Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Risco Potencial.

Se as instituições democráticas estivessem funcionando perfeitamente mesmo, Bolsonaro já deveria ter sido retirado do poder. Afinal, motivos não faltam:

1.     Pelo negacionismo sanitário, que implicou milhares de mortes, que ele deveria ter evitado durante a pandemia;

2.     Pela atitude de afirmar em público que não cumpriria decisões do STF;

3.     Pela corrupção abundante;

4.     Pela manipulação de dados e o ato de espalhar ao mundo desinformação envenenadora de mentes;

5.     Pelas constantes e reiteradas tentativas de instabilizar nossa democracia;

6.     Pela manifestação do desejo de permanecer eternamente no poder, mesmo que para isso tenha que passar por ciam do povo, da democracia e da Constituição;

7.     Pelos homicídios, como o de Foz do Iguaçu, fruto de sua disseminação permanente do ódio e do armamentismo;

8.     Pela paixão por Fake News, como as reiteradas inverdades sem comprovação acerca do sistema das urnas eletrônicas;

9.     Pela inexistência de pudor em relação a limites de gastos públicos, especialmente em período eleitoral;

10.  Pelo surreal elogio ao nepotismo como modelo de política pública, numa orgia do vale-tudo pelo poder;

O que mais entrava?

1.     O aliado Lira, ícone do Centrão, com slogan de campanha “Arthur Lira é foda”, blinda o presidente. Quem manda é ele, e tudo está condenado a mofar na poderosa gaveta do presidente da Câmara;

2.     O outra aliado, Augusto Aras, é omisso e descumpridor da missão de defesa da ordem jurídica e do regime democrático. Deslegitimou o papel de procurador-geral da República;

3.     A pesquisa do Poder Data que acaba de ser divulgada: para 41% dos brasileiros ouvidos, a democracia por aqui vai mal ou muito mal. Para 33%, vai mais ou menos. Muito bem, 21%;

4.     Uma nova Constituição remendada via PEC PIX;

5.     A liquefação das leis para acomodar os interesse de ocasião, sob a trilha sonora do orçamento secreto;

6.     O anunciado autogolpe que desrespeitará a vontade do povo nas urnas eletrônicas.

Enfim, temos quase 150 pedidos de impeachment acumulados – nenhum avança. E você ainda acredita que as instituições democráticas vão bem? As Eleições 2022 correm sério perigo!

 

A crônica de um desastre anunciado.

 Estados e Municípios são filhos da Federação. Se eles forem prejudicados e caírem em dívidas, quem paga a conta é o Pai. Logo, o desastre fiscal dos entes federativos é, em última instância, a ruína do País.

Perda de receitas imposta à força pelo presidente JB através de leis que impuseram um teto (17%) para o ICMS de combustíveis e mudaram a base de cálculo do tributo, acarretando um profundo desequilíbrio na conta dos entes da Federação. Muitos Estados que iriam encerrar o ano com as contas no azul já projetam um déficit, e investimentos em saúde e educação, que fazem diferença na vida da população mais carente, terão de ser reduzidos.

Fosse um presidente responsável e dotado de articulação política: 1) aprovaria uma ampla reforma para simplificar e unificar impostos; 2) eliminaria regimes especiais; 3) garantiria uma tributação progressiva; 4) impulsionaria o crescimento econômico.

Negociações são difíceis, mas é mais fácil chegar a um acordo quando as partes envolvidas estão com o caixa cheio. Mas, Bolsonaro o esvaziou. E o fez em nome da chantagem pública para continuar empurrando 1) o veto a reajuste de servidores; 2) a aprovação de reformas; 3) e a privatização de estatais.

Quais são as alternativas para Estados e Municípios arrecadarem receitas? Poucas! Eles nem têm autorização para emitir dívidas. Então resta: 1) a cobrança de impostos (com vinham fazendo por meio do ICMS sobre bens essenciais); 2) empréstimos em instituições financeiras públicas e multilaterais. Essas poucas operações precisam do aval do Tesouro Nacional, e, em caso de calote, quem herda a conta é a União.

