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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 7 de julho de 2019

PARTE II: Quando comemos juntos, comemos mais felizes.

“Política é fazer supermercado” sugere que a política possa ser reduzida a questões tais como quem fica com o quê, onde, quando e como. Até aqui, a política foi apenas a luta para satisfazer as necessidades materiais em condições de escassez. Mas, isso não é tudo. Há algo mais...

A vida política é em parte uma resposta necessária aos desafios da vida cotidiana e o reconhecimento de que a ação coletiva é quase sempre melhor que a individual. Quem disse isso foi o filósofo Aristóteles: “O homem é por natureza um animal político”. Ou seja, o homem é melhor numa sociedade complexa do que abandonado e isolado. E algo mais profundo ainda: existe algo essencialmente humano a respeito das perspectivas de como as questões de interesse público devem ser decididas. O que isso significa? O prazer, a satisfação e a felicidade em compartilhar o banquete. A política é a nobre atividade na qual os homens decidem as regras pelas quais viverão e os objetivos que querem buscar coletivamente. Nas palavras do próprio Aristóteles: “A sociedade política existe com a finalidade das nobres ações, não por mero companheirismo”.

Estamos falando do direito de governar a si mesmo e aos outros com nobres ações. Mas, com quais fins? E aqui retornamos à perspectiva multirreferencializada de Roberto Sidnei Macedo. Ou seja, há muitas repostas...

PARTE III: À mesa, muitos convidados, muita conversa e muitos pontos de vista.


Durante um banquete coletivo, os comes e bebes são intermediados por muitas conversas. As pessoas riem, falam ou simplesmente observam enquanto comem (que é o meu caso rsrs). Se o assunto for política haverá muito que discutir. Se a política é a única atividade coletiva direcionada a certas metas e fins comuns, realmente precisamos esclarecer que fins são esses, ou seja, os objetivos que a política pode ou deve atingir.  Existirão muitos pontos de vista porque existem muitos fins sugeridos ao ato político.

Todavia, é possível pelo menos apontar três grandes visões políticas que tentam dar sentido à experiência política e à relação dessa com as outras questões da condição humana. Assim, podemos resumi-las:

1.      Moralismo político: política é vida moral e ética, com valores políticos. A política deve ser direcionada à conquista de objetivos relevantes ou à proteção de certas questões: justiça, igualdade, liberdade, felicidade, fraternidade ou autodeterminação nacional. Em sua melhor versão, o moralismo político é parte de um processo de luta por uma sociedade melhor, que sugerem valores a serem buscados ou protegidos. Em resumo, a política existe para oferecer valores éticos e morais, tais como felicidade ou liberdade (Paulo Freire e Roberto Sidnei Macedo estão no grupo de pensadores que focam na moralidade como ato político. Também posso citar o Thomas More e o Robert Nozick).
2.      Realismo político: a política tem a ver com o poder, que é o meio pelo qual os fins são alcançados, os inimigos derrotados, e as concessões, mantidas. Ou seja, essa corrente rejeita a anterior, pois sem a habilidade de alcançar e exercer o poder, os valores (mesmo a despeito de quão nobres possam ser) são inúteis. Assim, os realistas concentram sua atenção no poder, no conflito, na guerra, e são, em geral, cínicos a respeito das motivações humanas. Geralmente seus contextos são de guerra civil e desordem. Aqui os homens são “mentirosos ingratos”; não são nobres nem virtuosos, com sérios riscos de motivações políticas que vão além das preocupações com o exercício do poder, um “estado de natureza” sem leis sérias em que vigora uma guerra de todos contra todos. Por meio de um “contrato social” com seus súditos, um suposto soberano (o “Príncipe”) exerce o poder absoluto para salvar a sociedade do seu estado bruto. Esse tipo de política é muito ideológico, pois resulta nos piores excessos do realismo, no qual os fins justificam meios brutais ou injustos. A política ideológica aqui parece ser uma luta perpétua ou guerra, entre campos rivais e irreconciliáveis. Eu ainda poderia comparar essa luta ideológica com uma competição entre times de futebol: a paixão, em vez da razão, seria mais importante na escolha por um time, e a vitória, em última instância, é o que conta (a maior parte da política feita em São Francisco do Conde foca nas fontes e no exercício do poder como ato político. Também posso citar o Nicolau Maquiavel e o Thomas Hobbes).
3.      Conselheiro sábio: esse assume uma posição pragmática que está preocupada com o alcance dos melhores resultados possíveis. Um mediador, que fica entre o realismo e o moralismo, ao lado dos filósofos políticos, como o pensador ou um poeta tipo o Alexander Pope que diz: “deixe os tolos discutirem a forma de governo. O mais bem administrado, seja qual for, é o melhor”. Isso porque, o “conselheiro sábio” sabe que o problema da guerra e do conflito jamais será erradicado, e argumentos a respeito da relação entre os valores políticos como liberdade e igualdade talvez nunca estejam resolvidos, mas talvez possamos progredir no desenvolvimento constitucional, na determinação de políticas e na garantia de que os governantes tenham a maior estabilidade possível (aqui estou eu, um admirador das habilidades e virtudes de um “conselheiro sábio”, como o filósofo chinês Confúcio).

