Quem sou eu

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São Francisco do Conde, Bahia.
PsicoPedagogo.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47). “Escrever é um ato de egoísmo, porque é uma forma de eu não esquecer das coisas que aprendi. Mas também é um engajamento. É a minha maneira de fazer política, de ajudar a pensar nosso país e de mostrar ao Brasil um Brasil que ele não conhece, que foi ocultado das narrativas hegemônicas” (Daniel Munduruku).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 27 de janeiro de 2019

Primeiro mês de Governo Bolsonaro:

- crise ética;
- bate-cabeça;
- bandeira de campanha;
- disputas;
- suspeitas sobre filho ou uma crise envolvendo o filho;
- divergências entre integrantes da equipe;
- recuos de medidas importantes;
- um decreto de grande repercussão;
- incertezas sobre a agenda econômica.
- os desdobramentos políticos provocados pelo desastre em Brumadinho (MG).
- posse do novo Congresso (1º de Fevereiro): serão eleitos os presidentes da Câmara e do Senado. O comando das duas Casas e o início da nova Legislatura é fundamental para o futuro político do Governo.
- ainda vai negociar para valer com os congressistas a Reforma da Previdência (crucial para o sucesso de sua gestão).
- há um forte lobby dos militares, que estão em diversos cargos estratégicos de seu governo e no comando de ministérios.
- Pente-fino no INSS;
- Decreto assinado que flexibiliza a posse de armas no Brasil.
- demissão de 320 servidores comissionados da Casa Civil.





Que Deus é esse?


Com o lema de campanha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, Bolsonaro usou uma ideia de Deus que troca a luta por promessas – um curinga para encobrir políticas de obscurantismo. Dá a impressão de que o Brasil deseja ser governado sob o amparo divino, mais do que sob as Leis e a Constituição. A bandeira de Deus é hasteada por um presidente que parece querer governar em seu nome – nada mais explosivo para a democracia que uma presença obsessiva da sombra de Deus por parte dos que governam um país laico por constituição.

Esse é o verdadeiro Deus de Bolsonaro: obsessivo, ambíguo e politicamente incorreto. Não é o Deus que deve libertar os escravos da pobreza e da injustiça, o Deus dos que sofrem por serem diferentes, o dos excluídos dos privilégios, e sim o que adoram os satisfeitos, o vingador mais que o pacificador. O Deus da violência mais que o desarmado das bem-aventuranças. Um Deus que infunde medo nos que deveria acolher sob sua proteção. É um Deus que se faz ouvir só através das ordens, gritos e armas do poder, não o que fala no silêncio dos corações em busca de paz e de diálogo.

Por que o Brasil é um país com forte presença religiosa nas massas populares? Porque é um país com vasto histórico de pobres e minorias que sofreram (e sofrem) com mais força a injustiça e a violência, a autoridade e o atraso. Assim, é na religião que Deus é visto como refúgio contra a dor e as dificuldades da vida. Por isso é tão aclamado.

A liberação dos oprimidos e marginalizados perpassa pela luta contra a injustiça, ou seja, Deus é uma força de resistência contra as desigualdades sociais e as intolerâncias, mas Bolsonaro insiste à conservadora “teologia da prosperidade” dos evangélicos, que promete novas utopias que adormecem as injustiças. Justo os evangélicos de boa fé, que são a grande maioria, os mais castigados pelas injustiças sociais. Por isso um presidente apaixonado por Deus e pelas armas em igual medida faz o Brasil adentrar em uma fase perigosa – o fundamentalismo idolátrico.

O uso pessoal que Bolsonaro faz do nome de Deus só o transforma em mais uma bandeira nas mãos de conservadores e políticos que o anulam como propriedade.


sábado, 26 de janeiro de 2019

A medicina privada pode matar o SUS no Governo Bolsonaro.


A medicina privada drenou os recursos públicos para si mesma, e quem paga o pato é o povo. Existe todo um sistema para destruir o SUS e entregar a saúde do brasileiro à medicina privada. E por que uma quer matar a outra? Com o fim do serviço público, o sistema privado ganhará mais que o dobro dos pacientes que têm hoje. Isso já está acontecendo, na verdade.

Um ardil estratagema é a entrada das clínicas populares privadas. Elas praticam uma medicina barata e muito benfeita, com bons médicos, exames, consulta com hora marcada e tudo mais. Isso é ruim para os pacientes? Não! Pois é, só que estão cobrindo uma ineficiência do SUS, que está sendo falido para dar espaço à medicina privada. Logo, esse sistema não deveria necessitar de encobrimento e substituição, mas de aprimoramento. Do contrário, estamos correndo um enorme risco de entregarmos totalmente a saúde do país aos meios privados.

