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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Carnaval SP/RJ – 2024.

 

Neste ano de 2024, críticas sociais e políticas das escolas de samba ganharam destaque na imprensa internacional. Coisa boa! Mundialmente reconhecido como uma das maiores festividades do planeta, nosso Carnaval também é incrível pelos temas abordados pelas escolas de samba.

Mocidade Alegre é a campeã pela 2ª vez no Sambódromo do Anhembi (São Paulo). Tema: samba-enredo sobre as viagens do escritor Mário de Andrade pelo Brasil profundo. O enredo foi Brasiléia Desvairada e as obras do escritor apresentadas foram Macunaíma, Paulicéia Desvairada e Aspectos do Folclore Brasileiro.

Apanhado geral dos temas e tons serenos do Carnaval RJ/SP-2024 que pedem respeito pelas origens de um Brasil verdadeiro e plural:

- Refletir sobre o planeta.

- A pureza infantil.

- Aspectos da cultura negra.

- O poder da mulher.

- As cores e os sabores do Brasil.

- Ancestralidade negra.

- Caju, uma fruta nativa do Brasil.

- sob a ótica das religiões de matriz africana.

- Reis e rainhas africanos (escola Dragões da Real).

- Ianomâmis e garimpo ilegal.

- memória da escravidão: enfrentando o preconceito.

- enredo antirracista: matriarcado negro.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Balanço do Carnaval 2024 – Bahia.

Tema da festa: “Capital Afro”.

Refutar e Macetar!

O carnaval de Salvador voltou às suas origens, com públicos diferentes, mas igualmente apaixonados pela diversidade musical e cultural. Nossa energia ancestral voltou vermelhinha. Uma folia democrática que promete devolver o carnaval para aqueles que mais o merecem de direito – o povo!

Ivete Sangalo, dona do hit do ano em conjunto com Ludmilla, recebendo em seu trio Baby do Brasil, que já foi Consuelo, travando o diálogo-síntese não só do Carnaval de 2024, mas do momento atual do Brasil. 

O fato de o carnaval ser o sucesso que é, em diversas manifestações – só o carnaval de rua tem configurações absolutamente próprias como o daqui da Bahia –, a despeito da crônica desorganização, desses debates políticos de quinta categoria e da infiltração da contravenção e do crime justamente onde o poder público falha, mostra o quanto o país poderia alavancar seu desenvolvimento se desse a essa e outras expressões da brasilidade o caráter de uma prioridade, e não de um feriado a mais no calendário. 

A volta do carnaval verdadeiro está diretamente associada a três grandes movimentos que este ano completam uma década: 1. O Furdunço (aquecimento da folia, idealizado para fazer com que os turistas chegassem mais cedo a Salvador e garantir a permanência de soteropolitanos na cidade, ficando imune às pressões da indústria); 2. Navio Pirata da BaianaSystem (arrastar multidões e promover a redemocratização do carnaval e uma chama de resistência: raiz, democrático e libertador).

13 dias corridos de muita diversão!!! Tem que ter fôlego, disposição, saúde e dinheiro para aguentar a maratona de festas soteropolitanas. Elas começaram com a Lavagem do Bonfim (em janeiro). O feriado de Carnaval é celebrado hoje, dia 13/02. Amanhã, Quarta-feira de Cinzas terá o tradicional arrastão (na Barra-Ondina, puxado por: Carlinhos Brown, Ilê Aiyê, Olodum e Bell Marques). E agora ainda terá a primeira edição do 3. VIVA VERÃO: festival gratuito que começará nesta sexta e seguirá até o dia 24, na Praça Cairu, no Comércio. Será 18 atrações locais e nacionais, e tem como objetivo reter os turistas que visitam a cidade, assim como atrair aqueles que querem conhecer a primeira capital do país.  

Salvador foi apontada como o destino turístico mais desejado do Brasil para 2024, com uma média de interesse de 7.1 numa escala de 0 a 10 (pesquisa Ministério do Turismo), com folia tranquila e sem grandes contratempos do ponto de vista da segurança pública e também do ponto de vista de estrutura. Segue tudo sob controle!

Carnaval baiano: 1. Artistas famosos solo nos circuitos em seus trios elétricos: Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Claudia Leitte, Margareth Menezes, Bell Marques, Durval Lelys, Léo Santana, Xanddy Harmonia, Carlinhos Brouwn e Luiz Caldas são alguns dos nomes. 2. Blocos-afro de representação de resistência e cultura negra: Olodum, Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê. 3. Bandas: Armandinho, Dodô, Osmar, Banda Eva, Cheiro de Amor, Psirico, É o Tchan, Timbalada, BaianaSystem. Enfim, a capital afro. Nossa energia é ancestral! O carnaval deve ser assim: nada de caretice, nada de freio, nada de pensar duas vezes, afinal só se vive uma. Tem coisas que não têm a menor lógica, ainda mais por estes dias de carnaval. 

