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São Francisco do Conde, Bahia.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 19 de maio de 2019

Os 06 problemas centrais da Educação:


1.      O financiamento do ensino básico.
- trata da renegociação do Fundeb. Cerca de 85% do custo médio de cada aluno do ensino básico público é pago pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), cuja verba vem dos impostos dos três níveis de governo e é redistribuída de modo a evitar desigualdades entre regiões.
- O valor para este ano está estimado em R$ 156 bilhões, é estipulado de acordo com o número de alunos e o segmento em que eles estão.
- Em um cenário sem o Fundeb, o município mais rico teria cerca de R$ 56 mil anuais por aluno. Na outra ponta, haveria cidade com R$ 450 anuais por aluno. Com o Fundeb, a diferença cai para R$ 9,5 mil para o mais rico e R$ 2,9 mil para o mais pobre. O abismo se reduz enormemente, mas se pode aperfeiçoar ainda mais essa distribuição.
2.      A formação de professores.
- Salários baixos, jornadas em mais de uma instituição e pouca atratividade.
- Hoje, 42% dos docentes lecionam um conteúdo sem ter formação específica para ele.
- O MEC deveria apresentar uma Base Nacional para guiar o que um futuro professor deveria aprender na faculdade.
- Para ter uma boa educação, é necessário um bom professor. Hoje, a formação é excessivamente teórica e não prepara para dar aula.
3.      A distorção idade/série.
- no Ensino Médio, que tem 7,7 milhões de matriculados, 28,2% dos alunos não estão na série em que deveriam. E, entre aqueles na idade regular, somente 68,4% dos jovens estavam matriculados em 2017.
- Os cortes criam um aumento da exclusão escolar e o aprofundamento da má qualidade das escolas. A falta de investimento em educação impacta em indicadores sociais decrescentes e no aguçamento das desigualdades sociais e regionais. O índice de abandono do ensino médio, de 6,1%.
4.      O acesso ao ensino superior.
- uma das metas do PNE é fazer com que, até 2024, 33% dos jovens de 18 a 24 anos estejam matriculados ou tenham concluído a etapa. Em 2017, o índice era de 23,2%, segundo a Pnad Contínua.
- Hoje, as universidades privadas detêm cerca de 88% das matrículas na etapa. Entre as públicas, as federais ficam com 4,5% das matrículas.
- Neste ano, as federais tiveram R$ 2,08 bilhões contingenciados, de R$ 6,99 bilhões previstos no orçamento discricionário.
5.      Os cortes de bolsas de pós-graduação.
- Um dos alvos mais sensíveis da política de contingenciamento do governo, a pesquisa científica é citada como elemento-chave para a promoção do desenvolvimento do país.
- Na esteira dos cortes no MEC, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), uma das principais agências de fomento à pesquisa, ao lado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) — que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) —, sofreu um bloqueio de mais de R$ 800 milhões em seu orçamento.
- No início do mês, a Capes anunciou a suspensão de 3.474 bolsas de pesquisa.
- O principal problema do ensino superior, na minha opinião, é a produção de conhecimento. Estamos perdendo nossa capacidade de pesquisa, e sem isso não teremos novas tecnologias, não produziremos soluções para problemas. No Brasil, a pesquisa está ligada às universidades. Se perdermos essa massa crítica, perdemos qualquer autonomia no cenário internacional e ficamos dependentes do exterior.
- A estagnação do país na área já vem sendo percebida pelos rankings. O Brasil ocupa a 64ª posição no Índice Global de Inovação entre 126 economias listadas. O ranking é elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
6.      A alfabetização.
- Segundo o IBGE, 7% dos brasileiros de 15 anos de idade ou mais (11,5 milhões de pessoas) eram analfabetos em 2017.
- O contingenciamento chegou a essa área, que tinha R$ 34 milhões previstos no orçamento e sofreu bloqueio de R$ 14 milhões.
- mais da metade dos alunos chega ao terceiro ano do ensino fundamental com níveis insuficientes em leitura e matemática.
- A alfabetização infantil também deverá ter impactos. Para economizar, o MEC mudou o escopo da avaliação que verifica a alfabetização de alunos do ensino fundamental: antes, o teste era com todos os estudantes do 3º ano; agora, apenas parte dos alunos do 2º ano será avaliada. A prova, assim como o Enem, é aplicada pelo Inep, autarquia que acabou de ter seu terceiro presidente nomeado pelo governo Bolsonaro.
- É necessário criar um programa de alfabetização que funcione. Mas isso implica olhar com mais atenção para a pré-escola, por exemplo, e implementar o que está sendo proposto na BNCC. Essas crianças que não se alfabetizam são os candidatos à reprovação e a ficarem atrasadas no futuro.