Assim, há um grande buraco na relação financeira entre os dois sistemas de saúde – público e privado. Esse buraco é a caixa-preta da saúde pintada de branco. Explicando: quando um paciente se submete a um procedimento de alta complexidade pago pelo SUS mas executado em um hospital privado, o Governo paga a tabela mais alta do serviço privado. No caso de um transplante de fígado, por exemplo, o Governo chega a pagar cerca de 100 000 reais ao hospital privado. Já quando o hospital privado tem de pagar ao SUS, vale a tabela do sistema público, que é muitíssimo mais baixa.

Outro problema de base é de gestão financeira. O SUS precisa de uma boa e urgente gestão. Há, por exemplo, um tremendo desperdício de dinheiro público. Só em medicamentos são desperdiçados milhões de reais por ano. São remédios vencidos, ou que não chegam ao destino, ou compras malfeitas.

Entretanto, o golpe de misericórdia poderá vir da própria Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que regula os planos de saúde. Ela vem propugnando um modelo de saúde pública baseado em planos básicos de saúde privados para todos. Essa é uma das tentativas de golpe do sistema de saúde privado. Se concretizada, acabará de vez com o SUS.

É preciso também mudar o esquema de trabalho. Médicos precisa m ganhar bem, pois investir em médico não é perder dinheiro, pelo contrário. Depois, é preciso que eles sejam cobrados pelo que fazem. O que não se pode é permitir que os médicos trabalhem no serviço privado e batam ponto no público. Isso é uma barbaridade, apesar de ser permitido pelos conselhos de medicina. Enquanto isso, assistimos nos noticiários os brasileiros nas filas dos hospitais públicos.

O SUS precisa ser ajudado qualificando profissionais, oferecendo novas tecnologias e técnicas de gestão.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

As 13 teses de Bolsonaro


Bolsonaro ainda está em lua de mel com o eleitorado. Mas, até quando? Eleito com 55,2 milhões de votos, a positiva opinião pública foi balançada no primeiro mês no poder com as movimentações financeiras suspeitas de seu filho e senador eleito, Flávio Bolsonaro. Justo um Governo Eleito com um estridente discurso de combate à corrupção.

A principal trincheira comunicacional do clã Bolsonaro são as redes sociais. Então, são delas que vêm o (des)sabor das opiniões da massa – opositores agitados e apoiadores com mal-estar fizeram as menções negativas superarem as positivas sobre o novo ocupante do Planalto.

Então, como anda a inserção do bolsonarismo na sociedade? Vamos resumir e recordar as 13 principais teses defendidas pelo presidente nos seus discursos e o apreço da opinião pública:


Com base nelas, podemos repartir três grupos de bolsonaristas:

1.      heavy (ou intensos, são os que concordam com pelo menos 9 das 13 teses e representam 14% da população brasileira,);
2.      Medium (ou medianos, concordam com 5 a 8 teses e representam 55% da população) e;
3.      Light (ou leves, são os 31% da população que defendem no máximo 4 teses do presidente).

INTERPRETAÇÃO:

·         A maioria da população rejeita a maior parte dos temas. Isso pode dar um descompasso entre o representante e seus representados. O Brasil é conservador, mas há tópicos da agenda que são bastante questionáveis e pouco factíveis.
·         A principal atitude do presidente até agora foi o decreto das armas, mas os brasileiros não concordam com essa liberação, 68% discordam dela. Então Bolsonaro está priorizando nas primeiras semanas uma agenda que é a dos seus eleitores mais fiéis, que são 14% (os heavy), e se esquecendo das maiorias (Medium e Light).
·         A população ficou muito mal informada durante a campanha porque o programa do presidente era sucinto, com muitos chavões que não aprofundavam os temas. Não é de se surpreender que a agenda atual do presidente não esteja alinhada com a opinião pública.
·         Em três semanas de mandato, além da facilitação do acesso às armas e do combate ao que chama de "doutrinação marxista nas escolas", Bolsonaro pouco falou sobre saúde, área considerada prioritária por 40% dos brasileiros e que enfrenta hoje o desafio de preencher mais de 1.400 vagas deixadas pelos cubanos do Programa Mais Médicos.

A FAVOR:

CONTRA:
- o otimismo recorde da população em relação à situação econômica.
- a boa popularidade e a "lua de mel" com o Congresso Nacional, comum nos primeiros meses de mandato.

