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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Carnaval: democracia plena e passageira.

 

“O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual” (Joãozinho Trinta).

“A alegria é a prova dos nove” (Oswald de Andrade).

“A criança pode errar na gramática, mas ela nunca erra na poesia” (Manoel de Barros).

E no carnaval é quando estamos autorizados a viver poeticamente...

O Carnaval é uma grande festa da inclusão e da democracia, mas é temporário. Não é só um, mas muitos carnavais no Brasil. As festas permitem às pessoas de todas as classes sociais viverem fantasias grandiosas, deixando sofrimentos e dificuldades de lado, mas por apenas alguns dias.

É como se a desigualdade social fosse suprimida, suspensa, caindo no esquecimento uma realidade muito dura, realizando no imaginário todos os sonhos de interação e alegria – mas, ele vai embora.

As pessoas que reclamam dos carros alegóricos vivem em edifícios e apartamentos. Ao passo que, a pessoa que está ali de calção, muita purpurina e pouco dinheiro é edificada pela multidão. Ela fica poderosa no imaginário, mas é povo que vive em casebre, em rua de lama, no aperto. Pequenas coisas se transformam em grandes alegrias. A roupa é autoproduzida. Uma caixa de catupiry vira adereço. Voltamos à infância criativa, pouco preocupada. Somos todos transportados para outra dimensão mágica que só se encontra no carnaval.

Além de propiciar grande alegria, o carnaval traz o mundo inteiro para cá. Ele pode ser entendido como algum sinal de saúde mental coletiva. Uma alegria muito benéfica, que cura dores e sara feridas. O carnaval inclui todo mundo, mas não vai despolarizar a sociedade porque ele passa, acaba. Pena, porque agora ele faz a sátira da polarização, dos políticos, mas não continua. Quão crítico, pertinente e necessário ele é. Pena que é passageiro!

Há um deslocamento espaço-temporal, acompanhado do reconhecimento pelos outros. Um milagre passageiro que só dura no carnaval. O trio é um denominador comum, mas ele passa como uma escola de samba. Os carnavais não deveriam ser só o dia do esquecimento, mas também a nossa memória. O problema é que o Brasil não curte museu. O país é  desmemoriado. Então diga que valeu? 

Enfim, o carnaval é uma trégua quase de paz ao ano de guerra que temos pela frente. 

Companhias no vermelho.

Ressaca da pandemia: endividamento.

Recorde de pedidos de recuperação judicial

O começo de ano está sendo muito difícil. Não só para os pobres e consumidores, mas até para companhias de grande peso (15 pelo menos), sobretudo as micro e pequenas empresas. O estrangulamento financeiro foi iniciado na pandemia e agravado pela alta no calote de consumidores. Uma inadimplência (pessoa física) puxa outra (pessoa jurídica). A primeira saltou de 4% em junho de 2021, para 5,9%, em dezembro de 2022. Calotes em alta e otimismo em baixa turbinam essas reestruturações. A coisa está feia!

Os sinais de estrangulamento financeiro das empresas começaram a surgir no final de 2022. O ano se encerrou com 6,4 milhões de companhias inadimplentes! Só em janeiro deste ano, 92 empresas recorreram à Justiça e 72 decretaram falência (Fonte: Serasa Experian). É o maior número em 3 anos! Motivo? Vencimento de dívidas renegociadas no passado pelos bancos, fim dos programas governamentais, consumo fraco, inflação alta e juros altos (Selic de 13,75%, a maior desde 2017). Assim, a aprovação de novos financiamentos está mais difícil e mais cara.

E a projeção é aumentar nesse quadrimestre. São esperados 1 mil pedidos de recuperação judicial este ano, nível semelhante ao de 2020 (1.179). Em 2022, foram 833 e no ano anterior 891. Os setores de maior risco são: varejo, agronegócio, indústria e serviços.