Pontos críticos:

·       Carnaval e vulnerabilidade social. Apesar de o carnaval movimentar R$ 9 bilhões, há uma economia invisível. É aquela impulsionada pelos catadores, que costumam receber valores irrisórios vasculhando em busca de latas, plástico e papéis. O tamanho do desafio é imenso: 32 milhões de pessoas passam fome no Brasil, o equivalente a 412 mil ônibus lotados, e aproximadamente 1 milhão de catadores. Enfim, muitos se divertindo, outros trabalhando de fio a pavio na luta pelas latinhas. Alguns empregos bem questionáveis, por submeter homens e mulheres a jornadas longas e quase desumanas.

·       Poucos viram suas fortunas aumentando, com a venda de abadás, camarotes, blocos, patrocínio comercial, shows e imagens na rede social.

·       Quando a festa terminar, as contas começam a chegar para os menos aquinhoados: anuidade escolar, IPTU, IPVA, cartões com limites estourados, cheque especial vermelhão, etc.

·       O carnaval também deu uma acalmada nas investigações sobre a tentativa frustrada da direita ensandecida em dar um golpe nas eleições de 2022, ferindo todas as regras democráticas.

·       Precisamos resgatar a alegria original do nosso carnaval e do nosso futebol. Nos últimos anos, a violência tomou a paz de nossas manifestações culturais mais genuínas. Não vejo por que não ver novamente a paz no futebol. Darmos um exemplo para o mundo. O baiano que faz o melhor Carnaval do mundo também é capaz de ir ao estádio ver seu maior clássico em paz!

·       Tradição: público aprova o aumento das atrações/trios sem corda e segue artistas que fizeram história. Em defesa de trios pequenos e da pipoca!!! Eis o carnaval real, original e democrático.

·       Visão conservadora do carnaval: “Influenciadores” ou políticos bolsonaristas tentam classificar o carnaval como festa promíscua, destinada à destruição dos valores religiosos e familiares. Faz mais ou menos assim: a festa carnavalesca é chula, desprovida da verdadeira alegria da alma, tudo fragmenta e deturpa! A esfuziante alegria coletiva é a farsa universal, onde o sexo é mecânico, como um sazonal gosto passageiro, que ao invés de preencher, esvazia a alma, de maneira tão profunda, que as sequelas oriundas das iniquidades ficam indeléveis, como tatuagens, no sofrido espírito devassado! O corpo, esse coitado... Como um sacrário desrespeitado, se transforma num poço pútrido, de ejaculações, sem amor nem critérios, da esbórnia enlouquecida e desvairada, adeptos do gozo passageiro, daí... Floresce o sofrimento, advindo da irresponsabilidade coletiva, dessa tal de liberdade, que a libertinagem alardeia, como felicidade! O corpo nu, sagrado e receptáculo da vida é maculado e se torna promíscuo. Carnaval já foi uma festa de alegrias... Hoje é uma desmedida patifaria instituída, onde as frustrações campeiam, como se assim fossem, um esgoto, de regurgitações a céu aberto! Infelizmente!

·       Os trios atualmente são imensos e estão ligados totalmente ao desenvolvimento tecnológico, mas isso também tem afastado os artistas do seu público. Mais do que se divertir e dançar, a festa sem equipamentos imensos ou cordas mostra melhor o que o Carnaval nasceu para ser: o contato com o público, com transmissão de emoção.

·       O carnaval de Salvador vinha grande, mas enfraquecido. Esse enfraquecimento fica na conta da profissionalização da folia a qualquer custo. Das grandes marcas que, sem pedir licença, se apossaram de espaços que não eram delas. Que em vez de aproximar, criaram um abismo, excluindo e afastando da festa quem mais merecia estar lá: o povo. Parte disso, graças ao loteamento ao qual as ruas de Salvador foram submetidas, com camarotes luxuosos e megas estruturas que remetem a qualquer coisa, menos às origens do carnaval. É preciso devolver o carnaval aos baianos e aos turistas! Artistas que só tocavam dentro de excludentes cordas acordaram e voltaram seus olhares novamente para a massa.

·       A folia está de novo nas mãos do povo! O Carnaval é a maior festa popular do planeta e umas das mais importantes manifestações culturais brasileiras. Turbina a alegria, impulsiona o turismo, gera renda e empregos.

