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“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Política na Grécia (“Platão”) - PARTE I.

  

O Cérebro no Poder

A meta vital para os antigos gregos era a “eudaimonia” ou “a vida digna” = “viver bem” que não era uma questão de alcançar o bem-estar material, honra ou o mero prazer, mas viver de acordo com virtudes fundamentais, tais como sabedoria, piedade e, acima de tudo, justiça. Questões como a defesa da propriedade, liberdade e estabilidade só eram importantes ao criarem as condições que permitiam aos cidadãos viverem bem (o objetivo principal). Logo, seja qual for o sistema de governo, todos vão lidar com um mesmo problema: tendem a agir segundo seus próprios interesses, em vez de pensar no bem do Estado e do povo (por ignorância).

·       GRÉCIA (594 a.C.) – a base da filosofia política ocidental. Assim como na China, a Grécia não era uma única nação, mas várias cidades-estado separadas sob diversos sistemas de governo. A maioria era governada por um monarca ou uma aristocracia, mas Atenas estabeleceu uma forma de democracia sob uma constituição apresentada pelo estadista Sólon em 594 a.C. (Sólon cria uma constituição para Atenas que abre caminho para uma cidade-estado democrática). O acerto de Sólon foi estabelecer leis que servem de alicerce para a democracia grega (foi um legislador ateniense). A cidade se tornou o centro cultural da Grécia e proporcionava um espaço intelectual no qual filósofos podiam refletir sobre qual seria o Estado ideal, qual seria seu propósito e como dele deveria ser governado.

- Foco nos “reis-filósofos” e o racionalismo como ideologia.

- Platão ou Aristócles (“grande”, aparência musculosa): defendia um governo administrado por uma elite de “reis-filósofos” (que possuem a sabedoria e o conhecimento para entender a natureza de uma vida digna).

- Aristóteles: comparou as várias formas possíveis de governo para uma cidade-estado e sugere a politeia – o governo constitucional – como a mais prática dentre as melhores formas de administrar o Estado (suas teorias formariam a base da filosofia política ocidental).

- Cícero: escreve “Da república”, defendendo uma forma mais democrática de governo que a sugerida por “A república” de Platão.  

- Os Sofistas, incluindo Protágoras, alegam que a justiça política é uma imposição de valores humanos, não um reflexo da justiça na natureza (“A justiça política é uma imposição de ideias humanas, não um reflexo da justiça natural”);

- Esse ambiente político rapidamente transformou Atenas num grande centro cultural, atraindo alguns dos maiores pensadores daquela época. Dentre eles...

- Sócrates (natureza questionadora e atitude cética), preferiu morrer a renunciar a seus pontos de vista: ateniense, cujo questionamento das noções aceitas de justiça e virtude lhe valeu jovens discípulos (bônus). Infelizmente, isso também atraiu a atenção indesejada das autoridades que persuadiram a assembleia democrática a sentenciar Sócrates à morte pelo crime de corromper os jovens (ônus). Após anos de questionamento da política e da sociedade em Atenas, Sócrates é condenado à morte (399 a.C.). Ele escolheu tomar veneno em vez de renunciar às suas opiniões. O julgamento e a condenação de Sócrates motivaram Platão a duvidar das virtudes do sistema político democrático de Atenas. Vejamos...

- A revolta de Platão ou Aristócles (“grande”, aparência musculosa): Platão era um dos jovens seguidores de Sócrates. Após presenciar a assembleia democrática sentenciar a morte de seu mestre, isto é, o tratamento injusto imputado a ele (persuadida pelas autoridades), desiludiu-se com o sistema ateniense. Platão tornou-se um filósofo tão influente quanto Sócrates e, ao final de sua carreira, voltou seu enorme intelecto para a política, sendo “A república” o fruto mais famoso. Como era de se esperar, dado que Platão viu Sócrates ser condenado, e sendo ele mesmo membro de uma família nobre, o filósofo tinha pouca simpatia pela democracia. Mas tampouco achava algo sugestivo em qualquer outra forma de governo existente, acreditando que todas elas levavam o Estado a diversos “males”, isto é, na opinião dele não havia existido nenhum sistema que cumprisse o objetivo da eudaimonia – e os defeitos neles encorajavam o que concebia como sendo esses “males”, ou seja, o oposto dessas virtudes: sabedoria, piedade e justiça. Naquele contexto, a meta vital para os antigos gregos era a “eudaimonia” ou “a vida digna” = “viver bem” que não era uma questão de alcançar o bem-estar material, honra ou o mero prazer, mas viver de acordo com virtudes fundamentais, tais como sabedoria, piedade e, acima de tudo, justiça. 

“A democracia vira despotismo” (Platão). 

“Democracia... é cheia de variedade e desordem, dando igualdade para os iguais e para os desiguais da mesma forma” (Platão).

- O propósito do Estado segundo Platão ou Aristócles (“grande”, aparência musculosa): Platão acreditava que o propósito do Estado era promover essas virtudes (sabedoria, piedade e justiça) de modo que seus cidadãos pudessem levar essa vida digna. Questões como a defesa da propriedade, liberdade e estabilidade só eram importantes ao criarem as condições que permitiam aos cidadãos viverem bem.

- A razão disso, dizia Platão, é que os governantes, quer numa monarquia ou oligarquia (o governo de poucos), quer numa democracia, tendiam a agir segundo seus próprios interesses, em vez de pensar no bem do Estado e do povo (ignorância).

- Para Platão, isso se dava por causa da ignorância geral das virtudes que constituem a vida digna, as quais, por sua vez, induziam o povo a querer as coisas erradas, em especial os prazeres transitórios da honra e da riqueza. Esses prêmios vêm com o poder político, e o problema é mais forte nessa esfera.