Isso causa um efeito cascata no mercado, pois a crise de grandes empresas afeta também a situação financeira dos credores, geralmente outras companhias. Entre as empresas estão: Americanas, Oi, DOK Calçados (dona da Ortopé), Pan (de chocolates), Livraria Cultura, Marisa (setor de vestuário), Grupo Raiola (marca de azeitonas e conservas), companhias aéreas, entre outras.

Enfim...

Carnaval Evangélico?

Igrejas evangélicas botam seus ‘Blocos de Deus’ nas ruas como tática para enfrentar as ‘trevas de Carnaval’ mundano. 

Meter Deus no meio da festa pagã com o objetivo de evangelizar é certo? Pregar o Evangelho no Carnaval funciona? Os fins justificam os meios? Bater em retirada ou encarar o pecado de frente? Será que Jesus faria um bloco para se disfarçar e pregar a Palavra? A igreja precisa tomar a forma do mundo para conquistá-lo?

Evangélicos de denominações diferentes criaram blocos e até escolas de samba cujo objetivo final é pregar aos foliões. Entre as igrejas novatas do neopentecostalismo está a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, de Silas Malafaia. Michele Bolsonaro (sua igreja é a Batista Atitude) também aderiu ao esquema de usar a maior festa de rua do país para espalhar uma suposta mensagem cristã. Logo quem? Kkkk Enfim, uma maneira de evangelizar os supostos perdidos que se encontram absortos em iniquidade e que precisam desesperadamente de Cristo. 

Dizem que um clima de profanação desvairada toma conta das ruas. Falam também que é a semana mais convidativa ao pecado da carne e outros tantos. Fugir ou bater de frente? O intento é usar as armas do inimigo contra ele mesmo e expandir ainda mais a evangelização. Adotar símbolos carnavalescos para um tipo de evangelho palatável.  Fiéis e pastores fogem à praxe de procurar refúgios cristãos e se jogam na folia, dividindo opiniões entre as denominações.

O fuzuê momesco é impulsionado por muitas pessoas que vivem suas vidas como se não houvesse amanhã e extrapolam seus limites como se fosse o último dia de suas vidas: a mídia dispara os índices de acidente de carro, criminalidade, gravidez indesejada e problemas de saúde. Assim, enquanto a igreja, no Carnaval, se refugiava em acampamentos e retiros, a cidade estava entregue à bebedeira, à prostituição, às drogas e à loucura. A ideia é não deixar isso barato!

Enfim, agora imagina o entrecruzamento de blocos evangélicos x blocos da satisfação humana, tais como: ala de surdos do Cheio de Amor x Só Te Pegando? Ou a Batucada Abençoada Muquiranas? Ou Reação x Daquele Jeito? 

A Paz de Lula

 A visão de Lula sobre a geopolítica global é a de que Putin é um fator de equilíbrio geopolítico:

“Uma coisa que me deixa orgulhoso é o papel desempenhando por Putin na História mundial, o que significa que o mundo não pode ser tomado como refém pela política dos EUA” (Lula, 2019).

Nessa guerra, está escancarada a ajuda dos EUA e de países europeus com armamentos e inteligências para a Ucrânia. Todavia, dizem que o auxílio econômico e militar a uma nação submetida a uma guerra de agressão não transforma os Estados que a apoiam em partes do conflito. Dizem...

É razoável que a China e a Índia figurem como o “núcleo da paz”, mediando Moscou e Kiev. Vitória diplomática para Putin, que exibe a Rússia como nação aberta a negociações.

Enfim, temos mais do que um presidente Lulta. Temos um ator diplomático global.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

A batalha semântica no Brasil.

 


Também há uma batalha ideológica no debate público envolvendo as palavras. A criação de marcas para (des)merecer o adversário ou seu legado é uma herança da guerra eleitoral do ano passado, mas já vem de longe.

A título de exemplo inicial, os liberais tratavam a perda de direitos trabalhistas como “flexibilização” para que as empresas não demitissem (há outros exemplos ao final do texto).

