Quem sou eu

Minha foto
São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
Obrigado pela visita! Volte Sempre!

"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

Arquivos do blog

domingo, 1 de setembro de 2024

Esquerdas/Direita: Mundo e Brasil.

As esquerdas no mundo.

No balanço global, a esquerda teve êxito. Ela governa em centros decisivos de poder. Suas propostas foram suficientemente consistentes com os ideais progressistas de justiça social para cativar os eleitores. Vejamos:

·       América Latina: com exceção de meia dúzia de países, o mapa é vermelho.

·       Chile: elegeu um jovem avesso a autoritarismos, mas resolutamente progressista.

·       Espanha: governam os socialistas;

·       Alemanha: os social-democratas;

·       EUA: os democratas;

·       Inglaterra: após derrotas humilhantes, os trabalhistas expurgaram seus radicais e varreram as urnas.

·       França: as esquerdas reverteram a vitória iminente da direita dura.

·       Brasil: evitou um golpe, reagiu democraticamente e reelegeu um operário.

 ·       Alemanha: partido AfD venceu uma eleição parlamentar (não se via um resultado desses desde a II Guerra Mundial). O partido é anti-imigração e crítico da União Europeia. Os resultados são amargos e preocupantes: divide a sociedade, prejudica a economia e enfraquece o país. O partido CDU, que é de centro-direita, descartou governar com a extrema-direita. Ou seja, extremismos emergem na Alemanha. A respeito de avanço da ultradireita e outros resultados de eleições regionais.  


As esquerdas no Brasil.

·       Precisa se modernizar e ganhar mais terreno, como vem fazendo a esquerda mundial;

·       Vive hostilizando o Ocidente, celebrando extremos da esquerda e se preocupando mais com pronomes do que com os pobres;

·       Acerta ao priorizar as estatais e bater nos mais ricos (política nacional-desenvolvimentista), mas precisa tomar cuidado com a ira e as armações do mercado (que preza o boom das commodities e o controle das contas públicas), o antiocidentalismo na geopolítica (simpatia com a China, Rússia, Cuba, Venezuela, Hamas e iranianos) e o identitarismo na cultura (racialistas, feministas, LGBT).

·       A velha esquerda tem caminhado para o centro e se distanciado de seu ideal universal: distribuir o capital às classes trabalhadoras, independentemente de raça, gênero, credo ou orientação sexual. Aquela forte preocupação com os pobres e não os pronomes.

·       Precisa saber lidar com os ataques caricatos e autoritários da extrema direita, passível de ser cancelado ou criminalizado.

·       Está caindo na armadilha de deslocar o central conflito da sociedade (ricos x pobres) para jogar uns contra os outros (Estado x cidadãos). Assim, os principais conflitos na sociedade deixaram de ser entre ricos e pobres, capital e trabalho, para ser entre o Estado e seus governantes/governados, para não falar em homens e mulheres, héteros e LGBTs, etc.

·       A esquerda brasileira, fortemente impactada pela religião (evangélicos), está caindo na armadilha azul. Vem aceitando ou sendo convencida a um Estado mais enxuto e amigável à iniciativa privada, valorizando a meritocracia e aceitando que as crises éticas da sociedade resultam menos de vícios “estruturais” do que de desvios individuais, a serem sanados, antes de tudo, pela família.

E a direita no Brasil?

·       Tem suas próprias, e terríveis, patologias e perversões;

·       Criaturas e criadores do caos (Bolsonaro, Marçal);

·       Sequestram anseios difusos contra o Estado e a favor da família, da livre-iniciativa, do mérito pessoal, da igualdade de oportunidades (não de condições) do patrimonialismo e do paternalismo e da produtividade econômica.

Enfim, o Brasil precisa cuidar melhor de sua esquerda para não fortalecer a direita. Uma esquerda responsável, que retome a luta de classes e se revolte com a tentativa de legitimar as regras injustas do mercado e economia neoliberal. Uma esquerda que volte a formar seus filhos e jovens nos movimentos sociais, nas organizações de base e nas escolas públicas, e não nas telas insanas das redes sociais. Só assim será possível avançar nas ações enérgicas a favor do almejado bem-estar coletivo e o Estado Democrático de Direitos.


Nota I*

Direita e Esquerda querem se destruir, mas uma não vive sem a outra quando a política é movida pela paixão extremista de ambas. Somos essas duas faces facilmente osciladas quando não temos identidade. O problema da vez é a mentira generalizada na política que já nem é mais considerada mentira – perceptível, tolerada e legitimada, tornou-se o teatro da vida política, o jeitinho que virou golpinho. Mentir na política é dizer exatamente o que o público quer ouvir, moldar suas histórias estrategicamente para o discurso virar pregação/religião e obter resultados nas urnas. Depois, nada feito! O cenário é sombrio e só indignação não eliminará as mentiras.