É, portanto, um despropósito que Bolsonaro tenha atuado para corroer as finanças de Estados e Municípios quando sabe (ou deveria saber) que o custo dessa política recairá sobre o próprio Governo Federal.

Enfim, embora sejam parte da Federação, Bolsonaro trata Estados e Municípios como inimigos. Não deveria ser assim, mas ele é um ditador. Estados e Municípios são filhos da Federação. Se eles forem prejudicados e caírem em dívidas, quem paga a conta é o Pai. Logo, o desastre fiscal dos entes federativos é, em última instância, a ruína do País.

Por que a rejeição feminina a Bolsonaro?

 Piadas machistas, declarações ofensivas, pouco respeito e discursos misóginos? Não só isso, há algo mais! A rejeição é fruto menos de suas ofensas e mais de seu desgoverno. O governo Bolsonaro prejudicou demais a vida de mulheres responsáveis pelo bem-estar familiar num ambiente de privação. Fala mais alto o papel central que as mulheres têm no gerenciamento doméstico e na relevância que o eleitorado feminino dá a políticas públicas. E essa condição social da mulher foi desmantelada pelo seu desgoverno às mulheres anônimas.

Logo, mais que uma questão ideológica ou mera antipatia, a rejeição feminina expressa a disfuncionalidade de seu governo e seu fracasso como presidente. Enfim, declarações ofensivas à parte, acima do desrespeito está a privação.

Pontos importantes:

·       A divisão de tarefas entre a maioria dos casais não é equilibrada. Acaba sobrando para elas pagar contas, fazer compras, administrar um lar. Logo, é sobre as mulheres, sobretudo as mães, que acaba recaindo a responsabilidade de lidar com o orçamento doméstico (a mulher popular, pobre, solo, chefe da família). E ele tem sido apertado devido a alta dos preços, de administrar a escassez quando o desemprego afeta a família e de recorrer a serviços públicos de qualidade duvidosa para cuidar da saúde e da educação dos filhos.

·       Estamos falando de um público bem específico de mulheres, as anônimas, que têm escassa ajuda para enfrentar o desafio de cuidar da família num cenário de carestia e de serviços públicos precários.

·       Para piorar, Bolsonaro estragou o Bolsa Família, pois destruiu o seu espírito, que era o foco justamente em quem mais precisava do dinheiro – as mães que são chefes de família e que têm mais filhos pequenos. O programa bolsonarista Auxílio Brasil não prioriza mulheres pobres que chefiam famílias (paga o mesmo valor a todos, inclusive homens que vivem sozinhos), privilegiando outras categorias como caminhoneiros e taxistas (em que a presença feminina é absolutamente minoria). 

·       As mulheres querem um presidente, não um casamento. A mulher popular consciente rejeita Bolsonaro porque ele governa apenas para a mulher branca, cristã e bem-sucedida. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Décadas de 80 de 90...

 

- Nasceu às vésperas da primeira eleição direta para governador desde o golpe de 1964.

- Noite de abril de 1985: morte de Tancredo Neves.

- TSE 19 de dezembro de 1989: eleição de Fernando Collor (primeiras eleições presidenciais).

- Plano Cruzado. 1986

- Plano Bresser (1987): congela preços e salários por 90 dias.

- 1987: Brasil Pede Moratória da dívida externa.

- Explosão da Challenger (1986).

- Queda do Muro de Berlim (1989)

- Morte de Carlos Drummond de Andrade (1987). Madona se destaca como estrela. Roque Brasil.

- Impeachment de Collor (1992), Itamar Franco nomeia nova equipe. Inflação de +1000% a.a.

- PF prende PC Farias.

- Morte de Ayrton Sena (1994).

- BC apresenta as notas do real (1994). 100 reais valia exatos 100 dólares.