- O desejo de governar, para aquilo que Platão via como as razões erradas, leva ao conflito entre os cidadãos. Com todos buscando um poder maior, minam-se a estabilidade e a unidade do Estado. Quem for vitorioso na disputa pelo poder priva os seus oponentes da possibilidade de alcançar os seus desejos, o que leva à injustiça – um mal que é contrário ao alicerce da noção platônica de vida digna.

- Em contraste, argumentava Platão, existe uma classe de pessoas que entende o significado da vida digna: os filósofos. Só eles reconhecem o valor das virtudes sobre o prazer da honra e do dinheiro e devotaram suas vidas à busca desse objetivo. Por essa causa, eles não anseiam a fama e a fortuna, não tendo, assim, o desejo pelo poder político – de modo paradoxal, isso é o que os qualificava como governantes ideais.

- Grosso modo, o argumento de Platão parecia ser simplesmente que os “filósofos entendiam mais” e (vindo de um filósofo) parecia contradizer sua permissa de que eles não tinham nenhum desejo de governar (na verdade, por trás desse argumento, um raciocínio mais rico e sutil).

- Platão e a sua Teoria das Formas Ideais: não estão no mundo onde vivemos, mas podemos acessá-las com raciocínio e indagação.

1.     A virtude não é algo inato, mas depende do conhecimento e da sabedoria, e, para viver de maneira virtuosa, é necessário primeiro entender a natureza essencial da virtude;

2.     Enquanto reconhecemos exemplos individuais de qualidades como justiça, bondade ou beleza, não nos permitimos entender o que dá a elas sua natureza essencial;

3.     Podemos imitá-las – agindo da maneira que achamos justa, por exemplo –, mas isso seria mera mímica e não um comportamento verdadeiramente de acordo com essas virtudes;

4.     Existem arquétipos ideias dessas virtudes (e de tudo o que existe), que consistem a essência de sua verdadeira natureza;

5.     O que vemos como modelos de virtudes seriam apenas exemplos dessas Formas e só mostrariam uma parte de sua natureza. Seriam como reflexos inadequados ou sombras das Formas reais;

6.     As Formas Ideais ou Ideias existem numa esfera fora do mundo onde vivemos, acessíveis apenas por meio do raciocínio filosófico e de indagações;

7.     É justamente isso que separa o “filósofo” da “pessoa comum”. Os filósofos especialmente qualificados fazem isso para definir o que constitui a vida digna e leva a uma vida verdadeiramente virtuosa, em vez de uma simples imitação de exemplos individuais de virtude.

8.     Para ser bom, o Estado precisaria ser governado pelos virtuosos, e, enquanto outros valorizavam o dinheiro ou a honra acima de tudo, só os filósofos valorizavam o conhecimento e a sabedoria, portanto a virtude.

9.     CONCLUSÃO: Logo, só os interesses dos filósofos beneficiariam o Estado e, portanto, os filósofos deveriam se tornar reis. Eles deveriam ser compelidos a assumir posições de poder de modo a evitar o conflito e a injustiça inerentes às outras formas de governo.

10.  Situação utópica: “aqueles agora chamados reis devem genuína e adequadamente filosofar”. Educação para uma potencial classe de governantes como uma proposta mais prática. Ou seja, ensinando as habilidades filosóficas necessárias para se entender a vida digna, assim como outras úteis para a sociedade.

11.  Nem todo cidadão tem a aptidão e a habilidade intelectual para aprender essas habilidades. Então essa educação apropriada nem deve ser oferecida, mas imposta para uma pequena elite intelectual. Aqueles escolhidos para o poder devido aos seus “talentos naturais” devem ser separados de suas famílias e agrupados em comunas, garantindo sua lealdade ao Estado.  

12.  “E o maior castigo consiste em ser governado por alguém ainda pior do que nós, quando não queremos ser nós a governar” (Platão).

CONCLUSÃO FINAL:

Platão influenciou mais do que foi levado a sério.

·       Os escritos políticos de Platão foram influentes no mundo antigo, em especial no Império Romano, e ecoavam as noções de virtude e educação da filosofia política de eruditos chineses como Confúcio e Mozi. É possível que eles até tenham influenciado Kautilya na Índia quando ele escreveu seu tratado sobre o treinamento de potenciais governantes. Nos tempos medievais, a influência de Platão se espalhou para o Império Islâmico e para a Europa cristã, onde Agostinho os incorporou aos ensinamentos da Igreja. Mais tarde, as ideias de Platão foram ofuscadas pelas de Aristóteles, cuja defesa da democracia se assemelhava mais à dos filósofos políticos do Renascimento.

·       As noções políticas de Platão têm sido vistas por pensadores posteriores como inaceitavelmente autoritárias e elitistas e desaprovadas por muitos no mundo moderno, mesmo que essas noções lutassem por estabelecer a democracia. Ele tem sido criticado como alguém que professou um sistema de governo totalitário, ou pelo menos paternalista, governado por uma elite que alega saber o que é melhor para todos os outros. Mais recentemente, no entanto, sua noção central de uma elite política de “reis-filósofos” tem sido reavaliada por pensadores políticos.

·       Em Atenas, Platão fundou a Academia, que teve como aluno Aristóteles. Enquanto ensinava, escreveu vários livros na forma de diálogos, geralmente protagonizados por seu mestre Sócrates, explorando ideias sobre filosofia e política. Acredita-se que tenha seguido ensinando e escrevendo até sua velhice e que tenha morrido com cerca de 80 anos (348/347 a.C.).

·       Diz-se que o imperador Nero não fez nada para ajudar durante o incêndio de Roma. O ideal platônico de rei-filósofo tem sido culpado por alguns pelo surgimento de tiranos assim.

Platão influenciou mais do que foi levado a sério.

LIVROS:

·       Críton e A república.

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