- falta consenso na maioria do eleitorado em torno das propostas mais controversas do novo presidente.
DUVIDOSO

- Bolsonaro lidará com um Congresso bastante renovado, onde os partidos tradicionais perdem forças e ganham espaço parlamentares de primeira viagem. Nada menos do que 102 políticos eleitos para a Câmara assumem na semana que vem seu primeiro mandato na vida pública enquanto 147 assumem pela primeira vez o posto de deputado federal. Juntos, representam quase a metade das vagas da Casa (e isso pode ser um bem ou um mal). Além do mais, o Governo tem sinalizado por um diálogo com as bancadas temáticas e não mais com os partidos políticos, o que retira poder das lideranças partidárias.
- DR's   muito tensas! Como serão as relações políticas neste ano de 2019?
A) O Poder Executivo costuma ter mais força que o Legislativo quando ele é preponderado por novatos. A gente tem que ver como a pressão do Executivo vai se dar.
B) O novo Congresso será marcado por representantes de ideias mais "extremas" de direita e de esquerda.
C) Há candidaturas coletivas bem sucedidas com pautas mais progressistas, de esquerda. E temos uma direita com mais militares, religiosos e pessoas com perfil mais conservador. Isso certamente vai ter impacto na forma que o Congresso vai lidar com o presidente.



Resta apenas uma saída de sobrevivência ao novo Governo: a área econômica. Embora ainda não tenha anunciado nenhuma medida econômica de impacto, é justamente na seara econômica que a relação do Governo com a opinião pública e com o próprio Congresso vai se definir.  Logo, a  economia é o que vai preponderar. Portanto, vai ter problemas para lidar com questões como a reforma trabalhista, a reforma da Previdência, as privatizações. A população está mais atenta ao tamanho do Estado e ao que ele se propôs a fazer, que é reduzir o gasto público.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Como produzir pobreza em uma geração?


O Brasil que canta “pega a novinha” é o país com o 4º maior número de “casamentos infantis” (expressão usada para designar casais em que um dos integrantes, ou ambos, não atingiu a maioridade). São 3 milhões de brasileiros vivendo nessa condição. A nação também tem a 7ª maior taxa de gravidez na adolescência da América do Sul (empatada com Peru e Suriname). São 65 gestações para cada 1000 meninas entre 15 e 19 anos; na Venezuela são 95 casos (imersa em crise política e humanitária, é a pior do ranking) e na França apenas 6 (país desenvolvido, pai!). Fontes: Unicef e Fundo de População das Nações Unidas.

É a sina das meninas-noivas: garotas de 12 anos casadas com homens de 45, por exemplo. Contraste do Brasil que é explicado por um lado cultural e outro, social. Do lado de lá existe a tradição do controle da sexualidade feminina, a opressão de uma sociedade patriarcal e machista, a manutenção da tradição das linhagens familiares e dogmas religiosos; do lado de cá, há a miséria, o abismo da desigualdade social e um ciclo retroativo da pobreza crescente. Destrinchando nuances de ambos os lados, temos:

·         A prática acontecia em todas as classes sociais. As monarquias se uniam para manter a nobreza, o poder e a fortuna. Pais determinavam os cônjuges dos filhos desde a tenra idade.
·         Ao longo do tempo, o próprio conceito de infância mudou com o aumento da expectativa de vida – um brasileiro vivia apenas 33 anos no início do século XX. Até a década de 50, ainda se considerava que a vida adulta da menina começava no dia seguinte ao início do ciclo menstrual.
·         A migração da população do campo para a cidade, o surgimento da pílula anticoncepcional e os avanços nos direitos das mulheres mudaram o panorama, mas ainda choca o quadro brasileiro.
·         Há também uma raiz fincada na desigualdade de gênero. Em regiões onde o sexo feminino não tem a oportunidade de contribuir para a família, entrando no mercado de trabalho formal para ajudar com as despesas, as filhas são vistas como um fardo. Por isso, os pais acabam consentindo sutilmente o casamento precoce ou se escondem atrás disso para expulsar a filha que “perdeu a virgindade”.
·         Quanto mais a região é paupérrima, mais os envolvidos em casamentos precoces não percebem a situação como absurda. Na pobreza, o conhecimento é substituído pela necessidade e pelas falsas ideias, um terreno perfeitamente propício para a proliferação de relacionamentos tortos. A falta de idade, de dinheiro e de estrutura familiar faz do casamento infantil uma realidade mais frequente em comunidades carentes, com a agravante de haver um alto índice de separação.
·         Em um daqueles atrasos que se perpetuam sem que ninguém saiba exatamente como nem por quê, o casamento infantil não é ilegal no Brasil. Pela lei, qualquer menina pode se casar depois dos 16 anos desde que tenha autorização dos responsáveis. Em caso de gravidez, as garotas têm o direito de casar-se ainda antes disso: a partir dos 14 anos. Se elas não têm maturidade para cuidar de si próprias, como vão tomar conta de uma família? Isso não parece importar para as bancadas conservadoras no Congresso.
·         Nos dias atuais, o fator econômico e social também é muito forte. Quando a mulher não tem perspectiva de estudar, de trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro e, então, construir um futuro com autonomia, a única forma de se sentir útil é casar e engravidar. Sem quebrar esse ciclo, sem interromper os casamentos infantis, o Brasil jamais conseguirá chegar ao futuro.