sábado, 18 de maio de 2019

A dependência química se tornou um problema social e de saúde pública no país.


O Senado aprovou o projeto que muda a política internacional de drogas, e prevê a internação involuntária de dependentes químicos – que só poderá ser feita com a autorização de um médico (e, de preferência, com um pedido inicial da família).

O autor do Projeto, Osmar Terra, que na época era deputado, é o hoje Ministro da Cidadania do Governo Jair Bolsonaro. Ora, de um lado vai descriminalizar a maconha e na outra ponta vai endurecer o combate ao tráfico. Ganha quem estiver no meio: o comércio legal de drogas, como a maconha e as clínicas privadas e seus profissionais no tratamento dos desajustados.

O Governo acaba de oficializar o problema da dependência química em mercantilização. Privatizou o consumo, o porte e o tratamento da erva.







quinta-feira, 16 de maio de 2019

O príncipe está no centro do palco, de frente para a plateia, sem ser notado.


Cortou na carne da infraestrutura física: assustar e ressignificar. Qual a jogada do Governo e seus Gurus? Tomar algo estimado que é nosso e entregar de novo com ressalvas e condições. Fragilizar, amedrontar e pressionar para a Reforma da Previdência. O argumento é: a “prosperidade” voltará se a Reforma passar. É assim que está jogando com todos os segmentos da sociedade, entre eles, o da Educação.

O contingenciamento ou bloqueio (CORTE mesmo!) no Orçamento da Educação foi de 24,84% das chamadas “Verbas Discricionárias” que representam a porcentagem de 13,83% do orçamento total das universidades (segundo o MEC, a tomada total de R$ 1,7 bilhão) e que são utilizados, por exemplo, para pagar contas de água e luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisa. E justificam que os 86,17% restantes não serão atingidos (por enquanto), que são com/para as despesas obrigatórias, que correspondem: aos salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Essa questão será levada para o STF. Bem, o STF está dominado. A ideia é fazer o Supremo Tribunal Federal tomar decisões absurdas (como vem acontecendo com o “prende e solta” de políticos, Michel Temer que o diga) e ser cada vez mais desmoralizado perante a população (vide Sérgio Moro). Precisamos confiar cada vez menos na Justiça e dá cada vez mais pontos para a Ditadura – essa é a estratégia. Quando Eduardo Bolsonaro disse que bastava um cabo e um soldado para fechar o STF, ele estava se referindo a fechar o STF por dentro (Dias Toffoli e Gilmar Mendes são alguns dos principais vírus que contaminam a instituição por dentro – o Poder Judiciário).

A Democracia está em risco não só porque a Ditadura está batendo à sua porta. Na verdade, ela já entrou e a está corroendo também por dentro. Dentro das instituições e dentro de cada um de nós! Nesse sentido, “seríamos idiotas e imbecis”, como disse Bolsonaro. Grandes “massas de manobra”.

Ora, se a tesourada na verba da educação retornar virá revertida com outro significado. O discurso de reembolso da corrupção (no sentido de legitimar a prisão de Lula) ou recorrência da reforma da previdência (chantagem política). A ideia é tomar e entregar de novo, com outro viés – o da canalhice de Bolsonaro e Abraham Weintraub (e por trás deles os grandes escritores da novela em que o Brasil foi transformado). Isso mesmo, não se enganem, a Globo tem sua parcela de contribuição na escrita desse enredo!



domingo, 14 de abril de 2019

A criação de um exército de adultos psicóticos.