Cuidado ao nivelar a política e os candidatos por baixo, pois isso trouxe o extremismo de expiação. Não tem essa do “voto contra” pelo viés do candidato ou sua ideologia. O voto consciente é a favor da democracia e dos que precisam de saúde e educação públicas. A escolha é óbvia, para depois não precisar pedir perdão de novo. 

Há um forte movimento para naturalizar (o novo normal) a extrema direita boxista (veja as investidas do Elon Musk e seu X abusivo). Já estão mirando em 2026, o golpe reeditado, apoiando bizarrices (tortura, misoginia, racismo, homofobia). Extrema direita neofascista nem direita é. É puro crime que não cabe dentro da democracia. É desonesto e perigoso colocar a esquerda no mesmo grau de mediocridade e canalhice da direita. 

Enfim, Seja lá ou seja cá, na direita ou na esquerda, sem conserto e entrincheirados nas bolhas dos extremos, quanto mais fundo se imergir em qualquer uma das extremidades, menos se enxergará a luz. No meio de tantos tiros nos pés, fogos amigos e armadilhas, o mais importante é não ser o que o outro é – seria uma dislexia identitária. Os tempos incertos pedem autenticidade e originalidade. Lucidez.

Nota II*

·       O centro político brasileiro é incerto, quase direitista. Só a qualidade do voto para definir.

·       Há um forte ódio implantado ao divergente, alimentado pelas redes sociais e religiosas neopentecostais extremos, é o que segue a política direitista atual.

·       A polarização deu força aos votos “contra” em detrimento dos “a favor”. Isso não seria tão ruim se não tivesse aberto as portas para os oportunistas antissistema, o maior perigo.

·       A esquerda luta contra: desigualdade, miséria, fome, homofobia, racismo, desemprego, machismo, violência. A direita luta conta: a esquerda.

·       A vergonhosa propaganda e normalização do fascismo de Bolsonaro pela golpisa Folha/Estgão/Globo, seus jagunços e grande mídia, que tenta denegrir toda a política, é a base para o surgimento de Trump, Bolsonaro, Marçal da vida. Enquanto apoiarem Campos Neto e Liras, manipularão notícias para abocanhar juros e privatizações fraudulentas, roubando dinheiro que deveria ir para a educação, saúde, mantendo parte do povo escravo da falta de conhecimento.

·       Essa ideia de pessoas votarem por odiarem outras é perigoso. Dizer que todos são canalhas e votamos “contra”, não “a favor”, porque votamos no “menos pior”, é antipolítica e alimentação do ódio. Cuidado!

·       Quando era direita x esquerda (PSDB x PT), não havia problema. O fato novo foi o PSDB optar pela extrema direita. O embate é entre autoritários (que buscam o poder através do voto para dar um golpe) x os que tentam preservar a democracia, isto é, restou às esquerdas defenderem a democracia. O trágico é que o centro e a direita tradicionais logo normalizaram e as aliaram ao bozismo (Dória, Leite, Zema, Kim, Ciro, Tebet, Tabata, etc.) e se tornaram seus reféns (Nunes).

·       Lula foi eleito graças ao forte movimento em defesa do estado democrático de direito. Além dos eleitores convictos, também um segmento de grupo que odiava o lulopetismo teve a sensatez de votar contra a bizarrice.

·       Cuidado ao nivelar a política e os candidatos por baixo, pois isso trouxe o extremismo de expiação. Não tem essa do “voto contra” pelo viés do candidato ou sua ideologia. O voto consciente é a favor da democracia e dos que precisam de saúde e educação públicas. A escolha é óbvia, para depois não precisar pedir perdão de novo.

·       Há um forte movimento para naturalizar (o novo normal) a extrema direita boxista (veja as investidas do Elon Musk e seu X abusivo). Já estão mirando em 2026, o golpe reeditado, apoiando bizarrices (tortura, misoginia, racismo, homofobia). Extrema direita neofascista nem direita é. É puro crime que não cabe dentro da democracia. É desonesto e perigoso colocar a esquerda no mesmo grau de mediocridade e canalhice da direita.

·       Vencemos uma batalha, mas a guerra continua. Livramo-nos de Bolsonaro, mas não do bolsonarismo e sua corrida rumo ao abismo. Conseguimos reduzir a velocidade, mas o trem da morte se mexe. Bolsonaro está sendo substituído e multiplicado nessas eleições municipais, por outro ignóbil pior que ele, e assim por diante. 