Fica evidente que, quando a pobreza não é a mola propulsora dos casamentos infantis, entram em cena os valores religiosos e familiares.

Casamento monogâmico atual precisa ser consensual, formado por pessoas com maturidade física e emocional e possuidoras do desejo de constituir família. Também precisa de uma base econômica que o sustente. Sem esses aspectos, desmorona mesmo! Agora, como falar de casamento quando surge uma gravidez precoce, na baixa escolaridade, com ausência de trabalho, falta de perspectiva a longo prazo e sob fuga de uma família desestruturada? Faltou a essa gente dois pilares fundamentais para uma vida adulta saudável dos dias atuais: o apoio familiar e o banco da escola – que se resumem na responsabilidade político-social.

Que destino é reservado para essas "mães precoces"? Um possível futuro condenável, pois estudos comprovaram que: elas têm 7 vezes mais riscos de morrer no parto por não terem corpo de adultas; seus bebês têm probabilidade 60% maior de morrer do que a média, exibem alto índice de depressão, ansiedade e agressividade (gera revolta porque se veem presas a uma situação da qual não vislumbram saída).

E em quem descontam a raiva? Geralmente nos filhos, com falta de paciência ou com violência física, isso quando não os relega a parentes próximos. Do que esses pequenos precisarão para não retroalimentar esse ciclo?












terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Adeus, Ministério do Trabalho!?

O novo Governo Bolsonaro terá 22 Ministérios contra os atuais 29 (07 a mais do que os 15 prometidos na campanha). O Ministério do Trabalho, criado há mais de 08 décadas (exatos 88 anos!), será extinto. As atribuições do falecido serão dadas a três outras pastas, coordenadas pelos Ministérios da Economia, da Justiça e da Cidadania. 

Quem ficará responsável pela fiscalização do Trabalho Infantil? E do trabalho escravo? É uma verdadeira pulverização de uma área sensível. Estamos vislumbrando aqui a entrada do Brasil para o rol do trabalho socialmente injusto.

Enquanto isso o Brasil afunda na economia Informal - nunca o país teve tanta gente trabalhando sem carteira assinada! São mais de 11 milhões de pessoas trabalhando sem carteira assinada no Brasil (IBGE). É o maior número da série histórica (que começou em 2012)! Só em 2017 foram quase 650 mil pessoas que entraram nessa lista de informais. No final das contas, existem 12,4 milhões de brasileiros desempregados.

No Ministério da Justiça, que englobará também Segurança Pública (sob comando de Sérgio Moro), vai ficar responsável pela concessão de registro para os sindicatos. A superpasta da Economia vai fundir Fazenda e Planejamento, além de agregar Receita Federal e parte do atual Ministério da Indústria e Comércio Exterior. Já o novo Ministério da Cidadania vai engolir o Esporte, a Cultura e o Desenvolvimento Social. 

O desenho dos demais Ministérios a partir de 2019 será assim: Infraestrutura vai ficar com Transportes; Desenvolvimento Regional vai fundir Integração Nacional e Cidades; já os Ministérios dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente seguem sem nomes anunciados (por que será?). 

Vale ressaltar que ainda será atribuído ao Ministério da Agricultura o encargo de cuidar da FUNAI (agora imagina o campo minado que está se montando: agronegócio x áreas indígenas). Estamos falando dos ruralistas cuidarem da política indigenista no Brasil!? O futuro dos índios que restam não é nada promissor, pois o impacto será direto nas demarcações de terras. O interesse da bancada ruralista é claro – aumentar a exploração da agricultura nas áreas de proteção de terra indígena (sem falar de outra ameaça que é o da mineração que ainda vai aparecer). 

