·
Neste
ano, mais de 462 mil pessoas se candidataram para disputar os cargos
disponíveis nas prefeituras municipais de todo o país (em 2020 foram 29.262
candidaturas).
5.569 municípios. Com 155.912.680 eleitores. 2.619 zonas eleitorais. 94 mil locais de votação. Obrigatório para quem tem 18 anos ou mais e facultativos para os analfabetos, os maiores de 70 anos e as pessoas de 16 e 17 anos. 15 capitais foram para o 2º turno. 11 em 1º turno. 104 candidatos a prefeitos em 52 cidades no Brasil onde terá 2º turno. Eficiência da Justiça Eleitoral Brasileira: em pouco mais de 4 h de apuração, resultados conhecidos.
Houve um alto índice de abstenção nessas eleições: mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar nesse 1º turno (21,68%). Uma das causas para o desinteresse de parte dos eleitores: corrupção. Para corrigir isso, o aspecto educacional da população. É preciso mapear medidas para incentivar o comparecimento do eleitorado. Garantir a tranquilidade da disputa e a força da Democracia.
A média nacional de abstenção
foi de 21,7%.
·
PSD
supera hegemonia de décadas do MDB, é o partido com o maior número de
prefeituras pelo país. Avanço dos partidos do Centro, Centro-Direita e da
Direita (e Centrão). Esses partidos lideram meio fora da lógica da polarização
e/ou nacionalização da disputa – isso não deu certo (Lula foi colocado de
escanteio e predominou outra lógica de dinâmica interna). Forças impediram a
influência das eleições de 2022. O eleitor quis dizer: “eu quero minha cidade
bem administrada: escolas funcionando, saúde atendendo, lixo recolhido...”
(houve muita reeleição de prefeitos, logo estão satisfeitos com o que está
posto ou sendo apresentado). Forças: da continuidade, da máquina e de Emendas
Parlamentares.
·
Eleições
do 1º turno tem mais de 2.600 crimes eleitorais registrados em todo o país (as
mais comuns: boca de urna, compra de voto e propaganda irregular). Não
depreciar as instituições, na busca de romper com a institucionalidade
democrática. As lições que ficam: discurso de ódio e laudo falso forjado
assustou a política e a democracia; é preciso ter regramentos firme do ponto de
vista legislativo e da justiça para coibir o “vale tudo” dos influenciadores/coach;
é preciso respeitar a democracia; o processo eleitoral precisa sair vitorioso e
botar por terra o clima de tensão pró-desestabilização; é preciso ter antídotos
contra esses novos perigos; a grande vencedora dessa eleição foi a urna
eletrônica – com confiança, vitoriosa e credibilidade; show de competência, eficiência
e queda da abstenção.
·
Eleições
vão forçar mudança/organização na direita e na
esquerda.
- foi teste de força.
- líderes terão
que definir novos rumos e reavaliar métodos (plataformas, alianças, etc.).
· A direita apostou na legitimação e na fratura do bolsonarismo. E Marçal perdeu, felizmente!
ESQUERDA: Discurso e Anseios.
“O brasileiro, goste-se ou não, está mais conservador”.
Qualidades:
·
A
capacidade de traduzir o que as pessoas pensam, canalizar os desejos das massas
numa linguagem simples e direta, além de saber ouvir opiniões divergentes e
traçar uma linha reta.
· A esquerda tem habilidade de ajustar seu discurso à plateia de ouvintes do momento. A capacidade quase hipnótica de seduzir a audiência.
Defeitos:
·
A
distância entre o discurso da esquerda e os anseios do eleitorado (que deseja
algo novo, diferente das promessas que lhes agradavam no passado). Dada a
influência da mídia e da nova propaganda nas redes sociais, a galera pobre já
não valoriza tanto o emprego com carteira assinada, considera a distribuição de
bolsas-auxílio um direito adquirido e pouco se deixam atrair pelos apelos de
programas como Minha Casa, Minha Vida (é o chamado “Pobre de Direita”: que só
preciso de um dinheiro pra comprá um mé, o leitin das criança e o modes da muié.
O resto é só fé, só fé, só fé...). Ou seja, também influenciada pelo avanço
das igrejas evangélicas, tanto pela questão comportamental como pelo conceito
da ética do trabalho, uma camada significativa de pessoas menos favorecidas que
passou a defender o empreendedorismo, a querer ser dona do próprio negócio e,
claro, a dar uma imensa importância ao que os políticos pensam dos valores
familiares (casamento, aborto, entre outros).