·       Letras abordando questões sociais e reforçando mensagens. Repertório consciente: “Justiça é cega”. “Lucro é máquina de louco”. “Especulação imobiliária” e ganância na cidade. O direito de ir e vir, não construir prédios nas costas. Arrastar o proletariado...  


Bloco Mudança do Garcia.

“Carnaval sem mudança não é Carnaval. Aqui temos um ponto de encontro importante, onde as pessoas fantasiadas levam a mensagem de protesto e reivindicações”.

O “Mudança do Garcia” tem o primeiro registro conhecido, datado de 1926. A história oficial diz que começou como um movimento de ex-policiais dedicados a limpar as ruas do Garcia. Com o passar dos anos, o bloco evoluiu para além de sua função inicial, tornando-se um espaço sem cordas onde a comunidade pode expressar livremente suas preocupações sociais, políticas e culturais.

O bloco foi se consolidando como espaço que é, principalmente, na época da ditadura militar, onde não havia a liberdade de expressão e era a forma de, principalmente, movimentos sociais do partido de esquerda colocarem suas opiniões na sociedade, seja por faixa, cartazes ou alegorias e isso foi ao longo do tempo, se consolidando como um circuito alternativo.

O bloco é conhecido por fazer críticas políticas. Atrevimento, músicas e movimentos culturais. Mas, não só: manifestações e críticas, reclamações sobre temas diversos, fantasias e muita animação... Protestos irreverentes que fazem a mudança! Placas com piadas de cunho político. Assim, além de um festejo para o corpo e para os sentidos, o Carnaval no Garcia se mostra um festa para espírito crítico. A importância de dar visibilidade a questões cruciais durante o desfile, expor a dificuldade e a politicagem errada, as coisas erradas.

Irreverência e reivindicações sérias. Lembrando que, quem faz crítica passa de pedra a vidraça, também recebendo o teor dos protestos, porque é do jogo democrático.

Enfim, essa e outras lutas.

Dicionário Crítico - 2024.

 

·       A economia criativa tem, junto à indústria da transição energética, um dos maiores potenciais de crescimento econômico e ganho de estatura global no Brasil hoje. Resgatar o reconhecimento internacional que o Brasil já teve na música, graças a movimentos como a Bossa Nova e a MPB, e explorar cada vez mais o potencial econômico de eventos culturais – não só o carnaval, mas o São-João do Nordeste ou as festas do Boi, com suas diferenças regionais – não deveria ser reduzido a um debate pobre e infantil entre o que é de direita ou de esquerda, mas tratado como projeto estratégico de promoção social e construção educacional e cívica. O tema da economia criativa e da cultura, como veículos para a redução das múltiplas desigualdades que castigam o Brasil, tem de ser central nessa eleição municipal. O restabelecimento de políticas culturais pelo governo federal e o fim de uma plataforma voltada para marginalizar e até criminalizar produtores culturais, artistas e empresários do setor certamente foram das mais relevantes. 

·       A carne existe com a dura realidade do mundo. Mas o pecado ou o abuso da carne têm seu começo depois da descoberta e manejo do fogo. Junte carne e fogo, e você tem muito mais que um churrasco. Você tem o gosto, o sabor, a gula, a fome, o deleite do comer e do englobar. O gozo de ser canibalizado pela carne cozida que nos torna humanos e, eventualmente, humanos com o direito ao deleite de gozar com nossa carne. Enfim, ainda estamos no campo delimitado pelas regras que separam a necessidade do exagero. 

·       Complacência é um péssimo sinal de acomodação com o ruim. 

·       Carnaval: cidade e cidadão (in)felizes. Na festa, tudo é alegria, prazer e liberação de tensões. Válidos, mas, pelos excessos, esconde uma dura realidade: é um rápido cancelamento/adiamento, um momentâneo alívio. Dores são aplacadas, lamentos são adiados e perdas são esquecidas. Tudo é deixado de lado, menos as dores da alma. Estas só serão dissolvidas quando se encontra o sentido e o significado existencial, pois os problemas internos só são resolvidos com trabalho e comedimento.  Carnaval é um momento de prazer que fala mais alto que a realidade. O uso contínuo de entorpecente para suspender as amarras do passado dolorido e do presente incompleto. A cidade densamente povoada e colorida também sofre dessa suspensão momentânea, pois, passada a folia, segurança, saúde e educação continuam precárias – equipamentos e serviços públicos continuam os mesmos (segurança reduzida, carência de profissionais e condições de saúde, restrições de mobilidade, vandalismo nas ruas, redução do período escolar). Após a festa, cata-se o lixo, desfaz-se o circo e volta-se à rotina (até com outras dores, prejuízos, decepções e frustrações). Carnaval é alegria e leveza, um anestésico que promete apenas suspender a dor, logo não serve para mudanças profundas, nem na cidade nem no cidadão. Afinal, não há desenvolvimento pessoal sem sacrifício nem transformação social sem esforço, os caminhos mais reais para erradicar problemas. Enfim, que tenhamos festa, mas não nos enganemos quanto às nossas feridas interiores que carecem do devido cuidado. Viver exige renovação constante, renascimento a cada fase existencial e ascensão em busca de si mesmo.  