Pelo menos no começo do Governo Bolsonaro, os cargos de Advogado Geral da União e Presidente do Banco Central permanecem com o status de Ministério. 

A questão é: todo esse desmembramento não é inconstitucional? Sérgio Moro cuidará para que "Não Seja!". Afinal, ele já tem experiência de transformar as coisas justas em injustiças, por que não transformaria injustiças em coisas justas? Estamos diante do Governo da Inversão!

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

As novas diretrizes para o Ensino Médio foram homologadas pelo MEC. E agora?

As DCN’s fazem para das tais Reformas do Ensino Médio e servirão como parâmetro para a BNCC. Uma das novas regras é a possibilidade de aulas à distância – a ideia é usar a tecnologia para que os alunos façam pelo menos 20% da carga horária de longe (para quem estuda à noite, até 30%). No caso da EJA (Educação de Jovens e Adultos) pode chegar a 80% (risos aflitos...)!

Outra ideia é dá ao aluno a opção de escolher uma área de conhecimento com a qual ele se identifica muito, a fim de poder se aprofundar já no Ensino Médio. Quando estiver em vigor, a carga horária será dividida em duas partes: a maior parte (60%) será base dos conteúdos que todo mundo terá que estudar; e a outra (40%), serão cinco opções oferecidas ao aluno para ele escolher uma delas para se aprofundar (segundo o MEC, cada município deve se organizar para oferecer no mínimo dois itinerários).

Um dos argumentos utilizados para essas reformas é o da evasão no Ensino Médio brasileiro, que gira em torno dos 12%. Com os adolescentes e jovens supostamente “familiarizados” com as novas tecnologias e seus aparelhos eletrônicos, a proposta é tornar o ensino mais atrativo e conectado. Rai ai... Agora, estão eles preparados para aprender conteúdos escolares e acadêmicos usando a internet? Terão eles disciplina e responsabilidade para fazer as aulas à distância? As escolas públicas conseguirão se organizar física e pedagogicamente para tornar isso concreto, real e de qualidade?

Embora embelezada pela modernidade, essa mudança não deve ocorrer imediatamente. Depende da aprovação da nova BNCC para o Ensino Médio (que está em discussão no CNE – Conselho Nacional de Educação). Questão de tempo? Sim! Deve demorar aí uns dois anos para efetivar nas escolas e talvez uma vida toda para ter grau de eficiência e qualidade, sobretudo nas escolas das margens.

Segundo o CNE, a aula a distância terá obrigatoriamente a coordenação de professores e em muitos casos deve ser oferecida na própria escola (a maioria delas sem laboratório de informática decente até hoje, diga-se de passagem). Com essas propostas de mudanças, o ENEM também será modificado para avaliar os conteúdos específicos (os tais itinerários). Entretanto, o exame só será alterado a partir de 2021.

As escolas conseguirão se organizar para oferecer essas cinco opções aos alunos (os tais itinerários) com qualidade? As tecnologias salvarão o ensino? Viveremos para ver?!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Surrealismo Político: prognósticos, poder e realidade...

Sobre as eleições de 2º turno no Brasil...

Sou leitor assíduo das publicações Abril e telespectador fiel do telejornalismo da Rede Globo. Também procuro saber como pensa a vanguarda midiática brasileira porque sou adepto da máxima conheça bem o inimigo para combatê-lo. Aliás, sirvo do mesmo estratagema, só que às avessas, do que hoje eu chamaria #ElesNão! (no plural, porque o candidato fascista que não merece ser chamado pelo nome, ou seja, B, não chegou sozinho, nem acidentalmente, na posição em que se econtra). Ele é uma cobra criada pela mídia, sim, e pactua com ela sob máscaras e bons disfarces. Mas, como?

