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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 9 de outubro de 2022

As nossas bolhas...

O país está dividido, com praticamente metade dos lados nas oposições, o que prenuncia tempos turbulentos pela frente. Esse racha acontece porque a sociedade vive em bolhas que não se conhecem porque não se comunicam nem se dialogam.

Sob esse ponto de vista, existem 05 perfis da população brasileira:

1.     Contestadores (11,5%): são os menos influenciados pelos familiares, possuem uma baixa religiosidade (ateus, agnósticos, teístas), acreditam na cultura como ferramenta de inserção social e no movimento de ocupar espaços públicos para furar bolhas e conectar diferentes perspectivas; são muito ativos nas redes sociais.

2.     Rígidos (13,3%): costumam ter mais contato com diferentes perfis de pessoas, o que traz uma noção maior da importância da inclusão e diversidade como solução para furar bolhas; nas redes sociais, procuram fazer campanhas sobre as causas nas quais acreditam; possuem maior vínculo de diálogo com seus amigos, sendo mais influenciados por estes do que pela família em assuntos sócio-políticos; têm a menor taxa de religiosidade, são mais ativos nas redes sociais do que a média, mas as utilizam menos na hora de se informar.

3.     Idealistas (27,7%): são mais abertos, reflexivos e ponderados. Têm contato com perfis diferentes, fazem campanhas nas redes sociais, são mais influenciados por amigos, são menos religiosos, são mais ativos nas redes sociais.

4.     Impositivos (4,5%): buscam combater grupos opostos, se destacam nas discussões, sendo os mais viscerais de todos. É o segundo mais influenciado pela família em relação ao seus posicionamento e leva os conceitos da religião para discussões políticas; um público que se conecta culturalmente com aqueles que compartilham a mesma visão política, e usa seus critérios morais para apoiar ou boicotar qualquer ato cultural e ações sociais, fazem campanhas contra causas em que não acreditam e usam o WhatsApp e o Telegram para se informar e dialogar. Para eles, a religião, a família e a tradição são questões fundamentais, que ocupam um lugar central em todos os âmbitos de sua vida, incluindo a cultura.

5.     Isentos (43,1%): não gostam e evitam, a qualquer custo, se envolver em discussões polêmicas, independentemente do ambiente. Quando o fazem, geralmente é em família, por se sentirem mais confortáveis e seguros. Eles são mais evangélicos ou influenciados por conceitos religiosos em assuntos de ordem moral e política; são os menos ativos nas redes sociais. 



sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Política 2022, e algumas (des)cobertas...

 

1.     O bolsonarismo está vivo e pulsa no coração da sociedade brasileira. Mesmo com a eventual derrota de Jair Bolsonaro, é possível que fique vivo esse movimento reacionário, fortalecido e encabeçado pelo cBozo.

2.     As redes mudaram radicalmente o cenário político. O mundo digital transformou a maneira como a política é feita no mundo real. E a transformação foi para pior – diminuíram os debates sérios e aumentaram as resenhas iconográficas sem muito acrescentar. É uma comunicação poderosa e, por isso mesmo, perigosa. Ela é barata, envolve emocionalmente, é permanente, pois nunca desliga, e é instantânea. Chega em segundos. A instantaneidade digital catalisa decisões de última hora.

3.     Enfim, o pior que temos se mostrou muito competente até aqui. 

A briga pelo morango do Nordeste.

Amanha será o Dia do Nordestino. Não podemos deixar o preconceituoso do cBozo tocar em nenhum voto sequer dos 13 milhões que vô Lula teve aqui no 1º turno. Afinal, as arapongas Damares e Michelle (e outros aliados como o Rogério Marinho, João Roma e Gilson Machado) estão sobrevoando a região em busca de mulheres e evangélicos locais (30% deles ainda estão indecisos em quem votar). Já houve reunião com mulheres conservadoras em Vitória da Conquista, e Bia Kicis também está na articulação, mirando as capitais Recife, João Pessoa, Fortaleza e Natal.