- Brasil na final da copa (1994): vencemos de 3-2 da Itália copa nos EUA. Elegemos FHC.

- PC Farias foi morto (1996).

- 19 trabalhadores MST – Massacre de Eldorado dos Carajás (1996).

- Internet chega no Brasil (1996)

- Dolly, a ovelha clonada (1997).

- Morte da Princesa Diana (1997). Reino Unido chora.

- O caso Monica Lewinsky (1998), Bill Clynton. No escritório da Casa Branca.

- Filha de Silvio Santos sequestrada (2000) Patrícia Abravanel.

- Atentado 11 de setembro (2001).

Análise de 02 Fatos Midiáticos

1. A execução do terrorista mais procurado do mundo!

- a operação que matou o chefe da Al-Qaeda (Ayman al-Zawahiri) foi comandada à distância. Um drone invadiu o espaço aéreo de Cabul (capital do Afeganistão). Os EUA mostram a capacidade de defender o povo americano contra aqueles que querem nos fazer mal. Ayman al-Zawahiri tinha 71 anos, nasceu no Egito em uma família influente e se formou em medicina. Os primeiros sinais de radicalização apareceram aos 15 anos, quando fundou uma organização terrorista que queria derrubar o governo secular do Egito. Conheceu o terrorista Ozama Bin-Laden num hospital no Paquistão em 1986. Em 1988 se juntou ao amigo para integrar a rede terrorista Al-Qaeda. Ele é apontado como o grande responsável pela formação ideológica da Al-Qaeda, com uma interpretação distorcida da religião islâmica. Antes dele, o grupo não tinha como prática os ataques suicidas, que se tornaram uma marca da rede. Ao lado Bin-Laden, al-Zawahiri foi a mente por trás de atentados contra alvos americanos: o das Embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia (1998), os de 11 de Setembro de 2001 (que mataram quase 3 mil pessoas). Os atentados levaram os EUA a invadirem o Afeganistão para derrubar o regime Taliban e capturar Ozama (quando ele foi morto numa operação militar no Paquistão em 2011). Qual o futuro da rede terrorista Al-Qaeda sem o principal comandante?

- onde Ayman se escondia levou à estaca zero um acordo dos EUA com o Taliban. O fato dele estar no Afeganistão, numa casa segura, sugere que o Taliban estava dando apoio a ele e aos familiares. E que não acreditaram que os EUA atacariam. A morte dele compensou as críticas a Biden pela retirada desastrosas das tropas do Afeganistão no ano passado. A operação americana também comprovou a tese de Biden de que a presença militar dos EUA no Afeganistão não era mais necessária, pois é possível continuar a caça aos terroristas com o trabalho de inteligência. Logo, a Al-Qaeda de Osama e Al-Zawahiri (ele foi o 8º comando da organização) foi sendo dizimada pelos EUA. O número de integrantes daquela época que podem se tornar líderes do grupo é pequeno, mas existe. Sem um poder central, pequenos grupos isolados terão mais dificuldade para se organizar e agir. Assim, a Al-Qaeda perdeu a habilidade de promover ataques como antes, mas esses grupos remanescentes continuam ativos e letais regionalmente. Ele focarão em planos internacionais? Não temos a resposta. Hoje, existem grupos ativos em: eles querem legitimidade, financiamento e apoio internacional. Recado para os terroristas do mundo todo: os EUA têm capacidade para rastrear e eliminar.

- quando as tropas americanas e aliados deixaram o país no ano passado, o Taliban voltou ao poder garantindo que cumpriria o acordo de Dorran, firmado em 2020, com o compromisso de que o país não daria mais abrigo pra terroristas. E não cumpriu o que prometeu.