Vejamos:
  1. Teoria da Conspiração. A mídia não fracassou nem é vítima. Pelo contrário, vem tendo êxito com a utilização da mesma "psicologia obscura e dissimulada" que elegeu Donald Trump, sob a falsa alegação do “também não esperávamos por essa”. Isso mesmo, para driblar o povo e os intelectuais, a mídia se transformou no “inimigo oculto”. A revista Veja, por exemplo, nasceu na Ditadura Militar que a Globo apoiou. E o motivo maior de assumir esse papel está no tópico seguinte:
  2. O Capital. As partes mais produtivas do pré-sal já foram entregues previamente, por meio de leilões, a grandes empresas estrangeiras, retirando o protagonismo da Petrobras. Essa eleição não significa apenas uma eleição. Estamos falando de algo muito maior: a garantia do entreguismo do país, da privatização e dos lucros de grandes empresas e empresários sugados a longo prazo.
  3. A ditadura da subjetividade. A cultura do ódio que “legitimou” o impeachment de Dilma Rousseff é o sussurro do “inimigo oculto”, pois se relaciona pela voz íntima que fala ao inconsciente. Sempre me questionei sobre o interesse da Globo “defender” abertamente a homossexualidade e supostamente “combater” o machismo e o racismo (esses dias a novela "O Segundo Sol" estava dizendo que "negro combina com pobreza", a um título de exemplo). Hoje, encontro três razões para a questão:
A) conquistar confiança e legitimar seus fiéis telespectadores consumidores;
B) “unir sem se juntar” com a sua concorrente cristã, Rede Record;
C) e agora utilizar as minorias como massa de manobra política para avolumar votos para B alegando resgatar os antigos valores perdidos da família heterossexual branca (sim, fomos e estamos sendo usados esse tempo todo pela psicologia reversa!).
  1. Globo alia a B e “une sem se juntar” com a Record (sem declarações: estão no centro do palco, mas "invisíveis" aos telespectadores distraídos com novela e muita música). É verdade que, politicamente, a Globo se enfraqueceu bastante batendo injustamente no PT. Por isso mesmo ela deixou de fazer cerimônia com o PSDB (com quem veio dividindo o poder econômico, mas que agora o quer só para si. Aliás, a ideia de pacto com B é justamente essa: a Globo quer conduzir a economia do país, coisa que B já deixou bem claro nas entrelinhas). É verdade que B não é esperto o suficiente para imaginar um “pacto perfeito” com a Record (a ideia foi da Globo). Também é verdade que há anos ela vem disputando o mercado televisivo no Brasil com a Record. Particularmente, do ponto de vista técnico, as produções da Globo são muito melhores que as da Record (o nível de produção das telenovelas, dos telejornais e dos programas de entretenimento como a nova plataforma do Gshow que está investindo pesado em séries). Entretanto, a força da Record vem do aspecto religioso, ponto que a Globo encontrou os mecanismos para se aliar temporariamente (vide a ditadura da subjetividade acima). Em resumo, a Globo engoliu a Record nessa eleição para colocar B lá. Ela bateu politicamente em parte da população petista/esquerda e agora está USANDO a outra parte (o das minorias historicamente excluídas) pelo viés religioso moralista da Record (xeque-mate!). E todo mundo acreditando que a Globo não tem lado, que apenas está fazendo a mediação do processo eleitoral, e que realmente se importa com os negros, os marginalizados da periferia e os homossexuais, como vem discursando de forma rala nos últimos anos (isso só até o segundo turno passar).