Enquanto se mostra crescente a aceitação, legalização e descriminalização da maconha, o mais completo estudo já conduzido sobre a droga (Jama e Unifesp) traz evidências do grande mal que ela causa no cérebro, sobretudo dos adolescentes.

O namoro de Bolsonaro com Trump aponta para outra breve polêmica brasileira – a liberação da erva por aqui. Mais um tema que costuma dividir as gerações e provocar opiniões apaixonadas. Afinal, ela já esteve em discussão no Supremo Tribunal Federal com um placar de 3 a 0 a favor da descriminalização, mas felizmente foi paralisada. Dos 50 estados existentes nos EUA, 33 deles já descriminalizaram o porte da maconha para uso recreativo ou medicinal — e em 11 houve liberação de venda. Nesse precipício já se jogou o Uruguai, um país que se tornou o primeiro a legalizar a produção, o comércio e o uso (em 2013). Se o Brasil tomar como exemplos, estamos maconhados (quer dizer, perdidos!).

Saber que um dos componentes da maconha faz bem tem o mesmo valor de entender, em detalhes, os mecanismos químicos que levam ao mal, sobretudo até o início da vida adulta. Então, vamos lá...

A maconha é originária da planta asiática Cannabis sativa, que contém 480 compostos. Nunca se usou tanta maconha como agora. Dos 180 milhões de consumidores no mundo, 3 milhões estão no Brasil — o dobro em relação há uma década. 6 em cada 10 usuários são adolescentes — dos quais cerca de 30% fumam acima de um cigarro por semana. Em média, estima-se que no Brasil são cerca de 540 000 adolescentes que estão consumindo a droga.

Enquanto as autoridades discutem a questão no campo jurídico e comportamental, fica de escanteio o hábito dos jovens e sua saúde física e mental. Aliás, as consequências tardias podem contribuir para a maconha ser subestimada e ter fama de inofensiva – e esse é o maior perigo da droga. O mais recente estudo científico baseado em evidências comprova que:

1.      É na adolescência que a maconha inflige seus maiores danos. Os efeitos deletérios são detectados a partir de 4 cigarros semanais, ao longo de pelo menos 1 ano — quantidade que define o consumo crônico da droga.
2.      Explicação científica: “O motivo da agressão tem origem na própria constituição do organismo humano. Nenhuma droga encontra tantos receptores prontos para interagir com o cérebro como a maconha. Tal efeito vem sobretudo de um dos compostos da erva, o tetraidro­canabinol (o THC, isolado e reconhecido como o principal responsável pelo efeito há apenas meio século, pelo Centro de Pesquisas de Dor da Faculdade de Medicina da Universidade Hebraica de Jerusalém). Ele imita a ação de substâncias produzidas naturalmente, os endocanabinoides, neurotransmissores que participam da comunicação entre os neurônios, as chamadas sinapses. Interferir nesse mecanismo pode tornar as sinapses ineficientes. É o que faz o THC, ao ocupar o lugar dos endocanabinoides. No corpo jovem, isso pode deixar marcas indeléveis. Da puberdade até por volta dos 25 anos, o cérebro vive um processo conhecido no jargão científico como poda neural. Nela, as sinapses modificam-se intensamente, para se consolidar na fase adulta. A presença da maconha, nessa sinfonia, desafina a orquestra, e os neurônios passam a fabricar sinapses frágeis. É ineficiência que, tendo começado cedo, pode se perpetuar.
3.      O usuário adolescente pode vir a ter, mais tarde, também dificuldades permanentes de concentração, raciocínio e planejamento, mesmo quando deixa de usar a droga. Assim, se o adulto que fumou maconha de modo crônico na juventude se considera bem, intelectualmente apto e ágil, a medicina revela que ele muito possivelmente está aquém do que poderia ter sido.
4.      Há áreas em que a perigosa afinidade neural com a maconha é ainda mais intensa. Uma delas é o córtex frontal, associado a habilidades como aprendizado, memória, atenção e tomada de decisões. Ou a região parietal, que responde pela percepção de estímulos sensoriais. Quando essas áreas são afetadas pelo THC, dá-se o aumento do risco de depressão e tentativa de suicídio na vida adulta. Pessoas que usam maconha quando jovens têm risco maior de se tornar adultos com depressão (37% acima da média populacional), ter pensamentos suicidas (50% a mais) e são três vezes mais propensas a tentar tirar a própria vida.
5.      Se compararmos os efeitos do álcool e da cocaína com o da maconha... Os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro é o de liberar grandes quantidades de dopamina, o hormônio do prazer, quese dissipam, na maioria das vezes, com mais facilidade, poucos dias depois de interrompido o consumo — embora, ressalve-se, os distúrbios provocados pelo uso contínuo de álcool e cocaína sejam devastadores. Já os efeitos da maconha, o relaxamento e o torpor, caem como uma luva para o adolescente, que está numa fase da vida em que não se encaram grandes responsabilidades práticas mas se experi­menta uma montanha-russa de comportamentos e emoções provocados pelas alterações hormonais. Mais: a maconha é barata. Com cerca de 4 reais compra-se 1 grama, o suficiente para um cigarro.
6.      Alguns anos pra cá alastrou entre os usuários jovens o skunk (gambá, em português), uma variedade de planta da maconha com maior concentração de THC. O skunk costuma conter mais de 10% de THC. A maconha comum, por volta de 2% a 4%. O preço de 1 grama de skunk chega a ser até vinte vezes mais alto — e a ação, muito mais agressiva. O risco de consumidores do skunk ser acometidos de psicoses, como delírios e alucinações, pode ser até três vezes maior em relação aos jovens que nunca usaram a maconha.
7.      A outra maneira agressiva de consumo é pelo estômago. Proliferam (nos EUA e Europa) alimentos preparados com maconha. Há de tudo: balas, pirulitos, bolos, cereais matinais, doces. No Brasil, proliferam em festas e grupos de amigos os alimentos feitos de modo caseiro com a erva. Na internet, há receitas do “chocotonha”, “brigadonha” e “bolonha”. Parte do sucesso nesse tipo de uso é a crença de se tratar de uma via menos agressiva em relação à droga fumada. Não é verdade. O estômago absorve o THC mais lentamente que os pulmões — após a ingestão, uma pessoa pode levar de meia a uma hora completa para sentir os efeitos. E tende-se a comer mais porque não se sente o efeito imediato da droga.

Apesar de a maconha conter algumas propriedades medicinais, como o CBD, principal composto responsável pela ação terapêutica da planta, Marijuana faz mal, muito mal!






terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A onda de frio nos Estados Unidos fez o preço do nosso gás de cozinha subir. Vamos pagar para aquecer os norte-americanos, graças a Temer e Bolsonaro.


Quem quiser continuar acendendo o fogão, terá que gastar mais! O botijão de gás (que é item da nossa cesta básica) voltou a ficar mais caro nas refinarias (+1%) – e o reajuste não demora a ser repassado pra gente, agora a cada 3 meses. Já nas distribuidoras, o GLP terá aumento de 0.5% a 1,4%. A principal explicação da Petrobras para essa terceira alta seguida é a desvalorização do real frente ao dólar.

A nova política que Bolsonaro ampara para o setor prevê que os reajustes do preço do gás não serão mais anuais, mas sim revistos a cada 3 meses, e irão acompanhar a cotação do produto no mercado internacional — o Preço de Paridade Internacional (PPI), política adotada em outubro de 2016 pelo governo de Michel Temer. Ou seja, qualquer evento ligado aos estoques do gás no mundo (sobretudo nos EUA) afetará o preço do produto no Brasil. Para o consumidor, isso significa aumento no preço.

O preço para nós, consumidores, foi colocado livre, ou seja, não é tabelado. Vejamos alguns comparativos:

- Cidade do Rio de Janeiro (RJ): R$ 64,25
- São Paulo (SP): R$ 67,07
- Cuiabá (MT): R$ 93,33!
- Recife (PE): R$ 66,50
- Manaus (AM): R$ 70,03
- Porto Alegre (RS): R$ 69,82

Nos anos Lula e Dilma, os custos de venda dos produtos refinados pela Petrobras se sustentavam nos custos nacionais de produção do petróleo, independente das alterações nos preços internacionais. Ou seja, mesmo com um conflito no Oriente Médio, um furacão no estado americano do Texas nos Estados Unidos ou algum impacto no Golfo do México (maiores exportadoras mundiais de gás), o custo de produção da estatal não se alternava. Por falar nisso, os EUA vem sofrendo com um frio polar que registrou as temperaturas mais baixas dos últimos 25 anos, o que faz aumentar o uso de aquecedores domésticos (e o aumento no consumo de gás). Pois é, estamos pagando para aquecer os norte-americanos.