·
Trata-se
de um eleitorado coeso, que só cresce, afastando-se dia a dia do discurso
tradicional da esquerda brasileira.
· A esquerda brasileira precisa se atualizar e saber lidar com seu “novo e delicado público”. Existe hoje um imenso ruído entre aquilo que o PT diz e os anseios do povo – particularmente, nos grandes centros urbanos. O brasileiro, goste-se ou não, está mais conservador.
“Depois de serem seguidamente derrotados nas urnas pela defesa de plataformas políticas já superadas, os trabalhistas deitaram no divã e atualizaram suas bandeiras. Deu certo. Por aqui, falta humildade. De fato, não é fácil mudar, fazer um balanço de seu próprio programa, depois de tantas campanhas vitoriosas. Mas, caso não realize essa correção de rota a tempo, poderá colher muito mais do que uma fragorosa derrota nas eleições municipais deste ano. Seria um desastre perder a conexão com o povo brasileiro”.
ESQUERDA |
DIREITA |
· Os
resultados esperados pelo PT foram modestos. · Entrou
na campanha com dose razoável de realismo: recuperação pouco pretensiosa, fez
concessões importantes a partidos aliados, mas não evitou dissabores e sinais
de resistência em parte do eleitorado. · Ainda
se sente uma forte influência do antipetismo e o distanciamento de eleitores
das periferias. ·
Efeitos limitados nas tentativas de
reeditar apelos ao antibolsonarismo (pela lógica localista e ameaça
representada por um inelegível fora do poder). ·
Para sobreviver, a esquerda precisa saber
cuidar do seu (super)ego ferido e ter uma relação mais amigável com o
inconsciente (em vez de se permitir o conflito com ele, brincar com ele de
forma inteligente). Aliás, é a implosão desse conflito que alimenta a direita.
·
O que a direita deseja é provocar
curto-circuito no nosso sistema lógico e nos desconstruir emocionalmente. Vão
jogar com todos os tipos de transtornos do DSM-5 para cima de nós. Além de
nos brindar, precisamos reverter esse ataque. ·
Falta união, organização e força. O “enfraquecimento”
e o “radicalismo” são linhas tênues. O enfraquecimento é o Meridiano de
Greenwich (rotulado de “esquerda fofa”)
e o radicalismo é a Linha Internacional da Data (“revolução assassina”). Deu
um passo, caiu na direita. ·
Seu radicalismo no método, embora boa
nos ideais (uma sociedade mais justa em todos os sentidos), não só a
prejudica como a descaracteriza, reforçando a tosca extrema-direita. ·
FÓRMULA DO AMOR SEXUAL MADURO: “ternura
+ idealização + compromisso com o outro”. ·
A esquerda precisa não só continuar como
inovar e reforçar seu projeto de educação como participação consciente. O emburrecimento do eleitor
pobre, somado à fúria da direita então enrustida e a batalha incansável do
antipetismo da mídia corporativa, bancada pelo capital conservador, foram os
motores. · Afinal, o voto é obrigatório, mas não é muito. A multa é de R$ 3,51. Vamos combinar que isso não obriga ninguém! |
· A
direita apostou na legitimação e na fratura do bolsonarismo. · Há
uma forte ruptura e desorganização. · Na
esfera local, houve uma contestação interna à liderança do ex-presidente; · O
caminho mais provável será o de reagrupamento sob a esperada bandeira da
unidade, com o objetivo de enfrentar a esquerda. · Pode
ser uma trégua temporária ou uma aliança estratégica. · Qualquer
cenário deixará o domínio da direita muito mais próximo da agressividade
(plantada por Bolsonaro e Marçal, sua “cria nº 4”) do que de personagens
vendidos como moderados: trocando fogo nas redes sociais e em declarações
públicas. · Vão
continuar na ofensiva, com gracinhas altamente violentas, colocações irônicas
e agressivas, opiniões que não diferenciam o bem e o mal (cheirador, etc.). · Diz
que a liberdade não tem dono! · Para
a extrema-direita um xingamento não é uma ofensa, é um elogio. Xingamento
para eles é ser educado e civilizado. A comunicação entre eles é pela
linguagem violenta. Logo, o que para nós se apresenta como um show de
horrores, para eles é uma festa, um espetáculo. Isso vai continuar. · A
direita que acha que pode comprar tudo, deseja adquirir a esquerda,
literalmente. Uma de suas táticas é: “vamos
passar um tempo juntos, vai que a paixão acontece”. |
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