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São Francisco do Conde, Bahia, Brazil
Professor, (psico)pedagogo, coordenador pedagógico escolar e Especialista em Educação.
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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 205 da Constituição de 1988).

Ø Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados. :)



“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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domingo, 6 de outubro de 2024

O que se aprende com as Eleições - 2024.

·       Neste ano, mais de 462 mil pessoas se candidataram para disputar os cargos disponíveis nas prefeituras municipais de todo o país (em 2020 foram 29.262 candidaturas). 

5.569 municípios. Com 155.912.680 eleitores. 2.619 zonas eleitorais. 94 mil locais de votação. Obrigatório para quem tem 18 anos ou mais e facultativos para os analfabetos, os maiores de 70 anos e as pessoas de 16 e 17 anos. 15 capitais foram para o 2º turno. 11 em 1º turno. 104 candidatos a prefeitos em 52 cidades no Brasil onde terá 2º turno. Eficiência da Justiça Eleitoral Brasileira: em pouco mais de 4 h de apuração, resultados conhecidos.  

Houve um alto índice de abstenção nessas eleições: mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar nesse 1º turno (21,68%). Uma das causas para o desinteresse de parte dos eleitores: corrupção. Para corrigir isso, o aspecto educacional da população. É preciso mapear medidas para incentivar o comparecimento do eleitorado. Garantir a tranquilidade da disputa e a força da Democracia.

A média nacional de abstenção foi de 21,7%. 


·       PSD supera hegemonia de décadas do MDB, é o partido com o maior número de prefeituras pelo país. Avanço dos partidos do Centro, Centro-Direita e da Direita (e Centrão). Esses partidos lideram meio fora da lógica da polarização e/ou nacionalização da disputa – isso não deu certo (Lula foi colocado de escanteio e predominou outra lógica de dinâmica interna). Forças impediram a influência das eleições de 2022. O eleitor quis dizer: “eu quero minha cidade bem administrada: escolas funcionando, saúde atendendo, lixo recolhido...” (houve muita reeleição de prefeitos, logo estão satisfeitos com o que está posto ou sendo apresentado). Forças: da continuidade, da máquina e de Emendas Parlamentares. 

·       Eleições do 1º turno tem mais de 2.600 crimes eleitorais registrados em todo o país (as mais comuns: boca de urna, compra de voto e propaganda irregular). Não depreciar as instituições, na busca de romper com a institucionalidade democrática. As lições que ficam: discurso de ódio e laudo falso forjado assustou a política e a democracia; é preciso ter regramentos firme do ponto de vista legislativo e da justiça para coibir o “vale tudo” dos influenciadores/coach; é preciso respeitar a democracia; o processo eleitoral precisa sair vitorioso e botar por terra o clima de tensão pró-desestabilização; é preciso ter antídotos contra esses novos perigos; a grande vencedora dessa eleição foi a urna eletrônica – com confiança, vitoriosa e credibilidade; show de competência, eficiência e queda da abstenção. 

·       Eleições vão forçar mudança/organização na direita e na esquerda.

- foi teste de força.

- líderes terão que definir novos rumos e reavaliar métodos (plataformas, alianças, etc.).

·       A direita apostou na legitimação e na fratura do bolsonarismo. E Marçal perdeu, felizmente!


ESQUERDA: Discurso e Anseios.

“O brasileiro, goste-se ou não, está mais conservador”.

Qualidades:

·       A capacidade de traduzir o que as pessoas pensam, canalizar os desejos das massas numa linguagem simples e direta, além de saber ouvir opiniões divergentes e traçar uma linha reta.

·       A esquerda tem habilidade de ajustar seu discurso à plateia de ouvintes do momento.  A capacidade quase hipnótica de seduzir a audiência.

Defeitos:

·       A distância entre o discurso da esquerda e os anseios do eleitorado (que deseja algo novo, diferente das promessas que lhes agradavam no passado). Dada a influência da mídia e da nova propaganda nas redes sociais, a galera pobre já não valoriza tanto o emprego com carteira assinada, considera a distribuição de bolsas-auxílio um direito adquirido e pouco se deixam atrair pelos apelos de programas como Minha Casa, Minha Vida (é o chamado “Pobre de Direita”: que só preciso de um dinheiro pra comprá um mé, o leitin das criança e o modes da muié. O resto é só fé, só fé, só fé...). Ou seja, também influenciada pelo avanço das igrejas evangélicas, tanto pela questão comportamental como pelo conceito da ética do trabalho, uma camada significativa de pessoas menos favorecidas que passou a defender o empreendedorismo, a querer ser dona do próprio negócio e, claro, a dar uma imensa importância ao que os políticos pensam dos valores familiares (casamento, aborto, entre outros).

