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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sábado, 16 de maio de 2026

Em outras palavras...

 

Um sultão sonhou que tinha perdido todos os seus dentes. Chamado para interpretar o sonho, o primeiro intérprete disse, “Ai de ti! Os dentes perdidos significam que você verá seus familiares morrerem”. Enraivecido, o sultão ordenou 50 chibatadas para o portador das más notícias. Quando um segundo intérprete de sonhos ouviu o sonho, explicou a boa sorte do sultão: “Você vai viver mais do que todo o seu clã!”. Com a confiança renovada, o sultão ordenou que seu tesoureiro desse 50 barras de ouro para esse portador das boas novas.

No caminho, o tesoureiro estupefato comentou com o segundo intérprete, “Sua interpretação não foi diferente da do primeiro intérprete”. “Ah, sim”, respondeu o sábio intérprete, “mas lembre-se: o que importa não é somente o que você diz, mas como você diz”.

Se você for um crente fumante, e perguntar “se pode fumar enquanto ora” terá menos sucesso se perguntar “se pode orar enquanto fuma”. As pessoas são mais impactadas pelo o que é dito primeiro. No ano de 1940, 54% dos norte-americanos disseram que os EUA deveriam “proibir” discursos contra a democracia, e 75% disseram que o país “não deveria permiti-los”. Se você apresentar o mesmo produto de duas formas, por exemplo, carne, e especificar em um “30% de gordura” e no outro “70% de carne magra, 30% de gordura”, as pessoas que evitam a gordura da carne comprarão mais o segundo. Ou se apresentar o mesmo medicamento de duas formas, uma que tem “taxa de eficácia de 95%” enquanto a outra tem “taxa de 5% de falha”, mais pessoas vão preferir o primeiro.

Isso vale para as pesquisas eleitorais de opinião de voto. Elas não preveem literalmente a votação; elas apenas descrevem a opinião pública no momento em que são feitas. A opinião pública pode mudar. Ainda tem quatro influências que podem distorcer os resultados: amostras não representativas, ordem das perguntas, opções de resposta e o palavreado das perguntas. É este que aqui nos interessa, o enquadramento – modo como uma pergunta ou questão é proposta, e que pode influenciar as decisões e opiniões expressas das pessoas.

O modo de perguntar em pesquisas é uma questão muito delicada. Até mudanças sutis no tom de uma pergunta podem ter efeitos acentuados. Mesmo quem está convicto de alguma opinião, o modo como uma pergunta é formulada pode influenciar sua resposta. É assim que efeitos de ordem, resposta e palavreado permitem que manipuladores políticos usem pesquisas para demonstrar apoio público para suas visões.

Enfim, em outras palavras, o “Como” é tão quanto ou mais importante do que “O que” é dito.