A disputa discursiva não é apenas uma estratégia, mas a própria forma como a política se coloca. Não é a disputa pela palavra, mas pelo sentido. O interlocutor busca tornar a sua interpretação de mundo hegemônica.

Enfim, além de discursos de fundo linguístico, há também instrumentos efetivos para se materializar.

Bem, e a decisão do STF contrária à lei de Rondônia que proíbe o uso da linguagem neutra nas escolas do estado – julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.019, de iniciativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee).

Todes” estão de acordo com esse assunto?

Falamos e escrevemos de forma diferente. Porém, a escrita prevalece sobre as diversidades de falas graças à gramática da norma padrão. Isso tolhe ou potencializa a democracia?

Por um ângulo potencializa, visto que a democracia não é ausência de limites, mas justamente um conjunto de normas e regras para tornar possível a convivência social em sua ampla diversidade. A padronização da linguagem escrita não é a negação da pluralidade nem a resistência à mudança. Pelo contrário, é pilar central de nossa cidadania, amalgamando populações de diferentes regiões que se expressam oralmente de forma diversa. E cria pontes com as populações de países da comunidade lusófona. Modismos da linguagem falada ou “erros da escrita” são filtrados e só incorporados à linguagem formal se aceitos e praticados ampla e permanentemente pela população.  

Por outro ângulo, é preciso considerar que não há aspectos puramente técnicos, portanto, neutros. A pretexto da defesa do aprendizado da língua portuguesa de acordo com a norma culta e as orientações legais de ensino, preconceitos e intolerâncias incompatíveis com a ordem democrática e com valores humanos podem ser propagados. E onde fica o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas?

“A ‘linguagem neutra’ ou ‘linguagem inclusiva’ visa a combater preconceitos linguísticos, retirando vieses que usualmente subordinam um gênero em relação a outro. Trata-se de preocupação em adotar expressões não binárias quanto ao gênero, de forma a atenuar comportamentos preconceituosos” (Edson Fachin, ministro do STF).

E mais outro ângulo, com base no conhecimento científico, quais são os eventuais efeitos da linguagem neutra no aprendizado infantil?  Como fica a alfabetização de crianças? Esse é o ponto central: decisões sobre modificações ortográficas e gramaticais devem ser feitas buscando caminhos para melhor ensinar e aprender a língua portuguesa às crianças. Não basta ser técnico, é precisa que também seja democrático. Mais uma vez fica nítido que a disputa não é só pela palavra, mas também pelo sentido. O técnico não está livre do viés ideológico. Se não há neutralidade a escolha precisa ser pela pluralidade, se assim quisermos (com)viver, democraticamente. 

Como ‘consertar’ a sociedade brasileira?

Há excessos na direita e na esquerda! E muito há que aprender no Centro e em todo lugar!!!

O Brasil é plural, mas em nome disso há consequências práticas e políticas. Elas brotam da educação – ou da falta dela. De um país com mais de 208 milhões, concordâncias e divergências são esperadas em grandes populações. Assim, não se pode definir tanta gente por alguns clichês.

A população fica rachada em temas que aqueles com maior renda ou melhor formação tendem a considerar “resolvidos” ou “pontos pacíficos numa democracia moderna”. Para citar apenas alguns temas polarizados, vejamos:

·       56% dos pais brasileiros consideram normal que crianças que passam dos limites apanhem (42% discordam);

·       41% acham que a escola não é local apropriado para debater sexualidade com adolescentes (56% acham que é);

·       46% se incomodam com gays e lésbicas se beijando em público (48% não veem problema);

·       73% acham que o aborto não deveria ser legal;

·       67% são contra a legalização de cassinos e jogos de apostas.

(Dados: pesquisa Quaest).

A visão conservadora não está restrita à direita, embora seja majoritária. No caso do castigo físico às crianças, apenas 9 p.p. separam eleitores de Bolsonaro e Lula sobre o tema. Na repulsa ao beijo gay, no repúdio à legalização do aborto e no debate escolar sobre sexualidade, a diferença gira em torno de 20 p.p. Isso mostra que o conservadorismo não tem coerência ideológica.