·       Carnaval e vulnerabilidade social. Apesar de o carnaval movimentar R$ 9 bilhões, há uma economia invisível. É aquela impulsionada pelos catadores, que costumam receber valores irrisórios vasculhando em busca de latas, plástico e papéis. O tamanho do desafio é imenso: 32 milhões de pessoas passam fome no Brasil, o equivalente a 412 mil ônibus lotados, e aproximadamente 1 milhão de catadores.

·       Estado a serviço de grupos. Existe no Brasil uma grande confusão entre os conceitos de Estado e governo. Resumidamente, podemos dizer que o Estado abrange toda a sociedade política e é algo duradouro, enquanto o governo é apenas uma das instituições que o compõem – as outras são o Legislativo e o Judiciário. O governo administra apenas o Poder Executivo, e por um curto período de 4 anos, após o qual há eleições. O Estado não pode nem deve servir a nenhum grupo político, porque permeia tudo, sendo soberano, impessoal, estável e permanente. Infelizmente, no Brasil, o Estado tem sido capturado por grupos políticos por meio da figura dos cargos de confiança. A cada 4 anos, o Brasil troca completamente sua equipe dirigente nas várias instâncias do Poder Executivo, no âmbito dos governos federal, estaduais e municipais. A cada nova eleição, se o vencedor for da oposição, tudo o que o antecessor fez poderá ser jogado fora e, certamente, a roda será reinventada. Não é por outra razão que existem no país cerca de 1 milhão ocupando cargos de confiança (IBGE). Entre estes, apenas em Brasília residem 30 mil. O gasto total com os ocupantes de cargos de confiança beira os R$ 200 bilhões!

·       Funcionário público. O grande problema não é nem o número de funcionários nem o valor gasto, mas que, a rigor, todo funcionário público deveria trabalhar para o Estado, nunca para atender um governante específico, menos ainda um partido político. Há uma captura do Estado. No entanto, nas discussões que hoje ocorrem, mesmo no Congresso, fala-se muito em aspectos ligados ao funcionalismo público, salários, quantidade de funcionários, estabilidade, métodos novos de avaliação de desempenho, formas para conseguir aumentar a produtividade da máquina pública etc. Tudo muito importante, mas nada é novo, e deve-se tomar cuidado para que, nas discussões, não se fuja do que é preciso fazer com os cargos de confiança, estes, sim, o fulcro daquilo que deveria ser a reforma administrativa: acabar com eles e fazer com que todo servidor público trabalhe para o bem do Estado, e não simplesmente para o governante daquele momento. Para que tenhamos um setor público moderno, precisamos exigir que os trabalhadores tenham sido aprovados em concurso e façam parte do quadro de carreira, seja do ministério ou da secretaria. O Brasil tem hoje 11 milhões de funcionários públicos. Não dá para acreditar que seja impossível encontrar os nomes necessários dentro desse enorme contingente. Quando chegar esse dia, provavelmente teremos o tão necessário plano de longo prazo e a estratégia de futuro para o país. Não temos nada disso, pois o horizonte hoje nunca ultrapassa 4 anos.

·       Mudanças climáticas vêm servindo de muleta para tudo, em vez de motor para transformações. É o conformismo devorando a crítica e a ação. Nossa mania de usar a realidade para se justificar, tão só.  Incentivos inadequados, e não as intempéries, funcionam como uma tempestade de imperfeições. Ou seja, estamos agora falando de mudança climática, de eventos extremos, que atingem de forma diferente, pessoas, classes sociais e países. Os impactos causados pela mudança climática alcançam, de forma diferente, a população pobre e rica, pretos e brancos. O risco e a vulnerabilidade atingem de forma diferente pessoas e territórios. Da mesma forma, é diversa a responsabilidade pelo aquecimento global. Afinal, 1% dos países mais ricos é responsável pela emissão de 16% do carbono produzido. Isso corresponde a 66% da produção dos países mais pobres. Os ricos estão torrando o planeta. E a associação entre mudança climática e desigualdade é explosiva. A prefeitura de Salvador elaborou recentemente o Plano de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima. Uma bela carta de intenções. Temos também, nos governos Estadual e Federal, documentos que definem diretrizes de mitigação e adaptação climática. No clima em que estamos vivendo, declarações de princípio são necessárias, mas é pouco – afinal, de boas intenções, o inferno, há muito, está cheio.