A nova face do Eleitorado de Direita.

 “A nova cepa da direita”: bandeiras, símbolos, valores...

A continuidade da nossa Democracia depende da superação desse movimento de extrema direita que polariza e alimenta ódios no país. Para além das eleições municipais, esse movimento em curso certamente terá repercussão importante na disputa à Presidência em 2026.

Embora inelegível, Bolsonaro tenta reverter sua situação. Ele insiste em ser líder incontestável da direita no país, mas o tamanho político dele no futuro e o peso das maiores forças só ficarão mais claros após o saldo eleitoral deste ano. É o eleitor que está esperando se entregar para alguém!

Entender como o conservadorismo vai se comportar no pleito de 2024 vai dar pistas para a direita daqui a dois anos. Então...

Raio X:

·       Ameaça se desgarrar da liderança de JB, com dúvidas no horizonte sobre sua capacidade de comando absoluto da turma à direita – o ex-capitão tem se deparado com desempenhos pífios de seus escolhidos em pesquisas de intenção de voto em cidades importantes onde o mito decidiu lançar ou apoiar candidatos às prefeituras;

·       Em caso de confirmação de sua inelegibilidade, os nomes cotados/ventilados para “herdar” o espólio político de Bolsonaro (ocupar essa faixa política) são: Ronaldo Caiado (Governador do Goiás, União Brasil); Tarcísio de Freitas (Governador de SP); Ratinho Jr. (Governador do Paraná, PSD); Romeu Zema (Novo, Governador de MG). Se o escolhido for um dos membros dessa nova cepa de direita, em vez de propostas novas, há um risco claro de termos de forma amplificada as velhas queixas contra o “sistema”.

·       Assim, eles têm o bônus do bolsonarismo, sem o ônus do Bolsonaro. A visão é estreita, existe para oprimir adversários e trabalhar de forma perpétua para a manutenção do status quo.

·       O bolo do eleitorado da direita no país é composto por: evangélicos, liberais e militares;

·       Abraça cada vez mais o discurso antissistema (antipolítica) e agora ainda mais: é um niilista convicto;

·       Ou seja, os ingredientes dos discursos, das ações e dos símbolos são: elementos do protestantismo clássico, teologia da prosperidade, excentricidade e narcisismo,

·       São radicais livres;

·       O discurso rebelde e antissistema ressoa de forma mais efetiva entre os jovens porque: têm menos a perder e aderem com mais facilidade a extremismos e propostas irresponsáveis, além de um aspecto fundamental: a familiaridade com o ambiente tecnológico. O letramento digital dessa juventude reforça a lógica de rede em que se criam comunidades com um propósito – cada usuário se vê engajado no objetivo de espalhar uma mensagem com um potencial ilusório de “hackear” o sistema. Ainda, esse eleitorado é mais identificado entre os que ganham mais de 05 salários mínimos e na classe C, que se vê pressionada pela dificuldade de atingir metas materiais, como ter a casa própria. Por fim, esse público também é majoritariamente masculino, composto por homens que sentem ter perdido o poder de decisão num mundo no qual o patriarcado é cada vez mais questionado e relativizado.

·       Entoa os velhos gritos de guerra dos mais conservadores: discurso antipetista, mas acrescentou pautas da atualidade: desejo de empreender e de obter uma rápida ascensão social;

·       Um dos modelos mais admirados são os influenciadores digitais, a turma que muitas vezes consegue fortuna com um celular na mão;

·       A ojeriza ao establishment (ordem ideológica, econômica, política, cultural e legal que constitui o Estado/Sociedade) ganhou contornos ainda mais raivosos em meio ao movimento. A origem esteve nas manifestações de 2013: as sementes da revolta contra o “sistema”.

·       O maior exemplo de sucesso de um candidato/personagem ator outsider na política era justamente Bolsonaro (indivíduo que não pertence a um grupo determinado). Ator porque ele se vende como indeterminado (antissistema/antipolítica), mas na verdade é mais partidário do que ninguém. Trata-se de uma tática política sobre a psicologia. Na psicologia, o termo outsider pode ser usado para descrever alguém que se sente excluído ou marginalizado em um determinado grupo social. Essas pessoas muitas vezes enfrentam desafios emocionais e psicológicos por não se encaixarem nos padrões estabelecidos.