Assim, a gente é aquilo que come. E eu como comida e livros.

PARTE FINAL: A digestão do banquete.

Cada banquete é único. Do mesmo modo, ideias são peculiares a períodos históricos distintos. Ou seja, as ideias de cada período histórico diferem porque as práticas e instituições das sociedades são diferentes, e o significado das ideias muda com a história – trata-se do pensamento político ideológico.

Cada banquete é único porque cada anfitrião que o preparou tem seu jeito e suas próprias condições de prepará-lo. Assim, também, as ideias estão sujeitas à mudança histórica e vinculadas aos interesses das classes sociais, tais como os trabalhadores ou capitalistas, os quais serviram de base aos grandes “ismos” da política ideológica, do comunismo e o socialismo ao conservadorismo e ao fascismo.

Ao ser processada na boca e no estômago a comida passa pela digestão. Eu diria que a história é o sistema digestor das ideias. É ela quem processa os fatos, tornando alguns importantes e outros em desuso. Alguns exemplos de “excrementos históricos”: Platão e Aristóteles pensavam a democracia como um sistema perigoso e corrupto, ao passo que a maioria das pessoas no mundo moderno a veem como a melhor forma de governo. Regimes autoritários contemporâneos são encorajados a se “democratizarem”, como está acontecendo com o fascismo atual de Bolsonaro, um verdadeiro bueiro ou sistema excretor do Brasil. De maneira similar, a escravidão já foi pensada como uma condição natural que excluía muitos de qualquer direito, e, até o século XX, a maioria das mulheres não era considerada cidadã.

A ideia política de que uma classe dominante cria uma falsa argumentação para subjugar uma classe dominada, bem como da história como um biodigestor de fatos e valores é de Karl Marx e Georg Hegel. Aliás, Hegel dizia que as ideias políticas são uma abstração da vida de uma sociedade, Estado, cultura ou movimento político. Para que essas ideias façam sentido, bem como as instituições e os movimentos que elas explicam, é preciso examinar sua história e seu desenvolvimento. Tal história é sempre um relato de como chegamos ao ponto em que estamos hoje (“a coruja de Minerva só voa no crepúsculo”, isto é, a sabedoria ou o entendimento só acontece em retrospectiva). Ou seja, o surgimento de uma ideologia. Além das classes sociais de Marx, existem outras fontes de política ideológica mais recentes, que surgiram das evoluções ocorridas dentro do liberalismo, do conservadorismo, do socialismo e do nacionalismo.

Vivemos um presente e viveremos um futuro de disputa. Karl Marx dizia que “os filósofos têm apenas interpretado o mundo... A questão, porém, é transformá-lo”. Essa transformação ou saída do problema do conflito político viria do triunfo revolucionário das classes trabalhadoras e a vitória tecnológica sobre a escassez. Porém, Hegel adverte que não podemos olhar adiante e ver qual o rumo da história, isto é, nada de se ter o mesmo otimismo histórico de ideias sobre os rumos do futuro. Ou seja, a única certeza que temos sobre o futuro político é a incerteza. Uma incerteza recheada de disputas. Portanto, isso estremece a quem achar ser muito fácil ver-nos como a era mais progressiva, iluminada e racional de todos os tempos – afinal, acreditamos em democracia, direitos humanos, economia aberta e governo constitucional. Porém, essas não são de maneira alguma ideias simples e não são compartilhadas por todas as sociedades ou povos, nem mesmo hoje.

As últimas décadas nos mostraram muita instabilidade, o contrário do que esperamos dos políticos. Vimos o surgimento de novos estados-nação como resultado da retração e da descolonização imperial ou a fragmentação de novos estados; de um lado vemos o forte desejo pela soberania nacional e a luta de povos por seu Estado, enquanto de outro lado vemos nações desejarem federações e uniões políticas complexas, prezando pela união política e muitas outras organizações para cooperação regional. É justamente sobre essa dúvida do futuro que a Hegel se dá razão, pois velhas ideias de soberania estatal têm um papel incômodo na nova política mundial de soberania compartilhada, cooperação econômica e globalização.