Seria possível encontrar verdade na premissa reversa? Vejamos...

·       67% dos lulistas e 68% dos bolsonaristas reprovam os cassinos;

·       92% dos brasileiros acreditam que é preciso haver mais fiscalização para impedir o desmatamento da Amazônia (percentual idêntico entre eleitores de Lula e Bolsonaro);

·       92% acham que pagamos impostos demais (90% dos lulistas e 95% dos bolsonaristas);

·       64% acham que políticos não deveriam ocupar cargos nas estatais (68% dos bolsonaristas e 60% dos lulistas);

·       58% acham que as mulheres não têm mais dificuldade para alcançar o sucesso profissional (percentuais idênticos nos dois grupos).

(Dados: pesquisa Quaest).

Olhando bem as porcentagens, é preciso levar em conta seus sentimentos para não ter consequências dramáticas. Afinal, o Brasil é mais conservador do que muitos gostariam. Ora, que sentimento é esse? É aquele em que a pauta difusa de reivindicações é menos importante que o impulso de ir às ruas para protestar. Erupções sociais ou movimentos descoordenados de revolta surgem sem aviso prévio ao radar de partidos, sindicatos, academia ou imprensa. É um animal feroz sem rédeas que pode atacar uns e outros.

Não são apenas os políticos que lidam com o público. Todos que mexem com gente não deveriam ignorar ou desafiar o sentimento predominante na população em nome de crenças ideológicas ou de alguma pretensa missão civilizatória.

As minorias precisam ser consideradas e respeitadas, mas nem elas também devem ser impostas. Suas lentes não podem ser o foco de referência que ignora o que se passa ao redor. É uma atitude de extremo risco, altaneira para uns e arrogante para outros.

Enfim, o certo é aprender a conviver com as diferenças e a respeitar opiniões contrárias, em vez de as colocar em conflito, comparação ou competição. Convivência é norma em toda sociedade civilizada, e regra para a sobrevivência social de cada um e de todos.

A beleza está no conjunto. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

TI: a terra que é nossa!

“Demarcar Terra Indígena (TI) é assegurar o direito histórico que temos como herdeiros de nossos ancestrais” (Emerson Pataxó).

O Brasil tem 8 terras indígenas homologadas e 441 regularizadas. Essas são as duas etapas finais do processo, quando não indígenas são retirados da área. Juntas, têm 107,2 milhões de hectares, ou 12,5% do território brasileiro.

Depois de quatro anos sem nenhum centímetro demarcado de novas terras indígenas, 13 devem sair do papel no começo do governo Lula. Juntas, ocupam 843 mil hectares. A expectativa é que a homologação seja feita nos primeiros cem dias da gestão.

As principais pressões sofridas pelos povos originários provêm de: garimpeiros, extrativistas não-madeireiros, madeireiros, caçadores, posseiros, fazendeiros, grileiros e pescadores.

Estudos apontam que os territórios indígenas estão entre as principais barreiras ao avanço do desmatamento. Nos últimos 30 anos, esses espaços perderam apenas 1% de sua área de vegetação nativa, enquanto nas áreas privadas a perda foi de 20,6%. Dados do MapBiomas mostram que a devastação entre 1990 e 2020 foii de 69 milhões de hectares no país. Só 1,1 milhão foram nas terras indígenas.

As terras indígenas já demarcadas estão concentradas na Amazônia Legal. É preciso que a partir de agora haja cada vez mais demarcações em outros biomas brasileiros. Entre as 13 Tis que devem ser homologadas, 9 estão no Cerrado, na Caatinga e na Mata Atlântica, demandas concentradas fora da Amazônia. Há um grau de ocupação fundiária maior nessas outras regiões. Isso gera mais conflitos, o que aumenta a judicialização e a demora.


O Bloco dos Fiéis.