·       Porém, o candidato/personagem outsider da direita mostra seu partido (ator) depois da vitória numa eleição, pois não consegue manter essa imagem de forasteiro quando candidato, uma vez que, empossados, precisam investir em composições. Por exemplo: o que Bolsonaro fez no Palácio do Planalto e segue fazendo nas atuais eleições, como mostra a aliança em SP com Ricardo Nunes, um político muito mais próximo do Centrão do que do bolsonarismo raiz. Enfim, é por isso que dentro dessa engrenagem, o voto do outsider demanda uma novidade a cada pleito.

·       Facada e tiro. Lembra da suposta facada sofrida em Juiz de Fora (MG) pelo inelegível? Ou o suposto tiro na orelha de Trump? Pois é, o palhaço macabro (It) veste bem essa extrema direita, pois reforça ao eleitorado a figura de alguém que incomoda tanto o establishment a ponto de ser vítima de uma tentativa de assassinato (embora, pouco importa a verdade dos fatos, claro).

·       Reforça de forma estridente o combate às pautas progressistas;

·       Incorpora entre suas bandeiras temas como o empreendedorismo;

·       Aposta em Marçal (PRTB-SP), atual representante mais barulhento dessa onda: ele faz motociata como Bolsonaro, mas agora está em pé de guerra com a família. Fez fama como coach, usa o tom de discurso motivacional, prometendo progresso e riqueza aos seus eleitores. Ele mostra uma vida de luxo, mas não se porta como uma pessoa da elite.

·       Usa a força das redes sociais como meio de propagação de discursos, passando pela estratégia de campanha, até a forma de “fisgar o eleitor” com um tom agressivo e direto.

·       Veste a roupa da esquerda para vender o conteúdo da direita (enquanto a esquerda se descaracterizou imitando a direita em muitos aspectos, reforçando-a).  

·       O clássico e tradicional corpo a corpo com os eleitores virou peça secundária na campanha. Até porque, certas caminhadas por uma Avenida Paulista não têm durado metade de um quarteirão e aglutinado uma cinco ou seis dezenas de pessoas na rua. Já um vídeo feito para as redes sociais chegar ter 1,6 milhão de visualizações em menos de 24 horas. A forte presença na internet chega nem ser abalada por uma decisão da Justiça que às vezes derruba canais, seja por suspeita de abuso de poder econômico ou fake news, mas logo em seguida são abertos outros perfis que amealham de forma rápida milhões de seguidores.

·       O público disposto a apoiar esse tipo de político não cresceu no país ao longo da história, mas de uns tempos para cá deixou de votar por exclusão, passando a votar por convicção.

·       Durante muito tempo, grande parte desse público fechou com o PSDB, sendo que o partido jamais se assumiu coo uma sigla de direita. Com o surgimento de forças mais radicais na política, dispostas a empunhar de forma explícita bandeiras conservadoras, o mesmo grupo de eleitores saiu do armário.

·       Bolsonaro é um projeto criado pela direita para representar e identificar esse sentimento abafado por parte da população conservadora, muitas vezes por falta de capacidade de vocalizar. Esse resgate veio com ele. Depois de rasgar a fantasia e passar por um momento de autoafirmação em 2018, esses eleitores ganharam uma motivação extra na batalha contra propostas típicas do progressismo: a descriminalização do porte de maconha para consumo pessoal, a legalização do aborto, a liberdade da população LGBTQIA+. Ao mesmo tempo que essas questões importantes entraram no debate público, houve efeito colateral na forma de uma forte e agressiva reação conservadora a elas. Há poucos anos, essas discussões sequer existiam, porque havia consensos generalizados que foram quebrados.

·       Qual será o grau de vitórias nas eleições de 2024 dos candidatos emergentes da direita do país?

·       Para essa turma nenhum partido presta, o Congresso não presta, o Supremo também não, numa toada de teses incompatíveis com a democracia. Querer falar que vai governar sem isso é uma bobagem, não existe governar sozinho. A menos que você implante uma ditadura.