Já elegemos governadores no Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão (PSB). Ainda faltam Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e nossa Bahia (é Jerônimo!!!). O cBozo tem dificuldade de organizar atos aqui na região e nem dispõe de horário da propaganda de TV para destilar mentiras preconceituosas e discriminação. Narrativas falsas que precisam ser desconstruídas.

Nosso orgulho é de ser nordestino. Gente trabalhadora, que aqui ou em outras regiões, como no Sudeste (em São Paulo) moram ou têm filhos oriundos. Precisamos evitar a abstenção aqui no Nordeste e também no Norte do país (dos 05 estados onde a abstenção mais cresceu neste ano, todos estão no Norte). Essa abstenção costuma ser puxada pelos custos relacionados ao trajeto até o local de votação, a baixa escolaridade, a desilusão com a política e a crença de que as urnas são objeto de fraudes.

Enfim, o povo nordestino precisa votar com força e em massa no filho de sua região, que nasceu em Garanhuns, agreste pernambucano – vô Lula!



quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Piso salarial da enfermagem.

 Típica promessa eleitoral de campanha, o novo piso salarial da enfermagem não pode se transformar em mais um piso na saúde brasileira.

Ninguém duvida da importância que os profissionais de enfermagem têm para o sistema de saúde, especialmente depois de uma pandemia tão letal. Mas, o aumento do piso da categoria foi aprovado num ambiente de vale-tudo pela caça aos votos, não importando o custo dos desvarios. Não adianta conceder o benefício sem mostrar como pagá-lo, contrariando o que manda a própria lei.

Estima-se que existam R$ 34 bilhões em contas de fundos de saúde. Eles poderiam ser usados para pagar esse reajuste aos enfermeiros. Mas, não seria temerário e frágil destinar recursos ou verba do combate à Covid-19 da pandemia como “puxadinho orçamentário” em piso eleitoreiro? Afinal, a pandemia ainda não foi totalmente vencida e sua verba é emergencial, transitória, enquanto os gastos com o novo piso – R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras – perdurarão no Orçamento.

O relator do projeto é o senador Marcelo Castro (MDB-PI). E esse novo valor foi sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro em agosto, mas foi suspenso por liminar do STF, pois a lei não apresentou fonte para financiar as novas despesas. A CNM estima que o novo piso acarretaria despesas adicionais de 9,4 bilhões e que 32.500 profissionais de enfermagem poderiam ser demitidos. Haveria estrago nas equipes dos programas de saúde da família e noutros fundamentais para os cidadãos. Além da rede pública, a proposta ainda precisa contemplar os hospitais particulares e filantrópicos. O novo piso também terá impacto incontornável nos planos de saúde e no próprio SUS, cuja tabela demanda revisão.

Enfim, a proposta já foi aprovada pelos Senadores e seguirá agora para a Câmara. Segue também a indefinição da fonte de recursos decentes para sustentá-la. Típica promessa eleitoral de campanha, o novo piso salarial da enfermagem não pode se transformar em mais um piso na saúde brasileira.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Negros e Mulheres no Congresso - 2023.

 Partidos que + elegeram deputados federais negros são de direita - seguiram a tendência de Netinho, foi?

PL: 25

Republicanos: 20.

União Brasil: 17

PP: 15


PT: 16

MDB: 8; PSD: 6; Podemos: 5; Pros: 02; Solidariedade: 01; Avante: 02. 


Havia mais candidatos negros (49,6%) do que brancos (48,8%) nessa eleição. Porém... 

Dos 513 parlamentares eleitos para a Câmara, somente 135 (108 pardos e 27 pretos) são negros (26%), ante 24% há quatro anos. Os outros 369 são brancos (72%).

Na Câmara dos Deputados, as mulheres passarão a ser 18% dos 513 deputados, ante os 15% eleitos em 2018.

O novo Congresso terá pela primeira vez 2 mulheres transgênero e a maior bancada de indígenas da História, com 5 representantes. 

É verdade que, no Senado, as mulheres perderam dois assentos (haverá apenas 10 senadoras entre os 81). Serão, em contrapartida, 20 senadores negros, ante os atuais 14.