A solução do problema dos combustíveis é a Petrobras voltar a praticar preços como ela fazia no passado: estatal que garante que o atendimento da população seja garantido com combustíveis a preços justos. Esse é o caminho: a Petrobras voltar a trabalhar como uma estatal, uma empresa que defende o Brasil e o povo brasileiro. Mas, como, se temos um presidente que faz continência para a bandeira dos EUA e defende privatizações?

Lembra que na campanha Fernando Haddad queria editar uma medida estabelecendo o preço máximo do gás de cozinha em R$ 49,00? Era uma das medidas entre as prioridades dele que seriam colocadas em prática logo em janeiro. “Pois é” de novo...



domingo, 27 de janeiro de 2019

Primeiro mês de Governo Bolsonaro:

- crise ética;
- bate-cabeça;
- bandeira de campanha;
- disputas;
- suspeitas sobre filho ou uma crise envolvendo o filho;
- divergências entre integrantes da equipe;
- recuos de medidas importantes;
- um decreto de grande repercussão;
- incertezas sobre a agenda econômica.
- os desdobramentos políticos provocados pelo desastre em Brumadinho (MG).
- posse do novo Congresso (1º de Fevereiro): serão eleitos os presidentes da Câmara e do Senado. O comando das duas Casas e o início da nova Legislatura é fundamental para o futuro político do Governo.
- ainda vai negociar para valer com os congressistas a Reforma da Previdência (crucial para o sucesso de sua gestão).
- há um forte lobby dos militares, que estão em diversos cargos estratégicos de seu governo e no comando de ministérios.
- Pente-fino no INSS;
- Decreto assinado que flexibiliza a posse de armas no Brasil.
- demissão de 320 servidores comissionados da Casa Civil.





Que Deus é esse?


Com o lema de campanha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, Bolsonaro usou uma ideia de Deus que troca a luta por promessas – um curinga para encobrir políticas de obscurantismo. Dá a impressão de que o Brasil deseja ser governado sob o amparo divino, mais do que sob as Leis e a Constituição. A bandeira de Deus é hasteada por um presidente que parece querer governar em seu nome – nada mais explosivo para a democracia que uma presença obsessiva da sombra de Deus por parte dos que governam um país laico por constituição.

Esse é o verdadeiro Deus de Bolsonaro: obsessivo, ambíguo e politicamente incorreto. Não é o Deus que deve libertar os escravos da pobreza e da injustiça, o Deus dos que sofrem por serem diferentes, o dos excluídos dos privilégios, e sim o que adoram os satisfeitos, o vingador mais que o pacificador. O Deus da violência mais que o desarmado das bem-aventuranças. Um Deus que infunde medo nos que deveria acolher sob sua proteção. É um Deus que se faz ouvir só através das ordens, gritos e armas do poder, não o que fala no silêncio dos corações em busca de paz e de diálogo.

Por que o Brasil é um país com forte presença religiosa nas massas populares? Porque é um país com vasto histórico de pobres e minorias que sofreram (e sofrem) com mais força a injustiça e a violência, a autoridade e o atraso. Assim, é na religião que Deus é visto como refúgio contra a dor e as dificuldades da vida. Por isso é tão aclamado.

A liberação dos oprimidos e marginalizados perpassa pela luta contra a injustiça, ou seja, Deus é uma força de resistência contra as desigualdades sociais e as intolerâncias, mas Bolsonaro insiste à conservadora “teologia da prosperidade” dos evangélicos, que promete novas utopias que adormecem as injustiças. Justo os evangélicos de boa fé, que são a grande maioria, os mais castigados pelas injustiças sociais. Por isso um presidente apaixonado por Deus e pelas armas em igual medida faz o Brasil adentrar em uma fase perigosa – o fundamentalismo idolátrico.