·       É histórica a investida do conservadorismo nas urnas ou eleições. Até chegar na atual edição do bolsonarismo, estreou e perdeu na eleição de 1945, com o brigadeiro Eduardo Gomes na UDN (União Democrática Nacional), defendendo a moralidade e o liberalismo clássico (e se opondo ao populismo de Getúlio Vargas). Porém, deixou um saldo/legado: 35% dos votos. Em 1960, chegou ao poder apoiando Jânio Quadros. No pós-ditadura, a direita (representada pelo PFL, herdeiro do Arena e antecessor do DEM) se dividiu entre Paulo Maluf, Aurelino Chaves e Ronaldo Caiado para depois se unir em torno de Fernando Collor para derrotar Lula. Motivada pelo antipetismo, a direita caminharia com o PSDB nas eleições presidenciais seguintes. Em 2018, despontou na figura de um candidato antissistema (PSL nanico), o Jair Bolsonaro, apoiado em temas como família, Deus, pátria e liberdade. Arrastou o eleitorado de direita e triunfou sobre Fernando Haddad (PT). Em 2022, candidato à reeleição após uma gestão tumultuado, marcada pela pandemia, pela tensão política e pelas crises institucionais, Bolsonaro arrancou na reta final da campanha, foi ao segundo turno e acabou derrotado por Lula, por apenas 1,8 ponto percentual. Atualmente, em quase metade do seu terceiro mandato, Lula.3 tenta unir e reconstruir o país sob uma forte pressão do Mercado, da mídia e dessas forças conservadoras.

·       O conservadorismo brasileiro atual tem como pensadores Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen, e representantes mais destacados, com um debate de melhor nível: revista Veja, edições Globo, Brasil Paralelo e a galera dos cultos do Antigo Testamento. Ou seja, o PSDB disfarçados de bolsonarismo, por hora fracassado, mas concentrando suas forças num novo senhor dos anéis.

Enfim, a Democracia tem a capacidade de transformar tiroteios reais em debates entre adversários. Para fortalecê-la, precisamos evitar um debate eleitoral empobrecido pelos discursos dos outsiders, vazios de promessas e cheios de perigosos ataques à política. 





Sem ELEIÇÕES limpas, a DEMOCRACIA sofre.

“A teatralidade inerente à política possibilita a distorção das eleições e da própria democracia”.

·       O Brasil tem convivido bem com as eleições;

·       Eleições são decisivas para o bom funcionamento da democracia.

·       Por meio das eleições, mostra-se a qualidade da representação, a resiliência da estrutura institucional e o desempenho governamental;

·       Governantes são premiados ou castigados pelos eleitores quando buscam a reeleição;

·       Políticos insurgentes podem ganhar o palco da política quando reúnem bons votos;

·       Eleitores extravasam nas urnas suas esperanças, seu descontentamento e sua desconfiança nos políticos;

·       Pela via eleitoral, a possibilidade de ditadura é reduzida e até desfeita, primeiro a partir das bordas e, depois, em seu sistema nervoso central;

·       Com os parâmetros fornecidos pela Constituição de 1988: o voto é secreto, inviolável, auditável, acessível a todos a partir dos 16 anos;

·       Com o processo legítimo e respeitado, vencedores tomam posse e os incumbentes derrotados transmitem os cargos sem maiores acidentes;

·       Eleições sempre serão processos complexos.

·       São sujeitas a muitos acidentes de percurso e determinadas tanto pelo sistema em que se inserem quanto pelos humores dos cidadãos e pelo estado da sociedade.

·       A proliferação das redes sociais e das tecnologias de informação e comunicação, por exemplo, mudaram o modo como se organizam as campanhas e se busca o voto, implicando grandes modificações na dinâmica eleitoral.

·       É preciso punir candidatos oportunistas que emergem como bufão da hora para bagunçar as eleições na cidade. São figuras histriônicas e vazias, que criam seguidas arapucas para tentar macular os adversários, perturbar as disputas presidenciais e iludir o eleitorado. Todos têm o mesmo foco: fazer das eleições uma arena de disputas medíocres, demagógicas e virulentas. São candidatos bufões, aventureiros, agressivos e com propostas mirabolantes, sem nexos com a realidade e voltadas exclusivamente a embaralhar as disputas eleitorais, outsiders, antipolítica. Prestam enorme desserviço: emporcalham o trâmite eleitoral, fragilizam os partidos, fomentam o populismo mais rasteiro. Põem em risco, assim, a própria democracia e sua institucionalidade. Além do mais, disseminam ódio, raiva e desconfiança entre os eleitores, sequestrando um precioso componente da vida democrática. Exemplos dessa gente: Marçal, Trump.

·       Candidatos de “novo tipo” passaram a abusar das redes para disseminar mentiras e ataques aos adversários, criando arenas manchadas por sujeiras que espalham de forma tóxica, envenenando o eleitorado e alterando a qualidade das disputas políticas.

·       Eleições podem ser atacadas de diversas formas: abertamente fraudadas, manipuladas em cédulas e urnas, na intimidação dos eleitores, na repressão às manifestações e na perseguição aos que se opõem aos governantes autoritários, sempre desejosos de dilatar seu tempo no cargo. Ainda tem o case de autoritarismo eleitoral: ao fim de pleitos viciados, sem controle e sem transparência, se autoproclamam vencedores.

·       Fraudes diretas e desavergonhadas desprezam regras do jogo e diálogos democráticos, montadas para fazer a festa e entronar ditadores. É uma farsa, que desvirtua e cancela a democracia, por mais que o povo seja chamado às urnas.

·       Candidatos há que costumam fraudar eleições mediantes formas mais “discretas”: mentiras, ataques pessoais, campanhas de difamação e autopromoção, fuga do debate público, ausência de programas e intenções. Podem não rejeitar as regras do jogo, mas pouco contribuem para qualificar as eleições, a política e a democracia. Ajudam a converter as disputas numa espécie de circo em que se desperdiça tempo e se intoxica o eleitorado.

·       O fato é que a democracia, por sua complexidade, sofre quando as eleições perdem o senso da História, da ética e da política. Disputas eleitorais congestionadas de atitudes distantes do bom senso continuarão a ocorrer, em que pesem todo o esforço cívico e toda a eficácia da estrutura institucional.

·       Cabe aos democratas consistentes – de esquerda, liberais, de centro ou conservadores – atuar para reduzir o espaço daqueles que procuram manipular eleições e impedir que elas produzam resultados que reforcem e qualifiquem a democracia.

·       Radicalização e extrema polarização são, mais uma vez, os ingredientes que vão sendo aquecidos no caldeirão da ausência de propostas, incapacidade de diálogo e morte da política.

·       O velho veneno de demonização da política: Pablo Marçal. Tem o perfil de um aventureiro não por acaso. Usa a impopularidade da esquerda como pretexto para atacar seu verdadeiro alvo: a política. Dizendo barbaridades, não apresentando propostas sérias e apostando no conflito radical, Marçal tenta cativar o eleitorado de Jair Bolsonaro, que ficou entranhado no sistema pelo bolsonarismo de herança, cresceu à sombra da descrença na política e da defesa de valores conservadores. 

·       Os aventureiros são sedutores, bons encantadores de serpentes. Mas a História mostra que projetos construídos de costas para a política terminam em decepção ou no autoritarismo de pretensos salvadores da pátria.

·       Vamos fazer um exercício retrospectivo: em 1964, sob o pretexto de preservar a democracia, os militares tomaram o poder. E o que se anunciava como intervenção transitória, com ânimo de devolver o poder aos civis, se transformou numa longa ditadura. A imprensa foi amordaçada. Lideranças foram suprimidas. Muitas injustiças foram cometidas em nome da democracia.

·       Quem resiste ao fascismo? O espírito liberal e independente, incompatível com a mentalidade de pensamento único, mas que provoca a ira dos donos do poder. Pessoas cultas e intelectualmente inquietas, podem resistir, mas também podem escorregar para o limbo do regime. Quem resiste, resiste empunhando as armas da inteligência e da autoridade moral que não cede à sedução do poder.

·       A política brasileira está podre. Ela é movida a dinheiro e poder. Dinheiro compra poder e poder é ferramenta poderosa para obter dinheiro. O poder arrecada o dinheiro que vai alçar os candidatos ao poder. No Brasil, não importa o Estado, a única coisa que vira o jogo é uma avalanche de dinheiro. O jogo é comprado, vence quem paga mais. O sistema eleitoral brasileiro está bichado e só será reformado se a sociedade pressionar para valer. As eleições são livres, mas hoje o resultado é bastante previsível. Não se elegem os melhores, mas os que têm mais dinheiro para financiar campanhas sofisticadas e boa performance no mundo digital. A máquina de fazer dinheiro para perpetuar o poder tem engrenagens bem conhecidas no mundo político: emendas parlamentares, convênios fajutos e licitações com cartas marcadas. As classes dirigentes estão entupidas de privilégios. Os partidos são balcões de negócios.

·       É preciso autocrítica para entender as razões de tamanha rejeição. Acredito no Brasil e na Democracia. Não se pode abafar o grito do desespero nem menosprezar a revolta do eleitorado. Mas não se reformará a democracia destruindo a democracia. É preciso valorizar ainda mais a política, o diálogo e as posturas construtivas. O Brasil não pode continuar refém de aventureiros. Precisa de estadistas que sejam capazes de descortinar sonhos e projetos do tamanho deste país continental.

Brasil: 3º maior mercado de apostas online.

 

Hoje, o Brasil é o 3º maior mercado de apostas online do mundo! Desde que foram legalizadas, em 2018, (governo Bolsonaro), as plataformas de apostas online, as bets, se tornaram onipresentes no Brasil.

Em 2023, as cerca de 300 empresas do segmento movimentaram entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões, quase 1% do PIB.

E mais:

·       Do total movimentado em 2023, cerca de metade deixa de ser gasta com bens e serviços ou investida em alguma aplicação;

·       O movimento acendeu alerta em bancos e empresas.

·       O mercado de apostas brasileiro chegou ao estágio atual em razão da falta de regulamentação.

·       Bets faturam R$ 100 bilhões e ligam alerta no BC, em bancos e no varejo.

·       Temor é de que falte dinheiro para consumo e quitação de dívidas;

·       R$ 130 bil é a estimativa de faturamento do setor de jogos online no Brasil em 2025.

·       63% tiveram renda principal afetada por apostas online.

·       Febraban quer veto já ao uso de cartão em apostas.

Projeto Urbano.

Todo projeto urbano é obrigatoriamente multissetorial.

O crescimento espalhado tornou a cidade muito difícil de se viver, com grandes deslocamentos diários e acesso desigual a hospitais, escolas, parques e outros equipamentos públicos. Onde estarão as soluções para isso?

Prioridades...

·       É preciso criar planos para os bairros, fazer mais moradias sociais e combater desigualdades.

·       Impulsionar a construção de moradias sociais, elaborar planos para os bairros e fortalecer novas centralidades regionais, com foco no combate às desigualdades;

·       Moradia para a baixa renda, principalmente nas áreas que abrangem imóveis ociosos e subutilizados em bairros com boa infraestrutura de empregos e serviços. Isso inclui antigos galpões, cortiços e outros locais deteriorados, mas em endereços atraentes;

·       Necessidade urgente de uma meta de transformação das áreas de risco. Por exemplo: São Paulo tem 206 mil moradias em locais suscetíveis a deslizamentos ou enchentes;

·       Planejamento urbano mais integrado aos cursos d’água;

·       É preciso um programa de locação social eficiente para atender às diversas faixas de renda. O poder público precisa criar estratégias para adquirir imóveis vazios e viabilizar políticas de entrega de unidades e de aluguel social.

·       Descentralizar mais a governança da capital por meio das 32 subprefeituras, o que possibilitaria às pessoas se aproximarem mais da própria cidade, com apoio de técnicos;

·       Onde se pode construir mais alto ou não?

·       Centro das discussões: programas de melhoria de bairros;

·       Projetos de Intervenção Urbana (PIUs): aproximar o emprego da renda, com políticas de investimentos em melhorias de infraestrutura em certas regiões;

·       Capitais tiveram um “boom” de microapartamentos e prédios altos perto de acessos ao metrô, trem e corredores de ônibus, resultado da conjuntura econômica favorável. Isso verticalizou bairros de classes médias e alta;

·       A solução está no adensamento de áreas mais centrais. A verticalização aproxima as pessoas e torna a habitação economicamente mais viável, porque o que mais custa na composição da habitação é a terra.

·       O próximo Plano Diretor e as políticas públicas devem focar nas necessidades desiguais dos distritos. Precisa estar refletido na destinação de incentivos e no orçamento. Tem de distribuir os recursos em função da precariedade.

·       Melhorar a qualificação dos espaços públicos, o que implica repensar, por exemplo, a responsabilidade pela manutenção das calçadas (hoje, em grande parte, a cargo da população) e os usos dos leitos carroçáveis (áreas onde carros são geralmente estacionados).

·       Não dar as costas para sua malha fluvial: despoluir, tornar navegável, proteger e reurbanizar, turismo, saneamento, revitalização, fauna, flora, sustentabilidade...

·       Construir unidades habitacionais, incluir famílias em situação de rua, apostar no serviço de locação social (edifícios públicos abandonados viram opções de lar para as populações mais vulnerabilizadas), favelas com pequenas reformas e requalificações (saneamento, obras viárias, pavimentação, contenção, estabilização do solo, recuperação ambiental, geração de empregos na periferia, melhoria nos deslocamentos e fomento ao empreendedorismo); incentivar o uso dos eixos de transporte e preservar áreas de interesse urbanístico e ambiental.

·       Os empregos não podem continuar concentrados no centro e as periferias sendo bairros-dormitórios. Isso tem um efeito perverso de aumento das desigualdades, gera problemas de mobilidade urbana e limita as oportunidades, em especial para os jovens da periferia.