  2. Conhecer o inimigo. A direita não só conhece bem os princípios neoliberais e capitalistas, como estuda a miúdo e detalhadamente a esquerda (e nesse ponto acho que o PT/Esquerda ainda não soube fazer o mesmo a seu favor, estratagema que sigo). Depois, infiltra-se nela para trazer à tona todas as suas fraquezas. Duvido de espiões infiltrados na esquerda para desmoralizar sua reputação ética. Parte da corrupção, dos escândalos e das delações foi forjada pelo inimigo. A morte de Eduardo Campos nas eleições passadas, mas, também, a morte de Marielle Franco e do Ministro Teori Zavascki, bem como a manipulação do STF pela presidente Cármen Lúcia que por lá passou e agora a estratégica posição da ministra Rosa Weber na presidência do TSE (que, diga-se de passagem, foi o voto fatal da prisão de Lula) são indícios disso. Essa questão leva à pior de todas:
  3. Manipulação do TSE. O maior risco que corremos é o de uma (parte, um empurrãozinho) votação fraudulenta em B diante de um segundo turno bem pareado e disputadíssimo. O impeachment, ou melhor dizendo, o golpe em Dilma e a prisão injusta de Lula são sinais evidentes de que farão de tudo para evitar a vitória de Fernando Haddad. Essa lição veio da reeleição de Dilma, pois eles sabem claramente da chance do PT voltar ao poder. Não está descartado o “crime perfeito” de uma eleição muito bem forjada. Portanto, se todos os aspectos anteriores não forem suficientes para garantir a permanência da mídia/B/direita no poder pelo viés "legítimo, transparente, democrático", esse mecanismo não está descartado como “última alternativa” (pois, é muito mais interessante um ditador no poder pelas próprias vias “democráticas”, muito bem forjadas, mas “justamente democráticas” e justificáveis. Todavia, se fizer necessário...). Quero dizer que, numa primeira tentativa, a ideia é eleger Bolsonaro pela via “legítima” da Democracia pelo termômetro das pesquisas de intenção de voto. Se não for possível, virá o plano B (fraude das urnas que tentaram nos vender como 100% seguras).
  4. Quero muito errar, e acreditar com firmeza que a nossa jovem democracia é confiável e segura em seus sistemas de apuração com a vitória de Haddad. Pois, se ele vencer, cairá por terra o sentimento que tenho de que “tudo está dominado e sob controle nas mãos deles”.
  5. A grande verdade. A mídia está montando um grande cenário de "novela nacional" com desfecho incerto de final de capítulo, o mesmo clima criado nas eleições dos EUA. “Todo mundo esperançoso, primando por um resultado (Hillary Clinton) e veio outro (Trump)”, supostamente surpreendendo as próprias agências de notícias (mentira!). A mídia que joga no Brasil é prima-irmã da dos EUA (tudo farinha do mesmo saco). Estou muito pessimista, e se eu dormir hoje e acordar na próxima segunda-feira com Bolsonaro no poder, não ficarei surpreso. Tomara que esse pesadelo não aconteça! Mas, seria preciso não dormir, e permanecer em vigília constante porque TODOS ELES ESTÃO AGINDO NA CALADA DA NOITE. Conseguiremos permanecer acordados até ao final do segundo turno? E depois dele, teremos alguma noite de sono tranquilo?
  6. Religião não serve para justificar pobreza. Quando o governo ignora o povo e o desespero bate à porta das pessoas o consolo vem da religião. A carência absoluta (de bens, de educação, de trabalho e das condições dignas de vida) empurra o povo para a fé porque ela simboliza a esperança em dias melhores. É preciso acreditar em uma força superior, divina, que supostamente oferecerá solução para problemas sociais de responsabilidade do Estado e do Poder Público? São nos lugares muito pobres que costuma reinar a “fé cega”. Portanto, a religião é uma resposta a alta necessidade de esperança que pode até servir para a morte, o sentido da vida, a doença, o medo... Mas, imprestável para canalizar a desigualdade social humana. Até nossa crença precisa ser crítica, pois uma coisa é ter fé; outra coisa é ser manipulado por ela. Empobreceu o povo brasileiro, de recursos e de espírito, para então pregar o nacionalismo e os valores como salvação, apelando à religião o golpe de misericórdia na democracia. Sendo assim, não deixa sua fé colocar um ditador fascista no poder. É preciso observar o contraste entre os que professam o amor pela pátria e aqueles que de fato o praticam. Vote 13!