Diante das incertezas e da fome violenta, apenas duas coisas são seguras: comida é uma questão muito séria para ser deixada apenas para os MasterCheffs. Todos nós precisamos saber lidar com a arte de cozinhar como uma questão de sobrevivência. Do mesmo modo, diria Charles de Gaulle: “Política é uma questão muito séria para ser deixada para os políticos”. Apenas os políticos... 

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Brincadeiras e comidas: “mostre-me como você come e eu direi quem você é!

Comer bem é um dos imperativos do nosso tempo (frutas, legumes, verduras, grãos, etc.). Mas, não é o único. O cenário social também clama por educação saudável – e a ludicidade é um desses ingredientes. Através do lúdico a criança tem acesso à cultura, à autoria nas produções, ao protagonismo compartilhado, ao desenvolvimento da criatividade (amo demais!), a descoberta, a inventividade, o interjogo entre as experiências internas e externas, a potencialização da sensibilidade (tenho muito), a experimentação, a performance e o imaginário (Cristina D’Ávila & Tânia Ramos Fortuna, pp. 15-16).

Quer saber “o que uma pessoa é” ou “como ela é”? Bote-a para comer. O jeito de comer revela o tipo de pessoa que você é: se a pessoa come apressada demais, ela pode ser ansiosa; se come mais do que deve, é gulosa; se come pouco demais é besta; se come e conversa com a boca cheia, é mal educada; se come cheia de rituais e requintes é fresca; se come fora dos horários, é desorganizada; se come só frituras, doces e salgados é uma pessoa mal instruída e pode ficar doente; se come mal é porque vai mal; se não tem comida na dispensa ou na geladeira, é pobre; se tem comida demais e joga fora ou desperdiça, é rica e burra (só uma pessoa ignorante é capaz de jogar comida fora, óbvio!). E por aí vai...

Assim também é com a Educação e a Ludicidade. Quer saber “o que uma pessoa é” ou “como ela é”? Bote-a para brincar/jogar. O jeito de brincar e viver revela o tipo de pessoa que você é: se brinca sozinha, é um criativo solitário; se não gosta de brincar, tem muitos problemas para esconder; se joga só para ganhar é um compulsivo perigoso; se joga só para perder é um idiota; se sabe jogar e brincar com os outros, é um cooperativo; se brinca para machucar os outros é um cretino em potencial; se brinca de escolinha poderá vir a ser professor; se brinca de médico poderá ser doutor; se brinca só de paciente poderá ser passivo; se só observa os outros brincando é besta (nem sabe o que está perdendo...). Enfim, por aí vai...

A ludicidade é um pêndulo que se move entre a fantasia e a realidade. O jogo ou a brincadeira é um modo de ser. Logo, uma boa maneira de conhecer e avaliar nossos alunos é observar cuidadosamente como eles brincam e jogam. “[...] quem joga não somente revela habilidades, dificuldades, temores e desejos, mas, sobretudo, torna-se quem é. Frente a isso, pode-se afirmar, desde já, que brincar forma” (Tânia Ramos Fortuna, p. 20). Por isso que tem gente que não gosta de jogar/brincar, porque tem medo de mostrar alguma coisa que “não deve”, algo a esconder (algum segredo, algum temor, alguma fraqueza, alguma tristeza). Brincar ou jogar é se libertar.

Portanto, se hoje você é uma pessoa saudável e com um forte sistema imunológico, você deve isso ao leite materno e aos alimentos saudáveis que comeu. Do mesmo modo, se você hoje é uma pessoa criativa, imaginativa e sonhadora, que encara os desafios da vida com dinamismo, você deve isso às brincadeiras da sua infância. A ludicidade não desaparece quando a infância acaba, mas se transforma em algo bom dentro de cada um de nós. “Ela não só persiste na vida adulta, como se metamorfoseia, assumindo formas que participam ativamente de nosso modo de ser, de pensar, de aprender e ensinar – de viver, enfim” (Tânia Ramos Fortuna, p. 20). Pessoas muito magras, vazias, ranzinzas e amarguradas da vida tiveram na infância insuficiência de duas coisas: brincadeiras e comida. Assim, tem bons motivos para se permitir a uma formação lúdica, e ser lúdico com os alunos que pretendem ensinar. 

Enfim, o nível de bom ou mau humor que temos na vida adulta é indicativo da dose de ludicidade que recebemos na infância. Eu tomei muitas gotinhas, por isso não tenho medo de ser livre, nem tenho nada a esconder. Você tem? Se não tem, então venha brincar, e comer comigo... A gente vai se lambuzar de felicidade.

sábado, 29 de junho de 2019

O relógio da aprendizagem.