Embora um número ainda pequeno, como mais negros e mulheres chegaram ao Congresso?

1.     Reflete o debate em prol da diversidade. Nos últimos anos tem crescido essa discussão nos lares, nas ruas, na cultura, na educação e nos negócios. Faz sentido que o tema se reflita também na política;

2.     Lei que destina mais recursos a candidaturas específicas. Essa Lei obrigou os partidos políticos a destinar mais recursos da campanha eleitoral a candidaturas de mulheres e negros – pelo menos na Câmara. 

Considerações: etnia, gênero e origem não determina o caráter de uma pessoa. A diversidade é bem-vinda no campo da representatividade democrática, mas a unidade na/da esquerda se faz mais com consciência de classe. 

Esse antipetismo...

 Até agora o fenômeno político mais subestimado da campanha é o antipetismo. O bicho está vivo, forte e encravado ou enraizado na alma das pessoas. Não é pouca gente associando o mal ao PT. Varreram outra vez todo o ódio represado no ser humano pra cima do PT. E isso está posto de duas maneiras: a violência política atiçada nas pessoas sobre o partido e a forma espantosa, fleumática e convicta com que governadores, prefeitos, dirigentes de partidos do agora quase extinto centro político e até aqueles cuja reputação foi enxovalhada pelo gabinete do ódio correram para apoiar Bolsonaro. A votação expressiva em Bolsonaro mostra que ainda há uma intolerância ao petismo latente na sociedade, que começou a ser acordada e pode ser revitalizada à custa de Fake News, máquina pública usada sem escrúpulos e economia em recuperação.

Alguns sinais evidentes disso:

1.     Divisão do mapa do Brasil entre Norte e Sul;

2.     Eleição de um Congresso que manca para a direita;

3.     Uma elite empresarial que não aceita um novo comando político sem sinalização de como será a condução da economia (desejosa de atrair o setor produtivo).

Assim, três grandes desafios estão postos no caminho:

A)   Vencer em 30 de outubro;

B)    Governar com um Congresso em que as forças da esquerda não têm nem cheiro de maioria;

C)   Enfrentar o ácido antipetismo existente na entranha social. Tão forte que, apenas apontar os riscos que Bolsonaro representa à democracia não será suficiente para superá-lo. Tão devastador que é, ele é capaz de relevar as 686 mil mortes na pandemia e as ameaças reiteradas pelo presidente de “enquadrar” Poderes e de não reconhecer o resultado das eleições. Incrivelmente, houve uma diluição do horror aos riscos que Bolsonaro traz ao país. 

Onde está esse “antipetismo”? Ora, muitos dizem não tolerar a corrupção, mas relevam rachadinha, releva compra de imóveis em dinheiro vivo, dinheiro em pneu para pastores lobistas e o que mais vier. Então existe outra coisa que leva boa parte do país ter memória recente mais curta que a remota. Não é o enjoo pela corrupção, mas o escárnio pelo PT. O “antipetismo” pulsa!

Enfim, não existe “lado bom” e “lado ruim”. Tem muito brasileiro que está do lado do mais forte. Se Bolsonaro se reeleger a galera esquecerá dos ataques à democracia, da condução negacionista da pandemia, do confronto com os estados, dos protocolos sanitários, da cloroquina e tudo mais. Enfim, se o antipetismo for alimentado, sobreviverá o mais forte. Morte que segue!

Divergência de Resultados.

 Por que há divergências dos resultados de levantamentos eleitorais dos Institutos de Pesquisa?

Hipóteses:

·       Possível migração de votos.

·       Relação tensa entre os pesquisadores e os eleitores conservadores;

·       Malandragem dos/nos institutos: subestimaram de propósito os eleitores de Jair Bolsonaro e superestimaram os de Lula, pegando a nação inteira de saia justa.

·       Pesquisas não são prognósticos nem projeções. São levantamentos científicos a respeito da intenção do eleitor num momento específico. Ou seja, até onde elas puderam ir, foram! Afinal, os eleitores mudam de ideia até a hora de digitar os números na urna.

