O homem é por natureza um animal político.
O homem é um animal cuja natureza é a de viver em sociedade,
numa polis (a polis é um fenômeno
natural, e não algo feito pelo homem é algo naturalmente social), que seria
tanto uma criação da natureza quanto um formigueiro, ou seja, temos uma
tendência para viver em grandes comunidades civis. A partir de seu estudo do mundo natural, Aristóteles aprendeu
que tudo que existe tem uma meta, ou um propósito, e decidiu que, para o homem,
isso seria levar uma “vida digna” (busca por virtudes: justiça, bondade e
beleza).
Logo, há uma tendência natural para a vida social, mas não há
uma tendência natural para a atividade política (esta é uma escolha). Depois de
estar em sociedade (o agrupamento é uma ocorrência natural), o propósito da
polis seria nos capacitar a conviver nela (e não matar uns aos outros). Não
podemos morrer na sociedade pela competição de recursos, como ocorre na
natureza bruta. Ou seja, a estrutura do Estado não é um fim, mas um meio para as
virtudes (essas sim, os fins).
Para os gregos antigos a estrutura da cidade (capacidade de viver junto, proteger a propriedade, liberdade do cidadão) era meio cujo fim era a virtude (conviver de forma justa, boa e bela). Para as pessoas atuais, o capital inverteu, a virtude é meio para se apropriar e surrupiar a estrutura da cidade. Em vez de usar a atividade política para sermos coletivamente bons, justos e belos, usam politicamente a bondade, a beleza e a justiça para serem grupos miseráveis. Enfim, o tom da ignorância no poder!
O animal humano entregue à sorte individual da natureza padeceria. Seria mais uma espécie em extinção. A evolução o levou naturalmente para a sociedade (para conviver ou se matar?). A resposta está na qualidade da nossa atividade política.
Enfim, Aristóteles identificou várias “espécies” e “subespécies” no interior da polis. Ele descobriu que o que distingue o homem dos outros animais são suas capacidades de fala, as quais lhe garantem uma habilidade única de formar grupos sociais e estabelecer comunidades e parcerias. Dento da polis, os cidadãos desenvolviam uma organização que garantia a segurança, a estabilidade econômica e a justiça do Estado, não por impor nenhuma forma de contrato social, mas por ser de sua natureza fazer isso. Para Aristóteles, as diferentes formas de organizar a vida da polis existiam não só para que as pessoas pudessem viver juntas (já que isso ocorria pela sua própria natureza), mas para que pudessem conviver bem. O tamanho do seu sucesso em atingir essa meta dependia do tipo de governo que elas escolheriam (Monarquia, Aristocracia, Politeia, Tirania, Oligarquia, Democracia... Numa linguagem mais atual: disputa, cooperação, autoritarismo, democracia, fascismo...). Enfim, a atividade política é a arte da convivência!
- Como vimos, em “A república” Platão (c. 380-360 a.C) defende o governo por “reis-filósofos”, os quais possuem sabedoria.
- Péricles (431 a.C.), estadista ateniense, diz que a democracia
garante justiça igualitária para todos.
- No século XIII, Tomás de Aquino incorpora as ideias de
Aristóteles à doutrina cristã.
- c. 1300 Egídio Romano enfatiza a importância do estado de
direito para a vida numa sociedade civil.
- 1651 – Thomas Hobbes propõe um contrato social para evitar que o
homem viva num “bruto estado natural”.
- Para Aristóteles, era inconcebível que os humanos pudessem viver
de qualquer outro modo que não em grupo. Isso até contrasta com as ideias da
sociedade civil como uma construção artificial, tendo sido arrancada de um “estado
de natureza” não civilizado (algo que Aristóteles não teria compreendido). Para
ele, qualquer um vivendo fora de uma polis
não era humano – podendo ser tanto superior aos homens (um deus) como inferior
a eles (um animal selvagem).
- Então veja, a ideia de polis
de Aristóteles é de um fenômeno natural, e não algo feito pelo homem.
- Na Atenas antiga, os cidadãos debatiam política numa plataforma de pedra chamada Pnyx. Para Aristóteles, a participação dos cidadãos no governo era essencial para uma sociedade saudável.
·
A
Grécia antiga não era uma nação-estado, mas um agrupamento de cidades-estados (estados
regionais independentes ou cidades no seu centro, as polis);
·
Cada
cidade-estado ou polis tinha sua própria organização constitucional: Macedônia
(governada por um monarca); Atenas (democracia ou alguns cidadãos podiam participar
de seu governo). Aristóteles cresceu na
Macedônia e estudou em Atenas (foi mandado para lá aos 17 anos para estudar com
Platão na Academia). Ele também passou um tempo em Iônia classificando animais
e plantas de acordo com suas características. Ali estudou a vida selvagem até
ser convidado por Filipe da Macedônia para ser o tutor do jovem Alexandre, o
Grande. Aristóteles voltou a Atenas em 335 a.C. para estabelecer uma escola
rival à Academia, o Liceu.
·
Aristóteles
conhecia bem o conceito de polis e suas várias interpretações, e sua capacidade
ou habilidade analítica o qualificou para examinar os méritos da cidade-estado;
·
Aristóteles
aplicou suas habilidades de categorização à ética e à política, as quais ele
considerava ciências tanto naturais quanto práticas;
·
Aristóteles
acreditava que o conhecimento era adquirido por meio da observação em vez do
raciocínio intelectual (Platão), e que a ciência política deveria ser baseada
em dados empíricos, organizados da maneira parecida à taxonomia do mundo
natural.