2. História conturbada da ilha de Taiwan: fazia parte da China até 1895, quando foi cedida ao Japão. Voltou ao controle chinês após a II Guerra Mundial (1945), quando o país era uma República alinhada ao Ocidente. Com a revolução comunista de 1949 isso mudou. Quando Mao Tsé assumiu o poder, os líderes do movimento democrático fugiram para Taiwan, e romperam com a China continental. Daí Taiwan se tornou um importante aliado dos EUA na Ásia. Apesar de nunca ter reconhecido oficialmente Taiwan um país independente, os EUA se comprometeram a proteger a ilha por Lei. Mas, a China por sua vez, considera Taiwan como parte do seu território, e nunca descartou a possibilidade de usar a força para voltar a controlar a ilha. A TV estatal chinesa informou num comunicado que a visita de Pelosi era uma violação da soberania e da integridade territorial da China, e que trata de uma ameaça à paz e a estabilidade da região. A China também anunciou uma série de exercícios militares conjuntos no estreito de Taiwan, e informou que o objetivo é frear a recente escalada de movimentos negativos dos EUA e mandar um alerta para as forças locais que buscam independência. A Rússia endossou o couro e disse que a China tem autonomia para tomar medidas para defender a soberania dela. Até hoje o governo chinês não criticou a invasão russa à Ucrânia, e é visto como principal aliado de Moscou. Taiwan acusa a China de tenta intimidar psicologicamente os mais de 23 milhões de cidadãos da ilha. E que os exercícios militares anunciados por Pequim ameaçam portos e cidades importantes de Taiwan. Enfim, essa viagem uniu quem geralmente fica de lados opostos.

Enfim, um momento em que o mundo tem que escolher entre a autocracia e a democracia.



A maioria dos homicídios fica sem solução no Brasil.

IMPUNIDADE 

Mais da metade dos homicídios no Brasil fica sem solução (de cada 10 são 06 que ficam sem solução). A pesquisa é do Instituto Sou da Paz e considerou esclarecido o homicídio que teve ao menos um autor identificado e denunciado pelo MP até o ano seguinte. Ela constatou que:

Apenas 44% dos homicídios no Brasil foram esclarecidos em 2018 e no ano de 2019 ainda teve uma queda de 7p.p para 37%. Até SP que conseguia resolver 46% dos homicídios, caiu agora para 34%. Na Europa, o percentual de esclarecimentos é de 92% e nos EUA 57%.

Em geral, os homicídios vitimam uma população bastante mais vulnerável: jovem, negra, periférica. Nunca foi uma prioridade para o país.

O Brasil ainda tem algumas deficiências muito estruturais: pouco investimento em suas polícias civis, pouca gestão da informação da polícia civil e da justiça criminal e integração (das polícias e das informações), pouco trabalho integrado entre os órgãos (MP, polícias e Poder Judiciário). Enfim, a falta de estrutura e de produção de provas técnicas ajuda a explicar as baixas estatísticas no Brasil. Há uma ausência de investimentos na perícia séria e científica, bem feita e com o local adequadamente preservado, com recursos tecnológicos, com a preservação da cadeia de custódia na produção da prova. Isso traria um resultado seguro, firme e robusto, levando aos jurados, que são os julgadores dos homicídios no Brasil a segurança pra decidir de forma segura e tranquila a autoria daquele crime.

A análise desses dados mostra a nossa necessidade de desenvolver a capacidade de investigar e processar esses crimes, que são os mais graves porque atentam contra a vida das pessoas. A falta de solução de mortes violentas passa uma resposta muito ruim para a sociedade: "atentar contra a vida não dá em nada". 






terça-feira, 2 de agosto de 2022

A reconstrução do consenso democrático no Brasil

 

·       Alguns dos elementos que formam o que chamamos de democracia:

- ter direitos fundamentais garantidos

- acesso à justiça

- defender uma ideia

- escolher representantes por meio do voto - num processo em que há respeito à supremacia da maioria da população

- a existência de uma imprensa livre com poder de fiscalizar o Estado

- o respeito às liberdades civis

- a pluralidade de partidos políticos

- o combate à corrupção

- a coexistência de diferentes ideologias

- a coexistência de diferentes ideologias

- a possibilidade de livre oposição, o que permite a avaliação popular dos governos e alternância de poder.