·       A ocupação do território não pode se render à especulação imobiliária: trocar imposto e benefícios fiscais por empregos, construção de escolas técnicas, superar indicações meramente política para os cargos de gestores, eleger subprefeitos em cada região, reduzir barreiras burocráticas, projetos de aluguel social, crédito às famílias para pequenas reformas dos lares,

Enfim, antes de propor e executar mudanças, é necessário avaliar as leis e os programas vigentes. Novas leis urbanísticas podem levar cerca de 4 anos para serem absorvidas pelo mercado imobiliário. Tudo precisa ser feito mirando uma combinação de fatores como construção de unidades habitacionais, locação social, regularização fundiária, urbanização de favelas e mitigação das áreas de risco, reduzindo deslocamentos e aproximando moradias dos locais onde existem empregos e renda, integrando o desenvolvimento urbano com o desenvolvimento sustentável. As cidades precisam debater seus Planos Diretores, colocando no centro das discussões a adaptação às mudanças climáticas que estão aí, desafiando a todos.  

A volta da corrida nuclear.

Como seria um conflito nuclear hoje? De alta possibilidade e baixo potencial.

“Ao todo, 09 países (EUA, Rússia, China, Paquistão, Índia, Reino Unido, Israel, França e Coreia do Norte) possuem 12.121 ogivas, das quais 9.585 estão em estoques militares. Dessas, 3.904 estão implantadas em mísseis e bombardeiros. Cerca de 2.100 ogivas (de EUA, Rússia, Reino Unido e França) estão em alerta máximo e podem ser utilizadas em um curto espaço de tempo”.

Ao mesmo tempo em que o mundo bate recorde de conflitos ativos, os países atômicos iniciam uma nova corrida nuclear ao atualizar seus arsenais e deixá-los pronto para uso imediato – ogivas instaladas em mísseis ou disponíveis para serem utilizadas rapidamente, diferentemente das ogivas armazenadas, que exigem tempo para serem preparadas. Nunca estivemos tão perto da destruição da humanidade!

A nova corrida armamentista nuclear acontece num momento em que a diplomacia perde espaço para novos conflitos cada vez mais destrutivos. Em 2023, o número de guerras interestatais atingiu o recorde de 59 (ante 55 do ano anterior).   

O número de mortes em combate no ano passado caiu para 154 mil (foram 310 mil no ano de 2022, ano mais letal desde o genocídio de Ruanda, em 1994). A queda é atribuída ao fim do conflito na Etiópia, até então considerada a pior guerra do mundo.

Risco Global?

Um conflito nuclear hoje com certeza não seriam disparos generalizados de grandes ogivas que levariam a imensas nuvens de cogumelos (como se imaginava durante a Guerra Fria). O mundo entrou na doutrina da destruição mútua assegurada, que parte do princípio de que uma guerra nuclear causaria a destruição total e deveria ser evitada. Logo, as armas nucleares tornaram-se ativos de dissuasão.

Na Guerra Fria, as bombas estavam na casa dos megatons. A bomba de Hiroshima tinha entre 15 e 20 quilotons e foi capaz de matar mais de 150 mil pessoas em poucos minutos. Hoje, porém, as bombas são diferentes. Existem ogivas de menor capacidade explosiva, atualmente armas com menos de um quiloton ou até variar como um dial. Porém, embora menores, as armas de hoje ainda possuem grande capacidade destrutiva, por isso mesmo se tornaram mais tentadoras de utilizar. Ter armas com rendimento tão baixo pode torná-las mais utilizáveis em uma crise, porque elas não são um sistema bélico que destrói cidades. Ainda assim, causariam muito destruição, mas bem menos que antes.

Enfim, o atual risco nuclear global é alto em possibilidade e baixo em potencial.

 

Complementos: 

·       Potências mundiais renovam arsenais ou mergulham na primeira corrida nuclear do pós-Guerra Fria: EUA, Rússia, China, Paquistão, Índia, Reino Unido, Israel, França e Coreia do Norte – vêm aumentando o número de ogivas implantadas.

·       Países com capacidade atômica renovam arsenais e investem em bombas táticas com capacidade explosiva menor, que poderiam ser usadas sem causar tanta destruição. Não vemos armas nucleares desempenharem papel tão proeminente nas relações internacionais desde a Guerra Fria.

·       Embora a quantidade de ogivas armazenadas tenha caído em razão do desmantelamento dos arsenais de EUA e Rússia da época da Guerra Fria, o que dá a impressão de que as coisas estão indo bem, mas não estão.

·       Graças a acordos de controle, houve uma redução das mais de 70 mil ogivas que existiam no ápice da Guerra Fria.

·       A China enxerga a questão nuclear como vital para seu poder de dissuasão.