Existem a pesquisa de laboratório (uma situação controlada e simplificada) e a pesquisa
de campo (extraída de situações cotidianas). Enquanto a primeira busca controlar todo o processo, a de campo é feita em ambientes naturais da vida real.
Elas podem usar o método correlacional (indagando se dois ou
mais fatores/variáveis possuem uma associação natural, o que não é um indicador confiável de o quê está causando o quê - ou se uma terceira variável está envolvida) ou o método
experimental
(manipulando numa realidade em miniatura algum fator ou causa para ver seu efeito sobre outro).
É preciso ter cautela ao generalizar do
laboratório para a vida. Uma amostra aleatória de pessoas não representa toda
uma humanidade. As pessoas se diferem de muitas formas desde idades, níveis de
instrução, condições socioeconômicas e culturais. Mas, isso não anula nem
inviabiliza nosso estudo e compreensão científica pois, embora nossos
comportamentos possam diferir, somos influenciados pelas mesmas forças sociais.
Por baixo de nossa diversidade na superfície, somos mais parecidos do que
diferentes.
VEJAMOS:
Preconceito contra obesos.
As pessoas com frequência percebem os obesos como lentos, preguiçosos e desleixados. Assim, acabam por ter menor probabilidade de estarem casados e de ganharem altos salários. Há correlação entre obesidade e status inferior?
Experimento 01: Mark Snyder e Julie Haugen (1994, 1995) pediram a 76 alunos que travassem uma conversa telefônica para conhecer 1 de 76 alunas. Desconhecidos para as mulheres, a cada homem mostrou-se uma foto dizendo-se que ela era de sua parceira da conversa telefônica. À metade deles foi mostrada a fotografia de uma mulher obesa (não da parceira real), e à outra metade, a de uma mulher com peso que é dito normal. Do ponto de vista das mulheres na conversa revelou que eles falaram com menos carinho e satisfação caso elas fossem presumivelmente obesas.
Enfim, algo no tom de voz e no conteúdo da conversa dos homens induziu as mulheres supostamente obesas a falar de uma forma que confirmava a ideia de que mulheres obesas são indesejáveis. Preconceito e discriminação estavam tendo um efeito.
Violência na TV.
As crianças estão aprendendo e repetindo o que veem na tela? Quanto mais programas de televisão violentos as crianças assistem, mais agressivas elas tendem ser? Assistir violência na televisão ou em outros meios de comunicação leva à imitação, especialmente entre crianças?
Experimento 02: Chirs Boyatzis e colaboradores (1995) exibiram para algumas crianças do ensino fundamental, mas não para outras, um episódio do programa infantil mais popular – e violento – da década de 1990, Power Rangers. Imediatamente depois de ver o episódio, os espectadores cometeram 7 vezes mais atos agressivos por intervalo de dois minutos do que os que não assistiram ao programa.
Enfim, sim, a televisão pode ser uma
causa do comportamento agressivo e depressivo das crianças (assim como também é para o bem, isto é, outras áreas como ajuda, estilo de liderança e autoeficácia). E os responsáveis pelas políticas de redes de televisão e do governo, que têm poder para fazer mudanças, estão cientes desses resultados.
CONCLUSÃO:
Imagine você passar por um teste para ao final dele descobrir que foi estúpido ou cruel? As provas tradicionais aplicadas por professores muitas vezes causam mais ansiedade e angústia dando e devolvendo essas provas do que os pesquisadores provocam em seus experimentos. Quem passa por um processo experimental precisa estar muito bem consentido, e sair tão bem quanto entrou. Que seja compensado e tratado com respeito. Não bastam ser envolventes, experimentos com humanos também precisam ser éticos e profissionais, pois criam situações que envolvem as emoções das pessoas. Nem sempre os fins justificam os meios. O mérito científico não justifica todo e qualquer engano ou sofrimento, mesmo temporário. Em primeiro lugar, é preciso garantir que as pessoas sejam tratadas humanamente, como obter o consentimento informado das pessoas, protegê-las de danos e revelar eventuais enganos a que foram submetidas para a pesquisa. Afinal, acreditar que você está machucando alguém ou ser submetido a forte pressão social pode ser muito desconfortável e causar sérios danos às pessoas.