·       Trata-se de um eleitorado coeso, que só cresce, afastando-se dia a dia do discurso tradicional da esquerda brasileira.

·       A esquerda brasileira precisa se atualizar e saber lidar com seu “novo e delicado público”. Existe hoje um imenso ruído entre aquilo que o PT diz e os anseios do povo – particularmente, nos grandes centros urbanos. O brasileiro, goste-se ou não, está mais conservador.

“Depois de serem seguidamente derrotados nas urnas pela defesa de plataformas políticas já superadas, os trabalhistas deitaram no divã e atualizaram suas bandeiras. Deu certo. Por aqui, falta humildade. De fato, não é fácil mudar, fazer um balanço de seu próprio programa, depois de tantas campanhas vitoriosas. Mas, caso não realize essa correção de rota a tempo, poderá colher muito mais do que uma fragorosa derrota nas eleições municipais deste ano. Seria um desastre perder a conexão com o povo brasileiro”.

ESQUERDA

DIREITA

·       Os resultados esperados pelo PT foram modestos.

·       Entrou na campanha com dose razoável de realismo: recuperação pouco pretensiosa, fez concessões importantes a partidos aliados, mas não evitou dissabores e sinais de resistência em parte do eleitorado.

·       Ainda se sente uma forte influência do antipetismo e o distanciamento de eleitores das periferias.

·       Efeitos limitados nas tentativas de reeditar apelos ao antibolsonarismo (pela lógica localista e ameaça representada por um inelegível fora do poder).

·       Para sobreviver, a esquerda precisa saber cuidar do seu (super)ego ferido e ter uma relação mais amigável com o inconsciente (em vez de se permitir o conflito com ele, brincar com ele de forma inteligente). Aliás, é a implosão desse conflito que alimenta a direita.  

·       O que a direita deseja é provocar curto-circuito no nosso sistema lógico e nos desconstruir emocionalmente. Vão jogar com todos os tipos de transtornos do DSM-5 para cima de nós. Além de nos brindar, precisamos reverter esse ataque.

·       Falta união, organização e força. O “enfraquecimento” e o “radicalismo” são linhas tênues. O enfraquecimento é o Meridiano de Greenwich (rotulado de “esquerda fofa”) e o radicalismo é a Linha Internacional da Data (“revolução assassina”). Deu um passo, caiu na direita.

·       Seu radicalismo no método, embora boa nos ideais (uma sociedade mais justa em todos os sentidos), não só a prejudica como a descaracteriza, reforçando a tosca extrema-direita.

·       FÓRMULA DO AMOR SEXUAL MADURO: “ternura + idealização + compromisso com o outro”.

·       A esquerda precisa não só continuar como inovar e reforçar seu projeto de educação como participação consciente. O emburrecimento do eleitor pobre, somado à fúria da direita então enrustida e a batalha incansável do antipetismo da mídia corporativa, bancada pelo capital conservador, foram os motores.

·       Afinal, o voto é obrigatório, mas não é muito. A multa é de R$ 3,51. Vamos combinar que isso não obriga ninguém!

·       A direita apostou na legitimação e na fratura do bolsonarismo.

·       Há uma forte ruptura e desorganização.

·       Na esfera local, houve uma contestação interna à liderança do ex-presidente;

·       O caminho mais provável será o de reagrupamento sob a esperada bandeira da unidade, com o objetivo de enfrentar a esquerda.

·       Pode ser uma trégua temporária ou uma aliança estratégica.

·       Qualquer cenário deixará o domínio da direita muito mais próximo da agressividade (plantada por Bolsonaro e Marçal, sua “cria nº 4”) do que de personagens vendidos como moderados: trocando fogo nas redes sociais e em declarações públicas.  

·       Vão continuar na ofensiva, com gracinhas altamente violentas, colocações irônicas e agressivas, opiniões que não diferenciam o bem e o mal (cheirador, etc.).

·       Diz que a liberdade não tem dono!

·       Para a extrema-direita um xingamento não é uma ofensa, é um elogio. Xingamento para eles é ser educado e civilizado. A comunicação entre eles é pela linguagem violenta. Logo, o que para nós se apresenta como um show de horrores, para eles é uma festa, um espetáculo. Isso vai continuar.

·       A direita que acha que pode comprar tudo, deseja adquirir a esquerda, literalmente. Uma de suas táticas é: “vamos passar um tempo juntos, vai que a paixão acontece”.

 

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