Não existe apenas um, mas vários tempos. Existe o tempo natural, o tempo geológico, o tempo histórico, político e social; há o tempo de Deus, o tempo técnico-científico e informacional (que é um clique só). E existe o tempo de aprender, que é o tempo pedagógico. Se não há uma, mas várias temporalidades, logo, Albert Einstein está correto: o tempo é relativo. Para cada tipo de tempo, há um relógio. Existe o relógio biológico, a ampulheta (que é o relógio de areia), o relógio atômico, o relógio de Sol, o relógio de pulso, de bolso, digital. Existe o meu, o seu e o nosso relógio: “o relógio da aprendizagem”.

O “relógio da aprendizagem” tem um tempo pedagógico próprio. Seus ponteiros são subjetivos, e a passagem é marcada pela vivência marcante – só fica aquilo que realmente toca, o tic-tac sensível. Enquanto o tempo passa lá fora, o “relógio da aprendizagem” marca o tempo daqui de dentro (não é só o tempo que passa, nós que passamos – uma consciência do devir). Todo aprendizado é bom quando parece que o tempo passa rápido demais (aprende que nem se nota). Por isso que o “relógio da aprendizagem” é dinâmico, mas nunca automático. É dinâmico porque é bom, não porque é controlador. Por isso que, também, a demora na Educação não é um bom sinal. Esse tipo de demora é atraso mesmo, excesso de paciência, sinal de que está enrolando, enganando, não cumprindo com as promessas em hora marcada, fazendo esperar demais. Irresponsabilidade que causa impacto, gera angústia e inquietude nos professores, coordenadores e alunos. Em toda a comunidade escolar! Esse é o tempo político-cultural...

Segundo Roberto Sidnei Macedo:

“Partimos da premissa de que o tempo que, predominantemente, organiza a formação na escola é um *tempo de significado autoritário* e reduzido a uma certa reprodução cronológica. É um tempo que joga contra a singularidade, a itinerância-errância do aprender e a inventividade, por consequência. Não é um tempo que possibilita o processo de autonomização de quem aprende e se forma. É um tempo-controle que intensifica a burocratização do aprendizado e facilita a alienação no desejo do outro instituído, ou melhor, do Estado-controlador. Essa temporalidade dificulta a emergência dos tempos heterogêneos, vividos, negociados, portanto, do trabalho democrático e responsabilizado com os tempos humanos e institucionais. Nega-se de forma policialesca o direito ao tempo para o devaneio [...] Trivializa-se e rotinariza-se o tempo, fabrica-se o tédio da repetição e planta-se o beijo da morte no tempo que se necessita para nutrir/oxigenar a aprendizagem do exercício da construção de espíritos improgramáveis” (MACEDO, pp. 119-120).

O tempo tem que está a serviço do nosso aprendizado, e não o nosso aprendizado a serviço do tempo institucional. Nosso? Sim! Meu, seu, do aluno, do professor e do coordenador em formação. Sendo assim, não adiantaria “um modelo de rotina”, único e padronizado, para a educação infantil, mesmo que repleto de “boas” intenções e coisas que não deem tempo de garantir o tempo vivo, isto é, momentos fecundos de experiência, aprendizado e construção de conhecimentos. Ou seja, o professor e o aluno não se apressam para fazer tudo dentro de um tempo oficial, mas se acalma em fazer o suficiente que garanta o aprender. Mais do que bater todas as metas (a quantidade), é realizar com sentido e significado as poucas que derem tempo para viver (a qualidade). Logo, o relógio da aprendizagem soma e divide as quantidades, mas se compromete mais com a qualidade do ensinar.

Em outras palavras, os tempos subjetivos das pessoas (onde mora a historicidade de cada um) costumam estar inscritos de forma rígida no tempo das instituições (onde mora o poder como controle). Precisamos lutar para reverter isso, pois cada um tem o seu tempo de ensinar/aprender. O tempo institucional deveria estar sempre a serviço de um clima institucional que estimulasse a sincronização entre tempos cronológicos e tempos vivenciados, evitando automatismos, linearizações e a rigidez. “A dimensão temporal do processo de aprendizagem não se refere apenas ao tempo cronológico, mas a uma pluralidade de tempos que, literalmente, estão em jogo no cotidiano da vivência curricular” (Macedo citando Assmann, p. 120).