Quem será o novo dirigente da bancada Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional?

Fundada em 2003, a bancada foi um dos pilares do antigo governo e se engajou na campanha à reeleição de Bolsonaro à Presidência. Ela tem como dirigente atual Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

Quais seriam algumas das qualidades (ou defeitos) para o novo líder? Ter bom trânsito entre diferentes igrejas, evitar rachas na bancada, romper com o passado recente e radical no bolsonarismo, ter diálogo com o novo governo ou manter o discurso de oposição construtiva sem concessões, criticar as manifestações antidemocráticas que sucederam a eleição. Esses aspectos recaem como divergências políticas dentro do bloco que, tradicionalmente, escolhia seu líder a cada 2 anos sem necessidade de votação. Agora, terá pleito.

Qual parlamentar será o novo líder? Há quatro candidatos ao posto:

1.     Carlos Viana (senador do PL-MG, da Igreja Batista);

2.     Otoni de Paula (MDB-RJ, pastor da Assembleia de Deus de Madureira);

3.     Eli Borges (PL-TO, da Assembleia de Deus e atual porta-voz da Frente);

4.     Silas Câmara (Republicanos-AM, ligado à Assembleia de Deus de Belém do Pará).

Rachas políticos se refletem na disputa sobre o tipo de relação com o governo Lula e o apoio à reeleição de Arthur Lira (PP-Alagoas). Nesta legislatura, a estimativa é que os evangélicos sejam 102 deputados e 13 senadores, o equivalente a 20% da Câmara e 16% do Senado. Só os Republicanos têm 19 parlamentares evangélicos.

Enfim, já sabemos que essa gente prioriza a pauta de costumes e Projetos de Lei alinhados às bandeiras do grupo, como por exemplo, o Estatuo do Nascituro, texto que coloca o direito à vida como inviolável desde a concepção, impedindo o aborto até mesmo nos casos hoje permitidos por lei.

O líder das mentiras.

 Os péssimos exemplos das governanças...

Atos golpistas foram apoiados por 41 parlamentares (deputados federais e senadores de 9 partidos) que estarão na próxima legislatura. 29 deles são do PL, sigla de Bolsonaro. O partido majoritário terá 99 deputados federais e 14 senadores a partir deste ano. Também elegeu 128 deputados estaduais.

A principal tática bolsonarista é a de sair por aí disseminando desinformação. Há um dicionário de sinônimos para mentir ou insuflar: narrativas de distorção, conteúdos enganosos, narrativas do subterrâneo extremista, discursos ou posicionamentos enganosos, incitação à práticas de ações criminosas e até denúncias caluniosas com aparência de verdade.

Para exemplificar o tamanho da picaretagem, esses falsos líderes do PL acharam de argumentar assim:

- “A culpa dos ataques do dia 8 de janeiro teria sido do próprio governo Lula, que estimulou as invasões para obter ganho político”.

- “O vandalismo havia sido orquestrado por infiltrados de esquerda com o objetivo de enfraquecer o movimento antipetista. Logo, o quebra-quebra partiu deles”.

- “Olha, os manifestantes bolsonaristas são pacíficos. O problema advém dos infiltrados de esquerda que são, eles mesmos, vândalos ou atiçadores da desordem”.

Enfim, autoridades do Congresso dão péssimo exemplo de governança. Esse jogo sujo da oposição escancara o tamanho da dificuldade que o governo Lula terá para governar.

domingo, 29 de janeiro de 2023

O seu amor é pecado?

 O direito ao pecado.

O papa Francisco disse que a homossexualidade não é crime, mas é pecado. Imagina se ele examinasse como vem sendo o exercício da heterossexualidade? A prática sexual dos héteros também é pecado, sim, garanto! Sobra pouco amor puro neste mundo.   

Enfim, no final das contas, a sexualidade é muito mais satisfatória quando considerada pecaminosa. Vai ver então o papa só esteja querendo dizer: “Divirtam-se”!