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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sábado, 16 de maio de 2026

Experimentos com humanos.

Existem a pesquisa de laboratório (uma situação controlada e simplificada) e a pesquisa de campo (extraída de situações cotidianas). Enquanto a primeira busca controlar todo o processo, a de campo é feita em ambientes naturais da vida real. Elas podem usar o método correlacional (indagando se dois ou mais fatores/variáveis possuem uma associação natural, o que não é um indicador confiável de o quê está causando o quê - ou se uma terceira variável está envolvida) ou o método experimental (manipulando numa realidade em miniatura algum fator ou causa para ver seu efeito sobre outro).

É preciso ter cautela ao generalizar do laboratório para a vida. Uma amostra aleatória de pessoas não representa toda uma humanidade. As pessoas se diferem de muitas formas desde idades, níveis de instrução, condições socioeconômicas e culturais. Mas, isso não anula nem inviabiliza nosso estudo e compreensão científica pois, embora nossos comportamentos possam diferir, somos influenciados pelas mesmas forças sociais. Por baixo de nossa diversidade na superfície, somos mais parecidos do que diferentes.

VEJAMOS:

Preconceito contra obesos.

As pessoas com frequência percebem os obesos como lentos, preguiçosos e desleixados. Assim, acabam por ter menor probabilidade de estarem casados e de ganharem altos salários. Há correlação entre obesidade e status inferior?

Experimento 01: Mark Snyder e Julie Haugen (1994, 1995) pediram a 76 alunos que travassem uma conversa telefônica para conhecer 1 de 76 alunas. Desconhecidos para as mulheres, a cada homem mostrou-se uma foto dizendo-se que ela era de sua parceira da conversa telefônica. À metade deles foi mostrada a fotografia de uma mulher obesa (não da parceira real), e à outra metade, a de uma mulher com peso que é dito normal. Do ponto de vista das mulheres na conversa revelou que eles falaram com menos carinho e satisfação caso elas fossem presumivelmente obesas.

Enfim, algo no tom de voz e no conteúdo da conversa dos homens induziu as mulheres supostamente obesas a falar de uma forma que confirmava a ideia de que mulheres obesas são indesejáveis. Preconceito e discriminação estavam tendo um efeito.

Violência na TV.

As crianças estão aprendendo e repetindo o que veem na tela? Quanto mais programas de televisão violentos as crianças assistem, mais agressivas elas tendem ser? Assistir violência na televisão ou em outros meios de comunicação leva à imitação, especialmente entre crianças?

Experimento 02: Chirs Boyatzis e colaboradores (1995) exibiram para algumas crianças do ensino fundamental, mas não para outras, um episódio do programa infantil mais popular – e violento – da década de 1990, Power Rangers. Imediatamente depois de ver o episódio, os espectadores cometeram 7 vezes mais atos agressivos por intervalo de dois minutos do que os que não assistiram ao programa.

Enfim, sim, a televisão pode ser uma causa do comportamento agressivo e depressivo das crianças (assim como também é para o bem, isto é, outras áreas como ajuda, estilo de liderança e autoeficácia). E os responsáveis pelas políticas de redes de televisão e do governo, que têm poder para fazer mudanças, estão cientes desses resultados. 

CONCLUSÃO: 

Imagine você passar por um teste para ao final dele descobrir que foi estúpido ou cruel? As provas tradicionais aplicadas por professores muitas vezes causam mais ansiedade e angústia dando e devolvendo essas provas do que os pesquisadores provocam em seus experimentos. Quem passa por um processo experimental precisa estar muito bem consentido, e sair tão bem quanto entrou. Que seja compensado e tratado com respeito. Não bastam ser envolventes, experimentos com humanos também precisam ser éticos e profissionais, pois criam situações que envolvem as emoções das pessoas. Nem sempre os fins justificam os meios. O mérito científico não justifica todo e qualquer engano ou sofrimento, mesmo temporário. Em primeiro lugar, é preciso garantir que as pessoas sejam tratadas humanamente, como obter o consentimento informado das pessoas, protegê-las de danos e revelar eventuais enganos a que foram submetidas para a pesquisa. Afinal, acreditar que você está machucando alguém ou ser submetido a forte pressão social pode ser muito desconfortável e causar sérios danos às pessoas.