Por isso que Roberto Sidnei Macedo é de procedimento multirreferencial – ele sai “citando todo mundo” e tirando de cada um o que há de melhor. Um trabalho de garimpagem e lapidação preciosa. Compreendendo que o tempo sempre sofre esse empuxo imaginário, ele extrai uma crítica de Borba, 2004, ao relacionar tempo e obsessão na sala de aula e nas formações:

“[...] A primeira e principal coisa que faz um professor obsessivo é estabelecer a regra da intolerância temporal. O tempo para ele é parametrado, tudo se passa como no sistema de microensino de algumas décadas atrás em que se tinha cada momento de cada aula definido com antecedência, definido em minutos. O tempo controlado, medido, minutado, enquadrado resolve, é a chave da eficiência, ‘programática’, digo pedagógica, didática. É assim que para o obsessivo o maior pecado é deixar surgir alguma coisa não prevista” (Macedo citando Borba, p. 122).
Cronos Devorando um de seus Filhos, 1820-23, Francisco de Goya, Museu do Prado, Madri.

Mas, será por que o professor faz isso ou está habituado a isso? Culpa de Cronos? Sim! De Cronos como calendário mesmo! Oush, como assim? “Tomando o currículo instituído, este, predominantemente, é concebido de forma cronológica, levando em conta os dias do ano. Há uma quantidade de dias a ser cumprida e nesta quantidade enquadra-se uma quantidade de conteúdos. É o calendário que organiza temporalmente o currículo” (Macedo, p. 123). Assim, só uma formação consistente em ciclos poderia recuperar as características biológicas e culturais dos seres humanos, devoradas como filhos de Cronos-Calendário. As formações dignamente organizadas no calendário letivo devolveriam esses tempos/períodos tomados, tão variáveis e heterogêneos dos humanos (alunos, professores e coordenadores) aprenderem. Viveremos para ver Roberto Sidnei Macedo implantar esse ciclo de formações aqui?

Enfim, toda vez que escrevo me altero. E toda vez que você lê, você também muda. A finalidade de toda educação é justamente essa: a alteração e a mudança, sem tanta pressa de acontecer. Primeiro ela ocorre devagarzinho dentro de cada um de nós, ou seja, leva um certo tempo para isso. Depois ela quer transbordar. E esse “pra fora” também tem uma duração. A formação é isso: agir e pensar; ler e escrever sobre o que se vive, o porquê se vive e para quem se vive e, de algum modo, compartilhar tudo isso com o outro porque implica troca. Seja real ou virtual, algum tipo de encontro é indispensável. Está acontecendo, por exemplo, aqui e agora. Roberto Sidnei Macedo a chama de "com-versações curriculares", com três tipos de processos possíveis: 1) heteroformação: formação com o outro; 2) autoformação: reflexão sobre a experiência formativa; 3) metaformação: o próprio processo de formação proposto. 

A vida está agarrada ao tempo (é maravilhosa enquanto dura, um devir), assim como o tempo é o sentido da vida: efêmera. Viver é tempo de aprender com o outro sob múltiplas formas. Ambos passam nem rápidos nem vagarosamente demais, mas o suficiente para durar, pois, “educação por ciclos de formação é uma organização do tempo escolar de forma a se adequar às características biológicas e culturais do desenvolvimento de todos os alunos. Não significa, portanto, ‘dar mais tempo aos fracos’, mas, antes disso, é dar o tempo adequado a todos” (Macedo citando Lima, p. 123).  Ou ainda, não é um tempo cronológico instituído que deve nortear um currículo e uma formação, mas a cultura e a história biológica e cultural onde o desenvolvimento psicossocial do ser em aprendizagem se realiza (Macedo citando Wallon, p. 123-124).

E por falar nisso, que horas são agora? Ora, se o tempo é vida e depende do ponto de vista do observador, não acredito que alguém aprenda com fome. Assim, confesso que não há tempo melhor do mundo do que a hora de comer (livros e comida).

FOTOS: peça teatral “A Lenda do Gurugé”, apresentada na Creche Escola Rural do Gurugé (Voarte, 2018). 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