- Significa aceitar o processo eleitoral

- a igualdade perante a lei

- significa dizer que a política não deve ser marcada pela violência

·       Como fortalecer a democracia?

- tem que saber jogar. E isso se ensina e se aprende. Garantir educação para a política e espaços de participação popular, para além do voto, é uma forma de avançar o grau da democracia num país.

- com a participação em conselhos de atuação junto ao Executivo e Legislativo, como os conselhos participativos municipais, e qualquer outro espaço de debate em que se possa pensar sobre questões da vida em sociedade, e como resolver seus problemas mais agudos.

- A inclusão de diferentes grupos sociais no debate público está radicalmente atrelada ao aumento da sensação de que se é melhor representado pelos seus líderes. Mas até hoje no Brasil, por exemplo, a representação das mulheres na política é uma das menores do mundo. O mesmo vale para a população negra, indígenas e LGBTQI+.

- O Brasil foi a democracia que mais entrou em declínio no mundo em 2020, segundo o Relatório Global do Estado da Democracia, publicado em 2021 pelo IDEA.

- A gente precisa voltar para uma normalidade em que não tenhamos preocupações em relação à sobrevivência da democracia, porque um país que faz carta em defesa da Democracia é um país que está com problemas democráticos. É preciso voltar aos trilhos, em que oposições e partidos se comportam como tal e, a partir disso, conseguiremos sanar problemas econômicos e sociais.

- através de manifestos lançados com apoio de entidades empresariais, sindicais e profissionais em defesa da democracia e de suas instituições, com visão coletiva, institucional e suprapartidária.

- despertando a sociedade civil para questões atinentes à liberdade, aos ritos eleitorais e contra quaisquer tentativas de perturbação da ordem pública. 

·       Como a Democracia entra em declínio?

- As desconfianças sobre a validade do processo eleitoral

- constantes conflitos com o Judiciário

- experimenta o enfraquecimento das liberdades civis,

- ataques às instituições e ao processo eleitoral

- diminuição das associações entre indivíduos

- diminuição dos mecanismos de monitoramento das ações de governo, um papel da imprensa, por exemplo

- fazer uma política baseada na distinção entre amigos (sempre sendo variáveis ao sabor das circunstâncias) e inimigos (invariância);

- investindo numa volatilidade de alianças, sem nenhum princípio fundado em ideias ou valores morais, ausente qualquer noção de lealdade;

- subornando, traindo, manipulando, impondo e comprando. Comprando o Legislativo, sobretudo a Câmara dos Deputados, via orçamento secreto, e outros tipos de emenda, num sequestro flagrante dos recursos públicos e das funções legislativas;

- mais do que retórica ocasional, uma política que tem o ódio e a morte como alicerces (sentimentos morais e compaixão não se fazem presentes);

- qualquer crítica ou dissidência devem ser sufocadas;

- não se presta à escuta e ao diálogo visando ao bem comum;

- o autoritarismo é o cerne e a democracia o inimigo a ser aniquilado;

- disputa de ideias e de concepções, segundo regras estabelecidas, reconhecidas e respeitadas por todos, cede lugar ao questionamento das próprias regras que tornam a disputa possível (e aí, automaticamente, você assume uma posição antidemocrática e liberticida), nada reconhecendo senão o seu arbítrio e o seu próprio projeto de poder;

- esvaziando a palavra democracia, contando unicamente o atendimento ou não de sua vontade (se ela é atendida, considera a medida democrática; se não o for, é coisa de “comunista” ou outra invenção);

- se ganhar, foi democrático; se perder, foi fraudulento.

- chamando representantes de outros países para falar mal do seu próprio país; 

 

Uma apuração histórica mostra que foi durante o regime democrático (e não em outro) que se alcancou importantes conquistas, como acesso universal à saúde (o SUS) e aumento nos níveis de escolaridade (embora ainda muito tímidos).