O uso pessoal que Bolsonaro faz do nome de Deus só o transforma em mais uma bandeira nas mãos de conservadores e políticos que o anulam como propriedade.


sábado, 26 de janeiro de 2019

A medicina privada pode matar o SUS no Governo Bolsonaro.


A medicina privada drenou os recursos públicos para si mesma, e quem paga o pato é o povo. Existe todo um sistema para destruir o SUS e entregar a saúde do brasileiro à medicina privada. E por que uma quer matar a outra? Com o fim do serviço público, o sistema privado ganhará mais que o dobro dos pacientes que têm hoje. Isso já está acontecendo, na verdade.

Um ardil estratagema é a entrada das clínicas populares privadas. Elas praticam uma medicina barata e muito benfeita, com bons médicos, exames, consulta com hora marcada e tudo mais. Isso é ruim para os pacientes? Não! Pois é, só que estão cobrindo uma ineficiência do SUS, que está sendo falido para dar espaço à medicina privada. Logo, esse sistema não deveria necessitar de encobrimento e substituição, mas de aprimoramento. Do contrário, estamos correndo um enorme risco de entregarmos totalmente a saúde do país aos meios privados.

Assim, há um grande buraco na relação financeira entre os dois sistemas de saúde – público e privado. Esse buraco é a caixa-preta da saúde pintada de branco. Explicando: quando um paciente se submete a um procedimento de alta complexidade pago pelo SUS mas executado em um hospital privado, o Governo paga a tabela mais alta do serviço privado. No caso de um transplante de fígado, por exemplo, o Governo chega a pagar cerca de 100 000 reais ao hospital privado. Já quando o hospital privado tem de pagar ao SUS, vale a tabela do sistema público, que é muitíssimo mais baixa.

Outro problema de base é de gestão financeira. O SUS precisa de uma boa e urgente gestão. Há, por exemplo, um tremendo desperdício de dinheiro público. Só em medicamentos são desperdiçados milhões de reais por ano. São remédios vencidos, ou que não chegam ao destino, ou compras malfeitas.

Entretanto, o golpe de misericórdia poderá vir da própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde. Ela vem propugnando um modelo de saúde pública baseado em planos básicos de saúde privados para todos. Essa é uma das tentativas de golpe do sistema de saúde privado. Se concretizada, acabará de vez com o SUS.

É preciso também mudar o esquema de trabalho. Médicos precisa m ganhar bem, pois investir em médico não é perder dinheiro, pelo contrário. Depois, é preciso que eles sejam cobrados pelo que fazem. O que não se pode é permitir que os médicos trabalhem no serviço privado e batam ponto no público. Isso é uma barbaridade, apesar de ser permitido pelos conselhos de medicina. Enquanto isso, assistimos nos noticiários os brasileiros nas filas dos hospitais públicos.

O SUS precisa ser ajudado qualificando profissionais, oferecendo novas tecnologias e técnicas de gestão.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

As 13 teses de Bolsonaro


Bolsonaro ainda está em lua de mel com o eleitorado. Mas, até quando? Eleito com 55,2 milhões de votos, a positiva opinião pública foi balançada no primeiro mês no poder com as movimentações financeiras suspeitas de seu filho e senador eleito, Flávio Bolsonaro. Justo um Governo Eleito com um estridente discurso de combate à corrupção.

A principal trincheira comunicacional do clã Bolsonaro são as redes sociais. Então, são delas que vêm o (des)sabor das opiniões da massa – opositores agitados e apoiadores com mal-estar fizeram as menções negativas superarem as positivas sobre o novo ocupante do Planalto.

Então, como anda a inserção do bolsonarismo na sociedade? Vamos resumir e recordar as 13 principais teses defendidas pelo presidente nos seus discursos e o apreço da opinião pública:


Com base nelas, podemos repartir três grupos de bolsonaristas:

1.      heavy (ou intensos, são os que concordam com pelo menos 9 das 13 teses e representam 14% da população brasileira,);
2.      Medium (ou medianos, concordam com 5 a 8 teses e representam 55% da população) e;
3.      Light (ou leves, são os 31% da população que defendem no máximo 4 teses do presidente).