11 Críticas e 1 Ressalva aos “Testes ABC”.

1.      São testes destinados exclusivamente para crianças. O propósito maior dos “Testes ABC” é verificar o nível de maturidade requerido para a aprendizagem da leitura e da escrita. Embora justificando que, esse nível não apresenta coincidência rigorosa com a idade cronológica, nem com a idade mental de cada aluno, o tempo todo ele é indicado ou direcionado a “crianças que procuram a escola primária”.
2.      Os testes discriminam os alunos em “maduros para aprender” e “imaturos”, estimulando a segregação escolar. “Isso ensejará nas escolas isoladas a organização de seções pelo nível de maturidade conhecida; e, nas escolas graduadas, a organização de classes seletivas, praticamente homogêneas”. Ou seja, a finalidade dos testes é “homogeneizar as classes que o tenham de fornecer, imprimindo-lhes ao trabalho maior rendimento”. Logo, eles criam um nó com a política de classes multiseriadas.
3.      Ameaçam a subjetividade e o processo de desenvolvimento individual. “É evidente que, assim se fazendo, o ensino se tornará mais racional, mais tecnicamente fundado, com economia de tempo e esforço...”.
4.      Rotula os alunos, e abrem precedentes para julgar a competência do professor. “Igualmente, terão inspetores e diretores, mais precisas indicações sobre a tarefa entregue a cada professor. O trabalho docente poderá ser, enfim, mais judiciosamente avaliado”.
5.      Tão importante quanto os resultados dos Testes ABC é o “ato da sua aplicação”. Aplicados por leigos ou pessoas sem treinamento especial, toda a eficiência prometida pelos Testes pode ser comprometida. Afinal, os “Testes ABC” não só apontam o nível de maturidade para ler e escrever, como também possíveis “desajustamentos”, podendo revelar inegáveis relações entre maturidade e linguagem, maturidade e dislexia, maturidade e disartrias. Isso pode implicar o problema seguinte.
6.      Os testes exigem o acompanhamento e avaliação por uma equipe multidisciplinar (psiscólogos, psicopedagogos, etc.). Pessoas leigas podem acabar rotulando os alunos de desajustados ou “com problemas” sem uma precisão clínica de cada caso. “Os Testes ABC como instrumento propedêutico de Psicologia Clínica, isto é, elemento útil à caracterização preliminar de casos de crianças com maiores problemas de ajustamento a que a escola deve dar atenção, tanto no plano propriamente didático, quanto pelo aspecto social e humano”.
7.      Os Testes ABC podem ser encarados como um simples conjutno de tarefas coletivas. Decorrente da falta de especialistas ou o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, os Testes ABC podem ser executados como um simples conjunto de tarefas sem muito sentido ou significado. “A aplicação, que é individual, permitirá que os mestres observem aspectos do comportamento emocional dos alunos, o que os alertará para os casos que desde logo reclamem cuidados especiais”. Ou seja, os “Testes ABC” são meios e não fins em si mesmos. Eles são “o esforço empregado na organização de meios que verifiquem a maturidade necessária à aprendizagem da leitura e da escrita”.
8.      O resultado dos trabalhos não pode ser descartado. “Por deixarem as provas registro gráfico, a todo o tempo serão possíveis confrontos elucidativos para o esclarecimento de dificuldades individuais na aprendizagem”.
9.      Um importante problema prático que a aplicação de testes de maturidade como esse levanta. ‘‘Como trabalhar com os alunos imaturos, ou o que fazer para que eles vençam as condições da imaturidade verificada?...’’.
10.  Os testes sugerem exercícios de prontidão, o que implica refletir se eles estão atualizados com os avanços das novas tendências da psicopedagogia moderna. Como medidas interventivas sobre as investigações, assinalam-se a utilidade de exercícios de valor compensatório ou corretivo. Aliás, resta questionar se os “Testes ABC” estão atlualizados com os avanços atuais dos estudos e descobertas no campo da psicogênese da língua escrita e falada. Afinal, o livro “Testes ABC” foi efetivamente produzido e apresentado em 1928 por Manoel Bergström Lourenço Filho, através de uma comunicação oficial para um público de educadores da época.
11.  E quando os Testes ABC denunciarem algo mais político, mais social, mais grave e mais profundo? Os resultados dos Testes ABC têm servido de base a importantes investigações relativas a condições de saúde e subnutrição, perturbadoras da aprendizagem. Ou ainda ao esclarecimento de problemas do nível econômico e social dos estudantes.

1.      RESSALVA: Os “Testes ABC” denunciam algo mais político, mais social, mais grave e mais profundo: as condições de saúde e subnutrição, perturbadoras da aprendizagem e os problemas do nível econômico e social dos estudantes. Esse é o ponto chave da localização do problema, tanto gerador do fracasso escolar quanto dos distúrbuios de aprendizagem.

Os Testes ABC despertaram minha atenção e me incentivaram ao estudo de questões de pedagogia experimental. *Apesar das críticas, eles não serão descartados. Pelo contrário, serão muito úteis na transformação que a Educação clama.* Serão ponto de partida para assumir o desafio de lidar com uma pergunta fundamental para todas as idades: Além do quadro e do professor, o que mais é preciso para aprender a ler e a escrever com eficiência?  



terça-feira, 11 de junho de 2019

Depois das críticas a pro-posição: o que você sugere para mudar essa realidade? Inspirado em Roberto Sidnei Macedo...

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Eleições diretas para Diretor e Vice-Diretor no Referencial Curricular Franciscano: democratizar o processo de política escolar e educacional no RCF.

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Veja em 7 tópicos gerais:

1.    Primeiro, elaborando Lei Municipal devidamente publicada em Diário Oficial do Município, em parceria com Sindicatos. Atendendo tempo hábil e legal para as eleições.

2.    Baixar uma normativa LEGAL com critérios sensatos das eleições para diretor e vice, dando total autonomia para cada comunidade escolar escolher por votação direta e com base nos resultados alcançados pela escola, bem como o projeto de ações e ênfase na melhoria da escola e na aprendizagem dos estudantes (com foco no PPP) que o diretor/vice apresentar em campanha aberta para a sua comunidade escolar (um plano de gestão administrativo e pedagógico com excelentes propostas).

3. Qualquer funcionário do Município de SFC com formação em educação e com requisitos básicos de habilitação ao cargo poderá se candidatar. Participam do processo de escolha funcionários, professores, familiares dos alunos (e os estudantes com mais de 16 anos, se houver na escola). O voto não é obrigatório, mas a eleição precisa garantir o envolvimento de todos.

4. Diretor e vice-diretor bem pagos, bem remunerados. Com atribuições bem claras em Regulamento das suas funções (devidamente acompanhado por órgão jurídico e Colegiado Escolar independente) e o dever de prestar contas (financeiras e laborais) dos resultados alcançados pela escola ao final da gestão. Cabendo ao diretor/vice fazer sua gestão sem elo partidário, uma figura de administrador público e independente. É importante que coordenadores pedagógicos, professores e agentes de apoio também sejam avaliados em proatividade das suas funções e que os resultados sejam apresentados pelo diretor/vice no balanço anual da sua gestão.

5.    Assim, a educação terá saltos expressivos de qualidade. E quem quiser fazer suas campanhas políticas, faça para lá, mostrando projetos e bons resultados dentro da sociedade e não no campo curricular da escola. A eleição afastaria o clientelismo e sua visão patrimonialista da educação e aproximaria o diretor das necessidades e dos anseios da comunidade escolar que, ao mesmo tempo, se sentiria  mais participativa. Os pais e a comunidade entenderiam melhor a democracia, que é votar enquanto comunidade voltada para as questões específicas da Educação e, a partir daí, ter as portas da direção abertas para recebê-los.

6.    Para libertar as pessoas, precisamos libertar primeiro a Educação! Vejo muito diretor e muito vice-diretor competente, capaz, angustiado, mas que não consegue ir além por causa de certas limitações. Por isso é interessante diretores/vices eleitos com critérios técnicos e não como representante do poder municipal. 

7.    Caberá à SEDUC fazer uma reforma profunda para oferecer duas coisas: A) IGUALDADE aos Diretores e Vice-Diretores Escolares e, desenvolver um trabalho voltado para B) EQUIDADE de suas comunidades escolares. Como assim?
Eu defendo a dignidade do Diretor e do Vice-Diretor Escolar no Referencial Curricular Franciscano (RCF)! A eleição do diretor escolar não é garantia de democratização, mas é uma condição para se ampliar a democracia na escola e nos sistemas de ensino.

Faltou um DIREITO de aprendizagem na BNCC: VOTAR - uma experiência cara que deveria ser aprendida pela vivência na escola, para as presentes e futuras gerações. Afinal, aprendendo a votar, fortalecemos a democracia local, estadual e nacional, correndo menor risco de eleger "novos Bolsonaros" para o poder. Outro desse daí? Livrai-nos Senhor! Nunca mais!

sábado, 8 de junho de 2019

Privatização escancarada...


O Governo voltou a arrecadar dinheiro com o 4º leilão de áreas do pré-sal: lá se foram mais três blocos! 

No leilão, foram oferecidos 4 blocos pela ANP (o bloco de Itaimbezinho, na Bacia de Campos, não recebeu propostas). Dessa vez, foram R$ 3,15 bilhões (pela venda imediata)! E quem participou do leilão? As maiores empresas de petróleo do mundo. Divididas em consórcio, 11 delas disputaram o bloco mais cobiçado: Uirapuru, na Bacia de Santos, localizada nos estados de PR / SC / SP / RJ (e também o bloco Três Marias). Há ainda o bloco Dois Irmãos, na Bacia de Campos (localizada nos estados de ES / RJ). No modelo de partilha, vence a disputa quem oferece ao Governo a maior participação no excedente da produção (neste caso, 75%). O “lucro óleo” é tudo o que sobra depois dos investimentos e dos custos para produzir petróleo.

Repare na imagem abaixo que a Petrobras foi derrotada nos dois blocos mais disputados, tendo apenas uma participação mínima (de 30%) em apenas um campo.

Conheça as empresas habilitadas para o leilão do Pré-Sal (o que estão fazendo com a nossa Petrobras?):

- ExxonMobil Exploração Brasil Ltda. - EUA
- Petrogal Brasil S.A. - Portugal
- Petrobrás - Brasil
- Petronas Carigali SDN BHD - Malásia
- Repsol Sinopec Brasil S.A. - Espanha
- Shell Brasil Petróleo Ltda. - Reino Unido
- Statoil Brasil Óleo e Gás Ltda. - Noruega
- Total E&P do Brasil Ltda. - França
- Chevron Brazil Ventures - EUA
- OP Energia - Brasil
- BP Energy do Brasil Ltda. - Reino Unido
- CNODC Brasil Petróleo e Gás Ltda. - China
- QPI Brasil Petróleo Ltda. - Catar
- CNOOC Petroleum Brasil - China
- Ecopetrol S.A. - Colômbia



terça-feira, 4 de junho de 2019

Só a partir de ontem, 03 de Junho, começamos a trabalhar para nós mesmos. Oush?! Está doido é? Como assim rapaz?


Pagamos o equivalente a 5 meses de trabalho em impostos durante 1 ano (1 mês desses foi para manter a corrupção)! O que isso quer dizer? Que quase metade do ano (até agora em junho de 2019, por exemplo), não trabalhamos para nós mesmos, estamos trabalhando para pagar (o quê?).

Ano puxado! Trabalhamos e produzimos muuuuito! Foi dureza até agora!!! Aguentou o ônibus lotado, trânsito infernal, cansaço e cobrança em cima de cobrança do patrão... Foi? Foi mesmo? Tudo isso sabe para quê? Pagar impostos, painho. Então, se para essa labuta toda tem um consolo desagradável, tudo o que produzimos até anteontem (02 de junho) foi só para pagar imposto. Conta do cão, neh? Perversa!

Sabemos, de fato, qual é o peso dos tributos nas contas? 07 em cada 10 trabalhadores (74% dos consumidores) não sabem quanto pagam em impostos (e a maioria dos empresários também não!). A carga tributária é alta em itens essenciais, como a gasolina e os remédios.

O que tivemos de volta disso tudo? Você costuma olhar a nota fiscal do supermercado para saber quanto pagou em impostos? 95% dos consumidores de forma geral sabem que é injusto, principalmente sobre a questão do retorno desses impostos em saúde, EDUCAÇÃO e segurança (onde realmente deveria ser fiscalizado).

A gente trabalha tanto que nem tem tempo para fazer as contas e prestar atenção nisso, neh? Essa pesquisa veio do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, que calculou o tempo que o brasileiro precisou para produzir esse ano para dar conta dos tributos que incidem sobre o patrimônio, rendimento e consumo (153 dias! Sendo 29 dias para custear a corrupção). O estudo também mostrou que o comprometimento da renda do trabalhador com o pagamento de impostos vem aumentando: em 2003 eram 36% da renda, agora em 2019 já bateu os 41%!

Por falar nisso, saláááário... Cadê você? Aparece vai... Quero te usar! Huehuehue







domingo, 2 de junho de 2019

Cresce a oferta e a procura por faculdades à distância. E onde fica a qualidade desse tipo de ensino?


 Dos 8 milhões de alunos que estão na faculdade no Brasil, quase 20% fazem o curso à distância. A estrutura da EAD é de uma emissora de TV completa. Há, estúdio, técnicos de áudio e vídeo. Uma única transmissão pode chegar até 250 mil alunos ao mesmo tempo (ou mais)! Algumas aulas, e todas as provas do EAD, são presenciais, em polos que são bases avançadas espalhadas pelo Brasil. A EAD no Brasil cresceu muito rapidamente, com promessas de facilidade, agilidade, praticidade e bons preços. Nos últimos 4 anos, o número de polos cresceu de 5.134 polos para 15.452 (veja no gráfico)!

Se fosse a minha primeira graduação hoje, eu jamais faria numa EAD. A interação entre aluno e professor raramente acontece. É verdade que as boas tecnologias estão aí, mas elas precisam estar a favor da boa formação de todos os profissionais como suporte, não como substituição. O que estão virando? Fábricas de diplomas.

Segundo o Censo da Educação Superior, 60% dos alunos de Pedagogia fazem EAD (e de História e Matemática são 40%). Estamos formando profissionais deficitários na sua formação, que terão grande repercussão negativa na qualidade do ensino quando eles se transformarem em professores.