·       Manguezal. Um hectare de mangue captura cerca de 6 x mais carbono que uma floresta de igual tamanho na terra firme da Amazônia. Essa toada verde não para e desafia a dinâmica da metrópole, voraz consumidora de matéria-prima e predadora de territórios verdes. 

·       Poder paralelo. A perda de controle de vastas áreas do território das cidades para milicianos e traficantes coloca políticos que têm nessas áreas suas bases eleitorais diante de uma questão: como lidar com quadrilhas que exercem um poder que caberia ao Estado? Ignorá-las não é uma alternativa. Infelizmente, é comum na política carioca e fluminense haver algum tipo de acordo com o crime organizado. Só isso coloca qualquer político no perigoso terreno da omissão e da conivência.

·       Populismo. Um recorte da democracia e seus políticos são as construções de redutos eleitoreiros. Geralmente o político fica ligadinho ao governo no poder para obter os favores e benesses que movem sua máquina assistencialista de votos. E há aproximação até com milicianos.

·       “A tentativa de golpe na estabilidade democrática do país, deve ser punida exemplarmente. Doa a quem doer” (João Doria).

·       Arthur Lira deixou claro ao governo que, caso os 3 projetos de lei para a regulamentação da reforma tributária não cheguem ao Congresso até o fim de março, os textos dificilmente serão analisados ainda neste ano. Enfim, Haddad fazendo força-tarefa para atender o prazo.

·       Regulamentar as redes sociais e combater o populismo digital extremista. A regulamentação do funcionamento das redes sociais e das empresas do setor, chamadas “big techs” (pelas regras de transparência!). É preciso fazer avançar a matéria paralisada do “PL das Fake News (PL 2.630/2020): restrição a contas falsas, disparos de mensagens em massa por meio de robôs, exclusão de conteúdos racistas que violem direitos de crianças e adolescentes, punição a criadores de conteúdos falsos, atribui responsabilidades às big techs, que deverão adotar práticas de transparência e de combate à violência em suas plataformas. Garante a liberdade de expressão, mas coíbe abusos ao implementar obrigações de dever e cuidado. Defende os direitos individuais e coletivos, a democracia e o Estado de Direito. O exercício da Democracia demanda regulamentação, já que há negócios sujos que fazem circular desinformação e discursos de ódio. 

·       O que vão fazer com a Covid-19? Varrer esta doença grave para debaixo do tapete? Acabou a recomendação de isolamento de 10 ou 5 dias ou é para ir ao trabalho com os sintomas? As autoridades de saúde pública já desistiram em definitivo do uso de máscaras, dos testes e do isolamento? As autoridades de saúde pública deveriam tratar a Covid de forma diferente de outros vírus respiratórios porque é mais mortal que a gripe e aumenta o risco de desenvolver complicações a longo prazo. Afinal, embora já se tenha disponíveis vacinas e tratamentos eficazes, o coronavírus continuará causando doenças graves, sobretudo aos mais vulneráveis (trabalhadores com comorbidades e que lidam com o público, como as escolas). Nos EUA, as infecções sintomáticas e assintomáticas permanecem elevadas, com cerca de 20 mil internações e 2.300 mortes por semana.

·       Prisão eminente de Bolsonaro. Os bolsonaristas não veem um prejuízo para o PL nas eleições municipais de outubro. O plano inclui reforçar para o eleitorado do país que o partido e a direita são perseguidos. A sigla tem a meta ambiciosa de eleger prefeitos em ao menos 1.500 cidades. Em 2023, o PL tinha 371 prefeituras. O desafio do partido será levar o discurso ideológico ao interior do Brasil durante a disputa municipal como uma bandeira das cidades, onde as preocupações da população tendem a ser mais com saúde, educação e infraestrutura, por exemplo, e menos com o comando federal. Na prática, o número de chapas puras do PL disputando as eleições de outubro tende a aumentar.

·       Deslocamento forçado de palestinos (início do conflito de Israel: 7 de outubro de 2023). Até o momento, a ONU estima em mais de 1,8 milhão o número de deslocados internos.  