·
Naturalmente social.
Aristóteles observou que os humanos têm uma tendência natural a formar unidades
sociais (indivíduos – famílias – vilas – cidades). Assim como alguns animais
(abelhas, gado) se distinguem por sua disposição para viver em colônias ou
bandos (os humanos são por natureza, sociais). Logo, assim como ele poderia
definir um lobo ao dizer que por natureza é um animal de grupo, disse que “o
homem é por natureza um animal político”.
· A partir de seu estudo do mundo natural, ele aprendeu que tudo que existe tem uma meta, ou um propósito, e decidiu que, para o homem, isso seria levar uma “vida digna”.
Quem governa e a favor de quem se governa?
As forças e as fraquezas dos regimes de governo existentes, em Aristóteles.
Quem
governa?
·
Aristóteles
observou que existem basicamente 3 tipos de governo:
- por uma única pessoa;
- por um grupo seleto ou,
- por muitos.
A
favor de quem se governa?
·
O
governante pode agir em favor:
- da população como um todo
(Aristóteles considerava um
verdadeiro ou bom governo, este);
- em interesse próprio do governante ou da classe dominante (o que seria uma forma defeituosa).
· Por ter sido um classificador inveterado de dados, Aristóteles aplicou suas habilidades metodológicas de taxonomia completa para o mundo natural que desenvolveu aos sistemas de governo. Enquanto Platão pensava teoricamente sobre a forma ideal de governo, Aristóteles escolheu examinar os regimes existentes para analisar suas forças e fraquezas.
·
Ao
todo, ele identificou 6 “espécies” de governo, em pares:
1.
Monarquia:
- é o governo por um indivíduo a favor de
todos;
2.
Tirania:
- é o governo por um indivíduo em seu
próprio interesse (uma Monarquia corrompida);
3.
Aristocracia:
- é o governo por alguns em favor de
todos;
- (para os gregos significava o feito
pelos melhores, em vez de um governo hereditário por famílias nobres).
4.
Oligarquia:
- o governo por alguns em interesse
próprio (forma corrompida da Aristocracia).
5.
Politeia:
- o governo por muitos em favor de todos.
6.
Democracia:
- forma corrompida da Politeia, já que na prática ele prevê o governo em favor de muitos, em vez de em favor de cada indivíduo separadamente.
·
De
todos os possíveis regimes, Aristóteles concluiu, a politeia provê a melhor
oportunidade para levar a vida digna. Apesar de Aristóteles categorizar a
democracia como uma forma de regime “falha”, ele argumentou que ela só perdia
para a politeia, sendo melhor que a “boa” aristocracia ou monarquia. Enquanto o
cidadão individual talvez não tenha a sabedoria e a virtude de um bom
governante, coletivamente “os muitos” talvez provem ser melhores governantes
que “o único”.
·
Aristóteles
argumentou que o interesse próprio inerente às formas de governo possuía falhas
porque levava à desigualdade e à injustiça. Disso decorre a instabilidade que
ameaça o papel do Estado e sua habilidade de encorajar uma vida virtuosa. Na
prática, no entanto, as cidades-estado que ele estudou não se encaixavam
perfeitamente em apenas uma categoria, mas exibiam características de vários
tipos;
·
Apesar
da tendência de Aristóteles de ver a polis como um “organismo” único, do qual
os indivíduos são apenas uma parte, ele também examinou o papel do indivíduo na
cidade-estado.
·
Uma
vez mais, ele enfatizou a inclinação natural do homem para a interação social e
definiu o cidadão como alguém que compartilha a estrutura da comunidade social
não apenas elegendo representantes, mas pela participação ativa.
·
Quando
tal participação ocorre dentro de uma forma de governo “boa” (monarquia,
aristocracia ou politeia), ela amplia a possibilidade do cidadão ter uma vida
virtuosa. Sob um regime “falho” (tirania, oligarquia ou democracia), os
cidadãos se envolvem com uma busca, em interesse próprio do governante ou da
classe dominante – a busca do tirano pelo poder, a sede da oligarquia pela
riqueza, ou a busca dos democratas pela liberdade.
· As ideias de Aristóteles tiveram uma influência crescente no pensamento político europeu por toda a Idade Média. Apesar de ser criticado pelo seu frequente ponto de vista autoritário (e da defesa da escravidão e do status inferior das mulheres), seus argumentos a favor de um governo constitucional antecipam as ideias que emergiram no Iluminismo.
Enfim, sintetizando as melhores qualidades que aparecem em todas as espécies de governo, concluímos com as melhores das características para aproveitá-las na nossa democracia atual: O melhor governo é aquele que é feito pelo(s) melhor(es) depois de um sério processo de debates, apresentação de propostas e resposta limpa das urnas, está a favor de todos, garante estabilidade, encoraja a vida virtuosa e digna dos indivíduos pela interação social (elegendo seus representantes e tendo participação ativa) e bota longe a corrupção (aniquila os próprios interesses ou os caprichos familiares, porque isso causa desigualdade e injustiça). Afinal, o cidadão individual talvez não tenha a sabedoria e a virtude de um bom governante, mas coletivamente “os muitos” talvez provem ser melhores governantes que “o único”. Um governo constitucional, pois sabe lidar com o poder, a riqueza e a liberdade!!!
A lei é ordem, e uma boa lei é uma boa ordem (Aristóteles).
A base de um Estado democrático é a liberdade (Aristóteles).
LIVROS:
· Ética a Nicômaco; Política Retórica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário