca na Avenida Paulista (SP), uma manifestação que contará com a presença de Tarcísio, candidatos nas eleições municipais, parlamentares de diferentes regiões. 

 

TRECHOS PARA PENSAR:

“O espírito da Democracia exige ativa participação popular, dedicação ao regime e disposição de lutar por ele. Democracias não são mero fruto de eventos históricos, condições estruturais da sociedade ou instituições fortes. Democracias acontecem quando uma sociedade as exige. Foi o que aconteceu aqui, no Brasil, em 1984”.

“Quando o Muro de Berlim caiu e se iniciou a democratização do Leste Europeu, os americanos abandonaram o realismo kissigeriano, ideologia dominante em sua política externa, em nome de duas correntes em disputa. Uma, o liberalismo de Bill Clinton e Barack Obama. Outra, o neoconservadorismo de George W. Bush. Ambos acreditavam que os Estados Unidos tinham a ganhar se aumentasse o número de democracias no mundo. Oportunidades comerciais aumentariam, mercados se abririam, o número de conflitos armados diminuiria. A diferença é que liberais defendiam que uma democracia só se estabelece de baixa par cima. Ou a sociedade deseja o regime, vai às ruas exigi-lo, ou a democracia é frágil e não dura muito. Os neoconservadores, não. Acreditavam que dava para impor a democracia de cima para baixo. Basta construir as instituições e pôr no poder as pessoas certas. Bem, os liberais podem exibir como exemplos América Latina e Leste Europeu, ambos com longa história autoritária, em que a democracia se fincou e permanece, com raras exceções, desde a década de 1990. O Iraque foi o caso exemplar dos neoconservadores. Fracassou retumbantemente”.