·       Globo ironiza influenciadores x jornalistas. Para a cobertura de 2024, a TV Globo realizou uma significativa mudança na equipe de profissionais responsáveis pela transmissão dos desfiles de escolas de samba dos grupos especiais de SP e RJ. Os jornalistas foram substituídos por influenciadores e atores. O resultado tem causado a ira dos telespectadores nas redes sociais, que não conseguem acompanhar pela TV os detalhes dos desfiles com os antigos comentários precisos de quem entendia do assunto.

Estudar o amor pela Ciência.

 Como a paixão afeta o corpo?

Como o seu cérebro processa o amor? Por que, mesmo quando amava, fui infiel? Por que o trabalho pessoal é tão importante para estar bem em um relacionamento? O que acontece em nossa biologia e psique? Quanto tempo dura a paixão? Quais são as causas psicológicas da traição e da quebra de pactos?

Seja a paixão, o amor ou a infidelidade, quando o assunto é afetos, luxúria e romantismo abalam o nosso corpo através de hormônios, reações cerebrais e muita psicologia.

Passamos pela euforia, pelo otimismo, pela idealização, pela ilusão e pelo desejo intenso, fruto de estar imerso em um mar de hormônios.

Vamos às conclusões científicas:

·       O cérebro apaixonado é um cérebro cheio de neurotransmissores da felicidade e do prazer, um cérebro ofuscado, entusiasmado, quase cego. Vive-se em uma espécie de ilusão e vê-se o outro como perfeito;

·       A paixão ocorre muito mais na fantasia que temos um do outro do que em razão do outro em si. Sempre no início, quando estamos conhecendo a outra pessoa, relacionamo-nos com a imagem mental que começamos a criar dela, mais do que com quem o outro realmente é;

·       Há 3 tipos de amor ou fases neurobiológicas pelas quais o cérebro passa ao se sentir enamorado:

1.     A luxúria: é o impulso sexual, o desejo de gratificação sexual. Responde à necessidade biológica de reprodução e é caracterizada por ser regulada pela testosterona e pelo estrogênio.

2.     A paixão ou amor romântico: você se torna sexualmente possessivo, com o propósito de unir duas pessoas com força suficiente para começar a criar bebês em equipe. Essa fase aciona a liberação de dopamina, o neurotransmissor que estimula os centros de prazer no cérebro. A dopamina combinada com a norepinefrina pode nos fazer sentir cheios de energia e euforia. Normalmente, a paixão dura de 2 a 2 anos e meio. Depois disso, o encantamento diminui, e começamos a notar coisas que não gostamos. As mesmas coisas que inicialmente fizeram nos apaixonar tendem a ser rejeitadas (e essa rejeição, geralmente, fala de características e situações muito semelhantes a sequências ou experiências que vivemos quando éramos crianças em relação ao pai ou à mãe).

3.     O apego profundo a um parceiro: a sensação de calma e segurança que podemos sentir com um parceiro a longo prazo, uma fase governada principalmente pela ocitocina. O amor muda com o tempo. Torna-se mais profundo, mais tranquilo. Os casais não passam mais o dia todo conversando, nem dançam até o amanhecer. A paixão desenfreada, o êxtase, o anseio, o pensamento obsessivo, a energia intensificada: tudo se dissipa. Mas, se tivermos sorte, essa magia se transforma em novos sentimentos de segurança, conforto, calma e união com o parceiro.

·       Somos capazes de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Por que muitos amores? Porque esses tipos de amor são ativados em diferentes áreas de nosso cérebro, que não estão necessariamente conectadas. Então você pode sentir um forte apego a um parceiro de longa data e sentir um intenso amor romântico por outra pessoa, enquanto sente desejo sexual por pessoas que não têm relação com esses outros parceiros. Isso acontece porque cada experiência é controlada por diferentes áreas do cérebro que não estão bem conectadas entre si;

·       Diante desses desencontros é que entra a razão. Surge aí a necessidade de ter acordos claros dentro do relacionamento e respeitá-los;

·       Traição: a infidelidade depende muito do caso em particular, é difícil generalizar:

1.     Autosabotagem: há algo inconsciente em alguém que quer confirmar ou dar razões ao outro para mostrar que ele não é suficiente, ou que ele não pode, ou que não vale a pena;

2.     Paixão diminuída: o parceiro não nos chama mais atenção da mesma forma, e em vez de conversar, a pessoa vai buscar isso em outro lugar, talvez de uma maneira infantil. Quando não se tem as ferramentas adequadas para falar, a pessoa apenas segue o impulso;

3.     Reflexos: alguém pode ter se sentido traído, provavelmente quando era criança, e continuamente se protege da traição e, paradoxalmente, encontra como forma de proteção, trair e quebrar o acordo;

4.     Uma ocasião: a oportunidade de mostrar a um parceiro que algo precisa ser visto;

5.     Uma tendência: a pessoa basicamente sempre precisa do entusiasmo, da adrenalina, da ilusão.

Enfim, compreender e aceitar esses mecanismos de nossa biologia pode nos ajudar a viver nossos relacionamentos amorosos com mais consciência. Outro ponto importante é nos prepararmos para o amor, aprendendo a nos amar sozinhos: nos entendendo, cuidando de nós mesmos e curando nossa própria dor. Devemos aproveitar o tempo solteiros ou ter um tempo sozinhos quando em um relacionamento para nos compreendermos, nossos gostos e nossos valores. Afinal, quando aprendemos a nos amar, desenvolvemos habilidades como compaixão, empatia e paciência, qualidades que podemos usar para amar outra pessoa.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Resistências ao atual PNE.

 O Plano Nacional de Educação (PNE) determina estratégias para a política educacional do país por uma década. O novo plano estipula as orientações que vão valer de 2024 a 2034. A maior resistência ao texto provém de frentes parlamentares motivadas por políticas ultraconservadoras e do movimento Escola Sem Partido, que desejam promover o agronegócio por meio da educação.

O debate não será fácil e demandará costuras do governo com a oposição. Entre as propostas progressistas e mais polêmicas aprovadas pela Conferência Nacional de Educação (Conae), estão:

·       Desmilitarização de escolas;

·       Criminalização do ensino domiciliar (homeschooling);

·       Revogação da Reforma do Ensino Médio e da BNCC (o governo federal deseja ampliar o tempo de formação geral básica);

·       Estabelecimento de padrões de qualidade para a educação a distância (Ead);

·       A meta de investir 10% do PIB em educação, o dobro do que se investe hoje (o gasto brasileiro nos três níveis de governo Federal, Estadual e Municipal, fica em torno de 5,4% do PIB);

·       Se a principal crítica (pertinente) ao governo Bolsonaro era justamente a politização da educação, qual o sentido de insistir nos mesmos temas, apenas com sinal trocado?

O novo PNE foi aprovado na Conae no dia 30/01. Camilo Santana pretende enviar o texto ao Legislativo até a primeira quinzena de abril, pois as diretrizes traçadas há 10 anos valem até junho de 2024. Porém, no caminho, duas pedras: resistência e tramitação lenta no Congresso. Além de já enfrentar dificuldades de votação do PL de mudança do Novo Ensino Médio (deixando para depois a mudança do perfil de prova no Enem: com duas etapas, uma comum para todos os candidatos e outra aprofundada em alguma área do conhecimento escolhida pelo aluno), agora parlamentares das bancadas ruralistas e evangélica articulam uma tramitação lenta de votação do novo texto do PNE até a sua prorrogação por mais 4 anos de prazo de vigência (evitando assim um período sem a legislação, como aconteceu entre 2010 e 2014).

Enfim, há representantes da educação que só desejam olhar para o que se passa dentro da escola e fechar os olhos para o entorno dela. Acontece que ações no entorno da escola impactam os resultados observados dentro dela, tanto para o bem quanto para o mal. As resistências ao atual PNE a nível macropolítico estão aí para ilustrar. De todos os fatores externos à escola é o nível socioeconômico das famílias a variável de maior influência nos resultados de aprendizagem dos alunos. 

Educação, extras:

·       Faltam ao MEC:

- plano consistente;

- habilidade política;

- agenda capaz de fugir da polarização;

- missão promissora;

- estratégias da política educacional;

- boas conduções da discussão;

- saber lidar com as questões técnicas e os componentes ideológicos;

- discussões são saudáveis, mas não quando paralisam decisões;

- mediar as necessidades urgentes da educação brasileira e as pressões da base sindical ligada ao PT.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Traidores de funções.

Intelectuais são pessoas que têm como função defender os valores eternos e desinteressados, como a justiça e a razão. Onde eles estão? Foram-se! Traíram essa função em proveito de interesses práticos. Na história moral da humanidade, nosso século terá sido propriamente o século da organização intelectual dos ódios políticos e das modas filosóficas. Foi o fim da picada essa adesão dos intelectuais às paixões políticas (sejam elas de raça, de partido, de classe ou de nação).

Enfim, nesse abismo caiu o Brasil há bastante tempo, que só conhece um tipo de intelectual: o defensor dos interesses práticos de uma coletividade, adepto dos modismos e das paixões políticas, sem qualquer compromisso com os valores superiores da verdade, da razão ou da justiça.