Um marco importante no processo eleitoral brasileiro foi a criação da urna eletrônica em 1996. O objetivo era eliminar fraudes, comuns no antigo sistema de papel, e o novo sistema tornou o Brasil a maior eleição informatizada no mundo.

“É um problema para a democracia quando você contesta, sem fundamento e sem justificativas críveis, o processo eleitoral. Você gera desconfiança, insegurança, você abala a competição”.

Para se materializar, um golpe precisaria: 1) do apoio da sociedade; 2) do suporte internacional; 3) da participação dos militares. 

Tem que saber jogar. E isso se ensina e se aprende. Garantir educação para a política e espaços de participação popular, para além do voto, é uma forma de avançar o grau da democracia num país. Enfim, um não fica feliz com a derrota, mas sai do jogo temporariamente, é isso, é assim que as democracias funcionam.

Desindustrialização: - tecnologia + produtos agrícolas.

Há uma participação menor da indústria na economia brasileira.

A queda da participação da indústria brasileira de alta tecnologia nas exportações (elas estão fechando, indo embora ou desistindo de vir produzir aqui no Brasil). De 2013 a 2020, o Brasil perdeu -30.683 indústrias de transformação (um dia elas representaram 15,4% na participação do PIB, ano passado foi de 11,3%). É a indústria de transformação, que usa matéria-prima para a produção de outros produtos, está perdendo relevância na economia brasileira. Ela tem dificuldade de concorrer no mercado internacional. Isso fica evidente na diminuição das exportações do país nesses tipos de produtos.

A indústria brasileira está sem competitividade. E isso é causado, principalmente, por fatores sistêmicos ou o custo Brasil: a questão do sistema tributário, ineficiência da nossa infraestrutura, da baixa educação, da toda burocracia de comércio exterior e a dificuldade de importar e exportar nesse país. Há uma grande falta de financiamento (as empresas não querem investir em logística, apenas em produção e lucros), jogando para o setor público essa responsabilidade.

Sem uma indústria forte e tecnológica, o Brasil perde a chance de se desenvolver, gerando empregos melhores, com salários maiores, arrecadações mais gordas, prover mais serviços públicos e riquezas para o país. Daí fica refém dos importados, vendendo matéria-prima barata e comprando essa mesma commodity transformada mais cara.

Enfim, a indústria tem potencial para gerar crescimento para o país, mas precisa de política industrial. É preciso investir em inovação, qualificação, para gerar empregos e produtos de alta intensidade tecnológica e valor agregado.

Toda política industrial moderna é baseada em metas. É preciso olhar as oportunidades que estão colocadas na mesa. Por exemplo, o mundo todo está querendo energia verde, então teria que ir por aí. E não estamos discutindo uma política de desenvolvimento econômico como princípio de desenvolvimento industrial. Todos os países que se tornaram ricos e desenvolvidos ao longo do século XIX e XX, foram países que conseguiram aumentar a participação de suas exportações de produtos industriais nas exportações mundiais de produtos industriais. 

Essa realidade tem impacto no mercado de trabalho. Alguns setores caíram e outros deram um salto. Os braços que movimentam a indústria mudaram. Há mais robôs e menos gente na linha de produção. Mas, a indústria precisa de cérebros para lida com tanta mecânica.


A indústria não é o maior empregado da nossa economia (é o setor de serviços), mas gera muitas vagas formas que pagam melhor. As fábricas continuarão contratando da mesma forma com todas as transformações tecnológicas? Partindo disso, onde estarão as maiores oportunidades de emprego nos próximos anos (até 2025). O mapa do trabalho industrial:

1.     Automação e Mecatrônica (parte mecânica e elétrica, automação e programação).

2.     Meio Ambiente: de engenheiros ambientais a material reciclável.

3.     Logística e transporte, desde especialista em planejamento até motoristas de caminhão.

A pandemia acelerou mudanças que estavam previstas de acontecer só daqui a alguns anos. Há um movimento forte de digitalização e adoção de novas tecnologias. A internet das coisas, o big-data, o e-commerce, a indústria aditiva, a inteligência artificial, etc. Enfim, o 5G está aí. Novas soluções, novas necessidades no chão de fábrica da indústria brasileira. Qualificação!











