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"Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (Art. 206, inciso II, da Constituição de 1988).

"Se eu sou um especialista, então minha especialidade é saber como não ser um especialista ou em saber como acho que especialistas devem ser utilizados" (Myles Horton, p. 138).

“Por que escrevemos? Além de todas as recompensas, escrevemos porque queremos mudar as coisas. Escrevemos porque temos essa convicção de que podemos fazer diferença –uma nova percepção de beleza, um novo insight sobre a autocompreensão, uma nova experiência de alegria, uma decisão de unir-se à revolução" (Robert McAfee Brown). "Escrevo esperando fazer minha parte para restringir a intuição com o pensamento crítico, refinar os juízos de valor com compaixão e substituir a ilusão por compreensão” (David G. Myers, p. 47).

“[...] acho que todo conhecimento deveria estar em uma zona de livre comércio. Seu conhecimento, meu conhecimento, o conhecimento de todo o mundo deveria ser aproveitado. Acho que as pessoas que se recusam a usar o conhecimento de outras pessoas estão cometendo um grande erro. Os que se recusam a partilhar seu conhecimento com outras pessoas estão cometendo um erro ainda maior, porque nós necessitamos disso tudo. Não tenho nenhum problema acerca das ideias que obtive de outras pessoas. Se eu acho que são úteis, eu as vou movendo cuidadosamente e as adoto como minhas” ("O caminho se faz caminhando - conversas sobre educação e mudança social", Paulo Freire e Myles Horton: p. 219).

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Regressão perigosa.

 Momentos reacionários...

Por que nosso inconsciente se fascina com aquele que está acima da Lei? Torcemos por ele? Somos coniventes com essa regressão à lei da selva? Quem é nossa referência de vida com a qual nos identificamos e à qual nos submetemos? No fundo torcemos pelo super-líder-pai-todo-poderoso? Mundo afora, é esse o ponto que buscamos, a vitória do império sem lei?

A história já provou várias vezes que a guerra de todos contra todos não é um bom negócio. Já entendemos que o jogo de forças é inevitável, mas deve ser controlado. Já aprendemos que o poder sobe à cabeça e, portanto, deve ser dividido, com instituições que controlem a tentação de roubar nesse jogo. Já experimentamos diversas formas de governo, inclusive a ausência dele, e sabemos que uma democracia de rodízio no poder é melhor do que um líder todo-poderoso, seja ele rei ou CEO sem amarras (essa fantasia de onipotência narcísica sempre à espreita). Refizemos algumas vezes o pacto social, e parece que tínhamos avançado um pouco no esboço do que seria uma pessoa “digna”. Entretanto, o limite do gozo do forte ainda se corporifica como lei.

O resultado das eleições de 2026 no Brasil mostrará a qualidade do nosso pacto social depois de toda prova e tentação que já passamos. Tomara que Flávio imploda o pai e junto com eles o resto do Bolsonarismo. Tudo bem que nunca fomos lá muito amantes da lei laica e não personalista moderna. Que somos um capitalismo de oligarcas com o crime organizado se infiltrando nas instituições. Mas, depois de quase um novo golpe de ditadura, do caso Master, do "anistia é o caralho" e da prisão de Bolsonaro, o que faremos com a nossa Democracia neste ano?

Nosso Id ancestral e animalesco até pode gostar, mas nada disso é civilizado para o (Super)Ego e nossa pequena parte consciente e racional. Vejamos:

·       Países invadem, ameaçam, estupram o que desejam;

·       Governos, democráticos ou autocráticos, reprimem e matam à  bala seus cidadãos;

·       Grupos roubam: redes organizadas (de empresários, banqueiros, traficantes, políticos, juízes, influencers) desenvolvem formas de roubar e se sarfar;

·       Pessoas enlouquecem: cada vez mais gente se aliena nas telas, na violência, nas drogas, bets, seitas, doença mental, opióides, ideologias, peptídeos;

·       Líderes e seus porta-vozes parecem ter perdido a razão ou a decência: olham as imagens de uma execução e a descrevem como “autodefesa”;

·       Não mais ambiente, sociedade, governança. Agora o que manda é economia, segurança e geopolítica;

·       Empresas fazem análise de risco com ajuda do novo cargo de VP de Geopolítica;

·       Países transferem orçamentos da transição energética para a defesa (leia-se guerra);

·       “Os fortes fazem o que podem, os fracos sofrem o que devem” (Tucídides, séc. 5 a.C.);

·       Ano novo, mundo velho;

·       “Eu quero é mais que ele exploda tudo e devolva magicamente meu lugar ao sol. E que sumam daqui todos os feios, sujos, malvados e criminosos que lotam o sistema de saúde que eu pago, roubam meu emprego, aumentam o valor do meu aluguel”;

·       Etc. e tal.

Enfim, até podem ser narrativas da moda que vêm ganhando eleições. Mas, os estragos têm sido grandes, e não só materiais. Massagear o Id e inflar o Ego, despertando em nós aquela parte animal adormecida em nossa ancestralidade remota, por muito tempo trabalhada e mal lapidada pela ciência, pela filosofia e pelas artes, pode custar muito caro ao espírito. Sair da cidade e voltar para a selva, um lugar que nunca deveríamos ter saído, é o primeiro e o último desejo do Id. Uma regressão muito perigosa!