Atenciosamente (e muito aflito),


Neilton Lima da Silva.
(Coordenador Pedagógico Escolar)


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Rinocerontes não comem panquecas.

É um livro escrito por Anna Kemp, traduzido por Hugo Langone e ilustrado por Sara Ogilvie, da Editora Paz e Terra Ltda. Ele fala de família, amizade e mais atenção ao que as crianças têm a nos dizer.

A história é assim: Daisy estava tomando café da manhã quando um rinoceronte grande como um ônibus, roxo como um repolho e esfomeado entrou na cozinha, mordeu a panqueca da menina e foi para o andar de cima. A garota correu de encontro à mãe e ao pai para contar o ocorrido, mas, como sempre, eles deram pouca importância. A mãe sugeriu que simplesmente jogasse o bicho pela janela e o pai achou que fosse só mais uma aranha que poderia esperar, dentre outros possíveis bichos, como um tubarão no banheiro ou um urso polar na geladeira. Afinal, já era praxe rir e caçoar dos supostos devaneios da menina, acompanhada do velho jargão familiar: “Fique quieta! Você não vê que estamos OCUPADOS?!”.

Daí uma questão é levantada: quem realmente está distante da realidade, as crianças ou esses pais indiferentes?

Numa família tão distraída com os afazeres do dia a dia, o rinoceronte aproveitou o dia para ficar bem à vontade: usou casacos, passeou pelo jardim, utilizou a privada do banheiro... Enfim, como os pais de Daisy ficaram ocupados a semana inteira, a garota começou a conversar com o rinoceronte. E logo eles se tornaram bons amigos. E o resultado dessa grande amizade? Muitas brincadeiras, pizzas, cócegas... Daisy descobriu que ela não era a única que se sentia em terra estranha dentro da própria casa, exilada dentro do próprio lar. O próprio rinoceronte estava ali com ela porque sua casa também ficava mito longe dali. E ele também estava triste por isso. Então, à noite, a menina pensou em como poderia levar o rinoceronte de volta para casa. De balão na dava porque era muito pesado; de bote de borracha também não, porque o bicho era muito grande; de bicicleta era inadequado porque o capacete nunca caberia.

Então os pais de Daisy tiveram uma ideia muito boba – levar a menina ao zoológico para mostrar-lhe um rinoceronte de verdade. Claro que ela já havia visto um rinoceronte perfeitinho sentado no sofá, mas preferiu não dizer mais nada. Afinal, de que adiantaria? Ninguém prestaria atenção. No zoológico, Daisy viu muito outros animais: girafas amarelas, papagaios vermelhos e reluzentes, tigres pintados de laranja e preto, cobras verdes como a grama. Mas, havia um bicho que ela realmente não conseguia esquecer – seu pobrezinho rinoceronte roxo. Os pais então resolveram levar a garota para a ala dos rinocerontes, e tiveram uma grande surpresa: se depararam com um anúncio de rinoceronte “DESAPARECIDO”! O animal possuía todas as características descritas pela menina.

Enfim, os pais ficaram assustados e perplexos! Naquele exato momento foram tomados pelo mundo de Daisy. Então, voltaram correndo para casa e, ao chegar, se depararam com O MAIOR E MAIS ROXO RINOCERONTE DA CIDADE! Estava deitado no sofá, assistindo TV e comendo panquecas. A mãe quis ligar para o zoológico, mas Daisy evitou. Ela queria que o rinoceronte fosse para casa, que ficava Muito Longe Daqui. A família decidiu que fosse no próximo voo, que saía à tarde. O rinoceronte fez as malas, Daisy procurou o chapéu dele e todos o empurraram para o banco de trás do carro – e foram para o aeroporto.

O rinoceronte embarcou, deixando Daisy com um abraço grande e roxo. Ambos prometeram sentir muita falta um do outro. Sim, o velho e conhecido problema da FALTA. Em casa, Daisy começou a se sentir sozinha novamente. Quem escutaria o que ela tinha a dizer agora? Mas, ela mal sabia que tudo iria mudar. Agora os pais de Daisy se tornaram ouvintes atentos sobre a história do rinoceronte grande e roxo. Eles quiseram saber tudo o mais sobre ele, e escutaram até ela não ter mais nada a dizer. FOI MARVILHOSO! 

Chegou a hora de ir para a cama. A mãe de Daisy a colocava para dormir e perguntou se ela tinha algo mais que gostaria de contar. Enquanto olhava para a porta do quarto, Daisy disse sorrindo que não tinha. Não sabia a mãe o que a menina acabara de ver espiando da sua porta – um urso polar cor-de-rosa que podia esperar até amanhã. Boa noite!

Daisy representa o tipo de criança para quem os adultos pouco prestam atenção. Não se trata só de escutar ou fingir um diálogo, mas ouvir de verdade e interessar-se pelo conteúdo da fala, ou seja, interagir com a criança pelo diálogo. Por que a maioria dos adultos não dá a mínima para o que a criança está falando? Talvez porque subestimem a complexidade do vocabulário dela ou a veracidade do conteúdo que é capaz de construir. Isso nos faz perder um aspecto importante da conversa infantil, para o qual essa historinha desperta nossa atenção: a criatividade do discurso e sua capacidade inventiva.

Quando a criança verbaliza suas fantasias ela expressa um dos conteúdos que realmente merecem nossa atenção. Devemos ouvir mais e melhor nossas crianças. Precisamos prestar mais atenção no que elas têm a nos dizer. Ou então, corremos o risco de um rinoceronte grande como um ônibus, roxo como um repolho e bastante esfomeado passear por toda a nossa casa e não ficarmos sabendo de nada.

Quando a criança cria amigos imaginários porque está na fase de inventá-los, é uma coisa, tudo bem. Mas, quando os cria para lhes fazer companhia porque os pais já não mais se importam com os filhos. Aí, não! Isso já merece atenção. Quando a imaginação se torna a melhor companhia para preencher uma lacuna de ausência deixada pelos pais, o maior risco que a família pode correr é o de perder a importância para a criança. Afinal, quem muito se ausenta um dia deixa de fazer falta.