 Intelectuais eurocêntricos entopem-se de livros e depois querem difundir o bem sem ter a mínima noção da vida real. No outro extremo, estão os Prolixos, entupindo a seção de comentários nas mídias de forma rasa. Enfim, a intelectualidade não pode ser arrogante e esnobe. O discurso dos intelectuais precisa dialogar com as massa. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Segurança Pública.

 A gente nunca está seguro? De quem? 
Só da transgressão pública ou também da violência de mercado e sua brutal produção de desigualdades sociais?

A missão mais espinhosa do governo Lula.3: domar a violência que fustiga o país, aterroriza os brasileiros e ameaça a imagem do presidente. Nas ruas predomina a sensação de insegurança.

A mídia, a direita e a elite sempre quiseram pregar a peça de que o PT defende bandido. Uma forma sutil de descaracterizar a distribuição de renda e o olhar inclusivo para os mais pobres, como se cuidar de gente fosse um crime. Desejam apenas o conflito direto contra a violência, em vez de sua prevenção. Talvez por isso governos de direita flertam com as milícias – elas também sugam o Estado de bem-estar social. Flertando com a ditadura, desejam a concentração de poder através de um órgão federal de política nacional de segurança pública, quando o correto é coordenar e compartilhar as responsabilidades com os estados e municípios e suas políticas de paz e inclusão, uma tarefa constitucional dos governadores.

Quando olhamos com calma as novelas, os filmes, o BBB e os telejornais estão lá o recorte do cotidiano em pauta: guerras entre quadrilhas, tiroteios a qualquer hora em qualquer lugar, balas perdidas, roubos, furtos, golpes praticados por bandidos de dentro dos presídios... Pânico geral!!! Eles desejam combater a violência com mais violência, integrando as polícias num “Olho de Sauron” só, pois o espetáculo rende ibope.  

A mídia e a direita nunca focará a violência como um dos frutos da brutal desigualdade social. Nunca colocará a culpa nos ricos e no capitalismo. Apenas apontará o problema e culpará o Estado. “A Constituição Cidadã de 1988 ainda não chegou àquele trecho da cidade. A lei ali é outra”. Logo, a causa e as consequências, bem como a solução, só depende do poder público e com ações apenas diretas: “atuação firme, confronto direto, equipe técnica e plano de ação”.

Privatização batendo de um lado, empresas do outro, milícias de um estado paralelo também. É a tentativa do estado de exceção tentando se impor. Violência não se combate com mais violência. Violência se combate com inteligência e prevenção. O objetivo dessa manipulação é politizar a percepção de insegurança e levar a população a se insatisfazer com o governo, portanto, contra o próprio projeto de inclusão e distribuição de renda, desacreditando nas soluções pelo viés das políticas públicas.

Enfim, quando não é pela imposição do medo eles tentam a via do constrangimento, tudo para intimidar o pensamento. Nunca conseguirão!


Argumentos da direita:

·       Integrar (concentrar) o combate ao crime com uma mão de ferro do governo federal;

·       Embora os números registrem queda de 4% nos assassinatos em 2023, reforçar a percepção do senso comum e da opinião pública de que vivemos em total insegurança, portanto precisamos ir do medo ao pânico e pavor (8 em 10 brasileiros acreditam que a violência se agravou, pesquisa Quaest de novembro);

·       Buscar dados/números de outros ângulos da questão (órgãos internacionais ou de outros anos e datas) para atribuir alguma credibilidade no caos presente. Exemplo: “O Brasil registrou, em 2021, 22,4 homicídios intencionais por 100 mil habitantes, quase o quádruplo da média global” (Escritório das ONU sobre Unodc).

·       Percepção pública manipulada, jogar a população contra o governo. “A gestão de Lula na segurança é considerada ruim ou péssima por 50% e regular por 29% (Datafolha, dezembro)". E aí dá a tacada: “Administração petistas sempre resistiram a assumir a pauta de segurança. Não só por motivos ideológicos, mas também por conveniência. O alarme soa em todos os cantos do país. Infelizmente, o Planalto não dá ouvidos”.

·        Profissionalizar e equipar com tecnologia o crime organizado, mostrando que facções criminosas atuam no Brasil todo e controlam rotas do tráfico internacional. Com isso, gastar toda a energia dos órgãos de controle e fiscalização, como a PF, PRF, MP, sobrando pouco foco para investigar o clã Bolsonaro e as maracutaias do Mercado: “O Estado já não controla parte relevante do território, tomado por organizações criminosas. A Amazônia hoje concentra algumas das cidades mais violentas do país. No Rio, traficantes cobraram da prefeitura ‘pedágio’ para permitir uma obra pública. Na Rocinha, uma das maiores favelas do país, chefões já lucram mais com a extorsão aos moradores do que com o tráfico”.