O sumiço das carnes no prato dos brasileiros.

 Neste ano, o consumo médio de carne bovina no Brasil deve ser o mais baixo em quase 3 décadas.- o pico do consumo foi 16 anos atrás, em 2006, quando o brasileiro consumia na média 42,8 kg/pessoa. A projeção para este ano de 2022 é de 24,8 kg.

 - Explicações:

1. A inflação acumulada aqui no país de jan. 2018 a jul. 2021 foi de IPCA: 28,8%. Já a inflação da carne bovina nesse mesmo período foi de 78,5%. Carne de aves: 71,4% e carne suína: 48,3%. Tudo o que sobe acima da inflação média o consumidor corta.

2. A alta do dólar e a demanda das exportações tem privilegiado o mercado externo. Afinal, todo o mundo quer consumir um pouco mais de carne vermelha. É uma tendência global.

Enquanto isso, em julho/2022 as exportações brasileiras mais uma vez superaram as importações (uma balança comercial de +US$ 5,4 bi). O Brasil gasta mais importando fertilizantes, trigo e centeio e exporta soja, milho e café (itens agropecuários). De jan. a jul. deste ano, já se tem um superávit de +US$ 39,6 bi.




·       Um dado que revela como poucos o empobrecimento dos brasileiros. O consumo de carne bovina pelas famílias deve cair em 2022 ao menor patamar em 26 anos. Fruto de uma crise econômica persistente, que tem como ingrediente relevante uma inflação que continua muito alta, que dá razão para o BC só elevar a taxa básica de juros ao maior nível em 6 anos!

- mais de 60 milhões de brasileiros enfrentam algum tipo de insegurança alimentar (ONU). Praticamente 1/3 da população.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

Influências Digitais...

O Brasil tem 500 000 influenciadores digitais com mais de 10 000 seguidores! É mais do que engenheiros civis (455 000), dentistas (374 000) e arquitetos (212 000). Levando em conta os influenciadores com mais de 1000 seguidores, esse número salta para 13 milhões (o equivalente a 6% da população brasileira). E muita dessa gente posta e grava informações na esperança de conquistar fama, dinheiro, ou simplesmente os dois.

Assim, o país é a 2ª nação que mais segue influenciadores no mundo (44,3% dos usuários), atrás das Filipinas (51,4%). O top 5 é formado apenas por nações emergentes (Nigéria, Indonésia e Argentina). Esses tais “influencers”, assim como a mídia, acham que podem revelar a verdade do mundo quando, na verdade, revelam apenas a verdade deles.

Aonde mesmo chegaremos se a principal fonte de conhecimento da sociedade estiver atrelada a cidadãos que nem sempre sabem o que dizem e invariavelmente apelam para exageros intencionais? Não se trata de ser contra a Internet e o avanço tecnológico, nem de apartar-se das redes sociais de informações montadas e alimentadas diariamente. Trata-se de cautela com as influências digitais.

Precisamos de pessoas sérias que usem a tecnologia com inteligência e elegância. Distante das más influências, a internet não pode nos deixar mais burros ou roubar a nossa paciência para leituras e reflexões mais atentas. Precisamos substituir o voo rasante e superficial por mergulhos mais profundos, iluminando os temas com acuidade e profundidade.

As pessoas recebem centenas de informações ao longo de um único dia. É preciso separar o que é verdade, o que é boato, o que é fantasia e o que é exagero. É preciso cautela para separar o que é bom do que é deletério, as boas das más influências. 

Enfim, esse também é o compromisso da Escola.