Um sultão sonhou que tinha perdido todos os seus dentes. Chamado para interpretar o sonho, o primeiro intérprete disse, “Ai de ti! Os dentes perdidos significam que você verá seus familiares morrerem”. Enraivecido, o sultão ordenou 50 chibatadas para o portador das más notícias. Quando um segundo intérprete de sonhos ouviu o sonho, explicou a boa sorte do sultão: “Você vai viver mais do que todo o seu clã!”. Com a confiança renovada, o sultão ordenou que seu tesoureiro desse 50 barras de ouro para esse portador das boas novas.
No caminho, o tesoureiro estupefato comentou com o segundo intérprete, “Sua interpretação não foi diferente da do primeiro intérprete”. “Ah, sim”, respondeu o sábio intérprete, “mas lembre-se: o que importa não é somente o que você diz, mas como você diz”.
Se você for um crente fumante, e perguntar “se pode fumar enquanto ora” terá menos sucesso se perguntar “se pode orar enquanto fuma”. As pessoas são mais impactadas pelo o que é dito primeiro. No ano de 1940, 54% dos norte-americanos disseram que os EUA deveriam “proibir” discursos contra a democracia, e 75% disseram que o país “não deveria permiti-los”. Se você apresentar o mesmo produto de duas formas, por exemplo, carne, e especificar em um “30% de gordura” e no outro “70% de carne magra, 30% de gordura”, as pessoas que evitam a gordura da carne comprarão mais o segundo. Ou se apresentar o mesmo medicamento de duas formas, uma que tem “taxa de eficácia de 95%” enquanto a outra tem “taxa de 5% de falha”, mais pessoas vão preferir o primeiro.
Isso vale para as pesquisas eleitorais de opinião de voto. Elas não preveem literalmente a votação; elas apenas descrevem a opinião pública no momento em que são feitas. A opinião pública pode mudar. Ainda tem quatro influências que podem distorcer os resultados: amostras não representativas, ordem das perguntas, opções de resposta e o palavreado das perguntas. É este que aqui nos interessa, o “enquadramento” – modo como uma pergunta ou questão é proposta, e que pode influenciar as decisões e opiniões expressas das pessoas.
O modo de perguntar em pesquisas é uma questão muito delicada. Até mudanças sutis no tom de uma pergunta podem ter efeitos acentuados. Mesmo quem está convicto de alguma opinião, o modo como uma pergunta é formulada pode influenciar sua resposta. É assim que efeitos de ordem, resposta e palavreado permitem que manipuladores políticos usem pesquisas para demonstrar apoio público para suas visões.
Enfim, em outras palavras, o “Como” é tão quanto ou mais importante do que “O que” é dito.