INTERPRETAÇÃO:

·         A maioria da população rejeita a maior parte dos temas. Isso pode dar um descompasso entre o representante e seus representados. O Brasil é conservador, mas há tópicos da agenda que são bastante questionáveis e pouco factíveis.
·         A principal atitude do presidente até agora foi o decreto das armas, mas os brasileiros não concordam com essa liberação, 68% discordam dela. Então Bolsonaro está priorizando nas primeiras semanas uma agenda que é a dos seus eleitores mais fiéis, que são 14% (os heavy), e se esquecendo das maiorias (Medium e Light).
·         A população ficou muito mal informada durante a campanha porque o programa do presidente era sucinto, com muitos chavões que não aprofundavam os temas. Não é de se surpreender que a agenda atual do presidente não esteja alinhada com a opinião pública.
·         Em três semanas de mandato, além da facilitação do acesso às armas e do combate ao que chama de "doutrinação marxista nas escolas", Bolsonaro pouco falou sobre saúde, área considerada prioritária por 40% dos brasileiros e que enfrenta hoje o desafio de preencher mais de 1.400 vagas deixadas pelos cubanos do Programa Mais Médicos.

A FAVOR:

CONTRA:
- o otimismo recorde da população em relação à situação econômica.
- a boa popularidade e a "lua de mel" com o Congresso Nacional, comum nos primeiros meses de mandato.

- falta consenso na maioria do eleitorado em torno das propostas mais controversas do novo presidente.
DUVIDOSO

- Bolsonaro lidará com um Congresso bastante renovado, onde os partidos tradicionais perdem forças e ganham espaço parlamentares de primeira viagem. Nada menos do que 102 políticos eleitos para a Câmara assumem na semana que vem seu primeiro mandato na vida pública enquanto 147 assumem pela primeira vez o posto de deputado federal. Juntos, representam quase a metade das vagas da Casa (e isso pode ser um bem ou um mal). Além do mais, o Governo tem sinalizado por um diálogo com as bancadas temáticas e não mais com os partidos políticos, o que retira poder das lideranças partidárias.
- DR's   muito tensas! Como serão as relações políticas neste ano de 2019?
A) O Poder Executivo costuma ter mais força que o Legislativo quando ele é preponderado por novatos. A gente tem que ver como a pressão do Executivo vai se dar.
B) O novo Congresso será marcado por representantes de ideias mais "extremas" de direita e de esquerda.
C) Há candidaturas coletivas bem sucedidas com pautas mais progressistas, de esquerda. E temos uma direita com mais militares, religiosos e pessoas com perfil mais conservador. Isso certamente vai ter impacto na forma que o Congresso vai lidar com o presidente.



Resta apenas uma saída de sobrevivência ao novo Governo: a área econômica. Embora ainda não tenha anunciado nenhuma medida econômica de impacto, é justamente na seara econômica que a relação do Governo com a opinião pública e com o próprio Congresso vai se definir.  Logo, a  economia é o que vai preponderar. Portanto, vai ter problemas para lidar com questões como a reforma trabalhista, a reforma da Previdência, as privatizações. A população está mais atenta ao tamanho do Estado e ao que ele se propôs a fazer, que é reduzir o gasto público.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Como produzir pobreza em uma geração?


O Brasil que canta “pega a novinha” é o país com o 4º maior número de “casamentos infantis” (expressão usada para designar casais em que um dos integrantes, ou ambos, não atingiu a maioridade). São 3 milhões de brasileiros vivendo nessa condição. A nação também tem a 7ª maior taxa de gravidez na adolescência da América do Sul (empatada com Peru e Suriname). São 65 gestações para cada 1000 meninas entre 15 e 19 anos; na Venezuela são 95 casos (imersa em crise política e humanitária, é a pior do ranking) e na França apenas 6 (país desenvolvido, pai!). Fontes: Unicef e Fundo de População das Nações Unidas.

É a sina das meninas-noivas: garotas de 12 anos casadas com homens de 45, por exemplo. Contraste do Brasil que é explicado por um lado cultural e outro, social. Do lado de lá existe a tradição do controle da sexualidade feminina, a opressão de uma sociedade patriarcal e machista, a manutenção da tradição das linhagens familiares e dogmas religiosos; do lado de cá, há a miséria, o abismo da desigualdade social e um ciclo retroativo da pobreza crescente. Destrinchando nuances de ambos os lados, temos:

·         A prática acontecia em todas as classes sociais. As monarquias se uniam para manter a nobreza, o poder e a fortuna. Pais determinavam os cônjuges dos filhos desde a tenra idade.
·         Ao longo do tempo, o próprio conceito de infância mudou com o aumento da expectativa de vida – um brasileiro vivia apenas 33 anos no início do século XX. Até a década de 50, ainda se considerava que a vida adulta da menina começava no dia seguinte ao início do ciclo menstrual.
·         A migração da população do campo para a cidade, o surgimento da pílula anticoncepcional e os avanços nos direitos das mulheres mudaram o panorama, mas ainda choca o quadro brasileiro.
·         Há também uma raiz fincada na desigualdade de gênero. Em regiões onde o sexo feminino não tem a oportunidade de contribuir para a família, entrando no mercado de trabalho formal para ajudar com as despesas, as filhas são vistas como um fardo. Por isso, os pais acabam consentindo sutilmente o casamento precoce ou se escondem atrás disso para expulsar a filha que “perdeu a virgindade”.
·         Quanto mais a região é paupérrima, mais os envolvidos em casamentos precoces não percebem a situação como absurda. Na pobreza, o conhecimento é substituído pela necessidade e pelas falsas ideias, um terreno perfeitamente propício para a proliferação de relacionamentos tortos. A falta de idade, de dinheiro e de estrutura familiar faz do casamento infantil uma realidade mais frequente em comunidades carentes, com a agravante de haver um alto índice de separação.
·         Em um daqueles atrasos que se perpetuam sem que ninguém saiba exatamente como nem por quê, o casamento infantil não é ilegal no Brasil. Pela lei, qualquer menina pode se casar depois dos 16 anos desde que tenha autorização dos responsáveis. Em caso de gravidez, as garotas têm o direito de casar-se ainda antes disso: a partir dos 14 anos. Se elas não têm maturidade para cuidar de si próprias, como vão tomar conta de uma família? Isso não parece importar para as bancadas conservadoras no Congresso.
·         Nos dias atuais, o fator econômico e social também é muito forte. Quando a mulher não tem perspectiva de estudar, de trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro e, então, construir um futuro com autonomia, a única forma de se sentir útil é casar e engravidar. Sem quebrar esse ciclo, sem interromper os casamentos infantis, o Brasil jamais conseguirá chegar ao futuro.

Fica evidente que, quando a pobreza não é a mola propulsora dos casamentos infantis, entram em cena os valores religiosos e familiares.

Casamento monogâmico atual precisa ser consensual, formado por pessoas com maturidade física e emocional e possuidoras do desejo de constituir família. Também precisa de uma base econômica que o sustente. Sem esses aspectos, desmorona mesmo! Agora, como falar de casamento quando surge uma gravidez precoce, na baixa escolaridade, com ausência de trabalho, falta de perspectiva a longo prazo e sob fuga de uma família desestruturada? Faltou a essa gente dois pilares fundamentais para uma vida adulta saudável dos dias atuais: o apoio familiar e o banco da escola – que se resumem na responsabilidade político-social.

Que destino é reservado para essas "mães precoces"? Um possível futuro condenável, pois estudos comprovaram que: elas têm 7 vezes mais riscos de morrer no parto por não terem corpo de adultas; seus bebês têm probabilidade 60% maior de morrer do que a média, exibem alto índice de depressão, ansiedade e agressividade (gera revolta porque se veem presas a uma situação da qual não vislumbram saída).

E em quem descontam a raiva? Geralmente nos filhos, com falta de paciência ou com violência física, isso quando não os relega a parentes próximos. Do que esses pequenos precisarão para não retroalimentar esse ciclo?