·       Imagem feliz: “compare a intenção de voto na pesquisa e o voto nas urnas, seria como comparar bananas com maçãs, ou melhor, uma banana verde com essa mesma banana já madura”. Sacou?!

·       Pesquisas eleitorais divulgadas em véspera de eleição são tão previsíveis do resultado das urnas como são os movimentos dos astros e das marés.

·       As próprias pesquisas influenciam a decisão do eleitor, pelo mecanismo conhecido como “voto estratégico” ou “voto útil”. Foi aparentemente esse movimento que levou muitos a escolher Bolsonaro de última hora já no primeiro turno, para tentar evitar uma vitória de Lula que os números davam como possível. Nas eleições estaduais, por exemplo, grandes contingentes de indecisos também de definiram na última hora.

·       Há, sim, limitações metodológicas. O voto em Lula concentra-se em segmentos demográficos de menor renda e escolaridade. Quando a amostra da pesquisa tem maior proporção desses eleitores que a população, tende a superestimar o apoio a Lula. Além disso, esse eleitorado é mais propenso a abster-se no dia da votação, num movimento desfavorável a Lula. E os institutos ainda não lidam de modo satisfatório com a abstenção num país onde o voto é obrigatório.

·       Há eleitores invisíveis às pesquisas – seja porque não são alcançados pelo método de sondagem (telefônica ou presencial), seja porque se recusam a responder. Os institutos dispõem de técnicas para avaliar a recalcitrância e negam haver voto envergonhado em Bolsonaro. Mesmo assim, se algum grupo de eleitores ficar invisível à amostragem, será invisível também à “margem de erro”, calculada supondo uma amostra fiel da população. Por isso o efeito da não resposta preocupa os estatísticos no mundo todo – e só tende a crescer com os ataques bolsonaristas a pesquisas e pesquisadores.

Enfim, os institutos não podem ser avaliados com base nas urnas. Nem com palavras de “erro” ou “acerto” em relação a pesquisas eleitorais que sondam uma intenção momentânea de voto do eleitor. Fazer isso é só revelar a própria ignorância sobre o tema. Entretanto, isso não significa que eles não devam explicações sobre seus métodos. Dada a atenção dispensada às pesquisas na campanha, é essencial que forneçam hipóteses plausíveis para o movimento do eleitorado e encarem, com transparência, suas próprias limitações. 

Por que MG gera entusiasmo a cBozo?

Colégios eleitorais por região:

Sudeste: 42,64%.

Sul: 14,42%.

Centro-Oeste: (7,38%).

Nordeste: 27,11% do eleitorado.

Norte: (8,03%)

1.     Porque o governador Romeu Zema (Novo) foi reeleito com uma vitória expressiva no 1º turno: 56% dos votos (6 milhões), e reúne em seu arco de alianças centenas de prefeitos. É bem o grupo que a campanha de Bozo mira ver trabalhando para virar votos no estado, o único da região Sudeste que Lula ficou à frente (e o 2º maior colégio eleitoral do Brasil).

2.     Bozo teve 5,2 milhões de votos em MG, ou seja, há espaço para crescer junto a eleitores do governador mineiro.

3.     Levantamento mostra de que há votos em potencial a serem conquistados em MG, SP e RJ: 2,9 milhões. Aí se está considerando o desempenho de Romeu Zema (MG), Castro (RJ), Tarcísio e Garcia (SP). Todos do Republicanos. Enfim, votos em potencial.

4.     O troca-troca aí é ajudar na recuperação fiscal de MG.

5.     O estado de MG é aquele em que o perfil do eleitorado mais se assemelha à média nacional.

6.     Logo, quem vence a disputa em MG sagra-se vitorioso no país.

7.     No 1º turno, justamente pelo peso de Lula no estado, Zema evitou nacionalizar a disputa e evitou a se vincular a cBozo, a quem já criticou, inclusive, durante a pandemia, pelo incentivo a aglomerações.

