8 de Janeiro.
“Eram três planos. O primeiro previa que as Forças Especiais (do Exército) me prenderiam em um domingo e me levariam para Goiânia. No segundo, se livrariam do corpo nomeio do caminho para Goiânia. Aí, não seria propriamente uma prisão, mas um homicídio. E o terceiro, de uns mais exaltados, defendia que, após o golpe, eu deveria ser preso e enforcado na Praça dos Três Poderes. Para sentir o nível de agressividade e ódio dessas pessoas, que não sabem diferenciar a pessoa física da instituição. Houve uma tentativa de planejamento”.
“Se não houvesse a demonstração clara de que o STF não iria admitir
golpe, afastaria qualquer governador que aderisse e prenderia os comandantes de
forças públicas, poderíamos ter um efeito dominó que geraria caos”.
“O que chocava era a inação da Polícia Militar. Não precisaria de
100 homens do Batalhão de Choque para dispersar aquilo”.
“O objetivo era gerar um efeito dominó e distúrbios civis no país
todo”.
“O grande erro doloso foi permitir a entrada (dos golpistas) na
Esplanada dos Ministérios. A violência estava numa crescente. O 8 de Janeiro
foi o ápice do movimento: a tentativa final de se reverter o resultado legítimo
das urnas”.
“Em menos de 1 ano, já temos mais de 30 condenados pelo plenário do
STF. Não poderíamos deixar que aqueles que tentaram romper com a democracia no
Brasil continuassem achando que uma eventual impunidade pudesse encorajá-los a
atentar novamente”.
“O ex-presidente JB fez uma série de ataques às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral. Todas as pessoas sobre as quais a PF encontrar indícios serão investigadas, desde os executores até eventuais políticos. Mas isso a investigação é que vai demonstrar”.
“Esses golpistas são extremamente corajosos virtualmente e muito covardes pessoalmente. Então, chegam muitas ameaças, principalmente contra minhas filhas, porque até nisso eles são misóginos. Preferem ameaçar as meninas e sempre com mensagens de cunho sexual. É um povo doente”.
“Nunca vi alguém preso achar que a sua prisão é justa. Analiso as críticas construtivas, mas ignoro as destrutivas. Nenhum desses golpistas defende que alguém que furtou um notebook não possa ser preso. E eles, que atentaram contra a democracia, não podem? Os presos são de classe média, principalmente do interior, e acham que a prisão é só para os pobres. A Justiça tem que ser igual para todos. Se não quisessem ser condenados, não praticassem nenhum crime”.
“Qual é a lição que fica do 8 de Janeiro? A primeira é impedir a continuidade dessa terra sem lei das redes sociais. Sem elas, dificilmente (os atos golpistas) teriam ocorrido de forma tão massiva. Na parte criminal eleitoral, todos os políticos, quando houver comprovação de participação, devem ser alijados da vida política, além da responsabilidade penal. Quem não acredita na democracia não deve participar da vida política do país”.
(Alexandre de Moraes).
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