8.     A máquina do governo de MG e os seus 56% obtidos por Zema vão impactar de forma significativa o desempenho do presidente, no próximo dia 30, no 2º maior colégio eleitoral do país.

9.     MG exerce certo fetiche nas análises políticas por ser um microcosmo do país, com diferenças regionais marcantes, e estado onde todos os presidentes eleitos desde a redemocratização venceram.

10.  Lula obteve 5,8 milhões de votos em MG (48,3%), enquanto Bozo ficou com 5,2 milhões (43,6%). A missão de Bozo é tentar se aproximar dos 6,1 milhões de votos que obteve 4 anos atrás no estado. E ele já tem uma boa foto com o Governador para animar a militância.

11. Entre os maiores colégios eleitorais, Lula é prejudicado pela abstenção em Minas Gerais.

domingo, 2 de outubro de 2022

É dia de votar!

“A liberdade nada mais é do que a possibilidade de ser melhor” (Albert Camus).

O Brasil é a 4ª maior democracia do mundo!

- 156,4 milhões de eleitores registrados;

- 11 candidatos à presidência;

- 216 nas disputas pelos governos estaduais;

- 224 nas corridas pelo Senado;

- quase 9.800 na briga por um lugar na Câmara dos Deputados;

- e pouco mais de 16 mil pelas assembleias legislativas e distrital.

Essa é a 9ª eleição presidencial por voto direto (desde a redemocratização, em 1985). Marcada pela polarização de um presidente da república concorrendo à reeleição (o quarto presidente nessa investida) contra um ex-ocupante do cargo que deseja o seu terceiro mandato, em cenário de estabilidade que atravessou toda a campanha. 

A democracia está baseada num mecanismo de decisão coletiva. Porém, o ato de votar é solitário. Sua essência é buscar a resolução dos conflitos de forma pacífica e funciona como um conjunto de regras, que deve ser aceito e respeitado por todos. O voto serve para corrigir erros, resolver divergências de forma pacífica; é correção, rumo e inovação. Enfim, a vontade popular é soberana.

O Brasil vota, e o mundo olha para o país. Termos chegado até aqui pode ser considerado extraordinário e merece ser celebrado. Estarão em choque valores sociais com significados cada vez menos unânimes: liberdade e igualdade, justiça e perdão, identidade e cidadania. A democracia republicana é uma obra inacabada, quase um organismo vivo, não um congelado de ideias. É o maior empreendimento da vida humana coletiva desde que apoiada por uma cidadania determinada a participar, em vez de conformada em ser governada. É um contrato social permanente que, uma vez rompido, não se refaz facilmente.

Enfim, o Brasil não pode ficar em casa. Vamos votar!

sábado, 1 de outubro de 2022

1º e 2º turnos

 Dizem por aí que 1º turno é disputa rasa e polarizada de quem é menos corrupto e mais populista. E que é o 2º turno que realmente permite o debate aprofundado de programas e projetos para um Brasil melhor para todos. Em outras palavras, que 1º turno é para votar no melhor e 2º turno, no menos pior. Que primeiro turno, vota-se com o coração; no segundo, com a razão. Voto é aproximação com ideias e sentimentos; visão política e histórica.

Tá bom! Essa teoria é dez, mas a prática é zero. Embora o argumento seja louvável, o caminho que levou a ele é inadequado. Fosse outro contexto político e outros candidatos, até faria sentido alongar a campanha eleitoral. Acontece que a experiência já retirou toda e qualquer necessidade de refazer as contas e tirar a prova do que é evidentemente imprestável e do que é possível.

A tirada de um 1º turno faz o candidato sair mais independente e forte para governar; num eventual 2º turno, negociações de apoios resultam em muitas concessões que corrompem os planos originais e a autonomia do candidato. 

Seja votar com o coração ou com a alma, votar no candidato que falou mais de suas ideias, mas também de seus sentimentos, história e expectativas... É nítida a diferença de compromisso democrático entre os dois principais contendores.

Enfim, já está mais do que claro o retrocesso do Jair e a esperança do Lula.